7785 – Astronomia – Dois cometas estão visíveis no hemisfério Sul


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Em um evento raro, dois cometas –Lemmon e Pan-STARRs– estão cruzando o céu da Terra e podem ser observados com relativa facilidade ao mesmo tempo a partir do hemisfério Sul.
O mais fácil de ser localizado é o cometa Pan-STARRs, que está visível a olho nu até domingo, 10 de março.
Para enxergá-lo, porém, é preciso começar a observação logo após o pôr-do-Sol.
Para encontrá-lo, deve-se olhar para o oeste, onde o Sol se põe. Ele estará na constelação da Baleia.
O cometa se parecerá com uma bolinha ligeiramente brilhante, sendo observável até por volta das 19h30.
No domingo, 10 de março de 2013, o cometa já estará próximo demais do Sol para ser visto. Ele passará algum tempo assim até voltar a ser visível da Terra, dessa vez em melhores condições no hemisfério Norte.
Menos brilhante, o Lemmon não está sendo visto a olho nu, mas basta um binóculo para conseguir enxergá-lo.
E, devido à proximidade com o mais brilhante Pan-STARRs, está relativamente simples encontra-lo. Após avistar o outro cometa, deve-se olhar mais para cima e para a esquerda. Ele está próximo às constelações da Fênix e do Escultor.
O Lemmon pode ser avistado até por volta das 20h30 e deve estar visível por aqui por pelo menos mais duas semanas.

O cometa chamado Pan-STARRS, o primeiro a visitar o Sistema Solar este ano, poderá ser observado a olho nu de qualquer ponto da Terra. Na última terça-feira, o cometa atingiu o ponto mais próximo do planeta, passando a 161 milhões de quilômetros.
Astrônomos que observavam o céu do topo do vulcão Haleakala, no Havaí descobriram o cometa em junho de 2011. De acordo com a Nasa, o PAN-STARRS é oriundo da Nuvem de Oort, um conjunto de corpos celestes feitos de gelo, que se localizaria além das órbitas de Netuno e Plutão. “Trata-se de um novo cometa, jamais observado antes, e passará uma única vez pelo nosso céu antes de ser expulso nas profundidades da galáxia”, afirmou o Observatório de Paris em comunicado.
A previsão é de que o cometa fique visível até 15 de março no Brasil.

Viajantes solitários — Os cometas são corpos celestes constituídos por gelo e pó. Eles se formaram durante o nascimento do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos, e giram em torno do Sol seguindo frequências variáveis. Conforme o cometa se aproxima do Sol, parte do gelo evapora e forma uma camada em torno do núcleo brilhante, denominada coma. O calor também provoca a formação de uma cauda de gás e pó, que pode atingir milhões de quilômetros.
Ainda de acordo com a Nasa, outro cometa poderá ser visto a olho nu este ano, em novembro. O cometa ISON deverá ser tão brilhante quanto a lua cheia, e poderá ser observado sem telescópio mesmo durante o dia.

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7784 – Medicina – Excesso de sal causa doença autoimune em roedores


O consumo elevado de sal pode ser o culpado pelas taxas crescentes de doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, afirmaram pesquisadores em três novos trabalhos publicados na revista especializada “Nature”.
Os cientistas investigaram o papel de uma classe específica de células relacionadas a inflamações.
O estudo indica que dietas ricas em sal aumentaram os níveis de um tipo de célula do sistema imune que é relacionada a doenças autoimunes.
Nos testes, ratos geneticamente modificados para desenvolverem esclerose múltipla ficaram muito piores quando ingeriram uma quantidade de sal que seria a semelhante a uma dieta ocidental com muito sal, em comparação com roedores que tinham uma ingestão mais moderada de sal.
Os resultados sugerem que o sal possa ter um papel no desencadeamento de doenças autoimunes em pessoas previamente dispostas, como a própria esclerose múltipla e a diabetes tipo 1, que não era conhecido anteriormente.
O consumo elevado de sal já é conhecidamente um fator que aumenta as chances de problemas cardíacos e de hipertensão.
Hafler ficou interessado em estudar o link entre o sal e doenças autoimunes através de estudos do microbioma intestinal, um censo dos micróbios e das funções celulares de cem indivíduos saudáveis.
O grupo identificou que, quando as pessoas no estudo iam a restaurantes de fast food mais do que uma vez por semana, havia um incremento nos níveis de células inflamatórias destrutivas, que são produzidas pelo sistema imune para responder a um ferimento ou a invasores externos, mas que, em doenças autoimunes, atacam também os tecidos saudáveis.
Ele compartilhou sua descoberta com pesquisadores de Harvard, do MIT e outros colegas, que também buscavam fatores de indução das atividades de um tipo de célula autoimune conhecida como Th17.
As células Th17 podem promover inflamações que são importantes para combater patógenos, mas que também são relacionadas a doenças como esclerose múltipla, psoríase e artrite reumatoide. O tratamento para alguma dessas doenças, como a psoríase, inclui a manipulação da função da célula Th17.

7783 – Religião – O que é a Cabala?


Cabala

Qual a origem do Universo? Por que estamos aqui? De onde vem a vida? O que acontece depois da morte? Imagine se você pudesse fazer todas essas perguntas diretamente para a autoridade máxima no assunto. Isso mesmo: que tal ter uma conversa com Deus e ouvir dele todas as respostas? Agora imagine que as respostas já existem, e foram passadas de geração a geração por um grupo de sábios estudiosos, do início dos tempos até os dias de hoje. Pois essa é a definição da cabala: uma revelação feita por Deus para os homens, capaz de esclarecer todos os mistérios que rondam a humanidade.

