7719 – Automóvel – O Hidrogênio sobre rodas


carro a hidrogênio

Promessa antiga de combustível limpo e eterno, o hidrogênio acaba de chegar ao tanque de um automóvel. A Mazda, fábrica japonesa de automóveis, desenvolveu o primeiro protótipo, chamado HR-X. Suas vantagens são econômicas e ecológicas. Obtido a partir da eletrólise da água – a passagem de uma corrente elétrica que separa átomos de hidrogênio dos de oxigênio – o hidrogênio combustível é uma fonte de energia renovável. Além disso, não polui o ar, pois sua combustão produz apenas água. Não há informação de monóxido ou dióxido de carbono, os principais responsáveis pela poluição nas grandes cidades.
O HR-X usa motor do tipo rotativo, bastante diferente dos tradicionais. Em vez de pistões que se movimentam para cima e para baixo, possui um rotor horizontal. Assim, a entrada do combustível e a câmara de combustão ficam separadas, impedindo que o hidrogênio – altamente inflamável – sofra explosão fora do cilindro. Os resultados surpreendem: 100HP de potência, para apenas 998 cm³. Páreo para os melhores carros a gasolina.

7718 – Transporte – O Carro Elétrico


Erro – Ter trocado os motores elétricos, que equipavam a maioria dos carros no fim do século 19, pelos movidos a gasolina e diesel pelos cartéis do petróleo e da indústria automotiva.
Consequências – Problemas de saúde decorrentes do aumento da poluição, aquecimento global provocado pela maior liberação de CO2 na atmosfera e 100 anos de atraso na adaptação das cidades para frotas de veículos elétricos.
Pouco ou nada poluentes e muito mais silenciosos, os carros equipados com motor elétrico nunca estiveram tão na moda. Nunca mesmo? Quase ninguém sabe que essa tecnologia não tem nada de novidade. O automóvel elétrico foi inventado em 1830, assim como a célula combustível de hidrogênio. Em 1900, cerca de 90% dos táxis de Nova York eram movidos a eletricidade e milhões de pessoas andavam de bondinhos elétricos no mundo todo, inclusive no Brasil.
Ora: se o transporte individual e coletivo um dia já foi elétrico, por que hoje impera o motor a combustão, com todos os problemas ambientais e de saúde pública que a queima de combustíveis fósseis como a gasolina e o óleo diesel provoca? Resposta: por causa de manobras feitas pelos cartéis do transporte e do petróleo.
No final do século 19, quase todos os carros dos EUA eram elétricos. Eles integravam o monopólio da empresa EVC, dona de táxis e estações de recarga”, diz o jornalista. No início do século 20, porém, a EVC uniu-se às montadoras de automóveis a gasolina e formou a Associação de Fabricantes de Automóveis Licenciados, (Alam em inglês) – um monopólio que controlava a produção tanto de carros elétricos quanto de veículos a combustão.
O interesse das indústrias na substituição dos motores elétricos pelos a combustão era duplo: primeiro, atender à crescente demanda dos consumidores por carros mais velozes e potentes (leia mais no quadro abaixo); consequentemente, vender automóveis mais caros.
Nos anos 30, o lobby do motor a combustão voltou-se contra a segunda vítima: o transporte coletivo. Dessa vez, a ação partiu da montadora General Motors, que liderou uma conspiração para acabar com os ônibus elétricos dos EUA.
O fim das linhas elétricas ocorreu em 40 cidades americanas. Até que, em 1949, a GM e suas aliadas acabaram sendo acusadas de conspiração pelo governo. Foram condenadas. Mas era tarde. Naquela altura, o mundo já tinha se rendido aos motores a combustão.

NEW YORK TIMES

• Há 102 anos, em 1911, um editorial do periódico americano dizia o seguinte: “O carro elétrico já é reconhecido há tempos como a solução ideal porque é mais limpo, mais silencioso e muito mais econômico”.

Estatísticas alarmantes

• O setor de transportes responde hoje por 22% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) – um dos vilões do aquecimento global.

• No Reino Unido, a poluição do ar – provocada em boa parte pelos automóveis a gasolina e diesel – causa aproximadamente 50 mil mortes por ano.

• Na França, a fumaça preta liberada pelo escapamento de veículos de passeio, ônibus e caminhões mata mais que os acidentes de trânsito.

• Em Belo Horizonte (MG), a poluição gerada pelos carros mata quase 400 pessoas por ano – média superior a uma morte por dia.

• Na cidade de São Paulo, o ar é quase 3x mais “pesado” que o limite considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo os especialistas, jamais teremos uma frota mundial totalmente elétrica

O interesse de consumidores e montadoras de automóveis na troca do motor a combustão pelo elétrico agora é cada vez maior. Mas, segundo os especialistas, uma frota mundial totalmente elétrica não passa de utopia. Os mais otimistas dizem que ainda serão necessários pelo menos mais 10 ou 20 anos para que os modelos movidos a eletricidade conquistem uma fatia minimamente significativa de mercado.
O primeiro obstáculo é o preço – as baterias mais avançadas, de lítio, custam em média US$ 50 mil. O segundo é a autonomia – hoje, elas não passam de 300 quilômetros entre uma recarga e outra. “A gasolina tem 80 vezes mais densidade energética que a melhor bateria de lítio”, explica o jornalista americano Robert Bryce, autor do livro Power Hungry – The Myths of Green Energy and the Real Fuels of the Future (“Fome de Energia – Os Mitos da Energia Verde e os Verdadeiros Combustíveis do Futuro”, sem tradução para o português). Em outras palavras: apenas um litro do combustível fóssil rende 80 vezes mais energia que uma bateria de peso equivalente.
Há também o problema da infraestrutura. Para que os carros elétricos se tornem viáveis, será necessário instalar pontos de recarga não apenas em diferentes pontos da cidade, mas também nas estradas e, principalmente, na casa das pessoas. “Acontece que a criação dessa infraestrutura, hoje, ainda é incrivelmente cara”.

