7926 – Ultra-som para ver o fundo do mar


Criaturas marinhas tão pequenas quanto o krill serão pesquisadas agora com a mesma tecnologia usadas para examinar bebês humanos na barriga da mãe: a ultra-sonografia. Até agora, esse animais foram poucos estudados, pois seu tamanho – de meio milímetro a 3 centímetros de comprimento – os torna invisíveis a sonares comuns.
Desenvolvida pela Instituição Scripps de Oceanografia, na Califórnia, Estados Unidos, a Técnica foi batizada de “Fish Tv”.
Um grupo de transmissores e receptores de ondas sonoras conectado a computadores é mergulhado no mar. Os Transmissores, então, emitem ondas de ultra-som que refletem nos animais. Os ecos dessas ondas dão a localização horizontal dos minúsculos seres e, calculando-se o tempo que o eco leva para chegar aos receptores, obtém-se a profundidade. O computador combina as informações e fornece um mapa tridimensional, mostrando onde estão os animais. A tecnologia já esta testada em laboratórios será usada para estudar o Krill, um camarão de 1 milímetro e outros bichos igualmente minúsculos e importantes na cadeia alimentar nas águas do Oceano Pacifico.

7925 – Tiro Certeiro contra a gripe


Resistente, o vírus da gripe é um vilão de mil faces. Muda constantemente a sua superfície: assim, engana o sistema imunológico e frustra tentativas de vacina. Agora, sua impunidade chegará ao fim. Duas drogas recém-descobertas podem alvejar e inutilizar uma proteína fundamental para a vitória do bandido. Trata-se da sialidase (também conhecida por neuraminidase ), que participa na multiplicação do vírus e na colonização do canal respiratório.
Os novos remédios foram criados com o auxilio de computação gráfica, pela equipe do Dr. Mark von Itzstein, da Universidade Monash, na Austrália. Eles se ligam a uma parte da molécula sialidase e, quando isso ocorre, bloqueiam sua ação. A grande vantagem desses medicamentos bloqueadores em relação a outros é que a porção atinge da molécula de proteína existe nos dois principais tipos de vírus da gripe – influenza A e B. As drogas australianas ainda precisam ser testadas em seres humanos, mas reduziram os sintomas da doença e a multiplicação dos germes em ratos infectados.

7924 – Vacina contra o câncer de pele


Os médicos do Hospital Saint George, em Londres, na Inglaterra, devem testar pela primeira vez em seres humanos uma vacina contra o melanoma, um terrível câncer da pele. A nova arma faz parte do arsenal genético desenvolvido nos últimos anos. Aplicada diretamente na região doente, a vacina tem como meta injetar no núcleo das células cancerosas o gene de uma proteína, chamada MHC Classe 1. Segundo os médicos, o câncer não costuma chamar a atenção do sistema imunológico porque um tumor não contém proteínas estranhas – os alvos daquele sistema. Mas a MHC Classe 1 pode funcionar como um alarme. Ela passaria a ser produzida pelas células vacinadas com o gene, e recrutaria as defesas do corpo para atacar a região. Os especialistas não acreditam que a vacina vai eliminar a cirurgia de extração do tumor, já que a velocidade de contra-ataque do sistema imunológico pode ser menor que a do crescimento do câncer. De qualquer forma, pode aumentar as chances do paciente, reduzindo o tamanho do tumor antes da operação. Uma excelente estratégia de luta.

7923 – Arqueologia – Tesouro à beira-mar


O Centro Nacional de Pesquisa Científica da França acaba de divulgar as primeiras fotos da cripta de Constanta, na Romênia, um dos mais bem-conservados acervos funerários de origem romana da região do Mar Negro. A tumba foi encontrada pelos arqueólogos romenos Constanti Chera e Mihail Bucovala em 1989, o conturbado ano da queda do ditador Nicolae Ceausescu, e está sendo considerada uma prova contundente de que a presença romana naquele país foi mais intensa e duradoura do que se imaginava.

