7233 – Sociologia – O que são os “Bóias-Frias”?


Assalariado rural, o trabalhador que, expulso do campo, vai constituir uma massa de trabalhadores temporários (volantes) residindo nas periferias urbanas. Migram de uma região agrícola para outra, acompanhando o ciclo produtivo das diversas culturas. São agricultores em diversas lavouras mas não possuem suas próprias terras. Podem ser considerados proletários rurais.
A associação do setor agropecuário ao industrial, orientado por medidas e políticas com vistas a um aumento da produção e atento às necessidades do mercado interno e externo, a partir da década de 60, legou ao trabalhador rural a herança da exclusão social e política, transfigurada em modernização agrícola. Dessa forma, o Estado, para não obstaculizar o crescimento da economia, implementa ações que resultam no desenvolvimento de relações capitalistas no campo.

Uma Vergonha Nacional
Os boias-frias eram conduzidos sem segurança, geralmente nas carrocerias de caminhões de casa até as plantações. Os locais variam de acordo com as épocas do ano e as épocas de colheita.
O nome advém do fato de estes trabalhadores levarem consigo suas próprias refeições (na gíria, boia) em recipientes sem isolamento térmico desde que saem de casa, de manhã cedo, o que faz com que elas já estejam frias na hora do almoço.
Em anos recentes, houve diversas denúncias e casos de bóias-frias flagrados sob exploração de trabalho escravo ou semi-escravo, o que faz desta classe um tema constante na luta por direitos humanos.
E vivem de trabalhos mal remunerados, mudando constantemente de trabalho para que tenham dinheiro para sobreviver.
Os boias-fria surgiram principalmente pelo trabalho assalariado nas propriedades rurais. Eles eram pequenos proprietários de terras que ganhavam muito pouco com o que produziam, e quando os grandes proprietários de terras passaram a oferecer pagamento, e não parte da produção, esses pequenos proprietários venderam suas terras e foram trabalhar nas lavouras, principalmente de cana.
Atualmente o termo “politicamente” mais adequado é “trabalhador rural”.
Normalmente eles trabalham apenas em tempos de semeadura e colheita.

7232 – A Coruja Gigante de Cuba


Encontrada apenas em Cuba, esta coruja passou a maior parte de sua vida no chão, pela razão óbvia de seu tamanho grande. No entanto, ainda podia voar rapidamente por distâncias curtas, como um peru. Como todas as corujas, essa tinha um agudo senso de audição e visão, permitindo-lhe caçar presas em baixos níveis de luz. Também foi especulado que a coruja gigante cubana era uma corredora bem sucedida capaz de perseguir a presa antes de matá-la.
Essa coruja era maior que as modernas por cerca de um metro. Também tinha o dobro do peso do espécime mais pesado hoje. Mais uma vez, os seres humanos foram culpados por essa extinção, já que o fato de ser um pássaro grande com hábitos terrestres significava uma caçada fácil. A última coruja da espécie deve ter morrido cerca de 8.000 anos atrás.
As corujas vivem em praticamente todos os continentes, exceto a Antártida, são 212 espécies no mundo todo, semelhantes a bacurais e gaviões, tem modo de caçar semelhante e vida noturna.
A coruja gigante de cuba tinha uma envergadura de cerca de 1,10m e um peso de cerca de 9 quilos.

