7764 – Por que é importante descartar lâmpadas fluorescentes corretamente?


Lâmpada fluorescente
Lâmpada fluorescente

As lâmpadas fluorescentes, apesar de mais caras, entraram com tudo no mercado: são mais econômicas e duram mais. Em relação às incandescentes, elas têm de 3 a 6 vezes mais eficiência luminosa, têm vida útil até 15 vezes mais longa e 80% de redução de consumo de energia. Mas nem tudo é só vantagem. As lâmpadas fluorescentes são fabricadas com vidro, alumínio, pó fosfórico e… mercúrio, elemento químico tóxico que pode contaminar água, solo, animais, plantas e pessoas.
O acúmulo do mercúrio, em especial do metilmercúrio em peixes de águas contaminadas, pode resultar em risco para o homem, além dos pássaros e mamíferos que se alimentam dos peixes.
Atividades como mineração, queima de combustíveis fósseis, fabricação de cimento e aterros sanitários irregulares muitas vezes são responsáveis por contaminar rios, lagos e mares. As consequências voltam para o próprio homem, que sofre com problemas como perda de memória, alterações de metabolismo, irritações a pele e danos no sistema respiratório.
Por isso, é bom consumir lâmpadas fluorescentes e economizar, mas é igualmente importante atentar-se ao momento em que elas queimam e têm de ser descartadas. O mesmo vale para pilhas e baterias, que também são classificadas como resíduos perigosos e não podem ir para o lixo comum.
Um dos artigos da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305 em 2010, prevê que os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de lâmpadas fluorescentes devem estruturar e implementar sistemas de logística reversa, com o retorno do produto usado pelo consumidor. Mesmo assim, o mercado brasileiro não está totalmente preparado para receber ao lâmpadas usadas e destiná-las corretamente.
O que fazer?
Por lei, estabelecimentos comerciais que realizam a revenda de tais produtos são obrigados a recebê-los e enviá-los para tratamento adequado. Para fazer o descarte, procure as lojas da sua cidade e cobre o recolhimento do material.

7763 – O óleo de palma está no seu dia a dia e prejudica florestas no mundo


greenpeace

Conhecido também como dendê, o óleo de palma é um dos óleos vegetais mais consumidos no mundo, com as mais diversas aplicações na indústria, desde frituras industriais, chocolates, massas, margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes e cosméticos até detergentes, sabões e sabonetes.
Ele faz parte da nossa vida mesmo que a gente não saiba, já que frequentemente é colocado nos rótulos como óleo vegetal, tornando difícil a sua identificação nos produtos direcionados ao consumidor final.
Uma de suas principais características é a alta produtividade. Um hectare da palmeira do dendê produz, em média, 5 toneladas de óleo – no caso da soja, esse número é de meia tonelada. Isso explica por que ele tem sido também cada vez mais utilizado na produção de biodiesel. A produtividade do dendezeiro permite a utilização, em igual produção, de seis a nove vezes menos terras do que as outras oleaginosas.
O plantio da palma é considerado um dos maiores responsáveis por desmatamentos destrutivos dos tempos atuais. O custo, no final das contas, é muito alto. O ônus principal, claro, vai para os países que mais produzem, Indonésia e Malásia, e sacrificam suas florestas primárias e riquezas de biodiversidade em nome da renda adquirida com a exportação do produto para grandes corporações mundiais.
Estimativas recentes mostram que a demanda por óleo de palma dobrou na última década e deve dobrar novamente até 2020. Hoje, os dois países asiáticos respondem, juntos, por mais da metade do total de óleo no mundo. Tanta produção tende ao esgotamento. Estudos dão conta de que a Indonésia e a Malásia não terão mais terras cultiváveis daqui a dez anos.
Nestes países, as áreas de floresta são os últimos habitats remanescentes de animais ameaçados, como o tigre da Sumatra, o rinoceronte asiático e o orangotango.

7762 – Acredite se Quiser – Um HD no DNA


Que o código da vida pode ser usado para armazenar dados, a ciência já sabia. Mas o que George Church fez com o conjunto de letrinhas ACGT – velho conhecido das aulas de biologia e que forma o título do filme Gattaca (1997) – é inédito. Ao codificar 53 mil palavras, 11 imagens e mais um aplicativo de internet, num total de 5,7 megabytes, ele superou em mais de mil vezes a quantidade de informação já armazenada em DNA. E, se você se pergunta “Por que usar DNA em vez de memória flash ou DVD?”, há uma razão bem convincente para isso: é possível armazenar 5,5 milhões de gigabytes em um cubinho de um milímetro cheio de DNA. Apesar de ainda não ser comercialmente viável, é o método de armazenamento mais poderoso conhecido pelo homem – apenas 4 gramas de DNA poderiam guardar toda a informação produzida pela humanidade em um ano. Sem contar que também é o mais resistente e durável. Como diz Church: “Você poderia jogar um chip feito com DNA no deserto ou no seu quintal e ele estaria lá, intacto, 400 mil anos depois”.

7761 – Como Funciona o Comando de Válvulas


As válvulas permitem a entrada de mistura ar-combustível no motor e a saída dos gases queimados. A árvore de comando de válvulas utiliza ressaltos (chamados excêntricos) que forçam as válvulas a abrir enquanto a árvore de comando gira; molas nas válvulas as empurram de volta para sua posição fechada. Este é um trabalho muito importante e pode ter grande impacto no desempenho do motor em diferentes rotações. Veja a animação que mostra a diferença entre um comando para alto desempenho e um comando normal.

comando de val

As peças-chave de qualquer comando de válvulas são os ressaltos. Enquanto a árvore de comando gira, os ressaltos abrem e fecham as válvulas de admissão e escapamento de maneira sincronizada com o movimento do pistão. Há uma relação direta entre o formato dos ressaltos e a maneira com que o motor opera em diferentes faixas de rotação.

