6640 – Espiritismo – Qual a matéria do Espírito?


Já é tempo dos homens que se dizem religiosos preocuparem-se menos com o chamado materialismo. Este é fruto da ciência do século XIX, cujos pressupostos materialistas vêm sendo desmentidos, não pela religião, mas pela física do século XX. Segundo a física quântica, a matéria não tem a solidez que os nossos sentidos, limitados, lhe emprestam (Maya, diriam os hindus). Não passa de energia concentrada, segundo Einstein. O segundo princípio da termodinâmica indica que o universo material caminha para a morte, devido ao crescimento da entropia universal. A matéria há muito deixou de ser o “tijolo básico” com que a física clássica pretendia explicar o surgimento da vida e da consciência, e o materialismo dialético reconstruir a sociedade. O princípio organizador da matéria se encontra além dela. Podem chamá-lo de espírito, se quiserem.
O próprio progresso da ciência mostrou que inexiste o inanimado. Tudo no universo é fluxo de energia. Numa simples pedra, constituída de minerais, existe a força nuclear dos prótons e nêutrons, ao redor dos quais giram elétrons, fora outras tantas partículas subatômicas. Sua estrutura atômica permite que reaja com outros elementos sólidos, líquidos e gasosos, além de sofrer a ação da luz e outras radiações. Com isto, modifica-se inexoravelmente ao longo do tempo. Nada é imutável e permanente, garante-nos a lei de Lavoisier (Ou anicca, a impermanência de todas as coisas, dos budistas). Portanto, é melhor ir procurando outra explicação para a vida. Antes de mais nada, a vida é para ser vivida.

Teilhard de Chardin falou de uma “contracorrente espiritual” para explicar o surgimento e a evolução da vida e da consciência no mundo, em contraposição a uma matéria que, tomada em si mesma, é falha e nada explica. É claro que, apesar disto, ela tem uma nobre finalidade. Ao final de cada dia da Criação, diz o Gênesis: “… e Deus viu que era bom”. A matéria e a energia constituem o arcabouço da vida, o útero cósmico, em que Deus manifesta a sua glória (Shekinah). Assim, o tecido da vida é o resultado da trama de dois fios: um receptáculo material e um agente espiritual (Prakiti/Purusha, segundo os hindus; Yin/Yang, segundo os taoístas). A vida é una. Portanto, é falso ver espírito e matéria como coisas separadas e mesmo opostas. Um não existe sem o outro. Mas para compreender essa nova cosmovisão, que já fazia parte de antigas tradições, temos de abandonar as fórmulas caducas da velha ciência e da velha religião.
Da mesma forma que não podemos explicar a origem da vida no universo só por um de seus pólos – yin, a matéria, seu aspecto passivo – também não podemos reduzir a explicação para a vida ao outro polo –o yang, seu princípio ativo ou espiritual. Tudo no universo não passa de uma trama desses dois princípios. Assim, não faz sentido falar de um Criador que é “puro espírito”, como no velho paradigma, identificando-o com um dos pólos em detrimento do outro. Insinuar que Deus nada tem a ver com a matéria (ou até mesmo que a matéria é coisa do diabo) é, no fundo, o que ficou conhecido por maniqueísmo e é incompatível com o próprio mistério da Encarnação dos cristãos. Trata-se, portanto, de uma tese contraditória do velho paradigma em teologia, que nunca poderia ter sido formulada nesses termos.
Na realidade, trata-se de uma brutal confusão entre os dois aspectos da Divindade: o imanente (ou manifesto) e o transcendente (ou imanifesto). Na condição de Absoluto, Deus transcende tanto a matéria quanto o espírito. É o Deus recôndito, do qual nada se pode falar. O Ein Sof da cabala, o Shunyata dos budistas. Só pode ser percebido em total silêncio, que é meditação. Mas, enquanto Criador, Deus é pura ação e traz o mundo à existência. A vida é resultado de sua relação com o Outro, no qual Deus busca se conhecer. “O homem só se conhece na relação”, dizia Krishnamurti. Com Deus não é diferente. É nesse sentido que somos imagem e semelhança de Deus.

O que diz o Livro dos Espíritos
21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele num certo momento?