No princípio, Deus criou os céus e a Terra. “Faça-se a luz”, e a luz foi feita. Depois, Deus criou o homem e o chamou Adão. Findos os 7 dias da Criação, o Senhor viu que tinha feito algo bom. O homem habitava o paraíso e tinha contato direto e constante com Ele. E daí Deus resolveu passar ao homem toda a sabedoria da cabala. “Adão conhecia a cabala”, dizem alguns praticantes. O assunto, porém, é controverso entre os próprios cabalistas. Teria o conhecimento da cabala sido passado de Adão a seus descendentes até Noé, depois até Abraão, Moisés e em seguida aos grandes mestres históricos, que selecionavam rigorosamente aqueles que estariam aptos a ser seus discípulos?
Cabala não é religião, autoajuda, superstição, magia, bruxaria, sociedade secreta, meditação, adivinhação, interpretação de sonhos, ioga, hipnose ou espiritismo, embora possa estar relacionada a todas essas coisas. Agora fica mais simples entender o que a cabala É: um conjunto de ensinamentos sobre Deus, o homem, o Universo, a Criação, o Caminho, a Verdade e coisas afins; uma revelação de Deus para o homem.
A cabala é uma forma de misticismo, pois ensina que é possível ao homem ter contato direto com esferas superiores da realidade, ou mesmo com manifestações do próprio Criador. Portanto, de um modo simplificado, a cabala é o misticismo judaico, ou a corrente mística ligada à tradição do judaísmo, para ser mais exato.

No grosso modo, a cabala está para o judaísmo assim como o gnosticismo está para o cristianismo e o sufismo está para o islã. Gnosticismo e sufismo são as correntes místicas ligadas respectivamente às tradições cristã e muçulmana. Como misticismos, essas 3 correntes têm muito em comum.
Se a cabala é um tipo de misticismo, talvez seja o caso de explicar: o que é misticismo? Em poucas palavras, é a crença na possibilidade de percepção, identidade, comunhão ou união com uma realidade superior, representada como divindade(s), verdade espiritual ou o próprio Deus único, por meio de forte intuição ou de experiência direta em vida. Na intenção de atingir esse tipo de experiência, as tradições místicas fornecem ensinamentos e práticas específicos, como meditação e aperfeiçoamento pessoal consciente.
Durante séculos, especialmente após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém pelos romanos, no ano 70, a sabedoria da cabala foi cuidadosamente transmitida “por mestres iluminados somente a pequenos grupos de seus discípulos mais brilhantes e inspirados”, conta Alanati. Os discípulos ideais eram homens maduros (mais de 40 anos), pais de família, de comportamento exemplar e ávidos por descobrir os segredos do Universo. Não eram muitos, portanto, aqueles que se tornavam mestres e davam continuidade à transmissão do conhecimento oral.
Para boa parte dos cabalistas, as restrições tinham uma razão clara: o público não estava preparado para receber esses ensinamentos.

7782 – Religião – Deus segundo o Judaísmo


judaismo

Um velho pastor, cansado da fome e da seca, certa vez ouviu uma voz a dizer: “Parte da tua terra”. Era o Senhor, que propôs guiar aquele homem até um lugar abençoado, onde água e comida nunca faltariam. Em troca, ele deveria adorá-Lo como único Deus e espalhar pelo mundo uma mensagem de justiça. A proposta era arriscada numa época em que reis exploravam o trabalho de camponeses, invasores ameaçavam cidades-Estado e os povos, em busca de proteção, veneravam várias divindades. Mesmo assim, o pastor aceitou o acordo. E foi recompensado por isso. Seu nome era Abraão. Ele sobreviveu a guerras, catástrofes naturais, perseguições. E seus descendentes foram guiados numa longa jornada rumo a Canaã – a Terra Prometida.
A narrativa da aliança entre Deus e Abraão é uma das mais conhecidas da tradição judaico-cristão e, embora nunca tenha sido confirmada historicamente, pode explicar como surgiu a primeira grande religião monoteísta, o judaísmo. Esse relato aparece numa das primeiras páginas da Torá, a Bíblia Hebraica, que equivale ao Antigo Testamento cristão. Ali é narrada a saga dos hebreus (mais tarde conhecidos como israelitas ou judeus), um povo nômade que há 4 mil anos andava pelos desertos da Mesopotâmia. Conheceram Deus pessoalmente, dizem as Escrituras. Andaram com Ele na guerra e na paz. E registraram tudo o que descobriram sobre o Criador.

Escrever sobre Deus não foi tarefa fácil para os antigos hebreus. Afinal, como falar do que é indefinível, inefável e impossível de captar pelos sentidos? “É muito difícil para os seres humanos, porque nossa capacidade é limitada diante da imensidão da divindade”. Para traduzir sua experiência com o Todo-Poderoso, os hebreus recorreram a metáforas e comparações com a natureza. Deus era montanha, rocha, fogo, vento, nuvem e chuva.
O Gênesis, primeiro livro da Bíblia Hebraica, está repleto de exemplos desse tipo. A narrativa da Criação revela que foi na forma de vento que Deus deu vida a Adão, o primeiro ser humano. No Êxodo, quando Moisés resgata os hebreus da escravidão no Egito, o Todo-Poderoso era a nuvem que os abrigava do Sol no deserto. À noite, iluminava o caminho como uma coluna de fogo ou um vulcão em atividade.
Quando as comparações com a natureza cessaram, o Criador passou a ser descrito com atributos humanos. Aí, sobraram adjetivos. Ele era considerado sábio, justo, solidário, bondoso. Também era forte, temerário e invencível, como um rei cercado de súditos a governar o mundo. Outras vezes, foi visto como um guerreiro poderoso encarregado de defender seu povo. Tinha uma morada, no alto do monte Sinai. Foi lá que Moisés ficou frente a frente com ele mais de uma vez. Num dos encontros, recebeu as Tábuas da Lei, pedaços de pedra onde estavam inscritos os 10 Mandamentos de Deus para os homens. Curioso, Moisés perguntou se o Todo-Poderoso tinha nome. E obteve a resposta: Yahweh (ou Javé, “aquele que é”). O nome, contudo, jamais deveria ser pronunciado por seu povo,
A imagem abstrata e transcendente que muitos fiéis fazem hoje do Divino não condiz com a do Deus da Torá. As Escrituras o mostram como uma divindade pessoal, com características humanas, que caminha lado a lado com o povo e participa da história. Conta-se que, no período tribal (de 1200 a 1000 a.C.), quando os hebreus já haviam se instalado na Terra Prometida, o Senhor ia pessoalmente aos campos de batalha. “Era Ele quem liderava o exército popular na luta contra os reis das cidades-Estados que ameaçavam roubar as colheitas do povo”. Assim como um ser humano qualquer, Deus também tinha um lado ciumento e temperamental. Dizem que, quando desafiado, explodia em fúria e aplicava castigos terríveis. Um faraó egípcio – provavelmente Amenotepe 2º, embora não haja comprovação arqueológica – sentiu na pele a ira divina quando se recusou a libertar os escravos hebreus. Rãs, moscas, gafanhotos e outras pragas foram lançadas sobre seu reino. Como o governante se manteve irredutível, o pior acabou acontecendo: “À noite, passou o anjo do Senhor e feriu de morte todos os primogênitos do Egito, do filho do rei ao filho da escrava”, contam as Escrituras. As cidades de Sodoma e Gomorra, na região do mar Morto, também foram vítimas da cólera divina. Enfurecido com os pecados praticados ali, o Senhor “fez chover enxofre e fogo do céu”, aniquilando todos os pecadores.

