7367 – Por que há tanto petróleo no Oriente Médio?


A região passou por vários processos naturais que favoreceram o acúmulo desse óleo chamado de ouro negro. Há 40 milhões de anos, o movimento das placas tectônicas – gigantescos blocos de rocha sobre os quais se assentam oceanos e continentes do planeta – contribuiu para o fechamento dos oceanos primitivos da região. Essa água evaporou e minúsculos vegetais marinhos se depositaram no fundo dos mares. Por meio de decomposição – e também de aumento na pressão e na temperatura -, o material orgânico desses microorganismos deu origem ao petróleo. A sorte do Oriente Médio é que lá cada uma dessas etapas aconteceu no tempo geológico mais adequado. Além disso, o choque entre as placas teve outro efeito. “A Península Arábica se desprendeu da África e se deslocou para o norte. A colisão entre as placas Arábica e Eurasiana criou muitas dobras nas camadas do subsolo onde o petróleo se deposita.
Nesses enormes reservatórios subterrâneos, o petróleo ficou armazenado entre grãos de areia e rochas sedimentares – materiais que, no Oriente Médio, são abundantes e muito porosos, deixando o petróleo fluir com facilidade. Outro fator importante: o óleo não escapa do subsolo graças a uma camada impermeável de sal – também originada da evaporação dos mares antigos -, que funciona como uma tampa protetora. Como se não bastasse, tudo isso ainda está aliado a outra vantagem: o clima seco.
A casca terrestre é feita de imensos blocos de rocha chamados placas tectônicas. No Oriente Médio, duas delas se mantêm em choque uma com a outra: a placa Arábica e a Eurasiana. Essa colisão cria, no subsolo, vãos que acabam se transformando em reservatórios de petróleo.

7366 – Por que na Ásia o nome de vários países termina em “istão”?


Porque nas línguas mais faladas nessa região do mundo, como o hindi, o persa e o quirguiz, “istão” quer dizer “lugar de morada” de um determinado povo ou etnia. De acordo com esse princípio, Cazaquistão, por exemplo, significa “território dos cazaques”; Quirguistão, “território dos quirguizes”; Afeganistão, “território dos afegãos” e assim por diante. “A forma ‘stão’ deriva de uma antiga raiz lingüística indo-européia, provavelmente ‘sthã’. Esse sufixo carregava a idéia de ‘parar’ ou ‘permanecer’ e deu origem, por exemplo, aos verbos stare, em latim, e stand, em inglês.
A única exceção a essa regra é o caso do Paquistão, batizado cerca de 20 anos antes de o território do país ser constituído, em 1947. “Rahmat Ali, o idealizador da independência paquistanesa, juntou ao termo ‘istão’ o vocábulo ‘paki’, surgido a partir de uma combinação das iniciais das áreas reivindicadas pela futura nação. O ‘p’ representava a província do Punjab, enquanto o ‘k’ equivalia à região da Cachemira, no noroeste da Índia.

7365 – Qual é o menor país do mundo?