Datada do século IV d.C., ela faz parte de uma necrópole destruída nas últimas décadas por obras de construção civil. Para os técnicos, só um milagre pode explicar que ela e seu tesouro – um grande mural, em perfeito estado, retratando a cena de um banquete rural – tenham escapado ao mesmo destino. O problema agora é que, desde que foram desenterradas, as preciosas pinturas ficaram expostas à ação corrosiva do ambiente. E é pouco provável que combalido governo romeno possa preserva-las se não tiver ajuda internacional.

7922 – Tuberculose – Uma velha nova ameaça


Péssima notícia da Organização Mundial de Saúde: a tuberculose, que já foi considerada erradicada, está matando 500 000 africanos por ano. E matará 30 milhões de pessoas em todo o mundo na próxima década.

O nome tuberculose está associado a uma doença do passado, que, entre o final do século XIX e meados do XX, dizimou grandes poetas românticos como Castro Alves e Álvares de Azevedo, no Brasil, e John Keats e Lord Byron, na Europa. Ela é vista como um mal debelado que, em determinado momento da história, obrigou centenas de pessoas a se exilar por anos em sanatórios ou em cidades de bom clima, para se tratar.
Mas, ao contrário do que possa parecer, a tuberculose não ficou para trás. Muito ao contrário. Hoje perdeu seu romantismo e deixou de ser cantada em versos por literatos tísicos. Só que ainda continua fazendo milhões de vítimas. Todos os anos cerca de 6,8 milhões de pessoas adoecem no mundo e 3 milhões morrem de tuberculose. É a doença infecciosa que mais mata, passando uma rasteira na Aids – que faz 2,6 milhões de vítimas – e na malária – que mata 1 milhão por ano –, que a acompanham bem de perto.
O Brasil é o 15º colocado no ranking, encabeçado por China e Índia, dos 22 países que respondem por 80% dos casos de tuberculose do mundo. Estima-se que surjam por aqui 116 000 casos por ano, dos quais apenas 79 000 são notificados ao Ministério da Saúde. “O número tem permanecido estável nos últimos 15 anos”, diz a pneumologista e pesquisadora clínica Margareth Dalcomo, do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, no Rio de Janeiro. Enquanto a situação no Brasil estacionou – embora isso tenha acontecido num patamar perigosamente alto –, o problema no resto do mundo é assustador. Segundo as projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020 haverá cerca de 1 bilhão de novos infectados. Desses, 200 milhões vão adoecer. E 35 milhões – a população de um país como a Argentina – vão morrer.
Boa parte desse novo fôlego que a tuberculose ganhou foi culpa da epidemia de Aids que despontou nas últimas décadas. Apesar de um terço da população mundial carregar a bactéria causadora da tuberculose, apenas 20% desenvolve o mal. São principalmente aquelas pessoas que têm o sistema de defesa do organismo abalado, caso de boa parte dos portadores do vírus da Aids. Além dessas, são vítimas em potencial também os diabéticos, quem fez transplantes de órgãos e pessoas que vivem em condição de extrema pobreza ou subnutrição.
A transmissão da doença é a mais banal possível, por via aérea. Basta o doente tossir, bocejar, espirrar ou mesmo cantar para que o ar ao seu redor se encha da bactéria que causa a tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis. Pior, o micróbio consegue viver até 24 horas suspenso no ar antes de entrar no pulmão de alguém. “Por isso a doença é predominantemente urbana, surge quando há aglomerados de gente”, diz a pneumologista Margareth Dalcomo. A regra vale para países pobres, onde se concentra a grande maioria dos casos, mas também para os mais desenvolvidos.
Em 1992, uma enorme epidemia atacou a ilha de Manhattan, em Nova York, Estados Unidos. Em meados do ano passado, foi a vez de um subúrbio londrino, Newham, que apresentou uma média de 108 casos por 100 000 habitantes, bem mais alta que na Índia (41 por 100 000 habitantes). As vítimas londrinas eram, e continuam sendo, os sem-teto, os usuários de drogas e, principalmente, refugiados africanos e indianos. Acredita-se que esses últimos tenham trazido a epidemia para o bairro. Sinal da globalização, em que até mesmo bactérias e vírus trocam de país e de continente em poucos dias.
