7373 – Mega Memória – Comercial da Virada “Marcas do que se foi”


Um comercial que marcou época. O ano: 1976. Num tempo onde não havia o recurso da computação gráfica, era necessário muita criatividade dos publicitários.

Este ano quero paz no meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão

O tempo passa
E com ele caminhamos todos juntos
Sem parar

Nossos passos pelo chão
Vão Ficar

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

Este ano quero paz no meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão

O tempo passa
E com ele caminhamos todos juntos
Sem parar

Nosso passos pelo chão
Vão ficar

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

7372 – São Silvestre 2012 – Queniano vence, pra variar


S Silvestre 2012
S Silvestre 2012

O queniano Edwin Kipsang venceu a prova masculina da São Silvestre na manhã desta segunda-feira, com o tempo de 44min04s. O brasileiro melhor colocado foi Giovani dos Santos, que terminou a prova na quarta colocação.
A prova teve total domínio do Quênia, que, além da vitória com Kipsang, conseguiu ainda a segunda e terceira colocação, com Joseph Aperumoi (44min14s) e Mark Korir (44min50). Este último liderou parte da corrida, mas perdeu fôlego no fim.
Hafid Chani, do Marrocos, terminou a prova na quinta colocação, com o tempo de 45min54s.
A edição deste ano da São Silvestre foi a primeira com largada pela manhã. A elite feminina largou às 8h40, enquanto a masculina, às 9h. O valor do prêmio também mudou. Passou de R$ 35 mil para R$ 50 mil.
A prova perdeu prestígio e atrai cada vez menos famosos. Muitos atletas da elite da África (continente que faturou 15 dos últimos 21 títulos) não correram neste ano. Foram os casos dos campeões de 2011, a queniana Priscah Jeptoo e o etíope Tariku Bekele. O continente foi representado por seu segundo escalão, mas mesmo assim obteve sucesso.

Veja os dez primeiros:

1) Edwin Kipsang (QUE), 44min05min
2) Joseph Aperumoi (QUE), 44min14seg
3) Mark Korir (QUE), 44min21seg
4) Giovani dos Santos (BRA), 44min51seg
5) Hafid Chani (MAR), 45min55seg
6) Najim El Qady (MAR), 46min34seg
7) Alphonce Simbu (TAN), 46min37seg
8) Ubiratan dos Santos (BRA),46min38seg
9) Ahmed Baday (MAR), 46min40seg
10) Paulo Roberto de Almeida Paula (BRA), 46min49seg

7371 – Festejos – Quem inventou o Réveillon?


Réveillon vem do verbo francês réveiller, que significa “acordar” — é o “despertar do ano”, pegou? A palavra surgiu no século 17 para identificar eventos muito populares entre os nobres franceses: jantares longos e chiques, que iam até depois da meia-noite, nas vésperas de datas importantes. Esses regabofes gastronômicos noturnos eram realizados várias vezes ao ano, mas com o tempo foram ficando para o Ano-Novo mesmo.
No século 19, o Réveillon virou moda nas colônias e áreas de influência da França – que eram muitas, já que ela era a superpotência cultural da época. No Brasil, os primeiros Réveillons foram realizados na corte de dom Pedro 2º, no Rio, e logo copiados pelas elites paulistas. Mas alguns detalhes foram incorporados depois, recheando o jantar francês com um sincretismo bem brasileiro.

Tradições:
Uvas
Simpatia trazida pelos vinicultores portugueses, que guardavam a semente do seu produto para ter fartura.
Lentilhas
Os italianos trouxeram essa tradição, que resultaria em um ano de fartura.
Roupa Branca
É a roupa dos devotos de Iemanjá, orixá que já na África era homenageada com oferendas no mar na passagem do ano.
Pular ondas
Hábito comum desde os gregos, que acreditavam “recarregar baterias” pelo mar, fonte da vida.