Para compreender o porquê, imagine que estamos operando um motor em rotação extremamente baixa, a apenas 10 ou 20 rotações por minuto (rpm), de modo que leve alguns segundos para que o pistão termine o ciclo. Na verdade, seria impossível fazer um motor funcionar em rotação tão baixa, mas suponhamos que seja possível. A esta baixa velocidade, nós necessitamos que os ressaltos estejam formatados de modo que:
assim que o pistão comece a se mover para baixo no curso de admissão (chamado de ponto morto superior, ou PMS), a válvula de admissão se abra e que ela se feche assim que o pistão atinja o ponto mais baixo;

a válvula de escapamento se abra assim que o pistão atinja o ponto mais baixo (chamado de ponto morto inferior, ou PMI) no fim do curso de combustão, e se feche no momento em que o pistão termine o curso de escapamento.
Esta configuração funciona muito bem para o motor desde que ele esteja operando a uma rotação muito baixa. Mas o que acontece se você aumentar as rpm? Vamos descobrir!
Quando você aumenta as rpm, a configuração de 10 a 20 rpm para a árvore de comando não funciona bem. Se o motor estiver funcionando a 4 mil rpm, as válvulas estarão se abrindo e se fechando 2 mil vezes por minuto, ou 33 vezes por segundo. A essas rotações, o pistão move-se muito rapidamente, portanto, a mistura ar-combustível que entra rapidamente no cilindro move-se tão rápido quanto.

Quando a válvula de admissão abre e o pistão começa seu curso de admissão, a mistura ar-combustível no tubo de admissão começa a acelerar para dentro do cilindro. No momento em que o pistão alcança o fim do seu curso de admissão, a massa de mistura ar-combustível já está se movendo a uma velocidade consideravelmente alta. Se nós tivermos de fechar abruptamente a válvula da entrada, toda essa massa ar-combustível parará e não entrará no cilindro. Deixando a válvula de entrada aberta por um período um pouco mais longo, a inércia da massa ar-combustível, em rápida movimentação, continuará a forçá-la para dentro do cilindro enquanto o pistão inicia seu curso de compressão. Assim, quanto mais rápido estiver girando o motor, mais rapidamente se movimentará o ar-combustível e por mais tempo necessitaremos que a válvula de entrada permaneça aberta. Necessitaremos também que a válvula se abra mais a velocidades maiores, este parâmetro, chamado levantamento, é determinado pelo perfil do ressalto.
Comando de válvulas no cabeçote
Esta configuração denota um motor com apenas uma árvore de comando de válvulas por cabeçote. Assim, se for um motor de 4 cilindros em linha ou de 6 cilindros em linha, terá uma árvore; se for um V6 ou um V8, terá duas árvores (uma para cada cabeçote).

Os ressaltos movimentam os balancins que pressionam as válvulas para baixo, abrindo-as. As molas retornam as válvulas para sua posição fechada. Essas molas têm de ser bem fortes porque em rotações de motor muito elevadas, as válvulas são empurradas para baixo muito rapidamente e são as molas que as mantêm em contato com os balancins. Se as molas não fossem fortes o bastante, as válvulas poderiam se afastar dos balancins e os golpearia ao voltar. Esta é uma situação indesejável que resultaria em desgaste extra dos ressaltos e dos balancins.
Nos motores com um e dois comandos de válvulas no cabeçote, eles são acionados pelo virabrequim através de correia ou corrente, chamadas de correia ou corrente de distribuição. Estas correias e correntes necessitam ser substituídas ou ajustadas em intervalos regulares. Se uma correia de distribuição se partir, o comando pára de girar e um ou mais pistões pode atingir as válvulas abertas.
Duplo comando de válvulas no cabeçote
Um motor de cabeçote com dois comandos de válvulas no cabeçote possui dois deles ali localizados. Assim, os motores em linha têm dois comandos e os motores em V têm quatro. Geralmente, motores de duplo comando de válvulas no cabeçote possuem quatro ou mais válvulas por cilindro. Uma única árvore de comando simplesmente não consegue acomodar os ressaltos necessários para acionar todas aquelas válvulas.
A principal razão de se usar um cabeçote com duplo comando de válvulas é permitir mais válvulas de admissão e de escapamento. Mais válvulas significa que a mistura ar-combustível de admissão e os gases de escapamento podem fluir mais livremente, pois há mais aberturas para que eles entrem e saiam. Isso aumenta a potência do motor.

Comando de válvulas no bloco
Como nos motores de OHC e DOHC, as válvulas em um motor com comando no bloco estão situadas no cabeçote, acima do cilindro. A principal diferença nesse tipo de motor, chamado de OHV (válvula no cabeçote) é que a árvore de comando de válvulas está dentro do bloco, em vez de no cabeçote.
O ressalto movimenta longas hastes longas que sobem através do bloco e do cabeçote para acionar os balancins. Estas hastes adicionam massa ao sistema, o que aumenta a carga nas molas das válvulas. Isso pode limitar a rotação dos motores dessa configuração. O comando de válvulas no cabeçote, que elimina esse processo, é uma das tecnologias de motor que possibilitaram alcançar maiores rotações.

A árvore de comando de válvulas em um motor desse tipo normalmente é acionada por engrenagens ou por uma corrente curta. Acionamentos por engrenagens são geralmente menos propensos a quebras do que por correias, que são encontradas freqüentemente nos motores de comando de válvulas no cabeçote.