É o Vaticano, sede da Igreja Católica e residência oficial do papa. Com apenas 0,44 quilômetro quadrado encravado no coração de Roma, na Itália, a menor nação do mundo se tornou independente em 1929. Apesar de ter sua soberania reconhecida pela maioria das nações do planeta, o Vaticano não é considerado um país autônomo pela Organização das Nações Unidas, a ONU. “Oficialmente, o país é uma teocracia, ou seja, governado por Deus e representado pelo papa. A ONU não aceita a teocracia como regime”, diz um estudioso de países com menos de mil quilômetros quadrados. Além do Vaticano, existem outras nações nanicas que conseguiram se livrar de seus países de origem, como as Ilhas Marshall, que se tornaram independentes dos Estados Unidos em 1986, e São Cristóvão e Névis, que se desligaram de Portugal em 1975.
VATICANO (0,44 KM2)
Considerado um enclave religioso em Roma, capital da Itália, o menor país do mundo tem cerca de 900 habitantes, todos membros da Igreja ou funcionários do clero. A cidade tem seu próprio sistema de telefone, correio, estação de rádio, sistema bancário, farmácias e um batalhão de guardas suíços que cuida da segurança do papa desde 1506. Em compensação, suprimentos como água, comida, eletricidade e gás precisam ser importados da Itália. Para conseguir se manter, o Vaticano depende das doações de fiéis e da renda do turismo — o lugar é um dos pontos mais visitados da Europa.
MÔNACO (1,9 KM2)
O principado ocupa uma estreita faixa na costa sul da França e tem fronteiras polêmicas. Algumas das mansões do lugar têm a sala em Mônaco e o quarto na França. De seus 30 mil habitantes, só 5 mil nasceram por lá — os demais são franceses, italianos e ingleses, atraídos pelo glamour desse famoso complexo turístico.
NAURU (21 KM2)
Essa pequena ilha no Pacífico Sul sobrevive da exportação de guano, um fosfato de cálcio composto pelo cocô solidificado de pássaros pré-históricos, que usavam a ilha como banheiro há milhares de anos. Boa parte do mineral, que cobre cerca de 70% da ilha, é trocado por água importada, porque o país não possui nenhum rio ou nascente natural.
TUVALU (26 KM2)
Arquipélago do Pacífico Sul que pode sumir por causa da subida no nível do mar, Tuvalu tem solos pobres para a agricultura. Para piorar, o aumento do nível do oceano também contamina a água potável e prejudica as plantações de coco, a maior fonte de renda dos 11 mil habitantes, agravando a dependência de comida importada.
SAN MARINO (61 KM2)
Segundo a tradição, essa nação, localizada em um pico de calcário na região central da Itália, nasceu no século 4, quando um grupo de cristãos se estabeleceu por lá para escapar da perseguição romana. A partir de 1862, depois da formação das atuais fronteiras da Itália, uma série de tratados confirmou a independência da nação.
LIECHTENSTEIN (160 KM2)
O soberano da nação, o príncipe Hans-Adam II, aparece na famosa lista da revista americana Forbes como terceiro governante mais rico. Espremido num território com poucos recursos naturais, Liechtenstein é o país campeão da ecologia: todas as florestas são áreas de proteção ambiental e não há indústrias pesadas por lá.
ILHAS MARSHALL (181 KM2)
O arquipélago ganhou fama a partir de 1946, quando os atóis de Bikini e Enewetak foram palco para testes nucleares americanos durante 12 anos. Em 1983, 23 anos depois do início da descontaminação, os Estados Unidos aceitaram pagar indenizações aos habitantes do lugar como compensação pelos danos causados pelas explosões.
SÃO CRISTÓVÃO E NÉVIS (269 KM2)
As duas pequenas ilhas de origem vulcânica foram visitadas por Cristóvão Colombo durante sua segunda viagem para a América, em 1493. Grande parcela da população emigra para outros países em busca de emprego, fazendo com que a remessa de salários obtidos no exterior seja uma das principais fontes de renda do arquipélago.
MALDIVAS (298 KM2)
Composta por mais de 1 300 ilhas de coral, Maldivas é um dos mais pobres — e mais estranhos — países do mundo. Só para dar uma idéia, os moradores são campeões mundiais de divórcios. Por lá, só é preciso repetir três vezes a intenção de se separar para que o divórcio seja consumado sem apelação.
MALTA (316 KM2)
Como os malteses são um dos mais antigos povos católicos do mundo, a vida no arquipélago é fortemente influenciada pela religião: há 365 igrejas nas ilhas, uma para cada dia do ano. O maltês, a língua oficial do país, é uma fusão entre o árabe falado no norte da África e o italiano da Sicília, de onde a ilha fica a apenas 96 quilômetros.

