5528 – Transporte de animais coloca pesquisas do Reino Unido em risco


Grupos ativistas em defesa dos direitos dos animais estão colocando em risco pesquisas científicas vitais que são realizadas no Reino Unido.
Sob pressão, companhias de trem e de avião têm recusado o transporte de animais destinados a testes laboratoriais.
Cientistas disseram nesta quarta-feira que todas as companhias que operam rotas no Reino Unido baniram a importação de roedores e outras espécies, que são comumente usadas para o estudo de novas drogas experimentais.
Apesar de a maior parte das cobaias destinadas à pesquisa vir de fornecedores locais, há determinados programas que exigem a importação dos animais por estes terem características específicas procuradas para estudos.
“Leva muito tempo para criar esses animais. Se o transporte parar, os pesquisadores terão de recriá-los, o que exige desnecessariamente muito mais animais [gerados] em sucessivas gerações”, diz um comunicado que é assinado por cientistas.
porta-voz Michelle Ulyatt, da companhia de transporte ferroviário P&O Ferries, explicou que a interrupção do serviço de importação de animais foi decidida no ano passado sob pressão.
“Nossa preocupação principal é assegurar a segurança dos funcionários e a nossa reputação corporativa”, disse. Ela contou à agência de notícias Reuters que houve o envio de cartas-bomba entre as campanhas mais pesadas efetuadas contra as companhias ferroviárias.
O professor Colin Blakemore, que leciona neurociência na Universidade Oxford, uma das mais prestigiadas do mundo, comentou que a opinião pública precisa ser conscientizada sobre as pesquisas essenciais que são feitas para a cura do câncer, de doenças do coração e do cérebro.
Ele acrescentou que o governo e a comunidade de pesquisa médica têm de explicar por que é importante mostrar que uma pequena quantidade de animais é crucial para o progresso da medicina.
O problema deve ser tratado pelo ministro da Ciência britânico, David Willetts.

5527 – Mega Mix – Deriva dos continentes e biodiversidade


O ☻ Mega é Informação e Arte. Contra-Capa do original

Há 500 milhões de anos a distribuição das massas de terra era diferente, foi quando surgiram formas de vida complexas, como os trilobitas, um invertebrado que carrega uma concha.
Há 260 milhões de anos, toda a a terra emersa estava unida em um único continente, a Pangéia. África e América do Sul partilhavam a mesma fauna, cujo principal representante era o mesosauro.
Há 110 milhões de anos começava a separação. Os notossúrios, crocodilos pré-históricos, habitavam 2 regiões quando isso aconteceu.
A África permaneceu bem próxima da Europa e da Ásia, com a qual manteve uma troca constante de animais como elefantes e leões. Já a América do Sul virou uma ilha e desenvolveu como a preguiça, o tamanduá e tatús.
Há cerca de 7 milhões de anos, a América do Sul começou a se juntar ao restante do continente americano e a receber habitantes da América do Norte, como os felinos do grupo da onça.
Em 1979, a Marinha americana financiou uma pesquisa sobre o comportamento das baleias orcas. Pela 1ª vez observou-se homossexualismo entre os machos da espécie. Mas a conclusão não consta do relatório de pesquisa porque foi vetada pelos militares.

5526 – Esquentando os Pratos – Como funciona a luz negra?


Novo bloco do ☻ Mega que traz sons, baladas, aparelhagens e música se chama “Esquentando os Pratos”:

Todo mundo já viu aquela iluminação especial em pistas de dança, que dá um fantasmagórico brilho roxo a qualquer objeto de cores claras ou fluorescentes – especialmente roupas brancas. A receita de fabricação é muito simples: basta pegar uma lâmpada fluorescente, dessas usadas em escritórios, e remover a camada de pó branco, formada por sais de fósforo. O vidro tem de ser trocado, então, por outro mais escuro, para barrar radiações claras. Na lâmpada fluorescente normal, a luz branca vem da incidência da radiação ultravioleta na tal camada de fósforo. “Com a luz negra, esse fenômeno de fosforescência muda de lugar: quando estamos num ambiente escuro, as roupas claras fazem o papel do fósforo e reemitem a luz que recebem, dando a impressão de que estão brilhando”, diz um físico su, da USP.
Criada durante a Segunda Guerra pelo inventor americano Philo Farnsworth (1906-1971) – considerado o pai da televisão –, a luz negra tinha a intenção original de melhorar a visão noturna e também costuma ser utilizada para identificar falsificações em documentos ou cédulas de dinheiro. Atualmente, a Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, pesquisa seu uso na detecção de fungos em sementes.