Sincronia de válvula variável
Existem algumas maneiras pelas quais os fabricantes de automóveis variam a sincronia da válvula. Um sistema usado em alguns motores da Honda é chamado VTEC.
O VTEC (Variable Valve Timing and Lift Electronic Control – Controle Eletrônico de Tempos e Levantamento de Válvulas Variáveis) é um sistema eletromecânico existente em alguns motores da Honda que lhes permite ter comandos múltiplos. Os motores VTEC possuem um ressalto extra de admissão com seu próprio balancim. Esse perfil de ressalto mantém a válvula de admissão aberta por mais tempo e com mais levantamento que o outro. Em rotações baixas, este balancim não é conectado a nenhuma válvula. Em rotações elevadas, um pistão trava o balancim extra com os dois balancins que controlam as duas válvulas de admissão.
Alguns carros utilizam um dispositivo capaz de mudar o sincronismo da válvula. Isso não mantém as válvulas abertas por mais tempo. Em vez disso, abre-as e fecha-as mais tarde ou mais cedo. Isso é feito girando o comando à frente ou para trás alguns graus. Se as válvulas de admissão normalmente abrem-se a 10 graus antes do PMS e fecham-se a 190 graus após o PMS, a duração total é de 200 graus. Os tempos de abertura e de fechamento podem ser deslocados usando um mecanismo que gira só o comando, avançando-o ou atrasando-o um pouco enquanto gira. Assim, a válvula pode se abrir em 10 graus após o PMS e fechar-se em 210 graus após o PMS. O fechamento da válvula a 20 graus após o PMS é bom, mas seria melhor poder aumentar a duração da abertura da válvula de admissão.

A Ferrari tem uma maneira muito boa de fazer isto: os ressaltos do comando em alguns motores da marca são cortados com um perfil tridimensional que varia ao longo do comprimento do ressalto. Em uma extremidade dele fica o perfil menos agressivo e no extremo oposto o mais agressivo. O formato do ressalto sutilmente junta estes dois perfis. Um mecanismo faz deslizar lateralmente a árvore de comando por inteiro, de modo que a válvula se acople às diferentes partes do ressalto. A árvore ainda gira exatamente como uma normal – mas fazendo o comando deslizar gradual e lateralmente à medida que a velocidade e carga do motor aumentam, o sincronismo da válvula pode ser otimizado.

Diversos fabricantes de motor estão fazendo testes com sistemas que permitiriam infinitas variações no sincronismo da válvula. Por exemplo, imagine que cada válvula tivesse um solenoide que pudesse abri-la e fechá-la usando controle computadorizado em lugar de depender de uma árvore de comando. Com este tipo de sistema, você obteria o máximo desempenho do motor a cada rotação por minuto. Isso é algo para se esperar no futuro…

7760 – Áudio – Como funciona um microfone?


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Todos os sons diferentes que ouvimos são causados por diferenças de pressão mínimas no ar que nos rodeia. O que impressiona é o fato de o ar transmitir essas mudanças de pressão tão bem e com tanta precisão ao longo de distâncias relativamente grandes.
Todos os microfones modernos tentam atingir o mesmo objetivo do original, mas fazem isso de forma eletrônica e não mecânica. Um microfone pega as ondas de pressão variável no ar e converte-as em sinais elétricos variáveis. Há cinco tecnologias diferentes usadas comumente para obter esta conversão:

Microfones a carvão – o microfone mais antigo e mais simples usava pó de carvão. Esta era a tecnologia usada nos primeiros telefones e ainda em alguns telefones de hoje. O pó de carvão apresenta um fino diafragma metálico ou plástico em um lado. Conforme as ondas sonoras atingem o diafragma, elas comprimem o pó de carvão, que muda sua resistência. Por meio da passagem de uma corrente através do carvão, a mudança da resistência altera a quantidade de corrente que flui.
Microfones dinâmicos – um microfone dinâmico se aproveita dos efeitos de um eletromagneto. Quando um magneto passa próximo a um fio (ou a uma bobina), o magneto induz o fluxo de uma corrente no fio. Em um microfone dinâmico, o diafragma move um magneto ou uma bobina quando as ondas sonoras atingem o diafragma e o movimento cria uma pequena corrente.

Microfones de fita – em um microfone de fita, uma fita de pequena espessura é suspensa em um campo magnético. As ondas sonoras movem a fita, o que altera a corrente que flui através dela.

Microfones a condensador – um microfone a condensador é, essencialmente, um capacitor, em que uma placa se move em resposta às ondas sonoras. O movimento altera a capacitância do capacitor e estas alterações são amplificadas para criar um sinal mensurável. Os microfones a condensador geralmente precisam de uma pequena bateria para fornecer voltagem através do capacitor.

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Microfones a cristal – certos cristais alteram suas propriedades elétricas conforme mudam de formato. Prendendo um diafragma a um cristal, este criará um sinal quando as ondas sonoras atingirem o diafragma.
Como você pode ver, quase toda tecnologia imaginável já foi utilizada para converter as ondas sonoras em sinais elétricos. A única coisa que todas têm em comum é o diafragma, que coleta as ondas sonoras e cria movimento em qualquer tecnologia utilizada para gerar o sinal.

7759 – A História do Jeans


Marca de Jeans

Levis Strauss era um vendedor de lona, assim como as ferramentas de exploração nas minas de ouro, no ano de 1850, a lona já estava presente e todos os cantos onde houvesse um operário, não havendo mais a quem vender. Com lonas encalhadas em seu estoque, Levis Strauss, percebendo que os operários das minas careciam de roupas resistentes, decidiu utilizar a lona como tecido de roupas de trabalho mais resistentes.
Inicialmente, o alemão residente no oeste americano, confeccionou três peças de calças feitas a partir de suas lonas, a aceitação dos mineradores foi positiva e imediata pela durabilidade. A calça jeans mais conhecida inicialmente com jeanswear, estava incorporada ao gosto dos mineradores.
Há uma outra versão do surgimento do jeans, antes Levi Strauss de conceber o seu invento, na cidade de Nimes, na França, uma calça com tecido e costura muito próxima do jeans já havia sido popularizada a partir de uma indústria em Maryland, na Nova Inglaterra.
Seja em Maryland ou pelas mãos de Levi Strauss, o jeans teria nascido de um tecido marrom, depois emergido para a cor verde e finalmente para o tradicional “blue”. A partir das décadas de 40 e 50, a roupa passou a ser incorporada no uso informal jovem.
O conceito de uso do jeans como símbolo de rebeldia jovem e despojada iniciou através do cinema, em filmes que tinham James Dean e Marlon Brando como símbolos de juventude. Nesta época as marcas Levi´s, Lee e Mustang passaram a competir mais fortemente no mercado.
Calvin Klein, na década de 70, foi o primeiro estilista a trabalhar o jeans como tendência de moda nas passarelas. O jeans passou a ser difundido cada vez mais pela praticidade, simplicidade e estilo cômodo e moderno de uso.

