7805 – Mega Clássicos – Gino Vanelli, I Just Wanna Stop


Gino Vanelli

Gino Vannelli (nascido em 16 de junho, 1952) é um cantor canadense e no ano de 1978 emplacou com este grande sucesso que se tornou um clássico mundialmente conhecido, além de render um Grammy Award e single n°1 no Canadá e 4° nos EUA .
Apaixonado por música desde criança ele começou a tocar ainda em idade precoce. Herb Alpert, o trompetista impulsionou sua carreira.

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7804 – Robótica – Planeta dos Androides


O mundo entrou no ano 2000 com 1 milhão de autômatos. Quase 99% são braços mecânicos usados na indústria automobilística. Mas um relatório das Nações Unidas, publicado em outubro de 1999, prevê que nos próximos quinze anos os robôs domésticos estarão integrados ao nosso cotidiano. Serão tão comuns quanto microcomputadores e telefones celulares.
A passagem da automação industrial à de uso pessoal remodelou os robôs. Em contraste com os braços mecânicos da indústria automobilística, as novas máquinas tornaram-se antropomórficas – isto é, adotaram formas humanas, como nos acostumamos a vê-las em filmes de ficção científica. Viraram propriamente “andróides”– de andrós, palavra grega para homem.
Mesmo quando não se parece conosco, a anatomia do robô espelha-se na do ser humano que busca substituir. Para perceber o ambiente, deslocar-se nele e manipulá-lo, os autômatos dependem de sensores (como olhos e ouvidos) e de peças mecânicas articuladas (como braços, mãos e pernas) – servomecanismos, no jargão da Robótica. Também precisam de “inteligência” para entender as mensagens enviadas pelos sensores e comandar a ação dos seus “membros”. O papel de cérebro, naturalmente, cabe aos computadores.
Nos últimos anos a Informática deu mais um atributo humano aos robôs, o comando por reconhecimento de voz. Essa tecnologia, que converte a fala em texto digitalizado, é o traço mais evoluído das máquinas de última geração, como o Aibo e o R100. Esse último é capaz até de enviar um e-mail ditado pelo dono, aposentando de vez o teclado.
Primeiro robô dotado de tecnologia de reconhecimento de voz posto à venda, Aibo obedece a comandos em inglês e japonês, desde ordens simples como “para a frente!”, “para trás!” e “vire-se!” até frases mais complexas como “chute a bola” e “segure-a com a boca!”
Além disso, pode se vangloriar de apresentar traços de inteligência artificial – a verdadeira distinção entre a Robótica básica e a avançada. Não que Aibo seja capaz de raciocinar por conta própria, mas o brinquedo vem programado com um repertório de seis emoções – alegria, tristeza, raiva, surpresa, medo e frustração – que determinam o seu comportamento conforme o tratamento dado pelo dono.

Rumo a Inteligência Artificial
A evolução da robótica não se limita aos autômatos de uso pessoal. Na Medicina, braços mecânicos de precisão submilimétrica já estão auxiliando médicos em operações delicadas. Depois da primeira cirurgia cardíaca por controle remoto – em maio de 1998, no Hospital Broussais, em Paris –, a prática vem se tornando mais e mais freqüente. Em abril de 2000, um robô chamado Otto realizou a primeira cirurgia facial na Universidade Humboldt, em Berlim.
Mais conhecida como fabricante de automóveis e motocicletas, a japonesa Honda surpreendeu o planeta ao revelar, no final de 1996, o fruto de uma década de pesquisas secretas e de 100 milhões de dólares torrados sem previsão de retorno. O produto chamava-se P2, um humanóide que anda, desvia-se de obstáculos e até sobe escadas – sempre com movimentos elegantes e precisos, capazes de envergonhar um humano mais desajeitado e, sobretudo, os outros andróides construídos até então. No ano seguinte surgiu um sucessor em versão mais leve – P3 –, com 130 quilos, 80 a menos que o P2, que arrebatou as manchetes de jornais e virou o robô mais famoso do mundo. Pelo menos a primeira metade do projeto conceitual da máquina experimental – desenvolver mobilidade com inteligência – está realizada em grande estilo. Seu ponto fraco é o alto consumo de energia: em 25 minutos, P3 consome toda sua bateria. Fora isso, o fato de não possuir (ainda) nenhuma aplicação prática não incomoda seus criadores. O robô é hoje uma fantástica peça de hardware à espera de um software tão genial quanto ele.

