7522 – Planeta Verde – Tendências Verdes


Planeta Verde

Recordistas do algodão
Muitas vezes envoltas em polêmicas sobre péssimas condições de trabalho, Zara, C&A, Nike e H&M estão no topo do ranking do uso de algodão orgânico em seus produtos. A lista, no entanto, leva em conta a quantidade absoluta de material. Logo, como são marcas gigantes, a proporção de algodão orgânico em suas roupas ainda é tímida.

As quatro maiores consumidoras de algodão orgânico
1º – H&M: 7,6%
2º – C&A: 13%
3º – Nike: 5%
4º – Zara: 0,22%

Os presidentes mais verdes
Theodore Roosevelt (1901-1909) iniciou uma série de programas de preservação e criou parques nacionais famosos. Por isso, teve mais pontos.

Barack Obama foi reeleito e deixou os ambientalistas felizes. Mas ele ainda precisa correr para ser o presidente mais sustentável da história dos Estados Unidos. Pelo menos de acordo com essa pesquisa, em que 12 ONGs deram pontos aos presidentes do país. Será que ele reverterá o quadro?
T. Roosevelt – 28 (CAMPEÃO)
Nixon – 15
Carter – 13
Obama – 7
Jefferson – 3
Ford – 2
Clinton – 1

Torres de alga
Dois arquitetos apresentaram um projeto que filtra o ar externo e ajuda a despoluir a movimentada avenida onde ficariam os prédios, em Chicago. O sistema de filtragem de ar tem algas que capturam o gás carbônico do ar e ainda gera combustível para carros. No entanto, não há planos de tirar as CO2ngress Gateway Towers da planta.

Compostagem na cozinha
Que tal usar restos de comida, que normalmente vão para o lixo, para fazer compostagem, alimentar suas plantas e – o melhor dos mundos – sem sujar a casa? É a premissa do Re-feed, espécie de eletrodoméstico da compostagem. Basta acoplá-lo ao vaso. O problema, segundo os próprios criadores, é que o mau cheiro ainda é um problema. As plantas agradecem, mas a varanda pode feder um pouco.

7521 – Tecnologia e Consumo – A explosão de consumo da nuvem digital


Desde que virou um dos mantras sustentáveis mais comuns do mundo, empresas e pessoas passaram a migrar arquivos de papel, fotos e tantos outros registros para CDs, DVDs, HDs etc. Parte do problema estaria resolvida, que beleza – mesmo que essas mídias, é claro, também ocupassem cada vez mais espaço em armários, gavetas e prateleiras.
Para que gravar seus arquivos em um DVD facilmente riscável cuja vida útil é de alguns anos? É tão melhor simplesmente salvar textos, fotos, vídeos etc. em um serviço externo, podendo acessar a qualquer momento, de qualquer dispositivo com acesso à internet.
E isso sem ocupar espaço na memória do seu computador. Eis a nuvem. Enfim estávamos livres de uma vez por todas da poluição causada por toneladas de papéis impressos, de toda aquela tinta, de embalagens desnecessárias e do espaço ocupado por discos rígidos e DVDs. Não poluiríamos mais. Só que não. A nuvem pode ser uma mágica eficiente e incrível, mas ela não brota do nada. Para fazê-la acontecer, é preciso outra tecnologia, também muitas vezes comparada à magia há alguns séculos: a eletricidade. E a eletricidade que alimenta a nuvem vem, na maior parte, da queima de carvão. A nuvem polui. E muito.
Cada vez que você posta uma foto no Facebook ou assiste a um vídeo no YouTube, no celular, no tablet ou no computador, todo um sistema de plataformas eletrônicas, conhecidas como data centers, é acionado. Essa infraestrutura é formada por dezenas de fileiras recheadas por servidores, que são sistemas de computação centralizadores que fornecem informações a laptops, tablets e celulares. Eles fazem, basicamente, a nuvem funcionar. E ela, é claro, não para nunca. Seu consumo de energia idem. Em 2010, um estudo do Greenpeace estimou que essa demanda era de 623 bilhões de kWh. Os mais de 2 bilhões de pessoas na internet consomem mais energia do que grandes países inteiros, como Brasil, Índia e Alemanha. E isso deve aumentar.
De acordo com uma pesquisa da empresa de consultoria McKinsey & Company, a maior parte dos centros de dados tradicionais emprega apenas de 6 a 12% dessa energia no processamento de dados. Todo o restante serve para manter o sistema de sobreaviso para atender a picos de acessos e evitar interrupções no fluxo de dados. Em suma, para que sites de notícia não deem pau durante as eleições americanas, por exemplo, há um gasto brutal de energia. E a maior questão é que 45% da matriz energética dos Estados Unidos, lar da maior parte dos mais de 30 milhões de data centers do mundo, vem do carvão mineral queimado em usinas termelétricas, que emitem gás carbônico e contribuem para as mudanças climáticas causadas pelo efeito estufa. Mas há uma boa notícia: a internet pode continuar funcionando (e crescendo) com menos poluição.

