6145 – Marte – Cenário de Ficção


Marte é um planeta árido, cheio de crateras e nunca esteve a menos de 56 milhões de quilômetros da Terra. Como é que um lugar sem graça desses inspirou tantas histórias de ficção científica? A explicação talvez remonte a 1877, quando o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli observou uma rede de canais na superfície marciana, que foi interpretada por alguns cientistas como estruturas artificiais de irrigação. Com teorias desse tipo, que outro lugar poderia alimentar tanto a imaginação dos escritores? H. G. Wells não ficou indiferente e também brincou com os marcianos. Em 1897, quando publicou A Guerra dos Mundos na forma de folhetim, o planeta fervia com as recentes invenções do homem: o telefone (1876), a lâmpada elétrica (1879), o automóvel (1885), o rádio (1896). Wells era um sujeito antenado. Tudo o que os marcianos do seu livro possuíam na fictícia invasão da Terra seria inventado pelo homem nos anos seguintes: o segredo de voar (avião, em 1906), o raio de calor (raio laser, em 1960) e a máquina de manipular (robôs, em 1961). Mas Wells temia o uso destrutivo das novas invenções e viveu o suficiente para descobrir que tinha razão. Em 1915, a Alemanha usou armas químicas contra os franceses na Primeira Guerra Mundial. Em 1945, os Estados Unidos jogaram duas bombas atômicas sobre o Japão, no lance final da Segunda Guerra. A primeira frase do capítulo 6 do livro de Wells soa profética: “Ainda é motivo de espanto o modo como os marcianos são capazes de matar gente tão rápida e silenciosamente”. Quando morreu, em 1946, Wells já tinha perdido a confiança no ser humano.

6144 – Mega Polêmica – Ufologia é Ciência?


O estudo de óvnis é um campo minado, no qual os cientistas evitam pisar para não explodir a própria reputação. A maioria dos acadêmicos considera a ufologia uma pseudociência, ou seja, um trabalho destituído do rigor da metodologia científica. Para piorar, dezenas de charlatões tomaram conta das pesquisas ufológicas, com a intenção de explorar a boa-fé das pessoas. Mas há cientistas, com formação acadêmica e reconhecimento público, que adotaram a ufologia como sua especialidade.
Primeiro, é preciso entender o conceito. A ufologia investiga o fenômeno óvni – qualquer objeto visto no céu que não possa ser identificado ao primeiro olhar. A hipótese extraterrestre é apenas uma das possibilidades a serem investigadas. “Este é o principal problema da ufologia: a maioria dos próprios ufólogos são os responsáveis por perpetuar os paradigmas de que óvni é o mesmo que nave extraterrestre.” (UFO)
Os óvnis realmente existem. Pode ser um avião passando entre as nuvens, uma estrela brilhante, um meteoro, um satélite artificial, um balão meteorológico, pássaros. Pode ser um punhado de coisas banais que normalmente não tomariam a sua atenção, mas que, por terem aparecido em condições desfavoráveis – escuridão, neblina, distância –, não puderam ser identificadas de imediato.
Os pilotos de aviões comerciais e militares freqüentemente encontram objetos desconhecidos no céu e relatam como óvnis. O papel dos ufólogos é este: buscar uma explicação para os fenômenos.
Claro que a hipótese extraterrestre deve ser a última a ser considerada e, caso o óvni preencha certos requisitos, poderá ser enquadrado como um artefato de origem desconhecida da tecnologia humana e da natureza do planeta Terra.

Atualmente, há quatro teorias sobre o fenômeno óvni. A primeira apela para o racional: óvni é algum tipo de aeronave avançada, secreta ou experimental de fabricação humana, desconhecida ou mal reconhecida pelo observador. A segunda é a mais polêmica: se nenhum fenômeno natural ou tecnologia terrestre servir de explicação, trata-se de uma espaçonave alienígena. A terceira teoria aponta para hipóteses psicossociais e psicopatológicas: quem vê um óvni sofre de algum distúrbio. E a quarta escola apóia-se na religião, no ocultismo e no sobrenatural – os óvnis são mensagens divinas ou diabólicas. Pobre do ufólogo quando as hipóteses de uma tendência misturam-se às de outra.