7370 – O ciclo e as funções do gás carbônico no universo


Toda vez que alguém respira e esvazia o pulmão, devolve ao ar uma das substâncias mais importantes na vida do sistema solar.
Terremotos e vulcões, periodicamente, fazem tremer ou fendem regiões inteiras, com conseqüências bem conhecidas e temidas. Mas nada que, sequer de longe, se assemelhe ao inferno que é a superfície do planeta Vênus. Coberta por uma atmosfera ácida e 100 vezes mais espessa que a da Terra, ela acumula calor em quantidades monumentais e se mantém à temperatura média de 475° C — metade do necessário para derreter rochas. Não é um lugar agradável, e pode ser ainda pior, como sugere a mais recente teoria sobre a natureza desse planeta. É possível que Vênus simplesmente não tenha chão, no sentido usual da palavra.
Imagens obtidas por radar indicam que sua crosta rochosa, amolecida pelo calor intenso, não é rígida como a da Terra. Vez por outra, ela se deixa esticar e inflar como o topo de uma bolha com centenas de quilômetros de extensão. Em outras circunstâncias, planícies inteiras desabam para o interior do planeta, de onde vazam torrentes incandescentes de lava. Os restos desse dilúvio, que se vêem derramados sobre quase toda a crosta, parecem estar ainda frescos, em termos geológicos. Como se Vênus, em passado recente, tivesse mudado inteiramente de rosto, num único e formidável espasmo.
Curiosamente, esse remoto cenário extraterrestre tem mais a ver com a Terra do que se possa imaginar. E não é por outro motivo que vem atraindo a atenção de cientistas geralmente desligados dos assuntos do espaço, como geólogos e meteorologistas. Eles querem saber o que há de comum entre a Terra e outros planetas próximos do Sol. O inferno venusiano, por exemplo, pode ter sido criado pelo mesmo gás que parece estar elevando a temperatura da Terra, por meio do alardeado efeito estufa. Trata-se do gás carbônico (ou CO2), que dominava, junto com o vapor de água, tanto a atmosfera primitiva de Vênus como as de Marte e da Terra.
Mas isso foi quando esses mundos nasceram, há longínquos 4,6 bilhões de anos. Daí para a frente, o destino do CO2 — bem diferente em cada lugar — moldou um rosto particular em cada um dos planetas. A própria vida, na Terra, surgiu e se desenvolveu com sua ajuda, pois ele era o alimento básico das algas primitivas. Como resíduo, estas descartavam oxigênio, que no futuro se tornaria mais abundante que o CO2 na atmosfera. As plantas ainda absorvem gás carbônico, apesar de, como todos os animais, respirarem pelo processo inverso: absorvendo oxigênio e descartando CO2. Em resumo, como resultado dessa íntima relação com a vida, uma fração não desprezível do CO2 original acha-se hoje estocada na massa das florestas e seus habitantes.
Retido maciçamente na atmosfera, o CO2 venusiano é 280 000 vezes mais abundante do que o terrestre. Ele perfaz nada menos que 96,5% do ar, contra 0,03%, na Terra, e o ar, por sua vez, é 90 vezes mais pesado que o da Terra. Vem daí a fantástica temperatura venusiana, capaz de amolecer toda a sua casca de rocha sólida — como na Terra, a crosta envolve todo o planeta e pode ter entre 10 e 100 quilômetros de espessura. Esse mecanismo explica facilmente o perfil radical recortado na face venusiana, diz o americano Sean Solomon, do Departamento de Magnetismo Terrestre do Instituto Carnegie, em Washington. Em vista daquilo que se vê em Vênus, o aquecimento devido ao efeito estufa, na Terra, torna-se uma brincadeira de criança, pois parece causar um aumento relativamente pequeno de temperatura, da ordem de 1 grau centígrado.
Também em Marte, o Sol pode selar o destino da água líquida — mas nesse caso, em sentido oposto. Lá, a falta de energia luminosa teria mantido a água na forma de gelo. E esse obstáculo persiste mesmo quando se considera que o CO2 dominava a atmosfera marciana, embora em quantidade bem menor do que em Vênus. A solução, nesse caso, é complicada, pois há muitas evidências de que a água efetivamente fluiu sobre as areias marcianas. Uma possibilidade é que o efeito estufa do gás carbônico foi reforçado por poeira suspensa na atmosfera.
Enfim, quando a paz se estabeleceu, há 3,8 bilhões de anos, o CO2 era quase 100 vezes menos abundante do que antes. Ou seja, insuficiente para que, nos milhões de anos seguintes, uma gorda sopa química nos mares começasse a modelar os primeiros esboços de células, as primeiras unidades da vida.
Segundo, os vulcões continuaram a expelir CO2 ao mesmo ritmo que antes, porque suas erupções dependem apenas do calor interno do planeta, que não é afetado pela luz solar. O resultado é que o gás carbônico começa a se acumular na atmosfera e a elevar a temperatura por meio do efeito estufa. Chega a parecer que o planeta é vivo; regula seu próprio clima. De fato, é assim, até certo ponto.

