6942 – Religião – Meca, o centro do Islamismo


Ali fica o santuário de Kaibah, construído no 2° milênnio antes de Cristo. Segundo a tradição islamita, lá é o único local sda Terra que as forças celestes teriam tocado. Foi também em Meca que Maomé nasceu e está enterrado (570-652), fundador da religião islâmica. Situada na Arábia Saudita, a cidade já era ponto de parada de caravanas e centro comercial antes de Maomé. Mas, os maometanos, também chamados de muçulmanos, que hoje são cerca de 1200 milhões espalhados pelo mundo, a converteram em sua capital. De acordo com os preceitos religiosos, todo fiel tem o dever de visitá-la pelo menos uma vez antes de morrer.
Além disso, onde quer que esteja tem que rezar 5 vezes ao dia voltado para lá. E a oração do meio dia de 6ª feira precisa ser feita em uma mesquita, que sempre é constuída em sua direção.

A tradição islâmica atribui sua fundação aos descendentes de Ismael. No século VII, o profeta islâmico Maomé proclamou o Islã na cidade que era, então, um importante centro comercial. Após 966, Meca passou a ser governada por xarifes locais. Com o fim da autoridade do Império Otomano sobre a região, em 1916, os governantes locais fundaram o Reino Hashemita do Heja.
O reino, inclusive Meca, foi absorvido pela dinastia saudita em 1925. Durante o período moderno, a cidade vivenciou uma expansão colossal, tanto em termos de tamanho quanto de infraestrutura.
Situada na histórica região do Hejaz, tem uma população de 1,7 milhões de habitantes (2008), e localiza-se a 73 quilômetros da cidade litorânea de Jidá, num vale estreito a 277 metros acima do nível do mar..
Meca é a transliteração original em português do nome original árabe, مكة (Makka), comumente usado em dicionários onomásticos.

Uma cidade muito antiga
Meca pode ter sido a “Macoraba” mencionada por Ptolomeu, embora esta identificação seja controversa. A arqueologia não descobriu qualquer inscrição ou menção à cidade anterior ao período deste autor, embora outras cidades e reinos localizados naquela região tenham sido bem-documentados nos registros históricos.
Por volta do século V d.C. a Caaba era um local de culto para as diversas divindades da tribos pagãs árabes. A divindade pagã mais importante de Meca era Hubal, cujo culto havia sido instalado ali pela tribo dominante da área, os coraixitas, e que ali permaneceu até o século VII.
No século V, os coraixitas tomaram controle de Meca, tornando-se hábeis comerciantes e mercadores. No século seguinte passaram a fazer parte do lucrativo comércio de especiarias, já que batalhas ocorridas noutras partes do mundo fizeram que as rotas comerciais fossem desviadas das tradicionais rotas marítimas, que haviam se tornado perigosas, para novas rotas terrestres. O Império Bizantino havia, até então, controlado o Mar Vermelho, porém gradualmente a pirataria na região aumentou. Outra rota que anteriormente passava pelo Golfo Pérsico e através dos rios Eufrates e Tigre também passou a ser ameaçada por incursões do Império Sassânida, bem como dos lakhmidas, dos gassânidas e das tropas envolvidas nas Guerras Romano-Persas. A importância de Meca como centro comercial ultrapassou, eventualmente, a de outras cidades da Arábia do período, como Palmira e Petra.
As condições duras e os terrenos áridos e íngremes da península forçavam um estado quase constante de conflito entre as tribos locais, porém uma vez por ano uma trégua era declarada, e todas se encontravam em Meca para realizar uma peregrinação anual. Até o século VII esta viagem era feita por motivos religiosos, pelos pagãos árabes que desejavam prestar reverência a seu santuário, e beber da água do Poço de Zamzam. Este também era o período do ano em que os conflitos eram arbitrados, as dívidas eram resolvidas, e o comércio ocorria nas feiras da cidade. Estes eventos anuais davam às tribos uma sensação de identidade comum, transformando Meca num ponto focal importante da penínsul.
As caravanas de camelos, que segundo a tradição teriam sido usadas pela primeira vez pelo bisavô de Maomé, eram parte integrante da fervilhante economia de Meca. Diversas alianças eram estabelecidas pelos comerciantes e mercadores da cidade e as tribos nômades locais, que traziam mercadorias como couro, animais domésticos e metais extraídos das montanhas locais para serem vendidas e levadas a cidades da Síria e da Mesopotâmia.

