6157 – Planeta Verde – A reciclagem da garrafa pet


No mundo da reciclagem, a garrafa de plástico brasileira tem comportamento louvável: 55% dessas embalagens são recicladas, o que faz do pais o segundo que mais as reaproveita, atrás do Japão (78%) e bem a frente dos Estados Unidos (28%). A reciclagem de PET, o material mais usado, movimentou 1,1 bilhão de reais em 2009, devido a grande demanda, sobretudo da industria têxtil.
Também ajuda o fato de, ao contrario do que ocorre em países como Estados Unidos e Inglaterra, boa parte da água engarrafada ser consumida aqui em galões que são devolvidos ao fornecedor e reutilizados. Mesmo assim, quase metade das garrafas ainda vai para o lixo comum, causando danos ambientais durante o século que leva para se decompor — em parte, nunca totalmente.

Uma garrafa PET produz mais ou menos oito vezes o próprio peso em resíduos, ai incluídos desde o petróleo de que e subproduto ate a água usada na fabricação. E muitas garrafas virão: a produção de água engarrafada cresceu de 3,5 bilhões para 7,8 bilhões de litros em dez anos, e o Brasil e um dos países onde o consumo do produto mais avança no mundo todo.

Um mar de lixo
Plástico é um material leve, maleável, moldável e muito, muito barato. Por isso é tão popular. Por isso está por toda parte e sempre é o melhor quando se fala em custo-benefício. Segundo a lógica do mercado, é bem mais eficiente ter objetos, embalagens, sacolas ou vasilhames feitos de plástico, mesmo que eles quebrem ou rasguem facilmente. O preço nem chega perto dos mesmos produtos feitos de metal, madeira, fibra, tecido, vidro etc.

A lógica de mercado, porém, raramente é ecológica.
Justamente por ser tão barato e tão popular, o plástico logo se transforma em lixo e é dispensado em qualquer lugar. Assim, logo tornou-se o material mais volumoso em lixões e aterros. E, infelizmente, é encontrado nos lugares mais inapropriados: na cidade, em áreas naturais, rolando nos desertos e campos, enroscado no alto das árvores, flutuando em lagoas e rios. Nem o remoto alto mar escapa.
Jogado nas margens dos rios, no mangue, nas praias ou diretamente no mar, o plástico logo sai de vista, mas não desaparece. Carregado pelas correntes marinhas, circula indefinidamente, concentrando-se no centro dos grandes oceanos, onde chega a formar imensas ilhas flutuantes.
Como se não fosse problema suficiente, nestas condições, mesmo quebrado em pedacinhos, o plástico atrai e adsorve (é com D, mesmo!) os Poluentes Orgânicos Persistentes, comumente chamados pela sigla POPs. São poluentes banidos do mercado por um acordo internacional (Tratado de Estocolmo), dentre os quais os mais conhecidos são o DDT, os furanos e as dioxinas. A concentração de POPs associados ao plástico flutuante chega a ser um milhão de vezes mais alta do que na água!

Para avaliar o tamanho destas ilhas flutuantes no meio do Oceano Atlântico, analisar as concentrações de POPs associados ao plástico e monitorar os impactos desses poluentes sobre a biodiversidade marinha, um grupo de pesquisadores saiu do Rio de Janeiro no dia 26 de agosto, a bordo do veleiro Sea Dragon.

6156 – Planeta Verde – A poluição tecnológica


Nos movimentados portos de Karachi, no Paquistão – o homônimo Karachi e Qasim -, cargueiros provenientes de Dubai transportam contêineres com peças velhas e quebradas de computadores. O lixo eletrônico recolhido vem dos Estados Unidos, Japão, Austrália, Inglaterra, Kuwait, Arábia Saudita, Singapura e Emirados Árabes.

Esse material (carcaças de discos rígidos, monitores, impressoras ou mesmo aparelhos inteiros) é reciclado no bairro de Sher Shah, onde se separa o joio do trigo. Ali, mais de 20 000 pessoas vivem da reciclagem, que é feita sem cuidados com o meio ambiente ou com a saúde. Sher Shah tem o mais alto índice de casos de câncer de pulmão e de problemas respiratórios do país, por causa da inalação de gases tóxicos, emitidos durante o processo de separação das peças. “O quilo de metal extraído na reciclagem do lixo eletrônico é comercializado a 120 rupias, ou 1,40 dólar”, diz Madhumita Dutta, da organização Toxics Link India. Em Gana, na África, o quadro é semelhante.

O subúrbio de Agbogbloshie, da capital do país, Acra, é talvez o maior aterro eletrônico do mundo. É chamado pelos moradores de “Sodoma e Gomorra”. No local, gangues fazem pente-fino em drives de computadores, laptops, palmtops, tablets e smartphones provenientes dos Estados Unidos e da Europa, em busca não só de material a ser vendido, mas também de informações sigilosas dos antigos proprietários. Os dados, que permanecem em geral intactos no computador, mesmo obsoleto, são usados depois em golpes pela internet. “O lixo eletrônico é um dos problemas de mais rápido crescimento no mundo”.
Apesar de a Convenção de Basileia, na Suíça, em 1989, ter proibido o movimento entre fronteiras de resíduos perigosos (entre os quais as sobras eletrônicas), a legislação e notoriamente driblada pelos exportadores de traquitanas com chip, que etiquetam a carga como doação de equipamentos usados. O relatório ambiental de 2010 da ONU sobre lixo tecnológico calcula que são produzidos anualmente 50 milhões de toneladas. O relatório também prevê que o volume de dejetos procedentes de computadores abandonados crescera 500% em países como Índia, China e África do Sul ate 2020. O Brasil, o México e o Senegal são, entre as nações em desenvolvimento, os campeões mundiais de e-lixo per capita, com 0,5 quilo anual produzido por habitante.

O quadro brasileiro pode ser ainda mais grave. Segundo a professora Wanda Gunther, da Faculdade de Saúde Publica da USP, faltam dados e estudos nacionais amplos sobre o problema. mas o crescimento econômico fará aumentar a podridão eletrônica, em um caminho natural — e saudável, ate que provoque sujeira — do capitalismo. As pessoas tendem a trocar seus produtos, passando a frente os já velhos e ultrapassados. Querem o novo, e o destino final do que já não presta, ou não tem interessados na cadeia econômica, e o descarte.