7721 – Acidente Nuclear em Tokaimura


A manhã começou banal no dia 30 de setembro na usina de processamento de Tokaimura, a 150 quilômetros de Tóquio, no Japão. Em suas instalações, o urânio bruto, usado como combustível nuclear, é purificado antes de seguir para os 51 reatores atômicos que geram 35% da eletricidade do país.
Três funcionários fizeram sua tarefa: deram um banho de ácido nítrico no urânio para dissolver suas impurezas. Cometeram só um erro. Puseram no tanque de ácido 16 quilos de mineral radioativo, sete vezes mais do que o permitido. Com isso, os nêutrons do urânio, partículas atômicas que brotam da substância em raios invisíveis, iniciaram uma reação em cadeia nunca vista na usina.
Em minutos, os três homens absorveram pela pele nêutrons suficientes para deixá-los entre a vida e a morte.
No total, 49 japoneses foram afetados – 39 funcionários, 3 bombeiros e 7 moradores das redondezas. Todos correm risco de desenvolver câncer nas próximas décadas ou de terem seus filhos afetados. Os vizinhos foram contaminados pelo ar, que absorveu radioatividade na hora do bombardeio de nêutrons. A ausência de vento evitou que o veneno se espalhasse, mas, por precaução, 320 000 cidadãos, num raio de 10 quilômetros em torno da usina, tiveram que deixar suas casas por 24 horas.
A gravidade da possível tragédia resultante de um mero descuido de manuseio com combustível nuclear abala a opinião pública. Há 437 centrais atômicas em operação em 32 países, produzindo 17% da eletricidade do planeta. Para esses países, trata-se de conviver com o risco sob controle.

Césio 137 – Em Goiânia, 249 cidadãos foram contaminados com átomos de césio 137, radioativo, contido em aparelhos de raios X. Uma das máquinas foi parar num ferro-velho e lá ficou exposta à curiosidade dos moradores. Houve quatro mortes.

A radioatividade causa muitos problemas nas células humanas.
Ao atingir os seres humanos, os nêutrons quebram as moléculas de água, tornando-as eletricamente carregadas. Essa carga é nociva a várias partes do organismo porque desfaz as ligações químicas.

Células inteiras do intestino podem ser destruídas. Param de funcionar e perdem muita água. O efeito imediato é uma diarreia incontrolável. Muitas vezes mortal.

O DNA de óvulos e espermatozoides também é atacado. O resultado é que os danos são transmitidos aos descendentes das vítimas.

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