5525 – Curiosidades da Química


O ser humano é um amontoado de carbono, oxigênio, hidrogênio e outros 18 elementos. Assim como nós, todos os objetos são feitos de átomos que interagem entre si e formam uma infinidade de substâncias com propriedades diferentes. “É impossível ignorar a química porque ela está presente em todas as nossas atividades, das comidas que fazemos até o banho que tomamos.
Manipulando os diferentes elementos, o homem consegue – muitas vezes por acaso – formular remédios, melhorar alimentos e descobrir como a natureza funciona. Também faz coisas fantásticas como transformar pessoas em zumbis ou urina em palitos de fósforo. Nas páginas a seguir, você verá do que a química é capaz e alguns dos capítulos mais curiosos, engraçados ou úteis que essa ciência nos trouxe.
Em 1669, o alquimista alemão Hennig Brandt começou a destilar urina humana. Ele tinha esperança de que o líquido fosse um remédio capaz de curar todas as enfermidades e que, por ser amarelo, pudesse conter ouro. Ferveu a urina e a deixou condensar, mas é claro que não encontrou nenhum metal precioso. Conseguiu apenas uma pasta branca que, quando esquentada, entrava em combustão. Brandt havia descoberto o elemento fósforo.
A urina é uma combinação de vários detritos do corpo. Entre eles estão substâncias orgânicas e fosfatos – compostos que pegam fogo facilmente quando em contato com carbono. Ao aquecer, as substâncias orgânicas se transformaram em carvão – que nada mais é do que carbono – e fizeram a mistura pegar fogo. Brandt percebeu que a descoberta era importante, mas ainda foi preciso muitas outras pesquisas antes que ela pudesse ter alguma função prática. Os palitos atuais, por exemplo, são feitos de uma massa com clorato de potássio, que reage com o fósforo presente na lixa da caixa e inicia o fogo.
A urina há milênios foi misturada a tintas para que elas consigam “pegar” melhor em tecidos e tornar as cores mais vivas. Algumas mulheres no Império Romano, por exemplo, pintavam o cabelo de amarelo com um extrato de folhas de verbasco misturado com urina. Essa propriedade começou a intrigar os cientistas no século XIX, quando foi preciso criar substâncias sintéticas que tivessem o mesmo efeito (afinal, não era fácil transportar centenas de barris de urina até as tinturarias). As pesquisas cumpriram seu objetivo e ainda trouxeram outros benefícios. Em uma das experiências, o químico alemão Adolph von Baeyer transformou o ácido úrico – um dos componentes da urina – em um novo composto, que ele chamou de ácido barbitúrico. A descoberta de Baeyer deu origem a uma série de derivados, os barbitúricos, que fizeram sucesso durante muito tempo como remédio para insônia e até hoje são usados como anestésicos em cirurgias.
Em algum momento entre os séculos IX e X, um grupo de chineses tentava descobrir o segredo da imortalidade. Eles acreditavam que era possível atingi-la quando os princípios opostos da filosofia taoísta Yin e Yang entrassem em equilíbrio no corpo. Substâncias como o carvão e o enxofre eram tidos como ricos em Yang, enquanto o nitrato de potássio, também chamado de salitre, possuía características Yin. Não se sabe até que ponto a lenda é verdadeira, mas o produto que resultou da mistura chinesa se tornou famoso. Ao juntar essas três substâncias, o salitre fornece oxigênio para que os outros dois queimem de forma explosiva. Estava inventada a pólvora.
Não se sabe como a substância chegou à Europa, mas no século XIII já existiam estudos de como se poderia montar a mistura perfeita. Depois de muitas pesquisas, chegou-se à fórmula ideal, com 75% de salitre, 15% de carvão e 10% de enxofre.
O problema é que o principal ingrediente só era encontrado em minas na Índia e na Espanha. Os exércitos do século XVIII, que dependiam cada vez mais da pólvora, precisavam encontrar outras fontes de salitre. Por sorte, a solução estava em qualquer celeiro.
Cientistas descobriram que um pó branco que se incrustava nas paredes dos abrigos de animais era salitre, produzido pela decomposição da matéria orgânica ali presente. Surgiram então vários esquemas para produzir a substância preciosa, como depósitos repletos de lixo e esterco, molhados com urina, que eram deixados para apodrecer. Napoleão chegou a fazer uma lei ordenando que as pessoas urinassem nesses depósitos e, na Prússia, fazendeiros eram obrigados a empilhar dejetos orgânicos e guardá-los para a guerra. Essa sujeira só terminou no século XX, quando os alemães inventaram o salitre sintético.
Em 1962, o haitiano Clairvius Narcisse morreu e foi enterrado, mas reapareceu vivo 18 anos depois. Afirmou que havia tomado uma poção que o fez morrer, mas foi depois ressuscitado e forçado a trabalhar como escravo em plantações, onde era mantido sob efeito de drogas. O antropólogo americano Wade Davis investigou o caso e analisou algumas dessas “poções de zumbi” feitas pelos sacerdotes da região. Percebeu que o único ingrediente comum a todas elas era um tipo específico de baiacu. Esse peixe possui no fígado e nos órgãos sexuais um potente veneno, chamado tetrodoxina, que paralisa o sistema nervoso central e pode fazer as pessoas parecerem mortas. Ele também analisou a substância usada para manter os zumbis em estado de estupefação e percebeu que eles eram feitos da Datura stramonium, uma planta com fortes substâncias psicoativas. A imagem de uma pessoa que ressuscita para andar tonta e cambaleante pelas plantações não era, portanto, tão fora de propósito.
Ninguém sabe se a descoberta de Davis é a resposta definitiva ao mistério. Por via das dúvidas, o código penal do Haiti determina que fazer uma pessoa parecer morta a ponto de ela ser enterrada é considerado assassinato, não importa o que aconteça depois.
Nenhum lugar da casa se parece tanto com um laboratório de química quanto a cozinha, onde diversos ingredientes são misturados, queimados, fermentados e submetidos a processos dignos de experiências científicas. Assim como no laboratório, ter noções de química é essencial para que o cozinheiro consiga preparar corretamente os pratos, até os mais simples.
Os plásticos, que hoje estão presentes em centenas de objetos à nossa volta, foram inventados por causa dos jogos de bilhar. No século XIX, esse passatempo era uma das principais atrações entre as poucas opções de lazer da época. Ele havia se tornado tão popular que já trazia problemas: o único material capaz de produzir bolas de bilhar era o marfim, retirado dos dentes de elefantes, que estavam cada vez mais raros. Na tentativa de resolver o problema, uma companhia americana ofereceu um prêmio de 10000 dólares – na época, uma quantia gigantesca – para quem conseguisse produzir bolas sintéticas.
O americano John Hyatt foi uma das pessoas a tentar a sorte no concurso. Há uma lenda de que ele cortou seu dedo em uma experiência e tentou curá-lo com colódio, um líquido feito de nitrato de celulose que tornava as feridas impermeáveis. Só que o vidro de Hyatt havia vazado e virado uma massa sólida. Ele analisou a substância e, depois de anos de pesquisa, descobriu que uma mistura de colódio com cânfora, submetida a temperatura e pressão altas, transformava-se em uma substância moldável que ele chamou de celulóide.
Exércitos da época de Napoleão tiravam das fezes de animais os ingredientes para fazer pólvora
O elemento fósforo foi descoberto por acidente quando um cientista alemão destilou urina e a viu pegar fogo
Praticantes de vodu acreditam que as pessoas podem virar zumbis. A explicação está em algumas poções
A química ajuda a preparar refeições melhores e também explica por que alguns alimentos são tão gostosos
Os micróbios que dão gosto a alguns tipos de queijo são muito semelhantes aos que causam o chulé

