7395 – São Paulo – Franca, a cidade dos calçados


Vista aérea da cidade
Vista aérea da cidade

Município brasileiro no interior do estado de São Paulo, sede da microrregião de Franca (14ª Região Administrativa de São Paulo) e a 74ª maior cidade brasileira. Localiza-se a 20º32’19” de latitude sul e 47º24’03” de longitude oeste, distante 401 km da capital estadual e a 676 km de Brasília. Possui uma área de 607,333 km², dos quais 84,571 km² estão em zona urbana, e sua população estimada em 2012 é de 323.307 habitantes. É conhecida em todo Brasil como A Capital Nacional do Calçado Masculino.
A história da região denominada Sertão do Capim Mimoso próxima aos Rio Pardo e rio Sapucaí tem início com os bandeirantes: a partir da bandeira do Anhanguera (o filho), em 1722, que construiu o “Caminho de Goiás”, ou “Estrada dos Goiases” que ligava a cidade de São Paulo até as minas de ouro de Goiás, que naquela época pertencia à Capitania de São Paulo.
Começam a surgir, a partir de então, os famosos “pousos” de tropeiros, locais onde os paulistas paravam para descansar – eles e os animais de carga -, durante as viagens que faziam em sua busca pelo ouro no interior do Brasil. O pouso que deu origem à cidade de Franca era conhecida, na época, pelos bandeirantes, por “Pouso dos Bagres”.
O território original da Freguesia da Franca, que fora desmembrado da Vila de Mogi Mirim, abrangia a região de Batatais e estendia-se até Igarapava e Guaíra e era muito extenso. Foi, porém, bastante reduzido com a criação de novos municípios: Batatais em 1839, Igarapava em 1873, Ituverava e Patrocínio Paulista em 1875, São José da Bela Vista em 1948, Cristais Paulista em 1959, Restinga, Jeriquara e Ribeirão Corrente em 1964.
Pela lei provincial nº 21, de 24 de abril de 1856, Franca é elevada à categoria de município e cidade.
Na década de 1830, francanos, especialmente das famílias Garcia Leal, Correia Neves e da família Souza, iniciaram a povoação da região de Santana do Paranaíba no atual Mato Grosso do Sul.
O município recebeu muitos imigrantes. Com a expansão do café para o Oeste Paulista vêm os imigrantes, sobretudo italianos. A partir destes imigrantes, monta-se a primeira indústria da cidade, calçadista, que desenvolve-se principalmente a partir da década de 1920.
Franca participou da Guerra do Paraguai com os Voluntários da Franca e com o famoso Guia Lopes.
Na década de 1890, Franca passa a ser servida pela Estrada de Ferro Mogiana, mas, no início do século XX, o ramal de Franca foi abandonado e os trilhos retirados porque a Estrada de Ferro Mogiana construiu outro ramal, uma variante, ligando Ribeirão Preto a Uberaba sem passar por Franca.
A cidade empenha-se durante a Revolução Constitucionalista de 1932, na qual morreram por São Paulo seis cidadãos francanos.
Atualmente, destaca-se no setor da indústria de calçados masculinos, mas as indústrias calçadistas de Franca já estão dando atenção e produzindo também calçados femininos, ainda que, até hoje, o café tenha ativa participação na economia do município.
A estação ferroviária de Franca foi inaugurada em 1887, sendo esta, na época, um dos objetivos mais importantes a ser atingidos pela ferrovia. Depois da chegada da linha a Casa Branca, em 1878, é que a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro passou a avaliar a alternativa de seguir em linha reta para o norte, chegando a essa cidade, mas, graças à expansão muito rápida da nova região de Ribeirão Preto, a companhia decidiu-se por mover a linha para oeste, e somente depois de cruzar o rio Pardo, aí sim, voltar para nordeste para atingir a velha Franca do Imperador. Em Franca cita-se o dia 11 de abril como a inauguração da estação. Pode ter sido uma antecipação dos serviços, que teriam, então, começado 6 dias mais tarde. Em 5 de abril, uma locomotiva a vapor com um carro de passageiros e alguns vagões de lastro inaugurou o prédio e a linha.
O bairro da Estação foi-se desenvolvendo a partir daí: a estação era sempre um centro de recepção de personalidades. Sete anos depois, em 1939, a estação ganhou um prédio novo, mais moderno, estilo “art-noveau”. Com o tempo, entretanto, a linha do Rio Grande foi perdendo a sua importância, reduzindo muito seu movimento. Ainda assim, em 01/06/1969, as oficinas da estação receberam boa parte do que estava sediado na estação de Ribeirão Preto-velha, recém-desativada. Em 01/08/70, porém, pouco mais de um ano depois, o destacamento de tração de Franca foi definitivamente suprimido, com seu pessoal sendo deslocado para outras unidades da ferrovia.
Franca localiza-se na região nordeste do estado de São Paulo e é sede da 14° Região Administrativa do Estado de São Paulo. Faz limite com cidades paulistas como Batatais, Cristais Paulista e Patrocínio Paulista, e divisa com as cidades mineiras de Ibiraci e Claraval.
A cidade apresenta um relevo bastante elevado, com altitude próxima a 1.040 metros, sendo a 4ª cidade mais elevada do estado. Campos do Jordão é a mais alta, construída a 1620 m acima do nível do mar, seguida por Pedra Bela, com 1120 m e Pedregulho, com 1060 m.