Esses relatos cheios de fúria e destruição costumam chocar quem está habituado à ideia de um Deus benevolente e pacífico. Mas, para os estudiosos dos textos sagrados, não são um retrato definitivo. “O Deus judaico, na verdade, tem várias faces. Cada uma retrata um contexto diferente”.
A mudança mais decisiva ocorreu a partir do ano 597 a.C., quando o imperador Nabucodonosor 2º invadiu o reino de Judá e deportou seus habitantes para a Babilônia. Exilados, os israelitas não podiam mais adorar Javé no Templo de Jerusalém, onde acreditavam que ele habitava. “Sem a terra, o templo e a monarquia, a população mergulhou no caos e o próprio conceito de Deus entrou em crise”, conta o professor Valmor da Silva. Uma nova face divina, então, emergiu. Deus passou a ser visto como onipresente (podia estar em todos os lugares, ao mesmo tempo), onipotente (tinha poder absoluto) e universal. Assim, todos podiam adorá-Lo, mesmo no exílio. Em consequência, deixou de ser exclusivo de um povo, passando a levar justiça e salvação ao mundo inteiro.
A partir daí, a imagem do Deus colérico, temerário e castigador foi ficando para trás. Mas os relatos bíblicos, dos tempos em que o Senhor andava no meio do povo, não foram esquecidos.
As Escrituras judaicas contam que Adão foi o primeiro homem a usufruir das maravilhas do Éden. Não sentia dor, fome ou medo, e vivia na fartura. Mas foi expulso dali por um ato de desobediência – provou o fruto proibido. Desde então, os judeus esperam o dia em que o mundo volte a ser o paraíso narrado na Torá. Para anunciar a chegada desse dia, um Messias virá à Terra.
O nome próprio de Deus, revelado a Moisés no alto do monte Sinai, até hoje é objeto de estudo. O tetragrama sagrado foi originalmente escrito em hebraico antigo e é composto de 4 consoantes. Nas leituras públicas da Torá, os sacerdotes judaicos consideravam uma blasfêmia pronunciá-lo. Por isso, substituíram YHVH por Adonai (“Meu Senhor”).
Com o tempo, as vogais dessa palavra foram intercaladas às consoantes do tetragrama, dando origem às formas Jahovah, Jehovah, Jeová e Javé – hoje atribuídas a Deus. Pronunciá-las continua sendo um tabu. “Nas orações, dizemos Adonai e, quando não estamos rezando, nos referimos a Ele como Hashem, que significa O Nome, explica um professor de judaísmo.

7781 – Civilizações Antigas – Império Romano


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Muito depois da morte deste império, seus aquedutos ainda permaneciam para serem usados e admirados, provavelmente para servir como inspiração para construtores de eras subsequentes. Tais aquedutos não eram construídos para irrigar mas para levar a água até as cidades. Estas dispunham de fontes públicas, banhos termais e algumas cidades, rede de esgoto.
Denomina-se Roma Antiga a civilização que surgiu de uma pequena comunidade agrícola fundada na península Itálica no século X a.C.. Localizada ao longo do mar Mediterrâneo e centrada na cidade de Roma, tornou-se um dos maiores impérios do mundo antigo.
Em seus séculos de existência, a civilização romana passou de uma monarquia para uma república oligárquica, até se transformar em um império cada vez mais autocrático. O Império Romano chegou a dominar o Sudoeste da Europa Ocidental, Sudeste da Europa/Bálcãs e toda a bacia do Mediterrâneo através da conquista e assimilação.
Devido à instabilidade política e econômica interna e às migrações dos povos bárbaros, a parte ocidental do império, incluindo a Itália, Hispania, Gália, Britânia e África, dividiu-se em reinos independentes no século V. Esta desintegração é o marco que historiadores usam para dividir a Antiguidade da Idade Média.
O Império Romano do Oriente, governado a partir de Constantinopla, surgiu depois que Diocleciano dividiu o império em 286 e sobreviveu a essa crise. Compreendia a Grécia, Balcãs, Ásia Menor, Síria e Egito. Apesar da posterior perda da Síria e do Egito para o Império Árabe-Islâmico, o Império Romano do Oriente continuou existindo por mais outro milênio, até que seus restos foram finalmente anexados pelo emergente Império Otomano. Este estágio oriental, cristão e medieval do império é geralmente chamado de Império Bizantino pelos historiadores.
A civilização romana é muitas vezes agrupada na “antiguidade clássica” com a Grécia Antiga, uma civilização que, junto com a civilização etrusca e as muitas outras civilizações que os romanos conquistaram e assimilaram, inspirou grande parte da cultura da Roma Antiga. A Roma antiga contribuiu grandemente para o desenvolvimento do direito, governo, guerra, arte, literatura, arquitetura, tecnologia, religião e da linguagem no mundo ocidental e sua história continua a ter uma grande influência sobre o mundo de hoje.
Os antigos povos que habitavam a região do Lácio, os latinos, pequeno povo de camponeses indo-europeus vindo da Ásia e do centro da Europa, nas proximidades de Roma, desenvolveram uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nesta época, era formada por patrícios (nobres proprietários de terras) e plebeus (comerciantes, artesãos e pequenos proprietários). O sistema político era a monarquia: a cidade era governada por um rei, originalmente de origem latina, porém os últimos reis do período monárquico foram de origem etrusca.
Os romanos deste período eram politeístas, venerando deuses semelhantes aos dos gregos (embora com nomes diferentes). Os gregos também influenciavam, juntamente com os etruscos, as primeiras formas de arte realizadas pelos romanos deste período.