7717 – Mega Curiosidades – Reflexo da mosca é devido à sua visão


Eles conferem à mosca uma visão de praticamente 360 graus. Com isso, esses insetos conseguem detectar tudo o que acontece à sua volta e fogem ao menor sinal de perigo. Para levantar vôo, as moscas contam com asas membranosas, de músculos bastante potentes que lhes conferem movimentos rápidos e manobras precisas.

Um Pouco +

O Besouro-Hércules
(Dynastes hercules) é um coleóptero. Habita os bosques tropicais e equatoriais da América Central e do Sul. É um dos maiores besouros que existem, já que os machos adultos chegam à alcançar 17 cm de comprimento incluindo o seu enorme chifre torácico. É a maior das espécies conhecidas do gênero Dynastes, sendo que existem apenas duas espécies de besouros maiores do que esta, os cerambicídeos: Macrodontia cervicornis e o Titanus giganteus da Amazônia.
Os machos da espécie possuem dois chifres, um na parte superior da cabeça e outro no tórax. Em algumas ocasiões estes chifres costumam crescer a ponto de ficarem maiores que o próprio corpo. As fêmeas não possuem estes chifres, já que a espécie apresenta um significativo dimorfismo sexual. A finalidade destes apêndices está relacionada com a reprodução, uma vez que os machos os utilizam como “armas” para disputas na conquista de fêmeas. É comum encontrar uma fileira de pelugem alaranjada por toda a parte inferior do chifre torácico.
Além de não possuírem chifres, as fêmeas são bastante menores e apresentam uma coloração mais escura do que os machos, que possuem élitros de cor amarela com manchas pretas. O besouro-hércules, capaz de levantar 850 vezes seu próprio peso, é considerado o animal mais forte do mundo.O estado larval deste besouro tem uma duração de um a dois anos, no qual a larva alcança um tamanho de 110 mm e pesa aproximadamente 120 gramas. Em grande parte do tempo, a larva vive perfurando a madeira em decomposição, que é sua maior fonte de alimento. Após esse período a larva se transforma em pupa, onde ocorre a metamorfose da qual emerge o besouro adulto, que se alimenta principalmente de frutos caídos no solo da floresta.

7716 – Mega Notícias – Tomografia analisa as múmias


A moderna tecnologia da tomografia computadorizada começa a ser utilizada por um grupo de pesquisadores britânicos para desvendar segredos milenares das múmias egípcias. Até bem pouco tempo, o estudo detalhado das múmias era dificultado, pois elas sofriam danos irreparáveis ao se retirarem as bandagens que as envolviam. Os cadáveres, conservados por meio de técnicas não totalmente conhecidas, sofriam enorme degradação ao entrar em contato com o ar.
Agora, com a nova tecnologia, os cientistas podem conhecer todos os detalhes das múmias sem retirá-las dos sarcófagos. As primeiras imagens obtidas pelos cientistas desnudaram a múmia da sacerdotiza Tjentmutenebtiu, embalsamada há 3 000 anos. Descobriram que ela estava entre 19 e 23 anos quando morreu, seus dentes eram belíssimos e os olhos foram trocados por olhos artificiais. As imagens mostram também uma série de amuletos, como o que representa um falcão em vôo, sobre o tórax da moça, e um escaravelho, colocado nos pés.

7715 – Mega Curiosidades – A Força da Formiga


Além da própria formiga, os artrópodes em geral como aranhas e escorpiões, e também os crustáceos têm essa capacidade, devido à estrutura de seu esqueleto. A formiga tem um esqueleto extremamente leve, apenas uma camada muito fina em relação a sua massa muscular. Assim, o corpo de uma formiga é, na sua maior parte, músculos. Uma saúva, por exemplo, pode levantar catorze vezes o seu peso e percorrer 1 quilômetro por dia.Em termos humanos, isso equivaleria a erguer uma tonelada e ir de São Paulo a Buenos Aires num só dia.

