6820 – A Geofísica


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O progresso da geofísica determinou a superação de antigas concepções sobre as características físicas da Terra. A aplicação dos princípios geofísicos a questões como a busca de fontes de energia e a previsão de terremotos e erupções vulcânicas fazem dessa ciência um campo de máximo interesse.
Geofísica é a ciência que estuda a estrutura e a composição do globo terrestre, inclusive a hidrosfera e a atmosfera, aplicando métodos da física. Distingue-se da geologia por utilizar instrumentos na obtenção de dados quantitativos da área em estudo, enquanto a geologia se baseia na observação direta. Divide-se em várias especialidades, cada uma das quais constitui por si mesma uma ciência: a geodésia, relativa ao tamanho e à forma da Terra; a sismologia, que estuda os terremotos; a tectônica, que pesquisa as deformações da crosta terrestre; a oceanografia; a hidrologia; a glaciologia e a meteorologia.
As pesquisas geofísicas realizadas com técnicas e instrumentos avançados levaram a um conhecimento mais profundo do comportamento da Terra, o que possibilitou a elaboração das atuais teorias sobre a formação e configuração do planeta — tectônica de placas — e facilitou a busca de depósitos minerais.
Embora sejam muitos os ramos da geofísica, distinguem-se, para fins práticos, apenas a geofísica pura e a geofísica aplicada. A primeira, também chamada geofísica acadêmica, dedica-se a pesquisas de caráter geral, sem fins práticos imediatos. Encara a Terra como unidade e o principal objeto de seu interesse são os fenômenos físicos de escala universal. A geofísica aplicada, ou prospecção geofísica, visa sempre a um fim econômico imediato e investiga apenas estruturas geológicas de amplitude relativamente restrita. Seus principais objetivos são a prospecção de jazidas minerais, água subterrânea, petróleo, e estudos sobre a viabilidade de obras de engenharia civil.

A característica mais geral das pesquisas geofísicas é que a maior parte das observações e medidas são feitas na superfície da Terra, ou em pontos próximos. As medidas diretas, nas minas, nas sondagens e nas profundidades oceânicas, não vão além de alguns quilômetros. Como o raio da Terra tem mais de seis mil quilômetros, complementa-se a pesquisa com diversos métodos indiretos, que dão informações sobre pontos mais profundos.
No estudo da atmosfera, as observações e medidas feitas na superfície também são insuficientes, mas o acesso é mais fácil que ao interior do globo e diversos métodos permitem obter informações diretas em alturas cada vez maiores. Um dos instrumentos utilizados para esse fim são os balões-sondas, cheios de hidrogênio, que podem atingir alturas de dezenas de quilômetros. Também se utilizam foguetes, por meio dos quais são postos em órbita satélites artificiais capazes de transportar verdadeiros laboratórios. O fato de o satélite poder realizar em poucas horas uma rotação em torno da Terra permite o estudo de uma propriedade terrestre quase simultaneamente em vários pontos do globo, o que facilita a obtenção de medidas comparativas. O advento dos computadores, que tornaram o tratamento dos dados, antes longo e fastidioso, muito mais rápido e preciso, também representou uma verdadeira revolução da geofísica.
Importância da geofísica aplicada. O progresso da civilização industrial tem exigido um consumo cada vez maior de minério e materiais de construção, além de fontes de energia, especialmente petróleo. O problema do suprimento de água torna-se também cada vez mais grave em muitos centros urbanos. Daí a importância da geofísica aplicada, que busca métodos de reduzir os custos das pesquisas realizadas no subsolo.
A geofísica aplicada deve ser encarada como uma ferramenta à disposição da geologia. O trabalho do geólogo encontra grande auxílio na topografia, nas fotografias aéreas e nos sensores remotos, que fornecem apenas dados de superfície. Se houver necessidade de informações mais precisas, o geólogo lança mão dos métodos geofísicos e de prospecção convencional, que o capacitam a completar e confirmar suas hipóteses sobre as condições geológicas de subsuperfície. A grande vantagem desses métodos é poderem dar essa visão do interior da crosta terrestre num tempo rápido e por um custo operacional pequeno, em comparação com sondagens e abertura de galerias.