6200 – Viagem ao coração de um buraco negro


Sabemos que existe um buraco negro gigante no centro da maioria das galáxias, inclusive na nossa, um monstro de 4 milhões de massas solares. No dia 13 de junho, a sonda espacial NuSTAR -equipada com um telescópio que detecta raios X- foi lançada para examinar em detalhe o que ocorre no nosso gigantesco ralo cósmico.
Segundo a teoria da relatividade geral de Einstein, a gravidade pode ser explicada como resultado da curvatura do espaço em torno de um objeto com massa: quando maior a massa do objeto, mais curvo o espaço à sua volta, e maior sua atração sobre corpos vizinhos. Quanto mais curvo o espaço, mais difícil é escapar da sua gravidade.
O buraco negro é o caso no qual o espaço é tão curvo que nada escapa de sua atração, nem mesmo a luz. Para “ver” um buraco negro é preciso olhar para o entorno dele.
Para Einstein e a maioria dos físicos, os buracos negros são um grande desafio. A maioria deles são restos de estrelas que, ao morrer, implodem como balões furados. O problema é que, durante a implosão, a gravidade vai ficando cada vez mais forte. E a implosão não para. No centro da estrela em colapso se forma uma “singularidade”, um ponto onde a gravidade é infinitamente forte e as leis da física deixam de fazer sentido.
A singularidade é circundada pelo “horizonte”, a esfera que separa a estranheza do buraco negro do mundo exterior. Se você ultrapassar o horizonte, nunca mais escapa: seu destino é continuar até a singularidade, onde será triturado por completo. Mas não há nada a temer, pois bem antes disso seu corpo será esticado feito espaguete e rasgado.
Einstein nunca gostou de teorias que deixam de fazer sentido. Em 1935, escreveu um artigo com Nathan Rosen no qual sugeriu que o centro de um buraco negro é uma ponte para outro local no Universo (ou mesmo para outro universo), e que do outro lado existe um “buraco branco”, o oposto do buraco negro, um ponto de onde surge matéria, como uma cornucópia cósmica.
Esses “buracos de minhoca”, como ficaram conhecidas as pontes de Einstein-Rosen, vêm inspirando incontáveis histórias e filmes de ficção científica, pois, em princípio, permitem viagens a velocidades maiores do que a da luz. Infelizmente, fora a total falta de evidência de buracos brancos, para manter as duas bocas do buraco de minhoca abertas é necessário um tipo de matéria que tem energia “negativa”, até hoje nunca vista.
A coisa piora se a teoria de Stephen Hawking, que prevê que buracos negros evaporam lentamente, estiver correta. Afinal, se evaporarem, tudo o que resta é a singularidade nua, o ponto absurdo. Horrorizados, físicos propuseram que algo protege essa nudez, a Conjectura de Censura Cósmica.

Qualquer que seja o destino da singularidade, é incrível que buracos negros tenham sido inventados antes de ser descobertos, um casamento quase mágico da imaginação com o Cosmo. É como se a natureza nos dissesse: arrisquem mesmo, sonhem alto. E estejam sempre abertos para o inesperado, pois ele está sempre à espreita.

Marcelo Gleiser, astrônomo brasileiro

6199 – O que é a consciência humana?