Robô alemão dirige automóvel com perícia
Com três pernas e quatro mãos, Klaus dá um banho nos motoristas humanos.
Dois rastreadores a laser funcionam como sensores, avaliando distâncias e detectando obstáculos, buracos, margens da estrada e outros veículos.
Um radar atua com os rastreadores. Juntos, alimentam o computador de bordo, identificando as situações enfrentadas e comandando o robô.
Quatro braços, dois para o volante, um para o câmbio e outro para a chave de ignição, guiam o carro.
Três pernas, uma para cada pedal (acelerador, breque e embreagem), comandam o movimento.

7803 – O Sertão vai virar mar?


Aracati, nos sertões do Ceará; cantarino na Chapada do Araripe — divisa de Pernambuco com o Ceará —, porque assovia ao atravessar a serra: um vento forte, de nordeste para sudoeste, que sopra pontualmente entre 19 e 21 horas e refresca agradavelmente as noites de primavera. Mas, para os nordestinos, a mesma brisa benfazeja é o primeiro sinal de tragédia. Quando sopra nas últimas semanas de dezembro e no mês de janeiro, é sintoma certo de seca. Seca que será tão mais grave e inevitável se não chover até 19 de março, dia de São José. Durante séculos, enquanto os meteorologistas torciam o nariz, essas foram duas das formas de o sertanejo fazer a previsão do tempo para a temporada das chuvas na região, entre março e abril. Agora, respaldados pelas observações de satélites meteorológicos e modernos computadores, os climatologistas dão a mão à palmatória: os sertanejos tinham razão.
O que o sertanejo não sabia é que as secas do Nordeste têm origem em lugares tão distantes quanto o Sudeste asiático e o círculo polar ártico. O que é compreensível: os próprios cientistas levaram décadas para entendê-las. São provocadas por dois intrincados e fascinantes mecanismos gerais de circulação de ventos no planeta. São fenômenos que se estabeleceram provavelmente há 20 000 anos, no fim da última grande era glacial. O primeiro e mais importante é composto pelas áreas de baixa e alta pressão atmosférica no Pacífico equatorial — a pressão atmosférica não é igual em todo o globo terrestre — conhecido como “célula de Walker”.
Na década de 1920, o inglês Gilbert Walker descobriu que o padrão meteorológico do Oceano Pacífico equatorial contém uma área de baixa pressão atmosférica sobre a Indonésia e o norte da Austrália e uma área de alta pressão no oceano, próximo à costa da América do Sul, resultado da lei física de que o ar quente tende a subir e o ar frio tende a descer. De maio a setembro, as águas quentes do Oceano Índico e do Mar da China provocam a ascensão de um vento quente e úmido, criando o que os meteorologistas chamam de área de baixa pressão. A ascensão desse vento úmido, também chamada de convecção, leva à formação de nuvens e chuvas, no fenômeno conhecido no Sudeste asiático como monções. Livre da água, o vento viaja sobre o Pacífico a uma altura de 15 quilômetros em direção ao leste. Nesse trajeto, o vento se resfria e tende a descer sobre o oceano, próximo à costa oeste da América do Sul, criando uma área de alta pressão atmosférica.
O ar de cima para baixo impede a formação de nuvens de chuvas, o que, ao longo de milhares de anos, levou ao surgimento do deserto do sul do Chile e da região de Lima, no Peru. Parte dessa coluna de ar retorna em direção à Austrália e à Indonésia, enquanto uma parcela, novamente aquecida, toma novo movimento ascendente sobre a Amazônia, provocando chuvas na região, e desce sobre o Nordeste brasileiro, onde recebe os nomes de aracati ou cantarino, para refrescar as noites de primavera.
As nuvens de chuva da zona de convergência intertropical são alimentadas em boa parte pelo sistema de baixa pressão atmosférica da região da Terra Nova, no Canadá, próximo ao círculo polar ártico. Quando a baixa pressão é mais forte na Terra Nova, o ar úmido engrossa a ZCIT que se desloca em direção às águas mais quentes próximas ao equador, acompanhando com um pequeno atraso o movimento do Sol. Assim, quando o Sol atravessa a linha do equador no equinócio de outono do hemisfério sul, entre os dias 20 e 21 de março, a zona de convergência intertropical atinge sua posição mais ao sul, com o seu centro sobre a cidade de Quixadá, a 5° de latitude sul, no sertão cearense, provocando as chuvas do dia de São José.
Às vezes, porém, a chuva não chega. O movimento da zona de convergência intertropical depende da tempertatura das águas no oceano, que na região equatorial varia entre 26° e 29°. E uma variação de 1 a meio grau entre as águas do Atlântico norte e do sul é a diferença entre um “inverno” chuvoso ou seco. Com as águas do Atlântico norte mais frias, a ZCIT desloca-se para o sul, trazendo suas nuvens carregadas. Se as águas do Atlântico estiverem mais frias no sul, entretanto, as chuvas serão despejadas na Amazônia e sobre a Ilha de Marajó. Para o nordestino será a seca, a fuga da asa-branca, a terra calcinada e a fome. Sem culpa de São José.

