6001 – Ecologia, corrupção e capitalismo selvagem


ATPF é um documento que deve ser carregado pelos motoristas das madeireiras para mostrar que tanto o tipo de carga transportada quanto sua quantidade estão autorizados pelo Ibama. Uma ATPF em branco permite que se transporte qualquer tipo de madeira, na quantidade desejada. Para ampliar sua cota de derrubada de árvores, empresários criaram madeireiras fantasmas. A Polícia Federal descobriu cerca de 450 em Mato Grosso. Fiscais que deveriam visitar as madeireiras para atestar que estão em funcionamento recebiam para não fazê-lo.
Venda de Falsa Recomposição Florestal – As madeireiras conseguem autorização do Ibama para ampliar sua cota de árvores cortadas desde que contratem os serviços de uma empresa reflorestadora. Funcionários do Ibama vendiam tais autorizações mediante a apresentação de contratos fictícios entre as madeireiras e essas empresas.
Liberação de Caminhões com Carga Ilegal – Fiscais do Ibama, em conjunto com policiais rodoviáriosdo Trevo do Lagarto, cobravam propina para liberar veículos que transportavam madeira sem documentação. De 500 a 3 mil reais.
Números da devastação:

Madeira ilegal apreendida

A quantidade de madeira ilegal comercializada no últimos 2 anos em Mato Grosso daria para carregar 66 mil caminhões, que enfileirados ocupariam uma extensão de 2640 quilômetros, o equivalente à distância entre Rio de Janeiro e Natal.

Veja

Um pouco +
Aproximadamente 14% da produção de madeira do país vem de florestas nativas, que conservam
grande diversidade de árvores, plantas e animais.
Na Amazônia, onde a maior parte da madeira nativa é produzida, é possível encontrar as espécies mais valorizadas pela indústria madeireira, como mogno, cedro e ipê, dentre outras.A produção da madeira certificada demanda um plano de manejo que contenha as regras para a atividade, feito a partir do levantamento das árvores do terreno. Requer aprovação do Ibama ou órgão estadual competente. Uma
instituição credenciada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC) audita o processo. Quando a madeira é extraída ilegalmente, critérios ambientais são desrespeitados. As árvores mais valorizadas são retiradas
destruindo outras ao redor. A legislação trabalhista é ignorada e há registros de mão-de-obra escrava ou infantil. Muitas vezes, a floresta é derrubada, dando lugar a pastagens ou plantios agrícolas.
A exploração certificada FSC imita o ciclo natural da floresta, em que árvores mais velhas caem, abrindo espaço para outras mais jovens. O plano de manejo determina que, em uma área de um hectare equivalente a um campo de futebol), de duas a três árvores podem ser retiradas a cada ciclo de 25 a 30 anos.
A madeira ilegal é transportada de forma precária, geralmente com sobrecarga nos caminhões. A documentação, quando existe, é fraudada por meio de corrupção de agentes ou dados incorretos. A indústria madeireira ilegal anda de braços dados com a sonegação, criando uma situação de
concorrência desleal com quem segue a lei.
O transporte da madeira certificada acontece em veículos em conformidade com a lei, respeitando os limites de carga. O produto é acompanhado do Documento de Origem Florestal (DOF) e da nota fiscal com o carimbo FSC, comprovando origem, quantidade e respeito aos padrões da certificação.
O processamento da madeira ilegal se dá, muitas vezes, em áreas próximas da floresta, para dificultar a fiscalização. Os produtos não apresentam possibilidade de serem rastreados, acentuando a ilegalidade e a falta de transparência da cadeia produtiva. A sonegação acompanha todas as fases do processo.
A indústria da madeira certificada FSC cumpre toda a legislação fiscal e trabalhista. As inspeções periódicas asseguram que os funcionários utilizam equipamentos de segurança, que a madeira certificada não se mistura com as demais e pode ter sua origem rastreada do comércio até a floresta.
Produtos derivados da madeira ilegal chegam ao comércio com preço mais baixo que aqueles certificados ou legais. Isso acontece pelas precárias condições de trabalho, não-pagamento de encargos
trabalhistas, exploração em unidades de conservação, terras públicas ou griladas, fraude de documentos e sonegação.
Ao comprar móveis ou produtos com o selo FSC, o consumidor tem a certeza de estar estimulando práticas legais e éticas, que conservam a floresta, respeitam os trabalhadores e as comunidades locais e asseguram o pagamento de impostos. Quando o consumidor adquire produtos de madeira ilegal, contribui para aumentar o desmatamento na Amazônia. Uma área de floresta explorada de forma não-sustentável tende a desaparecer, destruindo a biodiversidade local e alterando regimes de chuvas em outras
regiões do país. Ao comprar móveis ou produtos com o selo FSC, o consumidor tem a certeza de
estar estimulando práticas legais e éticas, que conservam a floresta, respeitam os trabalhadores e as comunidades locais e asseguram o pagamento de impostos.
Se utilizada de forma sustentável, a floresta se recupera após um período de
25 a 30 anos. Isso significa que ela não perderá a biodiversidade e tampouco
suas funções de regulação do clima. O consumidor que adquire madeira com o
selo FSC contribui para a sobrevivência da floresta para as próximas gerações.

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