7714 – Baleias Centenárias restauradas em Paris


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Na primavera de 1991, um insólito comboio atravessou a fronteira entre a França e a Bélgica. Dezenas de enormes peças, numeradas e cuidadosamente dispostas em caixotes, deveriam chegar intactas às mãos de Michel de Spiegeler, arqueólogo do Ateliê de Museologia da cidade belga de Waterloo. Recebemos três vedetes para um tratamento de beleza, brincou Spiegeler, que junto com quatro assistentes passou os dois anos seguintes cuidando das clientes. Limparam a poeira do tempo, examinaram cada centímetro da carga à caça de sinais de 100 anos de deterioração e corrigiram as imperfeições. Além disso, como num quebra-cabeça, remontaram suas freguesas uma a uma, para então devolvê-las ao expedidor, o Museu de História Natural de Paris.
A trinca, no entanto, estava à altura do trabalhoso tratamento. Afinal, são três personalidades de peso, atrações incontestáveis da Galeria da Evolução do museu desde o final do século XIX, quando foi inaugurada: Physeter macrocephalus (14,15 metros de comprimento e 2 011 quilos), Eubalaena australis (14,05 metros e 2 163 quilos) e Balaenoptera musculus (23,47 metros e 3 326 quilos). Ou cachalote, baleia-franca e baleia-azul, como são vulgarmente conhecidas, três esqueletos impressionantes, tanto pelo porte como pela estrutura, que mais parecem um casco de um navio invertido.
Não foi à toa que o galpão de 1 500 metros quadrados do ateliê, uma cooperativa privada de artesãos especializados em restaurações ganhou ares de estaleiro, totalmente ocupado pelos navios de cálcio. A primeira missão dos belgas foi recuperar a cor original das ossadas, bombardeando-as com jatos de vapor, a 120°C, para que seu tom marfim voltasse. Usamos este tipo de limpeza duas vezes, para tirar a camada de poeira e para dissolver a gordura que se acumulou com os anos, explicou Spiegeler. Um trabalho aparentemente simples, mas que envolveu cuidados técnicos sutis.
Para restaurar estragos que surgiram após a limpeza, a equipe de Waterloo preparou uma massa à base de poliéster que fica totalmente invisível ao olhar leigo dos visitantes. Trabalhar com esse material é simples. O principal desafio mesmo é manipular os esqueletos, garante Spiegeler. Para se ter uma idéia, cada costela de baleia mede por volta de 2,8 metros e pesa 25 quilos. E cada baleia tem em torno de trinta delas, quinze de cada lado, presas a uma espinha dorsal que, da cabeça à cauda, chega a setenta vértebras.
As costelas foram fixadas com hastes de aço nas duas pontas: em cima, prendendo-as à coluna, embaixo, formando uma armação fixa. Já as vértebras exigiram mais criatividade. Fizemos uma estrutura resistente e, ao mesmo tempo, maleável, conta Spiegeler. Um conjunto de tubos de aço foi incrustado ao longo da espinha dos animais. Com isso, quando estiverem instalados em Paris, os esqueletos poderão ser dispostos de forma a simular o movimento que suas donas faziam no mar. A impressão de que elas estão nadando vai dar realismo à exposição, explica o francês Jacques Maigret, responsável pelas estrelas aquáticas no museu.

Baleia Azul
É o maior mamífero que já povoou a Terra. Ameaçada de extinção
Nome científico: Balaenoptera musculus
Comprimento médio: 27 metros
Peso médio: 110 toneladas
Longevidade: em torno de 60 anos
Profundidade de mergulho: entre 150 e 250 metros
Tempo de submersão: de 20 a 30 minutos
Região: quando era abundante, vivia nas costas da Islândia, Alasca, Japão, México, Chile, Estados Unidos e África do Sul. Hoje, nada apenas nos mares antárticos
Hábitos alimentares: 4 toneladas diárias de krill (Euphausia superba), um camarão de 5 centímetros
Quantas restam: cerca de 1 000 indivíduos, de uma população inicial de mais de 200 000

Cachalote
Apesar do tamanho, não é classificado como baleia, pois possui dentes como os golfinhos.
Nome científico: Physeter macrocephalus
Comprimento médio: machos, 20 metros; fêmeas, de 12 a 15 metros
Peso médio: machos, entre 30 e 35 toneladas; fêmeas, cerca de 10 toneladas
Longevidade: em torno de 60 anos
Profundidade de mergulho: alcança até 3 000 metros
Tempo de submersão: pode chegar a uma hora
Região: é encontrado em todos os mares tropicais
Hábitos alimentares: as presas favoritas são os calamares e as lulas-gigantes
Quantos restam: algo perto de 425 000 indivíduos

Baleia-franca
Primeiro cetáceo caçado industrialmente. Ameaçada de extinção
Nome científico: Eubalaena australis
Comprimento médio: 14 a 16 metros
Peso médio: 50 a 60 toneladas
Longevidade: em torno de 30 anos
Profundidade de mergulho: 150 metros
Tempo de submersão: 20 minutos
Região: é encontrada desde a costa sul do Brasil (Oceano Atlântico) até a Califórnia (Oceano Pacífico), nos Estados Unidos
Hábitos alimentares: como a baleia-azul, alimenta-se de krill, além de outros pequenos crustáceos
Quantas restam: cerca de 1 700, de uma população inicial que foi estimada em 100 000

7713 – Medicina – Membrana fetal nas articulações


A membrana amniótica que envolve o feto dentro do útero, está sendo testada por uma equipe de ortopedista do Hospital Hammersmith, em Londres, Inglaterra, para tratar os casos de artrite. Os médicos vêm usando a membrana para recobrir, em coelhos, as cartilagens desgastadas pela doença. Acredita-se que tecido fetal contenha células capazes de reconstruir a camada cartilaginosa danificada, nas juntas dos ossos. Mas há um problema: por ser muito viscosa e se rasga facilmente, a membrana amniótica está sendo aplicada sobre uma finíssima película de polímero, que faz as vezes de cola. Em coelhos, tudo bem. Mas os ortopedistas ainda não sabem quais os eventuais efeitos do polímero, aplicado no corpo humano. Por isso, os testes clínicos com pacientes do hospital ainda não foram agendados.

