7775 – Odontologia -Tratamento para Gengivite


Um novo tratamento contra as inflamações de gengiva pode estar a caminho: uma tira plástica impregnada de um antibiótico capaz de destruir as bactérias presentes nas gengivites. Numa experiência nos Estados Unidos, a tira foi colocada em torno dos dentes e empurrada contra a gengiva dos pacientes. Dez dias depois, o antibiótico já tinha destruído 80 por cento das bactérias. A tira talvez substitua o tratamento convencional, que implica anestesiar as gengivas para raspar as placas bacterianas. Mas, como adverte um odontologista da Universidade de São Paulo, “sem raspar o tártaro, as pedrinhas que se acumulam entre os dentes e as gengivas, causando inflamação, não adianta acabar com as bactérias, pois as gengivas continuarão irritadas”.

7774 – Odontologia – Arrancando a sua dor


Logo odonto

A palavra dentista está associada para milhões de pessoas, à sensação de medo. E não é para menos. Salvo os muitos jovens, que já nasceram sob o signo das tecnologias que começam a ser aplicadas ao tratamento dentário, não há quem não tenha sofrido ao tratar os dentes.
De todos os equipamentos com que se defronta o paciente na sala do dentista nada assusta mais do que a broca a motor. Mas a verdade é que na sua versão mais moderna o aparelho, capaz de produzir 200 mil rotações por minuto, é um bálsamo comparado às brocas do passado. A alta rotação abrevia consideravelmente o processo de perfurações da coroa e evita as temidas vibrações das brocas antigas, que estremeciam a cabeça do paciente. Para os menos resistentes à dor há sempre o recurso da anestesia, com uma picada dolorida e de sabor desagradável, mas providencial no temível momento em que a broca se aproxima do nervo. Em 1872 surgiram as primeiras brocas movidas a pedal, que lembravam máquinas de costura. Só então tornou-se possível escavar buracos lisos e uniformes, condição essencial a uma perfeita obturação do dente cariado. Mas o ritmo de trabalho desse engenho era de apenas 2 mil rotações por minuto. Perto do que havia, foi um progresso e tanto – o primeiro de uma série. Pois, antes da broca a metal, era a tortura: as cáries, tecidos dentários destruídos por bactérias, eram removidas com uma lima – a frio. Não é à toa que as gravuras da Idade Média, mostrando cenas de tratamento, por assim dizer de dentes mais parecem retratos de interrogatórios do Tribunal da Inquisição.
O dentista às portas do século XXI tem à sua disposição novíssimos métodos de tratamento, um moderno instrumental e materiais cada vez mais resistentes. Tanto assim que já se pode antever o tratamento sem dor – mesmo sem anestesia. Um bom exemplo é um aparelho para a remoção de pequenas cáries, que não perfura o esmalte dentário: simplesmente dissolve a cárie mediante um produto químico especial. O método, desenvolvido nos Estados Unidos, tem dado bons resultados, por exemplo, com pacientes da Faculdade de Odontologia da Universidade de Munique, na Alemanha. Apesar disso, não consegue encontrar mercado suficiente para a produção industrial. O problema é que ele não se aplica a cáries mais profundas. A grande esperança do momento em matéria de tratamento de cáries é a broca a laser, que vem sendo testada nos Estados Unidos e na Alemanha. O laser dentário trabalha com luz ultravioleta (UV) de ondas extremamente curtas, é rápido e principalmente indolor. Cada raio luminoso age por ínfimos bilionésimos de segundo – algo tão breve que os nervos humanos nem chegam a registrar. Os finíssimos raios UV-laser têm a vantagem adicional de trabalhar com a precisão de 1 milésimo de milímetro, graças a que retiram muito menos da valiosa substância dental do que a broca mecânica.
O laser certamente fará parte da Odontologia do futuro. O que os pesquisadores ainda não sabem é até que nível de extensão das cáries será possível empregar o laser.
Em vários países, entre eles o Brasil, é possível fazer uma espécie de maquiagem nos dentes anteriores. Trata-se da aplicação de um revestimento laminado de porcelana, que recobre dentes escuros ou manchados, devolvendo a alegria de sorrir, como dizem os comerciais de dentifrício, para quem se envergonhava de abrir a boca.
Quando é eliminada a região doente do esmalte dentário, o local precisa ser novamente preenchido e vedado. Isso até os curandeiros medievais já sabiam, mas até o começo do século passado não se conhecia nenhum material confiável para esse fim. Os dentistas testaram as mais diversas substâncias. Chumbo e estanho fundidos eram derramados nos buracos. Até cera chegou a ser usada, com o inconveniente de exigir reposição diária. Hoje, as últimas palavras no assunto são, de um lado, as metalocerâmicas para encapar dentes danificados e, de outro, um aparelho que está sendo experimentado em clínicas americanas, suíças e alemãs, para fazer as peças com perfeição.
Trata-se de um computador programado para fornecer um molde óptico da cavidade dentária, com precisão micrométrica. O dentista simplesmente coloca uma minicâmera de vídeo sobre o dente aberto e obtém uma imagem. Essa aparece na tela do computador, permitindo que a cavidade a ser recoberta seja delimitada com exatidão. Com base nas medidas fornecidas pelo computador, em quinze minutos é possível com uma pequena fresa de diamante esculpir a peça de restauração num bloco de porcelana ou cerâmica.
Tiradentes, enforcado em 1792 por seus ideais de liberdade, talvez fosse mais conhecido na época em Minas Gerais pela habilidade como dentista prático do que por suas idéias políticas. Dela se dizia que punha e tirava dentes com a competência de um mestre. De fato, Tiradentes não se limitava a tirar dentes, como a grande maioria de seus colegas. Ele também colocava coroas artificiais, feitas possivelmente de marfim ou de osso de boi.
O primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington (1732-1799), quando jovem, mandou fazer uma prótese de dentes de hipopótamo para a boca inteira, unindo com uma mola a dentadura superior à inferior, como era costume. A história registra que, ao falar, Washington contraía o rosto de maneira estranha por causa da prótese. Em certa ocasião, quando teve que se deixar retratar, o pintor o aconselhou a colocar algodão na boca, como recheio. O resultado está ainda hoje ao alcance da vista de quem tenha em mãos uma nota de 1 dólar. O presidente americano aparece com o rosto todo embolotado, como se sofresse de uma doença da pele. As dificuldades de hoje, comparadas às agruras do passado, são inegavelmente pequenas. A chamada terceira dentição, no entanto, ainda é um senhor problema. Quando se trata de substituir um dente, os dois vizinhos são trabalhados como se fossem pilares e revestidos de coroas. O dente substituto é então soldado entre as coroas.
Recentemente, descobriu-se que o titânio, um metal empregado há anos em implantes, tem a rara propriedade de estimular a formação óssea à sua volta, fazendo com que a raiz artificial acabe se integrando como se fosse parte do próprio osso. Com a raiz bem ancorada, fixam-se nela os dentes. Um implante realizado com essa técnica dura pelo menos dez anos.