7758 – Abelhas de Aluguel


Elas são confinadas aos milhares em pequenas casas de madeira, ao redor das grandes plantações. Trabalham 365 dias por ano, sem direito a férias nem fins de semana, e não recebem nada em troca. Um típico caso de escravidão rural, que já se transformou numa prática perfeitamente legal e recomendável na Europa e nos Estados Unidos: o uso das abelhas para melhorar a produção agrícola. Não é novidade que esses insetos ajudam a transferir o pólen — elemento reprodutor masculino dos vegetais — de uma flor para outra. Mas, nas últimas décadas, cientistas e agricultores têm feito desses parceiros naturais uma eficiente mão-de-obra para polinizar lavouras e aumentar a produtividade e a qualidade de frutas, legumes e grãos.
Em muitos países do mundo, apicultura hoje não é mais uma atividade secundária, quase sempre de pequeno porte, e muito menos sinônimo de mel, que virou um subproduto. A grande meta dos apiários agora é a polinização, um negócio altamente lucrativo. Nos Estados Unidos, campeão mundial em pesquisas e no aproveitamento de abelhas na agricultura, os números são reveladores. Em 1988, enquanto a produção de mel acrescentou mirrados 150 milhões de dólares à economia americana, o aumento da produção de alimentos com o auxílio dessas prestativas operárias gerou um lucro adicional de 20 bilhões de dólares para o setor agrícola. Atualmente, mais de 2 000 apicultores vivem de alugar suas colméias, naquele país. No Brasil, o hábito de recorrer a elas para polinizar lavouras não alça vôos tão altos. Pelo menos no campo, porque nas universidades o trabalho das abelhas vem sendo pesquisado há muito tempo.
Dependendo do tipo de plantação, uma colméia, com cerca de 60 000 abelhas, produz de 1 a 10 quilos de mel por semana. O que significa pelo menos 1,5 milhão de visitas coletivas às flores em busca da saborosa solução de água, açúcar e sais minerais do néctar, usado para produzir mel e enfrentar o inverno. Nesse vai e vem, elas levam outra riqueza: grãos de pólen, que as flores depositam estrategicamente em pequenas hastes, chamadas anteras, para lambuzar as visitantes. Carregadas com o precioso produto, voam de flor em flor, espalhando os grãos da fecundidade. As abelhas também se aproveitam desse alimento, rico em proteínas, para abastecer suas larvas. Já os apicultores, sobretudo na Europa, vendem o pólen em tabletes doces — com preço amargo — para atletas ou chefes de cozinha, que o empregam como tempero. Mas não é só a busca frenética do néctar ou do pólen que faz das abelhas melhores polinizadoras do que borboletas, besouros ou moscas. Elas vencem os rivais em eficiência por uma outra característica, batizada pelos cientistas de “fidelidade alimentícia”. Enquanto a borboleta abandona facilmente um laranjal para se embrenhar no mato atrás de flores silvestres, a abelha só deixa a plantação quando não há mais flores a visitar.
O melhoramento genético da Apis mellifera é outra arma para reduzir, de geração em geração, a agressividade dos enxames. Aliás, por um mistério não decifrado, isso também ocorre naturalmente, com o passar dos anos. Um bom exemplo é a colméia que se instalou numa parede do Instituto de Biociências da USP há mais de vinte anos. “No começo, as pessoas tinham que desviar o caminho para não serem atacadas. Hoje, os estudantes param para bater papo embaixo dela”, conta a professora que está partindo para Bauru.

7757 – Planeta Terra – A Bíblia já pregava a sustentabilidade


Religiões à parte, não dá para negar que o texto bíblico influenciou – e ainda influencia – os rumos da civilização ocidental, especialmente em termos de valores. E também é verdade que, ao longo de tanto tempo, o “Livro Sagrado” foi interpretado e traduzido de diversas maneiras, inclusive com certos interesses por trás dos termos escolhidos.
O texto do Gênesis diz que Eva foi feita ao lado de Adão e ao mesmo tempo que ele, e não de sua costela. Talvez o machismo e a violência contra as mulheres não estivessem tão presentes na sociedade, ainda hoje, se essa interpretação tivesse sido difundida pelos cristãos.
A proposta inicial de Deus era a de que os homens fossem vegetarianos, segundo a passagem que só se refere aos vegetais para saciar a fome do homem. A Amazônia agradece a tradução e adverte que bois não combinam com florestas.
O termo lmemshelet, traduzido como “dominar”, na realidade quer dizer apenas “governar”. A palavra muda completamente o entendimento sobre as relações de poder estabelecidas pela humanidade nos últimos mais de 2 mil anos.
Isso também vale para a relação dos seres humanos com as plantas e os animais. Deus explica a Adão sobre a Lei de Causa e Efeito (muito antes de alguém pensar no filme “O Segredo”!!!) e o orienta a cuidar da Terra e de todos os seus seres vivos e a ser responsável pelo clima, o ar e os mares.
Outro ponto que, apesar de não ter a ver com sustentabilidade, é muito útil que se torne público é o fato de que o celibato era condenado e o sexo, visto como uma maneira divina de dar continuidade à vida.

