7260 – Já nevou no deserto do Saara?


O fenômeno só rolou uma única vez, mas foi uma nevasca bem no coração do deserto. Tudo ocorreu em 18 de fevereiro de 1979, no sul da Argélia. Existem poucos relatos científicos sobre o fato, mas é provável que a nevasca tenha acontecido durante a noite, quando a temperatura no deserto pode cair abaixo de 0ºC. A tempestade de neve durou apenas meia hora e não deixou vestígios, pois a neve derreteu em poucas horas. Os cientistas arriscam que a principal explicação para a nevasca no Saara é a baixíssima umidade do local. Isso ocorre porque as montanhas do Atlas, ao norte do Saara, “emparedam” o deserto, impedindo a entrada de ar úmido. Passam apenas algumas massas de ar seco, que em condições raras podem fazer chover – ou, em condições ainda mais raras, fazer nevar. “Com baixa umidade, a água que cai das nuvens tende a passar direto do vapor para o estado sólido porque a temperatura da superfície das gotículas diminui, formando cristais de neve.
É a mesma coisa que acontece quando saímos de uma piscina num dia com ar seco: sentimos frio porque a superfície das gotículas de água esfria”, afirma o pesquisador Andrew Heymsfield, da Corporação Universitária para a Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos. Só que não adiantaria nada ter ar seco e uma temperatura superquente – nesse caso, os cristais de gelo derreteriam. Por isso que a tempestade deve ter rolado à noite – o fato é que, para rolar uma nevasca, a temperatura não precisa estar abaixo de zero. “Existem muitos registros de neve a até 12 ºC, e o Saara pode perfeitamente ter atingido essa temperatura durante a noite”, diz Andrew. Se a neve é um fenômeno raro em desertos quentes, não é tão difícil de acontecer nos desertos frios. Um exemplo é o deserto de Atacama, no Chile, que tem uma camada de neve que nunca chega a derreter em suas partes mais altas.

Se todos os casais tivessem apenas um filho, em quanto tempo a raça humana se extinguiria?
Se isso realmente acontecesse, a raça humana sumiria daqui a 2 450 anos! A lógica dessa estimativa é que, se de um casal sai só um filho, a população diminui em 50% a cada geração. Quem nos ajudou a chegar a esse número foi um estatístico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que fez as seguintes contas para cravar os 2 450 anos:
Achar as variáveis da equação. Numa progressão geométrica (PG), precisamos do termo inicial, do final e da razão (a medida em que os termos aumentam ou diminuem). O termo inicial é a população mundial, cerca de 6,5 bilhões de pessoas. O termo final é 1, a última pessoa que vai sobrar. E a razão é 0,5, os 50% de redução a cada nova geração. Isso tudo considerando que, dos 6,5 bilhões de pessoas, 50% são homens e 50% são mulheres.
Calcular as gerações para que os 6,5 bilhões se reduzam a 1. O resultado é 33,6 – vamos arredondar para 34, afinal não existe “meia” geração de pessoas.
Transformar o número de gerações em anos. Para isso, foi considerada uma expectativa de vida de 70 anos para cada pessoa. Multiplicando por 34, chegamos a 2 380 anos.
Somar a vida da última geração. Aos 2 380 anos, somam-se mais 70 – os anos que o último habitante vai viver. Eis o resultado final: 2 450 anos. Como estamos em 2006, a extinção da humanidade seria no ano 4456.
É claro que isso é apenas um cálculo aproximado. “Há outras variáveis importantes que não foram consideradas na equação, como a quantidade de casais que efetivamente se casam, a fecundidade das pessoas e se todos são heterossexuais”.