7712 – Medicina – Eletricidade e a Leucemia


Uma pesquisa sueca realizada em 500 000 residências a menos de 300 metros de linhas de alta tensão forneceu os mais precisos dados sobre a ação da eletricidade no organismo. A conclusão é que a energia dos fios leva à leucemia infantil: quanto mais perto das linhas, maior o risco da doença. Melhor dizendo, o risco está ligado à intensidade da força eletromagnética emitida pelos fios elétricos. Por exemplo: as máquinas de café domésticas contêm bobinas que agem como ímãs fracos – com intensidade de 1 miligauss . O que a pesquisa sueca mostrou foi a seguinte correlação: quando a intensidade passa de 1 para 2 miligauss, o risco de leucemia triplica; quando passa para 3 miligauss, o risco quadruplica, assinalam os autores da pesquisa. E difícil imaginar que o aumento do número de casos tenha um outro motivo que não seja a eletricidade. Embora muitos outros estudos, nos últimos dez anos, tenham apontado laços suspeitos entre eletricidade e leucemia, ainda não foi estabelecida a relação de causa e efeito entre uma coisa e outra.

7711 – Lixo – Como Funciona a coleta seletiva com chip?


Latão Doméstico
Cada imóvel recebe um conjunto de latões de diferentes cores – uma para cada tipo de lixo. Eles ficam em casa mesmo, e só são postos na rua nas datas determinadas pelo calendário da empresa de coleta.
No latão é instalado um chip RFID (identificação por radiofrequência). Ele funciona como um código de barras: guarda um número de usuário que depois é cruzado com um banco de dados. A diferença é que ele pode ser lido a até 5 metros de distância.
Quando o caminhão de lixo ergue o latão, seu leitor de RFID identifica o usuário e registra os dados da coleta: quando e onde foi feita e qual o peso dos resíduos. Depois, manda a informação para a empresa.
Para regiões centrais
A empresa de coleta instala grandes con-têineres de lixo no subsolo de áreas públicas e distribui para cada casa um cartão com chip RFID. O usuário pode fazer o descarte do lixo no dia que ele quiser.
A tampa do contêiner se abre quando o morador se aproxima com o cartão. Dados como usuário, data da descarga e peso do lixo são armazenados no cartão ou transmitidos para a empresa de coleta.
Como cada contêiner atende vários usuários, os caminhões não precisam parar o tempo todo para catar o lixo. De porta em porta vira de quarteirão em quarteirão. Isso deixa a coleta muito mais rápida.

7710 – Invisível e Indispensável – O Magnetismo


Ele está em toda parte, mas passa despercebido para quase todo mundo. Há quem cometa a heresia de duvidar de sua existência. Quase sempre invisível, ele manifesta sua força dos modos mais surpreendentes, desenhando direito por linhas tortas, como os raios na foto que ilustra esta página. O fato é que, sem ele, você não estaria aqui lendo esta reportagem. Sem ele, não haveria luz. Sem ele, em resumo, não haveria Universo. Onipotente e onipresente, ele está no meio de nós.
Não, não estamos falando de Deus. Todo esse poder chama-se magnetismo, ou, mais precisamente, eletromagnetismo, uma das quatro forças que regem a natureza – ao lado da gravidade e dos dois tipos de energia nuclear, a forte e a fraca. Todas as outras derivam delas. De um prosaico radinho de pilha à luz do Sol, tudo tem magnetismo.
Muito mais atraente do que aqueles simpáticos enfeites que grudam sozinhos nas geladeiras, o magnetismo está diretamente ligado à energia elétrica. O homem começou a aprender a domar essa força da natureza há pouco mais de 150 anos, com invenções que deram partida no motor da evolução tecnológica. É por isso que, com um simples gesto, você acende uma lâmpada, faz um carro andar, grava informações no seu computador ou assiste a um programa de televisão. Dê graças ao magnetismo.

Faraday
Faraday

O pai dos motores
O cientista inglês Michael Faraday (1791-1867) desmoralizou o ditado segundo o qual em casa de ferreiro os espetos são de pau. Filho de ferreiro e autodidata, ele usou justamente esse metal para fazer uma das mais importantes descobertas sobre o magnetismo. Em 1824, Faraday descobriu que um fio eletrificado girava sem parar quando era colocado ao redor de um ímã. Dessa forma, percebeu que a energia eletromagnética produzia movimento mecânico.
Ao construir um protótipo para demonstrar sua descoberta, estava criando, na prática, o primeiro motor elétrico. Sete anos depois, outra experiência sua demonstrou que o contrário também era verdadeiro: o movimento mecânico produz eletricidade – o que deu origem aos geradores, como uma hidrelétrica. Com essas duas invenções, estavam construídos os alicerces de uma formidável revolução tecnológica.

7709 – Nutrição – Mexilhão que não abre nem sempre está estragado


Todo mundo acaba jogando fora os mexilhões que não abrem depois de cozidos, por acreditar que eles certamente estão impróprios para o consumo. Não há livro de receitas, programa de TV ou chef de cozinha que deixe de recomendar esse procedimento. Com mariscos não se brinca, a intoxicação alimentar pode ser grave. Melhor ficar longe de mexilhões estragados.
Pois saiba que o biólogo australiano Nick Ruello já provou que isso é uma grande besteira. Depois de ferver panelas e mais panelas cheias do molusco, ele constatou que 11% dos mexilhões não se abriam de jeito nenhum. Com uma faca, Ruello destravou um por um. Comeu todos. E descobriu que nenhum deles estava estragado. Conclusão: jogar fora o mexilhão que não abre é um tremendo desperdício. “Por causa desse mito sem qualquer fundamento, cerca de 370 toneladas de mexilhão vão parar no lixo todos os anos na Austrália.”
Quando levado ao fogo para cozinhar, o mexilhão se abre porque a água fervente rompe os músculos que controlam o movimento das cascas. Em alguns casos, porém, esses músculos não só resistem à alta temperatura como se mantêm fortemente contraídos. O molusco não se abre. Mas é tão comestível quanto os outros.