Hynek era cético sobre óvnis e acreditava que as descrições eram feitas por testemunhas que não haviam sido capazes de identificar objetos naturais ou de fabricação humana. Depois de ler dezenas de papéis, porém, ele encontrou relatos de gente instruída – como astrônomos, pilotos, oficiais de polícia e militares – que mereciam um mínimo de crédito. Hynek conversou com físicos que também contaram ter visto objetos voadores impossíveis de explicar à luz dos conhecimentos atuais da ciência. Ele então abandonou o ceticismo, encarou a ufologia como profissão, aplicou a metodologia científica nas pesquisas e foi um dos personagens da frustrada tentativa de abrir a agência coordenadora na ONU.

6143 – Mega Personalidades da Política – “Meu nome é Enéias”!!


Dr Enéias, um homem de dinâmica e perspicácia impressionante

Enéas Ferreira Carneiro (Rio Branco, 5 de novembro de 1938 — Rio de Janeiro, 6 de maio de 2007) foi um médico cardiologista e político brasileiro. Como político, fundou o extinto Partido da Reedificação da Ordem Nacional, o PRONA.
Após se candidatar por três vezes à Presidência da República (1989, 1994 e 1998) e uma vez à prefeitura de São Paulo (2000), em 2002 foi eleito Deputado Federal pelo estado de São Paulo, recebendo votação recorde: mais de 1,57 milhão de votos.
Tornou-se muito famoso em todo o Brasil a partir de 1989 (em sua candidatura à Presidência da República daquele ano) por seu bordão “Meu nome é Enéas!”, usado sempre ao término de seus pronunciamentos no horário eleitoral gratuito brasileiro.

Enéas perdeu o pai aos nove anos de idade, sendo obrigado a trabalhar desde essa idade para sustentar a si e à sua mãe. Em 1958 abandonou a vida humilde no estado do Acre para iniciar seus estudos no Rio de Janeiro, na Escola de Saúde do Exército. Em 1959 formou-se terceiro-sargento auxiliar de anestesia, sendo primeiro lugar de sua turma.
Em 1960 iniciou seus estudos na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, onde se formou médico em 1965, pedindo então baixa do Exército, após 8 anos de serviço ativo no Hospital Central do Exército, onde realizou mais de 5.000 anestesias, já tendo recebido a medalha Marechal Hermes.
Em fevereiro de 1962 prestou exame vestibular para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara, curso de licenciatura em Matemática e Física. Aprovado em 1° lugar. No mesmo ano iniciou atividade como professor destas disciplinas, preparando alunos para vestibulares. Em 1968 diplomou-se e fundou o Curso Gradiente, pré-universitário, do qual foi diretor-presidente e onde lecionou Matemática, Física, Química, Biologia e Português. Em 1969 fez o curso de Especialização em Cardiologia na 6ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e, a partir daí, foi integrado como assistente naquele Serviço de Cardiologia.

De 1973 a 1975 fez o Mestrado em Cardiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse período ministrou também aulas de Fisiologia e Semiologia Cardiovascular na mesma universidade. Em 1975 apresentou a primeira versão de seu famoso curso “O Eletrocardiograma”, no Rio de Janeiro, mais tarde ministrado em São Paulo (1983), Quito – Equador (1985) e novamente no Rio de Janeiro (1986), dessa vez como curso nacional, ocorrido no Copacabana Palace. Em 1976 defendeu sua dissertação de Mestrado, “Alentecimento da Condução AV”, e recebeu o título de Mestre em Cardiologia pela UFRJ. Ainda em 1976 escreveu o livro “O Eletrocardiograma”, referência no gênero. Publicado em 1977 e reeditado em 1987 como “O Eletrocardiograma – 10 anos depois”, essa obra é conhecida no meio médico como a A bíblia do Enéas.
A produção acadêmica de Enéas não se restringe à Medicina: ele é autor de artigos em diversas outras áreas, como Filosofia, Lógica e Robótica.
Enéas fundou, em 1989, o PRONA, lançando-se imediatamente candidato à Presidência nas primeiras eleições diretas do Brasil, após o período da Ditadura Militar. O seu tempo na propaganda eleitoral gratuita era de apenas dezessete segundos. Todavia, sua aparência exótica (um homem pequeno, calvo, com enorme barba cerrada e grandes óculos), aliada a uma fala rápida e a um discurso inflamado e ultranacionalista (terminado sempre por seu bordão: “Meu nome é Enéas”), fez com que o então desconhecido político angariasse mais de 360 mil votos, colocando-o em 12º lugar entre 21 candidatos. A propaganda vinha sempre acompanhada pela Sinfonia n.º 5 de Ludwig van Beethoven.

