6426 – Descarga transforma esgoto em adubo e energia


Um vaso sanitário inventado em Cingapura faz descarga de dejetos com recarga de recursos ambientais e ainda economiza 90% da água. Os cientistas da Nanyang Technological University (NTU) criaram um modelo que transforma o esgoto em fertilizantes e eletricidade. Os dejetos líquidos vão para a separação de substâncias usadas em adubos, como nitrogênio, fósforo e potássio. Os sólidos são encaminhados para a queima em biodigestores, gerando eletricidade.
Além de transformar os dejetos em recursos, o “WC Vácuo No Mix” usa tecnologia de vácuo de sucção, semelhante à dos aviões. Enquanto um vaso comum usa até 6 litros de água para efetuar a descarga, esse modelo usa 200mL para líquidos e 1 litro para sólidos.
O projeto, que recebeu 10 milhões de dólares do Programa Nacional de Cingapura em 2010, será útil não apenas para novos empreendimentos, como também para comunidades que não estão ligadas a sistemas de esgotos e, com esse modelo que dá destino útil aos dejetos, podem ter suas próprias instalações.

6425 – McDonald’s anuncia prazo para eliminar maus tratos no fornecimento de carne suína


Dez anos: este é o prazo que o McDonald’s anunciou para a eliminação total do uso de celas de gestação para porcas reprodutoras em sua cadeia de fornecimentos nos EUA.
Apesar de ser bastante tempo, a iniciativa é bem vista por organizações de proteção animal como a HSI (Humane Society Internacional). “As celas são tão lotadas que os animais são impedidos até mesmo de se virar, imobilizados e alinhados como carros estacionados por quase toda sua vida. Nós gostaríamos de que a rede se livrasse das celas amanhã, mas entendemos os desafios de logística envolvidos em uma mudança tão significativa”, comenta a gerente de Campanhas da HSI.
Segundo a HSI, as mudanças em grandes corporações refletem que o atendimento a padrões de bem-estar animal é uma tendência mundial – o que deve pressionar as redes a adotarem as medidas por aqui também. A ARCA (Associação Humanitária de Proteção e Bem-estar Animal) lançou a petição “Pelo Fim do Confinamento Intensivo”, em que pede o fim das celas de gestação também na rede do McDonald’s na América Latina.
Só no Brasil, existem mais de 600 lojas da rede e aproximadamente 1,5 milhão de porcas reprodutoras são confinadas em celas de gestação (individuais e de metal) por quase toda sua vida.

6424 – Mega Sampa – Áreas verdes da USP agora são reservas ecológicas


A Universidade de São Paulo declarou como reserva ecológica áreas verdes localizadas em seis campi. Estes locais agora têm caráter de preservação permanente e são destinadas apenas à conservação, restauração, pesquisa, extensão e ensino.
As 23 áreas, que totalizam 11 milhões de metros quadrados, ficam nas cidades de São Paulo, Pirassununga, São Carlos, Lorena, Ribeirão Preto e Piracicaba. Esta última tem agora a maior quantidade de hectares protegidos: 800, ao todo. A única área considerada reserva na USP foi declarada na década de 70, fica na Cidade Universitária, em São Paulo, e tem 10,2 hectares.
Agora, será feito o levantamento topográfico e o mapeamento das áreas para a elaboração de documentos técnicos que resultarão em um plano de manejo das reservas.