Descartando o argumento religioso – segundo o qual a consciência está em sua alma (ou espírito) e independe do seu corpo físico – é preciso procurá-la em seu cérebro, órgão que pesa 1,3 quilo e tem a consistência de um ovo mole.
Os neurologistas e biólogos sabem que esse filme que só você assiste – e que reúne a história da sua vida, preferências, emoções, enfim, a sua identidade – tem origem em uma série de atividades integradas no seu cérebro. De acordo com eles, a capacidade de representar o mundo na mente não passa de um traço evolutivo, assim como a nossa habilidade para a locomoção. Na prática, o que os cientistas querem dizer com isso é que, de certa forma, outras espécies também têm consciência.
Enquanto uma anêmona do mar, por exemplo, se expande ou se contrai diante da presença da luz solar, o homem tem uma série de instrumentos para representar o ambiente de uma forma bem mais sofisticada. Diante de um risco de assalto iminente, por exemplo, sentimos medo, tentamos antecipar visualmente o que pode acontecer, calculamos a chance de escapar, nos lembramos das pessoas que amamos, enfim, nosso cérebro realiza simultaneamente uma série de atividades. E, após essa experiência, esses acontecimentos – assim como os sentimentos envolvidos nele – são registrados para que você se sinta ruim novamente diante de outra ameaça – e tenha mais chances de sobreviver.(Tudo muito impessoal, logicamente)
Ao comer uma comida diferente, por exemplo, surgiria uma mudança nas conexões do seu cérebro. “Quanto mais o mundo passa a ter significado para você, mais conexões são feitas em seu cérebro”. Hoje, ações do nosso cérebro podem ser monitoradas por meio da técnica de tomografia por emissão de pósitrons, que mede a quantidade de energia que cada área consome em cada uma dessas atividades. O resultado dessas pesquisas tem revelado que as diversas atividades responsáveis pela nossa consciência requerem o casamento de várias regiões. Ou seja: o que faz de você você é a soma de todas as representações que você faz dos outros e do seu ambiente, que podem se expandir a cada dia, desde que você mantenha sua consciência aberta.

6198 – O que causou as Eras Glaciais?


Na história da Terra, as Eras Glaciais são períodos em que grossas camadas de gelo cobrem vastas áreas do planeta. Algumas delas duraram milhões de anos e alteraram o relevo, a vegetação e a vida animal dos continentes. A mais antiga delas se deu há mais de 570 milhões de anos e a mais recente, de menor escala (e, por isso, chamada de Pequena Era do Gelo), começou no século 16 e durou cerca de 3 séculos na Europa, atingindo o seu pico em 1750.
Os pesquisadores sabem que essas pequenas eras do gelo ocorrem a cada 20 000 a 40 000 anos, e que as de grande duração ocorrem em um intervalo de cerca de 100 000 anos. O matemático sérvio Milutin Milankovitch (1879-1958) foi o primeiro pesquisador a se debruçar seriamente sobre o tema. Ele propôs que os períodos de glaciações eram provocados por mudanças na quantidade de energia solar absorvida na Terra devido a pequenas irregularidades na órbita do nosso planeta em volta do Sol. Essas pequenas variações resultariam em quedas abruptas de temperatura. A questão, contudo, não foi inteiramente esclarecida em razão de os cientistas saberem que as recentes flutuações na órbita do planeta foram capazes de influenciar no máximo em 1% a absorção da energia solar pela Terra – o que seria insuficiente para explicar as grandes glaciações.
Outra possível causa das glaciações seria a diminuição, no passado, da concentração de gases como o gás carbônico na atmosfera, cuja escassez provoca queda da temperatura da Terra. A questão é: a redução do gás carbônico na atmosfera foi a causa dessas glaciações ou essa diminuição na concentração do gás já teria sido resultado delas? O que teria provocado essa mudança de concentração dos gases na atmosfera nas últimas Eras Glaciais e como controlá-la?
Dependendo da resposta, os cientistas esperam saber, por exemplo, como combater com eficiência o aquecimento global provocado pelo aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera – desta vez pelas mãos humanas.

6197 – Desenvolvimento (IN) Sustentável – Até quando a Terra aguenta?