7756 – Bebê mamute de 50 mil anos


O fóssil de um filhote de mamute, de 50 mil anos, poderá ser visto no Museu Zoológico de Lenigrado (ou melhor de São Petersburgo), na Ex União Soviética. Yamalochka, nome que recebeu a pequena mamute fêmea encontrada em setembro de 1988 nas margens do rio Yuribeite-Yakha, no norte da Ex-União Soviética, por um barco que navegava pela região.
Especialistas da Academia Soviética de Ciências afirmam que o bebê mamute morreu logo depois do nascimento e que o fóssil está bem preservado, com dentes e pêlos praticamente intactos. Esta foi a terceira descoberta de um fóssil de mamute neste século na União Soviética: o primeiro, chamado Berezovsky, foi encontrado em 1901 e o segundo, o bebê mamute Dima, em 1977. O achado veio trazer novas luzes sobre os antepassados da fauna naquela região e também sobre suas condições ecológicas.

7755 – Opinião – O que os brasileiros acham dos brasileiros?


(Tá mais pra cinza que pra cor-de-rosa…)

A realidade atropela as ilusões nacionais, a começar pela matriz de todas elas: a de que Deus é brasileiro.
Nesse tribunal em que juiz, promotor, réu e advogado são por definição a mesma pessoa, as condenações predominam. Ao relacionar logo de saída as características essenciais da população, metade dos entrevistados apontou apenas defeitos. As críticas mais freqüentes falam em acomodação, preguiça, apatia política. Políticos, empresários, mulheres, homens, jovens a todos se atribui alguma culpa no cartório. Figuras públicas merecedoras de admiração praticamente inexistem: o país está sem heróis. Percebe-se, de todo modo, diferenças marcantes de julgamento conforme a renda e a região dos entrevistados.
Os mais pobres são quase sempre menos severos. Eles louvam o que consideram ser o esforço, o espírito de solidariedade e o temperamento bem-humorado dos concidadãos. Paulistas, gaúchos e mineiros estão em alta. Cariocas e baianos, em baixa. A vontade de ir embora é uma comichão mais viva do que talvez se pudesse supor. E um resultado em particular vai fundo na crise da auto-estima: a não ser para uma minoria, a afinidade com os estrangeiros radicados no país não aumenta uma vírgula pelo fato de serem eles eventualmente parecidos com os brasileiros.
Um dado assombroso: um em cada dois entrevistados não acha nada de bom nos brasileiros. Outros 11% também embora apontem atenuantes para o que criticam no povo —”injustiçado, sofredor, massacrado pelos baixos salários manobrado pelo governo”. De seu lado, 17% misturam a críticas e elogios e 2,2% enfim manifestam opiniões exclusivamente positivas. Quanto mais jovens os entrevistados, mais freqüentes também as avaliações negativas. Os mais tolerantes são, disparado, os entrevistados de renda até dois salários mínimos. A tendência a juntar reprovações e aplausos aparece sobretudo entre os portadores de diploma universitário e no grupo de renda mais alta (acima de vinte salários).
A principal acusação feita aos brasileiros é a de serem acomodados. Comentários do tipo “aceitam tudo passivamente”, “não lutam pelos seus objetivos”, “são sossegados demais”, deram o tom das respostas, notadamente entre os entrevistados mais severos. Esses juízos vieram acompanhados de uma saraivada de críticas de mesma extração: o brasileiro “é preguiçoso”, “quer tudo de mão beijada”, “não gosta de trabalhar”, “só pensa em se divertir”. Outro importante traço brasileiro seria sua condição de “politicamente alienado”, “inconsciente”, “desinteressado do país”. E ainda: “egoísta”, “individualista “, “oportunista “, “falso”, “mentiroso”, “desonesto”.
Para descobrir a primeira coisa que vem à cabeça quando o assunto é o interesse básico dos brasileiros, pediu-se às pessoas uma resposta de bate-pronto, sem nenhuma elaboração. “O brasileiro se liga mesmo em…”, atiçava o entrevistador. E, em mais de um quarto dos casos, a reação reflexa era “futebol”, antecedendo uma extensa relação de “ligações”, quase todas com o lado ameno da vida— diversão, festas, mulheres, samba, gandaia, carnaval, televisão. Apenas a sete em 100 entrevistados ocorreu dizer “dinheiro”. E não mais de 4% do total imaginam que o brasileiro se liga mesmo em trabalho.
Se existisse um conjunto de características capazes de delimitar a personalidade básica dos brasileiros, quais seriam elas? Para conhecer o pensamento dos entrevistados, a pesquisa apresentou-lhes dezesseis pares de atributos opostos (exemplo: pacato/briguento), passíveis de ser associados a um hipotético modo brasileiro de ser. Os números indicam um claro consenso em relação a nove das dezesseis duplas apresentadas. Assim, segundo a maioria absoluta dos entrevistados, o brasileiro é um sonhador; apenas 9% acham que ele é o contrário disso, um espírito prático. O brasileiro também é impontual e tolerante. E ainda mão-aberta, trabalhador, otimista, sincero, religioso e egoísta. Em linhas gerais, tais resultados são coerentes com as respostas às perguntas iniciais da pesquisa. A exceção fica por conta da atitude do brasileiro diante do trabalho. Na avaliação espontânea, até entre os que só tinham elogios a fazer, menos de 10% disseram que o povo gosta de trabalhar. Aqui na avaliação estimulada, mais da metade preferiu cravar a alternativa “trabalhador” e só um quinto, “vagabundo”. Na fatia de menor renda, as opiniões favoráveis alcançaram três quintos.
Junto com a faixa mais pobre e menos instruída, os mineiros encabeçam a sólida maioria para quem é pura verdade outra ofuscante gema do imaginário nacional: “O brasileiro é vivo, em dificuldade sempre dá um jeitinho”. O contingente que nas perguntas abertas havia fustigado a passividade brasileira voltou à cena ao ser confrontado com a afirmação “O brasileiro não luta pelos seus direitos”, aprovada por maioria absoluta, mais instruídos. Coerentemente, os entrevistados repeliram a noção de que o brasileiro respeita o direito dos outros”. Mas não se trata de questão líquida e certa: afinal, quatro em dez entrevistados afirmaram concordar em parte com a afirmativa. Ainda uma vez, o maior contingente de céticos, em proporção, habita os patamares mais elevados da renda e escolaridade.
E como anda a crença de que “o brasileiro quer sem pre levar vantagem em tudo”? Concordam totalmente com ela perto de três quintos da amostra. Duas afirmações muito aparentadas—”O brasileiro tem bom coração, não agüenta ver alguém sofrer” e “O brasileiro é cordial, não guarda rancor”— nenhuma por maioria absoluta. O velho clichê da cordialidade brasileira já não passa batido em São Paulo, Belém e Porto Alegre. Os mais crédulos, por sua vez, estão no ponto mais baixo da escada de renda/instrução.
