6686 – Nave Voyager faz 35 anos de viagens no limite do Sistema Solar


A sonda espacial Voyager-1, que acaba de completar 35 anos ainda na ativa, parecia estar prestes a celebrar um marco histórico: seu salto para o espaço interestelar.
Carregando um disco de ouro com imagens e sons da Terra e informações científicas, a nave marcou época por ser a primeira “mensagem na garrafa” cósmica enviada pelo nosso planeta -um recado para possíveis civilizações extraterrestres que derem a sorte de encontrá-la.
Agora, porém, cientistas estão em dúvida sobre sua localização -pode ser que ela ainda não esteja nas fronteiras do Sistema Solar, ao contrário do que se pensava.
O fenômeno que traça a fronteira entre a zona de influência do Sol e a exterior é o chamado vento solar: as partículas eletricamente carregadas emitidas por nossa estrela em alta velocidade.
Os cientistas da Voyager-1 achavam que a nave já tinha se aproximado da chamada heliopausa, onde o vento solar encontra o vento interestelar (vindo do resto da Via Láctea). Nessa fronteira, os dois se anulam.
Em abril de 2010, a nave parou de sentir o vento solar, e cientistas concluíram que a calmaria era sinal de que as partículas do Sol estavam sendo freadas pelas da região interestelar. A nave estaria exatamente na transição da heliopausa, prestes a saltar para fora do reino do Sol.
Para confirmar a descoberta, em 2011, os cientistas decidiram rotacionar a Voyager-1 para fazer mais medidas. Mesmo sendo incapaz de detectar o vento solar radial (vindo diretamente do Sol), a espaçonave deveria sentir o vento meridional (que ricocheteia na heliopausa e sopra perpendicularmente).
A tentativa, porém, foi em vão.
O célebre disco de ouro das Voyagers foi idealizado pelo astrônomo pop star Carl Sagan (1934-1996). O comitê reunido por ele fez de tudo para que as instruções para tocar o disco pudessem ser entendidas por qualquer criatura com conhecimento científico avançado, usando como unidade o período de uma transição dos átomos de hidrogênio -os mais comuns e “básicos” do Universo.
À velocidade atual, a pobre nave precisará de 17 mil anos -mais ou menos o tempo que nos separa do auge da Idade do Gelo- para viajar um ano-luz completo.

Um Pouco +
Com a criação da NASA a ciência teve condições de conhecer e explorar o espaço, e como as viagens tripuladas ainda são difíceis os cientistas investem em naves não tripuladas chamadas sondas, que visitam os planetas e seus respectivos satélites e nos enviam valiosas informações, mas um programa em especial me chama muito a atenção e desperta a minha curiosidade, trata-se do Programa Voyager, que lançou duas sondas denominadas Voyager 1 e Voyager 2, que neste exato momento estão viajando para além do nosso Sistema Solar a bilhões de quilômetros de distância, enviando dados a Terra e o mais fascinante, levando consigo saudações da humanidade a uma possível civilização inteligente que venha a recuperá-las algum dia.

O PROJETO
Os EUA se lançaram em um projeto denominado Marinner, que lançou algumas sondas, porém houve um corte de gastos e o projeto passou a ser chamado de Voyager, comandado pelo astrônomo Ed Stone, onde foram lançadas duas sondas.
Em 20 de agosto 1977, a bordo do foguete Titan III – Centaur, é enviada ao espaço a Voyager 2, tendo os cientistas aproveitado um raro alinhamento planetário que permitiu a inclusão de Saturno e Urano na missão. Logo após, em 05 de setembro do mesmo ano foi enviada ao espaço a Voyager 1 através de uma trajetória que permitia uma chegada mais rápida a Júpiter e Saturno.
Usando um recurso chamado assistência gravitacional, os cientistas conseguiram fazer com que as sondas utilizassem o movimento relativo e a gravidade dos planetas para impulsionar as sondas, a cada planeta visitado as sondas eram empurradas para frente atingindo assim os planetas exteriores do nosso sistema solar, fazendo um mapeamento quase que completo e inédito dos planetas que giram em torno nosso sol e muitos dos seus respectivos satélites.
Após 11 anos de uma viagem sem precedentes pelo nosso sistema solar a Voyager 1 começou sua jornada rumo ao espaço sideral, isso em 1988, a uma velocidade de 17 km/s. Já a Voyager 2 passou por Netuno em 1989 e, a uma velocidade de 15 Km/s também rumou para a fronteira do nosso sistema solar e se lançou na imensidão do espaço, onde os últimos raios de sol atingem as pequenas naves.
Após sua viagem pelo nosso sistema solar, antes de se lançar na imensidão do espaço, a Voyager 2 se vira pela última vez para nosso planeta, e se despedindo, tira essa última foto da Terra. Esse pequenino ponto azul é o nosso lar, nosso pequeno planeta, somos nós mesmos.
A missão ganhou um novo financiamento e passou a se chamar Missão Interestelar Voyager, tendo sido designados 10 cientistas que até hoje monitoram as sondas e analisam os dados enviados por elas de uma região completamente desconhecida pelo ser humano.
No ano de 2005 as sondas Voyager atingiram a marca de 14 bilhões de quilômetros percorridos, sendo que os dados enviados por elas demoravam cerca de 760 minutos para chegar até aqui.
A Voyager 1 está se dirigindo nesse momento em direção à estrela AC+79 3888, na constelação de Camelopardalis, ela irá levar 40. 000 anos para passar a uma distância de 1,6 anos-luz da estrela. Já a Voyager 2, daqui a 296.000 anos irá passar a 4,3 anos-luz de Sírius, a estrela mais brilhante do céu. Mas quando isso acontecer as sondas não estarão mais em funcionamento, já que em 2020 os geradores nucleares que alimentam as sondas não serão mais capazes de produzir energia elétrica para as Voyagers, e será o fim das comunicações com nossas mensageiras estelares.

Saudações Terráqueas

Com o fim das comunicações entre a Terra e as Voyagers em 2020 se dará o fim da missão mais espetacular do programa espacial americano em relação ao lançamento de sondas, porém o fim será para nós aqui neste pequeno planeta azul, pois as Voyager, ainda que silenciosas, levam consigo mensagens humanas para uma possível civilização inteligente que venham a resgatá-las algum dia.
A bordo das sondas está um disco fonográfico de 12 polegadas (similar aos LP de vinil), feitos de cobre e folheados em ouro idealizado pelo grande astrônomo Carl Sagan. Nele estão contidas 118 fotos do cotidiano na Terra, 90 minutos das mais variadas músicas e saudações de paz em 55 idiomas inclusive em português, que em nosso idioma leva a frase “Paz e Felicidade a todos”. Além desses arquivos há também ilustrações da localização da Terra, além de informações sobre a anatomia humana e o nosso genoma, e também instruções de como ter acesso as informações contidas no disco.