6423 – Casca de arroz é usada para gerar energia em usina do RS


Localizada no extremo oeste do RS, a cidade de São Borja faz fronteira com a Argentina, tem pouco mais de 61 mil habitantes e é uma das maiores produtoras nacionais de arroz. Não é pra menos: são beneficiados, por ano, cerca de 10 milhões de sacos do grão, cada um com 50 quilos, segundo dados da Agência de Desenvolvimento Polo RS.
Dessa produção intensa, sobram as cascas. Sem aproveitamento e valor comercial, elas sempre ocuparam espaço nos aterros de lixo e significavam um grande passivo ambiental para a cidade – ou seja, quando atividades econômicas que causam danos ao meio ambiente devem ser “compensadas” com determinadas ações.
Agora, vão gerar energia na Usina Termelétrica de São Borja, inaugurada oficialmente no mês passado. Para operar na capacidade plena, 85 mil MWh/ano, a Usina demandará 96 mil toneladas anuais de cascas de arroz. As cinzas geradas na queima serão destinadas a indústrias de cimento, fertilizantes e borracha.
Cerca de 10% da energia gerada deverá ser destinada aos gastos da própria usina. Os outros 90% serão comercializados para a rede pública.
Biomassa são materiais orgânicos a partir dos quais é possível obter energia. Restos de alimento, madeira, esterco e resíduos da agricultura, como as cascas de arroz de São Borja, são alguns exemplos.
O Brasil é líder mundial em capacidade instalada para geração de energia por biomassa. Nos últimos cinco anos, foi o terceiro país que cresceu mais rápido nesse quesito – que é o potencial total de produção do país, não a produção em si.
A conclusão é da edição de 2011 do relatório Who’s Winning The Clean Energy Race? (Quem Está Ganhando a Corrida da Energia Limpa?), do Pew Environment Group.
Entre os países do G20, o Brasil aparece em sexto lugar entre os que mais investem em energia limpa, com 8 bilhões de dólares. Como economia emergente, está atrás apenas da China.

6422 – Projeto brasileiro que transforma lixo em material de construção ganha prêmio internacional


A competição Moradia Ideal – Colaboração para Cidades Mais Inclusivas e Sustentáveis (Sustainable Urban Housing – Collaborating For Liveable And Inclusive Cities), da Ashoka Changemarkers, organização mundial que trabalha com inovação e apoio a empreendedores sociais, recebeu inscrições de 48 países, totalizando 289 projetos.
De 11 finalistas, três foram premiados – um deles, brasileiro: Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável, dos arquitetos Márcia Macul e Sérgio Prado, fundadores da ONG Curadores da Terra.
A proposta é ambiciosa: reaproveitar todo tipo de lixo gerado nas cidades em Usinas Limpas, que processam resíduos orgânicos, plásticos e minerais (incluindo lodo e esgoto dos córregos e rios) e dão origem a materiais de construção, fertilizantes e energia.
As usinas podem ser feitas para todas as quantidades de lixo, variando de tamanho de acordo com o número de habitantes da comunidade ou cidade em que é implantada. “Cada unidade é feita individualmente para atender a estes quantitativos”, explica Márcia.
O lixo orgânico e seco é transformado em “biomassa bioestabilizada” (em um processo que dura de 30 a 55 horas) e pode ser aproveitada como fertilizante para florestas e piscicultura, materiais de construção e na geração de energia elétrica (em usinas com capacidade para mais de 12 toneladas/dia).
“Esta biomassa é agrupada com todos os outros resíduos, amalgamados com poliuretano vegetal biodegradável (que vem da soja ou mamona) dando origem a blocos, pisos, paredes, telhas, etc.” A resina formada substitui o cimento, que “cola apenas produtos minerais e hoje representa 8% do aquecimento da atmosfera”, segundo a arquiteta.
Onze equipes que participaram do evento de premiação se interessaram pela iniciativa, além de três importantes secretarias norte-americanas: HUD (US Department os Housing and Urban Development), EPA (Environmental Protection Agency) e a USAID (US Agency for Internacional Development). “Elas agora estudam novas formas de implantação para todos os países da América do Sul e América Central”, diz Márcia.
A premiação aconteceu na última semana em Washington DC, nos EUA. O projeto brasileiro recebeu 10 mil dólares, que serão investivos na divulgação, com vídeo em 3D sobre o funcionamento das usinas.
O projeto propõe soluções que vão muito além do reaproveitamento de lixo. Ele promove mudanças de aspecto social, com a construção de casas acessíveis e feitas com material “limpo”. “As usinas ganham pelo depósito de lixo, venda de energia e adubo e têm muito lucro com isso. Nossa ideia é que os elementos construtivos sejam usados para a edificação de creches, escolas e casas populares, beneficiando sempre a comunidade.”
A competição teve o apoio do Rockefeller Foundation, Departamento de Housing e Desenvolvimento Urbano e Departamento de Estado dos EUA e o Ministério da Cidades do Brasil. Os outros dois projetos premiados são da Argentina e EUA.