7364 – O por-do-sol na Lua


No nosso satélite, o Sol nasce e se põe normalmente, como acontece na Terra. A diferença principal é que, por lá, o fenômeno ocorre num intervalo de tempo muito maior. Compare: por aqui, o astro aparece e some mais ou menos a cada 12 horas. Na Lua, ele ilumina uma região qualquer por quase 15 dias! Dois motivos principais explicam esse curioso fenômeno. Primeiro, o tempo que a Lua demora para dar uma volta em torno do seu eixo é muito maior que o da Terra. Enquanto o planeta completa uma rotação a cada 24 horas, o satélite demora pouco mais de 27 dias para finalizar seu giro. “Mas essa característica, isoladamente, não explica o fenômeno. No final da rotação, o Sol ainda não ilumina o mesmo ponto lunar do início.
sso só vai ocorrer quando o satélite completar o intervalo entre duas fases iguais da Lua – o período entre duas luas cheias, por exemplo. Esse espaço de tempo, chamado de lunação, dura cerca de 29,5 dias terrestres e equivale ao “dia” lunar (acompanhe no quadro). Para os astronautas, conhecer esses detalhes sobre o pôr-do-sol na Lua foi fundamental no planejamento das missões tripuladas que exploraram o satélite . “Para evitar o calor ou o frio intenso, ninguém passou mais de dois dias por lá. Além disso, todos os pousos ocorreram em áreas de Sol nascente ou poente, quando as temperaturas são amenas. Repare como as imagens do homem na Lua possuem sombras compridas, como no nosso fim de tarde ou de manhã.
Para uma pessoa que visse a Terra da Lua, a impressão seria de um planeta imóvel no céu. Isso porque o satélite fica sempre com a mesma face voltada para a Terra. Entretanto, a Lua não está parada: o segredo é que ela dá uma volta completa em torno do seu eixo no mesmo período em que finaliza seu giro em volta da Terra, em pouco mais de 27 dias.
Como a Lua não tem atmosfera, o céu do satélite é sempre preto, mesmo que o Sol esteja brilhando. Pela mesma razão, as estrelas perdem as pontinhas e surgem como círculos luminosos. Na Terra, essa cintilação só ocorre porque os raios de luz sofrem rápidas variações de direção causadas pelos ventos e pelas gotinhas de água que compõem o ar
Em um ponto qualquer da Lua, um dia se inicia com temperaturas amenas e com o Sol despontando no horizonte. A principal diferença em relação à Terra é que essa cena só vai se repetir 29,5 dias depois… O “meio-dia” lunar acontece pouco depois de uma semana do Sol nascer. Com o Sol a pino, a temperatura na superfície do satélite ultrapassa os 100 ºC por causa da ausência de atmosfera. Quase 15 dias depois de nascer, o Sol se põe e a temperatura começa a cair. Pouco mais de sete dias depois, a situação se inverte: é o momento de breu total, a “meia-noite” lunar. Nessa hora, o frio é enorme e os termômetros marcam -150 ºC

7363 – Sociologia – Miséria e Violência nas Grandes Cidades


Um cientista político da USP defendeu a legalização do Jogo do Bicho, regulamentação e legalização do uso das drogas e cobrança de altos impostos para tais atividades. Sua tese é a de que a população das favelas é criminalizada pela Imprensa e que há convívio de setores da população do morro com traficantes por medo e auxílio que estes lhes dão, na ausência do poder público. Haveria também boas relações entre os traficantes e setores da classe média alta, que são seus mercados de consumo. Em São Paulo ainda chega por ano um grande número de imigrantes, coisa que já não acontece no RJ há décadas. Em ambas as cidades, a classe média alta vem se enclausurando em condomínios e shoppings.
Em pleno século XXI, grande parcela da população mundial padece com velhos inimigos, a desigualdade social e a pobreza. Estes problemas são os responsáveis por levar um grande contingente de pessoas na maioria jovens ao roubo, as drogas e ao crime organizado, estas ações, em muitos casos são alternativas para que estas pessoas tenham condições de sobreviver e serem aceitas no meio em que vivem. Este contingente marginalizado pela sociedade por não desfrutar de um bom nível de instrução e possuir um potencial econômico incapaz de subsidiar suas necessidades básicas estão à deriva e expostos a ação das facções que corrompem os cidadãos. Cabe aos governantes, instituir em seus programas de governo, uma política séria, honesta e transparente de inclusão social aos desfavorecidos, com a finalidade de combater o analfabetismo, a informalidade, a fome e o desemprego. Estas medidas devem ser uma forma de auxiliar na formação destas pessoas, prepará-las para ter as mesmas chances na busca por um emprego ou por um curso de profissionalização que é acessível a um cidadão que possui uma boa condição financeira. As grandes nações que possuem um alto potencial econômico-financeiro devem olhar com bons olhos essas causas, e dar as suas contribuições às nações mais necessitadas, quer seja de forma financeira, na abertura de seus mercados para os países subdesenvolvidos, ou de diálogo, minimizando conflitos que existem por questões raciais.