De todas as afirmações para as quais se pediu o parecer dos entrevistados, nenhuma certamente tem tão forte carga emocional quanto a que acusa o brasileiro de racismo; o enunciado ofende a patriótica presunção de que o Brasil é uma democracia racial. Pois se é, muita gente ainda não percebeu, passados 103 anos do fim oficial da escravidão no pais. De fato, duas em cinco pessoas disseram concordar integralmente com a frase “o brasileiro é racista”. Outras tantas concordaram em parte. E só um quinto do total discordou.
Na guerra dos sexos, sobram estilhaços para brasileiras e brasileiros. Sessenta e nove por cento dos homens, contra 53% das mulheres, endossam plenamente a suposição de que a mulher brasileira é muito influenciada pelas novelas de TV”. Simetricamente, 61% das mulheres, contra 46% dos homens, aprovam a acusação de que “o homem brasileiro é machista, não trata a mulher como igual”. E não se animem os homens pelo fato de metade da amostra apoiar a afirmação O brasileiro é um bom pai, sacrifica-se pelos filhos”. O apoio tem gosto de elogio em boca própria, pois o entusiasmo do eleitorado feminino pelas virtudes paternas do brasileiro é consideravelmente menor.
Os moços tampouco escaparam da metralhadora giratória. Metade dos entrevistados disse sim à acusação de que “o jovem brasileiro não liga para o país, só pensa em consumir”. E não deu outra: a concordância aumenta rigorosamente com a idade. Em contrapartida, as opiniões se dividem em relação à imagem caricata do velho sabichão. Como seria de esperar. a maioria dos mais idosos rejeitou a noção de que eles “pensam que sabem tudo, não vêem que o mundo mudou”.
Quando querem falar mal dos habitantes de um Estado, os brasileiros costumam recorrer a uma coleção de estereótipos da mesma família daqueles que servem para rotular a população em geral. Um deles é o que despeja sobre os cariocas a acusação de serem “metidos a malandros”. Pois seis em dez entrevistados na média geral subscreveram por completo esse depreciativo. Não se trata de uma conspiração anticarioca: mesmo no Rio de Janeiro, é a opinião da maioria. Um lugar-comum certamente mais insultuoso —”Os nortistas são violentos” — também mereceu aprovação do conjunto. Em Belém e Salvador, no entanto, as opiniões se dividiram.
Muitos gaúchos se abstiveram de julgar a suposta propensão dos nortistas à violência. Reciprocamente, uma ponderável parcela de entrevistados em Belém preferiu ficar no muro diante da afirmativa “Os gaúchos gostam de contar vantagem”, aceita ao pé da letra por mais de um terço na própria Porto Alegre e pela metade dos paulistas. Em São Paulo, porém, apenas uma em cada quatro pessoas topou vestir a carapuça com a inscrição “Os paulistas são arrogantes”. Infelizmente para eles, em todas as outras capitais a maioria se declarou convencida de que essa característica não é um mito, mas um fato.
Quem ganhou o título de brasileiro ideal, com folgada vantagem, foram os paulistas. Expurgados os seus próprios votos, o placar favorável a eles fica em 25% — ainda assim um desempenho inigualável. Afinal, dois quintos dos baianos e dos mineiros e mais de um terço dos cariocas admiram os paulistas sobre todos os brasileiros. Depois dos gaúchos e dos paulistas, os mineiros são os que mais parecem estar apaziguados com a sua condição: para quase a metade dos entrevistados em Belo Horizonte, o Brasil seria melhor se tivesse a cara de Minas.
Há muito tempo, quando o Rio de Janeiro era capital do país e cidade maravilhosa, e Copacabana a princesinha do mar, não seria de espantar se a maioria dos brasileiros desejasse que todos fossem iguais aos cariocas. Atualmente, só 4% pensam, assim (e só 17% dos próprios interessados). E mais fácil achar em Belém (ou mesmo em Salvador) quem gostaria que os brasileiros fossem como os paraenses (ou os baianos).
O Rio está com um problema e tanto: mais de um terço do conjunto de entrevistados e 15% dos próprios cariocas apostam que o país ficaria pior se todos os brasileiros fossem iguais aos cariocas. Esse resultado deixa com o Rio o indesejável primeiro lugar nessa perversa competição. Os vice-campeões de impopularidade são os baianos, em parte graças a eles mesmos: para uma em cada três pessoas de Salvador, nada pior que um Brasil com feições baianas. Os ganchos estão consagrados: não apenas a sua auto-rejeição é insignificante, como também é irrisória a parcela dos outros brasileiros que consideram que o pais pioraria se todos se assemelhassem aos rio-grandenses.
Os Estados Unidos são o país preferido por 37% dos que sonham com um bilhete só de ida, e por dois terços na população mais pobre. Já a Itália é a pátria adotiva de um em cada quatro entrevistados na faixa de vinte salários para cima. Seguem-se Japão, Alemanha, França, Canadá e Portugal. Variações regionais existem: em Belém, três vezes mais entrevistados do que no resto do país gostariam de se mudar para o Japão; em Salvador, 14% optaram pela Alemanha. A idade influi também: a preferência das pessoas de 50 anos em diante por Portugal é o triplo da média.
Duas em cada cinco pessoas que acolheriam com festas um visto de permanência em língua estrangeira nos seus passaportes são movidas por uma ambição elementar: ganhar mais. Isso é especialmente verdade quando o país objeto do desejo são os Estados Unidos. Entre os brasileiros que gostariam de fazer a América, o fator remuneração foi invocado por quase dois terços dos entrevistados de menor renda.
O que faz um brasileiro gostar de alemães, portugueses e japoneses é principalmente sua (deles) dedicação ao trabalho. Tem lógica: esse atributo revelou-se um critério decisivo para os entrevistados criticarem ou elogiarem seus semelhantes. No caso da simpatia pelos italianos, o que conta, porém, é o temperamento, valorizado sobretudo pelos paulistas. Contabilizadas todas as razões de simpatia, seja qual for a nacionalidade a que se apliquem emerge de novo em primeiro lugar o apego ao trabalho. A alegria e o temperamento extrovertido são o segundo fator de atração, com quase o dobro dos votos concedidos ao espírito solidário e à boa educação. Só a 9% do total ocorreu falar em “povo parecido com o nosso” para elogiar alguma colônia estrangeira derradeiro indício de que, para o brasileiro, o brasileiro não está mais com aquela bola toda.