Economia
Destaca-se pela relevante agricultura, como centro de uma das mais importantes regiões produtoras de café do mundo, a “Alta Mogiana”. O café produzido nessa região possui alta aceitação nos mercados nacional[24] e internacional, que devido ao clima, solo e altitudes favoráveis fazem da região uma das mais importantes na produção de café brasileiro de alta qualidade.
Grande parte da produção local de café é comercializada por meio da COCAPEC – Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas, que reúne inúmeros agricultores da região e participa das diversas etapas produtivas e de distribuição do café.

sapato francano

Cidade primordialmente industrial, Franca é a maior produtora de calçados do Brasil e da América Latina, possuindo mais de 1000 indústrias de grande e médio porte, como: Calçados Netto, Calvest, Ferracini, Estival, Samello, Vitelli, Carmen Steffens, Tenny Wee, Amazonas, Mariner, Laroche, PG4, Sândalo, HB, Bull Terrier, Democrata e Opananken, sendo importante observar que tais indústrias são muito bem instaladas e estruturadas, respeitando todas as normas ambientais e também sociais não havendo a participação de mão de obra infantil, tendo um dos maiores centros de ensino e pesquisa no setor coureiro-calçadista contando com centros de Design e formação profissional que são considerados como um dos maiores e mais modernos que existem neste setor, sendo referência nacional e internacional.

Com produção em grande parte destinada à exportação, a cidade leva seus produtos a várias partes do mundo, como EUA, Europa, Ásia e América Latina, sendo que os calçados fabricados em Franca são tidos como de referência mundial em quesitos como conforto, qualidade, tecnologia e design, sendo feitos para diversos segmentos – infantil, feminino e principalmente masculino, assim como acessórios de moda, enfeitando vitrines da alta moda em todo o mundo, e os calçados francanos são destacados pelo alto giro de vendas e lucro para seus revendedores.
A cidade tem experimentado nos últimos anos a diversificação do parque industrial, abrigando também importantes indústrias de confecções, de fundição, de joias e diamantes , metalúrgicas, de alimentos e bebidas, de cosméticos, de móveis entre outras, indústrias essas instaladas numa cidade que conta com um dos mais modernos distritos industriais do Brasil, possuindo toda infraestrutura básica para a instalação de toda e qualquer tipo de indústria numa área de aproximadamente dois milhões de metros quadrados inteiramente urbanizados. Franca é também um dos maiores pólos de lapidação de diamantes do mundo, e no município encontra-se o único escritório do Brasil e da América do Sul especializado em diamantes.
Franca é um importante centro na região de produção e de difusão de conhecimento tecnológico, tendo atraído investimentos na melhoria dos processos de desenvolvimento de softwares comerciais, pela com a instalação de dezenas de pequenas empresas vindas de outras regiões e empresas francanas formadas por ex-estudantes de Cursos de Tecnologia oferecidos por Instituições de Ensino situadas na cidade.
O comércio também se destaca na cidade. Além da população local, grande parte dos moradores da região dependem do comércio francano. Tem importantes empresas como Atacadão,Wal Mart e Makro, dentre outras, e três shoppings: Franca Shopping, Shopping do Calçado de Franca e Street Shopping.
O Shopping do Calçado de Franca atualmente figura como o segundo maior shopping da categoria em toda a América Latina. Possui cerca de 76 lojas com mais de 300 marcas para vendas no atacado e varejo. Encontra-se em Franca a sede do Magazine Luiza, uma das maiores redes varejistas do país.