7362 – Gigantismo Abissal


É o processo evolutivo em que as criaturas marinhas que habitam grandes profundidades (abaixo dos 4000 metros, tanto pelágicas como bentônicas) tendem a aumentar de tamanho. Pensa-se que tenha o objetivo de baixar o metabolismo destes organismos, uma vez que a estas profundidades encontrar alimento ou parceiro é muito difícil.
Um lugar escuro, frio e que abriga milhares de espécies peculiares. Essas criaturas são conhecidas como “peixes abissais” e são muito curiosos, quando não fascinantes, apesar da aparência estranha e, muitas vezes, terrível. Biólogos e cientistas afirmam que muitos desses seres marinhos ainda são desconhecidos pelo homem. Estipula-se que temos conhecimento de apenas 20% das formas de vida dos oceanos. Alguns vivem a cerca de cinco mil metros de profundidade, em fendas e rochedos. No entanto, de tempos em tempos, emerge uma nova espécie a dar-nos o ar da sua graça.
Geralmente, a aparência das criaturas abissais é atípica. Isso se dá por causa da adaptação física a que foram submetidas a fim de sobreviver às difíceis condições nos ambientes inóspitos dos abismos marinhos, desenvolvendo formas quase aterradoras.
Tais animais desenvolveram, também, técnicas e capacidades interessantes. Por causa da escuridão, da ausência de algas e outros peixes nessas regiões, sua busca por alimento torna-se uma das maiores sagas marinhas pela sobrevivência. Algumas delas possuem grandes capacidades sensoriais, sendo capazes de identificar a presa na mais profunda escuridão. Outras espécies possuem bocas colossais com uma abertura duas vezes maior do que o próprio tamanho. Outras produzem sua própria luz para atrair as presas por meio de um processo chamado bioluminescência. Para reproduzirem-se, muitas conseguem amadurecer como machos e, após um período, como fêmeas. A característica hermafrodita dribla a falta de parceiros. O distinto habitat também influencia as cores desses peixes – geralmente marrons, cinzas e negros.

Peixe Ogro
Se existe um peixe que mais parece um monstro alienígena, ei-lo. É o peixe ogro, uma espécie da família “Anoplogastridae” que vive em águas tropicais dos oceanos Pacífico e Atlântico, a mais de cinco mil metros de profundidade. Sua principal característica são os dentes caninos, os maiores encontrados nas espécies de peixes. O peixe ogro é um peixe muito pequeno, um dos menores dos oceanos, porém robusto. Sua aparência tenebrosa se deve aos dentes, olhos enormes e espinhos na cabeça. No entanto, são tidos como peixes inofensivos.

Stargazer
Este tipo de peixe também pode ser encontrado em águas rasas. Pertence à família “Uranoscopidae”, dividida em oito tipos diferentes. Além do aspecto bizarro, eles são venenosos e algumas espécies podem causar choques elétricos.

O Oarfish é uma das espécies mais estranhas já encontradas nos oceanos. É um dos maiores peixes que existem e tem o formato de uma lâmina. Mas sua característica mais estranha é que ele também nada na vertical.

Tamboril
Com uma cabeça desproporcional ao corpo, possui afiadíssimos dentes e uma estranha antena no alto da cabeça, utilizada para o ataque, parecida com uma varinha de pesca. Por isso também é conhecido como peixe pescador. Ele abocanha suas vítimas utilizando-se do processo de bioluminescência, emitindo luz para atraí-las. Uma de suas principais características é seu poder de camuflagem. Ele se esconde junto ao fundo do oceano e fica praticamente invisível à espera das presas.

Caranguejo-aranha gigante
Também conhecido como aranha do mar, é um dos mais gigantescos animais abissais. Muito encontrado na costa japonesa, o caranguejo-aranha gigante, quando com as patas esticadas, pode atingir até quatro metros e pesar 20 quilos.

Peixe-dragão
Encontrados nos oceanos Índico e Pacífico, esses peixes são predadores muito competentes por possuírem diversos espinhos dorsais e peitorais, com os quais prendem suas vítimas, engolindo-as por inteiro. Esses espinhos também têm glândulas que armazenam veneno.

Quimera
Este peixe é parente dos tubarões e das raias. É considerado uma das espécies mais antigas de seres marinhos. Possui o maxilar junto ao crânio, o que lhe dá um aspecto desagradável. Os machos têm cinco barbatanas e um espinho ligado a uma glândula venenosa. Nadam em águas frias.

Dragão marinho
Parente do cavalo-marinho, essa estranha forma de vida abissal possui uma estética mais fantástica do que assustadora, diferente dos seus colegas. Todo o seu pequeno corpo carrega o que parecem folhas, dando-lhe um visual muito artístico quando se move. É mais comum nas águas da Austrália e suas cores vivas o fazem uma exceção entre as criaturas escuras que por lá vivem. Essas cores também servem como camuflagem para a própria proteção.