— Só Deus o sabe. Há, entretanto, uma coisa que a vossa razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo.

Qualquer que seja a distância a que possais imaginar o início da sua ação, podereis compreendê-lo um segundo na ociosidade?

22. Define-se geralmente a matéria como aquilo que tem extensão, pode impressionar os sentidos e é impenetrável. Essa definição é exata?

— Do vosso ponto de vista, sim, porque só falais daquilo que conheceis. Mas a matéria existe em estados que não percebeis. Ela pode ser, por exemplo tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão nos vossos sentidos: entretanto, será sempre matéria, embora não o seja para vós.

22 -a) Que definição podeis dar da matéria?

— A matéria é o liame que escraviza o espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação.

Comentário de Kardec: De acordo com isto, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário com a ajuda do qual e sobre o qual o espírito atua.

23. Que é espírito?

— O princípio inteligente do universo.

23 – a)Qual é a sua natureza íntima?

— Não é fácil analisar o espírito na vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, porque não é coisa palpável; mas. para nós, é alguma coisa. Ficai sabendo: nenhuma coisa é o nada e o nada não existe.

24. Espírito é sinônimo de inteligência?

—A inteligência é um atributo essencial do espírito; mas um e outro se confundem num princípio comum, de maneira que, para vós, são uma e a mesma coisa.

25. O espírito é independente da matéria, ou não é mais do que uma propriedade desta, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar?

— São distintos, mas é necessária a união do espírito e da matéria para dar inteligência a esta.

25 – a) Esta união é igualmente necessária para a manifestação do espírito. (Por espírito entendemos aqui o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades designadas por esse nome.)

— É necessária para vós. porque não estais organizados para perceber o espírito sem a matéria; vossos sentidos não foram feitos para isso.

26. Pode-se conhecer o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito?

— Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento.

27. Haveria, assim, dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?

— Sim e acima de ambos, Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material é necessário ajuntara fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, demasiado grosseira para que o espírito possa exercer alguma ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, se pudesse considerá-lo como elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. Se fosse simplesmente matéria não haveria razão para que o espírito não o fosse também. Ele esta colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria e matéria; suscetível em suas inumeráveis combinações com esta, e sob a ação do espírito de produzir infinita variedade de coisas, das quais não conheceis mais do que uma ínfima parte. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar,sendo o agente de que o espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria Jamais as propriedades que a gravidade lhe dá.

27 – a) Seria esse fluido o que designamos por eletricidade?

— Dissemos que ele é suscetível de inumeráveis combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil, que se pode considerar como independente.

28. Sendo o espírito, em si mesmo, alguma coisa, não seria mais exato, e menos sujeito a confusões, designar esses dois elementos gerais pelas expressões: matéria inerte e matéria inteligente?
As palavras pouco nos importam. Cabe a vós formular a vossa linguagem, de maneira a vos entenderdes. Vossas disputas provêm, quase sempre, de não vos entenderdes sobre as palavras. Porque a vossa linguagem é incompleta para as coisas que não vos tocam os sentidos.

Comentário de Kardec: Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas nos são desconhecidas. Que elas tenham ou não uma fonte comum e os pontos de contato necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que seja uma propriedade, um efeito; que seja, mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, — é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas, e é por isso que a consideramos formando dois princípios constituintes do Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a esta inteligência suprema que chamamos Deus.