Franca é uma das pouquíssimas cidades brasileiras que têm 100% de água e esgoto tratados, sempre ficando e alternando entre as 3 primeiras colocações em Saneamento Básico do ranking nacional. A cidade ainda têm, também, 100% dos seus bairros com ruas asfaltadas.
localizado na zona norte de Franca, o Parque Vicente Leporace é o bairro mais populoso da cidade, composto por casas populares inauguradas e entregues a partir de 1982; hoje o bairro conta com escolas, creches, unidades de saúde, conjunto poliesportivo, bibliotecas. Tem como via principal a Avenida Doutor Abraão Brickmann. Abrange os seguintes bairros: Leporace 1, 2, 3, Jardim Pinheiros 1 e 2, Jardim Tropical 1 e 2, Jardim Portinari, Jardim Luiza 1. Tem atualmente o maior corredor de compras da cidade com aproximadamente 200 lojas dos mas variados setores, porém a maioria está com situação irregular, pois foram construídas em áreas onde deveriam ser as garagem dos prédios da CDHU; por este motivo, há anos a Prefeitura de Franca e a CDHU vêm ameaçando derrubar todas as construções irregulares.

Franca conta com importantes instituições de ensino técnico e superior, e é considerada uma cidade universitária.As instituições são:
UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”: Cursos de Graduação em Direito, História, Relações Internacionais e Serviço Social; Mestrado em Direito; Mestrado e Doutorado em História e Serviço Social. A faculdade foi criada em 1962, sob a denominação de Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca. No ano de 1968, concedeu-se como sede as instalações do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, um dos monumentos históricos mais antigos da cidade, situado no centro de Franca. Já em 1976, a faculdade foi incorporada a UNESP, constituindo-se assim o Câmpus de Franca da UNESP. A Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, como é denominada atualmente, possui aproximadamente 1900 alunos e 90 professores. O novo câmpus foi inaugurado em 13 de janeiro de 2009 no Jardim Petráglia.
Uni-FACEF: Centro Universitário de Franca; oferece dez cursos de graduação, sendo oito de bacharelado: Ciências Econômicas, Administração, Ciências Contábeis, Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propaganda, Matemática para negócios, Psicologia, Turismo e Sistemas de Informação; e dois cursos de licenciatura: Letras e Matemática. Em 2013 a instituição também oferecera o curso de Engenharia de produção .
Faculdade de Direito de Franca: Criada pela lei municipal nº 653, de 8 de agosto de 1957, sancionada pelo Prefeito Onofre Sebastião Gosuen, a Faculdade de Direito de Franca, depois de obter autorização do Presidente da República Juscelino Kubitscheck de Oliveira para funcionamento (decreto nº 43.290, de 28.2.1958), foi oficialmente instalada em 28 de março de 1958, sendo nomeado Diretor o Dr. Benedito de Freitas Lino, advogado da Prefeitura. Foi reconhecida pelo Decreto Federal 50.l26 de 26 de janeiro de 1961. Atualmente 1,4 mil alunos estudam na unidade. É uma importante instituição de ensino jurídico, portadora do Selo “OAB Recomenda”, da Ordem dos Advogados do Brasil. Figura entre as melhores faculdades de Direito do país.
FATEC – Faculdade de Tecnologia de São Paulo: A FATEC “Dr. Thomaz Novelino” funciona no antigo prédio do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, no centro da cidade, e oferece os cursos de Desenvolvimento de Sistemas e Gestão da Produção Industrial na modalidade Calçados.
O Museu Histórico Municipal de Franca – José Chiachiri, localizado na rua Campos Sales, está instalado em prédio construído para abrigar o Fórum e a Cadeia Pública em 1896, e passou a abrigar o museu em 1970 . Compõe-se de aproximadamente quatro mil objetos de personalidades da cidade e região. Conta com uma biblioteca de apoio à pesquisa regional. O arquivo caracteriza-se por fontes manuscritas e impressas da Câmara e Prefeitura Municipal de Franca, além de peças de porcelana a desenhos folclóricos, incluindo uma coleção filatélica. Acondicionado em sala climatizada, parte da documentação também se encontra digitalizada.
Outro espaço importante na cidade e que recebe diversas feiras e eventos é o Pavilhão de Exposição Américo Pizzo. A feira de artigos para calçado Francal ocorria neste pavilhão até a sua mudança para o pavilhão de Parque Anhembi, em São Paulo.

Franca

7394 – Psicologia – Por que algumas pessoas não conseguem parar de mentir?