Mar de água doce no subsolo
Só o Piauí abriga um volume de águas subterrâneas quatro vezes maior que a Baía de Guanabara. Mas os projetos para aproveitá-las estão engavetados.
A certeza de que não falta água no Nordeste não é nova. Já em 1984, o Projeto Radam, do Ministério das Minas e Energia, constatava através de sensoreamento remoto a existência de um potencial de 220 bilhões de metros cúbicos de água nas áreas mais afetadas pelas secas. Desse total, 85 bilhões de metros cúbicos estavam na super-fície da terra e 135 bilhões subterrâneas, sendo 15 bilhões em rochas cristalinas, de difícil perfuração, e 120 bilhões em rochas sedimentares, mais fáceis de perfurar para alcançar o lençol freático. Somente no Piauí, afirma o geólogo Aldo da Cunha Rebouças, presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, o reservatório hídrico sob a terra é superior em quatro vezes à Baía de Guanabara.
Um exemplo desse potencial é o poço Violeta, no vale do Rio Gurguéia, no sudoeste do Piauí, o poço de maior vazão da América Latina, com um jorro de 800 000 litros por hora, à tem-peratura de 60° e altura de 27 metros — equivalente a aproximadamente um edifício de nove andares —, suficiente para abastecer uma população de l00 000 pessoas.
Chove no Polígono uma média de 400 a 700 milímetros por ano. Sete vezes mais, por exemplo, que na Califórnia, uma das regiões de agricultura mais desenvolvidas no mundo. A diferença está no gerenciamento desses recursos. Enquanto na Califórnia cada litro é criteriosamente estocado e aproveitado, o Nordeste brasileiro morre de sede enquanto a água se evapora sem uso por falta de redes de distribuição. Segundo a Funceme — Fundação Cearense de Meteorolgia e Recursos Hí-dricos, somente o projetado açude Castanhão, com seu espelho de água de 650 quilômetros quadrados, poderá perder anualmente 1 bilhão de litros por evaporação. Pior ainda é quando se armazena a água apenas para torná-la inutilizável.

