7618 – Expectativa de Vida – Muitas dúvidas na corrida contra o tempo


Dados do Banco Mundial indicaram que a expectativa de vida vem crescendo em todo o mundo.
Um alienígena que nos visitasse e examinasse os dados demográficos do século XX pensaria que a humanidade dominou o processo de envelhecimento. De fato, nossos números impressionam. Em 1900, a expectativa média de vida do brasileiro ao nascer era de 33 anos. Hoje, é de 68, mais que o dobro. Nos Estados Unidos, saltou de 47 para 75 anos, no mesmo período. “Em breve”, pensaria o alien, “esses terráqueos viverão centenas de anos”. O extraterrestre ficaria ainda mais impressionado se conhecesse as técnicas antienvelhecimento que vários profissionais de saúde oferecem por preços módicos.
Nada mais enganoso. Apesar de ser uma das mais antigas preocupações da humanidade, presente em escritos de mais de 5 000 anos, o envelhecimento só é estudado a sério, com rigor científico, há algumas décadas. E ainda não temos muitas certezas a respeito.
Mas há avanços. Na verdade, nosso conhecimento sobre o tema nunca evoluiu tanto, graças a dois fatos. O primeiro foi a explosão da população idosa que, nos países ricos, ultrapassou o número de jovens menores de 14 anos. Para dar bem-estar a essa multidão é preciso entender o que ocorre com ela. O avanço da pesquisa genética também ajudou, especialmente depois que o genoma humano foi desvendado.
Um exemplo conhecido do que acontece quando envelhecemos é o que ocorre na savana africana. Quando uma leoa ataca uma manada de antílopes, a maioria dos bichos escapam dando saltos assombrosos e, no final, quem acaba nas garras dos felinos são os animais velhos, que já não conseguem acompanhar os mais novos.
O envelhecimento é a perda gradativa das reservas que todos os organismos têm para usar em momentos de estresse.
Qual a razão biológica para envelhecer? A resposta é que não há razão. Envelhecemos porque, pela lógica da seleção natural, que é como “pensa” a natureza, o que acontece com o indivíduo depois que ele gerou descendentes não faz diferença para o futuro da espécie.
Em ambientes onde falta alimento, quem já passou da idade fértil representa uma competição extra. Aos poucos, portanto, a natureza privilegiou as espécies cujos integrantes deixavam o palco assim que seu papel acabasse.
Os genes prejudiciais a uma espécie são simplesmente banidos pela seleção natural ou desativados até depois da idade reprodutiva, porque seus portadores deixam menos descendentes. Pesquisas recentes mostram que muitos genes prejudiciais ao organismo na idade avançada são úteis na juventude. O câncer de pele, por exemplo, é uma versão fora de controle da capacidade da pele de curar as feridas, segundo o gerontologista americano Steve Austad.
Nosso corpo foi forjado há 130 000 anos, uma época em que os humanos, por mais fortes e saudáveis que fossem, morriam todos antes dos 30, vítimas de acidentes, predadores ou doenças. Mas nós domamos essas adversidades, elevando nossa expectativa de vida para muito além da idade reprodutiva. Ou seja, a degeneração que enfrentamos a partir dos 30 anos, ou, em outras palavras, o envelhecimento, nada mais é que a entrada em um período da vida para o qual a seleção natural não nos preparou. “A velhice é um produto da civilização. Só ocorre nos seres humanos, nos animais domésticos e nos mantidos em zoológicos ou laboratórios”, diz um professor norte-americano.
Mas não somos imunes à seleção natural. A capacidade de prolongar a idade fértil, por exemplo, é um indicador da longevidade e vale também para nós. Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, mulheres que tiveram filhos depois dos 40 anos têm quatro vezes mais chances de atingir os 100 anos que as demais.
O número de vezes que uma célula se divide, por exemplo, é programado para cada espécie e está diretamente relacionado à longevidade. As células do camundongo, animal que vive três anos, dividem-se 15 vezes. As nossas dividem-se 50 vezes. E as da tartaruga das ilhas Galápagos, que vive 175 anos, dividem-se 110 vezes. Os cientistas já sabem que o número de divisões é determinado pelo tamanho dos telômeros, um novelo de DNA localizado na extremidade dos cromossomos e que serve como uma sola. A cada divisão, os cromossomos perdem parte do telômero, até que a sola acaba e a célula pára de se dividir e morre. Há uma enzima que evita a perda do telômero e torna a célula imortal. Seria o elixir da imortalidade? Longe disso. É ela que produz células cancerosas.