Seus descendentes, Rómulo e Remo, filhos de Reia Sílvia, rainha da cidade de Alba Longa, com o deus Marte, foram jogados por Amúlio, rei da cidade, no rio Tibre. Mas foram salvos por uma loba que os amamentou, tendo sido, em seguida, encontrados por camponeses. Conta ainda a lenda que, quando adultos, os dois irmãos voltaram a Alba Longa, depuseram Amúlio e em seguida fundaram Roma, em 753 a.C. A data tradicional da fundação (21 de abril de 753 a.C.[4]) foi convencionada bem mais tarde por Públio Terêncio Varrão, atribuindo uma duração de 35 anos a cada uma das sete gerações correspondentes aos sete mitológicos reis. Segundo a lenda, Rômulo matou o irmão e se transformou no primeiro rei de Roma.
O último rei de Roma teria sido Tarquínio, o Soberbo (534 a.C.-509 a.C.) que, em razão de seu desejo de reduzir a importância do senado na vida política romana, acabou sendo expulso da cidade e também assassinado. Este foi o fim da monarquia em Roma.
Durante esse período, o monarca (rei) acumulava os poderes executivo, judicial e religioso, e era auxiliado pelo senado, ou conselho de anciãos, que detinha o poder legislativo e de veto, decidindo aprovar, ou não, as leis criadas pelo rei.
República Romana é a expressão usada por convenção para definir o Estado romano e suas províncias desde o fim do Reino de Roma em 509 a.C. ao estabelecimento do Império Romano em 27 a.C..
Durante o período republicano, Roma transformou-se de simples cidade-estado num grande império, voltando-se inicialmente para a conquista da península Itálica e mais tarde para a Gália e todo o mundo da orla do mar Mediterrâneo.

Os principais grupos sociais que se construíram em Roma eram os patrícios, os clientes, os plebeus e os escravos.
Patrícios: eram grandes proprietários de terras, rebanhos e escravos. Desfrutavam de direitos políticos e podiam desempenhar altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram os cidadãos romanos.

Clientes: eram homens livres que se associavam aos patrícios, prestando-lhes diversos serviços pessoais em troca de auxílio econômico e proteção social. Constituíam ponto de apoio da dominação política e militar dos patrícios.

Plebeus: eram homens e mulheres livres que se dedicavam ao comércio, ao artesanato e aos trabalhos agrícolas. Apesar da conotação do nome, havia plebeus ricos.

Escravos: Representavam uma propriedade, e, assim, o senhor tinha o direito de castigá-los, de vendê-los ou de alugar seus serviços. Muitos escravos também eram eventualmente libertados.

Na Roma antiga, a agricultura era a atividade econômica fundamental, diferente de outros povos da época, que preferiam dar maior importância ao comércio e ao artesanato.
Num processo de ocupação de terras, os romanos chegaram numa situação em que, de um lado, havia os grandes latifundiários que concentravam todos os poderes políticos das regiões e, de outro, os pequenos proprietários que, sem direitos de manifestação e de representação, viam-se arruinados pela contínua perda de suas próprias terras. Isso causou desequilíbrios sociais e, durante vários séculos, conflitos.

Militarismo
Roma foi um Estado militarista cuja história e desenvolvimento sempre foram muito relacionados às grandes conquistas militares, durante os seus doze séculos de existência. Então, o tema central a ser falado quando se discute a história militar da Roma Antiga é o sucesso conseguido pelos exércitos romanos em batalhas campais que garantiam sua hegemonia, desde a conquista da península Itálica às batalhas finais contra os bárbaros.
A maior prova do sucesso militar do Império Romano foi sua expansão territorial, pela qual Roma passou de uma simples cidade-estado para um verdadeiro império, que abrangia boa parte da atual Europa Ocidental, boa parte do norte da África e uma parte da Ásia. Essas grandes conquistas militares do Império Romano se deram pelo avanço da ciência militar que ela desenvolveu, inovando cada vez mais na indústria bélica. Eles criaram armas que envolviam tática e força, como o corvo, o gládio, o pilo e a catapulta; mas também deve-se ressaltar que as conquistas romanas se deram pela grande organização e empenho dos exércitos.
Engenharia, arquitetura e tecnologia
Além de construir estradas que ligavam todo o império, os romanos edificaram aquedutos que levavam água limpa até as cidades e também desenvolveram complexos sistemas de esgoto para dar vazão à água servida e aos dejetos das casas.
A arquitetura romana sofreu uma enorme influência da arquitetura grega, porém, adquiriu algumas características próprias. Os romanos, por exemplo, modificaram a linguagem arquitetônica que receberam dos gregos, uma vez que acrescentaram aos estilos herdados (dórico, jônico e coríntio) duas novas formas de construção: os estilos toscano e compósito. As características que abrangiam os traços arquitetônicos gregos e romanos foram chamadas de Arquitetura Clássica por muitos escritores. Alguns exemplos característicos deste estilo expandiram-se por toda a Europa, devido ao expansionismo do Império Romano, nomeadamente o aqueduto, a basílica, a estrada romana, o Domus, o Panteão, o arco do triunfo, o anfiteatro, termas e edifícios comemorativos.
A evolução da arquitetura romana reflete-se fundamentalmente em dois âmbitos principais: o das obras públicas e o das particulares. No âmbito das obras públicas (templos, basílicas, anfiteatros, etc), elas apresentavam dimensões monumentais e quase sempre formavam um conglomerado desordenado em torno do fórum – ou praça pública – das cidades.
As obras particulares, como os palácios urbanos e as vilas de veraneio da classe patrícia, se desenvolveram em regiões privilegiadas das cidades e em seus arredores, com uma decoração deslumbrante e distribuídas em torno de um jardim.