Em 2009, a história da advogada Paula Oliveira causou comoção e uma crise diplomática. A brasileira, que trabalhava para uma multinacional na Suíça, dizia ter sido atacada por neonazistas perto de uma estação de trem nos arredores de Zurique. Os dois bebês que ela levava na barriga não resistiram à agressão e Paula, que estava no terceiro mês de gravidez, sofreu um aborto. A maior prova do crime eram as letras do SVP (Partido do Povo da Suíça), de extrema direita, talhadas em seu corpo.
Tudo não passava de fraude. Depois da perícia, a polícia concluiu que ela nunca esteve grávida e que os cortes superficiais em sua pele indicavam autoflagelação. Antes da denúncia, a jovem também teria enviado um ultrassom dos gêmeos aos colegas de trabalho – encontrado na internet. No fim, Paula foi condenada pela Justiça suíça a pagar multa e autorizada a voltar para o Brasil. Seu advogado alegou que ela sofria de lúpus, doença que causaria problemas psicológicos e, por isso, acreditava em tudo o que dizia.
E a mentira compulsiva pode ser uma doença? Em 1891, o alemão Anton Delbrück afirmou que sim depois de examinar uma mulher que ora dizia ser uma princesa romena, ora uma pobre estudante de medicina. Seria a pseudologia fantástica, uma patologia em que o hábito de mentir extrapola limites socialmente aceitos.
Hoje, a psiquiatria não reconhece mais a mentira como um transtorno em si. Porém, combinada com outros sintomas, a mitomania ajuda a diagnosticar uma série de distúrbios.
Seu portador faz de tudo para parecer que tem alguma doença. E não é que ele queira folgar na sexta ou tente aposentadoria por invalidez. Seu objetivo é exatamente ser tratado como doente. Em casos extremos, a condição vira síndrome de Munchausen.
Nesse transtorno, a vida do portador se torna uma peregrinação por diferentes médicos – entre 0,5% e 2% de quem vai para hospitais gerais apresenta a síndrome. Ao chegar ao doutor, já vão ter pesquisado tudo sobre a doença que decidiram simular e conseguem ser tão convincentes que muitos chegam à mesa de cirurgia. Se forem descobertos, partem para o próximo hospital.
As estratégias mais simples são fabricar queixas físicas subjetivas – como dores abdominais agudas que não existem – e falsificar sinais objetivos. Vale esquentar o termômetro para parecer que tem febre, ingerir substâncias que alteram a cor da urina, simular convulsões… Mas, nos casos mais graves, ele parte para a indução de sintomas reais: feridas criadas com injeção de saliva na pele, febre causada por injeção de alguma bactéria, e outros sintomas obtidos com medicamentos desnecessários.

Yaling Yang e Adrian Raine, da Universidade da Califórnia do Sul, resolveram olhar não só para o passado, mas também para o cérebro desses mentirosos. Separaram os pacientes em 3 grupos: mentirosos compulsivos; sociopatas que não mentem de forma doentia; e pessoas normais. Depois, examinaram o que havia dentro da cabeça deles com imagens de ressonância magnética. Finalmente, os cientistas concluíram que os mentirosos tinham 22% mais massa branca nas regiões pré-frontais, que governam as tomadas de decisão e julgamento, do que as pessoas normais. Mas a amostragem do estudo, publicado na revista Science, é bastante restrita – 108 voluntários -, e não está claro se os resultados refletem a causa ou o efeito da mentira.

BORDERLINES – Vão de um extremo a outro muito rápido. Em um dia, são o melhor amigo; no outro, o pior inimigo. O transtorno é mais comum em adolescentes.
Buscam ocultar as consequências dos atos de sua identidade instável.

ANTISSOCIAIS – Não sentem remorso, não internalizam regras sociais ou legais nem zelam pela própria segurança e a dos outros.
Assim sentem prazer, tiram vantagem pessoal e também fogem de obrigações.

HISTRIÔNICOS – Precisam estar sempre no centro das atenções. Para isso, usam artimanhas sedutoras. Quando rejeitados, partem para o drama.
POR QUE MENTEM? – Isso atrai a atenção dos outros em relatos dramáticos (e inventados).

NARCISISTAS – Acham que são superiores e usam de todos os meios para parecer os maiorais.
Aumentando suas realizações, os narcisistas garantem a fama, a glória e a admiração que eles acreditam merecer.

• Contam inverdades escandalosas a respeito de sua vida, do tipo “sou filho do dono da Gol Linhas Aéreas” (conheça o autor dessa e de outras cascatas a partir da página 56).

• Suas cascatas são sustentadas por anos e viram um estilo de vida.

• Recompensas materiais não parecem ser sua motivação primordial.

• As mentiras são tecidas em narrativas complexas. “Fui condecorado na Guerra do Vietnã depois de uma batalha na margem leste do rio Mekong, em que havia 347 soldados…”

• Nem sempre os compulsivos planejam suas mentiras – eles costumam agir por impulso.