6421 – Hipócrates, o pai da Medicina


Foi na Grécia que a Medicina antiga se desenvolveu ao máximo durante o milênio que vai de 500 aC a 500 dC. Tal período criativo é simbolizado por Hipócrates, o Pai da Medicina. Hoje, seu nome é sinônimo de dignidade da Medicina em todos os tempos. Sua bondade e interesse é bem visiualisado no aforismo “onde existe amor pela humanidade, existe amor pela arte da cura”. Um nome respeitadíssimo nos círculos médicos.

Juramento de Hipócrates
É uma declaração solene tradicionalmente feita por médicos por ocasião de sua formatura. Acredita-se que o texto é de autoria de Hipócrates ou de um de seus discípulos.

Texto do juramento

Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.

O Juramento de Hipócrates foi atualizado em 1948 pela Declaração de Genebra, a qual vem sendo utilizada em vários países por se mostrar social e cientificamente mais próxima da atual realidade

Hipócrates (em grego antigo: Ἱπποκράτης; Cós, 460 a.C. — Tessália, 370 a.C.) é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da saúde, frequentemente considerado “pai da medicina”, apesar de ter desenvolvido tal ciência muito depois de Imhotep, do Egito antigo. É referido como uma das grandes figuras entre Sócrates, Aristóteles durante o florescimento intelectual ateniense . Hipócrates era um asclepíade, isto é, membro de uma família que durante várias gerações praticara os cuidados em saúde.
Nascido numa ilha grega, os dados sobre sua vida são incertos ou pouco confiáveis. Parece certo, contudo, que viajou pela Grécia e que esteve no Oriente Próximo.
Nas obras hipocráticas há uma série de descrições clínicas pelas quais se pode diagnosticar doenças como a malária, papeira, pneumonia e tuberculose. Para o estudioso grego, muitas epidemias relacionavam-se com fatores climáticos, raciais, dietéticos e do meio onde as pessoas viviam. Muitos de seus comentários nos Aforismos são ainda hoje válidos. Seus escritos sobre anatomia contêm descrições claras tanto sobre instrumentos de dissecação quanto sobre procedimentos práticos.
Foi o líder incontestável da chamada “Escola de Cós”. O que resta das suas obras testemunha a rejeição da superstição e das práticas mágicas da “saúde” primitiva, direcionando os conhecimentos em saúde no caminho científico. Hipócrates fundamentou a sua prática (e a sua forma de compreender o organismo humano, incluindo a personalidade) na teoria dos quatro humores corporais (sangue, fleugma ou pituíta, bílis amarela e bílis negra) que, consoante às quantidades relativas presentes no corpo, levariam a estados de equilíbrio (eucrasia) ou de doença e dor (discrasia). Esta teoria influenciou, por exemplo, Galeno, que desenvolveu a teoria dos humores e que dominou o conhecimento até o século XVIII. Sua ética resume-se no famoso Juramento de Hipócrates. Porém, certos autores afirmam que o juramento teria sido elaborado numa época bastante posterior.

O conjunto das obras atribuídas a Hipócrates constitui o Corpus hippocraticum (em português, Coleção Hipocrática). Setenta escritos são reconhecidos como constituintes do corpus, entre os quais os seguintes são considerados os mais importantes:
Aforismos
Da Medicina Antiga
Da Doença Sagrada
Epidemias
Da Cirurgia
Das Fraturas
Das Articulações
Dos Instrumentos de Redução
Dos Ferimentos na Cabeça
Prognósticos
Dos Ares, Águas e Lugares
Do Regime nas Doenças Agudas
Das Úlceras
Das Fístulas
Das Hemorróidas
Juramento
Lei