7773 – Mega Polêmica – Animais têm consciência?


Um grupo de cientistas reunidos na Universidade de Cambridge proclamou que humanos não são os únicos seres conscientes. Animais não-humanos como mamíferos e aves, e vários outros, incluindo o polvo, também possuem as faculdades neurológicas que geram consciência, declarou o grupo, na chamada Declaração de Cambridge.
Eles percebem e entendem seu entorno. E muitos, entre eles golfinhos, elefantes e alguns pássaros, são inclusive auto-conscientes. Eles possuem um certo senso de si. Ok, pode ser que um cachorro não saiba quem é do mesmo jeito que eu e você sabemos quem somos. Mas o ponto é: mesmo que não saibam quem são, eles têm consciência de sua própria dor.
Elefantes vivenciam alegria, luto e depressão. Lamentam a perda dos amigos, assim como os cães, chimpanzés e raposas vermelhas. Os polvos foram protegidos de pesquisas invasivas no Reino Unido bem antes dos chimpanzés, pois os cientistas já haviam reconhecido que eles são conscientes e sentem dor. Hoje muita gente ainda não quer admitir esses fatos científicos, pois terão de mudar a forma como tratam os animais. Na verdade, temos de tratar todos os animais da mesma forma, com compaixão e empatia – sejam eles os “animais humanos” como nós, sejam todas as outras espécies.

