7648 – Clonagem – Quais os limites?


É provável que o impacto da clonagem humana como técnica reprodutiva sempre fosse muito restrito. Clonar um ser humano por meio da transferência nuclear de células somáticas, por exemplo, requereria envolvimento da pessoa doadora, que seria clonada; da pessoa cujos ovócitos fossem enucleados e, então, fundidos com o núcleo da célula doadora; da mulher que engravidaria e daria à luz a criança; e da pessoa ou do casal que criaria a criança clonada. Diante dessa realidade complexa, é mais provável que, se a legislação forçasse os indivíduos a assumir os custos de suas próprias clonagens, o preço, por si só, inviabilizaria seu uso.
As perspectivas da clonagem reprodutiva sofreram um revés ainda mais importante quando se constatou que a baixíssima eficiência da clonagem, em várias espécies de mamíferos, não era devida a dificuldades metodológicas potencialmente contornáveis no futuro, mas que, na verdade, havia uma barreira biológica contra a clonagem. Essa barreira está relacionada com o fenômeno de imprinting genômico, ou seja, a dependência da expressão de certos genes da origem paterna ou materna dos mesmos. Os padrões de imprinting sofrem importantes modificações nos primeiros dias de vida embrionária e têm um papel fundamental no desenvolvimento correto do ser concebido. Acredita-se que o imprinting de células somáticas mamíferas interfere na desdiferenciação necessária para ativação de genes embrionários, levando às altas taxas de falhas da clonagem. O sucesso de desenvolvimento atinge apenas de 1% a 5% das transferências nucleares e, mesmo assim, observam-se anormalidades de desenvolvimento associadas a defeitos de imprinting, o que resulta em aumento considerável da morbidade e mortalidade de fetos clonados.
Células-tronco embrionárias têm a capacidade de se diferenciar em qualquer tipo celular e podem ser produzidas a partir de embriões humanos em um estágio bem inicial de desenvolvimento. Isso significa que as pessoas poderiam fornecer suas próprias células e, ao usá-las para substituir os núcleos de seus próprios ovócitos ou de ovócitos de doadores, criar embriões clonados e obter células-tronco em cultura. Há, mesmo, a possibilidade de que ovócitos bovinos possam ser utilizados neste processo. De qualquer maneira, essas células poderiam, então, ser induzidas a se diferenciar em cultura, permitindo o implante de células e tecidos individualmente desenhados sem os problemas atuais de rejeição, que afetam o transplante. Esse protocolo constitui a “clonagem terapêutica” e a medicina baseada nele tem sido chamada de “medicina regenerativa”.

Neurociência
Os primórdios dessa idéia resultam, principalmente, de estudos sobre a doença de Parkinson. Essa é uma doença degenerativa humana em que os neurônios de uma determinada região do sistema nervoso central param de produzir um neurotransmissor muito importante chamado dopamina, causando uma variedade de sinais e sintomas neurológicos, principalmente tremores. Estudos clínicos mostraram que neurônios dopaminérgicos obtidos de embriões humanos transplantados no cérebro de pacientes com doença de Parkinson podem sobreviver, fazer conexões funcionais e corrigir, pelo menos parcialmente, os sintomas da doença. Entretanto, para obter resultados significativos, um número muito grande de neurônios – da ordem de 100 mil a 150 mil em cada lado do cérebro – precisa ser transplantado. Para se obterem essas quantidades de neurônios são necessários, pelo menos, de três a quatro embriões humanos. Contudo, já foi demonstrado que é possível dirigir, in vitro, o desenvolvimento de células-tronco de ratos para produção de neurônios dopaminérgicos, que podem, então, ser usados para terapia de ratos com doença de Parkinson.

Teoricamente, o mesmo princípio desse tratamento da doença de Parkinson poderia ser aplicado a uma grande variedade de outras doenças degenerativas humanas, como diabetes, distrofias musculares, infartos do miocárdio, etc. Por exemplo, já foi demonstrado que, em camundongos com distrofia muscular, a injeção de células-tronco de animais normais resulta na incorporação de células doadoras no músculo e restauração parcial da expressão do gene afetado. No entanto a aplicação desses tratamentos em humanos faz emergir um grande problema: a rejeição imunológica. No caso da doença de Parkinson, a rejeição imunológica das células transplantadas não é um problema, porque o cérebro é um sítio imunologicamente privilegiado, onde rejeições não ocorrem. Porém, se usarmos o transplante de células-tronco para tratamento de doenças humanas comuns, poderemos esperar rejeição imediata, levando ao fracasso do tratamento. Como evitar isso? A clonagem fornece a resposta. Se fizermos a clonagem de um indivíduo até o estágio de embrião, poderemos ter uma rica fonte de células-tronco imunologicamente compatíveis para a medicina regenerativa.

Escola Paulista de Medicina

7647 – Psicologia – Por que as pessoas querem mostrar status?