7617 – Geografia – Everest, O Monte


Everest, ainda é o topo do mundo
Everest, ainda é o topo do mundo

Desde que o neozelandês Edmund Hillary chegou aopico da montanha mais alta da Terra, milhares de expedicionários tentaram imitá-lo. Poucos conseguiram e quase todos contribuíram para transformar a legendária montanha num depósito de lixo.
Edmund Percival Hillary e seu guia sherpa, o nepalês Tenzing Norgay, tornaram-se os primeiros homens a atingir o pico do Monte Everest, a mais alta montanha da Terra, com 8 848 metros, na Cordilheira do Himalaia, na fronteira do Nepal com o Tibete (China). Desde então, algumas centenas de alpinistas sucederam-se na tentativa de atingir o pico mais alto do mundo, utilizando diferentes caminhos. Em 1978, Reinhold Messner e Peter Habeler foram os primeiros a chegar lá sem auxílio de bombas de oxigênio; em 1980, o mesmo Messner tornou-se o primeiro a subir sozinho. Mas pelo menos 130 montanhistas e 41 guias sherpas morreram em outras tentativas de domar a Rainha Mãe do Mundo — tradução literal do nome sherpa da montanha, Chomolungma.
A luta para chegar ao topo do Everest começou em 1920. Sete expedições subiram pelo lado noroeste, entre 1921 e 1938; outras três foram pelo lado sudeste. Todas fracassaram por causa do ar gelado e rarefeito, dos ventos fortes e das dificuldades do terreno. Em 1953, finalmente, uma expedição patrocinada pela Sociedade Geográfica Real e pelo Comitê Himalaio do Clube Alpino, duas entidades inglesas, chegou ao alto, graças ao uso de roupas e botas aquecidas, sistemas portáteis de oxigênio e aparelhos de rádio para comunicação. A expedição demarcou oito campos em sua rota, subindo até o Desfiladeiro do Sul, um enorme parapeito de pedra a 8 646 metros de altura. Dali, no dia 29 de maio, o neozelandês Edmund (dois meses mais tarde Sir Edmund) Percival Hillary e o sherpa Tenzing Norgay escalaram o Cume do Sudeste, passaram pelo Pico do Sul e chegaram ao alto do Everest .
Aos 33 anos, Hillary estava no auge de uma exemplar vida de aventureiro. Começou a praticar o montanhismo em seu próprio país, mas logo estava envolvido em expedições para levantamento da Cordilheira do Himalaia. Ajudou no reconhecimento do lado sul do Everest, antes de empreender a sua conquista, dois anos mais tarde. Tornou-se, a partir daí, um benemérito da região, onde ajudou a construir escolas, hospitais e aeroportos. Em 1955 transferiu seu interesse para a Antártida, tendo chegado ao Pólo Sul em 4 de janeiro de 1958. Em outra expedição, esta em 1967, praticou seu esporte predileto — o montanhismo — escalando pela primeira vez o gelado Monte Herschel, de modestos 3 600 metros. Tudo isso ficou elegantemente registrado em vários livros, o último dos quais uma autobiografia de 1975, que parecia ser o discreto anúncio da aposentadoria de um herói. Mas ainda haveria uma aventura final: em 1977, Hillary subiu o Rio Ganges, na Índia, até atingir suas nascentes na Cordilheira do Himalaia.
A cordilheira formou-se durante o período Miocênico, entre 26 e 7 milhões de anos atrás, pela compressão de suas bases sedimentárias, com a convergência do subcontinente indiano e o planalto tibetano. O Monte Everest apareceu bem mais tarde, durante o Pleistoceno, há 2,5 milhões de anos. A subida até o seu cume significa atravessar dois terços da atmosfera terrestre, chegando a uma altitude onde o ar é extremamente rarefeito, com muito pouco oxigênio. Isso torna ainda mais admirável o feito dos que conseguem fazer a subida sem o auxílio de equipamentos especiais: o guia sherpa Ang Rita, ainda em atividade — serviu até a uma expedição brasileira —, já praticou essa proeza sete vezes.
Mas outras dificuldades devem ser vencidas pelos montanhistas, entre elas os ventos fortíssimos e a temperatura muito baixa, sobretudo nas partes mais altas, onde não sobrevivem nem plantas, nem animais. A identificação dessa montanha como o ponto mais alto da Terra foi feita em 1852, pelo governo da Índia. Chamava-se Pico XV até 1865, quando o governador geral do país, o imodesto oficial inglês Sir George Everest rebatizou-o com o próprio nome. Sua altura exata foi objeto de muita discussão até 1955, quando se estabeleceu definitivamente que ela é de 8 848 metros.
Em média, 100 expedições aventuram-se todos os anos à conquista das 110 montanhas do Himalaia, na tentativa de chegar ao ponto culminante. Levam com elas, anualmente, de 3 a 5 toneladas de materiais diversos, que ficam pelo caminho, abandonados. A rota costuma estar tão congestionada que, em maio do ano passado, 55 montanhistas ficaram pacientemente estacionados no campo base uma semana inteira, à espera de sua vez de começar a subida. Estima-se que o caminho na montanha esteja coberto por 17 toneladas de lixo, acumuladas ano após ano.
Um inoportuno problema ecológico que o governo do Nepal enfrentou corajosamente: a partir de maio de 1993, somente 24 expedições serão autorizadas, cada ano, a tentar a escalada. Podem ter no máximo sete pessoas e deverão pagar 50 000 dólares pelo privilégio. O objetivo é espantar os amadores e, para piorar as regras, os expedicionários devem trazer de volta para Kathmandu todo o seu lixo — sacos plásticos, latas, garrafas de oxigênio etc. O único lixo que pode ser jogado no solo da montanha é o degradável: papel higiênico, comida e, conforme especifica a portaria ministerial, não sem uma ponta de humor negro, corpos humanos.