Cristianismo
Na Judeia, uma das províncias romanas no Oriente, facções políticas locais se digladiavam em fins do século I a.C. De um lado, a aristocracia e os sacerdotes judeus aceitavam a dominação romana, pois os primeiros obtinham vantagens comerciais e os segundos mantinham o monopólio da religião. Entre as várias seitas judaicas que coexistiam na região, estavam a dos fariseus, voltados para a vida religiosa e estudo da Torá, e a dos essênios, que pregavam a vinda do Messias, um rei poderoso que lideraria os judeus rumo à independência. Nesse clima de agitação, durante o governo de Augusto, nasceu, em Belém, um judeu chamado Jesus.
Apegados ao monoteísmo, os cristãos não juravam o culto divino ao imperador, provocando reações violentas. As perseguições ocorreram em curtos períodos, embora violentos, na medida em que o culto divino ao imperador, estabelecido por Augusto mas formalizado por Domiciano, era aplicado nas províncias.
Muitos foram perseguidos, outros morreram nas arenas, devorados por feras. Ao mesmo tempo, cada vez mais pessoas se convertiam ao cristianismo, especialmente pobres e escravos, que se voltavam para a Igreja por acreditarem na promessa de vida eterna no Paraíso.
Em 313, o imperador Constantino I fez publicar o Édito de Milão, que instituía a tolerância religiosa no império, beneficiando principalmente os cristãos. Com isso, recebeu apoio em sua luta para se tornar o único imperador e extinguir a tetrarquia. Em 361, assumiu o trono Juliano, o Apóstata, que tentou reerguer o paganismo, dando-lhe consistência ético-filosófica e reabrindo os templos. Três anos depois o imperador morreu e, com ele, as tentativas de retomar a antiga religião romana. Em 391, Teodósio I (379-395) oficializou o cristianismo nos territórios romanos e perseguiu os dissidentes. Após seu reinado, o império foi dividido em duas partes. Os filhos de Teodósio assumiram o poder: Arcádio herdou o Império Romano do Oriente, cujo centro político era Constantinopla (antiga Bizâncio, rebatizada em homenagem ao imperador Constantino, localizava-se onde hoje é a cidade turca de Istambul); a Honório coube o Império Romano do Ocidente, com capital em Roma.

Artes
A arte romana desenvolveu-se principalmente a partir do século II a.C. Para os romanos, a arquitetura era uma arte prática por excelência. Construíram obras importantes, como pontes, viadutos, aquedutos, arcos e colunas triunfais, estradas, termas, teatros, anfiteatros e circos. Destacavam-se as técnicas do arco pleno ou de meia circunferência, que permitiam a construção de abóbadas e cúpulas, e da coluneta ou conjunto de colunas. Embora se valessem de estilos gregos – jônico e coríntio -, os romanos desenvolveram dois tipos de colunas: a toscano e o compósito (uma sobreposição dos dois estilos gregos mencionados). Desenvolvendo novas concepções de espaço, os arquitetos romanos souberam solucionar problemas de ventilação, iluminação e circulação. Utilizaram largamente pedras e tijolos bem cozidos para edificar e argamassas e mármore nos revestimentos.

7780 – Projeções – Um Hidroanel em São Paulo


☻ Mega Arquivo 25°Ano

Pela primeira vez na história, existe mais gente vivendo entre prédios e avenidas do que entre pastos e animais. Em 2008, os moradores de metrópoles viraram mais da metade da população do planeta. E, em 2011, cidades americanas cresceram mais do que os subúrbios pela primeira vez desde 1920. O fato é que centros urbanos tendem a ser mais “verdes” que subúrbios. A ilha de Manhattan, com todos aqueles prédios, é considerada um dos lugares mais verdes dos EUA: lá, só 25% das famílias têm carro, por exemplo, contra 92% no resto do país. Sim, as cidades venceram e podem ser mais ecologicamente corretas do que o senso comum imagina. Mas, claro: ainda existe muito o que corrigir. Os problemas você conhece: trânsito, sujeira, poluição… Mas as metrópoles também contêm as soluções para estas questões.