Conclusões
Do ponto de vista psicológico, a formação da identidade nacional de uma pessoa segue as mesmas regras de formação de qualquer outra de suas possíveis identidades. Em poucas palavras. identidade é a imagem que cada um tem de si. Essa imagem é construída na relação com os outros, por meio do aprendizado e da interiorização de como se pode ou se deve desejar, sentir, pensar, falar ou agir em tais ou quais circunstâncias. Nossa identidade de adulto, por exemplo, exige que nos comportemos de maneira x em tais situações; nossa identidade profissional, de maneira y; nossa identidade religiosa de maneira z e assim por diante.
O aprendizado dessas regras é longo e se baseia em dois requesitos. O primeiro é a existência de uma tradição que transmita, de modo estável, os modelos de identidade que caracterizam dada cultura. Esta tradição diz quais são os padrões ideais de conduta que devemos desejar e aos quais devemos obedecer. Ou seja, a tradição é o patrimônio de valores que mostra como as coisas devem ser, premiando as condutas que se aproximam dos ideais e punindo aquelas que deles se afastam. O segundo requisito é a coerência do mundo de valores que forma a tradição.
Uma cultura, para sobreviver, não pode propor ideais de comportamento contraditórios entre si, nem ideais incompatíveis com a vida real das pessoas. Não pode, por exemplo, dizer a um adulto que ser bom pai é ao mesmo tempo amar e odiar os filhos, nem tampouco impor um modelo de realização da função paterna, inconciliável com as condições reais de exercício da paternidade. Nesta hipótese, desorientado psicologicamente, o indivíduo não mais saberia o que é ser bom pai ou não mais poderia ser bom pai, mesmo conhecendo as regras da paternidade ideal. Ou porque qualquer conduta poderia se enquadrar no modelo (primeiro caso); ou porque nenhuma conduta seria adequada (segundo caso).Na atual crise brasileira de valores e perspectivas, ocorre algo semelhante à desorientação mencionada no exemplo acima, no que diz respeito à identidade nacional.
Nossa tradição cultural, por diversas razões criou um ideal de cidadania política sem vínculos com a efetiva vida social dos brasileiros. Na teoria aprendemos que devemos ser cidadãos; na prática, que não é possível, nem desejável, comportarmo-nos como cidadãos. A face política do modelo de identidade nacional é permanentemente corroída pelo desrespeito aos nossos ideais de conduta.
A imagem que temos de nossa identidade nacional é uma espécie de profecia que se auto-realiza. Quanto mais desmoralizamos nossa identidade, mais nos convencemos de que somos cidadãos inviáveis e mais contribuímos para convencer os outros de que nada podemos fazer para mudar o status quo. E isso que o banditismo deseja. No momento, talvez pareça mais fácil descrer e desistir do que lutar por nossos direitos. No entanto, se refletirmos um pouco melhor, veremos que o impossível é apenas o inimaginável. A médio ou curto prazo, quem sabe, com um pouco mais de esforço e tenacidade, poderemos respirar aliviados e dizer: Barbárie, nunca mais. Afinal, como disse a pensadora alemã Hanna Arendt, “os homens, embora devam morrer, não nascem para morrer, mas para começar”.

7754 – Por que comemos os salgados antes dos doces nas refeições?


O açúcar é rico em glicose, substância que regula a fome. Assim, quando se come algo doce, a glicose passa rapidamente para o sangue, e uma mensagem é enviada ao cérebro avisando que o organismo está satisfeito. A pessoa perde a fome sem estar devidamente nutrida. Além disso, os pratos salgados são ricos em condimentos e substâncias ácidas que estimulam a produção de suco gástrico, auxiliar da digestão. “Se o alimento doce for ingerido primeiro, não haverá formação de suco gástrico suficiente”, explica uma nutricionista da Spolidoro Projetos e Marketing Nutricional. Com isso, o alimento levará mais tempo para ser digerido, provocando fermentação e a formação de gases.