7616 – Medicina – Amargo Regresso


A escandalosa verdade é que os povos mais saudáveis, mais robustos e bem cuidados do planeta estão quase numa situação de índio — sucumbindo a reles ataques de gripe. Assim é com a tuberculose, que até 1985 vinha num entusiasmante declínio histórico nos Estados Unidos. Mas disparou a crescer, desde então, a ponto de o número de casos hoje ser 18% maior que oito anos atrás. Em Nova York, o aumento foi, nada menos, de 150%, cifra que explica perfeitamente o susto no World Trade Canter quando ainda em pé. A ordem aos fun-cionários veio depois da descoberta de que dois deles estavam com a doença. É até possível pensar que houve exagero, já que se tratava de apenas dois casos. O problema é que os nova-iorquinos atingidos são, normalmente, marginais ou moradores de bairros pobres, como o Harlem e o Bronx.
Entre as doenças citadas, num total de uma dezena, mais ou menos, estavam a febre amarela, a malária, a cólera, a candidíase, a gripe comum, a brasileiríssima dengue e a pouco conhecida febre púrpura, também de origem brasileira. Alguns dados relativos ao ano passado ajudam a entender melhor as estranhas tintas que borram o panorama da saúde pública nos Estados Unidos:
*Cerca de 2 milhões de pessoas contraem uma das “novas ” doenças, muitas delas em hospitais.
* Nada menos que 700 pacientes com malária deram entrada em hospitais. A maioria tinha visitado o Panamá, país que apresenta aproximadamente 1 000 novos casos da doença, a cada ano.
* Estima-se que entre 5% e 7% dos americanos tenham giardíase crônica, ou diarréia. O micróbio Giardia é comum também no México e no Caribe, próximos aos Estados Unidos.
* Vinte casos de cólera foram registrados nos Estados Unidos, no ano passado, seis dos quais em Nova York.
* Nesse período, foram registrados 508 casos de febre amarela e 614 de dengue.
Embora os números não pareçam alarmantes, é preciso lembrar que eles representam o regresso de doenças muito fáceis de controlar em qualquer país bem organizado, sem carência de recursos e em que a renda pessoal seja relativamente alta. Além disso, é instrutivo voltar à analogia com as populações indígenas. Elas são frágeis em face de doenças simples apenas porque nunca as tiveram, e assim não desenvolveram defesas orgânicas contra elas. Por incrível que pareça, algo semelhante acontece com a população dos países ricos — estão sendo atacadas, a rigor, por micróbios desconhecidos. Pessoas traquejadas pelos agentes infecciosos de antigamente podem, assim, ser pegos de surpresa por supermicróbios que se comportam de modo bem diferente. Isso acontece, em parte, porque bactérias, protozoários e vírus atuais são versões melhoradas dos seus ancestrais, e resistem aos medicamentos disponíveis.
Um dos motivos por que aparecem supermicróbios são os antibióticos. Estes forçam os microorganismos a mudar, justamente quando exterminam grande número deles: os que resistem podem depois proliferar sem a concorrência de seus iguais. Ou melhor: não tão iguais, pois de alguma forma sobreviveram aos antibióticos. O mecanismo é análogo à evolução das espécies e levam a agentes infecciosos cada vez mais aptos para enfrentar as armas que se têm contra eles. Talvez um bom exemplo seja a bactéria da cólera, responsável pela última grande ofensiva da doença, incluindo-se os 26 casos nos Estados Unidos. Batizada de vibrião El Tor, a nova bactéria não é semelhante ao vibrião clássico, causador de seis grandes epidemias planetárias, desde 1817.
Mas a campeã dos supermicróbios é mesmo a Mycobacterium tuberculosis. Há dez anos, apenas 6% de todas as variedades, ou cepas, desse microorganismo eram resistentes a qualquer remédio para a tuberculose. Hoje, mais de 30% das variedades encontradas em Nova York são resistentes a pelo menos uma droga. Quase 20% das variedades não podem ser combatidas pelos dois principais medicamentos em uso. Algumas variedades estão imunes a qualquer droga, informa a repórter Phyllida Brown, na revista inglesa New Scientist. Ela adverte que nada disso é uma fatalidade da natureza, como se vê por uma avaliação do presidente da Associação Americana para o Pulmão, Lee Reichman. “Tudo isso poderia ter sido evitado. Aconteceu porque não agimos e não temos um sistema de saúde pública adequado.”