7393 – Sociedade – Os Maiores Mentirosos da História


pinocchio

A Torre Eiffel não tem preço, mas já houve, entretanto, quem tentasse vendê-la. O autor dessa façanha foi um charmoso falsário chamado Victor Lustig (1890-1947). Nascido em Hostinné, no antigo Império Austro-Húngaro (atual República Tcheca), ele teve o estalo da trapaça ao ler uma notícia de jornal sobre a custosa manutenção da torre, que não era, em 1925, o lucrativo ímã de turistas de hoje. Lustig então resolveu posar de funcionário do governo francês num encontro secreto com seis negociantes de sucata no nobre Hôtel de Crillon, em Paris. É o que você está pensando: falou-se na reunião da necessidade de cortar despesas e da ideia de vender aquela estrutura metálica a algum interessado do ramo do ferro-velho!
Para tornar tudo mais crível, Lustig forjou uma concorrência para arrematar o monumento e chegou a levá-los de limusine até lá. Depois, reservadamente, abordou o que lhe parecia mais otário (e mais ambicioso) e teve a cara de pau de pedir propina para favorecê-lo na suposta transação. O cara topou e lhe enviou uma mala cheia de dinheiro. Lustig sumiu num trem para a Áustria, e o sujeito passado para trás não o denunciou, tão humilhado estava.
O trapaceiro tentaria depois aplicar o mesmíssimo truque. Foi desmascarado, embora tenha conseguido fugir a tempo. Como nem tudo é perfeito, a carreira do golpista terminou em 1935, quando foi capturado nos EUA para 12 anos depois morrer de pneumonia num hospital para prisioneiros.
Mas Lustig, que tem ainda no currículo a notável invenção de uma máquina de notas falsas, não foi o único a tentar comercializar monumentos. George C. Parker (1870-1936) vendeu a Ponte do Brooklyn, a Estátua da Liberdade e o Metropolitan Museum of Art para turistas desavisados em Nova York.

Um Barão da Mentira
Karl Friedrich Hieronymus (1720-1797) poderia ter sido mais um obscuro nobre europeu do século 18, não tivessem suas lorotas lhe garantido um lugar na história. Nascido em Bodenwerder, atual Alemanha, o Barão de Munchausen serviu como pajem do Duque de Brunswick-Lüneburg quando jovem e depois atuou no Exército russo como mercenário contra os turcos.
Ao voltar para casa, deu para narrar episódios inverossímeis. Teve a façanha de escapar de um atoleiro puxando os próprios cabelos, com o que salvou também o cavalo em que estava montado. Conseguiu invadir as fortificações inimigas cavalgando uma bala de canhão. Por fim, foi o primeiro homem a ir à Lua – duas vezes, uma escalando um pé de feijão e outra, a bordo de um navio levado por uma tempestade. Lá teve um encontro com um rei de cabeça removível.
Toda essa mitomania nos chegou por meio de relatos de diferentes escritores, entre eles Rudolf Erich Raspe, que publicou, em 1785, o livro As Aventuras do Barão de Munchausen inspirado na figura real. Depois de morto, virou uma espécie de padroeiro dos fingidores. Tanto que batizou um grave e raro distúrbio psiquiátrico. O portador da síndrome de Munchausen simula doenças e, em uma variação sua, pode até tentar provocá-las nos próprios filhos por meio de envenenamento. Tudo para chamar a atenção do médico e da família.

Evita Perón
A Argentina é fascinada pela morte. O cemitério da Recoleta virou ponto turístico, os enterros são sempre dramáticos e os jornais adoram um close no rosto dos defuntos. Nenhum argentino, porém, teve uma vida de morto tão movimentada como Eva Perón (1919-1952), a Evita.
Ex-atriz e mulher do presidente Juan Domingo Perón (1895-1974), Evita foi venerada pelos pobres de seu país. Ao morrer de câncer com apenas 33 anos, seu corpo foi embalsamado e exposto publicamente. Em 1955, quando militares deram um golpe que tirou o viúvo do poder, temia-se que o cadáver pudesse virar destino de peregrinação para os descamisados e agitar o ambiente. Sequestrou-se então a falecida e teve início seu rocambolesco esconde-esconde.
Entres os mentirosos envolvidos estava o tenente-coronel Carlos Eugenio de Moori Koenig, que ficava com um furgão dando voltas e voltas com o corpo e terminou morrendo louco. O major Eduardo Arandía hospedou Evita no porão de casa por uns tempos e nada contou para a mulher grávida. Um dia, ela resolveu descer até lá para desvendar o segredo do marido. Com medo de que fosse um peronista atrás da múmia, Arandía disparou contra o vulto e matou a esposa. Já o major Hamilton Alberto Díaz recebeu a incumbência de enterrar Evita com uma identidade falsa na Itália.
Essa saga inspirou o romance Santa Evita (1995), de Tomás Eloy Martínez, que mistura fatos reais com ficção. Em 1976, o corpo de Evita foi finalmente entregue à família. No jazigo dos Duarte, o túmulo mais visitado da Recoleta, ela descansa hoje em teórica paz.
Lutar pela independência das colônias espanholas fica bonito para o currículo de um militar, sobretudo se ele nasceu na Escócia, que não tinha nada a ver com o peixe. Gregor MacGregor (1786-1845), contudo, não era só um aventureiro interessado na causa da liberdade. Ele também contou uma mentira intercontinental que prejudicou muita gente. Ao voltar para a Inglaterra, em 1820, MacGregor se proclamou Cacique do Principado de Poyais, um suposto fértil país caribenho com minas de prata e ouro que precisava de investidores e de imigrantes europeus dispostos a trabalhar.
MacGregor chegou ao desplante de montar uma delegação diplomática de Poyais em Londres e a patrocinar a publicação de um livro de 350 páginas sobre o lugar escrito por um tal de Capitão Thomas Strangeways. Era um paraíso – nem doenças tropicais havia na terra prometida, segundo a obra.
Dois navios levaram cerca de 300 pioneiros a Poyais. O que eles encontraram na atual região de Honduras? Selva, alguns nativos e as ruínas de um antigo povoado, que MacGregor havia dito ser a próspera capital, St. Joseph. Um dos ludibriados cometeu suicídio, outros conseguiram escapar da furada em navios, alguns morreram das tais doenças tropicais. O cara ainda tentou enganar mais incautos com a lorota até se mudar, em 1839, para a Venezuela, de cuja luta de independência havia participado e pela qual pediu uma pensão do governo.

