7494 – Acidente Ecológico – Derramamento de Óleo


O petroleiro grego Prestige derramou cerca de 77 mil toneladas de óleo na costa da Espanha, trouxe o assunto novamente às primeiras páginas da imprensa internacional.
Porém, esse não é um caso isolado: os acidentes com navios transportando petróleo têm se repetido e provavelmente vão continuar acontecendo. O Instituto Worldwatch, uma das mais respeitadas instituições de diagnóstico ambiental do planeta, estima que desde o naufrágio do Exxon Valdez, em 1989 – o maior ocorrido em toda a história , já foram derramadas mais 1,1 milhão de toneladas de óleo nos mares. Ou 30 vezes o que o Valdez derramou.
As embarcações são dotadas de um casco interno e outro externo. Caso haja uma colisão com recifes, por exemplo, o dano ficaria limitado ao casco externo, preservando-se o interno, que contém o petróleo.
Hoje, a frota de petroleiros no mundo soma 7 320 navios. Desses, 5 243 têm cascos simples e apenas 2 077 apresentam casco duplo. Os Estados Unidos proibiram, em 1989, o acesso de petroleiros de casco simples a seus portos. Agora, com o caso do Prestige, a União Européia também deve adotar regulamentação semelhante.
Mas regras e acordos parecem não estar funcionando. Desde 1948, quando foi criada a Organização Marítima Internacional, mais de 40 convenções e tratados internacionais foram assinadas. Entre eles, há acordos para o reforço dos cascos e a revisão de rotas que se aproximem de hábitats mais sensíveis.
A fiscalização continua sendo um problema. Em parte, causado pelas bandeiras de aluguel. Os navios destinados ao transporte de alto risco em sua maioria são registrados na Libéria, Bahamas, Malta e Panamá, países onde as regras sobre acidentes marinhos são frouxas e os governos não cumprem os tratados internacionais. Eles representam grande parte da frota mundial e têm clientes garantidos, pois oferecem fretes mais baratos.
solução radical: a substituição do petróleo por outras fontes de energia, renováveis. O problema é que, hoje em dia, essas fontes são consideradas muito caras. “O custo do petróleo não inclui o custo ambiental de acidentes como o da Galícia. Se incluísse, chegaríamos à conclusão de que energias renováveis são, na verdade, mais baratas”, diz Marcelo do Greenpeace.

Grandes acidentes e os danos que causaram
Galícia, 2002
Prestige 77 mil toneladas de óleo
O óleo atingiu as praias da Galícia, na Espanha, e ilhas do oceano Atlântico
Ainda não se contabilizaram os efeitos da tragédia, que se estende por dezenas de quilômetros da costa espanhola. Estima-se que mais de 50 mil aves já morreram por causa do desastre
O óleo não foi retirado do navio antes de afundar; foram feitas tentativas de bloquear o óleo, com material absorvente, antes que chegasse às praias; equipes trabalham na limpeza das praias e no resgate de animais.

África do Sul, 2002
Jolly Rubino 1,3 mil tonelada de petróleo
Após um incêndio, o vazamento atingiu uma reserva natural considerada patrimônio da humanidade pela ONU
O navio foi rebocado para o alto-mar e grande parte do óleo foi salvo a tempo
O óleo atingiu o estuário que liga ao principal lago do parque St. Lucia Wetlands. O diretor de conservação do parque, Richard Penn Sawers, diz que os efeitos ambientais do vazamento ainda são incertos.

Equador, 2001
Jessica 700 mil litros de combustível
O arquipélago de Galápagos é patrimônio natural da humanidade da Unesco e tem dezenas de espécies que só vivem ali. Mais de 60% da população de iguanas foi morta, em algumas ilhas.
Parte do óleo foi retirada do navio antes de afundar; foi usado material absorvente para recolher o óleo do mar; foram resgatados animais em situação de risco e uma grande operação de limpeza das praias
Não há estimativas de recuperação.

LOCAL E DATA – Alasca, 1989
Exxon Valdez 50 mil toneladas óleo (ou 40 milhões de litros)
O óleo atingiu áreas virgens e biologicamente ricas, matando milhares de espécies de animais, peixes e vegetais
Foram mobilizados milhares de homens para a limpeza das praias, mas há sinais de que alguns métodos usados, como a lavagem das praias com água quente, também são prejudiciais ao ecossistema
13 anos após o acidente ainda há sinais de óleo em algumas praias e parte do produto se depositou subterraneamente; as espécies atingidas ainda não recuperaram sua população original.

exxon valdez

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