Tradição
De acordo com a tradição islâmica, a história de Meca remontaria aos tempos de Abraão (Ibrahim), que teria construído a Caaba com a ajuda de seu filho mais velho, Ismael (Ishmael) por volta de 2000 a.C., quando os habitantes do povoado conhecido então como Bakka havia se afastado do monoteísmo original por influência dos amalequitas. Além desta tradição, no entanto, pouco se sabe da existência da Caaba antes do século V d.C.
Maomé nasceu em Meca em 570, e assim o islamismo tem estado desde então associado de maneira inextricável com a cidade. Nascido entre os hachemitas, uma facção menor da tribo dominante, os coraixitas, foi em Meca, na caverna de Hira, na montanha conhecida como Jabal al-Nour que, de acordo com a tradição islâmica, Maomé teria recebido pela primeira vez a revelação divina advinda do próprio Deus por intermédio do arcanjo Gabriel, no ano de 610, e foi na cidade que Maomé começou a pregar sua forma de monoteísmo abraâmico contra o paganismo de Meca. Após sofrer perseguições das tribos pagãs por 13 anos, Maomé migrou (ver Hégira), em 622, juntamente com seus companheiros – os Muhajirun – para Yathrib (conhecida posteriormente como ‘Medina’). O conflito entre os coraixitas e os muçulmanos, no entanto, continuou; os dois grupos se enfrentaram na Batalha de Badr, na qual os adeptos do islã derrotaram o exército coraixita nos arredores de Medina, e na Batalha de Uhud, que terminou de maneira inconclusiva. No geral, no entanto, os esforços dos habitantes de Meca para aniquilar o islã fracassaram, e acabaram por se revelar custosos demais e, eventualmente, mal-sucedidos. Durante a Batalha da Trincheira, em 627, os exércitos reunidos da Arábia não lograram derrotar as forças comandadas por Maomé.
Maomé morreu em 632, porém com o legado de unidade que ele havia passado à sua Umma (nação islâmica), o islã começou um período de rápida expansão, e ao longo dos próximos cem anos se propagaria para o Norte da África, Ásia e partes da Europa. À medida que o Império Islâmico crescia, Meca continuou a atrair peregrinos, não só da Arábia, mas de todo o mundo islâmico, e mais e mais muçulmanos executavam ali a peregrinação anual do Hajj.
Meca também atraía uma população de acadêmicos e estudiosos, muçulmanos devotos que desejavam viver perto da Caaba, bem como uma grande quantidade de pessoas que servia às necessidades destes peregrinos. A peregrinação do Hajj envolvia grandes custos e dificuldades; peregrinos chegavam através de barcos, pelo porto de Jidá, ou por terra, com as caravanas vindas da Síria e do Iraque.
Meca nunca foi capital de qualquer Estado islâmico, porém governantes muçulmanos contribuíram para a sua manutenção. Durante os reinados de Umar (634-44 d.C.) e Uthman ibn Affan (644–56) as preocupações com enchentes ocorridas no local fizeram com que os califas trouxessem engenheiros cristãos para construir barragens nos quarteirões mais afetados, e erguer diques e aterros para proteger a área em volta da Caaba..
A força do islã aprovada oficialmente na Arábia Saudita, o wahhabismo, é hostil a qualquer referência a locais de importância religiosa ou histórica, por medo de que eles possam dar origem a alguma forma de idolatria. Como consequência, durante o domínio saudita, a cidade sofreu uma destruição considerável de seu patrimônio histórico físico, e estima-se de que desde 1985 cerca de 95% dos edifícios históricos de Meca, a maioria com mais de mil anos de idade, teriam sido demolidos.

A peregrinação a Meca atrai milhões de muçulmanos de todos os lugares do mundo. Existem duas peregrinações: o Hajj e a Umrah.
O Hajj, a peregrinação ‘maior’, é executada anualmente. Uma vez por ano milhões de pessoas de diversas nacionalidades visitam a cidade e oram em uníssono. Todo adulto saudável que tenha capacidade financeira e física para viajar a Meca, e que tem condições de providenciar cuidados para seus parentes e dependentes durante a viagem, deve executar o Hajj pelo menos uma vez durante sua vida.
Meca situa-se a uma altitude de 277 metros acima do nível do mar, e a aproximadamente 80 quilômetros de distância do litoral do Mar Vermelho.
À medida que os sauditas expandiram a Grande Mesquita, no centro da cidade, centenas de casas foram demolidas para a construção de amplas avenidas e praças. As casas mais tradicionais da cidade foram construídas com pedra local, e geralmente têm de dois a três andares. A cidade possui um sistema de metrô, que cobre atualmente 1200 quilômetros quadrados.
Na Meca antiga existiam poucas fontes de água; entre elas estavam os poços locais, como o Poço de Zamzam, que geralmente gerava água salobra. A segunda fonte importante era a nascente de Ayn Zubayda. As fontes desta nascente estão nas montanhas de Jabal Sa’d e Jabal Kabkāb, a poucos quilômetros a leste de Djabal ʿArafa, cerca de 20 quilômetros a sudeste de Meca. A água era transportada através de canais subterrâneos. Havia ainda uma terceira fonte, demasiado esporádica, que consistia da água de chuvas armazenadas pela população em pequenos reservatórios, ou cisternas. A água da chuva também trazia consigo a ameaça de enchentes, um perigo deste tempos antigos. De acordo com o historiador árabe Al-Kurdī, até 1965 haviam ocorrido 89 enchentes históricas, diversas delas durante o período saudita. A mais grave ocorreu em 1942; desde então, diversas represas foram construídas para tentar solucionar o problema.