7880 – Como escalar o Everest


Everest, ainda é o topo do mundo
Everest, ainda é o topo do mundo

Subir a montanha mais alta do mundo é mais fácil do que se pode imaginar. Desde 1953, pelo menos 1.300 pessoas já pisaram no cume do Everest, no Nepal. O número é bastante elevado se levarmos em conta, além do perigo da aventura, os custos da operação – de R$ 120 mil a R$ 300 mil. Isso ocorre porque a montanha vem ganhando uma estrutura turística, como se fosse um lugar qualquer para a prática de esportes radicais. Mas o Everest está longe de ser uma Disney World radical. O frio, que pode chegar a 70ºC negativos, e o ar rarefeito continuam lá. Perto do topo, existe só 30% do oxigênio que há no litoral. Isso deixa o corpo em pane: os músculos perdem força, o cérebro não consegue somar dois mais dois e o pulmão corre o perigo de sofrer um edema –encher-se de líquido. Mesmo com esses riscos, sem contar avalanches, o Everest é bem mais acessível agora do que há meio século, quando foi vencido pela primeira vez.
Alguns milhares de dólares bastam para que o cidadão tenha uma boa chance de voltar para casa cheio de histórias. O montanhista de primeira viagem pode contar com guias nativos, que conhecem cada buraco da montanha e cuidam do trabalho pesado. Veja um caso. Para aliviar os efeitos da falta de ar, o grosso dos alpinistas carrega quilos de garrafas de oxigênio nas partes mais altas. Obviamente, novatos precisam de mais garrafas que os acostumados a grandes altitudes. E aí entram os carregadores: bem pagos, eles levam oxigênio extra à vontade para seus clientes.
Essa mãozinha pode ser a diferença entre chegar ou não ao cume. Outra coisa que ajuda é a organização do Parque Nacional Sagarmatha, onde fica o Everest: ela cobra para instalar escadas, pontes e cordas nas partes iniciais da escalada. Mas um bolso recheado não basta para uma jornada suave rumo ao topo do Everest: nos últimos dez anos, 58 pessoas pagaram a aventura com a vida.

SONO NO INFERNO
Do acampamento 2 para cima, a situação complica de vez. Os menos experientes já começam a usar tanques de oxigênio, e o terreno, com longos trechos inclinados, fica mais desafiador. Para acostumar o corpo aos 7 500 metros do acampamento 3, os alpinistas dormem algumas noites lá, mas não seguidamente. Todo dia eles voltam para o base, já que é impossível relaxar a essa altitude.
Das 175 pessoas que morreram no Everest até o ano passado, cerca de um terço foi vítima de avalanches. Boa parte do restante morreu durante violentas tempestades de neve, que fazem a temperatura cair para menos de 70º C negativos. Uma tormenta que pegue o alpinista longe dos acampamentos costuma ser fatal. Há cerca de 120 corpos na montanha.
A expedição para montar o acampamento 4 sai da base. São seis horas até o acampamento 2 e mais seis até o 3, com poucas horas de sono depois de cada escalada. Na rota para o 4, quase todos usam máscaras de oxigênio. O último acampamento é feito só para que os alpinistas descansem antes de tentar o cume.

7879 – Medicina – Pesquisadores testam polímero para recuperar sensibilidade de retina danificada


Trabalho publicado na Nature por cientistas italianos mostrou como polímeros inorgânicos podem recuperar parte da sensibilidade de uma retina danificada de um roedor. O polímero usado é o poli(3-hexylthiophene), que, por ser fotovoltaico, consegue transformar a luz em eletricidade sem a necessidade de outra fonte de energia.
A pesquisa é a evolução de um outro experimento que, há cerca de dois anos, conseguiu fazer crescer neurônios em torno desse polímero. No novo avanço, uma retina danificada foi colocada em cima desse polímero cultivado com células nervosas. Ao receber luz de brilho médio, o sistema reagiu como uma retina normal. Porém, os cientistas dizem que as pesquisas devem continuar, pois o resultado não foi igual para todos os níveis de brilhos captados por uma retina saudável.
A retina é a região que fica no fundo dos olhos e concentra as células fotoreceptoras, que convertem a luz em impulsos elétricos e envia para o cérebro interpretar. A tecnologia poderá ajudar a restaurar ao menos parte da visão perdida por alguns tipos de doenças degenerativas. O próximo passo é implantar o experimento em ratos cegos para avaliar o quanto da visão eles podem recuperar com o uso do polímero.