Mais preocupante do que a situação do bairro londrino é a dos presídios russos. Lá, cerca de 100 000 prisioneiros, 10% de toda a população carcerária do país, desenvolveram a tuberculose. “As prisões são uma incubadora muito eficiente para infecções por causa da superpopulação, da pouca ventilação, da nutrição deficiente e do estresse”, afirma o infectologista Michael Kimerling, da Universidade de Alabama, Estados Unidos, que preparou para a Organização Mundial de Saúde (OMS) um manual sobre o controle da doença em presídios.
O surto naquela comunidade é tão grande que os membros dos Médicos sem Fronteiras, uma organização mundial sem fins lucrativos, contaram até com a ajuda da máfia que comanda os presídios russos para combater a doença. “Até o mais perigoso presidiário vê o combate à tuberculose como um benefício para as próprias famílias que estão fora do presídio. A doença é transmitida pelo ar e não há parede alta ou grossa o suficiente para manter a bactéria distante do resto da população”, diz Kimerling.
A estratégia usada para combater a tuberculose nos presídios russos é o chamado DOT (sigla em inglês para Terapia Diretamente Observada). Segundo a OMS, hoje 43% da população carcerária na Rússia tem acesso ao DOT. “Os esforços são para que pelo menos três quartos dos pacientes se beneficiem do programa”, diz o infectologista Peter Small, do Centro Médico da Universidade de Stanford, Estados Unidos. O DOT consiste basicamente em dar os medicamentos para o doente e vigiá-lo para ter certeza de que ele vai tomar do jeito certo. Isso pode ser feito por agentes que visitam o paciente todos os dias ou exigindo que ele vá até um hospital para receber, e tomar, os remédios.
A preocupação em vigiar os doentes é para evitar que abandonem o tratamento, hoje feito basicamente com três drogas – a pirazinamida, a isoniazida e a rifampicina – que brecam o desenvolvimento da Mycobacterium tuberculosis. Parece bobagem, mas a má administração dos remédios é uma das grandes causas da expansão das doenças. “O tratamento deve ser feito durante seis meses, sem interrupção, para garantir que a doença seja totalmente curada”, diz o pneumologista Carlos Carvalho, supervisor do serviço de pneumologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Nem todos chegam ao fim porque os sintomas da tuberculose desaparecem logo nas primeiras semanas e a pessoa acha que já ficou boa, apesar de grande parte das bactérias ainda estar viva dentro do organismo. Os efeitos colaterais dos remédios também não motivam muito o paciente a seguir o tratamento à risca. As drogas podem provocar o aparecimento de hepatite, gota e inflamação nas juntas.
É um tratamento incômodo: de acordo com o peso da pessoa, algumas das drogas são tomadas mais de uma vez por dia. Uma pessoa de 50 quilos tem que engolir duas cápsulas, três comprimidos e mais uma vitamina para ajudar o organismo a enfrentar o coquetel. Para um paciente de 70 quilos, o número sobe para oito medicamentos.
Quando o paciente interrompe essa terapia antes da hora não está apenas prejudicando sua saúde, mas dando a oportunidade às bactérias de desenvolver resistência aos medicamentos. “No início do tratamento, as drogas matam somente as bactérias mais sensíveis”, diz o pneumologista Carlos Carvalho. Os micróbios mais resistentes sobrevivem e reiniciam a doença. Só que, dessa vez, podem estar imunes a uma ou mais drogas. “Entre 1% e 3% dos casos de tuberculose no mundo são resistentes às três drogas”, explica o infectologista Marcos Espinal, da OMS, na Suíça. Apesar de a porcentagem parecer baixa, o número de casos de bactérias resistentes é grande: algo entre 68 000 e 204 000. E está aumentando em alguns países da Europa Ocidental. Nas próprias prisões russas já chega a 20% o número de pacientes infectados que não respondem ao tratamento convencional.
Além de novos medicamentos, é preciso ter gente que entenda da doença para tratá-la melhor. Formar esse pessoal é um dos objetivos da Rede TB (sigla usada mundialmente para se referir à tuberculose), criada no final de 2001 por grupos de pesquisadores de várias universidades brasileiras.

