6455 – Medicina – Sal, uma pitada pode fazer a diferença


Um grupo de pesquisadores da faculdade de Medicina Saint Bartolomew, em Londres aconselhou as indústrias de alimentos a diminuir a quantidade de sal de seus produtos. Os cientistas compararam os dadosde 130 estudos sobre a relação entre o consumo de sal e a pressão sanguínea, realizado em diversos países e após muitos cálculos a conclusão foi a de que 3 gramas de sal a menos em cada porção seria o suficiente para evitar aproximadamente 2% dos derrames cerebrais e 16% dos ataques cardíacos na Inglaterra. O ideal é que também se diminua o sal nos alimentos preparados em casa. Essa simples idéia pode fazer mais efeito que remédios para o controle da pressão.

Um Pouco +

O sal (NaCl – cloreto de sódio) há muito tempo tem sido considerado como importante fator na determinação do desenvolvimento e da intensidade da hipertensão arterial .
Hoje em dia, praticamente todos os estudiosos da relação entre sal e pressão arterial concordam com a tese de que a ingestão excessiva de sal eleva a pressão arterial. No entanto, a intensidade da elevação pressórica em resposta a essa ingestão excessiva de sal é variável.

Existem indivíduos cujos valores de pressão arterial aumentam muito em resposta a determinado incremento no consumo de sal, enquanto em outros a pressão arterial é muito pouco ou quase nada modificada. Essa resposta da pressão arterial identifica o grau de sensibilidade ao sal dos indivíduos.

A sensibilidade ao sal é, portanto, a medida da resposta da pressão arterial frente à variação do conteúdo de sal na dieta. Embora seja uma definição relativamente simples, esse fenômeno torna-se bastante complexo ao se definir os limites dos termos utilizados. Em outras palavras, quanto é preciso aumentar a pressão arterial, e por quanto tempo, para que se defina um indivíduo como sensível ou resistente ao sal? Qual pressão arterial melhor define a sensibilidade ao sal: a pressão arterial sistólica, a diastólica, ou a média? Quanto de sal é necessário administrar-se a um indivíduo para que haja resposta pressórica? O fator tempo de sobrecarga ou restrição salina é importante na avaliação da sensibilidade ao sal? Estas são algumas das questões relacionadas à sensibilidade ao sal que ainda não estão totalmente esclarecidas.

Os estudos para estabelecer o grau de sensibilidade ao sal incluíram pacientes com características diferentes em relação a peso, raça e idade. Tais aspectos reconhecidamente influenciam a variação da pressão arterial provocada pela modificação do conteúdo de sal na dieta.
Portanto, várias perguntas ficam em aberto na melhor caracterização do fenômeno da sensibilidade ao sal.
No âmbito populacional a ingestão salina parece ser um dos fatores envolvidos no aumento progressivo da pressão arterial que acontece com o envelhecimento. Tal aspecto ficou evidente no clássico estudo Intersalt. Esse trabalho mostrou uma correlação direta entre a quantidade de sal habitualmente ingerida e a elevação da pressão arterial com a idade, havendo aumento discreto, ou mesmo ausência de elevação da pressão arterial nas comunidades com baixa ingestão salina. Outro estudo, realizado com uma amostra de índios da tribo Yanomami, que ingerem dieta extremamente hipossódica, não se verificou aumento da pressão arterial ao longo da vida, com incidência nula de hipertensão arterial. Sabe-se, por outro lado, que em populações com alta ingestão de sal, a prevalência de hipertensão arterial é cerca de 50% naqueles indivíduos acima de 60 anos.
Grandes estudos populacionais demonstram que reduzindo-se a ingestão de sal de 170 para 70 mEq/dia, agudamente reduz a pressão arterial em indivíduos normotensos aproximadamente 2 a 3 mmHg. Ao longo de 30 anos, entretanto, a queda da pressão arterial pode chegar a 10 mmHg ou mais; em parte por que a restrição salina minimiza o aumento da pressão arterial com a idade .