Se a internet é suja, a maior parte da culpa é das gigantes do setor que usam fontes de energia não renovável. Microsoft, Amazon, Twitter e HP, entre outras empresas de tecnologia, costumam ter notas negativas no relatório Quão Limpa é sua Nuvem?, feito pelo Greenpeace e um dos principais avaliadores de práticas sustentáveis de empresas de tecnologia. A pressão feita pela ong e outras instituições já está surtindo efeito. Cobrados, Google e Facebook já deram sinais de um uso mais responsável de energia. Depois de ser tido como mau exemplo pela falta de transparência, o Facebook passou a abrir parte de seus dados. De acordo com números da rede social, o consumo de energia de seus data centers em 2011 foi de cerca de 509 milhões de kWh, o equivalente ao de pequenos países inteiros, como Maldivas. Já o Google é maior. Estima-se que ele tenha 40 data centers, enquanto o Facebook usa menos de 15 – os números não são exatos, pois os dados a respeito são cercados de mistério. Em 2010, o Google consumiu 2 billhões de kWh, mais que todas as 700 ilhas das Bahamas.

Em 2011, o Google, valendo-se de antigos túneis construídos por uma fábrica de papel, inaugurou um data center no litoral da Finlândia. As máquinas usam a própria água do mar para controlar a refrigeração de suas máquinas, antes de devolvê-la em uma temperatura que não danifique o ecossistema.
á o Facebook inaugurou, em 2011, um centro de dados que dispensa o ar condicionado convencional, até então uma necessidade de qualquer data center (eles normalmente são mantidos a 14ºC, para evitar superaquecimento).As máquinas filtram o próprio ar disponível no entorno da fábrica para esfriar os equipamentos e, assim, tornam a operação 24% mais eficiente. O Facebook planeja inaugurar, em 2014, um megacentro de dados europeus em Lulea, na Suécia, a cerca de 100 quilômetros do Círculo Polar Ártico. A estrutura vai usar o clima da região para manter a temperatura e a umidade adequadas às operações.
As melhores maneiras de lidar com esse panorama são mesmo aumentar a eficiência, adotar fontes de energia renováveis, equalizar gastos de água e dispensar geradores e backups movidos a diesel para diminuir as emissões de gás carbônico. A outra opção, nada viável, seria deixar de lado os avanços tecnológicos que a nuvem propicia. Alguém aí está a fim de ficar sem suas centenas de fotos no Facebook?

Lixo Digital
O uso crescente de e-mail e redes sociais para armazenar arquivos às vezes é visto como vilão no debate sobre o consumo de energia dos data centers. Mas, antes de apagar seus blogs, álbuns de fotos e perfis online, saiba que não é bem assim. “A noção de que é preciso apagar fotos ou perfis desatualizados é pura perda de tempo. Primeiro porque tais informações raramente são realmente deletadas dos bancos de dados – elas permanecem armazenadas com uma bandeira indicando que foram apagadas”.Depois, porque vivemos em um mundo de abundância. A quantidade de dados trafegando pela internet é tão inimaginavelmente grande que o ato de apagar seu ‘lixo digital’ se compara com um átomo de uma gota d’água no oceano.

Maiores consumidores de energia elétrica (em bilhões de kwh)

EUA – 3 923
China – 3 438
Rússia – 1 023
Japão – 925
Nuvem – 623
Brasil – 404

– 120 Wh por mês é quanto um usuário comum do Google consome. Isso equivale a uma lâmpada de 60 W ligada por 3 horas. Parece pouco, mas em se tratando do maior site do mundo, com mais de 1 bilhão de buscas por dia, o consumo total é de 2 bilhões de kWh por ano, o mesmo que Rondônia.

– O Facebook diz que um usuário do site gasta em um ano energia suficiente para esquentar uma xícara de café. Soa ridículo. Mas a rede social tem mais de 1 bilhão de usuários e consome quase um Acre de energia: 509 milhões de kWh

– E a nuvem vai crescer. O tráfego quadruplicará em cinco anos. 6,6 zettabyte, ou 6,6 trilhões de gigabytes, é o equivalente a toda a população do mundo em 2016 (7,5 bilhões de pessoas) vendo 2,5 horas de vídeo em HD na internet todos os dias do ano.