A Terra já começou a dar sinais de que está respondendo às agressões ao ambiente. No momento, a ameaça maior – como você está cansado de saber – é o aquecimento global. O 4º relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, (IPCC, na sigla em inglês), revelou que o problema já está entre nós e tem causado mudanças no clima e na vegetação em vários continentes.
“Poucos, mesmo dentre os cientistas do clima e ecologistas, parecem perceber plenamente a gravidade potencial, ou a iminência, do desastre global catastrófico”, alerta o cientista britânico James Lovelock, que ficou famoso na década de 1970 por ter concebido a Teoria de Gaia, que trata a Terra como um organismo vivo. Em seu livro A Vingança de Gaia, ele diz que a questão não é mais se vai ou não acontecer uma catástrofe – e tão simplesmente qual será o tamanho do estrago.
É improvável que a nossa espécie inteira venha a ser extinta. “O que está em xeque é a civilização”, diz James Lovelock.
Apesar do aquecimento estar batendo em nossa porta, ainda há cientistas que apostam na capacidade de recuperação da própria Terra. A questão é: o que há de exagero e o que há de verdade nesses relatórios. Até alguns anos atrás, o maior ataque às previsões catastróficas feitas pelos ambientalistas foi feito pelo estatístico dinarmaquês Bjorn Lomborg, autor do livro O Ambientalista Cético, escrito no início da década. De lá para cá, o número de pesquisadores que se arriscam a fazer previsões otimistas têm diminuído bastante. Na melhor das hipóteses, eles prevêem que o aumento da temperatura no planeta causará, sim, danos ao ambiente. Mas nada comparado aos efeitos especiais das devastações dos filmes de Hollywood.
Já para os ambientalistas que se consideram realistas, as conseqüências serão dramáticas e podem ser concretizadas já nas próprias décadas. Elas incluem a elevação do mar entre 9 e 88 centímetros, a desertificação de grandes áreas, falta crônica de água e a extinção de mais de um terço de todas espécies que vivem no planeta.

6196 – Há uma ordem no Universo?


Einstein começou essa busca. Em 1916, após concluir sua Teoria da Relatividade Geral, que versava sobre a gravidade, ele se perguntou se era possível integrá-la à outra força conhecida até então: o eletromagnetismo. Einstein passou os últimos anos de sua vida tentando, mas não encontrou a resposta. Em compensação, outros físicos trataram de fazer perguntas que o deixariam maluco. Ao longo do século 20, foram descobertas e descritas outras duas forças da natureza – a força nuclear forte, responsável por colar as partículas que compõem os núcleos atômicos, e a força nuclear fraca, que atua em escala ainda menor.
A tarefa passou então a ser unir todas essas forças numa única teoria, algo que ainda está longe de virar realidade. O maior sucesso até agora foi reunir a força eletromagnética com a força nuclear fraca, produzindo uma teoria eletrofraca e, posteriormente, com a força forte. O arranjo que costura esses 3 elementos é o chamado Modelo Padrão da Física de Partículas – um arcabouço que reúne tudo que é comandado pela mecânica quântica.A idéia por trás da unificação das forças é a de que, no princípio do Universo, elas eram todas a mesma coisa. Foi justamente a evolução do Cosmos que fez com que as forças se separassem. Sabe-se que, conforme compactamos partículas para que elas simulem o ambiente nos primeiros instantes após o big-bang, as 3 forças “quânticas” convergem. A dúvida é se a força da gravidade vai se juntar ao bando.
A aposta mais quente hoje em dia para conseguir encaixar a gravidade é a Teoria das Supercordas. Ela se diz capaz de unificar as 4 forças da natureza. O problema é que a matemática envolvida nela é tão complexa que ninguém conseguiu resolvê-la a contento. Além disso, não sabemos sequer se existem apenas 4 forças no Universo. É possível que você tenha ouvido falar da energia escura – um negócio misterioso que age contra a gravidade e está acelerando a expansão do Cosmos. Pois é, algumas das descrições teóricas supõem que essa energia possa ser uma 5a força no Universo.
Talvez você se pergunte: para que precisamos unificar essas teorias?
Em 99,9% dos casos, de fato, não precisamos. Mas a construção de modelos sobre o nascimento do Universo e o interior de buracos negros exigem a união entre a gravidade e a mecânica quântica. Resta saber, contudo, se essa unificação é realmente possível ou não passa de uma incapacidade humana de lidar com o caos.

6195 – Os animais pensam?