O Fim da Família Solar


Quando envelhecer, daqui a bilhões de anos, felizmente, o grande astro onde cabe 1 milhão de planetas como o nosso, ficará 10 mil vezes maior ainda. Tamanha expansão o levará a ocupar no espaço o lugar por onde hoje passa a terra em sua órbita. Será o apocalipse em todo sistema solar. O colossal acréscimo de calor fará montanhas enormes tremer como geléia, luas geladas começarão a derreter e atmosferas espessas devem aparecer onde nunca antes soprou a mais leve brisa.
O destino do Sol já está traçado. Ele se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, junto com os planetas, do colapso de uma nuvem de gás e poeira . Sob o efeito da compressão, a temperatura no interior dessa estrela os poucos chegou a 10 milhões de graus. Nesse ponto, as reações nucleares no seu interior começaram a transformar o hidrogênio em hélio. No período que então se iniciou, que os astrônomos chamam sequência principal, a energia interna contrapôs-se à pressão gravitacional da própria estrela, que assim parou de se contrair, mantendo-se constante.
Durante esse período, no qual surgiu e se multiplicou a vida na Terra, seu brilho só tende a aumentar. Ao surgir, o Sol tinha apenas 70% do brilho atual. No fim da seqüência principal, a luminosidade será três vezes maior do que a atual.
Naturalmente, essa variação se reflete nos planetas. Depois de se formarem, todos os três pequenos planetas irmãos – Vênus, Terra e Marte – provavelmente tinham água em estado líquido, o que é meio caminho andado para o aparecimento da vida. A água aparece quando a temperatura está acima de O°C e a pressão em torno de 6 milibares (1 milibar é 1 milésimo de uma atmosfera terrestre).

Em Vênus, que recebe do Sol duas vezes mais energia do que a Terra, a temperatura começou a aumentar em conseqüência de um fenomenal efeito estufa que teria destruído o oceano primitivo. A água que existia no planeta evaporou-se e se acumulou na atmosfera. O vapor ali funcionou como um gigantesco cobertor, impedindo que o calor escapasse para o espaço depois de refletido pelo planeta. Em seguida, a radiação solar ultravioleta decompôs as moléculas de vapor de água em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio, mais leve, escapou para o espaço. O oxigênio acabou voltando para o planeta, combinando-se quimicamente com o material rochoso da superfície. Outro gás presente no efeito estufa venusiano – o dióxido de carbono expelido pelos vulcões – se acumulou na atmosfera do planeta, de onde não foi removido pelas chuvas, ao contrário do que aconteceu na Terra. A temperatura em Vênus hoje é de 550°C, o dobro do que seria sem o efeito estufa.
Marte, como a Terra, também tinha água quando sua atmosfera era mais densa. Mas ali não havia a mesma atividade geológica que marcou a face terrestre – talvez porque o planeta esfriasse depressa em conseqüência do seu pequeno tamanho. Sem a realimentação da atmosfera pelo dióxido de carbono dos vulcões, o ar de Marte foi se tornando mais fino e a água no estado líquido aos poucos desapareceu da sua superfície. A idade das crateras marcianas indica que os canais escavados pela água devem estar secos há bilhões de anos. Os cientistas imaginam que abaixo da superfície exista um reservatório de gelo capaz de cobrir O solo marciano com 10 metros de água. Toda essa água pode aflorar à superfície daqui a 1 bilhão de anos, quando a energia solar aumentar 20%.
Nos próximos 3 bilhões de anos, quando o brilho do Sol aumentar mais da metade, a atmosfera de Marte será constituída principalmente de vapor de água. Desta vez, o calor – haverá um aumento de 25°C na temperatura – a chuva e a erosão tornarão o clima mais parecido com o da Terra. Esse úmido paraíso marciano a longo prazo, só será ameaçado pela radiação solar ultravioleta. Como ocorreu em Vênus, as moléculas de água, expostas à radiação, devem se quebrar em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio se perderá no espaço e o oxigênio ficará acumulado na atmosfera. O vapor de água vai acabar desaparecendo. Isso não acontece na Terra porque o nitrogênio é o gás dominante na atmosfera e o vapor fica confinado nas nuvens mais baixas.

