7607 – Whitney Houston ganha 4 estátuas de cera no Madame Tussauds


Ela merece...!!
Ela merece…!!

Quase um ano após sua morte, a cantora Whitney Houston é homenageada pelo museu Madame Tussauds. Quatro estátuas da cantora foram feitas e serão distribuidas pelas filiais de Nova York, Washington, Hollywood e Las Vegas.
É a primeira vez que o famoso museu de cera cria quatro estátuas diferentes para uma mesma pessoa.
No dia 11 de fevereiro de 2012, Houston foi encontrada morta em um quarto de hotel em Los Angeles.
A autópsia confirmou que a cantora morreu após se afogar na banheira do quarto, depois de consumir cocaína.
As estátuas representam quatro fases da vida de Whitney Houston.
A filial do museu de Washington fica com a estátua que representa o show de Houston no Superbowl, em 1991. Hollywood ganha a personagem da atriz em “O Guarda-Costas”, seu filme de maior sucesso.
Em Las Vegas, fica exposta a estátua em que Whitney está mais nova, quando lançou a música “I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me)”, de 1988. E Nova York recebe a estátua mais recente da cantora, de um ensaio fotográfico realizado em 2009.
A cunhada de Whitney, Pat Houston, falou sobre a homenagem em comunicado oficial:
“Foi uma honra quando o Madame Tussauds nos abordou em relação à criação de quatro figuras de cera de Whitney. […] É algo que esperamos que seus fãs apreciem.”

7606 – Biologia – Somos descendentes de um único ancestral


Apesar das diferenças de cor e traços, cientistas apostam na tese de que somos descendentes de um único ancestral, que há 100 mil anos deixou a África para colonizar o mundo.

Planeta dos micróbios
Por volta de 4 bilhões de anos atrás, a superfície da Terra era um inferno horroroso, assolado por centenas de vulcões ativos e bombardeado por grandes meteoros. Mas isso não impediu que os micróbios aparecessem. Segundo a hipótese mais aceita, eram seres infernais: habitavam fendas fumegantes, por onde jorrava vapor de água carregado de sais minerais. Alimentados pelo caldo forte e aquecidos pelo forno interior da Terra, aqueles seres não precisaram da energia do Sol para viver, ao contrário da grande maioria dos seus sucessores.
Bem recentemente, em 1977, foram descobertos micróbios subterrâneos bem parecidos — e bem vivos. São bactérias: os termófilos (se agüentam bem até 80°C) ou hipertermófilos (chegam aos 110°C). No final do ano passado, descobriu-se mais. Que a quantidade desses amigos do calor é tão grande que, em peso, pode ser maior do que a de todos os outros animais e plantas somados. A descoberta foi pura lenha na fogueira e inflamou ainda mais a hipótese de que nossos ancestrais biológicos ferviam. Os herdeiros encontrados seriam as provas candentes da existência dos antepassados.
Fundamental é achar um tronco para a árvore genealógica de todos os seres, dos insetos às baleias azuis, passando pelas famílias de cada um de nós. São conhecidos três grandes galhos: o das bactérias, o das arqueobactérias e o dos eucariotas. As duas primeiras são bastante semelhantes entre si. Seu organismo é uma célula pequena e sem órgãos internos, nem núcleo nem nada. Por isso, parecem primitivas.
Os eucariotas, o terceiro galho, seriam uma ramificação mais recente. Suas células, de fato, são maiores e têm diversos órgãos internos, como o núcleo — uma bolha de gordura onde os genes ficam guardados. Muitos eucariotas são unicelulares, como as algas, as amebas e os protozoários (um protozoário conhecido é o tripanossoma, causador do mal de Chagas). Mas há os eucariotas multicelulares. Você, é um eucariota. A minhoca também é, como todos os animais e plantas.
Foi a partir dessa árvore de três galhos que se chegou a hipótese do ancestral mais tórrido. Por sua simplicidade, as bactérias e arqueobactérias parecem ser as mais primitivas. Além do quê, são amigas do calor. Outro ponto a favor: os fósseis mais antigos já encontrados, com 3,5 bilhões de anos, têm os traços gerais das bactérias, enquanto os primeiros rastros dos eucariotas aparecem há apenas 2 bilhões de anos. Mas a tese pegou fogo mesmo quando passaram a surgir, recentemente, novas descobertas de termófilos e hipertermófilos (bactérias das altas temperaturas, de até 110 graus) habitando as profundezas da terra, muitas vezes embaixo do fundo dos oceanos.
Todos os meses, praticamente, surge um novo representante da escaldante fauna. Em 1994, o microbiologista ambiental Daniel Boone, do Oregon Graduate Institute, de Portland, Estados Unidos, encontrou montanhas de bactérias enterradas sob mais de 3 quilômetros de rochas. Uma delas, apropriadamente batizada Bacillus infernus, é inquilina das fendas de pedra a 60°C.
O planeta é dos micróbios. Eles estão na Terra há mais de 4 bilhões de anos; os humanos (Homo erectus) chegaram há 2 milhões de anos, se tanto. Uma idade duas mil vezes menor. Mesmo juntando todos os animais, dos menores vermes às baleias azuis, nenhum está aqui há mais de 500 milhões de anos, quase um décimo da idade dos micróbios. Numa árvore genealógica de todos os seres, o conjunto completo dos animais é um único ramo, e o conjunto das plantas ocupa mais um. São dois ramos num dos três galhos da árvore, o galho dos eucariotas. Todos os outros vinte ramos da árvore são propriedade dos micróbios.