Açude do Cedro

Resultado de uma promessa do imperador Pedro II — de que empenharia até a última jóia da coroa para acabar com a seca do Nordeste —, o açude do Cedro começou a ser construído em 1884, mas só ficou pronto em 1906. A barragem de 15,5 metros de altura e 415 metros de comprimento é toda de pedra talhada a mão, guarnecida por esculturas de pedra e grades de ferro importadas. Seus 128 milhões de metros cúbicos de água não chegam para matar a sede da região de Quixadá e os equipamentos de irrigação só beneficiam alguns poucos. Tombado pelo Patrimônio Histórico em 1987, o açude do Cedro é um monumento centenário à política de combate às secas: demorado, caro, suntuoso e ineficiente.
Na época ainda não havia sido cunhada a expressão “indústria da seca”, que só surgiria em 1959, mas foi para evitar esses erros e rebater as críticas pelo mau uso do dinheiro público que, em 1906, foi criado o Dnocs — Departamento Nacional de Obras contra a Seca. O governador Ciro Gomes, do Ceará, costuma dizer que o problema da seca poderia ser resolvido em dez anos, com a aplicação de 2 bilhões de dólares em programas que seguissem um bom planejamento estratégico. Nos 88 anos desde sua criação o Dnocs consumiu 6 bilhões de dólares em dezenas de milhares de açudes, projetos de irrigação e poços.
A maioria dessas obras, porém, foi feita em propriedades particulares, sem benefícios diretos para a população do Polígono das Secas, uma área de 947 150 quilômetros quadrados que vai do norte de Minas Gerais ao Piauí, campo especialmente fértil apenas pa-ra as denúncias de corrupção e mani-pulação de verbas com objetivos políticos.

Os ventos contra o Nordeste
Quando eles descem sobre a região, a umidade não sobe e as nuvens de chuva não se formam. Entenda como os ventos lá da Indonésia acabam afetando o nosso Nordeste:
Os ventos oriundos de baixa pressão sobre a Indonésia cruzam o Pacífico a 15 000 metros de altitude;
Com o Pacífico aquecido, devido ao El Niño, os ventos frios descem junto à costa oeste da América do sul;
Parte da coluna de vento, novamente aquecido, torna a subir, provocando chuvas no Peru e na região amazônica;
Após perder calor e umidade, o vento volta a descer, agora sobre o Nordeste, impedindo a formação de nuvens de chuva.

7802 – Biologia -Caranguejos-ferraduras, os símbolos da resistência


Caranguejo-ferradura

Como ocorre a 200 milhões de anos, o sutil aumento da temperatura no limo frio já e suficiente para os caranguejos-ferraduras (Limulus polyphemus) iniciarem sua longa migração em direção as praias da costa atlântica dos Estados Unidos, onde costumam desembarcar entre maio e junho. Eles repetem esse despertar da primavera desde os tempos em que os dinossauros perambulavam pelo planeta, quando os continentes ainda se afastavam um dos outros e os mamíferos ensaiavam os primeiros passos para ser tornarem os reis do mundo animal. Para os caranguejos, nos somos meros intrusos, talvez tão passageiros quanto diversas criaturas que tiveram uma existência breve no planeta.
Estudos científicos sugerem que apenas duas espécies seriam capazes de sobreviver ao holocausto nuclear – as baratas e o Limulus, o que prova a resistência desses caranguejos. O movimento rumo à praia, lento e inexorável, e disparado por um dos mais fortes impulsos: o sexo. Os caranguejos deixam a lama, que habita durante o inverno, para se acasalar nas baias rasas, aquecidas pelo sol, no litoral da região que aqueles instruções – os seres humanos – convencionaram chamar Estados Unidos. Os machos vêm na frente e aguardam. Uma ou duas semanas depois é que aparecem as fêmeas. Entregadoras de ovos, liberando um poderoso fenômeno, uma espécie de perfume, típico dos caranguejos-ferradura, com a função de acender os desejos dos machos.
Os caranguejos-ferraduras machos são equipados com afiadas tenezes, como se chama seu primeiro par de pernas, com as quais seguram na carapaça das companheiras. Assim, preços, permitem que as fêmeas os reboquem para a beira do mar. Na praia, uma única fêmea deve depositar de 3000 a 4000 ovos, em tons de verde e marrom, cada qual com cerca de 3 milímetros de diâmetro. O macho fertiliza esses ovos imediatamente depois da postura. Então, o casal cobre o ninho com areia. A desova do Limulus parece ser cuidadosamente planejada para coincidir com a elevação do nível da água, típica nos mares da primavera. Dentro dos ovos, os embriões passam por quatro mudas de carapaça, enquanto se desenvolvem. Um mês depois de fecundada, o ovo se rompe e aparece uma larva, cavando a areia. O caranguejo-ferradura recém-nascido já emerge bastante parecido com seus pais. A única diferença é a falta de um parelho digestivo desenvolvido.
A ignorância dessa complexa cadeia, no entanto, fez com que durante muito tempo as pessoas encarassem o Limulus com um baderneiro, responsável pelo afastamento dos turistas. É verdade que a aparência do caranguejo-ferradura costuma inspirar medo: sua carapaça escura lembra um capacete, arrastando-se com dois olhos sinistros, enquanto balança uma cauda formidável, também conhecida o ultimo segmento de abdome de um crustáceo. Os banhistas, em geral, imaginam que aquela cauda e capaz de ataques letais, quando na realidade os Limulus são absolutamente inofensivos. Eles podem fincar o telso em observadores mais ousados, mas preferem fugir dos seres humanos, sempre que possível.