Federação Espírita

Carlos Rossi

6639 – Biologia Marinha – O Boto


Eis o boto

Nenhum animal amazônico é objeto de tantas histórias quanto o boto. Acreditam os folcloristas que as lendas não têm origem indígena, ao contrário do que se pensa, mas teriam sido criadas pela imaginação do colono português.
Boto é o personagem mitológico da Amazônia que se transforma de cetáceo em homem para praticar estripulias entre as mulheres ribeirinhas. Seduz as moças que vivem às margens dos cursos d”água amazônicos e é responsável por todos os filhos de paternidade ignorada. Nas primeiras horas da noite, transforma-se num belo rapaz branco, alto e forte, que dança muito bem e gosta de beber. Vai aos bailes e freqüenta reuniões, onde encontra as moças que por ele se apaixonam. Comparece pontualmente aos encontros que marca com elas, mas antes de clarear o dia salta para dentro do rio e volta a assumir a forma de boto. Dizem algumas versões do mito que o boto, quando está transformado em homem, nunca tira o chapéu branco para que não lhe vejam o orifício que tem no alto da cabeça.
Outras histórias misteriosas são atribuídas ao boto. Uma versão, das mais antigas, diz que ele tem o hábito de assumir forma de mulher, de cabelos longos até o joelho, que sai a passear à noite e encaminha os rapazes para o rio, onde os afoga. A associação do boto, ou delfim, aos assuntos amorosos remonta à antiguidade. Grécia e Roma consagraram-no a Afrodite e Vênus, porque os movimentos de seu deslocamento na água, levantando e abaixando o dorso, sugerem movimentos do ato sexual.

6638 – Biologia Marinha – Os Cetáceos


A dócil beluga pode ser facilmente domesticada

Apesar de sua adaptação à vida aquática, os cetáceos são típicos mamíferos: possuem mecanismos de controle da temperatura e os filhotes, gerados e paridos na água, são inicialmente amamentados pela mãe.
A ordem dos cetáceos inclui duas subordens de animais marinhos ou de água doce: a dos misticetos, que são as baleias verdadeiras ou de barbatanas, e a dos odontocetos ou cetáceos de dentes, à qual pertencem os golfinhos ou botos, os cachalotes e os narvais ou unicórnios-do-mar. Entre as duas subordens há grandes diferenças, mas também características comuns, como o corpo fusiforme, com espessa camada de gordura subcutânea; os membros anteriores transformados em nadadeiras; as aletas horizontais na cauda; e os ossos do crânio que se superpõem parcialmente.
A respiração é realizada rapidamente na superfície da água, por meio de narinas ou espiráculos duplos (nos misticetos) ou simples (nos odontocetos), localizados em geral no alto da cabeça. Embaixo d”água os espiráculos permanecem fechados, às vezes até 45 minutos. Ao irem à tona para respirar, os animais sopram ou expiram o ar viciado que, devido à diferença de temperatura e pressão, sai em jato carregado de vapor. O conduto respiratório é isolado da boca, de modo que os cetáceos não podem afogar-se engolindo água, nem lançar pelas narinas a água que recolhem na boca.
Embora os adultos se caracterizem pela ausência de pêlos, evidências fornecidas por fetos e recém-nascidos sugerem que essa perda foi secundária, ou seja, que seus ancestrais mais remotos provavelmente se cobriam de pêlos.

6637 – Biologia – Os Mamíferos


☻ Mega Bloco – Ciências Biológicas

O desaparecimento dos grandes répteis, há dezenas de milhões de anos, na era mesozóica, assinalou o começo da ascensão de pequenos animais, tímidos e ariscos — os mamíferos — que, ao contrário do que se poderia supor, tornaram-se os herdeiros dos imponentes sáurios que até então haviam reinado como senhores absolutos na Terra. Ao longo de centenas de séculos, esses animais diversificaram-se assombrosamente e progrediram em todos os meios, tanto nos oceanos (onde alguns, como a baleia azul e o cachalote alcançaram enorme tamanho) como em terra firme (com espécies da estatura do elefante) e também no ar.
Características anatômicas e fisiológicas
Os mamíferos são animais vertebrados homeotérmicos, ou seja, sua temperatura interna mantém-se constante dentro de certos limites, independentemente da temperatura ambiente, assim como se dá com as aves. Descendente dos répteis, essa grande classe zoológica apresenta as seguintes características: uma formação tegumentária (de tecidos) típica; o pêlo, que protege a pele e isola o animal do frio; e as chamadas glândulas mamárias ou mamas, presentes nas fêmeas. Essas mamas produzem uma secreção líquida rica em gorduras e proteínas, o leite, com o qual as fêmeas alimentam suas crias nas primeiras fases do desenvolvimento.