Mais uma espécie extinta
Mais uma espécie extinta

7231 – Guepardo Americano – Um Velocista Extinto


guepardo americano

O guepardo-americano ou chita-americana (gênero Miracinonyx) é um gênero de pelo menos duas espécies de felinos extintos, morfologicamente similar à chita moderna, mas com adaptações que possibilitam que eles corressem rapidamente. Provavelmente evoluiram de forma independente. Existiu desde três milhões de anos atrás até à dez ou vinte mil anos no continente americano. O guepardo (ou chita) é do gênero Acinonyx, ao qual a chita moderna e seus antepassados mais próximos pertencem, e podem ser mais estreitamente relacionadas com espécies de Puma.
A investigação sobre a chita americana tem tido resultados contraditórios. Inicialmente acreditava-se que se tratava de um representante antigo dos pumas, antes de ser reclassificado na década de 1970 como um parente próximo do chita. Isto sugere que os ancestrais das chitas divergiram da linhagem do Puma nas Américas e migraram de volta ao Velho Mundo, uma reivindicação reiterada, muito recentemente por Johnson et al. (2006). Uma outra análise genética e morfológica, sugeriu a inversão da reclassificação: a chita americana desenvolveu características através da evolução convergente, mas são mais estreitamente relacionadas com o puma e não com o moderno chita da África e da Ásia. A suposta origem Americana do moderno chita é então equivocada; porém, acredita-se terem evoluído dos acentrais com características de puma, tanto no Velho como no Novo Mundo.
M. trumani foi o mais semelhante às chitas na morfologia. Viviam nas pradarias e planícies do oeste da América, foi provavelmente um predador de animais de planícies. Uma de suas presas seria o Pronghorn. A predação que o Miracinonyx exercia é o que se pensa ser a razão dos Pronghorns evoluirem de forma a correr tão rapidamente. 96 km/h era a sua velocidade máxima e muito mais do que necessário para fugir dos predadores como pumas e os lobos cinzentos.
A semelhança entre M. trumani e a chita é um exemplo de evolução paralela. Como as savanas tornaram-se mais comuns tanto na África como na América do Norte, as espécies de ambos os continentes evoluíram para predar os novos herbívoros. As garras de M. trumani tornaram-se apenas parcialmente retráteis, para serem utilizados para uma melhor aderência em altas velocidades, tal como os guepardos modernos (que tem garras semi-retrácteis, aparentes mesmo quando recolhidas ao máximo).

As proporções de M. inexpectatus eram mais parecida com a do puma. Tinha garras retráteis, e embora tenha sido mais rápido do que o puma por conta de seu físico magro, também pensa-se ter sido mais adepto a escalar do que M. trumani.

Tendo algumas semelhanças ao guepardo africano e notavelmente parecido fisicamente com este, o guepardo americano é considerado um caso de evolução convergente, ou seja, uma situação na qual duas espécies diferentes evoluem e acabam parecendo uma com a outra. O guepardo era cerca de 10 kg mais pesado, suas garras eram completamente retráteis e seus membros dianteiros eram muito mais resistentes, o que sugere que não era um corredor especializado.
Como a maioria dos predadores da América, o animal morreu de uma combinação de mudanças climáticas, fonte de alimento escassa e invasão de humanos. O último espécime conhecido viveu a cerca de 10.000 anos atrás.

7230 – Os animais mais velozes do mundo


Animal: Zebra.
Velocidade: 64 km/h.
Muito comum nas savanas africanas, as zebras são um dos pratos preferidos dos leões e perdem feio na maratona contra seus predadores. Mas, mesmo sendo mais devagar, não são abatidas com tanta facilidade. Isso porque a sua velocidade, junto com as listras, cria um efeito visual que confunde os felinos. Como eles enxergam em preto e branco, não conseguem distinguir a silhueta do animal e, muitas vezes, erram o bote.

Papaléguas é fichinha!
Animal: Coiote.
Velocidade: 69 km/h.
É só no desenho animado que o coiote perde para o papaléguas. No mundo real, o canídeo da América do Norte pode atingir mais que o dobro da velocidade do galocorredor, que chega aos 30 km/h. Essa habilidade foi desenvolvida para que o seu cardápio não se restringisse à ave. Veados, lebres e outros animais velozes também estão entre suas presas. Mas ele também pode se alimentar de insetos, frutas, cobras e até carniça.

Animal: Pato-eider.
Velocidade: 76 km/h.
Embora viva a maior parte do tempo no mar, mergulhando para encontrar seus alimentos – crustáceos, moluscos e estrelas do mar –, não é nadando que o pato atinge sua maior velocidade. É durante o voo que ele é mais rápido, com o objetivo de migrar para o sul antes de o inverno chegar a seu habitat natural, que fica concentrado em regiões como o norte da Europa, da Groelândia, do Canadá, do Alasca e da Sibéria.

