7946 – Livros – Desbravadores dos mares


Depois de um mês e meio navegando, chegam os portugueses, enfim, ao continente que viria a se chamar América. Brasil: Terra à Vista!, agora na versão pocket, parte do encontro de europeus e tupis em Pindorama, naquele 22 de abril de 1500, para contar a história dos descobrimentos naquela movimentada virada de século (do 15 para o 16). Numa narrativa ágil e fragmentada, como a de um jornal de hoje, o autor amarra informações sobre os homens e naus que cruzaram os mares para encontrar outros mundos e outros homens, curiosidades ilustradas por mapas e desenhos que explicam, por exemplo, como uma caravela consegue navegar contra o vento – tecnologia que permitiu conquistar o mar e “novas” terras.

7945 – Paleontologia – Dinossauro Brasileiro


Em 1991, o professor Cândido Simões, hoje aposentado da UFRJ, tinha 71 anos e fazia uma de suas últimas expedições em busca de fósseis de moluscos. Ao descer do barco e pisar na margem do rio Itapecuru, no Maranhão, ele tropeçou em um osso e quase foi ao chão. “Que perigo esse osso de vaca!”, pensaram os pesquisadores que acompanhavam o mestre. Mas, ao analisarem o objeto, eles viram que a vaca não tinha culpa alguma. O professor Simões havia chutado um fóssil que estava ali há 110 milhões de anos. E de uma nova espécie.
“A vértebra era muito densa. Só podia ser de dinossauro”, conta Ismar de Souza Carvalho, do departamento de Geologia da UFRJ, que fazia parte da expedição. Depois do tropicão, foram seis anos de escavação meticulosa na região. No total, foram encontrados cerca de 100 fragmentos, entre costelas, cintura e espinhos neurais.
A partir desses fragmentos de um único animal, os pesquisadores começaram a montar um complicado quebra-cabeça. “Não tínhamos todas as peças. E nem sempre elas se encaixavam”, relata Ismar. Vários especialistas internacionais em dinos foram consultados. Por fim, os pesquisadores concluíram que se tratava de uma nova espécie, a primeira a ser encontrada na Amazônia. Daí seu nome: Amazonsaurus maranhensis.
O bichão, que pertence à superfamília dos saurópodes (os maiores dinos que já habitaram o planeta), era herbívoro. A descoberta brasileira foi publicada na revista especializada Cretaceous Research, em dezembro de 2003. Ah, se não fosse aquele osso no meio do caminho…

7944 – Mega Projeções – Como seria o planeta sem ratos, baratas, moscas e mosquitos?


O mundo seria bem menos nojento – essa é a opinião de muita gente. Mas pense bem: as conseqüências ruins seriam maiores que as boas. Baratas, ratos, moscas e mosquitos são elos fundamentais da cadeia alimentar da qual você também faz parte. Por mais estranha que a ideia possa parecer, sua vida depende dos pernilongos.
Na cidade, a falta desses bichos talvez não causasse tanto sofrimento a curto prazo. Doenças como a leptospirose e a peste bubônica, transmitidas por ratos, não seriam mais um problema. Com a ausência de baratas e moscas, nos alimentaríamos com mais segurança – elas frequentam tanto ambientes contaminados como a despensa, transportando bactérias causadoras de enfermidades. “Até a telefonia seria mais eficiente, já que os cabos não seriam mais roídos por ratazanas”. E quer coisa melhor do que não precisar levar repelente à praia?
Esse paraíso seria seriamente ameaçado pelo desequilíbrio ambiental. Entretanto, larvas de mosquitos se alimentam de partículas em suspensão na água e também servem de comida para peixes. Sem essas larvas, muita matéria orgânica se acumularia nos rios e faltaria alimento para os peixes. Também teríamos menos plantas nas florestas. Algumas moscas ajudam na polinização, assim como as abelhas.
A Natureza é inteligente, reformar o planeta não é tão fácil.