A importante diversidade dos mamíferos

A distribuição, tamanho e cor do pêlo variam amplamente de um grupo de mamíferos para outro: em alguns, como nas baleias, desapareceu quase por completo; em outros, como nos elefantes, é muito escasso; e em certas espécies, como no boi almiscarado e no iaque, a pelagem é longa e densa. Algumas espécies, habitantes de zonas frias, apresentam dois tipos distintos de pelagem: uma de inverno, mais clara e densa, e outra de verão, mais escura. Vários mamíferos apresentam manchas no pêlo, muitas vezes de grande beleza, como ocorre com certos felídeos e antílopes, e com as girafas, as zebras etc. A cor e a disposição dessas manchas, que chamam atenção fora de seu ambiente, contribuem para disfarçar a silhueta do animal quando em seu habitat natural, facilitando a camuflagem.
Certos mamíferos, como os pangolins e os tatus, têm o corpo revestido por um conjunto de escamas córneas em forma de armadura, o que constitui excelente proteção, dada a extrema dureza dessas estruturas. Além disso, aparecem nos mamíferos outros tipos de formação tegumentária, como as garras, grandes e afiadas nos felídeos maiores; os cascos dos ungulados, que possibilitam a corrida rápida, com que escapam dos predadores; e os chifres e galhadas, muito variados quanto à forma e estrutura, desde o chifre fibroso e permanente do rinoceronte até as formações de tecido conjuntivo dos veados, providas de numerosas ramificações que caem e se renovam todos os anos.
Na pele dos mamíferos existem muitas glândulas, desde as mamárias, muito especializadas e que alcançam notável desenvolvimento, até as odoríferas. Estas últimas variam em sua localização nas diferentes espécies: nos veados, encontram-se nos olhos; nos porcos e javalis, nos cascos; em muitos roedores, perto dos órgãos genitais; e nos castores e gambás, perto do ânus. Entre as várias funções das glândulas odoríferas destacam-se a marcação de território, a comunicação com outros membros da espécie, a atração sexual e a defesa.
Uma característica fundamental da fisiologia dos mamíferos é sua homeotermia: a capacidade de manter estável a temperatura corporal, de forma que não se produzam grandes oscilações, independentemente das alterações da temperatura ambiente. Essa capacidade deve-se à presença de diversos mecanismos termorreguladores, tais como o tremor, que consiste em contrações musculares involuntárias que geram calor quando a temperatura exterior cai; a vasoconstrição, ou estreitamento do calibre dos vasos sangüíneos, que evita a perda de calor; a sudorese ou secreção de soluções salinas — que não se registra em alguns mamíferos, como os cetáceos e os sirênios, por não possuírem glândulas sudoríparas; e a vasodilatação, ou aumento do calibre dos vasos, sendo essas últimas empregadas para reduzir a temperatura corporal quando sobe a temperatura ambiente.
Além desses meios termorreguladores, existem outros, como a hibernação e a letargia, pelas quais a atividade do animal decresce de forma considerável, possibilitando que ele passe o inverno com um gasto de energia mínimo. As migrações, a construção de abrigos e tocas etc., são outros recursos, nesse caso determinados pelo comportamento, para enfrentar condições ambientais adversas.
Ainda que a estrutura do esqueleto corresponda a um padrão geral cujas características básicas estão presentes em todos os mamíferos, existem variações quanto ao número de vértebras (com exceção das cervicais, que mantêm uma constância notável na imensa maioria dos grupos) e de costelas, assim como na forma e número dos ossos dos dedos etc. Caso específico é o dos marsupiais, nos quais aparece, à altura da cintura pélvica, os chamados epipúbis, ossos exclusivos desse grupo, que servem para sustentar o marsúpio, ou bolsa marsupial, onde os filhotes completam seu desenvolvimento.