A barreira intelectual que separa os homens dos animais é bem menor do que se imaginava.
Dois estudos pioneiros, nas décadas de 1950 e 1960, foram fundamentais para diminuir essa distância. O primeiro, realizado na ilha de Koshima, no Japão, detectou que os macacos da região eram capazes de aprender novas técnicas para se alimentar a partir da mudança do hábito de um dos seus pares. A pesquisa revelou que um jovem macaco provocara uma pequena revolução na ilha ao passar a lavar a batata-doce num pequeno braço d’água antes de comê-la, ato que passou a ser repetido por três quartos de todos os macacos jovens da ilha. A descoberta provou que o homem não era o único a transmitir um comportamento socialmente adquirido – não transmitido geneticamente nem aprendido individualmente. O segundo estudo foi o da inglesa Jane Goodall que, ao conviver com chimpanzés na Tanzânia, provou que esses primatas tinham uma complexa vida social, uma linguagem primitiva com mais de 20 sons e a capacidade de usar diversas ferramentas para obter alimento – algo considerado exclusivo da nossa espécie. Além disso, os pesquisadores sabem que mamíferos como baleias, golfinhos e elefantes conseguem aprender e ensinar.
Como até a ONU já reconheceu que não dá mais para tratar os grandes primatas como animais comuns (o secretário-geral da ONU Kofi Annan escreveu que, “assim como nós, eles têm autoconsciência, cultura própria, ferramentas e habilidades políticas”), é bem possível que, no futuro, o homem venha a descobrir que se comportou diante dessas espécies com a mesma arrogância das velhas teorias de superioridade racial.

6194 – Estamos sós no Universo?


Conhecida como ALH 84001, é um meteorito de 2 quilos originário de Marte que foi encontrado em 1984, pela Nasa, em meio ao gelo da Antártida. Como ele tem pequenas cavidades e compostos que parecem ter sido feitos por bactérias, parte da comunidade científica levantou a hipótese de que esse seria um sinal de que houve formas de vida no passado marciano – enquanto outra parte, mais cética, diz que não há como provar que essas cavidades não foram feitas após sua queda na Terra.
O fato é que, apesar de hipóteses feitas a partir de estimativas de como deve ser a atmosfera de planetas distantes, o acesso que temos aos outros corpos celestes ainda é escasso. O caso de Marte é exemplar: desde que as sondas Viking 1 e 2, nos anos 70, começaram a vasculhar o planeta, não conseguimos ainda trazer amostras fresquinhas para análise. Ainda assim, o planeta vermelho continua sendo a melhor opção para a busca por vida extraterrestre. Por quê? Porque os cientistas sabem que Marte teve água em estado líquido no passado, substância essencial à formação das cadeias químicas responsáveis pela vida.
Além de Marte, outro candidato em nosso sistema solar para abrigar vida é Europa, uma das numerosas luas de Júpiter. Por estar muito mais distante do Sol do que a Terra, Europa seria um congelador pouco propício à vida, não fosse por um detalhe: o peso de Júpiter produz tamanho efeito gravitacional no satélite que chega a derreter parte do gelo no seu interior. O resultado é um oceano de água líquida localizado abaixo de vários quilômetros de gelo que poderia, sim, abrigar vida. Mas, como nenhuma sonda sequer chegou a Europa, tudo não passa de uma hipótese. De qualquer forma, os cientistas sabem que, se houver vida passada ou presente em nosso sistema solar, ela provavelmente será composta de seres unicelulares relativamente simples, como bactérias. A saída então é caçar novos candidatos em rincões mais distantes do Universo.
Dos mais de 200 planetas conhecidos fora do nosso sistema solar, um deles, localizado ao redor de uma estrela chamada Gliese 581, foi alçado recentemente a candidato número 1 à vida. Tudo por ser, ao menos em tese, parecido com a Terra – com uma temperatura estimada entre 0 e 40 oC e provável presença de água. Por enquanto, saber na prática se ele abriga alguma forma de vida é impossível.
Uma forma mais eficiente de buscar vida no Universo é tentar encontrar rastros da atmosfera desses astros. Os dois maiores projetos espaciais voltados para esse objetivo são o Terrestrial Planet Finder (“Localizador de Planetas Terrestres”), da Nasa, e o Darwin, da Agência Espacial Européia (ESA). Eles poderão detectar a luz desses mundos distantes com qualidade suficiente para encontrar “assinaturas” que denunciem, por exemplo, que gases estariam presentes na atmosfera desses planetas. Caso haja uma quantidade grande de oxigênio e vapor d’água em sua composição, a chance de que ali exista vida passa a ser grande. Ainda assim, não haverá garantia nenhuma de que existam seres inteligentes. Para encontrar ETs que possam falar conosco, só há um meio conhecido: eles precisam nos enviar uma mensagem.
A probabilidade de que alguém esteja na vizinhança nos enviando um sinal (por rádio ou laser) é baixíssima, já que desde 1960 os cientistas usam radiotelescópios para tentar ouvir algo vindo das estrelas. Até agora, eles não encontraram nada comprovadamente gerado por um ser inteligente, como aqueles sinais sonoros encontrados por Jodie Foster no filme Contato. A verdade é que, a despeito de todos os candidatos, só conhecemos um planeta em que a vida se desenvolveu: a Terra.