Vigarista criou a pirâmide financeira quase um século antes de Bernie Madoff.

Nascido em 1882, Charles Ponzi chegou a Boston em 1903 com “US$ 2,50 no bolso e US$ 1 milhão em esperanças”, como disse ao New York Times. Para isso, italiano inventou um engenhoso engana-trouxa conhecido como “Esquema Ponzi”, que envolvia compra e venda de selos postais. Era uma espécie de pirâmide financeira. A versão mais popular circula no correio: a pessoa recebe uma lista de 10 pessoas com suas contas bancárias. Então manda uma certa quantia para o primeiro nome, exclui-o da lista e coloca seu nome na última posição. Por fim, arruma outros 10 bobos e envia pelo correio a lista modificada. Com isso, o número de participantes (e seu investimento) cresce exponencialmente. Mas esse tipo de operação não é sustentável – afinal, o número de participantes precisaria ser infinito.
Em 1920, Ponzi lesou 30 mil pequenos investidores e levantou cerca de 100 milhões de dólares em valores atuais. Preso e deportado para a Itália, acabou vindo ao Brasil, onde morreu pobre em 1949. Mas o esquema não acabou. Ele é a base do rombo de 65 bilhões de dólares realizado por Bernard Madoff dos anos 1990 até 2009 – a maior fraude do capitalismo.

Ex-fraudador preso em 3 países virou consultor de segurança do FBI.

Leonardo Di Caprio encarnou Frank Abagnale no filme Prenda-Me se For Capaz (2002). A vida de mutretas que esse nova-iorquino nascido em 1948 levou supera os devaneios de muitos roteiristas. Aos 16 anos, começou a fazer trambiques mancomunado com frentistas. Frank fingia comprar com o cartão de crédito do pai pneus, baterias e combustível. Os produtos permaneciam com os caras do posto, que os vendiam depois por conta própria. Em troca, davam um pouco de dinheiro vivo ao moleque. Passados 5 anos, quando foi preso, já tinha uma ficha de 2,5 milhões de dólares em fraudes montadas com cheques frios e documentos falsificados.
Nesse meio-tempo, lançou mão de variadas identidades fictícias. Passou-se por piloto da Pan Am, professor de sociologia, pediatra, advogado… Como o título do filme sugere, os policiais seguiam no seu encalço, e Abagnale finalmente foi capturado na França em 1969. Ele passou por penitenciárias de lá e da Suécia até ser deportado para os EUA. Em 1974, foi libertado sob a condição de ajudar o governo a combater fraudes financeiras. Até hoje trabalha como consultor de segurança do FBI.

A lorota na…

…Imprensa
Jayson Blair não foi o único jornalista a mentir na história da profissão. Mas a quantidade de entrevistas forjadas, plágios e viagens inventadas transformou-o em exemplo do que não se deve fazer. O escândalo estourou em maio de 2003. O jornal The New York Times, onde Blair trabalhava, considerou o episódio uma crítica quebra de confiança em sua trajetória de 152 anos. Hoje, o moço dá palestras motivacionais.

…Pintura
O holandês Han van Meegeren (1889-1947) levou a falsifcação ao estado da arte. Pintor frustrado quando tentou uma carreira própria, ele criou quadros atribuídos ao conterrâneo Johannes Vermeer (1632-1675). Especialistas gostaram (antes de saber do golpe, claro) e até o nazista Hermann Göring tinha uma bela fraude em sua coleção. O quadro Ceia em Emaús, por exemplo, foi vendido em 1937 pelo equivalente a 4,5 milhões de dólares atuais.