7520 – Medicina – Máquinas Revolucionárias


Experiência sensorial
Você provavelmente nunca fez uma ressonância magnética (MRI). É aquele exame em que a pessoa se deita numa maca e sua cabeça entra num círculo gigante. A cena aparece bastante nos filmes – em que o exame sempre é rapidinho e tranquilo. Na vida real, não é assim. Ressonância é um dos exames mais desagradáveis que existem. Você fica até 45 minutos completamente imóvel, preso dentro de um túnel muito apertado, com uma máscara sobre o rosto. Mas e se pudesse esquecer aquilo tudo e pensar em algo agradável? Essa é a ideia do Ambient Experience, um sistema que tenta recriar virtualmente ambientes como praia, floresta e fundo do mar – cujas imagens e cores são projetadas nas paredes da sala de exame. A tecnologia, criada pela empresa holandesa Philips, é usada principalmente com crianças.

A cadeira que lê o cérebro
Nos últimos 20 anos, a neurociência fez bastante progresso. Hoje os cientistas sabem dizer quais regiões do cérebro estão relacionadas a cada aspecto do comportamento humano, como medo e afeto, por exemplo. Sabe como eles fazem isso? Colocando um voluntário deitado numa máquina de ressonância magnética, como aquela do texto anterior, que consegue medir a movimentação do sangue dentro do corpo enquanto a pessoa pensa (e é induzida pelos cientistas a sentir coisas como medo ou afeto). A máquina mede quais áreas cerebrais estão recebendo mais sangue – e, portanto, estão mais ativas. Grande parte da neurociência moderna se limita a isso: olhar o vai-e-vem do sangue.

Mas já existe uma tecnologia que permite ir além, penetrar mais fundo no cérebro e enxergar o que os neurônios propriamente ditos estão fazendo. Ela se chama magnetoencefalograma (MEG), e foi proposta pela primeira vez no final da década de 1960. Em vez de medir o fluxo de sangue, a ideia aqui é detectar os campos magnéticos que o cérebro emite, e com isso calcular em tempo real as descargas elétricas que estão sendo disparadas pelos neurônios. Ou seja: com o MEG, o médico consegue ver exatamente quais neurônios estão conversando. Quando você abre a boca para emitir uma frase, por exemplo, a máquina traça e apresenta o caminho que aquele pensamento fez. É uma ferramenta incrível para estudar o cérebro – e também algumas de suas doenças, como Alzheimer, autismo ou epilepsia. Levou tempo até que o MEG se tornasse viável (as máquinas eram caras e imprecisas demais), mas hoje elas já são realidade. O principal aparelho do tipo se chama Neuromag, e é fabricado pela empresa sueca Elekta. Ele custa aproximadamente US$ 5,3 milhões, e existem 72 unidades instaladas pelo mundo (por enquanto, nenhuma no Brasil).

Câncer de pulmão é o tipo mais comum de câncer: mata 1,38 milhão de pessoas por ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Isso acontece porque muita gente ainda fuma (o tabaco é responsável pela esmagadora maioria dos casos), e também porque a doença raramente é diagnosticada a tempo. Em 85% dos pacientes, ela só é detectada quando o tumor já se espalhou para outros órgãos. Uma novidade promete ajudar a mudar esse quadro. É a Metabolomx, uma máquina que detecta o câncer de pulmão a partir da respiração da pessoa. O paciente vai em jejum para o exame, que consiste em respirar normalmente numa mangueira. O ar que ele exalou é analisado pela máquina em busca de certos tipos de compostos orgânicos voláteis (VOC), um tipo de substância produzida pelo organismo quando há determinadas doenças. Se certos VOCs estiverem presentes, é porque há câncer. A tecnologia foi criada pelo cientista Kenneth Suslick, da Universidade de Illinois, que se baseou num fato curioso e surpreendente: um estudo realizado em 2011 por cientistas alemães mostrou que cães treinados são capazes de detectar câncer de pulmão com 71% de acerto. Isso acontece porque os cachorros, dotados de olfato extremamente apurado, sentem os VOCs que o paciente expira.
Além de câncer de pulmão, o aparelho também é capaz de detectar câncer de cólon, tuberculose e alguns tipos de infecção. A Metabolomx ainda está aguardando aprovação da Food and Drug Administration (órgão do governo americano que regulamenta o setor médico).