7708 – Biologia – Vírus ronda o raro mico-leão


A vida do mico-leão dourado que habita as matas brasileiras pode estar ameaçada peço vírus CHV, jamais visto nas Américas. No entanto, assim como o vírus da AIDS veio da África, o CHV passou dos macacos do Velho Mundo para os zoológicos americanos. O problema é que muitos desses bichos, hoje em vias de extinção, são criados nas bem –equipadas instalações americanas. Este ano, onze animais aguardavam o embarque para as plagas brasileiras –onde deveriam repovoar seus habitats originais –, mas a viagem foi suspensa por medo de uma epidemia. Alem disso, 75 micos já soltos permanecem sob vigilância.
Patologistas americanos afirmaram que filhotes de rato micos como refeição podem te sido os transmissores do vírus aos animais do zoológico de Washington. O fato é que, seja em humanos ou em animais, a proliferação dos agentes infecciosos desconhecidos vem se tornando um pesadelo constante. “As doenças estão se desenvolvendo mais rapidamente que nossa capacidade para identificá-las”, reconhece a pesquisadora Devra Kleinmann, diretora do parque.

7707 – AIDS – Por que alguns portadores do vírus da aids não desenvolvem a doença?


Aidsmim gráfico

Até hoje, quase 30 anos depois de registrados os primeiros casos da doença, ninguém encontrou a resposta. Os sintomas iniciais da aids costumam aparecer entre 8 e 10 anos após a infecção pelo vírus HIV. Algumas pessoas, contudo, podem ficar décadas sem desenvolvê-los, ainda que não tomem remédio. São os “sobreviventes de longo prazo” (SLP), que representam 5% do total de infectados. O americano Kai Brothers, por exemplo, acredita ter contraído o vírus em 1981. Tinha 18 anos. Hoje, aos 47, continua sem apresentar o menor sinal da doença. Segundo um virologista professor da Universidade da Califórnia (Ucla) e um dos pioneiros na identificação o HIV, a chave para o enigma provavelmente está nas células de defesa do organismo chamadas linfócitos T CD8. Elas funcionam como “soldados”, atuando na linha de frente contra vírus, bactérias e outros invasores. Mas dependem de ordens enviadas pelas células CD4 (os “generais”), sem as quais não conseguem desempenhar esse papel. É justamente nelas, as CD4, que o vírus da aids se instala para se multiplicar. Como o trabalho das CD8 é combater células infectadas, o resultado é uma espécie de curto-circuito no exército de defesa. Chega um momento em que o número de células CD4 presentes no sangue é tão baixo, em decorrência do ataque das CD8, que o sistema imunológico fica vulnerável a infecções oportunistas. É quando os sintomas da aids começam a se manifestar.
Os sobreviventes de longo prazo, porém, conseguem manter a defesa natural contra o vírus durante muitos e muitos anos.
Por causa de um “defeito” genético, as células dos sobreviventes de longo prazo não têm esse receptor. E, sem ele, o HIV não consegue invadi-las. O problema dessa teoria, no entanto, é que ela explica apenas uma parte da história.
Uma terceira hipótese está relacionada às células dentríticas plasmacitoides (PDC). Elas produzem a proteína IFN-a, que também seria capaz de bloquear o vírus. Uma proteína desse tipo pode ser a explicação para o misterioso caso das “prostitutas de Nairóbi”. Nos anos 80, centenas de quenianas ficaram conhecidas assim porque mantinham relações com homens infectados pelo HIV, sem camisinha, mas não desenvolviam aids.

7706 – Segredos do GENOMA


Projeto Genoma
Projeto Genoma

Mapear o genoma humano, um dos maiores desafios já encarados pela ciência. Quando decifrássemos a ordem dos 6,4 bilhões de “letras genéticas” que compõem nosso DNA, estaríamos perto de encontrar a cura para males como o câncer e as doenças do coração. Pelo menos, era isso o que garantiam médicos e cientistas.