6420 – Educação – Uma Guerra Mundial


Nos EUA, 98% dos alunos tem computador e as salas de aula são equipadas com recursos audio-visuais. As boas escolas são gratuitas e sobram vagas, e de cada 10 alunos, 7 chegam à universidade, mas apesar disso, não estão satisfeitos. Num relatório de 1983 foi escrito: “Caso uma potência estrangeira hostil nos tivesse imposto este sisteme educacional medíocre que existe hoje no país, certamente consideraríamos isso um ato de guerra”. Milhares de autoridades em educaão nos EUA estão empenhados em vencer o abismo que se criou entre o desempenho de uma criança americana e uma japonesa, alemã ou coreana. Eles vem perdendo posições e estão sendo batidos nas disciplinas científicas. As crianças japonesas passam 52% mais tempo dentro da sala de aula que as americanas.
Um estudante japonês dedica mais de 8 horas por semana às lições de casa, contra apenas menos de 2 horas americano. No ensino médio são 19 horas semanais de estudos em casa por parte dos japoneses contra apenas 3,2 horas de um estudante americano.
No final de sua carreira escolar a defasagem final é de 10 anos. Mesmo antes da popularização da Internet, as pesquisas mostravam que havia uma relação direta entre o abuso do hábito de ver TV e o baixo desempenho escolar, aliado ao desprezo pela leitura.

6419 – China quer pousar sonda na Lua em 2012


Em mais um passo de seu ambicioso programa espacial, a China planeja pousar sua primeira sonda na Lua no segundo semestre de 2012, afirmou nesta segunda-feira a agência estatal de notícias do país.
Em 2007, a China lançou sua primeira sonda a orbitar a Lua, a Chag’e 1, batizada em homenagem à deusa chinesa da Lua. O equipamento fez imagens da superfície do satélite e analisou a distribuição de elementos.
O lançamento da Chang’e 1 marcou o primeiro passo do programa lunar chinês, que é dividido em três fases. A etapa seguinte seria uma missão não tripulada ao satélite, com posterior recolhimento de amostras do solo e das pedras da Lua.
O serviço de notícias oficial da China afirmou que o Chang’e 3 faria pesquisas sobre a superfície da Lua, sendo lançado em 2013. A agência não deu mais detalhes.
Cientistas chineses falam da possibilidade de enviar uma pessoa ao satélite após 2020.
A nave chinesa Shenzhou 9 retornou à Terra no mês passado, encerrando uma missão que levou ao espaço a primeira mulher chinesa e realizou a primeira acoplagem entre uma nave tripulada do país. Esse teste era considerado crítico devido aos planos chineses de construir uma estação espacial completa até 2020.
OS EUA não deveram testar um novo foguete para levar pessoas ao espaço até 2017, e a Rússia afirmou que missões tripuladas não são mais uma prioridade.

6418 – UFRJ transforma o bagaço de cana em fibra de carbono


Peças de carro, materiais da indústria de petróleo e até armações de óculos podem estar prestes a se juntar a etanol, cachaça e açúcar como produtos derivados da cana.
Cientistas brasileiros desenvolveram um jeito de transformar os resíduos da planta em fibra de carbono, material muito valorizado pela indústria.
Hoje, o bagaço da cana-de-açúcar é o principal resíduo do agronegócio brasileiro. Uma tonelada da planta usada para fazer etanol produz, em média, 140 kg de bagaço.
Boa parte desses restos acaba queimada nas próprias usinas como forma de gerar energia, mas é uma destinação que ainda não consegue absorver todos os resíduos gerados. Se armazenados incorretamente, eles podem se tornar um fator sério de poluição ambiental.
Foi pensando nisso que um grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) decidiu agir e dar uma destinação mais nobre ao “lixo”.
Eles desenvolveram um método que extrai a lignina -uma importante molécula “estrutural” dos vegetais, responsável, entre outras coisas, pela sustentação- do bagaço da cana e a trata para que ela seja transformada em fibra de carbono.
“Não é como transformar garrafa pet em tapete ou em árvore de Natal. É uma reciclagem com alto valor agregado, que pode gerar boas oportunidades, porque o Brasil ainda não tem produção industrial de fibra de carbono”, diz Veronica Calado, coordenadora do trabalho e também do Núcleo de Biocombustíveis, de Petróleo e de seus Derivados da UFRJ.
A fibra de carbono é obtida depois que o bagaço já passou por esse segundo processo. A lignina extraída do bagaço é processada e passa por vários processos, que vão aumentando o teor de carbono. No fim, obtém-se a fibra, que é laminada e pode ser vendida para as mais diversas aplicações.
Dez vezes mais forte do que o aço, mas ainda maleável e com elevada resistência à temperatura, a fibra de carbono é um material muito valorizado no mercado, com preços que podem variar entre US$ 25 e US$ 120 por kg.
A principal maneira de obtê-la hoje é derivá-la do petróleo, com muitos aditivos.
No mundo, já existem outras iniciativas para transformar a lignina em fibra de carbono. Todos esses projetos estão também em fase experimental. O grupo brasileiro, porém, orgulha-se de conseguir fazer o trabalho com menos aditivos, obtendo ainda um “extrato” de lignina mais puro e com maior potencial de transformação.
O trabalho carioca ainda está restrito aos laboratórios, mas a técnica já se mostrou funcional. A coordenadora do estudo diz que não há ideia do preço final da fibra, mas que “com certeza ela será mais barata do que a vinda do petróleo”.