Os valores da sociedade moderna mudam com o passar do tempo. De um modo geral, levam a sociedade a valorizar muito mais o “ter” do que o “ser”. Os preceitos morais têm se transformado em valores materiais. Você é o que você pode comprar. Esta ideologia fomenta muitos preconceitos em nossa sociedade.
Hoje a conduta do indivíduo passa a ser condicionada pela busca do status.
Elas são feitas não pela sociedade em geral, mas pelo o que ela chama de “grupos menores”, como círculo de amigos, família e local de trabalho e as ideologias que cada pessoa tem.
As pessoas tentam acabar com as frustrações consumindo e buscando ascensão social. Essa característica da supervalorização dos bens materiais afeta bastante os adolescentes.
A propaganda, principalmente nos meios televisivos e online, são os principais acusados de propagarem essa supervalorização do consumismo. Uma das estratégias utilizadas pelos publicitários é a utilização das cores e das formas para criar reações nas pessoas.
“Uma das funções do marketing é criar necessidade. Hoje em dia as pessoas não vivem sem celular e há 10 anos não era dessa maneira. Além disso, o que interessa é o modelo de celular, qual é o mais moderno e não o fato ter um celular”.

Universidade Metodista de São Paulo

7646 – Oftalmologia – A Lente Intra-Ocular


lente

As lentes intra-oculares, implantadas para corrigir problemas como, catarata, sempre deram problema em pacientes jovens. Elas agem como um prisma, dividindo o facho de luz nas cores do espectro, o que causa uma falha na imagem, chamada aberração cromática. Em paciente mais idosos, cujas pupilas são menores e assim impedem a dispersão dos raios, grande parte dessa aberração é suavizada.
Nos jovens, porém, a consequência é que a pessoa vê imagens fora de foco. Para acabar com o problema, o Laboratório National Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, desenvolveu um novo tipo de lente intra-oculta. Na verdade, é um grupo de milímetro e que focaliza apenas uma cor. O ponto em que todas elas convergem o mesmo, acabando com a tal aberração cromática.
Como uma câmera, a cristalino natural do cristalino do seu olho desempenha um papel importante na focalização das imagens. Quando a catarata turva o cristalino, é praticamente impossível enxergar claramente.
Quando sua catarata avança a ponto de as tarefas diárias se tornarem difíceis e interfere na sua qualidade de vida, você precisa da cirurgia de catarata. Durante a cirurgia, a lente natural do seu olho será substituída por uma lente intraocular ou LIO.
A lente intra-ocular é uma lente artificial feita de plástico, silicone ou acrílico que realiza a função da lente natural do olho. A maioria das LIOs de hoje tem aproximadamente 0,5 cm de diâmetro e são macias o suficiente para serem dobradas e colocadas no olho através de uma incisão muito pequena.
A inspiração para a primeira lente de substituição veio de uma batalha aérea entre pilotos britânicos e alemães, durante a Segunda Guerra Mundial. O oftalmologista britânico Sir Harold Ridley tratou um piloto da Força Aérea Real depois que cacos da capota perfurada por balas do seu avião se alojaram em seus olhos. Ridley percebeu que os olhos do piloto não rejeitaram o material estranho e corretamente teorizou que uma lente de plástico poderia substituir permanentemente a lente natural turva do olho.

7645 – Mucina, um novo agente protetor no leite


Amamentar é importante porque o leite contém anticorpos que protegem o bebê. Isso é o que todos pensam, inclusive o médico Robert Yolken, do Centro para Crianças Johns Hopkins, na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos. Ou melhor: Yolken já não está tão certo. O motivo é que mesmo depois de eliminar por completo os anticorpos, o leite manteve seu poder protetor. O segredo parece ser a mucina, substância presente tanto no leite como no muco. Basta uma pequena quantidade para deter os rotovírus, microorganismos causadores de diarréia, responsáveis pela morte de 100 crianças por ano nos Estados Unidos.
Nos países pobres os rotovírus e outros agentes da diarréia respondem por 23% das mortes entre crianças com menos de 5 anos. Ainda é cedo para avaliar as possibilidades da mucina. Mas já há quem pense em transformá-la num forte suplemento da alimentação dos bebês.

7644 – Bioastronomia – Espaço exportou a base da vida


Faz tempo que se supõe que a vida na Terra pode ter-se formado no espaço, por causa da presença de compostos orgânicos em meteoritos achados em vários lugares do planeta. Essa hipótese está agora mais forte: testes realizados com o meteorito de Murchison, que caiu na Austrália, identificaram nos fragmentos moléculas de deutério e nitrogênio-15, forma rara de hidrogênio e nitrogênio. Os dois elementos fazem parte das nuvens de poeira estelar de onda se formou por sistema solar. Por isso, os cientistas acreditam que, Há 6 bilhões de anos, ao formar-se o sistema, algumas daquelas moléculas incorporaram-se aos meteoritos.
Quando caíram na Terra, logo após a sua formação, especulam ainda os cientistas, alguns meteoritos liberaram compostos orgânicos que se combinaram de novo em moléculas até dar origem ao DNA (ácido desoxirribonucléico), o componente fundamental da vida terrestre. “Se esses meteoritos foram os veículos que transmitiram a vida à Terra”, comenta o astrofísico Roberto Boscko, da USP, “ainda falta explicar como surgiram os compostos orgânicos.”