7605 – Planeta Terra – Geóide X Elipsóide


Por muito tempo pensou-se que a Terra fosse um elipsóide. Mas se todas as montanhas e vales fossem aplainados, ainda assim teríamos uma superfície ondulada chamada geóide.
Na Antiguidade, acreditava-se que a Terra fosse um imenso plano, com bordas das quais se poderia cair. Com a evolução da Astronomia, passou-se a crer que o planeta fosse uma esfera. Até que se descobriu que ela era achatada nos pólos e bojuda no equador, como uma enorme abóbora, com evidente exagero. Nos últimos tempos, porém, os estudiosos da Geodésia – ciência que se ocupa de desvendar a forma e as dimensões do planeta – passaram a divulgar que a “abóbora”, ou elipsóide, como preferem, é toda enrugada. E agora eles contam com a ajuda dos chamados satélites passivos para entender melhor esse fenômeno. O mais novo rebento da pesquisa geodésica pelo espaço é o francês Stella, o mais moderno satélite passivo, a ser lançado num foguete da série Ariane. Ele deve confirmar que elipsóide não é a melhor definição para o perfil do planeta. Não que essa hipótese esteja errada. Só que a Terra não é uma “abóbora perfeita”, como se pensava.

7604 – Nutrição – Frutas do Brasil


Durante muito tempo, a polpa branca e doce do bacuri foi um sabor proibido para os índios caxinauás, da Amazônia. Na aldeia, um ser maligno, na forma de cabeça sem corpo, impedia que os nativos provassem o fruto. Um dia, no entanto, os índios se rebelaram contra a ordem. “Se ele gosta tanto assim, a fruta deve ser muito boa”, pensaram. Resolveram então quebrar o tabu e se banquetear com o quitute, enquanto a figura do mal, aborrecida, subia ao céu para nunca mais voltar: lá, se transformou na Lua. A ousadia dos caxinauás valeu a pena: ganharam a luz do luar para atenuar a escuridão noturna e descobriram o prazer do sabor de mais um fruto. Um prazer que ficou escondido de boa parte dos brasileiros nos últimos 500 anos.
Buriti, caraguatá, ingá, pequi são apenas alguns dos nomes de doçuras genuinamente brasileiras. que alimentavam lendas e estômagos indígenas desde antes da chegada dos portugueses e permaneceram escondidas pelo manto do regionalismo. Hoje, boa parte delas já está catalogada pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e convive lado a lado com frutas estrangeiras que, trazidas em sua maioria pelos invasores lusitanos, acabaram se tornando símbolos nacionais. O coco-da-baía, por exemplo, só chegou ao Brasil porque algum navegante decidiu tirá-lo de seu ambiente natural, nas ilhas do Oceano Índico. O mesmo ocorreu com a laranja, o limão e todas as cítricas, que trazem no passaporte o visto de naturalidade asiática, ou a graviola, a acerola e o abacate, originárias da América Central. E as surpresas não param aí: os fãs de Carmen Miranda podem ficar abismados, mas a banana, que enfeitava seus espalhafatosos chapéus e virou marca registrada da tropicalidade e de muitos regimes políticos, não nasceu no Brasil. Os especialistas acreditam que sua origem seja a Ásia, embora ninguém possa garantir com precisão. O certo é que ela não estava na paisagem quando Cabral aportou por aqui.
Ofuscadas pelo sucesso comercial das frutas trazidas de outros continentes, as brasileiras mantiveram-se sempre em segundo plano. Só não desapareceram por causa de sua íntima ligação com aquilo que, até algum tempo atrás, era uma espécie de terra de ninguém: florestas tropicais, cerrados e até a caatinga. “É o chamado endemismo. As frutas que se perpetuaram espontaneamente em um determinado ecossistema”, explica a pesquisadora Elizabete Lopes,. do Instituto de Botânica de São Paulo, que há sete anos se dedica a pesquisar nossas frutas.
O curioso desse abandono às frutas nativas é que elas não devem nada em sabor para estrangeiras como a banana a maçã ou a laranja. Ainda na fase de colonização, os bandeirantes paulistas já sabiam disso. Paravam a tropa assim que topavam com um bacuparizeiro, fácil de achar nas margens do Rio Tietê. Em 1600, o jesuíta e cronista português Simão de Vasconcelos esnobou a corte da metrópole ao escrever: “O bacupari não perde para nenhuma fruta que exista em Lisboa”. Mais recentemente, já no século XX, o escritor Guimarães Rosa — genial em observar a verdadeira linguagem popular brasileira — soube também descobrir uma delícia nacional a cabacinha-do-campo, de aparência muito semelhante à da pêra. Nos relatos de suas andanças pelas veredas do sertão, ele se refere não só ao gosto, mas insinua outras vantagens da frutinha: “Tomei o refresco de pêra-do-campo (…) e Nhorinha recebeu meu carinho no cetim do pêlo”.