Cardiologia
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, e têm nomes familiares – aterosclerose, arritmia, infarto. Mas também existe outra, que você provavelmente não conhece: a estenose aórtica. É um problema na válvula aórtica, que controla o fluxo de sangue no lado esquerdo do coração. É grave e é comum: só nos EUA, 1,5 milhão de pessoas tem. Nos casos mais sérios, a única saída é abrir o coração e trocar a válvula por uma artificial – ou a pessoa morre em no máximo dois anos. Mas essa cirurgia é muito agressiva, e 70% dos pacientes são velhos (e frágeis) demais para sobreviver a ela.
A solução proposta é colocar uma válvula artificial dentro de um cateter (um tubo fino e longo), que é introduzido por uma artéria da perna ou por um pequeno corte entre as costelas. Os médicos guiam esse tubo por dentro do corpo, com a ajuda de imagens de ultrassom e radioscopia (um raio-x contínuo), até chegar ao coração. Dentro do coração. Quando isso acontece, a peça é inflada – e se encaixa no lugar da válvula danificada. Uma cirurgia cardíaca delicadíssima, sem precisar abrir o peito do paciente. A válvula é feita de metal e pericárdio bovino (tecido extraído do coração de boi), e mede 23 milímetros de diâmetro. Ela é fabricada pelas empresas CoreValve e Edwards Sapien (já aprovada pela FDA), e aumenta em 40% as chances de sobrevivência.
A pessoa evita uma cirurgia de alto risco e prolonga sua vida. Em compensação, a válvula traz um pequeno risco de derrame (13%), e custa caro: só a peça, sem contar as despesas de hospital, sai por US$ 30 mil. No Brasil, os testes com ela tiveram início em 2011, e já existem estudos para fabricá-la por aqui, o que reduziria o custo em 30%. No exterior, a válvula já está sendo usada em operações no lado direito do coração.

Câncer
O Large Hadron Collider (LHC), um túnel de 27 quilômetros na fronteira entre a França e a Suíça, é o maior acelerador de partículas do mundo. Nele, prótons são acelerados a 99,9999991% da velocidade da luz e se chocam uns contra os outros. O objetivo é quebrá-los em partículas subatômicas e estudar essas partículas. O acelerador de partículas é a grande ferramenta dos físicos para desvendar os segredos da matéria e do Universo. E também a nova arma dos médicos para tratar o câncer.

O Centro de Terapia com Raios Iônicos fica em Heidelberg, na Alemanha, e é um conjunto de prédios construídos em torno de uma máquina gigantesca. Ela se chama Iontris, foi criada pela empresa alemã Siemens, e pesa 670 toneladas – mais do que o Airbus A380, maior avião de passageiros do mundo. É um acelerador de partículas, como o LHC. A diferença é que, em vez acelerar prótons, acelera íons de carbono, e a uma velocidade ligeiramente menor: “apenas” 75% da velocidade da luz, ou 225 mil quilômetros por segundo. E essas partículas não são arremessadas umas contra as outras. Elas são disparadas contra o tumor que está dentro do corpo de uma pessoa.
A vantagem é que o feixe disparado pela máquina é incrivelmente potente, e incrivelmente preciso – atinge apenas o tumor, sem danificar as células que estão em volta. “Quinze minutos depois da sessão, o paciente consegue levantar e tomar um café”.
Por isso, a Iontris é indicada para tratar os tipos mais delicados de câncer, como no cérebro. A empresa diz que em seis meses, depois de dez ou 20 sessões, a máquina é capaz de eliminar a maior parte dos tumores. Apesar disso, o sistema é um fracasso comercial. A Siemens investiu US$ 1 bilhão para desenvolver a tecnologia e construir duas máquinas (a de Heidelberg e outra em Xangai, na China), mas teve US$ 521 milhões de prejuízo – e recentemente cancelou duas Iontris que seriam montadas na Alemanha.

Inteligência Artificial
O supercomputador Watson está sendo preparado para ser o primeiro médico artificial do mundo. Watson foi criado pela divisão de pesquisa da IBM, e no ano passado venceu o programa Jeopardy, um game show de perguntas e respostas da televisão americana. Pode parecer bobagem, mas é um feito impressionante. Watson mostrou que era capaz de entender e responder perguntas enunciadas em inglês (não em linguagem de computador) e bastante capciosas, que são a marca do programa. Exemplo: “Um parente deste inventor o descreveu como um moleque que passa horas olhando o chá ferver. Quem é o inventor?” Resposta: James Watt. O supercomputador consegue responder essas coisas porque armazena uma quantidade incrível de dados na memória, e é capaz de raciocinar com inteligência usando esse conhecimento. Agora, a IBM pretende ensiná-lo a fazer diagnósticos. Ele será programado com todas as informações sobre doenças (sintomas, tratamentos, estudos científicos), receberá informações sobre o paciente (“paciente X sente falta de ar e dores”, por exemplo) e irá cruzar as duas coisas para dar um veredicto: “falta de ar e dor nos ossos podem ser sinais de leucemia”, por exemplo. Enquanto faz o cruzamento, Watson analisa qual a probabilidade de acertar – se for menos de 50%, ele não se arrisca a responder. A tarefa de ensinar o computador é árdua, pois uma quantidade enorme de informações médicas terá de ser programada na memória dele. A IBM espera que o processo leve no máximo dez anos.