Os rios da maior cidade do Brasil são mais do que um esgoto: podem revolucionar o trânsito, a coleta de lixo e a qualidade de vida da metrópole
Trânsito e lixo. Esses dois agentes são a dor de cabeça de qualquer cidade grande desde o Império Romano. Em São Paulo, então, a dor é muito mais aguda. Considerando que a frota de carros na capital só cresce (foram de 1 milhão para 7 milhões dos anos 70 para cá) e que a velocidade média dos veículos no trânsito só cai (indo de 27 km/h para 17 km/h nesse meio tempo), o problema parece sem solução. Mas só parece. Um grupo de pesquisadores da USP tem um projeto para colocar ordem neste caos. E a resposta vem do lugar mais improvável: os rios da cidade.
O Hidroanel Metropolitano pretende resolver São Paulo em dois momentos. O primeiro envolve a construção de uma série de portos na borda dos rios e das represas que circundam a cidade. Eles serviriam para receber a quantidade enorme de sujeira produzida pela metrópole. Desde os saquinhos que os moradores colocam na porta de casa até a terra e o entulho de construções e demolições. Passando por outros dejetos, como a sujeira retirada dos córregos e das estações de tratamento.
Estas cargas seriam levadas para os portos de caminhão mesmo. Mas existe uma diferença importante. Com a construção dos portos para recebimento do lixo, as distâncias percorridas pelos veículos de carga seriam encurtadas de 30 km para apenas 8 km em média. Sem precisar atravessar a cidade, eles desafogariam o trânsito. Os barcos que esperam a sujeira atracados nos portos serviriam para percorrer o resto do caminho. Enquanto cada caminhão transporta apenas oito toneladas, um barco consegue movimentar 400 toneladas.
Mas para onde estes barcos iriam? Este é o segundo passo. O Hidroanel Metropolitano prevê um enorme círculo de água em volta da cidade. Ele contaria com os dois rios e as duas represas que cortam a borda de São Paulo, mais um canal artificial ligando as pontas soltas. Além dos portos, existiriam três centros de processamento de lixo prontos para receber 800 toneladas de lixo por hora. E todas aquelas cargas públicas – que saíram das ruas, percorreram os rios e chegaram aos centros – seriam recicladas, transformadas em matéria-prima novamente.
Nada mal para uma cidade que há décadas só vê seus rios como esgotos a céu aberto.

Com o Hidroanel, toda a sujeira produzida por São Paulo – como a terra e o entulho das construções e o lixo das casas – teriam um novo destino: portos fluviais. Como existiriam mais portos do que lixões, o trânsito ficaria aliviado dos caminhões que transportam a sujeira. Dos portos, eles seriam carregados nestes barcos de carga.

Caminhos equilibrados
Os barcos viajariam por um círculo de águas – composto pelos rios Tietê e Pinheiros, pelas represas Billings e Taiaçupeba e por um canal artificial criado para completar o Hidroanel. A conexão entre todos eles, além do transporte de cargas, possibilitaria o equilíbrio das águas. Ou seja, quando um dos rios enchesse, o excesso de águas poderia ser direcionado para outros trechos do sistema. Resultado: menos enchentes.
Todos os materiais recebidos nos portos e carregados nos barcos seguiriam até centros gigantescos de processamento. Seriam apenas três espalhados pelas margens dos rios, suficientes para reciclar 800 toneladas de cargas por hora. Ali cacos de vidro voltam a ser garrafas de vidro, latinhas amassadas viram lingotes de alumínio…
Mas o Hidroanel vai além do lixo, das enchentes e do trânsito. Ele ajuda no desenvolvimento das regiões que ficam nas bordas dos rios. Hoje, muitas delas, como o bairro paulistano do Jardim Pantanal, estão destruídas. Estes bairros renasceriam com o movimento gerado pelos rios. E contariam com áreas verdes, ciclovias, bondes – além de prédios que juntam moradia e trabalho, evitando longas viagens pela cidade.

7779 – Mega Projeções – O Trabalho um dia vai acabar?


Se trabalho fosse bom, não se chamava trabalho.
Acabar não vai, mas deve se tornar mais leve. Uma das principais forças por trás dessas mudanças é a tecnologia. Hoje, você não consegue nem imaginar como seria viver sem internet e celular. E são justamente essas duas ferramentas que permitem que as pessoas possam trabalhar de qualquer lugar – de casa, do cibercafé, da beira da praia tomando açaí. O teletrabalho, em que as pessoas trabalham de um local remoto, via computador, e fazem reuniões via videoconferência, já é uma realidade: nos EUA, são 33,7 milhões de pessoas fazendo isso ao menos uma vez por mês.
Com internet e celular, as pessoas podem trabalhar de qualquer lugar – até mesmo de outros países. É o caso do projeto Mechanical Turk, da Amazon, uma espécie de classificados de pequenos serviços, como legendar fotos ou fazer buscas em sites. Nele, as pessoas de todo o mundo podem se cadastrar, escolher entre as milhares de tarefas disponíveis e serem pagas por cada uma delas. Nem todas as atividades que executamos podem ser delegadas e terceirizadas dessa forma, mas é uma mostra do que dá para fazer quando a banda larga é barata e todos têm acesso a um computador.
Permitir que as pessoas trabalhem de casa não é apenas uma maravilha mas também um diferencial poderoso na hora de conservar os funcionários. E essa vantagem vai mesmo ser necessária: pesquisa da Rand Corporation mostra que o crescimento da força de trabalho está diminuindo com os anos, nos EUA. De um aumento de 2,6% ao ano, na década de 1970, esse número caiu para 0,4%, nos anos 2000. Com um número tão pequeno, o mercado vai precisar dos jovens para trabalhar. E das mulheres. E dos idosos. Enfim, de todo mundo.
Atrair funcionários vai virar um desafio nos próximos anos. Para chegar lá, a palavra-chave é uma só: flexibilidade. Isso não significa apenas trabalhar de casa de vez em quando mas também poder chegar mais cedo ou mais tarde conforme a conveniência, sair no meio do dia para ver o teatrinho na escola das crianças, ter empregos de meio período ou semanas de 4 dias. Mesmo quem tem um tipo de trabalho presencial, como funcionários de uma fábrica, por exemplo, podem se beneficiar dessas práticas.
Criados no ambiente coletivo e colaborativo da internet, essa geração até se preocupa com dinheiro, mas é capaz de abrir mão de um emprego que pague bem, mas seja chato, em nome de fazer o que gosta, em uma empresa menor.

