7905 – Mega Polêmica – Lembranças de vidas passadas


Nos últimos anos, muita gente diz ter descoberto coisas que nem imaginava sobre si mesmo na chamada terapia de vidas passadas, ou terapia regressiva vivencial: nome, profissão e época em que viveu em outras encarnações. A técnica, que consiste em hipnotizar o paciente e fazê-lo regredir para antes da data de seu nascimento, parte da premissa de que existe reencarnação e que traumas vividos em existências anteriores afetam o estado psicológico e físico dos pacientes.
Muitos dos relatos que esses pacientes fazem durante o estado hipnótico são cheios de detalhes históricos e geográficos que, aparentemente, o paciente desconhece quando consciente. Para a psiquiatria, isso não constitui prova da suposta vida anterior. No artigo Past-Life Experiences, os pesquisadores Antonia Mills, da Universidade do Norte da Colúmbia Britânica, no Canadá, e Steven Jay Lynn, da Universidade do Estado de Nova York, em Binghamton, nos Estados Unidos, apontam evidências de que pode se tratar de simples autopersuasão. Primeiro, tanto o paciente quanto o terapeuta a princípio estão convencidos de que existiram outras vidas e de que serão capazes de regredir até elas. Segundo, com tanta informação disponível em livros, revistas, jornais, filmes, televisão, internet e outras mídias, as pessoas esquecem como ficaram sabendo de um fato.

Língua Estranha
Os dois cientistas, no entanto, citam uma pesquisa de Ian Stevenson, da Escola de Medicina da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, em que surgem casos que podem ser uma exceção: pacientes que falam uma língua com a qual nunca tiveram contato. Esse conhecimento, segundo Stevenson, pode vir de uma vida passada.
A especialidade de Stevenson, de fato, são as experiências espontâneas de vidas passadas. Existem casos de crianças entre 2 e 5 anos que, de repente, começam a falar sobre alguma suposta vida anterior. Nas investigações, essas histórias batem com acontecimentos reais da vida de alguém que já morreu, pessoas de quem a criança nunca poderia ter ouvido falar. Além disso, quando é promovido o encontro da criança com a família e os amigos do morto, a primeira reconhece as pessoas e é, até, capaz de dizer seus nomes.

7904 – Qual a função do sono


Mente nenhuma funciona direito sem uma boa noite de sono. Mas ninguém sabe exatamente por que todos os animais precisam dormir, que papel esse período de descanso tem no metabolismo do cérebro, que mecanismos são acionados para se fazer o trabalho que tem de ser feito. Quem descobrir a função do sono ganha o prêmio Nobel, diz um neurologista do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Há uma limitação técnica. Estamos tentando mensurar dados muito subjetivos. Qual o papel do riso, da alegria, na saúde das pessoas?”
Uma hipótese bastante forte é a de que, nos primeiros anos de vida, o sono tenha um papel importante na maturação do sistema nervoso central. Outra é que ele sirva para reposição de energias. Acredita-se também que é durante o sono que acontece a transposição da memória temporária para a memória permanente. E é fato que é quando dormimos que o hormônio de crescimento é secretado. A maior dificuldade está em saber como essas coisas se processam.
Para complicar, o sono é composto de dois estados muito diferentes entre si. Estudos feitos com eletroencefalograma mostram que há uma alternância de períodos em que ondas cerebrais são longas e lentas e outros em que a atividade cerebral lembra muito o estado desperto. Conhecido como sono REM (do inglês Rapid Eye Movement, movimento rápido dos olhos), o período de maior atividade se caracteriza pelos rápidos movimentos dos olhos, o amortecimento dos músculos e a alta incidência de sonhos. O outro estágio é conhecido como não-REM e nele também acontecem sonhos, mas com menor frequência.

7903 – Evolução – Onde está o elo perdido?