6193 – O que é a felicidade?


“Felicidade é sentir-se bem, gozar a vida”, diz o economista britânico Richard Layard, autor de A Ciência da Felicidade. Considerado uma das maiores autoridades no assunto, ele ficou famoso por levantar uma questão curiosa: o aumento de renda de países não foi seguido do aumento do grau de felicidade dos seus cidadãos.
De acordo com Layard e outros pesquisadores, isso acontece por dois motivos. O primeiro é o fato de que o que torna uma pessoa mais feliz não é o aumento da renda em si, mas o aumento em comparação aos seus colegas. Uma pesquisa na Universidade Harvard, nos EUA, mostrou que a maioria dos alunos preferiria receber US$ 50 000 se os outros ganhassem a metade desse valor, em vez de receber US$ 100 000 se os outros ganhassem US$ 200 000. O segundo estaria em nossa capacidade de nos adaptar ao novo padrão. Mas, se a riqueza não traz felicidade, o que traz?
Se você pensou em saúde, juventude, um QI alto, um bom casamento, dias ensolarados ou ter uma crença religiosa, saiba que tudo isso ajuda. Mas, de acordo com pesquisa realizada em 2002 pela Universidade de Illinois, também nos EUA, as pessoas com alto nível de felicidade são aquelas que têm mais capacidade de fazer amigos e manter fortes laços afetivos com eles.
Um hábito simples e gratuito.

6192 – Quando o hidrogênio substituirá os outros combustíveis?


“Em 10 anos, já teremos geradores de energia nas indústrias e nas próprias residências, e carros movidos a hidrogênio circulando pelas ruas do país.”
Paulo Emílio de Miranda, coordenador do Laboratório de Hidrogênio da Coordenação de Programas de pós-graduação da ufrj.
“A partir de 2020 mais de um terço de todos os veículos da BMW vendidos na Europa será movido por motores à base de hidrogênio.”
Joachim Milberg, presidente da montadora alemã BMW até março de 2007.
“Eu não acho que o uso de um combustível gasoso seja uma boa idéia para veículos de passeio porque o tanque dele tira muito espaço do carro. Além disso, a quantidade de energia dos líquidos é mais alta. É importante dizer que o combustível do futuro poderá ser misturado com outros para facilitar a introdução deles no mercado. O hidrogênio, por exemplo, é uma substância muito difícil de ser misturada.”
Ferdinand Panik, conselheiro da ballard power systems e ex-diretor da daimler-chrysler do brasil.
“Desde 2003 já circulam no nosso país ônibus movidos a hidrogênio. Esperamos que no ano que vem já tenhamos carros alimentados com o gás pelas ruas.”
Jon Bjorn Skulason, presidente da Nova energia islandesa (INE), um consórcio de empresas que investe em hidrogênio.