Até 2020, a tuberculose vai infectar 200 milhões e matar 35 milhões de pessoas
O abandono do tratamento é uma das grande causas da expansão da doença

Os campeões da bactéria
Número de pessoas infectadas por ano
PAÍS
1. Índia – 1,856 milhão
2. China – 1,365 milhão
3. Indonésia – 595 000
4. Nigéria – 347 000
5. Bangladesh – 332 000
6. Etiópia – 249 500
7. Filipinas – 249 400
15. Brasil – 116 000

Fonte: Estimativa da Organização Mundial de Saúde em 2000

7921 – Medicina – Cientistas revertem sintomas do autismo em animais


Com o uso de um medicamento que já existe, cientistas conseguiram reverter comportamentos associados ao autismo em camundongos com a síndrome. Em um estudo desenvolvido na Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, esses pesquisadores concluíram que o autismo decorre de um problema na comunicação entre as células, o que acaba interferindo de forma negativa no desenvolvimento e na função cerebral. E, de acordo com eles, uma determinada classe de drogas é capaz de restaurar essa comunicação celular e, assim, normalizar o comportamento de pacientes com autismo. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira no periódico PLoS One.
A teoria — Há alguns anos, o professor de medicina da Universidade da Califórnia Robert Naviaux sugeriu que as mitocôndrias, estruturas das células responsáveis por fornecer energia, desempenham um papel importante no desenvolvimento do autismo. De acordo com Naviaux, quando uma célula está doente ou danificada — seja porque está diante de um vírus, inflamação ou substância tóxica, por exemplo — a mitocôndria sinaliza a presença do ‘perigo’ para as células vizinhas. E, a partir desse sinal, as outras células acionam o sistema imunológico e passam a se defender.
Embora a defesa das células as proteja contra uma infecção, também pode prejudicar temporariamente a comunicação entre elas. Porém, quando a infecção é resolvida, esses sinais deixam de ser enviados e a comunicação entre as células é restabelecida. No entanto, segundo a teoria desenvolvida por Naviaux, durante o desenvolvimento inicial do cérebro de uma pessoa, um problema nas mitocôndrias — que pode ser ambiental ou genético — pode fazer com que esses sinais sejam enviados de forma crônica no cérebro e, portanto, que o organismo tenha sempre essa resposta. O resultado disso é a inflamação crônica do cérebro e o desgaste das conexões das células cerebrais.
A partir dessa teoria, Naviaux e seu time de pesquisadores realizaram testes em camundongos com autismo. Os cientistas avaliaram, por exemplo, a coordenação motora e a interação social dos animais, observando de que forma eles se comportavam quando passavam um tempo junto a outros camundongos.

Depois, parte dos animais com autismo recebeu, durante oito semanas, injeções de suramina, uma droga que bloqueia os sinais de inflamação enviados pelas mitocôndrias e que é utilizada para controlar determinadas inflamações. Segundo os resultados, o tratamento com essa substância eliminou os comportamentos associados ao autismo, mesmo quando foi aplicada muito tempo depois do surgimento dos primeiros sintomas do transtorno.