…Música
Surgida em 1988, a dupla franco-alemã de dance music Milli Vanilli levou o Grammy de revelação em 1990 – mesmo depois de o rapper Charles Shaw ter declarado que os vocais do disco não pertenciam a Fab Morvan e Rob Pilatus, mas a ele próprio e outros cantores. Quando o empresário Frank Farian confirmou a farsa, a desgraça se abateu sobre o duo, que teve o prêmio revogado.

…Internet
Durante os protestos no mundo árabe, o blog de uma lésbica muçulmana sírio-americana virou hit internacional. Nele, Amina Arraf, 35, falava sobre sua fé no Islã, criticava o ditador Bashar al-Assad e mostrava como sua família a apoiava. Até que em junho uma suposta prima postou no blog que Amina havia sido sequestrada ao sair para uma manifestação. Era o plano de Tom MacMaster, americano casado de 40 anos, para sumir com o personagem que ele criara. Mas, a essa altura, Amina já recebera 6 mil e-mails, e uma página no Facebook com 15 mil membros exigia sua libertação. Tom revelou a farsa publicamente.

…Literatura
Tinha toda a cara de ser golpe de marketing: garoto de programa de beira de estrada que se vestia de mulher na adolescência e fugiu para as ruas de São Francisco resolve virar escritor memorialista. E era mesmo: JT LeRoy foi inventado pela nova-iorquina Laura Albert. Para as aparições públicas do pseudoautor, ela escalava a andrógina cunhada Savannah Knoop. O embuste foi revelado em 2006, quando LeRoy já tinha 3 livros lançados, um deles com adaptação para o cinema. Em 2007, Laura – hoje com 45 anos – foi condenada a pagar indenização a um estúdio de cinema que pretendia adaptar o livro Sarah.

Na coluna social, o que importa é ficar bem na foto

Marcelo Nascimento da Rocha
Preso por estelionato, esse cara fingiu ser filho do dono da companhia aérea Gol num Carnaval fora de época no Recife em 2001. Namorou beldades, e até o apresentador Amaury Jr. caiu na história e entrevistou o mentiroso. A falsidade acabou rendendo o filme VIPs, com Wagner Moura como protagonista.

David Hampton
“Sou filho do ator Sidney Poitier”, dizia o rapaz de 19 anos na década de 80. Com isso, comeu de graça em restaurantes, pegou dinheiro emprestado e até dormiu na casa dos outros. O estilista Calvin Klein foi um dos que engoliram a cascata, transposta para o cinema em Seis Graus de Separação, com Will Smith.

Erich von Stroheim
Cineasta e ator (é o mordomo de O Crepúsculo dos Deuses, 1950, de Billy Wilder), Stroheim nasceu numa modesta família judia fabricante de chapéus em Viena. Mas humildade não estava em seu roteiro. Primeiro, tentou ser oficial do Exército austríaco, mas foi considerado fraco demais. Para começar do zero, partiu em 1909 aos EUA, onde se passava por filho de conde e baronesa – e ainda fazia pouco caso disso. “Sou cidadão americano há tempo suficiente para não me importar com uma besteira dessas.”

Dora Ratjen
Nas Olimpíadas de Berlim de 1936, Dora obteve um esquecível 4º lugar em salto em altura. Só que Dora era… Heinrich! Passados 20 anos, ele revelou à revista Time que foi forçado pelos nazistas a mentir. A revista Der Spiegel contesta a versão.

Rosie Ruiz
A atleta amadora foi a primeira a cruzar a chegada da maratona de Boston de 1980. Mas como, se nem suada estava? Rosie, na verdade, entrou na pista no fim da prova. Com base em testemunhas e na falta de imagens durante o percurso, ela perdeu o prêmio.

Roberto Rojas
Maracanã, eliminatórias da Copa de 1990. Brasil, 1, Chile, 0. Cai um sinalizador no campo. O goleiro chileno vai ao chão, ferido pelo artefato. Mentira: cortou-se com uma lâmina trazida dentro da luva. Rojas foi banido do futebol e o Chile, que já perdia, foi excluído também para 1994.