6191 – Biologia – Não alimente os animais


Além de desmotivar os animais a buscar os próprios alimentos, dar comida aos bichos que vivem na natureza prejudica a saúde animal. “Não há exceção. A regra vale para todos os animais silvestres”, explica a bióloga Patrícia Alexandrini, responsável pelo setor de alimentação do Zoológico de São Paulo. “Esse hábito desacostuma os bichos a exercer suas habilidades para conseguir o alimento, já que comer o que o humano oferece não exige esforço. Sem contar que uma comida inadequada pode provocar o desbalanceamento do metabolismo do animal”.
Para se aproximar dos animais, as pessoas sentem-se tentadas a oferecer balas, chocolates, pipocas e outros alimentos gostosos ricos em açúcares, sais e gorduras que, ingeridos em excesso, causam problemas até para o ser humano. Na natureza, os efeitos são mais graves, já que os bichos não escovam os dentes nem estão livres de doenças como diabetes, colesterol elevado e hipertensão, de difícil controle e tratamento sem auxílio veterinário.
No caso de animais que vivem em ambientes urbanos, a alimentação indevida pode aumentar a reprodução de espécies que oferecem perigo à saúde humana, como pombos e ratos, por exemplo. Já os animais criados em cativeiro devem receber uma dieta elaborada de acordo com os alimentos consumidos pelos bichos em ambiente natural.

6190 – A Biologia Molecular


Trata-se do estudo da Biologia em nível molecular, com especial foco no estudo da estrutura e função do material genético e seus produtos de expressão, as proteínas. Mais concretamente, a Biologia Molecular investiga as interacções entre os diversos sistemas celulares, incluindo a relação entre DNA, RNA e síntese proteica. É um campo de estudo alargado, que abrange outras áreas da Biologia e da Química, em especial Genética e Bioquímica.
Na Biologia Molecular são frequentemente combinadas técnicas e ideias provindas da Microbiologia, Genética, Bioquímica e Biofísica. Historicamente, a Microbiologia exerceu um papel fundamental no desenvolvimento da Biologia Molecular, pois a maioria dos conceitos-chave e das técnicas de Biologia Molecular se originou a partir de estudos e experimentos realizados principalmente com bactérias, fungos e vírus (especialmente bacteriófagos, que são vírus que infectam bactérias). Não existindo distinções muito definidas entre as disciplinas mencionadas, pode-se considerar a Biologia Molecular na interface entre a Bioquimica e a Genética, como mostra o esquema.
A Bioquímica define-se, de uma forma geral, como o estudo das reacções químicas em organismos vivos; a Genética ocupa-se especificamente do estudo das consequências de diferenças no material genético nos organismos. A Biologia Molecular ocupa então um espaço próprio, mas relacionando conhecimentos dos dois campos, ao investigar os mecanismos de replicação, transcrição e tradução do material genético.
Muito da investigação em Biologia Molecular é relativamente recente, e muitos trabalhos têm sido feitos recorrendo-se à Bioinformática e Biologia Computacional. Estes recursos tornaram o estudo da estrutura e função de genes, ou Genética Molecular, num dos campos mais proeminentes em Biologia Molecular.
A reacção em cadeia de polimerase, ou PCR, é uma técnica de grande versatilidade que permite obter múltiplas cópias de um segmento de DNA. O PCR também é usado para introduzir locais de restrição e mutações pontuais ou para identificar um fragmento particular de DNA numa biblioteca de cDNA.
A electroforese em gel é uma das principais ferramentas de trabalho em Biologia Molecular. Em geral, DNA, RNA e proteínas podem ser separados segundo o seu tamanho numa matriz usando um campo eléctrico aplicado. Na electroforese em gel de agarose, o DNA ou o RNA é separado fazendo a amostra migrar através de um gel de agarose. As proteínas são normalmente separadas segundo o seu tamanho usando electroforese em gel de acrilamida; também podem ser separadas segundo a sua carga eléctrica usando focagem isoeléctrica.