5524 – Por que usamos roupas?


A explicação para o homem usar roupas parece óbvia: proteger-se do frio. Ao migrarem para regiões mais frias em busca de alimento, há cerca de 100 mil anos, grupos humanos passaram a enfrentar temperaturas mais baixas.
A ocupação dessas regiões permitiu a expansão da espécie humana, sua multiplicação e diversificação.
Se não descobríssemos as roupas, estaríamos até hoje concentrados em regiões quentes, próximas aos trópicos. Seríamos mais parecidos uns com os outros, já que toda a diversidade aparente da espécie humana – cor da pele, dos olhos ou dos cabelos – são meras adaptações ao clima. A utilização de roupas foi uma importante conquista para a adaptação do homem em regiões mais frias do globo, seguindo as rotas migratórias dos animais e aumentando a oferta de alimentos. Outra evolução muito visível foi a crescente perda de pêlos. Se não usássemos roupas, seríamos provavelmente negros e cobertos de pêlos.
O outro motivo para usar roupas é cultural e está ligado à descoberta do sexo. Ao andar ereto, o homem passou a deixar à mostra sua genitália: as roupas indicam o início da consciência moral de nossa sexualidade. Essa consciência está na raiz, entre outras coisas, da diferenciação entre os gêneros, do amor e do casamento.