7878 – Mega Byte – Pesquisadores demonstram fragilidade da criptografia na web


As tecnologias de criptografia Transport Layer Security (TLS) e Secure Sockets Layer (SSL), que tentam impedir o acesso de hackers e terceiros a emails e serviços bancários, podem ser vencidas com um novo método exposto por pesquisadores no evento Fast Software Encryption, organizado pela International Association for Cryptologic Research e que terminou no último dia 13 de março.
O professor Dan Bernstein, da Universidade de Illinois em Chicago, e seu colega Kenny Paterson, professor na Universidade de Londres, mostraram no trabalho “Falhas da chave secreta de cripgrafia” que o uso do sistema RC4, o mais popular em criptografia na internet e utilizado pelo TLS e SSL, pode ser comprometido se o invasor conseguir efetuar milhões ou bilhões de tentativas para descriptografar o conteúdo.
Por mais que essa quantidade de tentativas pareça absurda, os pesquisadores alertam que essa é a técnica disponível atualmente, mas que pode ser aperfeiçoada por hackers para ficar mais eficaz e ser explorada em menos de 32 horas. Além disso, falhas em navegadores como Chrome, Firefox, Internet Explorer e Safari podem permitir a inclusão de anúncios maliciosos em alguns sites, que conforme o usuário navegar pela internet, podem sequestrar cookies, o que também agilizaria o trabalho de descriptografia.
O professor Matthew Green, da Universidade de Johns Hopkins, falou que o novo tipo de ataque é refinado e otimizado. “As pessoas encontram melhores maneiras de fazer isso. Os números que estamos vendo agora são altos, mas vão ficar melhores. É possível que isso seja otimizado para funcionar melhor já”.
Outras técnicas recentes tem posto em xeque a segurança da criptografia na rede. Em 2011, a ferramenta BEAST conseguia roubar transações via PayPal. Em fevereiro deste ano, o ataque Lucky 13 mostrou como interceptar cookies para vencer a criptografia SSL.

7877 – Estudo anuncia cura funcional da Aids em 14 adultos


Um estudo francês dá pistas de que a intervenção e o tratamento precoce em pessoas que foram contagiadas pelo vírus HIV levam à “cura funcional” da doença. O estudo foi realizado com 14 pacientes e estes, mesmo tendo parado o tratamento, permaneceram saudáveis durante anos.
Esta notícia vem à tona duas semanas depois da divulgação da cura funcional da Aids em um bebê. Em relação aos adultos da pesquisa francesa, eles ainda continuam carregando pequenos reservatórios do vírus no corpo, mas não apresentam mais sintomas da doença.
O estudo foi realizado por pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, coordenados por Asier Sáez-Cirió. Nele, os 14 adultos monitorados receberam medicamentos de combate ao vírus dentro de 10 semanas após terem sido infectados pelo HIV. Três anos mais tarde, o tratamento foi interrompido e os remédios foram retirados.
De um modo geral, os adultos analisados mantiveram a carga viral controlada durante uma média de 7 anos e meio depois, sem precisar utilizar nenhum medicamento. Atualmente, mesmo com traços de HIV no sangue, os níveis são tão baixos que o corpo consegue mantê-los controlados.
Todos os participantes do estudo moram na França e têm entre 34 e 66 anos e foram infectados entre os anos 1990 ou 2000. Uma vez que foram selecionados aleatoriamente para o estudo, não está determinado qual a porcentagem que representam da população.
A grande dificuldade em lidar com o HIV após a infecção é que o vírus estabelece reservatórios em células hospedeiras, nas quais ficam ocultos, mas retornam. Há apenas uma pequena parcela de pessoas com Aids, menos de 1% delas, na qual o vírus consegue desaparecer sem a ajuda de tratamento. Estes são os “controladores de HIV” que, espontaneamente, conseguem manter o nível do vírus. O estudo da França revela que parece haver também um outro grupo de pessoas, aos quais os pesquisadores chamaram de “controladores de elite” ou “controladores pós-tratamento”. Estes conseguem controlar o nível do vírus mesmo com o tratamento interrompido.
Embora se saiba que o tratamento rápido não funciona para todos, o estudo da França reforça a importância da intervenção medicamentosa ser iniciada o quanto antes, já que parece reduzir os reservatórios virais, preservar as respostas imunes dos pacientes e protegê-los da ativação imune crônica.