Animal: Gnu.
Velocidade: 80 km/h.
Este parente dos búfalos, dos antílopes e das vacas é um dos maiores mamíferos africanos. Apesar de chegar aos 270 kg, ele precisou desenvolver a habilidade de correr para escapar de leoas, leopardos e hienas, seus principais predadores. Herbívoro, o gnu costuma viver em grupo, que migra por longas distâncias em busca de água e comida – principalmente entre as planícies do Quênia e da Tanzânia.

Animal: Leoa.
Velocidade: 80 km/h.
Caçadoras natas, as leoas são capazes de disparar a essa velocidade em uma curta distância – principalmente quando estão caçando. Isso porque muitas de suas presas são muito velozes, como o gnu. O peso (cerca de 180 kg) e a ausência de pelos espessos, como os de seu parceiro, contribuem para uma corrida mais leve e confortável. Já os leões, que pesam cerca de 250 kg, não conseguem ultrapassar os 58 km/h. Atrás de todo rei da selva há uma grande rainha…

Animal: Gazela-thompson.
Velocidade: 80 km/h.
A espécie é muito comum na África e vive em grupos de cerca de 50 animais. É bem miúda: mede, em média, não mais que 60 cm e pesa 25 kg. O seu pequeno porte permite fazer curvas com mais eficiência e velocidade – característica que a ajuda a escapar das garras de seu principal predador, o guepardo. Já a cor amarronzada e as listras pretas na face e no corpo ainda dão aquela força para que ela se camufle em meio às savanas.

Animal: Antilocapra.
Velocidade: 98 km/h.
A rapidez do quadrúpede se deu por uma questão evolutiva: fugir de seu predador, o extinto guepardo-americano. Os antilocapras também foram alvo de pioneiros norte-americanos e quase foram extintos. Com a proibição da caça, foi possível salvá-los e hoje somam mais de 3 milhões, espalhados pela América do Norte. Ainda são caçados por lobos, coiotes e linces, mas esses vão ter de se esforçar para abater essa presa veloz.

Ben Jonhnson dos oceanos
Animal: Agulhão-vela.
Velocidade: 110 km/h.
Encontrado nos oceanos tropicais, este apressadinho também é conhecido como peixe-espada. Ele tem a extremidade do focinho longa e pontiaguda, que ajuda a cortar a pressão da água, aumentando a velocidade com que se locomove. Isso ajuda o bicho a fugir dos predadores (entre eles, o homem, já que essa espécie é um dos principais alvos da pesca esportiva) e também a capturar pequenos peixes, dos quais se alimenta. A vistosa nadadeira do dorso ajuda a direcionar seu corpo.

Sarah quase voando
Sarah quase voando

Flecha Amarela
Animal: Guepardo.
Velocidade: 115 km/h.
O corpo contribui para que ele tenha agilidade nos movimentos. As unhas, por exemplo, ficam sempre expostas e se fincam no chão, evitando que o animal derrape nas curvas. O tronco esguio e a cauda longa ajudam a cortar o vento e manter o equilíbrio, enquanto as linhas pretas abaixo dos olhos impedem que o reflexo do sol atrapalhe as caçadas diurnas. Isso permite que ele tenha uma arrancada de 72 km/h.

Animal: Falcão peregrino.
Velocidade: 320 km/h.
O animal mais rápido do planeta atinge sua velocidade máxima durante a caça. Para alcançar sua presa, fecha as asas e mergulha no ar, utilizando a gravidade a seu favor. Com isso, consegue atingir 320 km/h – que é quase a velocidade máxima de um carro de F1, que chega a 370 km/h. A espécie mede entre 38 e 53 cm de comprimento e pode pesar até 1,5 kg, Habitante do Hemisfério Norte (EUA e Canadá), o falcão se alimenta de outras aves, como pombos, e migra para o Brasil na época da primavera, podendo ser vista até mesmo em grandes cidades – trocando seu ninho em penhascos pelo topo de arranha-céus.

7229 – Quem não vira bolsa, evolui – Como foi a evolução dos crocodilos?