7778 – Antártida – O Monte Erebus


Mega Arquivo – 25° Ano

MountErebus

Altitude 3.794 m (12.448 pés)
Proeminência 3.794 m
Coordenadas 77° 32′ S 167° 17′ E
Localização Antártida
Cordilheira Nenhuma
Primeira ascensão 1908 por T.W.E. David e equipe
Rota mais fácil escalada pelo gelo

É um estratovulcão que se localiza na Antártida, na ilha de Ross. Tem quase 3800 metros de altitude e continua ativo continuamente desde 1972 (é o vulcão activo mais meridional da Terra). Liberta vários jatos de vapor. Já foram encontrados vestígios de lava no gelo da ilha de Ross. É presentemente um dos mais ativos vulcões do mundo, em conjunto com o Kīlauea (no Arquipélago Havaiano) (Oceano Pacífico), o Stromboli e o Etna (Itália) e o Piton de la Fournaise (Reunião).
Foi descoberto em 1841 pelo explorador polar Sir James Clark Ross que lhe deu o nome, bem como ao Monte Terror. Erebus e Terror eram os nomes dos navios que Ross levou para os mares austrais. Erebus era um deus grego primordial, filho de Caos.
O Monte Erebus é atualmente o mais ativo vulcão da Antárctica. O cume contém um lago de lava permanente que regista diariamente erupções strombolianas. Em 2005, pequenas erupções de cinza e um pequeno fluxo de lava foram observados escorrendo do lago de lava.
No dia 28 de novembro de 1979 o Voo Air New Zealand 901, fretado para observação aérea na Antártica, saído do Aeroporto de Auckland, na Nova Zelândia, terminou quando o avião colidiu com o monte, matando todas as 257 pessoas a bordo, sendo 237 passageiros e 20 tripulantes.

7777 – Geografia – A Cratera de Ngorongoro


☻ Mega Arquivo – 25° Ano

Ngorongoro

É uma das maiores atrações da Tanzânia.
É também considerada a Arca de Noé da África Oriental, por abrigar no seu seio a quase totalidade das espécies animais daquela região, integrados num ecossistema que ainda não foi afectado pela mão do homem. Observado do alto das suas falésias ou do fundo da sua vastíssima cratera, o Ngorongoro é um dos locais mais fascinantes de África.
De fato, a cratera de Ngorongoro é um lugar muito bonito, que abriga milhares de animais selvagens. Foi até chamada de “a oitava maravilha do mundo”, por alguns naturalistas, e pode-se entender o motivo.
A origem do nome, Ngorongoro, é desconhecida ao certo. Segundo a Sociedade de Conservação da África Oriental, alguns dizem que Ngorongoro era o nome de um masai que fazia sinos para gado e vivia na cratera. Outros afirmam que o nome vem de um valente grupo de guerreiros datogos que foram derrotados pelos massais numa batalha ocorrida na cratera há 150 anos. Mas, de repente, quando avista-se as zebras pastando perto do estacionamento, a origem do nome parece irrelevante. Visitantes podem seguir num veículo e chegar bem perto , sem que as zebras nem os notem. A cratera fica a 2.236 metros acima do nível do mar e é a maior caldeira intacta, ou vulcão desmoronado, do mundo.
Mede mais de 19 quilômetros de diâmetro e tem uma superfície de 304 quilômetros quadrados, sendo que dentro da cratera é surpreendentemente quente…Ao passo que o motorista percorre lentamente o fundo da cratera, passa-se por um pequeno lago salgado com muitos flamingos rosados A borda da cratera que agora ficou para trás se destaca em contraste com o céu azul. Pode-se ouvir o barulho de zebras e gnus misturado com outros sons exóticos.
Na cratera de Ngorongoro pode-se ver búfalos, elefantes, zebras, gnus, gazelas, rinoceronte-negros e cercopiteco-de-face-negra. Predadores como guepardos, hienas, chacais, leões de juba negra e hipopótamos.
Um rinoceronte-negro pode passar a poucos metros de visitantes e se sentir à vontade na cratera. É uma oportunidade rara observá-lo tão de perto em seu habitat. Essa fera que inspira medo está quase em extinção; estima-se que haja menos de 20 na cratera. Caçadores clandestinos foram pegos matando rinocerontes por causa dos chifres, que são vendidos ilegalmente para a fabricação de cabos de punhais e de remédios. A guarda-florestal faz patrulhas regulares para afastar os caçadores.”