Pois bem: o primeiro rascunho do DNA foi publicado há 10 anos; o mapeamento completo foi concluído em 2003; e nenhuma das previsões se concretizou até agora. Por quê? Basicamente, porque, ao vencer um desafio, a comunidade científica se viu diante de outro. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano (NHGRI), nos EUA, a situação agora é a seguinte: temos o mapa, mas não sabemos interpretá-lo – mais ou menos como se você comprasse um equipamento eletrônico complicadíssimo de instalar e descobrisse, ao abrir a caixa, que o manual de instruções está todo escrito em chinês.
Segundo o diretor de comunicação do NHGRI, um dos motivos para essa sinuca de bico foi a descoberta, após o sequenciamento, de que apenas uma pequena parte do genoma humano – algo entre 1,5 e 2% – está ligada à produção de proteínas. A função do restante continua um mistério.
Esses números dão uma ideia de quão profundo é o abismo no qual os geneticistas estão metidos. “Eles ainda não entenderam, por exemplo, o papel das sutis variações na sequência de letras do genoma”, diz Thompson. “A maior parte do DNA de cada pessoa é 99,5% idêntica ao de qualquer outro indivíduo. Mas é na diferença de 0,5% que está a suscetibilidade a muitas doenças comuns, desde a diabetes até os problemas cardíacos.”
Para o cientista John Craig Venter, cuja empresa – a Celera – também ajudou no sequenciamento, o verdadeiro desafio ainda está por vir. Otimista, ele acredita que nos próximos 10 anos a ciência será capaz de ir muito além do objetivo atual: em vez de mapear um só genoma por pessoa, conseguirá sequenciar vários, inclusive o de células-tronco, pré-tumorais e cancerígenas. “Isso nos ajudará a selecionar células saudáveis para transplantes de tecido, ou a entender melhor o desenvolvimento de tumores.” Igualmente importante para o progresso da ciência médica, segunto Venter, é o sequenciamento do genoma de milhões de microbactérias que habitam nosso organismo – um objetivo ainda mais longe de ser alcançado. Ou seja: continuamos diante de um enorme desafio – cujo segredo, quando finalmente desvendado, abrirá as portas para uma Era de Ouro da medicina.

7705 – Medicina – As Doenças Auto-imunes


Lúpus
Quem é fã da série House já viu a equipe do médico, em mais de um episódio, apostar no diagnóstico de lúpus por não fazer a menor ideia de qual seria a explicação para o caso de um paciente. Na vida real, isso também acontece. E o motivo é simples: quase tudo pode ser atribuído a essa doença autoimune, uma das mais misteriosas de que se tem notícia.
O lúpus eritematoso sistêmico, como é chamado pelos cientistas, tem potencial para afetar qualquer parte do corpo. É por isso que os médicos acabam confundindo seus sintomas com os de outras doenças. Trata-se de uma enfermidade inflamatória: o sistema imunológico do doente fica doido e produz anticorpos que atacam sem piedade células e tecidos de seus próprios órgãos, provocando a inflamação. Em situações mais graves e raras (menos de 1% dos casos), o mal pode levar a alucinações e comportamentos psicóticos. A evolução da doença é imprevisível, com períodos de sofrimento e melhoria se alternando constantemente. Não há cura. Resta ao doente, portanto, remediar os sintomas e encontrar a melhor forma possível de conviver com eles.
Embora seja conhecido desde a Idade Média, o lúpus permanece cercado de enigmas. Sabe-se, por exemplo, que 90% das vítimas são mulheres, e que 80% delas desenvolvem a doença na fase mais produtiva da vida, entre os 15 e os 45 anos. Por quê? A ciência ainda não encontrou a resposta. Outro mistério: nos EUA, onde as pesquisas sobre a moléstia são as mais avançadas, a incidência é muito maior em populações com características étnicas específicas, como negros e descendentes de asiáticos. Em outras partes do mundo, porém, não há dados que indiquem maior vulnerabilidade deste ou daquele grupo. Em quase 20 anos de acompanhamento de casos, não conseguimos comprovar, aqui, as mesmas estatísticas verificadas pelos americanos.
Os cientistas acreditam que a doença tenha um componente genético em sua origem, já que é comum o registro de múltiplos casos dentro de uma mesma família. O problema é que não se sabe ao certo qual gene seria o responsável. Tudo leva a crer que não apenas um mas vários genes sejam capazes de determinar maior ou menor risco de uma pessoa desenvolver lúpus, mediante a influência de “gatilhos” como a ingestão de certos medicamentos (antidepressivos, antibióticos e diuréticos), estresse e exposição ao sol.

Prontuário
Incidência – Entre 30 e 100 ocorrências para cada grupo de 100 mil indivíduos.

Total de casos – 5 milhões no mundo todo.

Mortalidade – 5% nos primeiros 5 anos da doença, por causa de complicações decorrentes de processos infecciosos.

Tratamento – Medicamentos imunossupressores entre os surtos. Exames de sangue em intervalos de 3 a 10 semanas tentam antecipar problemas graves.

7704 – Medicina – A Esclerose Múltipla


Uma doença cruel e enigmática
O cérebro ordena que o corpo relaxe, mas ele não obedece, submetendo seu dono a tremores involuntários. Ou, quando obedece, o faz de maneira totalmente desordenada. É mais ou menos assim que a esclerose múltipla começa a se manifestar. Na origem da doença também está uma reação autoimune: produção de anticorpos que atacam as chamadas bainhas de mielina, responsáveis por levar os impulsos nervosos de um neurônio para outro. Por que o sistema imunológico faz isso? Ninguém sabe responder.
A esclerose múltipla costuma aparecer entre os 20 e os 40 anos de idade. Com a evolução da doença, o sistema nervoso central vai acumulando “cicatrizes”, que acabam afetando a audição, a visão, a memória e a coordenação motora. Sabe-se que histórico na família eleva em 10 vezes o risco de desenvolver a patologia. Isso sugere que o mal, pelo menos em parte, pode ter uma explicação genética. Cerca de 70% das vítimas são mulheres – fato que os cientistas ainda não compreenderam também. No início, os sintomas vão e voltam. Mas, 10 anos depois, eles passam a ser progressivos. Aproximadamente um terço dos pacientes acaba precisando de cadeira de rodas 20 anos após o diagnóstico inicial. A doença, além de extremamente cruel, não tem cura, nem se conhece qualquer tipo de prevenção.
Para descrever suas causas, a medicina ainda recorre a teorias. Um estudo levado a cabo nos EUA sugere uma ligação da doença com a carência de vitamina D. A pesquisa constatou que mulheres que tomaram esse suplemento vitamínico ininterruptamente, ao longo de 10 anos, apresentaram risco 40% menor de desenvolver esclerose. E um fato curioso parece corroborar essa tese: a ocorrência do mal é maior em regiões mais afastadas da linha do Equador – onde a incidência de luz solar é menor, o que dificulta a síntese de vitamina D pelo organismo. Enquanto em boa parte dos países da África Central há 5 casos de esclerose múltipla para cada grupo de 100 mil habitantes, no Canadá esse índice é 26 vezes maior.
Outros trabalhos, no entanto, relacionam a doença a infecções que podem confundir o sistema imunológico, fazendo-o pensar que as bainhas de mielina são invasoras e desencadeando o ataque.