Como todos sabem, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ardipithecus não é Australopithecus, Australopithecus não é Homo erectus e urubu não é minha loira. Por isso, é melhor que cada macaco fique no seu próprio galho e que se saiba aqui que Elo Perdido não é aquele seriado que passava na tevê nos anos 70. Elo Perdido é o último ancestral comum aos chimpanzés e seres humanos. Depois dele, homem ficou sendo homem – até chegar ao Homo sapiens – e chimpanzé continuou chimpanzé. A questão é quando e onde este ser teria vivido?
O mais famoso candidato é, na verdade, uma candidata. Foi descoberta na Etiópia em 1974 e batizada de Lucy (por causa de “Lucy in the Sky with Diamonds” dos Beatles). Seus ossos datam de 3,2 milhões de anos atrás. O cérebro era pequeno e sua estatura não passava de um metro. Foi classificada entre os Australopithecus afarensis e por muito tempo ocupou o posto de avó da humanidade. Perdeu a vaga em 1992 para um Ardipithecus ramidus encontrado também na Etiópia. Ele teria vivido há 4,4 milhões de anos e foi considerado o hominídeo mais antigo já descoberto. Isso até o ano passado. Por quê? Porque em 2002 uma equipe de arqueólogos liderada pelo francês Michel Brunet encontrou um crânio, dois pedaços de mandíbula e três dentes de 7 milhões de anos. O achado se deu na República do Chade e os fósseis constituíram uma nova espécie: Sahelanthropus tchadensis. Mas ganharam também o nome de Toumaï, que significa “esperança de vida” no idioma goran.
O crânio tem a parte frontal achatada com fortes sinais de uma sobrancelha sobre a cavidade dos olhos. A parte de trás, no entanto, é mais parecida com a de um chimpanzé. Sua estatura é estimada entre 1,15 m e 1,25 m e como não se encontrou o restante do esqueleto não dá para saber o seu modo de locomoção. Este seria então o elo perdido entre o homem e o chimpanzé? Pode ser. Mas até há pouco geneticistas acreditavam que o último ancestral teria vivido entre 5 milhões e 6 milhões de anos atrás – o que pode levar a crer que os 7 milhões de Toumai estaria muito mais para um gorila.

7902 – Acredite se quiser – Empresa planeja Reality Show em Marte


colônia marte

Quando Bas Lansdorp começou a sonhar, há mais de uma década, em fundar a primeira colônia humana permanente em Marte, seu enfoque principal não foi superar os desafios tecnológicos. Foi o modelo empresarial. “Toda a tecnologia de que precisamos já existe –ou quase”, disse. “Eu simplesmente não conseguia imaginar como financiar a coisa.”
Lansdorp, um engenheiro e empresário holandês de 36 anos, não tem a fama de Dennis Tito, o financista americano que anunciou em fevereiro um plano para enviar duas pessoas em um sobrevoo a Marte em 2018. Lansdorp também não pode se comparar à riqueza de Elon Musk, o bilionário fundador da SpaceX e da Tesla Motors, que propôs enviar até 80 mil pessoas ao planeta vermelho e cobrar US$ 500 mil de cada uma.
Mas Lansdorp está convencido de que encontrou o plano perfeito para levantar os US$ 6 bilhões que diz precisar para pousar uma primeira equipe de quatro pessoas na superfície de Marte até 2023. A missão seria transmitida como um programa de reality show para todo o mundo e duraria vários anos.

“Quantas pessoas você acha que desejariam ser os primeiros seres humanos a chegar a Marte?”, perguntou Lansdorp em uma entrevista, lembrando que mais de 600 milhões de espectadores disseram ter sintonizado os primeiros passos de Neil Armstrong na Lua em 1969.

“Estamos falando em criar um grande espetáculo de mídia, muito maior que os pousos na Lua ou os Jogos Olímpicos, com um enorme potencial de receita originária de direitos de transmissão e patrocínios.”
Lansdorp será o produtor-executivo, não um ator: ele não pretende fazer a viagem. Apesar do significativo ceticismo que seu plano despertou, ele cita seu sucesso em fundar e atrair financiamento para a companhia de energia eólica Ampyx Power –uma empresa que tenta usar aviões sem piloto e de curto alcance para gerar eletricidade– como evidência de que pode transformar ideias amplas em realidades financeiramente viáveis. Lansdorp não quis dizer quanto ganhou vendendo sua participação na Ampyx, mas disse que não precisaria trabalhar durante vários anos, pelo menos.
Com dez anos para selecionar e preparar sua primeira equipe, o projeto, chamado Mars One [Marte um], espera começar o recrutamento de astronautas on-line neste outono. Os candidatos devem ter pelo menos 18 anos, ser fisicamente aptos, falar inglês e estar dispostos a superar o processo de seleção e um programa de treinamento de oito anos sob o olhar constante de uma câmera. Não é necessário possuir habilidades técnicas específicas ou experiência, mas não esqueça de ler as letras miúdas do contrato: por motivos de recursos e de logística, essa é uma viagem só de ida.

No mês passado, o Mars One conseguiu seus primeiros investidores externos, e esses fundos serão usados para financiar os estudos do projeto conceitual da espaçonave, de um módulo de pouso, dos sistemas de suporte à vida, dos veículos de suprimento e dos sistemas de comunicação.