De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica da Inglaterra e do País de Gales, a incidência de malária nessa região aumentou cerca de 28%, nos últimos dez anos. Os britânicos notam que os doentes costumam ser imigrantes indianos — e, na Índia, existem aproximadamente 5 milhões de casos de malária. Os imigrantes asiáticos, de modo geral, são as maiores vítimas de doenças infecciosas na Inglaterra. De acordo com André Dodin, aí pode estar uma das chaves que abrem as portas dos países ricos a micróbios alheios: estes pegam carona na quantidade crescente de pessoas que circulam pelo mundo moderno.
O próprio vibrião El Tor fez vítimas em terras francesas, e algumas delas eram estrangeiras. As estatísticas, certamente, tendem a corro- borar a tese de Dodin. Elas denunciam, por exemplo, que três em cada dez passageiros com destino a Paris vêm de países em desenvolvimento. Em média, essa proporção é a mesma das grandes cidades americanas. Como existem cerca de 500 000 casos de cólera no mundo inteiro, entende-se como é fácil para o vibrião viajar entre dois destinos quaisquer do planeta, seja por navio, automóvel ou avião.

7615 – Religião – A Renúncia do Papa


O Papa Bento XVI anunciou nesta segunda-feira (11-02) que vai renunciar a seu pontificado em 28 de fevereiro.
O Vaticano confirmou a notícia e afirmou que o papado vai ficar vago até que o sucessor seja escolhido.
Políticos, autoridades da Igreja Católica e arcebispos se manifestaram sobre a renúncia. Veja a seguir a repercussão do anúncio no Brasil e no mundo:
Presidente dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que vai orar por Bento XVI e desejou “sorte” aos encarregados de selecionar o sucessor. “A Igreja tem um papel decisivo para os Estados Unidos e o mundo”, afirmou.