“A eficácia impressionante mostrada por esse estudo revela a possibilidade de desenvolvermos uma classe de drogas anti-inflamatórias completamente nova para tratar o autismo”, diz Naviaux. Os autores do estudo falam em passar para a fase clínica da pesquisa, que é feita com seres humanos, já em 2014. — uma pesquisa clínica dura, em média, de cinco a dez anos e é composta por três fases.

O uso de antidepressivos durante a gravidez pode dobrar o risco do filho desenvolver autismo. Essa é a conclusão de um estudo realizado na Califórnia e publicado no periódico Archives of General Psychiatry em novembro de 2011, que envolveu 298 crianças com distúrbios do espectro do autismo (ASD, na sigla em inglês) e 1.507 crianças no grupo de controle. O uso de tais medicamentos foi relatado por 6,7% das mães de crianças autistas, contra 3,3% das mães no grupo de controle. Essa relação é considerada mais forte caso os medicamentos sejam utilizados no primeiro trimestre da gravidez.

7920 – Autismo – Estudo reforça que ácido fólico na gravidez pode reduzir o risco de autismo nos bebês


Um extenso estudo americano concluiu que tomar suplementos de ácido fólico durante a gravidez reduz em até 40% o risco de o bebê ter autismo. Essa vitamina, presente em alimentos como brócolis, tomate, lentilha e também em bebidas como a cerveja, diminui as chances de haver má formação congênita, mas ainda não está claro se a substância protege a criança contra problemas neurológicos. A nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira no periódico The Journal of The American Association (JAMA), fornece novas evidências que reforçam tal relação, que já havia sido apontada por trabalhos anteriores.
A pesquisa, feita na Universidade da Califórnia, Davis, nos Estados Unidos, se baseou nos dados de 85.176 bebês inscritos no Estudo de Corte de Mães e Crianças Norueguesas, o maior trabalho já feito sobre a influência de fatores genéticos e ambientais sobre doenças neurológicas. Os pais dessas crianças também participaram da pesquisa. Após acompanhar as crianças entre três e dez anos após o seu nascimento, a equipe observou que 270 delas apresentaram algum transtorno do espectro autista.
De acordo com os resultados da pesquisa, mães que fizeram uso de suplementos de ácido fólico antes e durante a gestação tiveram filhos com um risco até 40% menor de serem diagnosticados com autismo na infância. Esse benefício foi observado apenas em mulheres que tomaram os suplementos durante o período entre quatro semanas antes de engravidarem e oito semanas após o início da gestação — o que revela que o momento do consumo da vitamina é crucial para reduzir os riscos de saúde ao bebê. Os pesquisadores não encontraram evidências de que outros suplementos alimentares, como de ômega-3, por exemplo, na gravidez influenciam no risco de autismo no filho.

Consumo ideal — Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o consumo de suplementos de ácido fólico é indicado para prevenir anencefalia (defeito congênito na formação do cérebro e da medula) e espinha bífida (formação anômala dos ossos da coluna vertebral) — dois defeitos de fechamento do tubo neural (estrutura que dará origem ao sistema nervoso central do bebê, incluindo cérebro e coluna).
A recomendação do órgão é a de que as mulheres consumam 400 microgramas por dia de ácido fólico durante pelo menos um mês antes de engravidar e ao longo do primeiro trimestre de gestação — período em que o tubo neural está em pleno desenvolvimento.
Em 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a adição de 4,2 miligramas de ferro e de 150 miligramas de ácido fólico para cada 100 gramas de farinha de trigo e de milho. A intenção era reduzir a prevalência de anemia por deficiência de ferro e prevenir defeitos do tubo neural.