Percebendo a penetração de sua imagem junto ao eleitorado, Enéas voltou a se candidatar em 1994, dispondo então de um minuto e 17 segundos no horário eleitoral. Mesmo sendo o PRONA um partido ainda sem expressão, o resultado surpreendeu os especialistas em política. Enéas foi o terceiro mais votado, posicionando-se à frente de políticos consagrados, como o então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, com mais de 4,6 milhões de votos (7%).
Em 1998, com um minuto e quarenta segundos disponíveis no horário eleitoral, Enéas expôs seu discurso nacionalista como nunca havia feito antes. Suas idéias, como a construção da bomba atômica, a ampliação do efetivo militar e a nacionalização dos recursos minerais do subsolo brasileiro, consideradas polêmicas, passaram a ser usadas pela imprensa e por adversários políticos, de forma deturpada, como arma política para deter sua crescente popularidade. Nas eleições presidenciais daquele ano, foi o quarto colocado, com um total de 1.447.090 votos.

No início de 2006, Enéas passou por sérios problemas de saúde, uma pneumonia e uma leucemia mielóide aguda, fazendo com que ele optasse por retirar sua folclórica barba, antes que a quimioterapia o fizesse. Ainda em função de seus problemas de saúde, em junho de 2006 Enéas anunciou que desistiria de sua candidatura à Presidência da República e que concorreria novamente à Câmara de Deputados. Na nova campanha, mudou seu bordão para “Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas”. Foi reeleito com a quarta maior votação no estado de São Paulo, atingindo 386 905 votos, cerca de 1,90% dos votos válidos no estado.

No dia 6 de maio de 2007, aos 68 anos, Enéas Carneiro faleceu em sua casa, vitimado pela leucemia mielóide aguda, após ter desistido do tratamento quimioterápico e abandonado o hospital onde era tratado, o Hospital Samaritano, no bairro de Botafogo por acreditar que seu tratamento não mais surtiria efeito. Seu corpo foi velado na manhã do dia 7 de maio no Memorial do Carmo (que fica no Cemitério São Francisco Xavier), e cremado, na tarde do mesmo dia, no crematório da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. O último pedido de Enéas foi que sua família jogasse suas cinzas na Baía de Guanabara.

Veja um trecho de uma entrevista no Programa do Jô

6142 – Obesidade – Comer de noite engorda mais?


Os cientistas sempre acharam que tanto faz comer de manhã, de tarde ou de noite – afinal, as calorias dos alimentos são sempre as mesmas. Mas um estudo conseguiu provar, pela primeira vez, que comer à noite pode ter consequências diferentes (e piores).

Numa experiência feita por cientistas da Northwestern University, nos EUA, dois grupos de camundongos comeram a mesma ração durante seis semanas. Para o 1º grupo, ela era servida no horário normal. Já os ratos do 2º grupo só eram alimentados no horário errado, em que deveriam estar descansando. Ao final do estudo, haviam ficado 48% mais gordos – muito mais do que os ratos alimentados na hora certa, que tiveram 20% de ganho de peso. Conclusão: por algum motivo, comer à noite engorda mais – mesmo que você ingira os mesmos alimentos que comeria durante o dia.