5523 – Psicologia – O que Cultura tem a ver com sexo?


Partindo do princípio de que a reprodução é o instinto básico em todos os seres, Miller acredita que a mente desenvolveu, durante a evolução, diferentes “estratégias reprodutivas”. Se os homens pré-históricos precisavam caçar animais para atrair suas parceiras, os modernos Homo sapiens compram iates ou escrevem sinfonias.
Quanto melhor nós entendermos nossa evolução, melhor nós entenderemos nossos cérebros, nossas mentes e o comportamento moderno. A psicologia evolutiva procura compreender, por exemplo, por que buscamos status, achamos alguém sexualmente atraente, fazemos amigos, fofocamos e outras respostas para perguntas que tradicionalmente foram negligenciadas pela psicologia. O que estamos compreendendo agora é que boa parte do nosso comportamento é produzido por circuitos do cérebro que evoluíram, originalmente, para que os nossos ancestrais se tornassem sexualmente atrativos.
Os pássaros não cantam apenas para o acasalamento, mesmo que essa habilidade tenha tido originalmente essa função. Não deve ser à toa que nos interessamos por música, dança e humor depois da puberdade, no momento exato em que começamos a estar predispostos a atrair parceiros sexuais.
Quando se trata de apaixonar-se, há muitas evidências de que nós nos importamos muito com a inteligência, a amabilidade, a criatividade e o senso de humor. Enquanto os animais focam basicamente a aparência física e um ritual de cortejo mais simples, estamos interessados também nos pensamentos e sentimentos dos nossos parceiros. É por isso que a seleção sexual gerou os pensamentos e sentimentos humanos. Preocupa-nos muito, por exemplo, se alguém é interessante para conversar. A maioria do cortejo humano é verbal, e eu calculo que os amantes trocam, em média, cerca de 1 milhão de palavras antes de manter relações sexuais que acabem em gravidez. Isso deu à seleção sexual enorme poder para formar a linguagem humana e qualquer outro meio para expressar emoções.

5522 – Cultivar eucalíptos prejudica as reservas de águas subterrâneas?


O eucalipto exige muita água para sua sobrevivência – por isso, se cultivado de maneira inadequada, pode não apenas secar as reservas de água subterrâneas mais próximas da superfície, os chamados lençóis freáticos, como inutilizar o solo. Isso não ocorre se for seguida a legislação ambiental. “Numa plantação bem manejada, as raízes retiram os nutrientes do solo e os devolvem como matéria orgânica: as folhas secas. Isso recupera a fertilidade da terra, fazendo com que absorva mais água e contribua para o lençol freático”, afirma o engenheiro florestal Walter de Paula Lima, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, SP, autor do livro O Impacto Ambiental do Eucalipto.
Nas décadas de 70 e 80, plantou-se, no Brasil, muito eucalipto de forma desordenada e ele ganhou má reputação, apelidado de “deserto verde”. “Mas não existem espécies malditas, apenas manejo malfeito. O eucalipto não prejudica as reservas de água mais do que outras monoculturas, como cana-de-açúcar ou soja.
As árvores devem ser plantadas em idades diferentes, intercalando as mudas com árvores de 4 e 7 anos, idade ideal para o corte
Vegetação de gramas e arbustos que gostam da sombra da copa das árvores. São fundamentais para a preservação da fauna
O lençol de água deve estar fora do alcance da raiz (em média 3 m de profundidade)
Reserva exigida por lei: 35% das plantas devem ser nativas
Segundo o Código Florestal, os 50 m de raio ao redor das nascentes dos rios e os 30 m próximos aos cursos de água são área de preservação permanente e não podem ser plantados