6417 – Olimpíadas de Londres: como grandes eventos podem mudar uma cidade?


A organização do evento promete que estes serão os jogos mais “sustentáveis” da história. Se, além de iniciativas válidas de reciclagem, transportes e projetos sociais, o investimento for perpetuado em infraestrutura para a população, dá pra dizer que o objetivo foi atingido.
A competição, o que não é novidade, deixa marcas em cada uma das cidades por onde passa a cada quatro anos. A parte ruim é que muitas delas não são boas: dívidas públicas, estádios sem uso, rede de transporte que não serve de forma eficiente a população local, especulação imobiliária. E muitos gastos.
O geógrafo norte-americano Christopher Gaffney fez importantes observações em uma entrevista concedida à revista CartaCapital. O pesquisador cita exemplos como a Copa do Mundo de 2002, no Japão e Coreia do Sul, para a qual foram construídos 20 estádios, com utilidade quase zero nos dias de hoje.
Barcelona, que foi sede dos Jogos Olímpicos de 1992, também sofreu profundas transformações – que, segundo ele, podem ser positivas ou negativas de acordo com os critérios de avaliação. O evento ajudou a cidade a se projetar como centro turístico mundial, por ser parte de um processo de transformação iniciado com o Plano Diretor da cidade. Com as alterações na paisagem urbana e na economia local, porém, a cidade sofreu mudanças irremediáveis. “Ela perdeu sua essência histórica. Hoje é menos para ser vivida e mais para ser apreciada, fotografada”.
Para a África do Sul, a última anfitriã da Copa, a coisa não foi muito diferente. Foi boa em termos culturais, por “quebrar um pouco barragens sociais que ainda são muito fortes por lá”, explicou o geógrafo na entrevista. “Houve melhorias de transporte em Joanesburgo, por exemplo. Mas a dívida sul-africana com as obras do Mundial eram de 4 bilhões de dólares para sediar a Copa, a mesma quantia que a Fifa anunciou como lucro. Foi uma transferência direta de dinheiro público sul-africano para a Fifa. E nove dos dez estádios não estão sendo utilizados”.

O planejamento “verde” de Londres
A anfitriã Londres diz que os jogos podem ser excelentes catalisadores para a mudança sustentável, com bilhões de pessoas assistindo e mais de 200 países envolvidos. “Vamos lutar para provar que existe um jeito diferente de anfitriar os jogos, um jeito que oferece a melhor experiência a atletas e espectadores e ao mesmo tempo provê o melhor para a comunidade local e o meio ambiente”.
As experiências sustentáveis começaram na construção do estádio olímpico, dentro de padrões de mínimo impacto, e com o entorno revitalizado e transformado em um dos parques mais extensos da Europa.

No quesito mobilidade, a bandeira mais forte é desestimular o carro. Foi criado o programa Active Travel, que visa encorajar as pessoas a andarem mais de bicicleta e a pé – ou seja, fazerem seus deslocamentos de forma mais ativa.
As melhorias promovidas nas rotas que podem ser feitas dessas duas formas foram planejadas para complementarem outras modalidades de locomoção, em especial transporte público. Como a cidade estará muito cheia na época, a ideia é fazer com que essas opções sejam as mais atrativas possíveis.