Alemanha
A Alemanha expressa seu “respeito” e sua “gratidão” ao Papa. “Como um cristão e um católico, não posso deixar de me comover e ser tocado por isso”, afirmou o porta-voz do governo Steffen Seibert em entrevista coletiva.
Chanceler alemã
A chanceler da Alemanha, país natal do Papa, Angela Merkel, afirmou que “se o próprio Papa, após uma reflexão completa, chegou à conclusão de que não tem forças para continuar com seus deveres, então esta [decisão] tem meu máximo respeito”, afirmou.
Vaticano
“Nos pegou de surpresa”, afirmou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Segundo Lombardi, o Papa renuncia em total “conformidade” com a igreja, mas continua até 28 de fevereiro com “bateria total”. Segundo ele, o Papa tomou sua decisão com “grande coragem e determinação”, “consciente dos problemas que a igreja enfrenta atualmente”.
Esta é a primeira vez em quase seis séculos que um papa renuncia ao cargo. O último fazer isso foi Gregório 12, em 1415.
O papa disse em um comunicado que está “plenamente consciente da dimensão do seu gesto” e que renuncia do cargo por livre e espontânea vontade.
De acordo com o documento, um dos motivos da renúncia seria sua idade avançada. Bento 16 tem 85 anos e sofre de artrite, especialmente nos joelhos, quadris e tornozelo.
Joseph Ratzinger nasceu na Alemanha no dia 16 de abril de 1927 e é o pontífice número 265 da Igreja Católica e o sétimo Chefe de Estado do Vaticano.
O papa viria ao Brasil em julho para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro.
Um conclave será convocado para escolher o próximo pontífice. Até que um novo Papa seja escolhido, o posto ficará vago. Lombardi disse que o Vaticano espera escolher o substituto de Bento 16 até o final de março.
Durante o conclave, Bento 16 irá se mudar para a residência de Castel Gandolfo, ao sul de Roma. Após a escolha do novo Papa, ele deve ir para um convento.
Bento 16 foi eleito para suceder João Paulo II, um dos pontífices mais populares da história. Ele foi escolhido em 19 de abril de 2005, quando tinha 78 anos, 20 anos mais idoso que João Paulo II quando foi eleito.

Veja a carta na íntegra:
“Queridísimos irmãos,

Convoquei-os a este Consistório, não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.

Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino. Sou muito consciente que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também e em não menor grau sofrendo e rezando.

No entanto, no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado.

Por isso, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005, de modo que, desde 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro ficará vaga e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Queridísimos irmãos, lhes dou as graças de coração por todo o amor e o trabalho com que levastes junto a mim o peso de meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos.

Agora, confiamos à Igreja o cuidado de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista com sua materna bondade os Cardeais a escolherem o novo Sumo Pontífice. Quanto ao que diz respeito a mim, também no futuro, gostaria de servir de todo coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração.

Vaticano, 10 de fevereiro 2013.”

Nota oficial da CNBB
Igreja brasileira disse ser grata a Bento XVI e que “acolhe com amor filial as razões apresentadas”.

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7614 – Mega Byte – 2045: o ano em que os computadores assumirão o poder