De 1 a 3 bilhões de anos adiante, quando Marte estiver começando a ser um planeta hospitaleiro, a Terra estará a caminho de se tornar um deserto. O fenômeno terá causas naturais: um aumento de 10% no fluxo de energia solar sobre a parte mais alta da atmosfera terrestre nos próximos 500 milhões de anos. Isso tenderá a acelerar o efeito estufa como um círculo vicioso. Os oceanos aumentam a evaporação e a evaporação eleva a temperatura. Mais vapor de água na atmosfera bloqueando a passagem do calor tende a aumentar a evaporação. Deixando de lado a hipótese de alguma intervenção humana, que poderia retardar ou apressar esse processo, toda a vida na Terra estará extinta entre os próximos 500 milhões e 1.5 bilhão de anos.

Passados 10 bilhões de anos desde a sua formação, o núcleo do Sol terá queimado todo o seu hidrogênio. O hélio, por sua vez, começará a se contrair sob o efeito da própria gravidade. Sera o fim da sequência principal. Para compensar a contração do núcleo, as camadas externas do Sol vão começar a se expandir e a esfriar. Ele se tornará uma estrela muito maior e mais brilhante e sua cor deixará de ser branca ou amarela para adquirir um tom vermelho. Os astrônomos chamam essa fase gigante vermelha. Mais 1 bilhão de anos e o Sol terá um raio de 30 milhões de quilômetros, ou a metade de sua distância atual de Mercúrio. Se alguém na Terra ainda estivesse vivo, veria o Sol cinqüenta vezes maior no céu e 300 vezes mais brilhante do que hoje. Mercúrio e Vênus vão derreter-se e a temperatura na Terra pode chegar a 750°C.

Enquanto isso, que estará acontecendo com os planetas gigantes além de Marte e seus satélites gelados? Três das quatro grandes luas de Júpiter, chamadas galileanas, com vastos depósitos de água congelada, começarão a derreter feito sorvete. Uma delas, Europa, não só é coberta por uma crosta de gelo quase puro como também possui no subsolo um oceano líquido com 100 quilômetros de profundidade. As outras luas, Ganimedes e Calisto, têm gelo e rochas em proporções quase iguais, embora na superfície o gelo seja predominante .
Quando a amônia está misturada na água, o gelo só se desfaz a 100°C negativos. Essa será a temperatura local quando o Sol for quatro vezes mais brilhante do que hoje, assim que terminar a fase da seqüência principal. Sem amônia, o descongelamento deve demorar mais. Em qualquer caso, a presença de água em estado líquido nas três luas abriria caminho para o aparecimento de atmosfera – e, como sempre, do efeito estufa resultante da evaporação. O vapor de água aprisiona mais calor e, em conseqüência, aumenta a temperatura local.
Mas a inexorável evolução solar vai mudar o panorama. Quando a grande estrela estiver no fim da fase gigante vermelha, a temperatura nas três luas será de 250°C e a água irá evaporar e se volatizar rapidamente. Entretanto, como esse calor não vai durar muito, sempre sobrará um pouco de água nos satélites de Júpiter. Titã, a maior lua de Saturno, já tem uma atmosfera de nitrogênio e metano e pressão de 1,5 bar, 50% a mais do que na Terra.

7369 – Genética – Agressividade e Homossexualismo


Afinal, homossexualismo e violência são características hereditárias ou comportamentos adquiridos? Melhor perguntando, a pessoa nasce gay ou criminosa, ou torna-se gay ou criminosa? A questão rende panos para mangas há muito tempo, mas ganhou especial destaque nos últimos cinco anos, quando foi lançado o projeto internacional de mapeamento do DNA humano, batizado Genoma: desde então, constantemente pesquisadores anunciam a descoberta de genes que seriam responsáveis pelo alcoolismo, a depressão, a criminalidade, a esquizofrenia, mesmo o autismo. Em julho passado, uma equipe do Laboratório de Bioquímica do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, liderada por Dean Hamer, anunciou a descoberta de evidências de que o homossexualismo estaria inscrito em um gene do cromossomo X. Publicado na revista Science, órgão oficial da Associação Americana para o Progresso da Ciência, o estudo foi saudado pelos editores como capaz, “eventualmente, de levar a um melhor entendimento das bases biológicas da homossexualidade e da orientação sexual em geral”. A frase, em todo caso, fôra precedida pela ressalva “se confirmado”.
A esquizofrenia é uma doença mental, provoca alucinações e não tem cura. Mas a tarefa é enorme, quase insuperável. Se um dia conseguir descobrir uma mutação genética comum a todos os doentes que estuda, Valladan terá em seguida de provar que ela não aparece em pessoas não doentes. Todas essas pesquisas revelam evidências, em geral baseadas em dados estatísticos, mas ninguém ainda conseguiu provar que algum desses comportamentos tenha origem exclusivamente genética. Filhos de pais alcoólatras ou violentos podem se tornar também alcoólatras ou violentos por influência do meio em que vivem. Steven Rose, professor da Open University de Londres, especialista em desenvolvimento do cérebro e autor de sucessos literários científicos como A química da vida e Não em nossos genes, defende esse ponto de vista com entusiasmo.