6189 – A Engenharia Genética


No início dos anos 70, três cientistas abriram as portas de um novo mundo: o da transformação dos seres vivos por meio de transplantes de genes. Paul Berg, um desses cientistas, atualmente diretor do Centro de Medicina Molecular e Genética, em Stanford, descobriu como remover 2 pedaços de genes tirados de células diferentes e fazê-los colar um no outro. Em seguida, Stanley Cohen, também de Stanford, e Herbert Boyer, da Universidade da Califórnia, provaram que 2 segmentos de genes, depois de colados em um tubo de ensaio, podiam ser reintroduzidos em uma célula viva. Assim nasceu a Engenharia Genética em 1973.
O objetivo dela é de introduzir novas características num ser vivo para aumentar a sua utilidade, tal como aumentando a área de uma espécie de cultivo, introduzindo uma nova característica, ou produzindo uma nova proteína ou enzima.
Alguns exemplos são a produção de insulina humana através do uso modificado de bactérias e da produção de novos tipos de ratos como o OncoMouse (rato cancro) para pesquisa, através de re-estruturamento genético. Já que uma proteína é codificada por um segmento específico de ADN chamado gene, versões futuras podem ser modificadas mudando o ADN de um gene. Uma maneira de o fazer é isolando o pedaço de ADN contendo o gene, cortando-o com precisão, e reintroduzindo o gene em um segmento de ADN diferente.
A engenharia genética oferece a partir do estudo e manuseio bio-molecular (também chamado de processo biológico e molecular), a obtenção de materiais orgânicos sintéticos. Os processos de indução da modificação genética permitiram que a estrutura de seqüências de bases completas de DNA fossem decifradas, portanto facilitando a clonagem de genes.
A clonagem de genes é uma técnica que está sendo largamente utilizada em microbiologia celular na identificação e na cópia de um determinado gene no interior de um organismo simples empregado como receptor, uma bactéria, por exemplo. Este processo é muito importante na síntese de alguns sub-produtos utilizados para o tratamento de diversas enfermidades.

Os pesquisadores norte-americanos George W. Beadle e Edward L. Tatum, na década de 1930, demonstraram a regulação pelos genes da produção de proteínas e enzimas e a consequente intervenção nas reações dos organismos dos animais. A partir destas pesquisas, teve início o progresso de descoberta da estrutura genética humana.
Oswald Avery em 1944, pesquisando a cadeia molecular do ácido desoxirribonucleico (DNA),ou (RNA), descobriu que este é o componente cromossômico que transmite informações genéticas.
Em 1953 os ingleses Francis H. C. Crick, Maurice Wilkins e o norte-americano James D. Watson conseguiram mapear boa parte da estrutura da molécula do DNA.
Em 1961 os franceses François Jacob e Jacques Monod pesquisaram o processo de síntese de proteínas nas células bacterianas. Descobriram que o principal responsável pela síntese é o DNA, que passou então a ser o elemento central das pesquisas de engenharia genética.

Exemplos de produtos oriundos das técnicas de engenharia genética

A insulina.
Os interferonas.
A interleucina.
Algumas proteínas do sangue:
A albumina.
O fator VIII.
Alguns tipos de ativadores das defesas orgânicas para o tratamento do câncer, como o fator necrosante de tumores.
A criação de vacinas sintéticas contra: Pneumonia, meningite, hepatite B, etc…
A criação e desenvolvimento de biotecnologias para a pesquisa segura de substâncias cuja manipulação envolve alto risco biológico:
Vacinas que se preparam com vírus infecciosos, onde pode existir o risco de vazamento incontrolado.

