6235 – Um robô falsário


Em 2011, Barack Obama tinha um documento extremamente importante para assinar. Era um projeto de lei polêmico, renovando a autorização para torturar suspeitos de terrorismo. O Pentágono queria que ele fosse aprovado imediatamente, sob pena de colocar os EUA em risco. Só que Obama estava longe, em viagem à França. O que fez? Apelou para a autopen: um aparelho de US$ 7 mil que tem a capacidade de reproduzir assinaturas com perfeição (chega até a simular variações naturais, como tremidinhas e irregularidades, para deixar a assinatura mais autêntica ainda). Um assessor simplesmente colocou o documento na frente da máquina, que estava na Casa Branca, e apertou um botão.
A autopen foi inventada em 1937, mas Obama foi o primeiro presidente a usá-la para assinar algo importante (John Kennedy tinha feito uso do aparelho, nos anos 60, mas só em cartas para eleitores). A assinatura original é escaneada num computador e transferida para a máquina, capaz de assinar 10 papéis por minuto. O aparelho também é usado por celebridades, como o ator Johnny Depp, para autografar fotos enviadas aos fãs. E também pode ser empregado em fraudes – como na falsificação de autógrafos, que têm todo um mercado nos EUA (o mais caro e raro é o do astronauta Neil Armstrong, que vale US$ 8 700).
A autopen não é usada no Brasil. “Uma lei assinada pelo chefe de Estado tem validade, independente de se ele usou a autopen”, explica o jurista Coriolano Almeida Camargo. Para isso, o uso do aparelho teria de ser previamente autorizado por uma lei. Escrita – e assinada – por mãos humanas.