A morfologia e configuração das extremidades difere nos grupos, devido à adaptação a uma ampla gama de meios ecológicos. Assim, nos morcegos, os dedos das extremidades anteriores alongaram-se de maneira considerável e, ao longo da evolução, desenvolveu-se uma membrana que permite que esses animais voem. Os cetáceos e os sirênios (por exemplo, os manatis ou peixes-bois, que, apesar do nome, não são peixes, e sim mamíferos), como conseqüência de sua colonização em meio aquático, tiveram as extremidades anteriores transformadas em nadadeiras, mais adequadas para a natação, e perderam as posteriores. Modificações similares experimentaram os pinípedes (focas e morsas, entre outros), por motivos análogos.
Os mamíferos terrestres apresentam variações no ponto distal de suas extremidades (porção mais distante do eixo do corpo), relacionadas com o tipo de marcha em que se especializaram os diferentes grupos. Assim, alguns, como os primatas e os ursos, são plantígrados (apóiam toda a planta do pé ao andarem); os cães, raposas, hienas, felídeos e vários outros são digitígrados (apóiam somente os dedos, sendo melhores corredores que os plantígrados); e, por último, os ruminantes — javalis, rinocerontes e outros herbívoros — são ungulígrados (o último osso do dedo é rodeado por uma formação córnea especial denominada casco). Os ungulígrados ou ungulados apresentam redução no número de dedos, que pode ser par, como nos artiodáctilos (veados, bois etc.) ou ímpar, como nos perissodáctilos (antas, cavalos). Nos eqüídeos, entre os quais se inclui o cavalo, houve a maior redução, restando apenas um dedo (casco) por extremidade.
A dentição também varia segundo os grupos e o tipo de alimentação a que se habituaram. Enquanto alguns mamíferos, como as baleias, carecem de dentes e mostram em seu lugar uma série de barbatanas ou lâminas especializadas na filtragem do plâncton, outros, como os carnívoros, contam com incisivos e caninos de grande tamanho e poderosos molares providos de uma proeminência para mastigar melhor a carne de suas presas. Nos herbívoros, adquirem especial relevância os molares e pré-molares com amplas superfícies de mastigação, para a trituração da erva e dos tecidos vegetais que constituem sua dieta.
A maior parte dos mamíferos apresenta duas dentições: uma, característica do primeiro período de vida, denominada de leite; e outra, a dentição permanente, que substitui a anterior. Entre as exceções, destacam-se o ornitorrinco, os cachalotes e as preguiças, nos quais só se registra uma dentição. Os animais desse grupo recebem o nome de monofiodontes, em contraposição aos mamíferos com duas dentições ou difiodontes.

Diferentes tipos de dieta impõem, logicamente, variações no sistema digestivo. Os mamíferos herbívoros requerem, para um melhor aproveitamento da erva e dos produtos vegetais que consomem, longos intestinos e, como ocorre com os ruminantes, estômagos especiais integrados por várias cavidades, cada uma das quais com uma função específica na digestão. Essas cavidades se denominam: rume ou pança; retículo ou barrete; folhoso; e coalheira ou coagulador. A verdadeira digestão se realiza na coalheira, já que as outras são câmaras onde se armazena e filtra o alimento.
Os principais órgãos do aparelho respiratório dos mamíferos, onde se verifica o intercâmbio gasoso entre o sangue e o meio exterior, são os pulmões, formados por lobos constituídos de pequenas cavidades ou alvéolos, percorridos por uma densa rede de capilares sangüíneos. O ar procedente do exterior chega até os alvéolos por meio de uma série de condutos, como a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios e os bronquíolos.
A circulação é dupla (existe um circuito pulmonar e outro que percorre o resto do organismo) e, nela, o sangue arterial e o venoso não se misturam. O coração, como ocorre também nas aves, divide-se em quatro compartimentos: dois superiores (aurículas) e dois inferiores (ventrículos).

Os mamíferos possuem um sistema nervoso completo e muito desenvolvido, responsável por suas diferentes possibilidades de comportamento, apresentando, em muitos casos, elevada capacidade para o aprendizado e a relação com outros indivíduos de sua espécie. Destaca-se, por sua importância, a evolução do encéfalo, em cuja superfície externa se forma o córtex cerebral, verdadeiro centro de associação de impulsos nervosos, que alcança sua máxima perfeição no homem.
Na imensa maioria das espécies atuais, a reprodução se caracteriza pela formação, dentro do corpo da fêmea, de uma placenta, estrutura orgânica que põe em contato o embrião e o útero materno e através da qual se efetua a alimentação embrionária. Alguns mamíferos, como os ornitorrincos, são ovíparos, ou seja, reproduzem-se por ovos, enquanto outros, caso dos marsupiais, são providos de uma bolsa ou marsúpio, onde a cria completa seu desenvolvimento.