Prontuário
Incidência – 5 a 130 ocorrências para cada grupo de 100 mil indivíduos.

Total de casos – 2,5 milhões no mundo todo.

Impacto – Após 20 anos, 30% das vítimas estão em cadeira de rodas.

Tratamento – Fisioterapia e medicamentos imunossupressores.

7703 – O que é o Sjögren?


Engana-se quem pensa que lacrimejar é coisa de gente sensível. Todo dia, produzimos naturalmente cerca de 15 mil lágrimas, uma a cada piscada de olhos. Mas há exceções – entre elas, as vítimas de um mal conhecido como síndrome de Sjögren. Essa moléstia provoca inflamações das glândulas exócrinas (órgãos geralmente minúsculos espalhados por várias partes do corpo e que produzem diferentes secreções). Ou seja: a redução da capacidade de lacrimejar é apenas um de seus sintomas, o mais perceptível. A síndrome também leva sua vítima a produzir menos saliva, além de comprometer a produção de suco gástrico – que ajuda na digestão dos alimentos – no estômago.
Como acontece em todas as outras doenças autoimunes, são os anticorpos do próprio doente que atacam as glândulas. Mas as razões que levam a esse ataque ainda são desconhecidas. E esse não é o único enigma envolvendo a síndrome. Estima-se que 9 entre 10 pacientes diagnosticados sejam mulheres – e, estranhamente, jamais foi constatada qualquer relação entre a desordem e questões hormonais. Aproximadamente metade dos casos é considerada secundária – associada a outras doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus.
A maior parte dos pacientes procura o oftalmologista por volta dos 40 anos, com sensação de areia nos olhos resultante da má lubrificação. Como se trata de um sintoma comum a muitas patologias oculares, a última coisa que passa pela cabeça do médico é a possibilidade de autoimunidade. Uma pesquisa feita pela Fundação da Síndrome de Sjögren, nos EUA, comprova a dificuldade na hora do diagnóstico. Segundo o estudo, passam-se em média 6 anos entre a manifestação dos primeiros sintomas e a identificação da doença.
Prontuário
Incidência – 2 ocorrências para cada grupo de 1 000 pessoas.

Total de casos – Desconhecido (cerca de 4 milhões só nos EUA).

Impacto – Desconforto contínuo nos olhos e incapacidade de chorar.

Tratamento – Uso de colírios e suplementos vitamínicos.

7702 – História da Medicina – Tutancâmon, diagnóstico polêmico


MEDICINA simbolo

Afinal, do que morreu Tutancâmon? Desde que a tumba do mais famoso faraó egípcio foi descoberta, em 1922, especula-se de tudo. Tuberculose, complicações decorrentes de um tombo durante uma caçada, assassinato… A cada teoria, surgem novas “evidências” supostamente capazes de comprová-la. A hipótese de assassinato, por exemplo, ganhou força quando um raio X da múmia revelou uma perfuração no crânio de Tut. O faraó-menino, que morreu aos 19 anos – em 1324 a.C. – sem deixar herdeiros, teria sido golpeado na cabeça por alguém que pretendia sucedê-lo no trono. História tentadora, não é verdade? Digna de filme! Hoje, no entanto, acredita-se que a lesão tenha ocorrido durante o processo de mumificação.
A mais recente explicação para a morte de Tutancâmon, divulgada no início de 2010, põe por terra todas as teorias anteriores. Uma equipe de pesquisadores submeteu 11 múmias da família de Tut – inclusive a do próprio – a exames radiológicos e testes de DNA. O resultado indicou a presença de genes vinculados ao parasita Plasmodium falciparum, causador da malária, nos tecidos do faraó e de mais 3 de seus parentes.
Malária, contudo, não teria sido a única responsável pela morte de Tutancâmon. As tomografias confirmaram que o faraó sofreu uma fratura no fêmur direito dias antes de morrer. Dedução dos cientistas: uma infecção subsequente teria colaborado para o agravamento de seu estado. O novo estudo revelou ainda uma série de más-formações na família de Tut, provavelmente decorrentes de uniões consanguíneas. Na análise do grupo de múmias reais, descobriu-se, por exemplo, que os pais do faraó eram irmãos, e que ele próprio talvez tenha se casado com uma irmã ou meia-irmã. Essa seria mais uma explicação para a fragilidade de Tutancâmon – consequência de um longo histórico de relações incestuosas.
Os autores da pesquisa reconhecem, no entanto, que, embora esse tenha sido o mais minucioso estudo já feito da múmia do faraó, o diagnóstico não pode ser considerado definitivo. Ou seja: mais de 3 300 anos depois de sua morte, o mistério de Tutancâmon parece estar longe de ser solucionado.