Embora a maior parte desse tesouro que impressiona os cientistas e encanta o paladar esteja preservada nos campos e matas naturais, seu futuro não está assegurado. A expansão da fronteira agrícola na Amazônia e no Centro Oeste, assim como a destruição da Mata Atlântica no Sudeste, são uma ameaça constante para a existência de muitas espécies. Algumas já sucumbiram à presença humana, como a jabuticaba-branca. em outros tempos abundante na Mata Atlântica, principalmente junto ao litoral fluminense. Ela seguiu o mesmo destino de seu habitat: a devastação reduziu a mata a menos de 5% de sua área original e hoje pode-se contar nos dedos da mão o número de pés dessa fruta, antes tão comum na região.Esse tipo de troca da biodiversidade pelas monoculturas foi denunciado recentemente pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO). Segundo a entidade internacional, cerca de 40 000 espécies vegetais podem ser extintas no mundo nos próximos cinqüenta anos, devido à especialização do plantio. Só se planta aquilo que vende. Certamente foi isso que fez do maracujá, do caju e de outras brasileiras exceções no quadro do nosso exotismo: são todas daqui. mas, como caíram nas graças dos gulosos, tornaram-se vedetes.
Além de prejudicar a cadeia alimentar, o desaparecimento de frutas tão diferentes significa um desperdício.

7603 – Biologia – A Formiga


Embora temíveis elas não merecem a má fama que tem, pois são uma das forças dominantes do planeta e, em alguns casos tão inteligentes quanto as suas primas, as abelhas. Pesquisas recentes descobriram que as formigas são capazes de avaliar ângulos e, por meio deles, decidir qual é a menor rota até os alimentos.