Classificação
A classe dos mamíferos se subdivide, segundo as características anteriormente mencionadas, em três grandes subclasses: a dos prototérios, ovíparos; a dos metatérios, formada pelos marsupiais; e a dos eutérios ou placentários, com 16 ordens.

Prototérios ou mamíferos ovíparos. A subclasse dos mamíferos prototérios, a mais arcaica, é constituída por uma única ordem, a dos monotremados, de que fazem parte o eqüidna e o ornitorrinco, um singular animal aquático da Austrália que possui bico plano, cauda semelhante à do castor e patas curtas e fortes. Os monotremados caracterizam-se por ter uma cloaca em que desembocam tanto o tubo digestivo como as vias urinárias e os condutos genitais.

Metatérios ou mamíferos marsupiais. Os marsupiais se acham confinados, em sua maioria, na Austrália, Nova Zelândia e Nova Guiné, com exceção de algumas espécies, como as sarigüéias, encontradas na América do Norte e grande parte da América do Sul, e outras como a cuíca-d”água, sul-americana. São marsupiais os coalas, diabos-da-tasmânia e cangurus, entre outros. Esses animais adaptaram-se a diversos tipos de habitats, do arborícola ao terrestre, passando pelo aquático.

A subclasse mais importante dos mamíferos é a dos eutérios ou placentários, tanto pelo número de espécies quanto pelo desenvolvimento, diversidade de adaptações e distribuição que alcançaram. Dos oceanos e águas continentais ao espaço aéreo, das montanhas e regiões polares aos desertos, estepes, savanas, selvas e bosques, não existe um habitat a que não se tenha adaptado de um modo ou de outro alguma espécie de mamífero placentário.
Esses animais cobrem uma ampla gama de ecossistemas e formas de vida: há os planadores como os dermópteros (Cynocephalus volans e Galeopterus variegatus) ou autênticos voadores, como os quirópteros (morcegos e vampiros); aquáticos como os cetáceos (baleias e golfinhos, entre outros), os sirênios (manatis e dugongos) ou os pinípedes (subordem dos carnívoros que compreende focas, morsas etc.); arborícolas, como a maioria dos primatas, preguiças e outros; cavadores, como muitos roedores, lagomorfos (coelhos) e insetívoros (toupeiras); herbívoros corredores, como cavalos, zebras, antílopes e muitos outros; grandes fitófagos (de dieta vegetariana) de corpo volumoso e maciço, como os elefantes, rinocerontes e hipopótamos; e ferozes carnívoros, entre os quais os mais poderosos felídeos, como o leão e o tigre.
Os mamíferos placentários se subdividem nas seguintes ordens: dermópteros, tubulidentados, folídotos, hiracoídeos, sirênios, cetáceos, proboscídeos, artiodáctilos, perissodáctilos, roedores, lagomorfos, carnívoros, insetívoros, quirópteros, edentados (ou desdentados) e primatas.
Entre essas ordens, as menores, tanto pelo reduzido número de espécies que incluem como por sua distribuição restrita, são a dos dermópteros, de pequeno tamanho, vegetarianos e planadores, como os lêmures voadores ou colugos; a dos tubulidentados, como o aardvark ou oricteropodídeo, noturno e próprio da savana africana; a dos folídotos, ou pangolins, com o corpo coberto de placas; e a dos hiracoídeos, pequenos e parecidos com os roedores.
Os mamíferos aquáticos compreendem duas ordens: a dos sirênios, de corpo fusiforme e maciço, como os manatis e dugongos; e a dos cetáceos, com as extremidades anteriores transformadas em nadadeiras e as posteriores inexistentes ou muito reduzidas, da qual fazem parte o golfinho, o narval, as baleias e os cachalotes.
Os herbívoros terrestres de tamanho médio ou grande pertencem em sua maioria a uma das três ordens seguintes: a dos proboscídeos, com tromba ou probóscide, como os elefantes; a dos artiodáctilos, com número par de dedos, que conta com numerosas famílias e espécies, entre estas o javali, o porco, o hipopótamo, o camelo, as lhamas, os veados, o alce, a rena, o gamo, a girafa, os antílopes, a ovelha, a cabra, a vaca, o bisão e o búfalo; e a dos perissodáctilos, com número ímpar de dedos, da qual alguns representantes, como o cavalo ou a zebra, são perfeitamente adaptados para corridas, enquanto outros, como os rinocerontes, são corpulentos e maciços.
Os roedores e lagomorfos apresentam muitas características semelhantes, a ponto de, até pouco tempo, serem englobados numa mesma ordem. No entanto, certos detalhes de sua dentição fizeram com que fossem separados em duas ordens. Os lagomorfos incluem coelhos e lebres, e os roedores constituem um grupo muito diversificado que alcançou elevado grau de evolução, com espécies como o rato comum, o hamster, os esquilos, o gerbo, a chinchila, a cobaia e a capivara. Esta última, sul-americana, é o maior dos roedores.
A ordem dos carnívoros engloba famílias conhecidas como a dos felídeos (tigre, leão, leopardo, puma, jaguar ou onça, lince etc.) e a dos canídeos (cão, lobo, coiote, chacal). A essa ordem pertencem também os ursos, a hiena, o mangusto, a doninha, o arminho, o texugo e o rato.
Os insetívoros são mamíferos pequenos, entre os quais encontram-se o ouriço e a toupeira, esta última grande cavadora. Os quirópteros são placentários voadores, muitos dos quais capturam insetos no ar por ecolocalização (emissão de ultra-sons que se refletem ao alcançar a presa e são captados pelo animal); outros são frugívoros (alimentam-se de frutas) ou ainda hematófagos (sugadores de sangue). No grupo dos desdentados estão as preguiças e tatus sul-americanos e o urso formigueiro.
A última ordem, a dos primatas, compreende os prossímios (lêmures, lóris, gálagos) e os símios ou antropóides. Estes, por sua vez, estão agrupados em catarrinos, ou macacos do Velho Mundo, com os orifícios nasais abertos para baixo, como o mandril, o babuíno, o macaco, o gibão, o orangotango, o gorila e o chimpanzé; e platirrinos, ou macacos americanos, com um septo nasal largo e orifícios nasais abertos para a frente, como o macaco-aranha, o sagüi, o macaco uivador, o uacari etc.