Ninguém sabe exatamente por que, mas os cientistas suspeitam que a
absorção da energia contida nos alimentos seja influenciada pelo ritmo circadiano – o relógio biológico do corpo. “Mudar a hora de comer pode ajudar a conter a epidemia de obesidade entre os humanos”, recomenda o estudo.

Mas o hábito de assaltar a geladeira à noite talvez não seja uma falta de caráter – pode ser culpa da própria comida. Outra experiência feita com ratos, também na Northwestern University, constatou que uma dieta rica em gordura causa alterações numa parte do cérebro chamada núcleo supraquiasmático, que controla o relógio biológico – e isso faz com que o indivíduo tenda a dormir e comer cada vez mais tarde.

6141 – Psicologia – Pais gostam mais de um filho que do outro?


“É comum os pais terem mais afinidade com um dos filhos, mas isso não significa que o ame mais. Para ninguém se sentir preterido, é importante que os pais consigam demonstrar seu amor para cada um.”

Ana Paula Viezzer, psicóloga e mestre em educação pela UFPR.

“Não digo que não amo todos os meus filhos, mas apenas que eu não gosto sempre de todos eles, ou pelo menos não todos os dias. Eu tenho sapatos, filmes e comidas favoritos, por que não um filho?”

Laura Bennett, designer de moda e mãe de 6 filhos, em sua coluna The Dirty Little Secret of Motherhood, publicada no The Daily Beast.

6140 – Candidatos ao IgNobel


Incentivar empregados é ruim para a empresa
Quer tirar o melhor dos seus funcionários? Trate-os mal. Um estudo da Universidade de Princeton descobriu que, quando as pessoas recebem incentivo financeiro para realizar alguma tarefa, acabam demorando mais para terminá-la. Isso supostamente acontece porque o bônus distrai a mente, que pensa mais no dinheiro que no trabalho.

Cabelo dos gays enrola no sentido anti-horário
O geneticista Amar J.S. Klar (sério, ele existe e o nome é esse), que trabalha para o governo dos EUA, resolveu fazer uma pesquisa no seu tempo livre. Ele constatou que, nos homossexuais masculinos, o redemoinho do cabelo geralmente se forma no sentido anti-horário – isso é 3 vezes mais comum do que entre os heterossexuais. Segundo Klar, isso é um indício de que a homossexualidade teria elementos genéticos.

Robôs aprendem a ser desonestos
Cientistas suíços programaram 10 robôs com uma tarefa: ir até uma luzinha azul, que representava (para eles) um prato de comida. Quando um deles conseguia, devia acender uma lampadinha para avisar os outros. Mas alguns aprenderam a deixar a lâmpada apagada – e ficar com toda a comida para si.

6139 – Navios vão imitar a pele das baleias


A pele de um tipo de baleia, a Globicephala melas, tem orifícios que liberam enzimas lubrificantes – para que o animal deslize melhor pela água e fique sempre limpo. Cientistas da Universidade da Califórnia conseguiram adaptar essa tecnologia para barcos: além de proteger o casco, a pele artificial faz o navio gastar 20% menos combustível.

Um pouco+

O termo Baleia-piloto é a designação comum aos mamíferos cetáceos do gênero Globicephala, que ocorrem nos oceanos de todo o mundo. Tais mamíferos chegam a medir até 8,5 metros de comprimento, de coloração negra, cabeça em forma de globo sem bico definido e dentes presentes. Também são chamados de caldeirão e golfinho-piloto.

6138 – Megacuríssima – Supercolírio faz enxergar no escuro


Testes feitos na Universidade Columbia demonstraram que um colírio à base de clorofila dobra a capacidade de enxergar no escuro. Ele só foi testado em ratos, mas os pesquisadores pretendem criar uma versão para humanos – que seria usada pelo Exército americano.

6137 – O que um filósofo tem a ver com um comediante?