7943 – Mega Sampa – Quantas ruas existem em São Paulo?


A maior cidade do país tem precisamente 48 623 logradouros, segundo dados atualizados em fevereiro pela prefeitura. Por logradouro, entende-se qualquer via pública – de becos a avenidas, de passagens subterrâneas a viadutos. Esse número não leva em conta as ruas que ainda não foram cadastradas, que são muitas. “Para que uma rua passe a existir oficialmente, é preciso que o Diário Oficial do Município publique um decreto assinado pelo prefeito. Surgem entre 50 e 100 novas vias públicas na cidade todos os anos. “Com as que são renomeadas, fazemos cerca de 600 atualizações anuais”. Haja criatividade para dar nomes a tantas ruas. Cada via tem uma história, mas a maioria dos paulistanos não faz idéia de o que significam as palavras impressas na tabuleta da rua de sua casa. Essas informações, antes escondidas nos gaveteiros do Arquivo Histórico Municipal, agora estão disponíveis de graça na internet. No site História das Ruas de São Paulo, é possível digitar o nome de um logradouro da cidade e descobrir o que ele quer dizer. “O acervo começou a ser organizado em 1936, quando o escritor Mário de Andrade dirigia o Departamento de Cultura, atual Secretaria Municipal de Cultura”, diz Luís Soares de Camargo, diretor do Arquivo. A equipe de Luís digitou as fichas datilografadas desde então e foi atrás dos nomes que não constavam no acervo. “Fazemos de 20 a 30 atualizações diárias”, diz o historiador. “Já há 50 mil nomes catalogados.” Isso é mais que o número de logradouros da cidade, por um simples motivo: o site lista ruas que não existem mais ou mudaram de nome.

Avenida São João
São João Batista é o protetor das águas. A avenida recebeu seu nome porque os rios próximos, Iacuba e Anhangabaú (hoje canalizados), eram tidos por assombrados pelos índios. Em tupi, iacuba significa “água envenenada” e anhangabaú, “águas do diabo”

Avenida Ipiranga
Ipiranga, em tupi, significa “rio vermelho”. É o nome do córrego que passa perto do local em que dom Pedro I proclamou a independência do Brasil

Viaduto do Chá
É chamado assim porque havia uma grande plantação de chá onde hoje está o Teatro Municipal de São Paulo, próximo ao viaduto. O dono da lavoura era o barão de Itapetininga, nome de uma rua nas redondezas

Avenida Paulista
Homenagem óbvia a São Paulo. A cidade se chama assim porque foi fundada em 25 de janeiro, dia que a igreja reservou para celebrar Paulo, o santo

Avenida Rebouças
O nome da avenida homenageia o engenheiro baiano Antônio Pereira Rebouças Filho, que construiu a ferrovia Curitiba-Paranaguá

Parque do Ibirapuera
Em tupi, ibirapuera quer dizer “madeira podre”. Esse era o nome de uma aldeia indígena fundada em 1560 pelo padre José de Anchieta, na antiga vila de Santo Amaro (hoje um bairro da zona sul de São Paulo)

7942 – Nutrição – Por que é perigoso comer ovos crus?


O nome do perigo é salmonelose, doença causada pelas bactérias do gênero Salmonella, que infectam cerca de 1% dos ovos de galinha. Ela causa diarreia, vômitos e febre muito fortes. “Crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas podem até morrer”, diz um veterinário da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu. “Ovos são especialmente problemáticos em pratos que são consumidos por muita gente e passam horas sem refrigeração.” O exemplo clássico é a maionese servida em um casamento que reúne, digamos, 200 pessoas por cinco horas – nesse tempo, a colônia bacteriana pode tomar conta do repasto.
A salmonela vive nos intestinos das aves e a contaminação, em geral, ocorre na postura do ovo, por rachaduras na casca. Aí seria só descartar os ovos rachados e lavar os outros. Ocorre que uma entre as cerca de 2 500 variedades da praga atinge o ovo enquanto ele está em formação. É, portanto, impossível distinguir um ovo sadio de outro infectado com salmonela. Como evitá-la, então? Cozinhando os ovos. “A salmonela morre em temperaturas acima de 65 graus”. Como a gema solidifica a 60 graus, diga adeus ao ovo frito com gema mole. Maionese caseira, de ovos crus, nem pensar – mas coma sem medo a industrializada, feita com ovos cozidos.

