5847 – Biologia – Semelhanças entre o macaco e o homem


Chimpanzés – A diferença entre a composição do nosso DNA e a do DNA deles é de 1,6%, enquanto do deles para o dos gorilas fica em 2,6%. Parece pouco, mas significa muito: nós somos parentes mais próximos dos chimpanzés do que eles são de qualquer macaco.
A semelhança genética é tamanha que nem seria um absurdo tão grande dizer que o Homo sapiens é só mais um tipo de chimpanzé – tanto que Jared Diamond, um dos pesquisadores mais influentes de hoje, disse exatamente isso: que somos “o terceiro chimpanzé”. Os outros seriam o próprio Pan troglodytes – nome científico desse nosso irmão arbóreo – e o bonobo, primo bem próximo do Pan troglodites (e nosso também). E isso é só o começo do que as pesquisas mais recentes têm a dizer sobre os chimpanzés.
Que bandos de chimpanzés brigam entre si, não é novidade. Mas descobertas recentes mostram que essas lutas são mais estratégicas do que se imaginava: como os humanos, eles guerreiam por território. E roubam as fêmeas do inimigo.

Eles adotam bebês

Perder a mãe ainda novinho é praticamente uma sentença de morte para a maioria dos filhotes de mamíferos, mas não para bebês chimpanzés da Floresta Nacional Taï, na Costa do Marfim. Pesquisadores liderados pelo suíço Christophe Boesch registraram a adoção de quase 20 desses órfãos, ao longo de 27 anos. Só a minoria dessas adoções foi uma iniciativa de parentes do bebê – em metade dos casos, veja só, quem adotou o filhote foi um macho.

Eles pagam por sexo

Só não dá para usar o termo “prostituição” porque as damas que recebem o pagamento não são profissionais. A moeda de troca: carne fresca. A responsável pelo achado é a pesquisadora Cristina Gomes, do Instituto Max Planck, na Alemanha. Ela analisou 262 relações sexuais entre 5 machos e 14 fêmeas ao longo de 4 anos, na Costa do Marfim. Nessa região da África, os chimpanzés costumam suplementar sua dieta com carne de macaco (de outras espécies). Os machos são os principais responsáveis por caçar os macaquinhos, mas não comem a picanha sozinhos – dividem os despojos com fêmeas do bando. Cristina detectou que os machos que fornecem essa iguaria para as fêmeas dobram suas chances de levá-las para a moita mais tarde.

Eles usam mais ferramentas do que a gente imaginava

Os melhores engenheiros entre os símios vivem numa região conhecida como Triângulo de Goualougo, na República do Congo. Os chimpanzés que habitam essa área de 250 km2 desenvolveram quase 30 formas diferentes de usar ferramentas, um recorde para a espécie (e para todo o mundo animal). Em muitos casos, esses usos envolvem kits especialmente preparados: eles combinam até 3 instrumentos para atingir um determinado fim – geralmente arranjar comida. As vítimas mais comuns são cupins e abelhas. Para atacar cupinzeiros, os macacos de Goualougo usam, primeiro, um bastão, arrombando a entrada do ninho com movimentos circulares. A seguir, o chimpanzé atacante emprega um galho relativamente mole, cuja ponta foi previamente modificada de modo a ficar desfiada, como se fosse uma escova. É que, quanto mais pontas no galho, mais cupins acabam mordendo as “cerdas”, o que turbina o jantar do primata. Para obter mel, outra fonte apreciada de calorias, eles também usam 3 instrumentos. O primeiro é um galho grosso e forte para abrir o primeiro buraco na colmeia. Depois, um galho um pouco mais fino é usado para alargar essa abertura. E um graveto mais fino completa o serviço, fazendo o papel de talher.

Eles podem ter consciência da morte

Quem já enfrentou a morte de um parente próximo sabe como é terrível. Este foi o fardo da chimpanzé Rosie, nascida num zoológico de Stirling, na Escócia. A mãe dela, Pansy, morreu de causas naturais (a chimpanzé tinha mais de 50 anos, era idosa para a espécie), Rosie passou a noite seguinte praticamente em claro, sem sair de perto do cadáver. Nas semanas seguintes, ela não conseguia comer direito. Reações parecidas – sono inquieto, falta de apetite, silêncio – afetaram os companheiros de Rosie, o macho Chippy e a mãe dele, Blossom. As reações dos primatas foram filmadas e analisadas por pesquisadores da Universidade de Stirling. Para os cientistas, o caso sugere que os bichos possuem algo parecido com a consciência humana da morte, como a necessidade de ficar de luto e até reações de frustração e raiva diante do problema.