6636 – Tecnologias renovam aposta na robótica


Fonte: New York Times

A Foxconn não informou quantos operários serão dispensados. Mas seu presidente, Terry Gou, endossa o uso crescente de robôs. De acordo com a agência oficial de notícias, Xinhua, em janeiro Gou declarou, falando de seus mais de 1 milhão de empregados: “Como os seres humanos também são animais, gerir 1 milhão de animais me dá dor de cabeça”.
Os custos decrescentes e a sofisticação crescente dos robôs reativaram uma discussão em torno da velocidade em que empregos serão perdidos. Neste ano os economistas Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts, apresentaram argumentos em favor de uma transformação rápida. “A usurpação das habilidades humanas pelos robôs nesse ritmo e escala é recente e possui implicações econômicas profundas”, escreveram eles em seu livro “Race Against the Machine” (“Corrida Contra a Máquina”).
Para eles, a chegada da automação de baixo custo anuncia transformações da mesma escala da revolução na tecnologia agrícola ocorrida no século passado, quando o emprego na agricultura nos EUA caiu de 40% da força de trabalho para 2%.
Mas Bran Ferren, veterano especialista em robótica e designer de produtos industriais na Applied Minds, de Glendale, Califórnia, argumenta que ainda há obstáculos grandes “Inicialmente, eu tinha a ingenuidade de pensar em robôs universais que fossem capazes de fazer tudo”, contou. “Mas é preciso ter pessoas por perto, de qualquer maneira. E as pessoas são boas em entender como mexer com aquele radiador ou acoplar aquela mangueira. Coisas como essas ainda são difíceis para robôs.”
Mais além dos desafios técnicos, há a resistência de operários sindicalizados e comunidades preocupadas com a perda de empregos. Embora o aumento dos custos da mão de obra e dos transportes na Ásia e o medo do roubo de propriedade intelectual estejam trazendo alguns trabalhos de volta para o Ocidente, a ascensão dos robôs pode significar que serão gerados menos empregos.
Na fábrica de painéis solares Flextronic, em Milpitas, ao sul de San Francisco, uma faixa proclama “Trazendo Empregos e Manufatura de Volta à Califórnia!”. Dentro da fábrica, contudo, vêem-se robôs por toda parte e poucos trabalhadores humanos. Todo o levantamento de cargas pesadas e quase todo o trabalho de precisão é feito por robôs. Os trabalhadores humanos cortam material em excesso, passam fios por furos e aparafusam alguns prendedores.
Esse tipo de avanço no setor manufatureiro também está provocando transformações em outros setores que empregam milhões de trabalhadores. Um desses setores é o da distribuição, em que robôs que se movimentam na velocidade dos corredores mais velozes do mundo são capazes de armazenar, pegar e embalar mercadorias para transporte, com muito mais eficiência que os humanos.
Os avanços rápidos nas tecnologias de visão e tato estão colocando uma grande gama de tarefas manuais ao alcance das habilidades dos robôs. Por exemplo, os jatos comerciais da Boeing agora são rebitados automaticamente por máquinas gigantes que se movimentam com rapidez e precisão sobre a superfície dos aviões.
Na Earthbound Farms, na Califórnia, quatro braços robóticos recém-instalados, com copos de sucção customizados, empacotam embalagens de alface orgânica em caixas para transporte. Cada robô faz o trabalho de até cinco trabalhadores humanos.
O governo e executivos industriais nos EUA argumentam que, mesmo que as fábricas sejam automatizadas, ainda são uma fonte importante de empregos. Se os EUA não competir pela manufatura avançada em setores como o da eletrônica para consumidores, poderá perder também nas áreas de engenharia e design. Além disso, embora sejam perdidos mais empregos de colarinho azul, a manufatura mais eficiente vai gerar empregos qualificados no design, na operação e na manutenção das linhas de montagem.
E os fabricantes de robôs dizem que seu próprio setor gera empregos. Um relatório encomendado no ano passado pela Federação Internacional de Robótica constatou que os produtores de robótica em todo o mundo já empregavam 150 mil pessoas em todo o mundo.

