7636 – Júpiter – Descida sem retorno


No dia 7 de dezembro de 1995, um ponto incandescente cortou o céu de Júpiter. Não era uma estrela cadente, nem um novo cometa Shoemaker-Levy. Era a cápsula atmosférica da nave Galileu, que mergulhou por 75 minutos em direção ao maior e mais distante planeta do sistema solar a 170 000 quilômetros por hora, cinqüenta vezes mais rápido que uma bala de revólver. Abandonada pela nave-mãe em julho do ano passado, a sonda-filhote levou cinco meses para chegar à atmosfera jupiteriana. Mais do que isso, inaugurou um novo tempo de aventuras interplanetárias, depois de um intervalo de quase quinze anos.
Lançada em outubro de 1989, a Galileu seguiu uma rota sinuosa, aproveitando a força de gravidade de outros astros para impulsioná-la pelos 780 milhões de quilômetros que separam a Terra de Júpiter. No total, ela percorreu mais de 3,7 bilhões de quilômetros. Nesse ziguezague, passou por Vênus, sobrevoou duas vezes a Terra e a Lua, e cruzou o cinturão de asteróides que existe entre Marte e Júpiter, colecionando alguns feitos heroicos da ciência.
A sonda-filhote, a Galileu seguiu uma jornada de dois anos em torno de Júpiter. A primeira nave a entrar em órbita do planeta gigante vai chegar mais perto do que nunca de seus quatro grandes satélites, Io, Ganimedes, Calisto e Europa. As informações vêm por rádio, em sinais que levam 52 minutos para atingir a Terra. Os bips chegam tão fracos que podem ser comparados ao som de um radinho transistor ligado em Belém do Pará recebendo uma transmissão de Montevidéu, Uruguai. Para rastrear os sinais, foi montada uma rede de antenas distribuídas pelos Estados Unidos, Austrália e Espanha. Se não fosse assim, seria necessária uma única antena de 125 metros de diâmetro.
A Galileu não foi a primeira experiência interplanetária do homem. Em 1976, outra nave americana, a Viking 1, desceu sobre o solo mar-ciano. Por essa época, em plena guerra fria, Estados Unidos e a extinta União Soviética se alternavam na lista dos recordes espaciais. Mas a falta de dinheiro cortou as asas, ou melhor, ligou os retrofoguetes das missões espaciais.
Os quinze anos seguintes foram dedicados a criar tecnologias capazes de levar o homem às alturas em missões menores, mais rápidas e, principalmente, mais baratas. Daí nasceu o programa Discovery (descoberta, em inglês), da Nasa.
Na seqüência, o programa Discovery lançou a Pathfinder. Ela vai colocou sobre a superfície de Marte um robô motorizado chamado Sejourner, para perambular pelo solo rochoso do astro, analisando a composição química das rochas e filmando a paisagem (isso aconteceu em 1997).