6188 – Atmosfera – A Brisa Marítma


É formada por ventos diurnos que sopram do mar para o continente. Ocorrem devido a diferença de temperatura entre 1 e outro. A noite o mar demora para se resfriar porque as águas profundas mantém a temperatura noturna quase igual a diurna. O ar sobre o oceano é mais quente do que na terra. Como a pressão sobre o continente é maior, os ventos se dirigem para o mar, que tem pressão mais baixa, formando a brisa terrestre.
Chama-se brisa um vento próximo da superfície do mar. As altitudes baixas (até uns 100 metros de altitude) e os ventos locais são extremamente influenciados pela superfície, sendo deflectidos por obstáculos e zonas mais rugosas, e a sua direcção resulta da soma dos efeitos globais e locais. No começo do dia, o aquecimento do sol faz com que o ar estagnado no fundo, mais denso e pesado, comece a fluir ao longo das encostas sob a forma de ventos de vales. Quando os ventos globais são fracos, os ventos locais podem dominar. É o caso das brisas marítimas.
Brisas Marítimas
Como as massas de terra são aquecidas pelo sol mais rapidamente do que o oceano, o ar em cima delas ascende e cria uma baixa de pressão no solo que atrai o ar mais fresco do mar: o que se chama uma brisa marítima. Ao cair da noite, há muitas vezes um período de calma durante o qual a temperatura em terra e no mar são iguais. De noite, como o oceano arrefece mais lentamente, a brisa sopra de terra, na direção oposta, mas é geralmente mais fraca porque a diferença de temperaturas é menor.
As monções no sudeste asiático são brisas marítimas de grande escala. Variam a sua direção entre as estações porque as massas de terra são aquecidas ou arrefecidas mais rapidamente que o mar. (Monções de Verão – do mar para a terra aquecida; Monções de Inverno – da terra mais fria para o mar.)

6187 – Gripe aviária é transmissível entre mamíferos


Folha Ciência

A revista “Science” divulgou na quinta-feira (21), depois de meses de expectativa, os detalhes de uma pesquisa que tornou o vírus da gripe aviária transmissível entre mamíferos.
O artigo traz os resultados de um dos grupos de pesquisadores “censurados” no ano passado pelo governo americano. O país pediu que os estudos ficassem em segredo por temer que fossem usados no bioterrorismo. Um dos trabalhos já saiu na “Nature”.
No estudo divulgado agora, cientistas dos EUA, do Reino Unido e da Holanda mostram como modificaram geneticamente o vírus H5N1, que causa a gripe aviária, até torná-lo transmissível por via área em ferrets –mamíferos que têm sintomas da gripe semelhante a dos humanos.
Na sua “forma original”, esse vírus só é transmitido entre aves ou, raramente, de aves para seres humanos.
Os cientistas, coordenados por Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, da Holanda, fizeram três mutações específicas no vírus e infectaram os ferrets em laboratório.
O vírus modificado ainda sofreu mais duas mutações — o que é comum, pois vírus são bastante instáveis, diferentemente de bactérias. Foi esse “novo” vírus que conseguiu migrar por via aérea dos ferrets contaminados para os sadios.
O problema é que essas informações são um prato cheio para o bioterrorismo. A preocupação com uma possível guerra biológica levou à censura dos dados sobre a mutação em dezembro de 2011.
As pesquisas foram interrompidas e o debate chegou à OMS (Organização Mundial da Saúde), que pediu que a caixa-preta fosse aberta.
“Fazer mutações em vírus em laboratório para fins acadêmicos é completamente aceitável. Não podemos parar essas pesquisas por temor de bioterrosimo”, afirma o engenheiro agrônomo e especialista em bioética Mohamed Habib, da Unicamp.

Riscos de Pandemia
De acordo com outro trabalho da “Science” sobre o mesmo assunto, de Derek Smith e colegas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, é impossível estimar com precisão a possibilidade de as mutações feitas em laboratório acontecerem naturalmente no ambiente.
Mas o estudo sugere que todas as mutações necessárias para contaminar um mamífero poderiam acontecer em um único hospedeiro na natureza. Isso, sim, sinaliza um risco de pandemia.