7919 – Café e chá verde reduzem o risco de AVC


Foi o que concluiu um novo estudo feito no Japão. Essa pesquisa mostrou, por exemplo, que beber uma xícara de café por dia já é suficiente para diminuir em 20% a chance de derrame cerebral. O trabalho completo foi publicado nesta quinta-feira no periódico Stroke, da Associação Americana do Coração.
A pesquisa analisou os hábitos alimentares de mais de 82.000 pessoas entre 45 e 74 anos de idade ao longo de 13 anos. De acordo com os resultados, o risco de derrame cerebral é 14% menor para quem bebe de duas a três xícaras de chá verde diariamente em comparação com quem não consome a bebida. Além disso, a análise, que foi desenvolvida na Universidade de Osaka, concluiu que beber uma xícara de café ou duas de chá verde por dia pode diminuir em 32% o risco de hemorragia cerebral. Segundo os autores do estudo, 13% dos casos de AVC ocorrem em decorrência de hemorragia no cérebro.

As conclusões apresentadas pela pesquisa foram obtidas após os dados serem ajustados de acordo com fatores como idade, sexo, tabagismo, consumo de bebida alcoólica, peso, alimentação e níveis de atividade física. Embora o estudo tenha sido feito com um grande número de pessoas, os pesquisadores não conseguiram explicar os mecanismos biológicos pelos quais o chá verde e o café atuam no organismo, mas acreditam que as substancias antioxidantes presentes nas bebidas ajudam a provocar esse benefício observado.

Pesquisadores:
Yoshihiro Kokubo, Hiroyasu Iso, Isao Saito, Kazumasa Yamagishi, Hiroshi Yatsuya, Junko Ishihara, Manami Inoue e Shoichiro Tsugane,

Instituição: Universidade da Osaka, Japão

7918 – Neurociência – Pesquisa usa imagens cerebrais para prever comportamento criminoso


Os juízes podem ganhar em breve uma nova ferramenta para ajudar a decidir o destino de alguns réus: aparelhos de ressonância magnética. Um estudo publicado nesta quarta-feira mostra que os impulsos elétricos captados no cérebro de um detento podem ajudar a calcular o risco de ele voltar a cometer crimes assim que sair da cadeia. Os pesquisadores mostraram que a baixa atividade de uma região cerebral conhecida como córtex cingulado anterior está ligada a uma maior probabilidade de um ex-presidiário reincidir em seus delitos e voltar à prisão. O teste ainda está em seus primeiros estágios de desenvolvimento e longe de ser aplicado para analisar o comportamento de um indivíduo. No entanto, as possibilidades abertas pelo uso da neurologia para prever comportamentos criminosos — a neuroprevisão — já abre uma série de discussões legais, éticas e científicas.
Segundo os cientistas, inúmeros estudos mostram que um dos principais fatores de risco para a reincidência de um criminoso é a desinibição comportamental: uma dificuldade persistente em controlar seus impulsos e considerar as consequências de suas ações. Esse tipo de comportamento costuma estar associado a uma baixa atividade do córtex cingulado anterior, área do cérebro que regula o processamento de erros, monitoramento de conflitos e seleção de respostas. “Essa região regula o comportamento do indivíduo. Se o sistema não estiver funcionando corretamente, ele pode levar a comportamentos desregulados — como a impulsividade”.
Sabendo da importância dessa região cerebral, os neurocientistas conduziram uma pesquisa com mais de 96 detentos que estavam prestes a ser soltos de duas penitenciárias no estado americano do Novo México. Eles participaram de um teste que media sua impulsividade ao mesmo tempo em que sua atividade cerebral era registrada. Os voluntários deveriam acompanhar uma série de letras que surgiam em uma tela e, toda vez que aparecesse um X, eles deveriam apertar um botão. Quando um K aparecesse, ele não deveria ser pressionado. Como o X aparecia mais de 80% das vezes, o detento ficava em um permanente estado de atenção — sempre prestes a apertar o botão. Conforme o esperado, os participantes que registraram menor atividade no córtex cingulado anterior pressionaram mais vezes o botão nos momentos errados, demonstrando dificuldade em controlar seus impulsos.