5521 – Biologia – + Sobre os morcegos


Os morcegos chegaram bem antes dos mamíferos que começaram a ocupar o planeta após a extinção dos grandes lagartos, que dominaram o mundo até 65 milhões de anos atrás, eles estão entre os mais antigos. O fóssil de morcego mais velho já encontrado tem cerca de 50 milhões de anos e mostra que os espécimes atuais se parecem muito com seu antepassado distante.
A capacidade de adaptação desses mamíferos levou-os a quase todos os lugares do planeta. Eles só não vivem em lugares muito frios. No total, são cerca de 1000 espécies identificadas. Ou seja: aproximadamente um em cada quatro mamíferos é morcego. No Brasil, há 138 espécies, espalhadas por todo o país. Há morcegos pequenos e leves, grandes e pesados, pretos, marrons e até vermelhos.
A maior espécie do mundo é a Pteropus giganteus, uma raposa-voadora que vive na Ásia e Oceania e pode chegar a quase 2 metros de envergadura. O menor morcego conhecido é o tailandês Craseonycteris tonglongyaii, que pesa cerca de 2 gramas – menos que uma azeitona – e está entre os menores mamíferos do planeta. No Brasil, a maior espécie é o carnívoro Vampyrum spectrum, encontrado na Amazônia, que atinge 1 metro com as asas abertas.
O morcego é o único mamífero que se locomove pelo ar. E para isso ele utiliza as mãos, que a evolução transformou em asas. A estrutura dos ossos da mão do morcego é parecida com a da mão humana. A principal diferença é a proporção. Nos morcegos, as falanges são finas e compridas, quase do tamanho do corpo. Os dedos são unidos por uma membrana elástica, que também é ligada às pernas. Para voar, basta afastar os dedos e mover os braços para cima e para baixo. Mas a operação não é simples. De fato, ela requer muita energia. Para contornar esse problema, o morcego normalmente alça vôo a partir de um ponto mais alto, cai alguns centímetros e, após ganhar velocidade, retoma a altitude.
A membrana lisa e contínua que forma suas asas impede a passagem de ar, ao contrário do que ocorre com as penas das aves, que são aerodinâmicas. Isso, aliado à enorme flexibilidade das asas articuladas, permite manobras radicais. Um leve ajuste nos dedos é capaz de gerar ângulos variáveis, fazendo com que o vôo do morcego seja muito mais dinâmico que o de qualquer ave. Algumas espécies atingem velocidades de até 50 km/h.
Seu jeito de voar ajuda a explicar outra peculiaridade: o hábito de ficar de cabeça para baixo. Pousados dessa forma, os morcegos facilitam o início de seu vôo: basta deixar a gravidade atuar e iniciar o movimento das asas. Sua pelagem é vasta e pesada e eles não possuem as estruturas adaptadas ao vôo que as aves têm – ossos mais leves e penas impermeáveis –, por isso precisam de toda a energia disponível para alçar vôo.
Outra razão para ficarem de ponta-cabeça é que a transformação de seus membros superiores em asas diminuiu-lhes a capacidade de ficarem eretos e suas pernas e pés não têm força para agüentar longos percursos. Além disso, de cabeça para baixo os morcegos têm mais equilíbrio e, fechando as asas, conseguem se proteger melhor. Para dormir nessa posição, eles possuem um eficiente sistema que trava os tendões das patas traseiras na base em que tiverem atracado para tirar uma soneca.
Morcegos são cegos, certo? Errado. Algumas espécies enxergam até dez vezes melhor que os seres humanos. No entanto, a imensa maioria vê o mundo em preto-e-branco, o que não é exatamente um problema para um animal que tem hábitos noturnos. De fato, a visão dos morcegos é perfeitamente adaptada aos ambientes com pouca luminosidade. Além disso, eles contam com uma ajudinha ainda mais sofisticada para se orientar no escuro: a ecolocalização, um sistema que funciona como um biossonar. O morcego emite ondas sonoras em freqüências inaudíveis para o ser humano que, ao encontrar um obstáculo, retornam e são captadas por seu ouvido especial. Pelo sinal reverberado, o morcego consegue medir a que distância está o objeto, qual seu tamanho, velocidade e até detalhes de sua textura.
Das quase 1000 espécies de morcegos, apenas três são hematófagas, isto é, alimentam-se exclusivamente de sangue. Os temidos morcegos-vampiros são pequenos – o maior deles tem apenas 10 centímetros – e vivem na América do Sul, inclusive no Brasil. Ou seja: a maioria dos morcegos come frutas e insetos e nada tem a ver com Bela Lugosi e Christopher Lee.
O morcego-vampiro consegue perceber o calor da circulação sanguínea sob a pele das vítimas e usa este dom, chamado de termorrecepção, para mapear os vasos mais próximos da pele. Por isso sua mordida é cirúrgica, superficial e quase indolor. Ele usa a língua dobrada como um canudinho para colher o fluido até se saciar.
Totalmente adaptados ao alimento líquido, eles têm menos dentes que outros, com molares e pré-molares pouco desenvolvidos, abrindo espaço para grandes e afiados incisivos e caninos. É comum que os vampiros voltem a atacar a mesma vítima, usando a mesma ferida, para poupar o trabalho da mordida.
Em sua saliva há uma substância anticoagulante, que faz a ferida continuar sangrando além do tempo normal.
Essa substância, a desmoteplase, é atualmente alvo de inúmeras pesquisas justamente por suas propriedades anticoagulantes. De acordo com um artigo publicado em julho na revista inglesa New Scientist, o laboratório alemão Paion, baseado em Berlim, isolou a substância e a está testando no tratamento de coágulos sanguíneos que se formam após ataques cardíacos e derrames em seres humanos. Segundo o artigo, há estudos sendo conduzidos com o objetivo de sintetizar a desmoteplase para lançá-la comercialmente.
As fezes do morcego, quando acumuladas em grande quantidade em locais úmidos e abafados, podem produzir um fungo chamado histoplasma, um pó branco e tóxico que, quando inalado, causa uma doença respiratória grave. A histoplasmose pode ser controlada, mas não tem cura.