Se houvessem mais vegetarianos no mundo, menos animais sofreriam. Estima-se que 25 milhões de ratos, pássaros, peixes e outros animais sejam usados todo ano em experimentos de laboratório. Muitos passam por um sofrimento terrível durante os testes e a maioria sofre “eutanásia” – são mortos – depois. As pessoas justificam atitudes assim dizendo que vão ajudar os humanos. No entanto, mais de 90% das drogas que funcionam em animais não têm o mesmo efeito em nós. Menos de 10% delas nos ajudam de fato.
Além disso, já existem formas de pesquisa que não maltratam os animais. Em lugar de gotejar xampu nos olhos de coelhos imobilizados, por exemplo, podemos usar modelos de computador para simular a ação do produto sem dano algum. Portanto, não se trata apenas de um desperdício de animais; é um desperdício de tempo e dinheiro que poderiam ser investidos em outras alternativas.
Devemos aplaudir a Declaração de Cambridge. Ela não traz nada de novo, mas mostra que cientistas famosos finalmente admitem que animais têm consciência. A declaração é mais uma prova de que devemos tratar os animais com todo o respeito. E reconhecer que eles não querem sentir dor, do mesmo jeito que nós não queremos. Seria perigoso fazer esse tipo de distinção. Todos os animais devem ser tratados como indivíduos. Ainda vai levar tempo para que isso aconteça. Mas a boa notícia é que cada vez mais pessoas aderem a essa ideia.

7772 – Mega Notícias do Espaço


O espaço sideral não é tão silencioso quanto parece. Ele faz barulho. Só não dá para ouvir porque esses sons são extremamente sutis. Você precisaria ter uma audição absurda, infinitamente maior que a de qualquer coisa viva, para escutar essa sinfonia cósmica. Então pode esquecer. Mas o que não falta agora são astrônomos tentando driblar essa limitação, usando os maiores amplificadores da história em busca dos sons do Universo. E eles têm um ótimo motivo para isso: o barulho cósmico pode desvendar os corpos mais misteriosos que existem, os buracos negros. E, se dermos sorte, os sons do silêncio poderão trazer algo bem maior: provar que existem outros Universos além do nosso.
Há décadas os cientistas apontam antenas para o espaço com o objetivo de captar as ondas eletromagnéticas que ele transmite. É que todo corpo celeste funciona como uma espécie de emissora de rádio: solta ondas que, com a ajuda de uma antena qualquer, podem ser traduzidas na forma de sons. Essa técnica, a da radioastronomia, já existe desde os anos 30 e foi responsável por descobertas fundamentais da astronomia – como os quasares, as galáxias jovens e hiperativas. Mas nada se compara ao que os sons do Universo poderão nos revelar no futuro, conforme desenvolvemos uma nova maneira de ouvi-los: a detecção das ondas gravitacionais.
Para você escutar ondas gravitacionais a “ouvido nu”, porém, só se estivesse ao lado de alguma catástrofe cósmica, capaz de gerar uma tempestade de ondas gravitacionais. Uma catástrofe como um buraco negro engolindo outro, coisa que faria seus tímpanos vibrarem no próprio vácuo (o som seria o de estalos).
Mas claro: se você estiver próximo de algo assim, esse será o último som que você vai ouvir na vida – os buracos negros iriam tragar seu corpo mais hora menos hora.
O jeito, então, é tentar ouvir essas ondas daqui mesmo. Diversos detectores, com várias tecnologias diferentes, estão sendo criados para isso. Inclusive na USP, onde o detector Mario Schenberg (batizado em homenagem ao famoso físico brasileiro), com sua forma esférica, segue sendo calibrado para participar da caça às ondas gravitacionais. Com ele, quando estiver em pleno funcionamento, especula-se que seja possível detectar as marolas produzidas por explosões de supernova e até mesmo o nascimento de buracos negros.