Quatro anos depois dos testes, 53% dos voluntários já haviam sido presos novamente, após se envolver em novos crimes. Ao comparar os dados dos reincidentes com os daqueles que se mantiveram longe da cadeia, os pesquisadores descobriram que os detentos com baixa atividade do córtex cingulado anterior apresentaram o dobro de chances de passar por uma nova detenção.

Polícia neurológica — A ideia de uma força policial capaz de prever quem vai cometer crimes e agir antes que eles aconteçam é o tema do filme Minority Report, de 2002 (baseado num conto homônimo do autor de ficção científica Philip K. Dick, escrito em 1956). A história se passa em Washington, DC, nos Estados Unidos, em 2045, quando três mutantes passam a ser capazes de “sentir” quem vai cometer um assassinato. O sistema parece funcionar perfeitamente — a cidade passa anos sem registrar nenhum homicídio — até que um dos policiais responsáveis por prevenir os crimes (papel de Tom Cruise) aparece na visão dos mutantes como um dos futuros assassinos. Ele, obviamente, não vê a si mesmo como um criminoso e passa a duvidar das previsões.

Os pesquisadores se mostram céticos quanto à possibilidade de as imagens cerebrais preverem o comportamento de qualquer pessoa. A atividade do cérebro não é capaz de mostrar com exatidão o que alguém fará no futuro. Por isso, dificilmente alguém será preso apenas por causa de sua atividade cerebral. No entanto, essas técnicas podem ajudar a desenhar perfis de personalidade e a calcular o risco de um indivíduo incidir — ou reincidir — em comportamento antissocial. Dessa forma, pode um dia se tornar uma ferramenta útil nos tribunais.

A justiça americana já emprega atualmente uma série de testes comportamentais para medir a capacidade de um indivíduo controlar seus impulsos, calculando assim o risco que ele representa para a sociedade. “Esses testes são usados, por exemplo, para ajudar a decidir se um réu deve ir para a prisão ou para a liberdade condicional. Também são aplicados na hora de julgar se um detento deve continuar preso depois de ter cumprido uma parte da pena. A neuroprevisão poderia se somar a esses testes que já são aplicados, para ajudar a justiça a chegar a uma decisão mais acertada”.Tais decisões podem ter uma grande impacto na vida do réu. Se a técnica pode torná-las mais justas, essa é a coisa mais racional a ser feita.
Mesmo que a tecnologia se mostre 100% precisa, uma série de questões éticas e práticas podem impedir sua utilização. A primeira delas é simples: será ético — e legal — forçar alguém a ter seu cérebro escaneado? “Se uma pessoa se recusar a participar do teste, ela pode ser penalizada? Nos Estados Unidos, essa é uma questão ainda em aberto”, diz Morse. Outro problema é algumas pessoas podem aprender a ativar algumas áreas do cérebro e “enganar” os aparelhos de ressonância magnética, ludibriando todo o sistema de justiça.

Por enquanto, antes que todas essas questões sejam respondidas, os estudos devem levar ao desenvolvimento de novas técnicas para diminuir a reincidência criminal. Os pesquisadores pensam, por exemplo, em estudar tratamentos e intervenções que ajudem os detentos com baixa atividade no córtex cingulado anterior. No entanto, eles não escondem o desejo de que a tecnologia vá parar nos tribunais.