A organização criou um manual chamado Food Vision (ou “visão da alimentação”), que tem guiado as diretrizes de fornecimento de alimentos durante os jogos. A ideia é garantir que o país ofereça comida acessível, diversa e saudável – e que possa, ao mesmo tempo, atender a dietas especiais e especificidades culturais de delegações e turistas.
O tema é trabalhado sobre alguns pilares principais:
– Comida segura e com higiene;
– Cadeia de produção rastreada e sustentável;
– Opções nutritivas e saudáveis;
– Acesso à água potável;
– Alimentos com o mínimo de impacto ambiental e padrões de qualidade elevados;
– Redução do uso de embalagens;
– Práticas que minimizam o desperdício e promovem a reciclagem.
Segundo estimativas, 82 toneladas de peixe serão servidos na Vila Olímpica e Paraolímpica durante os jogos. “Nós decidimos usar apenas peixes criados de forma sustentável, para mostrar que o produto é acessível e delicioso”, diz a organização.

6416 – Planeta Terra em 1 Minuto


Você já parou para pensar o que acontece no meio ambiente em 1 minuto? Mais do que isso: imagina quantas árvores são desmatadas nesse período? Quantos animais entram em extinção? Arrisca um palpite de quantos celulares são jogados fora minuto a minuto? Os dados impressionam. Inspirado no livro “Cada minuto na Terra”, de Matthew Murrie e Steve Murrie, este vídeo revela quanta destruição o homem causa em apenas 60 segundos. Confira:

Enquanto você assistiu a este vídeo, aconteceu tudo isso que você leu. Mas muitas outras coisas também se passaram no planeta: a Estação Espacial Internacional viajou cerca de 500 km ao redor da Terra, o rio Amazonas despejou 12,4 bilhões de litros de água no oceano. Os carros que estavam parados no trânsito gastaram 47,3 mL de gasolina. 6 mil relâmpagos atingiram o planeta Terra.
No fundo do mar, 56.724 litros de ar foram inalados por baleias-azuis. A indústria de cosméticos também funcionou a todo vapor: 358 bastões de batom foram fabricados. A pirataria marcou presença, já que mais de 76 mil downloads ilegais de músicas foram feitos. Para matar a fome da população mundial, 21 mil pizzas foram assadas e 6754 Kg de chocolate foram produzidos.

