5731 – Poluição nas águas subterrâneas


Teoricamente, os lençóis freáticos devem ser correntes subterrâneas de água pura. Na prática, até a água que vem da terra pode estar contaminada pela poluição, adverte um estudo da Universidade de São Paulo. “A situação ainda não é catastrófica, mas precisamos prevenir”, avisa um geólogo que dirige uma dúzia de pesquisadores de diversas áreas, igualmente preocupados com a qualidade das águas que ficam entre 5 e 10 metros de profundidade. Não é para menos: os lençóis, que alimentam as nascentes dos rios, demoram anos para se renovar. “Qualquer coisa jogada na terra, como lixo, pode contaminar a água”.
Por exemplo, um estudo recente nas regiões produtoras de álcool do interior paulista, onde um subproduto da cana chamado vinhaça é usado para irrigar o solo, mostra que, por causa disso, a quantidade de ferro na água dos lençóis alcança limites perigosos. Por lei, a vinhaça não pode ser jogada nos rios. Mas quem a joga na terra acha que não está poluindo nada.

5730 – Como o mercúrio é obtido, se é líquido no estado natural?


O mercúrio é o único metal líquido á temperatura ambiente porque seu ponto de fusão é muito baixo: menos 38 graus centígrados. Isso quer dizer que somente abaixo dessa temperatura ele é sólido, se não estiver combinado com outros elementos. Encontra-se, na maioria das vezes, na forma de sulfeto de mercúrio (HgS), um minério avermelhado ou preto, conhecido como cinábrio – geralmente associado a traços de ouro, prata, ferro, zinco, antimônio ou platina. A purificação desse minério é feita por um dos métodos mais simples de extração metalúrgica: o cinábrio é aquecido numa fornalha a aproximadamente 600 graus, temperatura a qual o minério sublima, isto é, passa diretamente do estado sólido para o gasoso. O vapor de mercúrio é então coletado em uma série de tubos densadores, passando para o estado líquido conhecido.

5729 – Relógio Biológico


Dois cientistas da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, conseguiram criar famílias de hamsters com relógios biológicos diferentes, ou seja, ciclos de sono e vigília modificados. Em vez de recomeçar suas atividades a cada 24 horas, os hamsters mutantes têm ciclos de 20 horas. Os pesquisadores descobriram que do cruzamento desses animais nascem ninhadas que também obedecem a dias e noites de 20 horas. Já cruzamentos híbridos, de um hamster modificado com outro nor mal, apresentaram ninhadas com ciclos intermediários de 22 horas.
O experimento confirma que o organismo dos animais funciona de acordo com um ritmo – e, mais importante ainda, que esse ritmo tem uma base genética. Outra equipe de pesquisadores americanos até já conseguiu localizar, na pequena mosca-das-frutas, um gene que parece controlar não só a duração dos ciclos circadianos, como são chamados os ciclos biológicos, mas também a proporção de atividade e repouso existente neles. Presume-se que esse gene, na verdade, controlaria a síntese de proteínas nas moscas e que a síntese, por sua vez, governaria o relógio biológico. Se isso valer também para os humanos, os dorminhocos poderão culpar os genes por seus atrasos.

