7777 – Geografia – A Cratera de Ngorongoro


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Ngorongoro

É uma das maiores atrações da Tanzânia.
É também considerada a Arca de Noé da África Oriental, por abrigar no seu seio a quase totalidade das espécies animais daquela região, integrados num ecossistema que ainda não foi afectado pela mão do homem. Observado do alto das suas falésias ou do fundo da sua vastíssima cratera, o Ngorongoro é um dos locais mais fascinantes de África.
De fato, a cratera de Ngorongoro é um lugar muito bonito, que abriga milhares de animais selvagens. Foi até chamada de “a oitava maravilha do mundo”, por alguns naturalistas, e pode-se entender o motivo.
A origem do nome, Ngorongoro, é desconhecida ao certo. Segundo a Sociedade de Conservação da África Oriental, alguns dizem que Ngorongoro era o nome de um masai que fazia sinos para gado e vivia na cratera. Outros afirmam que o nome vem de um valente grupo de guerreiros datogos que foram derrotados pelos massais numa batalha ocorrida na cratera há 150 anos. Mas, de repente, quando avista-se as zebras pastando perto do estacionamento, a origem do nome parece irrelevante. Visitantes podem seguir num veículo e chegar bem perto , sem que as zebras nem os notem. A cratera fica a 2.236 metros acima do nível do mar e é a maior caldeira intacta, ou vulcão desmoronado, do mundo.
Mede mais de 19 quilômetros de diâmetro e tem uma superfície de 304 quilômetros quadrados, sendo que dentro da cratera é surpreendentemente quente…Ao passo que o motorista percorre lentamente o fundo da cratera, passa-se por um pequeno lago salgado com muitos flamingos rosados A borda da cratera que agora ficou para trás se destaca em contraste com o céu azul. Pode-se ouvir o barulho de zebras e gnus misturado com outros sons exóticos.
Na cratera de Ngorongoro pode-se ver búfalos, elefantes, zebras, gnus, gazelas, rinoceronte-negros e cercopiteco-de-face-negra. Predadores como guepardos, hienas, chacais, leões de juba negra e hipopótamos.
Um rinoceronte-negro pode passar a poucos metros de visitantes e se sentir à vontade na cratera. É uma oportunidade rara observá-lo tão de perto em seu habitat. Essa fera que inspira medo está quase em extinção; estima-se que haja menos de 20 na cratera. Caçadores clandestinos foram pegos matando rinocerontes por causa dos chifres, que são vendidos ilegalmente para a fabricação de cabos de punhais e de remédios. A guarda-florestal faz patrulhas regulares para afastar os caçadores.”