7392 – Meteorito marciano com mais de 2 bilhões de anos


Cientistas estão empolgados com um meteorito marciano com cor de carvão que caiu no deserto do Saara. Um ano de análises revelou que a pedra é diferente de outros meteoritos de Marte.
Além de ser mais antiga, a rocha contém mais água. Com o tamanho de uma bola de beisebol e 2 bilhões de anos, o meteorito é muito similar a rochas vulcânicas analisadas pelos jipes Spirit e Opportunity na superfície de Marte.
“Aqui temos um pedaço de Marte que posso segurar em minhas mãos”, disse Carl Agee, da Universidade do Novo México, nos EUA, e autor do estudo publicado na revista “Science”.
A maior parte das pedras que caem do espaço na Terra como meteoritos vêm do cinturão de asteroides, mas alguns têm origem na Lua ou em Marte.
Cientistas creem que um asteroide ou algum outro objeto grande colidiu com Marte, deslocando rochas e mandando-as para o espaço. De vez em quando, algumas caem na atmosfera terrestre.
Fora o envio de naves ou astronautas ao planeta vermelho para trazer pedras para cá, os meteoritos são a melhor forma de os cientistas entenderem como o vizinho da Terra se transformou em um deserto gelado.
Cerca de 65 rochas marcianas já foram recolhidas na Terra, a maioria na Antártida ou no Saara. As mais antigas datam de 4,5 bilhões de anos atrás, quando Marte era mais úmido e quente.
Meia dúzia de meteoritos marcianos têm 1,3 bilhão de anos e os demais têm 600 milhões de anos ou menos.
Esse último meteorito, que recebeu o apelido de “Beleza Negra”, foi doado à Universidade do Novo México por um americano que o comprou de um vendedor marroquino no ano passado.
Os pesquisadores realizaram uma bateria de testes no meteorito e, com base em sua assinatura química, confirmaram que ele veio de Marte e se formou numa erupção vulcânica, além de ter sido alterado pela ação da água.

7391- Vilão com os Dias Contados – Vacina feita de células de paciente controla vírus da AIDS


Um estudo que envolveu 36 pessoas já contaminadas com o vírus da Aids mostrou que é possível controlar o HIV usando uma vacina terapêutica –embora o resultado ainda esteja longe de uma cura.
Cientistas na Espanha, na França e nos EUA usaram os vírus presentes no organismo dos próprios pacientes portadores do HIV para “adestrar” células do sistema de defesa do organismo deles.
Depois, tais células foram devolvidas para a corrente sanguínea dos pacientes. O resultado: mesmo tendo parado de tomar o coquetel de drogas antirretrovirais (hoje a única defesa de quem já foi infectado), a maioria dos soropositivos ficou com níveis baixos de HIV no sangue.
O problema, no entanto, é que o controle do vírus foi temporário, perdendo força a partir de 24 semanas depois que a “vacina de células” foi aplicada pelos cientistas, o que vai exigir mais refinamento do método antes que testes maiores aconteçam.
A pesquisa, que está na edição desta semana da revista especializada americana “Science Translational Medicine”, foi coordenada por Felipe García, da Universidade de Barcelona.
truque misterioso
O grande objetivo desse e de outros estudos parecidos é realizar com sucesso um truque que alguns soropositivos operam naturalmente.
O organismo dessas pessoas, apelidadas de “controladores de elite”, consegue evitar que a multiplicação do HIV saia do controle, além de não perder células do sistema de defesa do organismo.
Tudo indica que tais pacientes conseguem realizar esse feito porque o sistema de defesa de seu organismo é capaz de reconhecer e atacar o HIV com eficácia. O plano, portanto, é óbvio: achar uma maneira artificial de replicar essa estratégia.
Isso permitiria que os pacientes deixassem de lado o consumo perpétuo do coquetel de medicamentos antirretrovirais, que é caro e traz diversos efeitos colaterais.
É aí que entram as chamadas células dendríticas, componentes do sistema de defesa do organismo que levam, por exemplo, pedaços de vírus para outras células de defesa. É esse transporte de informação sobre o inimigo que leva a uma resposta específica contra ele.
No estudo, as células dendríticas, cultivadas a partir de tecidos dos próprios pacientes, foram colocadas em contato com o HIV retirado do organismo deles –mas só depois que o vírus foi inutilizado por meio do emprego de calor (veja quadro acima).
O sucesso apenas temporário da estratégia ainda precisa ser mais estudado, dizem os pesquisadores.
Antes da aplicação da vacina terapêutica, os pacientes ficaram um tempo sem receber os remédios anti-HIV para que os pesquisadores pudessem medir a contagem do vírus em seu sangue e comparar o “antes” e o “depois” da vacinação.
Isso pode ter dado ao parasita um certo fôlego, digamos, para que ele voltasse a se multiplicar mesmo após a imunização. Em princípio, seria possível resolver isso aplicando diversas doses da “vacina de células” –uma tática que é usada no caso das vacinas convencionais.
Outra possibilidade, dizem os cientistas, seria vacinas as pessoas enquanto elas ainda estão tomando os remédios.

HiV