O site recebeu 1,7 milhão de visitantes únicos desde que foi ao ar, em junho passado, segundo o Google Analytics. Mais de 8.000 pessoas de mais de cem países já enviaram seus currículos por e-mail desde que o recrutamento on-line começou, em janeiro.
Lansdorp montou o Mars One como uma fundação sem fins lucrativos, mas ela é a acionista majoritária de uma companhia comercial, a Interplanetary Media Group, que possui os direitos exclusivos de venda das transmissões de televisão e de publicidade.
Ainda assim, nem todo mundo está convencido de que o projeto irá decolar. “A ideia de voar para Marte sem retorno não é tão absurda quanto pode parecer”, disse Robert Zubrin, ex-presidente da Sociedade Espacial Nacional dos Estados Unidos.
“Mas eu sou muito cético de que ela possa ser financiada por receitas de televisão.”
Peter Mejer, diretor operacional da unidade holandesa da Trifork, um desenvolver de software baseado em Copenhague, disse que sua empresa –que também está fornecendo tecnologia de hospedagem na web e de rede para o Mars One– concordou em investir uma soma não revelada.

7901 – Pesquisadores tentam reverter extinção de espécies de animais


New York Times

Clonagem animal extinto

Até pouco tempo atrás, a seta da seleção natural parecia avançar em só uma direção. Uma espécie se formava, crescia e depois se extinguia. E, uma vez extinta, não podia mais retornar.
Agora, cientistas dizem enxergar outra possibilidade. “Talvez não possamos adiar a morte, mas possamos revertê-la”, disse o geneticista George Church, da Escola Médica de Harvard.
Até hoje, só uma espécie extinta foi ressuscitada, e o filhote que nasceu, em 2003, viveu por apenas alguns minutos. Era um íbex dos Pireneus, animal semelhante a uma cabra, que vagava pelos penhascos entre a Espanha e França até que o último indivíduo morreu, em 1999.
O método empregado foi a clonagem. Foram usadas células congeladas do último dos animais para tentar criar um exemplar novo.
Numa conferência em Washington, neste mês, cientistas australianos falaram sobre a tentativa de ressuscitar a rã “incubadora” (Rheobatrachus silus), sumida há cerca de um quarto de século.
Até agora, o chamado Projeto Lazarus só criou embriões que logo morreram.
Apesar de os esforços serem iniciais, cientistas já estão pensando em maneiras de trazer muitas espécies de volta, como o mamute-lanoso, um cavalo de 70 mil anos atrás que vivia no Canadá e o pombo-passageiro.
Mas é preciso ter cautela, dizem pesquisadores. Ross MacPhee, curador de mamíferos no Museu Americano de História Natural, em Nova York, disse que, embora fascinante do ponto de vista científico, trazer as espécies extintas de volta requer mais reflexão. “Quem vai fazer isso, e quais são as regras?”
Supondo que os humanos sejam capazes de ressuscitar espécies extintas, será que deveriam fazê-lo?
A clonagem real requer uma célula intacta de uma espécie extinta. Especula-se que possa haver células congeladas intactas de espécies como o mamute-lanoso no permafrost (solo congelado), no Ártico.
George Church, no entanto, disse que ele e a maioria dos cientistas creem que o máximo que pode ser encontrado, como já aconteceu, são fragmentos de DNA.
Mas novas tecnologias sugerem outro método, que só requer algum material genético. A ideia é comparar o DNA da espécie extinta ao de uma espécie atual relacionada e substituir pedaços do código genético do bicho de hoje por fragmentos do DNA do animal extinto, inseridos em células da espécie existente. Essas células híbridas seriam usadas para a clonagem.
Depois de algum tempo, o animal resultante teria DNA suficiente da espécie extinta para assemelhar-se a ela.
Outra possibilidade cogitada é a seleção artificial de animais domésticos atuais para obter uma raça com fenótipo semelhante ao de um ancestral selvagem extinto.
Isso poderia funcionar com o auroque, por exemplo, uma raça antiga de gado selvagem. Acredita-se que a maioria de seus genes distintivos ainda exista espalhada entre as variedades de gado de hoje. Cientistas poderiam reproduzir essas variedades, selecionando descendentes com cada vez mais material genético do auroque.
Teoricamente, seria possível fazer a seleção de humanos para trazer de volta o neandertal, afirmou Hank Greely, diretor do Centro de Direito e Biociências da Universidade Stanford.
Segundo ele, de 2% a 3% do DNA humano parece ser feito de relíquias do DNA neandertalense. Mas Greely acrescentou que, evidentemente, “é inviável fazer uma seleção de 500 gerações humanas, sem falar que seria uma péssima ideia”.