7941 – Inventos – Como surgiram os óculos escuros?


A primeira lente escura de que se teve notícia foi uma lâmina verde do imperador Nero, no século 1. Especula-se que ele era muito loiro ou albino e, por causa dos olhos claros, não via bem as apresentações nas arenas. Segundo Miguel Giannini, dono do museu de óculos Gioconda Giannini, a lente de Nero era provavelmente de vidro. O primeiro par de óculos com lentes escuras e armação, pesado e desconfortável, surgiu na Alemanha, no século 13. Foram os franceses, no século seguinte, que deram um novo design ao acessório e o nome de pince-nez (pinça de nariz), porque ficava preso na ponta do nariz. O modelo com duas hastes laterais, como os atuais, só surgiu no século 17 e, até o século 20, era feito sempre com lentes verdes. Na década de 60, o cristal, pesado, foi substituído pelo acrílico e pelo policarbonato. As lentes coloridas viraram moda nos anos 70. Hoje as melhores são as verdes, marrons, pretas e cinzas, que absorvem mais de 80% da luz. Também há as azuis, para computador; as amarelas, para lugares escuros, e as rosas, para luzes artificiais.

7940 – Novartis perde processo sobre patente do Glivec na Índia


A Suprema Corte da Índia rejeitou o apelo da Novartis AG pela proteção da patente de seu medicamento de combate ao câncer Glivec, uma manobra que provavelmente vai impulsionar as expectativas de empresas farmacêuticas indianas sobre seus rivais estrangeiros.
A Suprema Corte estabeleceu um precedente legal que parece não favorecer as patentes existentes de drogas vendidas na Índia, uma decisão que não traz bom agouro para companhias estrangeiras com disputas de propriedade intelectual em curso na Índia, entre elas a Pfizer e a Roche, dizem analistas.
Entre os maiores beneficiários da decisão desta segunda-feira estão as indianas Cipla e Natco Pharma, que já vendem versões genéricas do Glivec na Índia a um décimo do custo do remédio com marca.
A decisão mostra que as leis da Índia oferecem “proteção limitada à propriedade intelectual”, disse a Novartis em comunicado.
Mas de 16 mil pacientes usam o Glivec na Índia, a grande maioria dos quais recebem o remédio de graça, disse a Novartis. Em contraste, o Glivec genérico é usado por mais de 300 mil pacientes, de acordo com relatórios da indústria.