6415 – A Harpia


Também chamada gavião-real, gavião-de-penacho, uiruuetê, uiraçu, uraçu, cutucurim e uiraçu-verdadeiro, é a mais pesada e uma das maiores aves de rapina do mundo, com envergadura de 2,5 metros e peso de até 10 quilogramas.
“Harpia” é uma referência ao ser da mitologia grega. Por causa do tamanho e ferocidade do animal, os primeiros exploradores europeus da América Central nomearam estas águias em função das monstruosas meio-mulheres/meio-águias da mitologia grega clássica. “Gavião-de-penacho” e “gavião-real” são referências ao penacho na cabeça característico da espécie, com um formato semelhante ao de uma coroa. “Uiruuetê” é um termo tupi que contém o termo e’tê, “verdadeiro”. “Uiraçu” veio do termo tupi para “ave grande”.
Ambos os sexos têm uma crista de penas largas que levantam quando ouvem algum ruído. Como as corujas, elas têm um disco facial de penas menores que pode focar ondas sonoras para melhorar suas capacidades auditivas. A harpia possui, como principais características físicas, olhos pequenos, um longo topete, a crista com duas penas maiores e uma cauda com três faixas cinzentas, que pode medir até 2/3 do comprimento da asa.
Esta ave da família Accipitridae possui asas largas e redondas, pernas curtas e grossas, e dedos extremamente fortes, com enormes garras, capazes até de levantar um carneiro do chão. Sua cabeça é cinza, o papo e a nuca, negros, e o peito, a barriga e a parte de dentro das asas, brancos. Tem entre 50 a 90 centímetros de altura, uma envergadura de até 2,5 metros e um peso variando entre 4 e 5,5 quilogramas quando macho e entre 6 e 9 quilogramas quando fêmea.
As harpias são predadores tremendamente eficazes, com garras mais compridas do que as de um urso-cinzento. É uma águia adaptada ao voo acrobático em ambientes florestais de espaços fechados. Elas se aproximam morfologicamente (não se sabe se filogeneticamente) de várias outras aves de rapina tropicais de grande tamanho adaptadas à caça de grandes animais arborícolas como macacos, preguiças, lêmures etc., tais como a águia-coroada africana, a águia-das-filipinas e a águia-da-nova-guiné. Todas essas são chamadas de “águias-pega-macaco” em suas localidades de origem devido ao grande porte, que coloca animais maiores, como macacos, em seu cardápio.
O habitat principal são as florestas tropicais e a espécie se dispersa geograficamente do México à Bolívia, na Argentina e em grande parte do Brasil, notadamente no Amazonas, vivendo em árvores altas, dentro de vasta mata, onde constrói seus ninhos. Habitava as matas brasileiras de forma abrangente. Hoje, pode ser encontrado na Amazônia e visto raramente na Mata Atlântica. Na região amazônica da Guiana, onde foi bem estudado, verificou-se que é um predador sobretudo de mamíferos.
É pássaro nacional e está desenhada no brasão do Panamá. Está desenhada no brasão de armas do estado do Paraná, no Brasil. É o símbolo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. É também símbolo e estampa o escudo da tropa de elite da Polícia Federal do Brasil, o Comando de Operações Táticas. Faz parte do símbolo do 4º Batalhão de Aviação do Exército Brasileiro. Denomina um esquadrão da Força Aérea Brasileira, o 7º/8º Esquadrão Harpia. É o designativo das aeronaves do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo. É o animal em que foi baseada o personagem Fawkes, a fênix, do filme Harry Potter e a Câmara Secreta. É capaz de exercer uma pressão de 42 kgf/cm² (4,1 MPa ou 530 lbf/in²) com suas garras.
Pode erguer mais de 3/4 de seu peso. As garras da harpia são tão fortes que são capazes de esmigalhar um crânio humano. É a águia mais pesada da atualidade e a águia-das-filipinas é a única águia viva que se compara a ela em tamanho. Entretanto, a extinta águia-de-haast da Nova Zelândia era aproximadamente 50% maior do que ela. Dá nome ao projeto de inteligência artificial mantido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados. Em 15 de janeiro de 2009, nasceu um filhote de harpia no Refúgio Biológico de Itaipu. Com 100 gramas de massa, é o primeiro filhote a nascer com sucesso em cativeiro no sul do Brasil.
É rápida e possante em suas investidas. É tão forte fisicamente que consegue erguer um carneiro sem maiores dificuldades. Ela voa alternando rápidas batidas de asa com planeio. Tem um assobio longo e estridente e, nas horas quentes do dia, costuma voar em círculos sobre florestas e campos próximos. As harpias conservam energia se empoleirando silenciosamente, vendo e ouvindo por longos períodos de tempo. Elas caçam com curtas e rápidas investidas. As fêmeas, maiores, caçam presas mais pesadas do que os menores, mais ágeis e rápidos machos. Estas técnicas complementares podem aumentar as chances de sucesso na obtenção de comida. Grandes presas, como preguiças e macacos, costumam ser consumidas parcialmente até poderem ser transportadas para o ninho.
Sua alimentação é composta de animais de porte médio, como aves, macacos, preguiças até macacos maiores como os bugio. Elas caçam pelo menos dezenove espécies de animais, dezesseis das quais são arborícolas. Em cativeiro, são alimentadas com carne, pequenos animais como ratos etc.
As harpias, como as águias em geral, são monogâmicas, unindo-se por toda a vida. Elas fazem ninhos em árvores muito altas, com galhos bem separados, de até 40 metros de altura. O casal dá uma cria a cada dois ou três anos. O período reprodutivo vai de junho a novembro e o período de incubação é de 2 meses. As fêmeas depositam um ovo ou dois, mas, caso ambos os ovos sejam incubados com sucesso, em condições naturais somente o primogênito sobrevive, já que o filhote maior invariavelmente matará o menor (este “cainismo” é comum a várias espécies de águia, e permite estratégias de conservação baseadas na remoção do filhote menor do ninho para criação artificial).