7900 – Estudo conclui que fim dos dinossauros ‘foi causado por cometa’


A rocha espacial que atingiu a Terra há 65 milhões de anos e que é tida como a causadora da extinção dos dinossauros foi provavelmente um cometa, concluiu um estudo divulgado por cientistas americanos.
Segundo a pesquisa, a cratera Chicxulub, no México – que tem 180 km de diâmetro – foi criada por um objeto menor do que se imaginava anteriormente.
Muitos cientistas consideram que um asteroide grande e relativamente lento teria sido o responsável.
Os detalhes do estudo, feito por uma equipe do Darthmouth College, universidade no Estado americano de New Hampshire (nordeste do país), foram divulgados na 44ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária, realizada no Estado do Texas, no sul dos Estados Unidos.

“O objetivo maior do nosso projeto é caracterizar melhor o que causou o impacto que produziu a cratera na península de Yucatán (no México)”, disse Jason Moore, do Dartmouth College, à BBC News.
No entanto, outros pesquisadores ainda são cautelosos a respeito dos resultados da pesquisa.

Uma química extraterrestre
A colisão da rocha espacial com a Terra criou em todo o planeta uma camada de sedimentos com o elemento químico irídio em concentrações muito mais altas do que ocorre naturalmente.
No entanto, a equipe de pesquisadores sugere que os índices de irídio citados atualmente estão incorretos. Usando uma comparação com outro elemento extraterrestre depositado no impacto – o ósmio – eles conseguiram deduzir que a colisão depositou menos resíduos do que se acreditava.
Os valores recalculados de irídio sugerem que um corpo celeste menor atingiu a Terra. Na segunda parte do trabalho, os pesquisadores tentaram relacionar o novo valor com as propriedades físicas conhecidas da cratera de Chicxulub.

Para que essa rocha espacial menor tenha produzido uma cratera de 180 km de largura, ela deve ter viajado relativamente rápido.
A equipe calculou que um cometa de longo período se ajustava à descrição muito melhor do que outros possíveis candidatos.
Cometas de longo período são corpos celestes de poeira, rocha e gelo que têm órbitas excêntricas ao redor do Sol. Eles podem levar centenas, milhares e em alguns casos até milhões de anos para completar uma órbita.

O evento que causou a extinção há 65 milhões de anos é associado, hoje em dia, à cratera no México. O acontecimento teria matado cerca de 70% das espécies na Terra em um curto período de tempo, especialmente os dinossauros.
A enorme colisão teria gerado incêndios, terremotos e imensos tsunamis. O gás e a poeira lançados na atmosfera teriam contribuído para a queda das temperaturas globais por muitos anos.
Gareth Collins, que pesquisa impactos que produzem crateras na Universidade Imperial College London, na região de Londres, disse que a pesquisa da equipe do Dartmouth College é “provocadora”.
No entanto, ele disse à BBC que não acha “possível determinar precisamente o tamanho do corpo que causou o impacto apenas com a geoquímica”.
“A geoquímica diz – com bastante precisão – somente a massa do material meteorítico que está distribuída globalmente, não a massa total do causador do impacto. Para estimar isso, é preciso saber que fração do corpo celeste estava distribuída na hora do impacto e não foi ejetada para o espaço, nem caiu perto da cratera.”
“Os autores (da pesquisa) sugerem que 75% da massa do causador do impacto estava distribuída globalmente, então chegaram a um corpo relativamente pequeno, mas na verdade essa fração pode ser menor do que 20%.”
A teoria deixaria a porta a aberta para a hipótese de que um asteroide maior e mais lento, que teria perdido massa antes do impacto com o solo, tenha sido o causador da extinção.
Os pesquisadores americanos aceitam a hipótese, mas citam estudos recentes que sugerem que a perda de massa do corpo celeste no impacto de Chicxulub esteve entre 11% e 25%.
Nos últimos anos, diversos corpos celestes surpreenderam os astrônomos, servindo como lembrança de que nossa vizinhança cósmica continua atribulada.
No dia 15 de fevereiro de 2013, o DA14, um asteroide com volume equivalente ao de uma piscina olímpica, passou de raspão pela Terra a uma distância de somente 27,7 mil km. Ele só havia sido descoberto no ano anterior.
No mesmo dia, uma rocha espacial de 17 metros explodiu nas montanhas Urais, da Rússia, com uma energia equivalente a cerca de 440 quilotoneladas de TNT. Cerca de mil pessoas ficaram feridas quando o choque do impacto explodiu janelas e sacudiu edifícios.
Cerca de 95% dos objetos próximos da Terra com mais de 1 km de diâmetro já foram descobertos. No entanto, somente 10% dos 13 a 20 mil asteroides acima de 140 metros de diametro estão sendo monitorados.