Um computador vai escrever o melhor romance de todos os tempos em um segundo, resolver o maior mistério da ciência em um décimo de segundo e descobrir o sentido da vida, do universo e tudo o mais em menos tempo do que você leva para terminar este parágrafo. Muitos de nós provavelmente estarão vivos quando esse dia chegar. O problema é saber como será o dia seguinte…
Já faz 15 anos que o Deep Blue, um supercomputador da IBM, bateu Garry Kasparov, o grande trunfo do xadrez do time da humanidade. Na época, houve quem desse pouco crédito à inteligência daquela máquina pelo fato de o jogo ser altamente matemático – ciência para a qual os computadores têm aptidão mais do que natural.
Na prática, não haveria uma grande “inteligência” ali. Só uma calculadora grande. Os computadores, então, poderiam até ser geniais, mas nunca saberiam “pensar como um humano”. Hoje essa visão não faz mais sentido. O Watson, outro supercomputador da IBM, conseguiu vencer em 2011 os dois melhores jogadores humanos no Jeopardy, um game show da TV americana. Trata-se de um jogo de perguntas e respostas que exige dos participantes uma baita habilidade com linguagem. São questões do tipo “Esse objeto, mesmo quando quebra, está certo duas vezes por dia.
A sobrevivência dos seres humanos dependeu basicamente do desenvolvimento da capacidade de criar extensões dos nossos corpos – ferramentas – e ao mesmo tempo ter a chance de nos especializarmos no uso delas. Podemos, portanto, resumir o cérebro humano em duas qualidades básicas: capacidade de processamento (para imaginar a ferramenta certa) e plasticidade (para se adaptar ao uso da tal ferramenta).
Primeiro vamos falar da capacidade de processamento. Qual é o desempenho computacional dos nossos miolos? Pesquisadores da IBM fizeram essa conta e estimam que o cérebro é capaz de atingir 36,8 petaflops – ou 36,8 quatrilhões de operações por segundo. Isso equivale a mais ou menos 1 milhão de PCs trabalhando em conjunto.
Coordenar o trabalho de tantos chips ainda é algo impossível com a tecnologia de hoje. Mas os supercomputadores têm avançado um bocado. Em 2012, o Sequoia, da IBM, conseguiu atingir 16,32 petaflops – quase metade da capacidade humana. Ainda assim, ele não faz nada tão incrível quanto nós fazemos – coisas como pensar que estamos vivos. Por quê? Para responder a essa pergunta, entra a segunda qualidade básica da sua cabeça: a plasticidade.
Seu cérebro é altamente maleável, adaptável. Conforme o sistema nervoso vai se desenvolvendo, diversas regiões cerebrais vão assumindo diferentes responsabilidades. Sabe-se, por exemplo, que há áreas determinadas para o processamento da linguagem. Também há partes específicas do cérebro que controlam partes diferentes do corpo, como os pés e as mãos.
Mas o melhor de tudo é que dá para adaptar o cérebro conforme o uso. É a plasticidade que permite, por exemplo, que um sujeito se torne um grande pianista. As áreas do cérebro referentes às mãos se expandem enormemente em quem treina piano durante muitos anos. “Nosso cérebro é um sistema projetado para aprender, para se moldar na interação com o ambiente”, diz o psicólogo Steven Pinker, de Harvard, um dos maiores especialistas no funcionamento da massa cinzenta. Os melhores cérebros eletrônicos de hoje funcionam basicamente assim. Ou seja: eles conseguem aprender. “As técnicas que evoluíram no campo da inteligência artificial são similares às tecnicas que o cérebro usa”.
Conforme a plasticidade dos cérebros eletrônicos aumente, é possível que uma hora eles fiquem tão complexos quanto o cérebro que você carrega. Kurzweil, que é o maior arauto dessa tese, estima que as máquinas chegarão a uma inteligência equivalente à humana em 2029. Sim, exatamente 2029. Ele chegou a esse número com base em projeções matemáticas sobre a evolução da capacidade de processamento. Claro que a previsão é polêmica – para muitos pesquisadores, cravar o ano em que algo tão imprevisível e insólito deve surgir é loucura.
Uma máquina com tamanho poder seria tão fascinante quanto perigosa. Por um lado, ela seria capaz de coordenar e executar todas as atividades hoje atribuídas a nós, como escrever um grande romance ou unificar numa só teoria a física quântica (que rege o universo subatômico) e a relatividade (que dita as ordens no mundo das coisas grandes) – algo que Einstein morreu tentando fazer. Tudo isso em questão de segundos.
Se você não pode vencê-los, junte-se a eles. Esse ditado vai fazer mais sentido do que nunca num mundo com máquinas bilhões de vezes mais inteligentes do que nós: juntar-se a elas pode ser o futuro da humanidade.
Bom, provavelmente caberá à máquina decidir se você vai saber que vive numa simulação. Ela pode achar que é melhor você não saber de nada, e ir tocando a vida achando que tem um corpo, que respira, que vai morrer um dia… Se for assim, inclusive, a singularidade pode já ter acontecido. E nós estaríamos vivendo agora mesmo numa ilusão, numa “Matrix”. Tal hipótese, ao menos filosoficamente, não tem como ser refutada, já que não dá para imaginar o que uma inteligência superior é realmente capaz de fazer. Ou de já ter feito.