Um Pouco +
Algumas vezes a preocupação das pessoas com os danos provocados pelas saúvas — rachaduras e buracos em leitos de estradas e em barragens, além de intensa retalhação das lavouras desemboca em filmes com a pretensão de horrorizar, como Formigas gigantes, de 1977, em que insetos radioativos se transformam em monstros enormes. Mas, felizmente, a inquietação com os estragos provocados por tais formigas também serviu de estímulo a estudos cuidadosos sobre as saúvas e sua eficiente organização social.
De fato, entre todos os insetos, as formigas são os mais evoluídos, dotadas de extraordinária capacidade de adaptação a qualquer ambiente, com estratégias de sobrevivência baseadas numa divisão de trabalho que deixaria embasbacado um administrador de empresas. Não é à toa que as formigas tenham sobrevivido, com poucas mudanças, a mais de 100 milhões de anos de vida como espécies. Os fósseis mais antigos, encontrados em âmbar, uma resina vegetal, no Mar Báltico no norte da Europa, provam que a sua atividade agrícola começou muito antes de o homem aparecer sobre a face do planeta. Entre as mais de 1 000 espécies existentes no Brasil, as saúvas, especificamente, podem ser encontradas em toda parte, supondo-se que existam algo como 3 bilhões de indivíduos (ou 23 para cada habitante) distribuídos em 300 milhões de colônias.
As cortadeiras, vulneráveis ao ataque de um tipo de mosca que se especializou em pôr ovos sobre seu abdômen, são obrigadas a pedir ajuda a operárias menores, que viajam de carona nas suas costas, afugentando o inseto ao agitar no ar o último par de patas. Enquanto algumas cortam, outras operárias carregam o que cai ao chão, erguendo pesos várias vezes superiores ao de seu próprio corpo. No caminho de casa, as transportadoras formam uma trilha de secreção de certos perfumes, guardada por colegas maiores, que chegam a atingir 17 milímetros. São as trilhas de feromônios, que indicam por meio de um código de cheiro a quantidade de alimento presente, a distância e o número de operárias que devem se dirigir para lá. Os odores que caracterizam o sauveiro servem, ainda, de identidade química aos guardas das várias entradas do ninho — os olheiros. Verdadeiros leões-de-chácara, eles não hesitam em matar uma saúva de outro formigueiro, portanto com cheiro diferente, que se aventure por uma das trilhas rumo ao interior do ninho. Formando um exército que pode chegar a 1 000 indivíduos num único formigueiro os guardas agem também como os burocratas da casa, controlando a entrada de material vegetal e o trabalho das operárias na formação de pontos de ventilação e na retirada de grãos de terra do interior.

7602 – Fome – Até quanto tempo alguém aguenta sem comer?


O organismo humano tem necessidade contínua de energia. Pode ficar até 2 meses sem alimento, porque, além de certo estágio, passa a se alimentar de si mesmo.
Nos três primeiros dias, a sensação é terrível. A vontade de comer, persistente e angustiante, alia-se ao aumento de saliva na boca, à secreção de sucos gástricos e roncos do aparelho digestivo. É sinal de que este recebeu o alerta geral do cérebro, informando que há falta de combustível nas artérias, e se coloca em estado de prontidão — totalmente inútil, pois não há o que digerir.
Por incrível que pareça, um indivíduo adulto e saudável pode ficar até dez ou vinte dias em completa abstinência de comida sem risco de sofrer danos irreversíveis — desde que beba água. É o que diz o anatomista Edson Liberti, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
Isso acontece, em primeiro lugar, porque o corpo sempre guarda alguma reserva energética — algo em torno de 6 000 calorias, o suficiente para três ou quatro dias em repouso e em circunstâncias normais.No caso de grande necessidade, diz Liberti, esse estoque pode durar bem mais de uma semana.
Em seguida, começa uma forma suave de canibalismo interno: o organismo consome suas próprias proteínas, obtidas à custa de “desmontar” tecidos e órgãos, para suprir a inadiável necessidade de energia. Trata-se de um recurso extremo, empregado apenas quando as perdas já ocorridas ameaçam parar a máquina viva. Afinal, após meros dez dias sem comer, um indivíduo emagrece na proporção de até 10% do total de seu peso, ou cerca de 7 quilos num homem de 70 quilos. Os batimentos cardíacos caem em taxa ainda maior — de 74 para 61 por minuto — e a própria temperatura do corpo pode oscilar de alguns décimos de grau.
Tais números aparecem num livro clássico, adotado há décadas em muitas escolas de Medicina — Fisiologia Humana, do cientista argentino Bernardo A. Houssay (1887-1971), ganhador do Prêmio Nobel de 1947. Ele lembra fatos curiosos — como o de que o organismo “desaprende” a gerar energia pela via costumeira do aparelho digestivo, e se receber comida, adoece. Há um aumento da quantidade de açúcar no sangue, apresentando pressão alta e sintomas semelhantes aos do diabete — como o de verter o açúcar glicose junto com a urina. Conta também que a fome intensa dos primeiros dias logo desaparece e é substituída por uma gradual debilitação física e mental.
Seja como for, num estágio mais avançado de privação alimentar, a pessoa certamente morrerá de indigestão se receber um farto prato de comida, porque suas vilosidades, ou reentrâncias da parede dos intestinos, já foram destruídas. Na Somália e no Sudão, as pessoas submetidas a prolongada insuficiência alimentar precisam passar por extenso tratamento médico antes que possam receber comida. Os técnicos da Organização das Nações Unidas recomendam grande cuidado ao se socorrer qualquer flagelado pela fome. É óbvio que a essa altura o corpo já não se encontra apenas debilitado, mas começa a sofrer conseqüências que podem ser irreversíveis.
Depois de no máximo quinze dias de jejum, as proteínas dos músculos passam a ser queimadas para gerar energia; a musculatura perde o relevo e se atrofia. E isso não vale apenas para os músculos estriados, ou voluntários (os responsáveis pelos movimentos externos do corpo): também podem ficar comprometidos alguns músculos involuntários, como os existentes nas paredes do estômago, veias e outras vísceras. Entre os somalis, muitos já não têm as contrações do aparelho digestivo e há exemplos de vasos dilatados, o que provoca problemas cardíacos. Em animais com dois meses de jejum, verifica-se degeneração das fibras do coração. O pulmão e o cérebro são outros órgãos prejudicados.
É espantoso, portanto, que muitos homens passem trinta ou cinqüenta dias ingerindo apenas água.
Num organismo sem alimentos, o intestino não fornece ao fígado matéria-prima para produzir a glicose, mas a concentracão de açúcar no sangue não chega a cair devido ao contra-ataque acionado pelas células glico-receptoras. No edifício, seria a hora em que a bomba de água começa a funcionar. No corpo humano, o fígado entra em hiperatividade e passa a gastar suas reservas. Não é à toa que existe tão complicado sistema de controle e de alarme para garantir o suprimento de energia. É que ela é absolutamente essencial — a ponto de o corpo se autodestruir para evitar sua falta. Proteínas e vitaminas também são importantes, e sua carência, a longo prazo, cria distorções terríveis, como atrofia muscular, cegueira e outros males. Mesmo assim, o organismo corre o risco, apenas porque não pode parar sequer por um momento.
Basta pensar no coração, um músculo fortíssimo, que mantém sob pressão constante algo como 5 litros de sangue. Quando se reflete um pouco, percebe-se quanto movimento existe num organismo, mesmo quando todas as suas partes externas estão imóveis. O pulmão precisa bombear oxigênio e gás carbônico sem cessar; os intestinos e o estômago realizam contrações complexas; o suor é outra óbvia fonte de movimento, pois representa água quente bombeada para fora, através da pele, de modo a manter constante a temperatura. É claro que, se uma pessoa se alimenta mal, todas essas funções ficam potencialmente prejudicadas. Mas tudo se faz para que não cessem, porque isso seria o fim.