5520 – Astrofísica – O ponto zero do Universo


Galáxias incontáveis e seus bilhões de astros (só a Via Láctea tem 100 bilhões de estrelas). Buracos negros misteriosos, cuja força gravitacional devora até a luz. Corpos celestes situados a distâncias colossais, só vencidas pela luz, em sua viagem a 300000 quilômetros por segundo, após 11 bilhões de anos de existência. Nuvens de gases, asteróides flutuando a esmo. O universo visível é enorme, mas as equações dos físicos e cosmologistas não deixam dúvidas: o que vemos é só uma amostra do cosmo, cerca de 5% de sua massa. A vastidão dos céus está preenchida fundamentalmente pela chamada matéria escura, espécie de fluido invisível que se esparrama pelo espaço, e pela energia escura, por enquanto só atestada pela matemática dos astrofísicos, com base em certos fenômenos no espaço intergalático.
A teoria de que o universo teve início numa grande explosão (big bang, em inglês) foi formulada no início do século XX e arrefeceu a discussão milenar sobre se o cosmo teve um começo ou se existe desde sempre. Graças à descoberta de que as galáxias estão se afastando umas das outras, feita pelo americano Edwin Hubble em 1922, não foi difícil rodar o filme ao contrário e deduzir que em algum instante do passado elas estiveram juntas, concentradas em um ponto de extrema densidade e altíssima temperatura, cuja explosão, até hoje, impulsiona os fragmentos em direção ao infinito. Mas esse modelo, aceito por quase 100% dos cientistas, é reconhecidamente restrito e imperfeito. “O Big Bang se refere apenas à expansão a partir de um estado inicialmente denso e quente.
De onde veio o universo? As primeiras partículas teriam surgido de uma simples flutuação de vácuo, processo de alteração de um campo elétrico que a física clássica desconhecia, mas que a mecânica quântica, nascida no século passado, acabou por revelar aos estudiosos da intimidade subatômica. Segundo essa conjetura – conhecida como teoria do universo inflacionário –, as partículas primordiais emergiram do vazio e expandiram-se a uma velocidade espantosa em bilionésimos de segundo, formando assim a aglomeração que seria em seguida fragmentada na grande explosão. A teoria não contradiz nem substitui a já tradicional explicação do Big Bang. Completa-a. Na prática, fornece o início a partir do qual os partidários do modelo do bang assumem e podem continuar, uma das razões de sua larga aceitação entre físicos e cosmologistas.
A cosmologia não é uma ciência estática e constantemente tem superado idéias que pareciam inabaláveis no passado, fato que se justifica, em parte, pelo próprio objeto de seu estudo – a imensidão do universo – e a limitação para testar em laboratório suas teorias. É na matemática dos cientistas que os modelos se afirmam, permanecendo à espera de futuras confirmações por novas descobertas astronômicas ou provas experimentais em aceleradores de partículas.