7613 – Neurociência – 100 Trilhões de Sinapses


Mapear a totalidade de sinapses em um cérebro é uma meta defensável como um passo importante na evolução da neurociência, mas não será fácil. Propostas para investigação do conectoma humano completo tem sido comparadas com o projeto genoma, mas basta olhar para os números para se dar conta de quão mais difícil será esse outro projeto.
Enquanto o genoma humano tem cerca de 3 bilhões de bases nitrogenadas (as “letras” do DNA), o cérebro possui 100 bilhões de neurônios. E enquanto uma célula humana abriga cerca de 20 mil genes, o número de sinapses em um cérebro é da ordem de 100 trilhões.
Em “Connectome”, Sebastian Seung mostra também como a tecnologia para mapear essas conexões ainda é extremamente lenta e trabalhosa quando comparada às modernas máquinas de sequenciamento de DNA, que hoje operam automaticamente após o preparo de amostras.
Para fazer um mapa em 3-D das conexões entre os neurônios, é preciso “fatiar” um cérebro em lâminas extremamente finas, de 30 nanômetros (30 milionésimos de milímetro). Depois é necessário fotografar uma a uma, com um microscópio eletrônico, e “empilhar” as imagens para reconstruir a forma tridimensional.
O biólogo Sydney Brenner fez isso tudo manualmente na década de 1960 para mapear o sistema nervoso completo verme C. Elegans. Sua equipe, porém, teve doze anos de trabalho para dar conta desse animal microscópico, que possui apenas 302 neurônios e 7.000 sinapses. Para reconstruir as sinapses de um único milímetro cúbico de cérebro humano usando o mesmo procedimento, seria preciso empregar 100 mil técnicos durante dez anos.
Sem avanços na automatização desse processo, ficou claro, jamais será possível mapear o conectoma humano. Mas já há ideias surgindo.
O volume de dados gerado pelo processo todo, por fim, é o aspecto mais desanimador. Para reconstruir digitalmente um único milímetro cúbico de sinapses, um computador precisa armazenar 1 petabyte de dados —algo equivalente a 1 bilhão de fotos. Multiplique isso por mil se você quiser mapear o conectoma de um camundongo, e multiplique por mil de novo para mapear um cérebro humano.
O mapeamento do conectoma de um mamífero, estima Seung, produziria dados a uma taxa maior que o LHC, acelerador de partículas gigante que realiza o maior experimento científico em andamento hoje.
A esperança do pesquisador e de outros cientistas do projeto, portanto, é que a taxa de avanços em processamento de dados continue evoluindo segundo a chamada Lei de Moore —que prevê que essa capacidade dobre a cada dois anos.
Num cenário otimista, então, Seung estima que será possível mapear o conectoma de um camundongo dentro de dez anos. Só no final deste século, se o avanço tecnológico ocorrer a uma taxa razoável, é que será possível reconstruir todas as sinapses de um cérebro humano.
Dado o desafio tecnológico que isso representa, é fácil cair em desânimo. O estágio atual da tecnologia e do conhecimento, porém, pelo menos já permitem estabelecer essa meta clara de avanço para a neurociência, algo que por si só tem sido difícil.

7612 – Planetas parecidos com a Terra estão mais perto do que se pensava


Astrônomos afirmaram que um planeta como esse pode estar a apenas 13 anos-luz de distância (ou 124 trilhões de quilômetros). Em escala galáctica, é logo ali.
Esse astro ainda não foi achado, mas deve estar por perto, segundo a análise dos cientistas a respeito de estrelas chamadas de anãs vermelhas e dos corpos que podem estar em órbita delas.
As anãs vermelhas são as estrelas mais comuns da nossa galáxia: há ao menos 75 bilhões delas.
A equipe do centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica estima que 6% das anãs vermelhas tenham planetas similares à Terra em sua órbita. Para ser classificado como similar ao nosso planeta, o astro deve ter mais ou menos o mesmo tamanho da Terra e receber tanta luz quanto nós captamos do Sol.
Essa alta taxa de ocorrência simplifica a procura por vida extraterrestre.
Mas esses planetas têm diferenças significativas em relação à Terra por causa das estrelas que eles orbitam.
Como as anãs vermelhas são muito menores que o Sol, os planetas precisariam ter uma órbita mais próxima delas para obter energia suficiente. Eles seriam rochosos como a Terra, segundo os astrônomos, mas diferentes tipos de atmosfera levariam a diferentes tipos de vida.
As anãs vermelhas também podem ser mais antigas que o nosso Sol, o que significa que seus planetas seriam mais velhos, e suas formas de vida, talvez, mais evoluídas.
Nosso Sistema Solar tem 4,5 bilhões de anos, enquanto que algumas anãs vermelhas são mais velhas, com 12 bilhões de anos. Um planeta em órbita de uma delas pode ter essa idade também.
Os novos achados são baseados em dados do telescópio espacial Kepler e serão publicados no “Astrophysical Journal”.