7368 – Novas missões devem ser lançadas até 2020 para buscar vida em Marte


marte

Em dez anos, se há alguma forma de vida facilmente acessível nos primeiros centímetros do solo marciano, é bem provável que já tenhamos ouvido falar dela.
Holandeses planejam ‘colônia reality show’ em Marte
Essa é a tônica da próxima fase da exploração não tripulada do planeta vermelho, promovida conjuntamente pela Nasa, agência espacial americana, e a ESA, sua contraparte europeia.
Até 2020, haverá três missões que confrontarão a pergunta em torno da qual todos têm dançado nos últimos anos: há vida em Marte?
Além dessas, duas outras -as primeiras a serem lançadas- tratarão de questões diferentes, mas também intrigantes: a estrutura interna do planeta vermelho e a dinâmica de sua alta atmosfera.
Até recentemente, havia um grande vazio na agenda da agência americana no que diz respeito a Marte. Duas possíveis sondas estavam em estudo para lançamento até 2016. Dali em diante, era uma folha em branco. Em meio à difícil situação econômica mundial, parecia até que os americanos estavam tirando o pé do acelerador.
Diante disso, os ianques se sentiram na obrigação de mostrar que ainda tinham gana de explorar o planeta vermelho e acabam de anunciar sua intenção de enviar, em 2020, um novo jipe, nos moldes do modelo mais recente levado a Marte.
Desta vez, a missão será procurar vida para valer e não os simples pré-requisitos para sua existência, como o Curiosity está fazendo agora.
Contudo, antes que o novo veículo americano faça isso, uma missão europeia pode roubar a descoberta.
O ambicioso projeto ExoMars está separado em duas etapas. Na primeira, em 2016, os europeus lançarão um satélite para mapear a presença de metano na atmosfera de Marte –o que pode ser um indicador de vida– e um veículo de pouso controlado.
Na segunda etapa, em 2018, um jipe de seis rodas buscará vida diretamente na superfície. Os russos prometeram ajudar, com grana e conhecimento, e os americanos aceitaram colaborar.
Procurar vida marciana não é exatamente uma novidade. Em 1976, as sondas americanas Viking 1 e 2 pousaram no planeta vermelho com um experimento projetado para detectar bactérias.
O dispositivo recolhia uma amostra de solo e colocava-a numa câmara, onde era banhada por uma solução de nutrientes. Se houvesse reação, estaria comprovada a presença de organismos vivos metabolizando alimento.
Ou não, pois o experimento foi conduzido e houve reação. Mas a análise das curvas de consumo dos nutrientes mostrava que eles eram rapidamente devorados e o processo parava de uma vez.
O padrão sugeria mais uma reação não biológica do que a atividade de bactérias.
O teste mostrou como é complicado buscar criaturas alienígenas sem saber o que procurar e, desde então, a Nasa adotou uma nova estratégia: cobrir de forma sistemática os enigmas do planeta vermelho, respondendo a questões como “Há água em Marte?” e “O planeta já reuniu condições para a vida?”
Foi nesses temas que as últimas missões avançaram.
Os jipes Spirit e Opportunity, lançados em 2003, demonstraram que Marte já teve água em abundância no passado; a sonda Phoenix, enviada em 2007, provou que ainda há gelo no subsolo e o Curiosity está fazendo análises sem precedentes em busca de compostos orgânicos.
Tudo parece apontar -na pior das hipóteses- para um passado favorável à vida. Se ela de fato floresceu e ainda resiste em algum lugar, ninguém sabe.
É onde entrará o novo jipe da Nasa, em 2020. “Ele será uma base científica móvel num local selecionado por sua habilidade de preservar evidências de vida”, afirma James Green, diretor da divisão de ciência planetária da agência americana.
A agência ianque trata o esforço como a última etapa para a realização de uma futura missão de retorno de amostras, na década de 2020, a ser seguida pelo envio de astronautas, nos anos 2030.