Um Pouco+
Por que o som não se propaga no vácuo ?
O som se propaga através de ondas mecânicas. Uma onda mecânica é uma perturbação que se move e transporta a energia de um lugar para outro através de um meio. No som, a perturbação é um objeto que vibra. E o meio pode ser qualquer série de partículas interconectadas e interativas. Isso significa que o som pode se propagar através de gases, líquidos e sólidos.
Vejamos um exemplo: imagine um sino de igreja. Quando um sino toca, ele vibra, balançando para trás e para frente bem rapidamente. Quando o sino vai para frente, ele empurra as partículas de ar. Essas partículas de ar empurram outras partículas de ar que estão ao redor e assim por diante. Quando o sino vai para trás, ele puxa as partículas de ar que, por sua vez, puxam outras partículas de ar. Esse movimento de empurra e puxa é uma onda sonora. O sino que vibra é a perturbação original e as partículas de ar são o meio. As vibrações do sino empurram e puxam as moléculas de ar ao redor, criando uma onda sonora.
O som não se propaga apenas no ar. Encoste sua orelha contra uma superfície sólida, como uma mesa e feche os olhos. Peça para alguém bater com o dedo na outra extremidade da mesa. Essas batidas são a perturbação inicial. Cada batida emite vibrações através da mesa. As partículas na mesa se chocam umas contra as outras e se transformam no meio para o som. As partículas da mesa, por sua vez, chocam-se com as partículas de ar entre a mesa e seu tímpano. Quando uma onda se move de um meio para outro como esse, ocorre o que chamamos de transmissão.
No vácuo não existe meio para transmição de som, por que no vácuo só se propagam ondas eletromagnéticas que não precisam de um meio para se mover, um exemplo seria a luz, que se propaga em forma de onda eletromagnética.

7771 – Um Vietnã Ecológico


Mais de 400 milhões de caraguatás foram destruídos em Santa Catarina, no final da década de 40, a fim de controlar a malária naquele Estado. A informação foi publicada pelo padre Raulino Reitz, um especialista em bromélias, numa publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Esse verdadeiro “massacre botânico” foi classificado pelo professor Mário Guimarães Ferri, da Universidade de São Paulo, como “fruto de despreparo ou de enfoque unilateral do problema (saúde pública) por uma distorção profissional perfeitamente compreensível e difícil de corrigir”. Mas talvez a incrível denúncia de Reitz seja apenas a ponta do iceberg numa controvertida e lamentável investida contra a Mata Atlântica.
Saíram a campo aviões e helicópteros, despejando produtos químicos sobre as selvas litorâneas numa empreitada sem precedentes na história da saúde pública no Brasil. Havia um “modelo importado” inspirando aquela articulação. Uma experiência bem-sucedida fora realizada pelos americanos em Trinidad (Venezuela), que ali exterminaram os caraguatás nas plantações de cacau. Acontece que se tratava de Plantas criadas em matas artificiais que ali estavam apenas para sombrear as plantações de cacau. Os trabalhadores estavam em contato direto com elas e assim se exigiam drásticas e rápidas medidas de saneamento. No Brasil, ao contrário, o veneno foi lançado sobre matas nativas e restingas de pouca ou nenhuma ocupação humana.
estoque”.
Tal como acontece nas grandes guerras, jamais saberemos a verdadeira extensão do desastre ecológico causado pela guerra aos caraguatás. A única certeza é que milhares de pássaros e animais mamíferos silvestres adoeceram e morreram em conseqüência da ingestão de insetos e águas envenenadas. O que restou das florestas ficou privado do seu componente fundamental: alguns agentes polinizadores específicos, responsáveis pela reprodução de uma enorme variedade de plantas. Como saldo positivo restou apenas uma lição simples, amarga e antiga: a extinção é para sempre.