Foi um lento processo que começou há 250 milhões de anos, no período Triássico, com o surgimento dos crocodilotársios. Esses animais possuíam uma articulação específica no tornozelo,permitindo mover a pata lateralmente – e que ainda existe nos crocodilianos de hoje em dia. Aliás, as atuais 27 espécies são bem parecidas entre si, com o corpo alongado, revestido de escamas ossificadas(os osteodermas), a cauda forte e o focinho longo e cheio de dentes. Mas, no passado, havia centenas de espécies bem diferentes, muitas delas surgidas nos períodos Jurássico e Cretáceo.

Purussaurus brasiliensis
Seu nome deriva do local onde foi encontrado, o rio Purus, no Acre. Podia alcançar cerca de 15 toneladas devido à grande disponibilidade de alimento: ele predava roedores gigantes, com o tamanho de uma vaca atual

Baurusuchus albertoi – 90 milhões de anos atrás

Tinha os olhos voltados para a frente e a mandíbula bem alta e desenvolvida, com dentes concentrados na parte da frente do focinho. Isso indica que ele agarrava a presa com muita força para arrancar pedaços de carne.

Sarcosuchus imperator – 110 milhões de anos atrás

Este supercrocodilo foi encontrado no deserto do Saara. Na sua época, a região era uma rica floresta, com grandes lagos. A dieta dos filhotes provavelmente era composta de peixes, mas adultos podiam predar dinossauros grandes.

Metriorhynchus superciliosus – 160 milhões de anos atrás

Crocodilo que se adaptou ao ambiente marinho. Tinha um focinho longo e com muitos dentes afiados, para predar peixes, e membranas entre os dedos, para facilitar a natação. Foi descoberto na Inglaterra.

Prestosuchus chiniquensis – 230 milhões de anos atrás

Foi o maior predador da sua época, alimentando-se de espécies como dicinodontes e cinodontes. Mas era muito ágil graças a suas patas fortes, com grandes garras. Foram encontrados fósseis em São Pedro do Sul (RS).

Desmatosuchus spurensis – 230 milhões de anos atrás

Descoberto no Texas, EUA, este animal faz parte de um grupo parente dos crocodilos, chamados aelossauros, já extintos. Era herbívoro e coberto por placas ósseas, com dois grandes espinhos na altura dos ombros.