Uma linha de montagem mais veloz
Muitos robôs em fábricas de automóveis realizam apenas uma função, mas os robôs da Tesla dão conta de até quatro: soldar, rebitar, colar e instalar um componente. O objetivo é que até 83 sedãs de luxo elétricos Tesla S sejam produzidos por dia na fábrica. Quando a empresa começar a produzir um utilitário esportivo, no próximo ano, os robôs serão reprogramados e o veículo novo será produzido na mesma linha de montagem.
A fábrica da Tesla é pequena, mas representa uma aposta nos robôs flexíveis, algo que pode ser um modelo para o setor.
Recentemente, a Hyundai e a Beijing Motors abriram uma fábrica nos arredores de Pequim que poderá produzir 1 milhão de veículos por ano, usando mais robôs e menos pessoas que as fábricas grandes de seus concorrentes, e com a mesma flexibilidade que a da Tesla, disse Paul Chau, investidor americano da WI Harper.

Tarefas Humanas
Segundo Rome Aloise, vice-presidente para a Califórnia do sindicato de trabalhadores do setor, como os operários fazem menos trabalho físico, ocorrem menos lesões. Pelo fato de o ritmo de trabalho ser ditado por um computador, o estresse hoje é mais psicológico.
Vários anos atrás, o depósito de Graves instalou um sistema alemão que automaticamente armazena caixas de alimentos e os tira de prateleiras. O sistema levou à eliminação de 106 empregos, ou 20% da força de trabalho.
Agora, a Kroger pretende construir um depósito altamente automatizado em Tolleson.
“Não temos um problema com a chegada das máquinas”, Graves disse a funcionários da prefeitura. “Mas diga à Kroger que não queremos perder esses empregos em nossa cidade.”
Certos tipos de trabalho ainda estão fora do alcance da automação: empregos na construção, que requerem que trabalhadores se movimentem em locais imprevisíveis e realizem tarefas não repetitivas; montagens que exigem feedback tátil, como a colocação de painéis de fibra de vidro no interior de aeronaves, barcos ou carros e tarefas de montagem em que é feita uma quantidade limitada de produtos, o que exigiria a reprogramação dos robôs, algo que custa caro. Mas essa lista de trabalhos está encolhendo.