5782 – História – Guerra Fria, a um passo do fim do mundo


RUPTURA DIPLOMÁTICA
RISCO: Baixo.
Duração: Entre 1960 e 1962.
ENVOLVIDOS: China e União Soviética.
ANTECEDENTES: A relação entre comunistas chineses e soviéticos nunca foi das melhores depois que Mao Tsé-tung tornou-se líder do PC na China, nos anos 40, contra o apoio de Moscou. No entanto, durante sua Grande Marcha para tomar o poder, Mao virou um líder indiscutível e, apesar das diferenças de método e da antipatia pessoal, garantiu a aliança entre os dois regimes. Na Guerra da Coreia, travada diretamente contra os EUA, fez todo o sentido a maior potência comunista e o país mais povoado do mundo estarem juntos. Mas a subida ao poder de Nikita Kruschev e sua política de “convivência pacífica” com o Ocidente capitalista afastou os dois países. Mao começou a chamar a China de “comunismo real” e dizer que a União Soviética traíra a ideologia. Em 1960, a União Soviética rompeu com a China e cancelou projetos em agricultura, fábricas e, principalmente, armas. Meses depois, em 1962, com as relações ainda mais tensas, Kruschev negou apoio à China na guerra com a Índia por questões na fronteira. Isolada pelo Ocidente, sem o apoio do bloco soviético, restou aos chineses o apoio da Albânia.
PONTO CRÍTICO: Mao declara ao primeiro-ministro italiano: “Quem lhe disse que a Itália deve sobreviver? Restarão 3 milhões de chineses e isso será bastante para a raça humana continuar”. Não se tem outro registro tão honestamente cru de um líder relevante disposto a aceitar e a fazer as contas publicamente sobre a inevitabilidade de uma guerra nuclear e sua possível utilidade como um meio de provocar a derrota final de seus adversários. (1962)
DESFECHO: A China permaneceu isolada por mais uma década, mas, com a doença de Mao, a política externa americana se afastou da URSS para se aproximar da China.

CRISES DOS MÍSSEIS
RISCO: Alto.
AMEAÇA: EUA.
ALVO: Cuba e União Soviética.
O CONFLITO: Em 16 de outubro, o presidente John Kennedy foi notificado que a CIA identificara a instalação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, a 270 quilômetros da Flórida. Reunido às pressas em Washington, o comando militar americano foi unânime em orientar um ataque imediato a Cuba. Kennedy, no entanto, preferiu esperar.
MOMENTO CRÍTICO: Kennedy decretou a apreensão de qualquer navio soviético que se aproximasse da ilha e deu um ultimato para que as bases fossem desmontadas imediatamente. Imediatamente também, iniciou voos sobre a ilha. O presidente americano, no entanto, não foi radical. Em meio à crise, iniciou conversações com Kruschev. Em 2001, a CIA tornou públicos alguns trechos desses contatos. “Sr. Presidente. Me surpreendi com sua carta que afirma que a lista de armamentos que exigimos que sejam retirados de Cuba sugere um desejo de complicar as coisas. A única solução da crise está na retirada de todos os armamentos que podem ser usados ofensivamente. Sem isso não há chance de falar em solução pacífica para o confronto.”
DESFECHO: A opinião pública americana já esperava a invasão, e as declarações de alguns militares sugeriam que ela era iminente. Os comandantes soviéticos na ilha tinham autorização de Moscou para iniciar um ataque nuclear contra os americanos ao primeiro sinal de agressão. Kruschev e Kennedy negociaram e evitaram o pior. Em 8 de novembro, o soviético ordenou a retirada das bases de lançamento, em troca do compromisso do americano de não invadir a ilha comandada pelo revolucionário Fidel Castro e de retirar mísseis instalados na Turquia.