5728 – Astronomia – Nicolau Copérnico


Copérnico foi o mais novo dos quatro filhos de um comerciante polonês da cidade de Torun, na conturbada fronteira com a Alemanha. Nasceu em 19 de fevereiro de 1473 e aos 10 anos ficou órfão, o que o colocou sob a proteção do tio, Lucas Waczenrode, que logo depois se tornaria bispo de Ermland. São duas informações importantíssimas: mostram que Copérnico viveu em pleno Renascimento, luminoso período da história da humanidade em que a cultura e o saber fizeram avanços revolucionários; e viveu como servidor da Igreja Católica, condição que lhe dava acesso a todo o saber avaramente entesourado pela milenar instituição.
Em 1491, aos 18 anos portanto, Copérnico entrou para a Universidade de Cracóvia, ainda na Polônia. Ali ele se interessou pela Matemática e pela Astronomia — mas sobretudo embebeu–se do humanismo pregado com liberdade por alguns mestres. Era um vigoroso movimento que se alastrava pela Europa, depois de ter tomado conta da Itália sob inspiração do renascer do interesse pelo conhecimento das coisas do homem e do mundo onde vive.
O movimento dos astros — esta era a verdadeira questão para ele. Tudo o que se sabia a respeito vinha ainda das observações daqueles antepassados que supunham que a Terra estava imóvel, no centro do Universo, e todos os outros astros giravam em torno dela. Muitos pensadores ilustres ocuparam–se dessa questão. Mas foi um astrônomo nascido em Alexandria, no Egito, chamado Cláudio Ptolomeu, quem compilou tudo o que se havia observado e pensado antes, para formar um vasto sistema que pretendia explicar o funcionamento do Universo. Este tem sido, ao longo dos séculos, o grande sonho da humanidade — e continua sendo até hoje.
De Ptolomeu sabe–se pouco. Nasceu na segunda metade do primeiro século da era cristã. Quis o acaso, assim, que estivesse no local certo, no tempo certo, para desfrutar de outro glorioso momento da história da cultura. Pois havia em Alexandria uma biblioteca notável, cuja construção começara pelo menos trezentos anos antes. Ali trabalharam e estudaram sábios de renome: Filon, Eratóstenes, Euclides, Estrabão, Aristarco, Hiparco e muitos, muitos outros. Entre tantos houve alguns que acharam que um Universo com o Sol ao centro seria mais lógico. Mas a idéia da Terra no centro tinha a seu favor as preferências de Aristóteles e Platão, dois pesos pesados da cultura ocidental.
Sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente teoria geocêntrica (que considerava, a Terra como o centro), é tida como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia moderna.
Na teoria de Copérnico, a Terra move-se em torno do Sol. Mas, seus dados foram corrigidos pelas observações de Tycho Brahe. Com base nelas e em seus próprios cálculos, Johannes Kepler reformou radicalmente o modelo copernicano e chegou a uma descrição realista do sistema solar. Esse fenômeno já havia sido estudado e defendido pelo bispo de Lisieux, Nicole d’Oresme, no século XIV. O movimento da Terra era negado pelos partidários de Aristóteles e Ptolomeu. Eles tinham que, caso a Terra se movesse, as nuvens, os pássaros no ar ou os objetos em queda livre seriam deixados para trás. Galileu combateu essa ideia, afirmando que, se uma pedra fosse abandonada do alto do mastro de um navio, um observador a bordo sempre a veria cair em linha reta, na vertical. E, baseado nisso, nunca poderia dizer se a embarcação estava em movimento ou não.
A teoria do modelo heliocêntrico, a maior teoria de Copérnico, foi publicada em seu livro, De revolutionibus orbium coelestium (“Da revolução de esferas celestes”), durante o ano de sua morte, 1543. Apesar disso, ele já havia desenvolvido sua teoria algumas décadas antes.
O livro marcou o começo de uma mudança de um universo geocêntrico, ou antropocêntrico, com a Terra em seu centro. Copérnico acreditava que a Terra era apenas mais um planeta que concluía uma órbita em torno de um sol fixo todo ano e que girava em torno de seu eixo todo dia. Ele chegou a essa correta explicação do conhecimento de outros planetas e explicou a origem dos equinócios corretamente, através da vagarosa mudança da posição do eixo rotacional da Terra. Ele também deu uma clara explicação da causa das estações: O eixo de rotação da terra não é perpendicular ao plano de sua órbita.
Da sua publicação, até aproximadamente 1700, poucos astrônomos foram convencidos pelo sistema de Copérnico, apesar da grande circulação de seu livro (aproximadamente 500 cópias da primeira e segunda edições, o que é uma quantidade grande para os padrões científicos da época). Entretanto, muitos astrônomos aceitaram partes de sua teoria, e seu modelo influenciou muitos cientistas renomados que viriam a fazer parte da história, como Galileu e Kepler, que conseguiram assimilar a teoria de Copérnico e melhorá-la. As observações de Galileu das fases de Vênus produziram a primeira evidência observacional da teoria de Copérnico. Além disso, as observações de Galileu das luas de Júpiter provaram que o sistema solar contém corpos que não orbitavam a Terra.