7701 – História da Medicina – Qual a causa da morte de Alexandre, O Grande?


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Para os soldados liderados por ele, Alexandre era quase um semideus. Entre 344 e 326 a.C., o general comandou a maior campanha militar da história, conquistando boa parte do mundo conhecido até então. Nos fronts, sobreviveu a frio intenso, calor escaldante, condições precárias de alimentação e higiene. Sem contar as dezenas de ferimentos graves, provocados por lanças e flechas desferidas pelos inimigos. Mas foi morrer muito longe de um campo de batalha. Já estava aposentado, vivendo na Babilônia, quando sucumbiu a uma doença misteriosa, em 323 a.C. Qual teria sido o mal que derrubou esse homem aparentemente indestrutível?
Não há consenso entre os pesquisadores, mas é provável que Alexandre, o Grande, tenha caído diante de uma criaturazinha microscópica, que em nada faria justiça ao seu histórico de herói: a bactéria causadora da febre tifoide. Registros dos últimos dias de vida do general parecem corroborar essa tese, pois vários sintomas descritos nesses relatos são compatíveis com a doença – entre eles, febre alta, calafrios, suor exagerado e exaustão crônica.

Tal diagnóstico seria também a explicação para um fenômeno bizarro envolvendo a morte de Alexandre. Segundo algumas narrativas da época, seu corpo teria levado muito mais tempo que o normal para começar a se decompor. Pois bem: uma das possíveis complicações da febre tifoide é justamente um tipo de paralisia que começa nos pés e vai subindo pelo corpo, deixando sua vítima imóvel e com a respiração reduzida, quase imperceptível. Ou seja: todos teriam pensado que Alexandre já teria morrido, embora ele ainda estivesse vivo. Daí a falsa impressão de que seu corpo demorou muito para se deteriorar. Sim, a história parece maluca, mas é perfeitamente possível segundo os especialistas.
Como é de praxe, teorias conspiratórias também cercam esse caso. Uma delas diz que o general teria sido assassinado com uma dose letal de arsênico colocada numa taça de vinho. De fato, Alexandre começou a passar mal, com os sintomas que mais tarde o levariam à morte, justamente depois de uma bebedeira. Mas, para o médico americano Philip Mackowiak, autor do livro Post-Morten: Solven History´s Great Medical Mysteries (“Post-Morten: Resolvendo os Grandes Mistérios Médicos da História”, inédito no Brasil), essa tese é uma enorme bobagem. O motivo? Muito simples: “O arsênico só foi purificado cerca de 1 500 anos depois da morte de Alexandre”.

7700 – História da Medicina – O que causou a morte de Napoleão?


Napoleão
Napoleão

Esqueça a história de envenenamento. Tudo leva a crer que Napoleão Bonaparte, o imperador que governou a França com mão de ferro em dois períodos, entre 1804 e 1815, padeceu da mesma doença que no ano passado matou 650 mil pessoas no mundo: câncer de estômago.
Para muitos historiadores, a hipótese de assassinato sempre fez sentido. Afinal, os adversários políticos de Napoleão temiam que ele desse um jeito de escapar da prisão, na ilha de Santa Helena, e retomasse o poder – do qual abdicara após a derrota para ingleses e prussianos na Batalha de Waterloo. Na verdade, é bem capaz que o próprio imperador preferisse uma morte assim, cinematográfica. Ela combinaria bem mais com seu ego – que, segundo dizem, foi ainda maior que a ambição de conquistar a Europa. Durante décadas, apostou-se na possibilidade de Napoleão ter sido envenenado com arsênico, substância encontrada em seus fios de cabelo (preservados e analisados anos após sua morte, em 1821). O veneno teria sido gradualmente adicionado a tudo que o preso comia e bebia, sem que ele percebesse.
Hoje, acredita-se que a origem do arsênico encontrado em seus cabelos era outra: na época de Napoleão, pequenas quantidades dessa substância costumavam ser usadas na fabricação de vários produtos, como tônicos capilares, remédios e até papel de parede.
Segundo Robert Genta, professor de patologia da Southwestern Medical School, nos EUA, o que realmente matou Napoleão foi mesmo um “trivial” câncer de estômago. Genta estudou inúmeros documentos sobre a morte do imperador, principalmente as anotações do cirurgião François Antommarchi, responsável por duas rigorosas autópsias. Os manuscritos falam de lesões nas paredes do estômago e da presença, em todo o órgão, de um material “que lembrava grãos de café”. Para o patologista, são evidências de sangramento decorrente do câncer.
Genta comparou as descrições feitas por Antommarchi com 135 casos atuais de pacientes com câncer de estômago, e concluiu que o mal de Napoleão Bonaparte só poderia ser esse. “É muito difícil [para não dizer impossível] precisar a causa da doença”.
Ela pode ter sido provocada, entre outros fatores, até por uma predisposição familiar. Mas os soldados da época, inclusive o imperador, comiam muitos alimentos preservados em sal, riquíssimos em nitritos. E é sabido que esse tipo de comida aumenta o risco de câncer gástrico.