7876 – Pássaro extinto de volta à vida


Esta é a façanha que a Ciência tenta agora realizar.
Há centenas de anos, o pombo-passageiro era uma das mais abundantes espécies de pássaros da América do Norte. E, em meados de 1914, devido à caça predadória, a espécie foi extinta – sua carne era muito barata (12 pássaros eram vendidos a 0,30 centavos de dólar) e suas penas eram usadas para encher colchões e travesseiros. Mas, daqui a alguns anos, talvez você possa ver um destes animais voando por aí. É que cientistas americanos querem trazer a espécie de volta a vida.
Além dos desafios tecnológicos há, claro, as questões éticas a serem consideradas. Por isso, nesta sexta-feira, dia 15 de março, cientistas se reúnem em Washington para discutir a questão, em um evento associado ao TED, o TEDxDeExtinction.
Atualmente, 1500 pássaros empalhados estão expostos em museus – e acredita-se que cada um deles tenha uma verdadeira biblioteca genética em suas patas, o que poderia fazer com que cientistas fossem capazes de restaurar seu DNA. No entanto, o material genético já viu dias melhores. Ele é facilmente contaminável por outros organismos (cada vez que alguém toca nos pássaros, pode alterar a amostra) e foi prejudicado pela ação do tempo. Por isso, recuperar os 1,5 bilhão de pares de bases de DNA não será nada simples, mesmo que, nos últimos 10 anos, as técnicas de sequenciamento de genoma tenham ficado mais sofisticadas e 500mil vezes mais eficientes.
Por isso, será necessário o uso de uma técnica similar ao que você viu em ‘Parque dos Dinossauros’. No filme, DNA de rãs foi usado para completar o código genético dos dinos. E, no caso do pombo-passageiro, o seu parente (vivo) mais próximo, o Patagioenas fasciata poderia fornecer a base genética para a reconstrução do DNA da espécie extinta.
Com esse objetivo, Ben Novak, o cientista da organização Revive&Restore (que visa promover a volta de espécies extintas à vida, usando técnicas genéticas), pediu a dezenas de museus um ‘dedo’ de pombo passageiro, para tentar iniciar o sequenciamento de seu DNA. O pedido foi negado por quase todas as instituições, com exceção do Museu Field de História Natural, em Chicago.
Agora, munido de uma amostra, ele deve sequenciar o genoma do pombo-passageiro e de seu primo contemporâneo, comparar os dois, reconstruir o DNA atentando para as diferenças entre os dos códigos genéticos. Com o material em mãos, ele deve implantar as informações em um ovo de pombo e aguardar o nascimento do primeiro exemplar da espécie renovada. O prazo para terminar o sequenciamento dos dois genomas é de um ano.
No entanto o próximo passo que iria requerer a combinação dos dois genomas não é tão simples. Existe uma tecnologia chamada de Multiplex Automated Genome Engineering que consegue fazer algo similar usando DNA de bactérias – mas o genoma de um pássaro é muito mais complexo.
E, caso o plano de Novak seja bem sucedido, o que aconteceria com os pássaros? Ele planeja abrir um santuário para a espécie, eventualmente treinando-os para voltar à natureza e à realizar a rota de migração de seus ancestrais. Ele acredita que isso traria, novamente, um equilíbrio ecológico às florestas norte-americanas.