Lula-colossal
É a maior espécie de lula já encontrada. Um exemplar foi capturado na Antártida, em 2007, medindo 10 metros e pesando quase 500 quilos. Este tipo de lula vive a entre 1000 e 2500 metros de profundidade.
A enigmática zona abissal abriga uma fascinante parte da fauna marítima. Há milhares de outras espécies de seres abissais, e muitas delas ainda não conhecemos. E, a cada dia, fica claro que sabemos mais sobre a superfície da lua do que sobre os mistérios das profundezas dos oceanos.

lula-colossal

7361 – Mega Memória Varejo – O Paes Mendonça


No início era uma pequena padaria no meio do Sergipe, mas depois de meio século, o empresário Mamede Paes Mendonça controlava um império com faturamento anual de 2 bilhões de dólares. Com 135 lojas, era então a 3ª maior rede atrás somente do Carrefour e do Pão de Açúcar.
Ele não concluíra sequer o curso primário. Começou a trabalhar na roça aos 7 anos para ajudar o pai no sustento da família de 12 irmãos, acordando de madrugada e trabalhando em média 12 horas por dia. Aos 21, já casado, chegou à conclusão que a enxada não satisfaria a sua ambição. Ele e um irmão juntaram as economias e compraram uma padaria em 1937. Cinco anos depois, eles ampliaram a ação comercial comprando um prédio em Itabaiana, Sergipe e começaram a vender arroz, feijão e cachaça. O negócio prosperou e em 1951 começou a construir seu império em Salvador.
Atribuíra seu sucesso a 3 fatores: tino comercial, apoio dos parentes e muita disposição para o trabalho. Seu lema era “comprar bem para vender barato”, o que, alias também é praticado pelas concorrentes.
Com o seu falecimento, a rede foi incorporada ao Pão de Açúcar de Abílio Diniz.

Cadê o tutu, barão?

paes mendonça

João Carlos Paes Mendonça foi um dos mais importantes barões da história do varejo brasileiro. Ex-dono do Bom Preço e membro da família que foi controladora da rede Paes Mendonça, uma das maiores supermercadistas do País, ele tem autoridade como poucos para avaliar o setor. E seu veredicto é ousado: “Ninguém entende de varejo no Brasil”, diz este sergipano de 71 anos, 60 deles dedicado ao segmento. “Nem eu mesmo.” Homem de diálogos francos e diretos, Paes Mendonça sempre primou pela sinceridade. “É muito difícil entrar em cidades ou regiões que não se conhece. Veja o exemplo do Abilio Diniz, que tentou entrar na Bahia sem sucesso, e o Michael Klein, da Casas Bahia, que acabou saindo do Rio Grande do Sul. É mais complicado entender o consumidor do que se pensa.” Afastado do ramo de supermercados, Paes Mendonça quer voltar a investir em São Paulo, mas agora sua prioridade é outra. “Estou no negócio de shopping centers há anos. De supermercado, não quero saber mais”, diz.
O crescimento médio da companhia não tem sido inferior a 20% ao ano, segundo fontes ligadas à empresa, que atua também na área de comunicação e construção civil. “Em São Paulo, somos minoritários e eu pretendo continuar assim”.
Quando ele se desfez da rede Bom Preço, adquirida pelos holandeses da Royal Ahold em maio de 2000, Paes Mendonça abriu mão de um negócio que pertencia à família há mais de seis décadas. Hoje, a rede é controlada pela americana Walmart. À época, ninguém entendeu muito bem o que ele havia feito. Aos mais próximos, disse que era o momento de sair de cena, já que a disputa entre os gigantes do segmento ficaria feia. E o cheque, de R$ 600 milhões, segundo rumores da época, era gordo. O estilo pragmático é marca registrada de toda a família. Em maio de 1999, a rede Paes Mendonça, liderada pelo tio Mamede Paes Mendonça, alugou os seus 25 pontos para Abílio Diniz, do grupo Pão de Açúcar. O motivo do acordo: endividada e pouco capitalizada, não tinha fôlego para brigar com os rivais mais fortes (Diniz os transformou em pontos das redes Extra, Pão de Açúcar e CompreBem).Apesar de estar há uma década distante do chão de loja de uma rede supermercadista, o empresário fala do antigo negócio com paixão escancarada: “Na outra encarnação, eu quero voltar como varejista de novo.”