Risco de Extinção

Destruição de seu habitat, uma vez que necessita de grandes áreas para viver. Atualmente, a harpia encontra-se praticamente restrita à floresta amazônica.
É ameaçada pela caça predatória, por ser considerada perigosa para as criações de animais domésticos.
De acordo com a ONG estadunidense Peregrine Fund, que se dedica à proteção internacional de aves de rapina diurnas, a harpia é uma espécie “dependente de conservação”, na medida em que o declínio da espécie em toda a sua área de ocorrência, produzido principalmente pelo desmatamento, exige políticas ativas de conservação e/ou reprodução em cativeiro, que impeçam que a ave se torne uma espécie imediatamente ameaçada de extinção. O Peregrine Fund realizou, aliás, algumas experiências bem-sucedidas de criação em cativeiro e libertação de harpia em uma reserva florestal no Panamá.

6414 – Zoologia – O Pardal


Pardal é nome genérico dado aos pequenos pássaros da família Passeridae, género Passer e Petronia. Os pardais são aves cosmopolitas e adaptam-se bem a áreas urbanizadas e à convivência com os seres humanos. Alimentam-se à base de sementes durante a maior parte do ano e de insectos na época de reprodução. O pardal-doméstico foi introduzido pelo Homem em todos os continentes e é atualmente a espécie de ave com maior distribuição geográfica.
(Passer domesticus) tem sua origem no Oriente Médio, entretanto este pássaro começou a se dispersar pela Europa e Ásia, chegando na América por volta de 1850. Sua chegada ao Brasil foi por volta de 1903 (segundo registros históricos), quando o então prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, autorizou a soltura deste pássaro proveniente de Portugal. Hoje, estas aves são encontradas em quase todos os países do mundo, o que lhe caracteriza como uma éspecie exótica e bioinvasora. Essa ave esta também cada vez mais invadindo o espaço rural e prejudicando a reprodução e alimentação de várias espécies.
Tais aves medem aproximadamente 15 centímetros de comprimento (entre 14 e 16 centímetros), sendo sua envergadura de 19 a 25 centímetros. Há dimorfismo sexual na espécie. Os machos apresentam duas plumagens: durante a primavera apresentam cor acinzentada na região do píleo e na fronte; cor preta no loro e na garganta; cor marron com riscos pretos nas asas e região dorsal; cor cinza-claro ou branca no rosto, peito e abdomen. As penas coberteiras e as remiges apresentam cor preta no centro e as pontas são em tons queimados. O bico é preto e os pés são cinza-rosado. Durante o outono apresentam cor preta no loro; garganta com coloração apagada ou quase que inexistente. A plumagem no outono é menos evidente; a maxila é preta e a mandíbula é preta-amarelada. As fêmeas apresentam cor acinzentada no píleo; marron nos loros, fronte e bochechas; e uma lista supraciliar clara. As remiges e a região dorsal são similares a dos machos. Indivíduos jovens apresentam características semelhantes às fêmeas.
Sua alimentação consiste de sementes, flores, insetos, brotos de árvores e restos de alimentos deixados pelos seres humanos. Costuma frequentar comedouros com sementes e quirera de milho.
O ninho é esférico com entrada lateral, feito de capins, penas, papel, algodões e outras fibras, excepcionalmente feito pelo macho. Ele é construído em cavidades e fendas afastadas do solo, em árvores, telhados, postes de iluminação pública e semáforos. Ninhos de outras aves também podem ser utilizados. Os 4 ovos cinzentos manchados são incubados pelo casal durante 12 dias. Os filhotes são alimentados com pequenos artrópodes e abandonam o ninho com cerca de 10 dias de idade, quando passam por uma dieta vegetariana. Com freqüência os filhotes retornam ao ninho para nele dormir, durante algum tempo.