Karl Marx
O filósofo, sociólogo e economista alemão levava uma vida agitada. Aos 29 anos, já tinha 3 filhos e acabara de publicar um trabalho de grande repercussão: o Manifesto Comunista. Marx escreveu o texto junto com seu melhor amigo, um jovem rico que ajudou a sustentá-lo por toda a vida.
Seu nome era
Engels
Friedrich Engels e Marx se conheceram 5 anos antes da publicação do Manifesto, na rede de amizades dos autores radicais daquela época. Diferente do sisudo Marx, Engels era quase um playboy: adorava festas e champanhe. O dinheiro que sustentou as atividades da dupla veio da família dele, que era ligada à Indústria Têxtil.
A família Engels tinha fábricas de tecido em Manchester, na Inglaterra. Foi nesse ramo que começou a Revolução Industrial: com lã e algodão sobrando, a Inglaterra passou a produzir tecidos em grande escala. A nova indústria era obcecada por tecnologia – qualquer coisa valia para melhorar suas máquinas. E isso levou à criação da graxa.
O óleo é bom lubrificante, mas escorrega das peças e precisa ser reposto o tempo todo. Os químicos do século 19 descobriram que, misturando óleo mineral a sabão, obtinha-se um lubrificante mais grudento: a graxa. Que, além de ajudar a indústria, achou uma função inusitada. Misturada com tinta, virou o bigode falso de Groucho Marx.
Reconhecido por seu visual exagerado, esse comediante começou em espetáculos de vaudeville – onde brancos passavam graxa na cara para se fingir de negros. Na segunda metade do século 20, citá-lo virou uma forma de ridicularizar Marx e o comunismo. Bastava dizer: “Sou marxista, da tendência Groucho”.

6136 – Astronomia – Um grande berçário de estrelas


A imensa nuvem de gás da grande nebulosa de Órion, a 1500 anos-luz da Terra, contém milhares de estrelas em formação, algumas ainda envolvidas em poeira. As cores trazem informações sobre a composição química das nuvens:vermelho quer dizer nitrogênio, verde, hidrogênio e azul, oxigênio.

A nebulosa de Órion ou nebulosa de Orião, também descrita como M42 ou NGC 1976, de acordo com a nomenclatura astronômica, é uma nebulosa difusa que se encontra entre 1500 e 1800 anos-luz do Sistema Solar, e situada a sul do Cinto de Órion. Foi descoberta por Nicolas-Claude Fabri de Peiresc em 1610 (anteriormente havia sido classificada como estrela – Theta Orionis). Existem muitas outras (fracas) nebulosas ao redor da nebulosa Orion e existem muitas formações de estrelas na região. A nebulosa Orion é, provavelmente, a nebulosa mais ativamente estudada do céu. O seu nome provém da sua localização na constelação Orion. Possui 25 anos-luz de diâmetro, uma densidade de 600 átomos/cm³ e temperatura de 70 K. Trata-se de uma região de formação estelar: em seu interior as estrelas estão nascendo e começando a brilhar constantemente. Há uma enorme concentração de poeira estelar e de gases nessa região, o que sugere a existência de água, pela junção de hidrogênio e oxigênio.

A nebulosa de Órion é um dos objetos astronômicos mais fotografados, examinados, e investigados. Dela obteve-se informação determinante a respeito da formação de estrelas e planetas a partir de nuvens de poeira e gás em colisão. Os astrônomos observaram nas suas entranhas discos protoplanetários, anãs castanhas, fortes turbulências no movimento de partículas de gás e efeitos fotoionizantes perto de estrelas muito massivas próximas à nebulosa.