De fato, o caranguejo-ferradura não se parece com outros caranguejos. Não exibe Atenas nem mandíbulas, possui muita garra e ainda por cima, tem um numero errado de pernas. Ele esta mais para uma das ultimas espécies remanescentes dos primitivos escopioes-marinhos, sendo muito mais aparentado com as aranhas e com os carrapatos do que com seus xarás. O detalhe anatômico que mais o aproxima das aranhas e o aparelho respiratório no caso, guelras, dobradas como as paginas de um livro, para aumentar a superfície destinada à troca de gazes. Essas guelras e as genitais se encontram na parte mediana do abdome, chamado opistossomo. Do lado oposto ao da cauda fica uma parte larga, o prossoma, por onde se estende a boca, entre cinco pares de pernas agitadas.
O Limulus se alimenta de minhocas, moluscos e crustáceos que habitam a lama ou o solo submarino. Graças a receptores no ventre, que fazem às vezes de narizes, ele sente a presença da presa: agarra-a, quebrando-a em inúmeros pedacinhos com a ajuda de espinhos espalhados por suas pernas. Um par de garras, então, termina o serviço, levando a comida ate a boca destinada. A cauda, com seus movimentos, impedem que o caranguejo seja carregado pelo vaivém das ondas. A carapaça do Limuls, normalmente, é toda riscada por linhas que, por sua vez, refletem o processo de crescimento do animal. Afinal, e como se o limulus vivesse dentro de um esqueleto – no caso, exoesqueleto, porque esta do lado de fora – incapaz de crescer.