7228 – Conflitos – A Espionagem


Um grupo de agentes secretos de primeira linha do governo americano se reuniu num hotel de Washington para discutir o futuro da categoria. Preocupados com uma ameaça de cortes de verba pela Central Intelligence Agency (CIA), eles chegaram à conclusão de que pelo menos 20% dos profissionais da área correm risco de demissão. A saída para eles é se transferirem para a iniciativa privada. O que não é um mau negócio. As agências de detetives dos Estados Unidos recebem, em média, cerca de 900 pedidos de informações comerciais por mês. E o mercado está em franco crescimento.
Longe dos governos, o espião não é mais aquele. Seu inimigo prioritário não é o comunismo, é a empresa concorrente. Mesmo assim, ele ainda ainda tem um quê de 007. É superequipado e enfrenta uma contra-espionagem eficiente. E a sua rotina de trabalho continua bem arriscada.
A bisbilhotagem oficial também não acabou. Nem vai acabar. Apesar das ameaças, os Estados Unidos continuam gastando com espionagem cerca de 16 bilhões de dólares por ano, segundo um estudo de Steven Aftergood, da Federação de Cientistas Americanos, uma organização independente. Mas, com o encerramento da guerra fria, o fim da União Soviética e o desmoronamento dos regimes comunistas do Leste Europeu, a aplicação do dinheiro tomou outros rumos. Hoje, apenas 40% dele é destinado a xeretar a atividade dos russos, que já chegou a atrair quase 70% do total.
A aviação militar cubana derrubou dois aviões do grupo Irmãos para o Resgate (IR), que ajuda exilados cubanos em Miami. A queda dos aparelhos, que teriam invadido o espaço aéreo de Cuba, trouxe à tona mais um caso de espionagem internacional, envolvendo o suposto agente duplo Juan Pablo Roque. Ex-piloto militar cubano, Roque vivia nos Estados Unidos desde 1992 e trabalhava para o IR. No dia seguinte à queda dos aviões, ele deu entrevista à rede de TV americana CNN. Só que estava em Cuba, e dizendo que havia prevenido o FBI sobre o ataque. O FBI desmentiu, mas admitiu ter-lhe pago 6 700 dólares por informações sobre o IR. Depois disso, Roque desapareceu. Vá entender para quem ele trabalhava.
Embora ainda não tenha tido um desfecho, o caso mostra que o mundo continua cheio de gente que espiona por motivos políticos. Mas o que mais cresce é o mercado das outras modalidades de espionagem. “Nossa sociedade está cada vez mais centrada na informação. Todos espionam todos”, diz Harold Keith Melton, historiador militar americano especializado em espionagem. Escolas de detetives formam bisbilhoteiros de quinta categoria no mundo inteiro. Em geral, eles oferecem seus préstimos a gente desconfiada da fidelidade da cara-metade.
Eles ficaram com as maiores emoções (e a melhor tecnologia) da profissão. Os chamados espiões industriais vivem nas spy shops dos Estados Unidos. Nessas lojas eles encontram desde microfones disfarçados em canetas até detectores de bombas, passando por manuais antiguerrilha e carros blindados. No Brasil, coisas assim são menos comuns. Mas não é difícil achar, nas casas especializadas em produtos elétricos e eletrônicos, o famoso grampo, aparelho usado para interceptar ligações telefônicas. Basta chegar e pedir um gravador de entrevistas por telefone. Custa algo em torno de 100 reais.
A Associação Brasileira de Empresas de Vigilância e Segurança estima que as 500 maiores companhias instaladas no Brasil perdem até 17 bilhões de reais por ano em conseqüência de espionagem. Por isso, elas gastam cada vez mais em contra-espionagem. Até o começo desta década, o investimento em assessoria e equipamentos para tapar o buraco da fechadura não chegava a 20 milhões de reais ao ano. Hoje está perto dos 50 milhões. Nos Estados Unidos gasta-se quarenta vezes mais. Segundo conta Lucas Blanco, diretor de Desenvolvimento e Operações da Ensec, a maior empresa privada de sistemas de segurança do país, que tem entre seus clientes ninguém menos que a Casa da Moeda, isso ocorre porque lá quem tem um sistema de segurança eficiente pode ganhar, entre outras coisas, descontos no seguro.
Apesar de todo o cuidado, no entanto, os americanos se sentem ameaçados.“Empresas e governos estrangeiros economizam fortunas roubando projetos em fase final de desenvolvimento nos EUA”, diz o escritor Keith Melton. “A China envia estudantes para nossas universidades e algumas vezes eles voltam com produtos e idéias. Para a França, os próprios agentes de inteligência oficiais fazem o serviço.”

7227 – Mulheres chegam a Vênus


Uma centena de personagens femininas famosas, como Mary Stuart (1542-1587), rainha dos escoceses, ou Georgette Chapelle, fotógrafa assassinada na Guerra do Vietnã, estarão em breve emprestando seus nomes às crateras de Vênus. Uma convenção internacional decidiu que as características do planeta devem ter nomes de mulher. O responsável por esse batismo é o geólogo americano Gerald Schaber. Justamente com outros colegas, ele selecionou nomes num amplo elenco de cientistas, poetisas, artistas e rainhas, que serão submetidos à aprovação da União Astronômica Internacional.
Assim que o satélite Magalhães terminar o mapeamento da superfície de Vênus, mais 1000 novas características do planeta luminoso estarão à espera de um nome. “Estamos abertos a sugestões”, proclama Schaber. Os administradores do sexo feminino interessados em colaborar com a ciência podem mandar suas propostas ao escritório da US. Geological Survey, em Flagstaff, no Arizona, acompanhadas de documentos e pequenos resumos sobre a vida das mulheres indicadas. A única condição é que elas tenham morrido há pelo menos três anos.