cratera ngorogoro

Localizada no norte da Tanzânia, entre o Monte Kilimanjaro (pico culminante da África, com 5 895 metros) e o Lago Vitória (o maior lago da África e um dos maiores do mundo), a cratera faz parte da área de conservação ambiental de Ngorongoro, que soma 8 300 quilômetros quadrados. Maior que a cidade de Recife, dentro dela existe um mosaico dos ecossistemas do leste africano, com savanas, riachos, lagos, florestas e pântanos, onde habitam milhares de animais selvagens. Há aproximadamente 3 000 búfalos, 8 000 gnus, 7 000 zebras, 100 leões, 400 hienas, 70 elefantes e mais uma infinidade de pássaros.
As paredes de 600 metros de altura não compõem uma barreira geográfica ao trânsito de muitos animais, já que acontecem migrações. Leões que ali nasceram, marcados por pesquisadores, foram encontrados no Parque Nacional do Serengeti, que fica a mais de 100 quilômetros dali. O mais comum, porém, é que esses animais permaneçam ali mesmo, pois embora os carnívoros ocupem grandes áreas, o espaço dentro da cratera é suficiente para eles. Por isso, e porque é raro leões de fora entrarem lá, existe o problema da consangüinidade entre os leões da cratera. Ou seja, de tanto cruzarem entre si mesmos, têm a bagagem genética muito parecida e são mais frágeis — uma mudança ambiental, por exemplo, poderia dizimá-los.
A maioria dos animais herbívoros também prefere permanecer lá dentro, por causa da abundância de gramíneas. Na cratera só se encontram elefantes machos. Isso acontece porque as manadas que incluem as fêmas tendem a ser muito grandes e, além de raramente passarem pela cratera durante suas migrações, não encontram comida suficiente ali.
A cratera de Ngorongoro surgiu há 2,5 milhões de anos, quando o vulcão que existia naquele lugar desabou. Esse vulcão tinha altura quase igual à do Monte Kilimanjaro. Seu interior, porém, era um tanto oco, e o topo sustentado apenas pelas constantes erupções de lava. Quando esta lava começou a ser expelida por buracos formados nas paredes do vulcão, o topo perdeu sua sustentação e implodiu, formando a cratera, cuja borda perfeita tem uma altitude de 2 100 metros. Naquela época — Pleistoceno, era Cenozóica —, a atividade vulcânica era comum na região, pois ela faz parte do Vale Rift africano. Rift é o termo em inglês para designar a área de choque entre duas placas tectônicas, em que ocorre intenso vulcanismo. Como na África a movimentação das placas aconteceu há muito tempo, os vulcões estão extintos. Em outras re-giões do mundo, porém, estão em plena atividade, como no Caribe, Indonésia e Japão — onde, inclusive, está Aso, a maior cratera vulcânica do mundo (368 quilômetros quadrados), na qual ainda ocorrem erupções.
Situada a 120 quilômetros da cidade mais próxima, Arusha, Ngorongoro só é acessível por carro. Para se descer dentro da cratera, é preciso estar acompanhado de um motorista-guia. Cercados de animais, os visitantes são proibidos de sair do carro e transitar a pé, e só podem fotografar e filmar por uma abertura no teto do veículo. Também não é permitido dirigir fora das trilhas, e teoricamente não pode haver mais de cinco carros observando a mesma cena — embora às vezes haja congestionamentos de mais de vinte carros observando o ritual amoroso dos leões.
O ser humano não é novato nesses ecossistemas, pois há na região dois dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo: o Vale Olduvai e Laetoli, que ficam a cerca de 60 e 90 quilômetros da cratera, respectivamente. No primeiro foram encontrados os fósseis mais antigos do Homo habilis, nosso antecessor direto, com mais de 1,8 milhão de anos. Em Laetoli estão preservadas pegadas de Australopithecus afarensis, hominídeos que já caminhavam eretos e que provavelmente foram nossos ancestrais, com 3,7 milhões de anos.
Com a Primeira Guerra Mundial, os alemães foram obrigados a se retirar e os ingleses assumiram o poder sobre a Tanganyika. Como antes, porém, poucos ingleses ocuparam Ngorongoro. Essa situação só veio mudar nos anos 30, com a construção de uma estrada, que abriu a região a visitantes. Em poucos anos, a cratera de Ngorongoro tornou-se uma das maiores atrações turísticas do mundo, por sua beleza e abundância da fauna. A mira dos rifles — a área era usada pelos ingleses para caça — foi substituída pela mira de milhares de máquinas fotográficas.
Em 1951, após a criação do Parque Nacional do Serengeti, houve muitos conflitos entre os Masai e autoridades do Parque, que queriam excluir populações humanas da reserva, causando o desmembramento do Parque do Serengeti e criando em 1959 a área de conservação de Ngorongoro. Os Masai foram transferidos então para o topo da cratera, onde apenas nos períodos de seca estão autorizados a levar o gado lá dentro para beber água e lamber sal, mas não para pastar. Com o turismo intenso, os Masai ganham dinheiro vendendo objetos artísticos, artesanatos, e cobran-do por todas as fotos em que aparecem.