O Museu da Imagem e do Som


O Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS), é um museu público estadual, subordinado à Secretaria da Cultura, criado na cidade de São Paulo em 1970, fruto de um projeto iniciado alguns anos antes por intelectuais e produtores culturais, como Ricardo Cravo Albin, Paulo Emílio Salles Gomes, Rudá de Andrade, Francisco Luiz de Almeida Salles e Luiz Ernesto Machado Kawall.
Localizado no Jardim Europa, distrito de Pinheiros, tem por objetivo coletar, registrar e preservar o som e a imagem da vida brasileira, nos seus aspectos humanos, sociais e culturais. Nas décadas de 70 e 80, destacou-se como importante núcleo de difusão artística e educativa, convertendo-se em um centro de referência para a pesquisa audiovisual brasileira.
Conserva um vasto acervo, com mais de 350 mil registros, composto por filmes (curtas, longas, vídeos e documentários), discos, gravações (depoimentos, entrevistas, debates, palestras e apresentações musicais), fotografias e um setor de artes gráficas. Promove seminários, mostras e sessões regulares de cinema, vídeo e fotografia. Possui biblioteca especializada e o LabMIS, um centro de pesquisa e produção voltado às novas mídias, que abriga artistas residentes e comissionados.
Em 3 de setembro de 1965, era inaugurado no Rio de Janeiro o Museu da Imagem e do Som, instituição cultural pioneira no Brasil, que logo se tornaria um importante centro de referência da vanguarda audiovisual brasileira. O museu fora idealizado pelo jornalista Carlos Lacerda, então governador do estado da Guanabara. A idéia foi encampada por diversos outros governos estaduais, que formaram comissões para instalar os MIS regionais. O musicólogo Ricardo Cravo Albin, diretor do MIS carioca, integrou as comissões organizadoras, responsáveis por criar ao todo 18 museus.
Em São Paulo, os trabalhos visando à criação do Museu da Imagem e do Som foram iniciados em 1967, por uma comissão formada por, além de Ricardo Cravo Albin, Paulo Emílio Salles Gomes, crítico de cinema e então diretor da Cinemateca Brasileira, o jornalista Maurício Loureiro Gama e o cineasta Rudá de Andrade, entre outros. O museu seria inaugurado três anos mais tarde, em 29 de maio de 1970, tendo por objetivo coletar, conservar e registrar a documentação produzida por suportes novos, como a televisão, o rádio, a indústria fonográfica e a videoarte, até então ignorados pelas demais tipologias museológicas e pelas vertentes arquivísticas tradicionais, bem como por preservar imagens e sons ligados às manifestações culturais das comunidades rurais e urbanas do estado e do país.
Nos cinco primeiros anos de atividade, o museu funcionaria em diversos locais inadequados. Sua primeira sede foi um edifício precário na Rua Antônio Godoy, então sede do Conselho Estadual de Cultura. De lá, passou para o Palácio dos Campos Elísios, antiga sede do governo estadual. Mudou-se em seguida para dois sobrados em ruínas na Alameda Nothmann e depois para um edifício na Avenida Paulista. Em 1973, foi novamente transferido para uma residência na Rua Oscar Pereira da Silva.
O MIS esteve entre as primeiras instituições culturais do Brasil a organizar e sediar festivais de vídeo, mostras audiovisuais e de fotografia, como a Mostra do Audiovisual Paulista, o Festival Internacional de Curtas e as primeiras exibições dos vídeos experimentais do norte-americano Bill Viola. Foi também precursor na exibição de filmes fora do circuito comercial, transformando-se em uma referência cultural da cidade e em um ponto de encontro de produtores, estudantes e profissionais da área audiovisual e interessados em geral.