7226 – Fábricas de Tecnologia


Como um dos mais avançados instrumentos da Física moderna, o papel dos epitaxiadores é transformar materiais comuns no mais tênue vapor de átomos imaginável. Tanto que, em seguida, esse gás solidifica-se sobre uma placa metálica à taxa de apenas 1 milímetro a cada 1 000 horas, ou 1 milionésimo de milímetro a cada três ou quatro segundos. Isso significa que os epitaxiadores são versões ultramodernas das forjas, pois são capazes de operar em escala atômica. Diferentes substâncias, vaporizadas em seus diversos fornos, acabam cristalizadas uma por vez, em camadas infinitesimais e numa ordem precisa de modo a gerar materiais com propriedades nunca vistas na natureza.
Exemplo disso são os novos chips de arsenieto de gálio, consagrados como peças fundamentais dos discos laser, nos quais eletricidade e luz interagem para codificar e armazenar informações. Imagina-se que, nos anos vindouros, os epitaxiadores conduzam, entre outras coisas, ao computador tridimensional, ou seja, um circuito eletrônico sem partes desmontáveis, desenhado entre os átomos de um único cristal. Algo como um pedregulho dotado de inteligência…Aplicações como essa, naturalmente, transformam os epitaxiadores em cobiçados equipamentos industriais. Elas têm mais valor, no entanto, como instrumentos de pesquisa, isto é, não por aquilo que já podem fabricar, mas sim por aquilo que podem ensinar a fazer, no futuro. É com esse caráter que tais máquinas começam a chegar ao Brasil, à medida que os físicos brasileiros, de mangas arregaçadas, procuram enfrentar o desafio nada usual de seu ofício: investigar as mais distantes fronteiras da realidade e antecipar as novas conquistas tecnológicas.Para isso, foram montados quatro epitaxiadores: em Belo Horizonte, MG, e em três cidades paulistas, a capital, São Carlos e Campinas. Nesse último local, entretanto, as atenções se voltam para um instrumento ainda mais sofisticado, a fábrica de luz síncroton. Trata-se de um anel gigante, de 80 metros de circunferência, já intitulado, internacionalmente, de instrumento científico da década.

Sua função é produzir feixes muito intensos de luz comum e ultravioleta, como os lasers, mas também raios X, mais energéticos e até agora inacessíveis aos lasers. Foi necessário um admirável trabalho de engenharia avançada para domar esses pulsos de energia radiante.Numa primeira etapa, partículas subatômicas, como o elétron, têm que ser aceleradas por um sofisticado sistema de ondas de rádio. Isso é feito num tubo de 9 metros de comprimento onde se faz altíssimo vácuo, encontrável apenas a 300 quilômetros acima da superfície da Terra. Injetados, em seguida, numa estrutura circular de nome síncrotron, onde são obrigados a fazer curvas apertadas a uma velocidade bem próxima à da luz, os elétrons cospem energia espetacularmente em todo o vasto contorno do anel. Os raios jorram em afiadíssimos pulsos que duram milionésimos de segundo e têm uma espessura 2 000 vezes menor que 1 centímetro.Tanto os epitaxiadores como a luz síncrotron serão usadas no setor mais dinâmico da Física atual—a Matéria Condensada—na qual trabalham 40% dos físicos do mundo e mais da metade dos brasileiros. Em poucas palavras, a Matéria Condensada procura sondar o microcosmo em que se agitam átomos e moléculas. Nesses abismos, vigoram as leis básicas que fazem o vidro ser vidro, por exemplo, ou um ímã agir como tal.Se bem compreendidas, portanto, essas leis podem tornar-se a chave de metamorfoses notáveis—a idéia é gerar, entre outras coisas, vidros com a força do aço, ou metais dotados da resistência das cerâmicas ao desgaste. O mesmo vale para as moléculas orgânicas e já há quem pense, por exemplo, em dominar o mecanismo que permite à clorofila das plantas converter energia solar em eletricidade.
Ele poderia ser usado numa revolucionária usina vegetal — onde uma bateria de plantas energizariarn as redes elétricas do país. Mera especulação, por enquanto: mas ela pode concretizar-se.