Assim, a única maneira que o caranguejo tem de ganhar tamanho e trocando sua carapaça. A nova carapaça, a principio, e macia e flexível, ficando toda enrugada cada vez que o caranguejo emerge da lama para a água. As linhas que se vêem na dura carapaça são justamente resquícios dessas rugas. Os machos atingem a maturidade aos 9 anos., ou seja, depois da décima quinta muda; as fêmeas, por sua vez, são consideradas adultas aos 10 anos, quando já passaram por dezesseis mudas. Os cientistas especularam que os caranguejos-ferraduras vivem cerca de cinco anos depois de alcançar a maturidade. Os nativos americanos ensinaram aos imigrantes europeus que esses caranguejos são excelentes fertilizantes. Os nativos alias, também comiam os músculos responsáveis pelos movimentos abdominais do animal.
Na década de 50, o Limulus passou a ser usado na fabricação de alimentos para porcos e galinhas. Foi em Cape Cod, no Estado Massachusetts, porem, que o caranguejo-ferradura ganhou a fama de peste. Os pescadores de mariscos perceberam sua predileção por essas pequenas criaturas. E assim lhes declararam uma guerra: os caranguejos começaram a ser mortos aos milhares. Apesar de o gosto por mariscos ser verdadeiro, o fato é que os Limulus existem a milhões de anos e nem por isso suas presas entraram em extinção. Ao contrario: ao se alimentarem de outros animais, os caranguejos ate criam um ambiente favorável à sobrevivência da maioria dos mariscos.
Por ironia, justamente em Cape Cod, o lugar onde o Limulus ganhou seu status de fora-da-lei, foi descoberto o seu imenso valor para a Medicina. Nos últimos sessenta anos, os cientistas vêm usando o nervo ótico do caranguejo-ferradura, por ser grande e de fácil acesso, para desvendar os mecanismos da visão.
Até a pouco tempo, os cientistas jogavam fora os outros produtos do sangue do Limulus – ou seja, o plasma azul e os pedaços de membranas celulares. Mas estudos realizados por cientistas da ACC mostram que, na membrana da célula sanguínea do caranguejo-ferradura – antes, destinada ao lixo -, existe uma proteína capaz de bloquear a molécula de endotoxina, neutralizando-a. Essa proteína poderá ser usada para remover endotoxinas de soluções ou mesmo para evitar a more de pessoas com choque séptico, como se chama o envenenamento por endotoxinas. Os resultados das experiências com animais são promissores. Por isso, a proteína do Limulus começa a ser testada em hospitais americanos.
O plasma do caranguejo-ferradura também poderá ser muito útil aos médicos. Recentemente, os pesquisadores da ACC isolaram outra proteína desse componente sanguíneo, capaz de reagir ao acido siálico, substancia que costuma aumentar terrivelmente no organismo de pessoas com câncer. Assim, a proteína devera ser aplicada para diagnosticar mais precocemente a doença. Graças a tantas descobertas para a Medicina moderna, o Limulus polyphemus finalmente passa a ser encarado com respeito pelos intrusos seres humanos, nas praias onde desova há milhões de anos. Sua historia, no entanto, serve como ponto de reflexão, a respeito de outras espécies ameaçadas de extinção por pura ignorância nossa.

7801 – Astronomia – Conjunto gigante de radiotelescópios foi inaugurado no Chile


Imagine um radiotelescópio com 16 km de diâmetro –o equivalente a 130 campos de futebol enfileirados. Bem, agora não é preciso mais imaginar. Foi inaugurado no Chile o mais ambicioso projeto de astronomia em solo já construído.