7601 – Neandertais podem ter se extinguido antes de encontrar humanos


Teorias sobre quando os últimos neandertais caminharam pela Terra terão que ser revistas, de acordo com um estudo que sugere que eles se extinguiram em seu último refúgio na Espanha muito mais cedo do que se pensava anteriormente.
A datação anterior de fósseis de ossos encontrados em sítios de neandertais da região apontava para cerca de 35.000 anos.
Mas pesquisadores da Austrália e Europa reexaminaram os ossos usando um método melhor para filtrar a contaminação presente nos fósseis e concluiu que os restos mortais mais recentes são de cerca de 50.000 anos atrás.
Se for verdade, o estudo põe em dúvida a ideia de que os seres humanos modernos e neandertais coexistiram –e possivelmente até mesmo se cruzaram– por milênios, porque não se acredita que os seres humanos se instalaram na região antes de 42.000 anos atrás.
O estudo, que foi publicado hoje (4-02-2013) pela revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”, não exclui completamente a possibilidade de que os neandertais tenham sobrevivido até 35.000 anos atrás.
O problema é que o clima quente na península Ibérica rapidamente degrada uma proteína-chave usada na chamada datação de radiocarbono.
Os pesquisadores não foram capazes de testar dois dos 11 ossos de fósseis conhecidos de sítios de neandertais na Espanha.
As amostras foram submetidas a um novo método denominado “ultrafiltração”. Isso remove as moléculas de carbono mais recentes que contaminaram os ossos e os fazem parecer mais jovem do que realmente são.
Tais técnicas de filtração muitas vezes levam a datas mais antigas de radiocarbono, disse Chris Stringer, pesquisador sênior no Museu de História Natural do Reino Unido. “A ciência progride e a tecnologia também”, ele disse.
Stringer, que não estava envolvido no estudo, disse que as novas técnicas devem agora ser aplicadas a outros sítios arqueológicos na Espanha.
Há também a chance de que os neandertais sobreviveram mais tempo em outros lugares da Europa, disse Rachel E. Wood da Universidade Nacional da Austrália em Canberra, co-autora do estudo.