7939 – Oceanos – De COUSTEAU AO TITANIC


Se por um lado o ambiente subaquático oferece riscos e impõe uma série de limites, por outro ele costuma ser garantia de descobertas espetaculares. A ausência do ar, temperaturas mais baixas e pouca ou nenhuma luz natural são fatores que colaboram para a preservação de muitos artefatos. Em compensação, é preciso ter extremo cuidado na hora de retirá-los da água. Submersos há dezenas, centenas ou milhares de anos, alguns deles podem simplesmente se desintegrar ao ser removidos. A coleta pode ser feita pelos próprios arqueólogos, manualmente, ou com a ajuda de equipamentos de última geração, como computadores de visualização e robôs comandados a distância.
Quem deu o pontapé inicial no desenvolvimento de equipamentos para a arqueologia subaquática foi o oceanógrafo francês Jacques Cousteau, em 1943, quando desenvolveu, com o engenheiro Emile Gagnan, a aparelhagem de respiração a partir do ar comprimido contido num cilindro. O Aqua-Lung (pulmão aquático), como foi batizado, permitiu aos arqueólogos investigar bem de perto o que antes eles só podiam imaginar. Desde então, cientistas vêm desenvolvendo as mais variadas técnicas para descer cada vez mais fundo. Hoje, há equipamentos que permitem investigações arqueológicas a mais de 6 mil metros de profundidade, como os desenvolvidos pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA. O Departamento de Pesquisas de Arqueologia em Águas Profundas daquela instituição especializou-se em inventar sensores, câmeras e robôs que levam a ciência a lugares onde a pressão é mortal e o homem jamais chegaria.
Um dos achados arqueológicos mais importantes dos últimos tempos foi feito justamente com a ajuda de um desses aparelhos. No mar Negro, fotos e vídeos trouxeram à tona vestígios de presença humana há mais de 7 mil anos. Quem estava à frente da expedição era o oceanógrafo americano Robert Ballard, que, em 1985, tornou-se mundialmente conhecido por encontrar o naufrágio Titanic no Atlântico Norte. Para ele, a grande descoberta, quando acontece, tem o efeito de um nocaute.

7938 – Arqueologia – Em Busca da Atlântida


A expedição prometia ser uma das mais espetaculares de 2004. Um pequeno submersível com duas pessoas irá mergulhar nas águas do Atlântico em busca de um dos maiores enigmas da arqueologia: Atlântida.
Esse mistério teve início quando o filósofo grego Platão (427-347 a.C.) fez as primeiras referências ao mundo perdido de Atlântida em seus textos. Ele a descreveu como uma civilização rica, avançada e igualitária. Segundo o sábio, ficava além do que se chamava Os Pilares de Hércules, hoje conhecido como o estreito de Gibraltar, canal de 13 quilômetros entre a Europa e a África. Platão conta ainda que a ilha tinha sido tragada pelo mar 9 mil anos antes.
Nesses 2 mil anos que se passaram desde a Grécia de Platão, Atlântida transformou-se num mito e virou lenda.
“Curiosamente, ninguém levou a sério a indicação mais evidente: a ilha de Atlântida está justamente na entrada do estreito”, diz Jacques Collina-Girard, historiador e arqueólogo da Universidade do Mediterrâneo, na França.
Em 2001, Collina-Girard reconstruiu um mapa da zona costeira ocidental da Europa há 19 mil anos. Acredita-se que o nível do mar era 130 metros mais baixo que o atual. O mapa revelou um arquipélago, cuja ilha maior, Spartel, localiza-se bem a oeste do estreito.
Pelos estudos, a ilha teria sido submersa há 11 mil anos. Ou seja, na mesma época citada por Platão. “Mera coincidência?”, questiona Girard. Agora, o submersível irá mapear a ilha, coletar sedimentos e buscar cavernas que possam ter sido habitadas. Se o francês estiver certo, será o fim de uma lenda.

7937 – Novos canais de erosão são encontrados em cratera marciana


marte cratera

Uma câmera de alta resolução voando a bordo da missão Mars Reconnaissance Orbiter, que está mapeando a superfície marciana, captou uma imagem fantástica de canais de erosão em uma cratera marciana.
Canais como esse são encontrados em muitas crateras presentes nas latitudes médias de Marte. Mudanças nos canais vêm sendo observadas em imagens desde 2006 e estudar tais atividades tornou-se uma prioridade da nova missão. Vários exemplos de novos depósitos em canais são agora conhecidos.
A imagem mostra um novo depósito na cratera Gaza e foi tirada durante a primavera no sul do planeta, mas o fluxo que forma o depósito ocorreu no inverno anterior.
A atividade dos canais parece ser concentrada no inverno e começo da primavera, e pode ser causada pelo movimento sazonal do dióxido de carbono congelado que é visível nos canais no inverno.