7917 – Número de pessoas que sobrevivem ao câncer deve aumentar 31% até 2022


A Sociedade Americana de Pesquisa sobre o Câncer (The American Association for Cancer Research, AACR) divulgou nesta quarta-feira o segundo Relatório Anual de Sobrevivência ao Câncer nos Estados Unidos. O documento, publicado no periódico científico da AACR, Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, prevê um aumento de 31% na sobrevivência ao câncer nos Estados Unidos até 2022: de 13,7 milhões de sobreviventes em janeiro de 2012 para 18 milhões dez anos mais tarde.
O relatório utiliza dados governamentais do programa Surveillance, Epidemiology and End Results, que recolhe informações sobre câncer na população dos Estados Unidos, e de projeções para o censo populacional do país.
Além do aumento estimado no número de sobreviventes ao câncer, o documento mostra que a sobrevivência não é uniforme para todos os tipos de câncer. Atualmente, mulheres com câncer de mama representam 22% dos sobreviventes, enquanto homens com câncer de próstata correspondem a 20%. Pacientes com câncer de pulmão, o segundo tipo mais comum da doença, representam apenas 3% dos sobreviventes.
Desafios – De acordo com Julia, o aumento do número de pessoas que sobrevivem ao câncer representará um novo desafio para a saúde pública. Pacientes diagnosticados com câncer terão chances maiores de apresentar outras doenças concomitantes que precisarão ser tratadas. Ela também estima que 16% dos pacientes já terão desenvolvido um tumor anteriormente. “Garantir que esses pacientes tenham vidas longas, saudáveis e produtivas será um desafio para todos nós”, afirma.

Pesquisadores:
Janet S. de Moor, Angela B. Mariotto, Carla Parry, Catherine M. Alfano, Lynne Padgett, Erin E. Kent, Laura Forsythe, Steve Scoppa, Mark Hachey e Julia H. Rowland.

O cirurgião Murray Brennan é referência mundial no tratamento de sarcomas dos tecidos moles. Autor de mais de 1.000 artigos científicos, ele acredita que no futuro o câncer será uma doença crônica, assim como a hipertensão.

Pensar em conviver com o câncer para o resto da vida não parece ser a solução ideal para quem está doente. Ainda muito associada à morte, a doença envolve tratamentos longos, com sintomas desgastantes, além do frequente medo de uma recidiva. Se a cura ainda parece distante, é fato que com a evolução dos medicamentos e da tecnologia, o câncer está se tornando uma doença cada vez mais tratável. Dentro de alguns anos, já será possível pensar nele como uma doença crônica, uma espécie de hipertensão. É isso que pensa Murray Brennan, vice-presidente de programas internacionais do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, um dos maiores centros oncológicos dos Estados Unidos, localizado em Nova York. “Não há uma bala mágica que se dá aos pacientes para curar todos os tipos de câncer. Mas temos várias balas eficazes”, completa. Otimista, o cirurgião dedicou sua vida a estudar o câncer desde a década de 70. Hoje, é referência mundial no tratamento de sarcomas dos tecidos moles e assinou mais de 1.000 artigos científicos durante a sua carreira.

“Durante 30 anos, as vacinas foram muito decepcionantes. Acredito que as chances de elas serem utilizadas como uma única resposta contra o câncer são muito pequenas. Em algumas situações específicas, está claro que as vacinas adicionam a outros tratamentos. Elas podem ser úteis por fazer com que o sistema imunológico dos pacientes fique mais ativo ao mesmo tempo em que eles são tratados com outras drogas. Acho que essa é uma abordagem possível.”

Murray

7916 – Laboratório nos EUA perde amostra de vírus mortal


Um frasco com 1 ml do vírus causador do guanarito, febre hemorrágica transmitida por roedores na Venezuela, foi perdido em um laboratório na Universidade do Texas em Galveston, nos EUA.
O presidente da escola de medicina da universidade, David Callender, divulgou uma carta no domingo (24-março) na qual afirma que uma inspeção no laboratório da instituição constatou a falta do frasco que deveria estar em um congelador lacrado com acesso restrito.
Segundo Callender, não há risco de transmissão da doença de pessoa para pessoa. Os CDCs (Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA) foram avisados e estão auxiliando as investigações.
Para o presidente da instituição, o mais provável é que o frasco tenha sido destruído durante um procedimento normal de esterilização do laboratório.
A rede de notícias americana ABC afirma que o FBI está supervisionando as investigações.
O Laboratório Nacional de Galveston guarda amostras de alguns dos mais vírus mais perigosos nos EUA.