7752 – Biologia – O rato-toupeira


Eles existem, embora sempre cobertos pela antiga pálpebra, agora indiferenciável da pele comum. São os olhos do rato-toupeira Spalax ehrenberghi, habitante de escuras tocas subterrâneas. Já não são olhos – que se imaginava apenas atrofiados – mas sim um novo órgão, uma espécie de controle óptico para ajustar o ciclo vital do Spalax. Saber se é noite ou dia, verão ou inverno é essencial para o organismo manter sua temperatura interna, as atividades de seus músculos, ou decidir se está na hora do acasalamento. Todos os mamíferos, por isso, têm uma espécie de “relógio” interno. O papel do novo olho do Spalax é evitar que o relógio da vida se atrase ou se adiante. Basta uma única e rápida saída diária da toca: a luz fraca e difusa que atravessa a pele ajuda o organismo a ajustar seu ciclo vital. Logo, o antigo olho não está desaparecendo por falta, de uso: ele está evoluindo. E o que sugerem os cientistas Howard Cooper e Marc Herbin, que trabalham na França, e Eviatar Nevo, israelense. Certas partes do antigo olho estão de fato em degeneração: aquelas essenciais à visão clara e nítida, que o Spalax não pode ter e já não precisa. Outras, como os sensores de luz esmaecida, se mantém e asseguram ao Spalax ótima adaptação às condições de vida.

Um Pouco +
Rato toupeira pode ajudar homem a viver 200 anos
Especialistas estão trabalhando para desvendar todos os genes dos roedores. Sem pelos e dentuço, o animal, pode ajudar a prolongar a vida humana até 200 anos.
Esses mamíferos, muito resistentes, são os únicos seres de sangue frio do planeta que podem viver em desertos, comer plantas venenosas e sobreviver até a um câncer. O bicho, que é comum em países africanos, também mantêm vida sexual ativa durante toda sua longa vida.
Jonathan Flint, especialista em genética humana, da Universidade de Oxford, deu uma entrevista ao jornal The Sun e disse que o homem não possui um limite de vida, mas sobrevive, em média, até 90 anos. “Se descobrirmos os ‘segredos’ dos ratos, viveremos muito mais”, declarou.

7752 – Tênis – Mudança na empunhadura da raquete


Se depender do novo desenho de raquete de tênis proposto por um estudo de instituições de pesquisa americana, qualquer novato pode sonhar em colocar a bola na quadra quase como um profissional. A modificação da raquete dirá sobre a empunhadura, mas pode fazer um enorme diferença quando o aspirante a jogador tem que aprender a bater na bola para jogá-la na direção desejada.
A questão é que apenas 15 por cento das pessoas se adaptam ao desenho convencional da raquete, o que é determinado pela posição dos ossos do punho e do braço do tenista. Um tenista novato, dizem os inventores da raquete, não precisaria passar horas por dia tentando colocar a bola onde quer: bastariam cerca de 10 minutos mudando a face da raquete até descobrir a posição que melhor se adapte seu braço, quando seu índice de acertos será melhor. A Federação Internacional de Tênis já deu o sinal verde, desde que o jogador não mude o ajuste da raquete durante o jogo.

7751 – Astronomia – Sol Verde


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O ocaso é uma fonte inesgotável de fenômenos luminosos interessantes, alguns dos quais têm origem no espaço interplanetário, muito além da atmosfera. Muitos outros, porém, são produzidos sob a camada de ar que cobre a superfície da Terra. Um deles, muito bonito e pouco conhecido, chama-se “raio verde”: ele aparece como uma fulguração bem no topo da circunferência avermelhada do Sol, nos últimos instantes do ocaso, e dura tipicamente 1 segundo. Pouco mais que um flash de exótica tonalidade esmeralda. Por ser tão breve, a luz verde quase sempre passa despercebida ou é atribuída a uma das muitas ilusões de óptica produzidas quando se olha o pôr-do-sol. Mas o raio verde é real, já foi fotografado e sabe-se que surge em situações especiais. Não há ainda uma explicação bem estabelecida sobre o mecanismo que o gera, mas é possível ter uma ideia das condições favoráveis ao seu aparecimento: os dois fatores dominantes são a limpidez da atmosfera e a distância do observador com relação à linha do horizonte. A situação se torna bem mais favorável se o observador está sobre uma montanha, vendo o Sol se pôr no mar (o raio verde aparece até com maior freqüência ao despontar da aurora).
Quanto mais tempo o Sol permanece nas proximidades da linha do horizonte, maior a probabilidade de se ver o raro fenômeno. Isso ocorre no inverno, quando o Sol se põe obliquamente. Nos pólos, ao contrário, isso ocorre com a chegada do verão. No pólo sul já foi registrado um raio verde que durou meia hora! Mesmo sem sair do seu lugar preferido de ver o pôr-do-sol, você tem chances de ver o raio verde. Invista seu tempo nas tardes sem nuvens, em que o disco solar se apresenta como que fatiado em cores avermelhadas e alaranjadas, com as bordas serrilhadas. Espere o Sol entrar no horizonte, até ficar de fora apenas uma minúscula beiradinha. Aí, olhos atentos, sem piscar, na agonia final do dia, o Sol pode lançar uma esmeralda de luz que dificilmente se esquecerá.

O equinócío de outono
No dia 20 de março, às 11h41, o Sol cruza o equador, voltando para o hemisfério norte. É o início do outono para nós e da primavera para aquele hemisfério. O ponto sobre o horizonte onde o Sol nasce, nesse dia, marca exatamente o ponto cardeal leste e o ocaso o oeste. Espere o ocaso das Três Marias e note que Mintaka, a “maria” que está mais ao norte, se põe quase no mesmo lugar que o Sol.