GUERRA DA COREIA
RISCO: Altíssimo.
AMEAÇA: EUA.
ALVOS: União Soviética e China.
O CONFLITO: Em julho de 1950, o Exército norte-coreano cruzou a fronteira e tomou Seul, a capital da Coreia do Sul. A ONU, com o patrocínio financeiro e logístico dos EUA, enviou forças comandadas pelo general americano Douglas MacArthur, um herói da guerra contra os japoneses, para comandar as ações. Após 5 dias de guerra, 70 mil soldados norte-coreanos foram vencidos por 140 mil americanos e Seul foi libertada. O general Douglas MacArthur, no entanto, seguiu para a capital da Coreia do Norte, Pyongyang. Tropas chinesas reagiram, enviando 300 mil soldados para a Coreia do Norte, e expulsaram as forças americanas.
MOMENTO CRÍTICO: Douglas MacArthur insistiu na chamada ampliação do conflito e pediu a seus superiores autorização para um ataque nuclear à China, que ele acreditava não possuir arsenal atômico, e, secretamente, defendia um plano de retaliação a cidades soviéticas. Naquele tempo, o controle das armas não era atribuição exclusiva do presidente, e, se obtivesse apoio dos congressistas americanos, MacArthur poderia agir. A possibilidade de um ataque nuclear foi real. O presidente Harry Truman repreendeu publicamente o general. Mas MacArthur era um obstinado, não se deu por vencido e enviou cartas aos congressistas americanos debochando do recuo frente ao avanço comunista.
DESFECHO: Truman demitiu MacArthur trocando-o pelo general Ridway. Um cessar- fogo não declarado foi a solução para acalmar americanos e russos. Mas o impasse com a Coreia do Norte continua até hoje, agravado pelo apoio dos chineses ao regime e pelo potencial nuclear daquele país.

5781 – Análise de DNA reforça elo entre humanos e gorilas


Gorilas e humanos são mais parecidos do que se pensava, pelo menos geneticamente. O primeiro sequenciamento completo do DNA desses macacos revelou que alguns genes são mais parecidos entre humanos e gorilas do que entre nós e os chimpanzés, considerados nossos “parentes” mais próximos.
Para chegar a esse resultado, um força-tarefa de 71 pesquisadores de várias partes do mundo esmiuçou o genoma de Kamilah, uma gorila-comum-ocidental (Gorilla gorilla gorilla) de 31 anos, e comparou os resultados com os genes dos outros três grandes primatas: humanos, chimpanzés e orangotangos.
Foi a primeira vez que um levantamento tão abrangente foi feito e, segundo os cientistas, ele tem grande importância para ajudar a elucidar a evolução dos primatas e as nossas próprias origens.
A primeira surpresa veio na similaridade dos genes. Embora o DNA de humanos e chimpanzés seja, de uma maneira geral, bem mais parecido, 15% do genoma dos humanos é mais similar ao dos gorilas do que ao dos chimpanzés.
Nesse conjunto, destacam-se genes ligados ao desenvolvimento do cérebro e da audição, por exemplo.
De fato, é na audição que está uma das maiores similaridades externas entre humanos e gorilas. Nossas orelhas pequenas são bem mais parecidas com as deles do que com as dos chimpanzés.
Entre os genes ligados à audição, uma descoberta tem potencial para influenciar o estudo da fala.
Comumente apontado como um dos genes associados ao desenvolvimento da fala em humanos, o LOXHD1 se mostrou igualmente desenvolvido entre gorilas.
Para descobrir por que, ainda assim, humanos desenvolveram a fala e os gorilas, não, ainda há um longo caminho. Mas o trabalho já começa a dar pistas.
Em um artigo crítico que acompanha a pesquisa, publicado na revista “Nature”, Richard Gibbs e Jeffrey Rogers, do Centro de Sequenciamento do Genoma Humano da Faculdade de Medicina de Baylor, em Houston, destacam os resultados.
“Esses novos dados sobre os gorilas sugerem que uma grande porção do genoma humano estava sob pressão da seleção positiva [sendo favorecida pela seleção natural] durante o período de isolamento inicial dos nossos parentes próximos”, avaliam.
Segundo eles, os dados podem ajudar a reconstruir as pressões ambientais que moldaram a evolução humana.
O trabalho também usou as informações genéticas para estimar em que período aconteceu a separação de cada uma das espécies de seu ancestral comum.
A separação dos orangotangos foi a primeira, há cerca de 14 milhões de anos. A dos gorilas teve lugar em torno de 10 milhões de anos atrás. Já a divisão entre humanos e chimpanzés foi mais recente, há aproximadamente 6 milhões de anos.
O trabalho analisou ainda a divisão entre as subespécies de gorilas. O grupo comparou o genoma de Kamilah com os genes de outros animais de sua subespécie e também de um gorila-oriental (Gorilla beringei graueri).
Embora haja evidências de que a separação tenha ocorrido 1,75 milhão de anos atrás, existem indícios de que houve troca de material genético mais recentemente.
Embora os gorilas estejam trazendo pistas sobre a nossa evolução, os humanos não estão colaborando com a deles. Diversas populações, sobretudo a dos gorilas-das-montanhas, estão em risco elevado de extinção devido à atividade humana.