cratera ngorogoro

Localizada no norte da Tanzânia, entre o Monte Kilimanjaro (pico culminante da África, com 5 895 metros) e o Lago Vitória (o maior lago da África e um dos maiores do mundo), a cratera faz parte da área de conservação ambiental de Ngorongoro, que soma 8 300 quilômetros quadrados. Maior que a cidade de Recife, dentro dela existe um mosaico dos ecossistemas do leste africano, com savanas, riachos, lagos, florestas e pântanos, onde habitam milhares de animais selvagens. Há aproximadamente 3 000 búfalos, 8 000 gnus, 7 000 zebras, 100 leões, 400 hienas, 70 elefantes e mais uma infinidade de pássaros.
As paredes de 600 metros de altura não compõem uma barreira geográfica ao trânsito de muitos animais, já que acontecem migrações. Leões que ali nasceram, marcados por pesquisadores, foram encontrados no Parque Nacional do Serengeti, que fica a mais de 100 quilômetros dali. O mais comum, porém, é que esses animais permaneçam ali mesmo, pois embora os carnívoros ocupem grandes áreas, o espaço dentro da cratera é suficiente para eles. Por isso, e porque é raro leões de fora entrarem lá, existe o problema da consangüinidade entre os leões da cratera. Ou seja, de tanto cruzarem entre si mesmos, têm a bagagem genética muito parecida e são mais frágeis — uma mudança ambiental, por exemplo, poderia dizimá-los.
A maioria dos animais herbívoros também prefere permanecer lá dentro, por causa da abundância de gramíneas. Na cratera só se encontram elefantes machos. Isso acontece porque as manadas que incluem as fêmas tendem a ser muito grandes e, além de raramente passarem pela cratera durante suas migrações, não encontram comida suficiente ali.
A cratera de Ngorongoro surgiu há 2,5 milhões de anos, quando o vulcão que existia naquele lugar desabou. Esse vulcão tinha altura quase igual à do Monte Kilimanjaro. Seu interior, porém, era um tanto oco, e o topo sustentado apenas pelas constantes erupções de lava. Quando esta lava começou a ser expelida por buracos formados nas paredes do vulcão, o topo perdeu sua sustentação e implodiu, formando a cratera, cuja borda perfeita tem uma altitude de 2 100 metros. Naquela época — Pleistoceno, era Cenozóica —, a atividade vulcânica era comum na região, pois ela faz parte do Vale Rift africano. Rift é o termo em inglês para designar a área de choque entre duas placas tectônicas, em que ocorre intenso vulcanismo. Como na África a movimentação das placas aconteceu há muito tempo, os vulcões estão extintos. Em outras re-giões do mundo, porém, estão em plena atividade, como no Caribe, Indonésia e Japão — onde, inclusive, está Aso, a maior cratera vulcânica do mundo (368 quilômetros quadrados), na qual ainda ocorrem erupções.
Situada a 120 quilômetros da cidade mais próxima, Arusha, Ngorongoro só é acessível por carro. Para se descer dentro da cratera, é preciso estar acompanhado de um motorista-guia. Cercados de animais, os visitantes são proibidos de sair do carro e transitar a pé, e só podem fotografar e filmar por uma abertura no teto do veículo. Também não é permitido dirigir fora das trilhas, e teoricamente não pode haver mais de cinco carros observando a mesma cena — embora às vezes haja congestionamentos de mais de vinte carros observando o ritual amoroso dos leões.
O ser humano não é novato nesses ecossistemas, pois há na região dois dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo: o Vale Olduvai e Laetoli, que ficam a cerca de 60 e 90 quilômetros da cratera, respectivamente. No primeiro foram encontrados os fósseis mais antigos do Homo habilis, nosso antecessor direto, com mais de 1,8 milhão de anos. Em Laetoli estão preservadas pegadas de Australopithecus afarensis, hominídeos que já caminhavam eretos e que provavelmente foram nossos ancestrais, com 3,7 milhões de anos.
Com a Primeira Guerra Mundial, os alemães foram obrigados a se retirar e os ingleses assumiram o poder sobre a Tanganyika. Como antes, porém, poucos ingleses ocuparam Ngorongoro. Essa situação só veio mudar nos anos 30, com a construção de uma estrada, que abriu a região a visitantes. Em poucos anos, a cratera de Ngorongoro tornou-se uma das maiores atrações turísticas do mundo, por sua beleza e abundância da fauna. A mira dos rifles — a área era usada pelos ingleses para caça — foi substituída pela mira de milhares de máquinas fotográficas.
Em 1951, após a criação do Parque Nacional do Serengeti, houve muitos conflitos entre os Masai e autoridades do Parque, que queriam excluir populações humanas da reserva, causando o desmembramento do Parque do Serengeti e criando em 1959 a área de conservação de Ngorongoro. Os Masai foram transferidos então para o topo da cratera, onde apenas nos períodos de seca estão autorizados a levar o gado lá dentro para beber água e lamber sal, mas não para pastar. Com o turismo intenso, os Masai ganham dinheiro vendendo objetos artísticos, artesanatos, e cobran-do por todas as fotos em que aparecem.

7776 – Países emergentes quase alcançam G7 em patentes


Os países do grupo dos Bricks, as cinco maiores economias emergentes do mundo, já têm uma produção científica na mesma escala de grandeza da dos países do G7, as sete nações desenvolvidas mais influentes.
Há 20 anos, a ciência de Brasil, Rússia, Índia, China e Coreia do Sul tinha menos de um décimo do tamanho daquela mostrada pelos países mais ricos do mundo.
Hoje, a publicação científica desses emergentes é um pouco menos da metade daquela do G7, e o número de patentes registradas já quase se iguala aos de EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá.
Os dados são da divisão científica da multinacional de mídia Thomson Reuters, que produziu um relatório analisando a produção científica dos Bricks -incluindo o “K”, de Coreia do Sul em inglês.
O levantamento mostra que a ciência e a inovação desses países cresce não apenas em quantidade, mas também em qualidade.
A participação dos Bricks na ciência de alta qualidade foi avaliada pelo número de citações de estudos científicos. “Fizemos uma busca por estudos que, para seu ano de publicação, estiveram no grupo dos 1% mais citados de suas áreas”, explica Pendlebury. “Durante a última década, o numero desses estudo triplicou no Brasil.”
O aumento em números absolutos (de 56 para 168, entre 2002 e 2011) ainda é pequeno comparado à participação de gigantes como EUA e Reino Unido na elite científica. Mas esses estudos cresceram proporcionalmente no Brasil, indo de 0,42% da produção nacional a 0,50% -um aumento apreciável quando se trata de um grupo tão seleto de trabalhos.
O Brasil se destaca dos outros Bricks quando se analisam os campos da ciência que puxam o aumento da produtividade. “Nos ‘Ricks’, a física, a química, a engenharia e a ciência de materiais são as áreas líderes, mas no Brasil, que é uma ‘economia de conhecimento natural’, quem lidera o caminho são as ciências biológicas e ambientais”, afirma o documento.
Segundo Pendlebury, isso pode se dever ao fato de o Brasil ter um programa de investimento em ciência menos aplicado a metas de produção industrial, como ocorre na Coreia do Sul e na China.
Nesses países, o esforço científico é mais concentrado em áreas determinadas pelo Estado.
Apesar de não ter um governo tão “interventor” na ciência, porém, o Brasil é um dos países onde o setor privado menos aproveita o espaço para investimento. Enquanto na China as empresas contribuem com três quartos da fatia, no Brasil o setor privado concede apenas metade.

produção científica