Projeto Alma

O Alma (sigla para Atacama Large Millimeter/submillimiter Array) não é de fato uma parabólica de 16 km, mas é como se fosse. São 66 antenas espalhadas por uma área imensa no platô Chajnantor, que trabalham em concerto para produzir imagens equivalentes às que seriam obtidas com uma única antena gigante.
O custo do projeto é estimado em US$ 1,5 bilhão e bancado pelo ESO (Observatório Europeu do Sul), além de americanos, canadenses e japoneses.
A radiação captada pelo Alma vem na forma de infravermelho e ondas de rádio. Graças a um supercomputador, as informações de todas as antenas são combinadas em uma única imagem.
A mágica na verdade é ciência e atende pelo nome de interferometria. É uma propriedade ligada ao caráter ondulatório da luz que permite, grosso modo, realizar uma observação com as antenas pequenas que corresponderia a ter um radiotelescópio gigante com o tamanho da distância entre as duas antenas mais distantes.
Claro, vários desafios tecnológicos precisaram ser vencidos antes que o Alma saísse do papel. No caso em questão, eles foram superados com três grandes financiadores. Pelo lado europeu, o ESO (Observatório Europeu do Sul) entrou com 37,5%. Americanos e canadenses bancaram outros 37,5%. Os 25% remanescentes vieram do Japão. Total estimado: US$ 1,5 bilhão.
A radiação captada pelo Alma vem na forma de infravermelho e ondas de rádio. Graças a um supercomputador projetado especificamente para o Alma e capaz de realizar quatrilhões de operações por segundo, as informações colhidas por todas as antenas são combinadas para produzir uma única imagem.
Embora não tenham 16 km de diâmetro, as antenas individuais são bem respeitáveis, com 7 e 12 metros. Principalmente quando se leva em conta o cuidado com que foram construídas: sua curvatura precisa ser perfeita no nível de 10 mícrons (milésimos de milímetro) para não distorcer as observações.
Das 66 antenas previstas, 57 já estão instaladas. As demais devem estar no local –uma região inóspita a 5.000 metros de altitude, onde praticamente metade da atmosfera terrestre já ficou para trás.
O que é ótimo para os astrônomos, pois corta boa parte da interferência causada pelo ar nas observações, mas é péssimo para quem tem de trabalhar lá, na construção do complexo.
A grande sacada do Alma é que, nas frequências de luz em que ele opera, é possível detectar coisas que normalmente não são observáveis em luz visível, como, por exemplo, estrelas em formação. Abrigadas em casulos de poeira em seu nascimento, elas não podem ser observadas por telescópios convencionais.
Para o Alma, contudo, é moleza. Um exemplo recente, fruto da primeira bateria de pesquisas, é a observação de um disco de poeira ao redor da estrela jovem HD 142527 que, pela configuração, parece estar bem no meio do processo de produção de planetas gigantes gasosos.
O resultado é sem precedentes e ajuda a entender o mistério por trás do nascimento dos planetas _um processo que hoje é compreendido apenas em linhas gerais e pode determinar quão rara ou comum é a Terra no contexto do Universo.
Detalhe: a primeira bateria de observações, feita a partir de outubro do ano passado, usou apenas 16 antenas. Com 66, será possível fazer muito mais e revelar com cada vez mais detalhes os segredos das profundezas do espaço.

7800 – Aves primitivas tinham dois pares de asas


Esta é uma hipótese defendida por um grupo de paleontólogos.
As primeiras aves do mundo tinham algo em comum com alguns dos mais antigos aviões: em vez de um único par de asas, elas tinham dois.
Essa é a hipótese defendida por paleontólogos para explicar um conjunto de belos e bizarros fósseis achados no nordeste da China. Eles representam espécies de aves primitivas cujas patas parecem ter sido cobertas por uma plataforma de penas compridas.
É verdade que algumas raças de galinhas e certas espécies selvagens de hoje (como aves de rapina) também possuem penas nas patas.
Mas nenhum penoso atual tem membros posteriores semelhantes aos dos fósseis chineses. Para a equipe liderada por Xing Xu, da Universidade Linyi, a explicação mais plausível é que elas tenham funcionado como uma espécie de “asa de trás”.
Não é a primeira vez que Xu defende essa ideia radical. O pesquisador é um dos mais renomados caçadores de fósseis da China e já teve a sorte de achar quase todo tipo de exemplar com penas delicadamente preservadas.
A diferença é que Xu e seus colegas tinham proposto a presença de quatro asas não em aves, mas em dinossauros. O garoto-propaganda dessa ideia é o minidino Microraptor gui, criatura do tamanho de um quero-quero descoberta em 2003.
A ideia é que os dois pares de asas teriam ajudado os bichos a planar quando saltavam de árvores. Com o refinamento da arte de bater as asas, o segundo par teria sido aposentado.
É esse cenário que as penas compridas e rígidas sugerem. Elas foram encontradas em ao menos cinco espécies de aves com 120 milhões de anos. Para Xu, as asas seriam estabilizadores de voo.
A pesquisa foi publicada na “Science”. Entrevistado pela revista, o paleontólogo americano Kevin Padian, da Universidade da Califórnia, elogiou o estudo, mas disse que não há evidências da relação entre as penas das patas e o voo. Elas poderiam até atrapalhar o movimento nos ares, declarou Padian.