7875 – Cientistas trazem embriões de espécie extinta de rã de volta à vida


O cientista Mike Archer, da University of New South Wales, anunciou que ele e sua equipe conseguiram trazer embriões de uma espécie de rã, extinta desde 1983, de volta à vida. Os anfíbios teriam vivido por poucos dias – mas o feito representa um avanço científico importante.
A espécie Rheobatrachus silus é conhecida por armazenar seus ovos em sua boca e ‘dar à luz’ aos filhotes já formados de forma oral. Para trazer alguns indivíduos da espécie de volta a vida foi usado material genético de rãs congeladas, conservadas desde antes de sua extinção. Este material foi introduzido em ovos de uma rã de outra espécie (Mixophyes fasciolatus) e, depois, em uma ‘barriga de aluguel’ – técnica parecida com a mostrada no filme ‘Parque dos Dinossauros’. Depois de postos, alguns ovos sobreviveram tempo suficiente para se transformarem em embriões. Testes genéticos confirmaram que, de fato, eles eram da espécie extinta e não de uma forma híbrida das duas espécies envolvidas na pesquisa.
Cientistas esperam que a técnica possa ser usada para reanimar outros animais extintos, incluindo o mamute. Além disso, ela pode salvar animais que estão à beira da extinção, como tigres e elefantes. O único material necessário para o procedimento seria a existência de uma sequência completa de DNA.
A reintrodução de uma espécie extinta em um habitat atual, no entanto, é uma questão polêmica – não há como prever seus efeitos no ecossistema na qual ela seria inserida.

7874 – Fundador da Amazon encontra motores de foguete Saturn V


O fundador da Amazon, Jeff Bezos, financiou uma pesquisa que encontrou no oceano, a mais de 3,3 mil metros de profundidade, dois motores usados em um foguete do tipo Saturn V. Esse tipo de tecnologia era usada pela Nasa entre 1967 e 1973 para impulsionar missões para o espaço. Dentre elas, a missão Apollo 11, que levou o homem à Lua pela primeira vez.
Apesar de existir a possibilidade desses motores pertencerem ao foguete que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin ao satélite, até agora não foi possível fazer uma identificação positiva já que os números de série das peças estão desgastados.
Além de ser fundador da Amazon, Bezos também fundou a Blue Origin, uma empresa que pretende realizar vôos espaciais “com mais segurança e a custos baixos”.

7873 – Medicina – Como o cérebro age na ansiedade


Um estudo feito pela Universidade da Carolina do Norte explica como duas regiões do cérebro interagem para produzir comportamentos relacionados à sentimentos – como ansiedade. As descobertas podem levar ao desenvolvimento de melhores tratamentos para distúrbios como depressão e ansiedade.
A interação acontece quando neurônios de uma parte do cêrebro, conhecida como amídala, ficam hiperativos, estimulados por situações estressantes. Estes neurônios, que controlam emoções como o medo, estimulam a ação de uma outra área do cérebro, a Área Tegumentar Ventral, associada à compensação. Ou seja, uma área associada à ansiedade está diretamente ligada a outra associada a recompensas.
Se for possível entender corretamente a dinâmica dessa interação, poderá se fazer com que pessoas não se sintam motivadas pelo seu próprio cérebro a ter atitudes que não lhe fazem bem, como vícios em drogas e o comportamento depressivo por exemplo.

7872 – Geologia – Camada oculta de magma funciona como lubrificante entre placas tectônicas


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Pesquisadores do Instituto Oceanográfico Scripps, da Califórnia, anunciaram ter descoberto, por acaso, o que parece facilitar o deslizamento das placas tectônicas: uma camada de rocha derretida, que fica abaixo dos limites entre as placas. A presença desse magma age como um lubrificante, diminuindo o atrito.
O objetivo original dos pesquisadores era entender a dinâmica dos fluidos na crosta. Com um navio equipado com uma tecnologia eletromagnética pioneira, foram feitas imagens do fundo do mar que revelaram o trecho de rocha liquefeita. “Isso foi completamente inesperado. Foi muito surpreendente”, disse o geofísico Kerry Key, um dos líderes da pesquisa junto de Samer Naif, Steven Constable e Rob Evans. Os resultados auxiliarão no entendimento de como a presença desse lubrificante afeta atividades vulcânicas e terremotos.
Há décadas os geólogos discutem qual seria o agente que auxilia o movimento entre as placas. O novo trabalho do Instituto Scripps, que foi publicado na revista Nature, substitui a teoria mais aceita até então, a de que um manto de minerais e água estaria fazendo esse papel. “Nossos dados indicam que a água não pode conter as características que estamos observando. A informação das novas imagens confirma a ideia de que é preciso haver uma certa quantidade de magma derretido e é isso que está criando o meio para que as placas deslizem”.
O próximo passo da equipe é identificar a origem desse magma.