Faz parte de uma imensa nuvem de gás e poeira chamada Nuvem de Órion, que se estende pelo centro da constelação de Órion e que contém também o anel de Barnard, a nebulosa cabeça de cavalo, a nebulosa De Mairan, a Messier 78, e a nebulosa da Chama. Formam-se estrelas ao longo de toda a nebulosa, depreendendo grande quantidade de energia térmica, e por isso o espectro predominante é o infravermelho.
É uma das poucas nebulosas que podem ser observadas a simples vista, até mesmo em lugares com certa poluição luminosa. Trata-se do ponto luminoso situado no centro da região da Espada (as três estrelas situadas a sul do cinto de Órion). A simples vista, a nebulosa aparece desbotada; entretanto, com telescópios simples ou simplesmente com binóculos, a nebulosa observa-se com nitidez.
Num conto popular da cultura maia fala-se sobre uma parte do céu da constelação de Órion, conhecida como Xibalbá. No centro dos seus fogões tradicionais ficava uma mancha muito borrada gerada pelo fogo, que representava a nebulosa de Órion. Trata-se de uma clara evidência de que, antes da invenção do telescópio, os maias já detectaram sobre o céu uma superfície difusa que não se tratava simplesmente de pontos luminosos como as estrelas.
A descoberta da nebulosa de Órion atribui ao astrônomo francês Nicolas-Claude Fabri de Peiresc, como indicam os seus escritos de 1610 Os registros de Peiresc ficaram esquecidos até 1916, finalmente trazidos por Guillaume Bigourdan.
Foi mais tarde incluída no Catálogo de Seis Nebulosas de Edmond Halley, publicado em 1716, e nos catálogos de Jean-Jacques d’Ortous de Mairan, Jean-Philippe de Chéseaux, Guillaume Le Gentil e Charles Messier, que apercebeu-se da sua existência em 4 de março de 1769, observando também três das estrelas do cúmulo do Trapézio, embora a descoberta destas três estrelas seja atribuída a Galileu em 1617, apesar de não poder observar a nebulosa (possivelmente devido ao limitado campo de visão do seu primitivo telescópio). Charles Messier publicou a primeira edição do seu catálogo de objetos astronômicos em 1774.

6135 – Astronáutica – China deve mandar sua primeira mulher ao espaço hoje


Folha Ciência

A China deve iniciar neste sábado (16) uma missão espacial repleta de ineditismo. Pela primeira vez, o país enviará uma mulher, Liu Yang, 34, à órbita da Terra. A nação asiática também tentará uma manobra de acoplamento com um pequeno módulo em órbita. É algo que, até agora, apenas EUA e Rússia conseguiram fazer.
Liu Yang, que é piloto da Força Aérea chinesa, foi escolhida em um rigoroso processo seletivo. Além de fatores como aptidão física e intelectual, a agência espacial chinesa também exigia que as candidatas não tivessem mau hálito ou outros odores corporais “desagradáveis”
Tanto rigor, dizem, é por conta do diminuto espaço para a circulação dos astronautas, o que fará com que eles fiquem muito próximos.
A primeira taikonauta (como são chamados os astronautas chineses) viajará com dois homens: o veterano Jing Haipeng, que em 2008 realizou a primeira caminhada espacial da China, e Liu Wang, que estreará em órbita.
A bordo de uma nave Shenzhou, o trio tentará se acoplar em órbita ao módulo Tiangong-1 (Palácio Celestial, em chinês), que tem mais ou menos o tamanho de um ônibus e é uma espécie de miniestação espacial.
Se obtiver sucesso, a China se tornará o terceiro país, junto com EUA e Rússia, a conseguir fazer esse tipo de manobra. No início do ano, o país conseguiu acoplar com sucesso uma nave não tripulada ao Palácio Celestial.
Lançado em setembro de 2011, o Tiangong-1 é o primeiro passo de um ambicioso projeto de construção da estação espacial chinesa. Outros dois módulos bem parecidos, com capacidade de receber até três astronautas e de realizar pequenos experimentos científicos, devem ser lançados até 2015.
Depois dos módulos, a China espera lançar entre 2020 e 2022 sua estação espacial completa, com um módulo principal e dois anexos.
A decisão vai na contramão dos outros países, que há mais de uma década uniram forças para ter um cantinho comum -e com gastos equacionados- no espaço: a ISS (Estação Espacial Internacional).
A missão chinesa deve durar dez dias. Além do acoplamento automático, o grupo também deve realizar uma manobra manual, para testar todas as potencialidades da nave chinesa.