5519 – Mega Notícias – Cuidado com o som no ouvido


☻ Mega Arquivo, contra-capa original, com retalhos de notícias

Pode ficar surdo quem se expõe mais de 8 horas a 85 db, nível sonoro de uma avenida de tráfego pesado. A música alta do fone de ouvido alcança 110 db.
Obesos tem 30% mais chance de ter catarata. É o risco de quem tem massa corpórea de 27,8, o resultado da divisão de seu pesopela altura².
Gordos de novo – A pesquisa japonesa da Universidade de Osaka acompanhou 13 obesos submetidos a uma dieta de baixas calorias e uma hora de atividades físicas diárias durante 2 anos e avaliações semestrais indicaram perda de peso e redução da pressão arterial. Indivíduos que tendem a engordar novamente são os que apresentam níveis elevados de insulina e norepinefrina.
Carros X Chips
Um carro pesando 10 gramas e que corresse a 13 milhões de km por hora. É assim que seriam se tivessem evoluído na mesma proporção que os chips estavam há uma década. Desde a sua invenção em 1948, os chips ficaram cada vez menores e mais rápidos.Tal analogia foi do ganhador do Nobel de Física de 1998.

5518 – Evolução – Corpo Humano: obra-prima ou retalho de vários animais?


Células – A mãe de todas as formas de vida. Apareceu há 4 bilhões de anos. Era uma molécula que fazia cópias de sim mesma. Logo suas descendentes ganharam capas de proteína para proteger o material genético. Elas se juntaram em estruturas multicelulares e hoje são 10 trilhões no corpo humano.

Olhos – Os 1°s seres multicelulares não caçavam, comiam moléculas orgânicas soltas na sopa primordial. Mas, com a superpopulação, a comida ficou rara e o jeito foi partir para o canibalismo. O truque novo foi captar o movimento dos rivais a partir da luz que refletiam, era a visão, que começou com vermes parecidos com platelmintos há 600 milhões de anos.

Cérebro – O 1,4 quilo que se tem atrás dos olhos veio de um montinho de células que gerenciavam a visão dos vermes como o platelminto. Depois, a evolução foi emendando os módulos de uma estrutura primitiva.
O cérebro cresceu tanto que para não entalarmos no parto, nascemos com a cabeça mole.
Coração – Nos vermes havia uma mistura de garganta e intestino em forma de tubo. Os genes responsáveis por este pedaço, migraram para outra parte do corpo. Aí,em vez de montarem um cano que se contraía para facilitar a alimentação, iniciaram um órgão que faz o mesmo movimento, só que, com sangue: o coração.
Sistema Digestivo – Alguns vermes abandonaram a forma plana e ficaram aredondados há 500 milhões de anos atrás; era a estréia dos tubos digestivos com entrada e saída. A coisa que permite comer sem parar se for o caso, se mostrou tão eficaz que todas as criaturas o adotaram.

Coluna Vertebral – Corpos grandes precisam de sustentação. Por isso, a coluna vertebral foi a coluna da evolução. Seus primeiros vestígios apareceram em vermes de 500 milhões de anos. Estes possuíam a notocorda, uma vara que segue pelas costas e serve como apoio para os músculos dando origem a coluna.

Mandíbula – Surgiu quando arcos branquiais das cobras d’água, ancestrais dos peixes modernos, começaram a crescer para a frente e envolveram a boca. Isso formou uma espécie de máquina de morder.

Crânio – As guelras de peixe são arcos branquiais para respirar e estão presentes em embriões humanos como um resquício de origens aquáticas.Tais guelras dão origem a partes da cabeça. O 1° arco branquial forma 2 ossos do ouvido. Do 2° arco saem o hióide e o estribo do ouvido médio. Do 3° e do 4° nascem partes da garganta e laringe.

Pulmões – Alguns peixes desenvolveram bolsas no tubo digestivo, que começaram a servir para absorver oxigênio do ar. Mais oxixênio + energia. Há 370 milhões de anos, numa época de seca que baixou onível dos oceanos e cobriu o planeta de pântanos. Com menos água disponível, os peixes que já sabiam respirar o ar, se deram bem.
Pernas e braços – Alguns peixes rastejam no fundo do mar usando nadadeiras como patas. É só uma estratégia de caça. Quando o mundo ficou mais seco, a habilidade serviu para que os peixes com pulmões ficassem em terra. Estes, deram origem aos anfíbios. As nadadeiras então viraram patas.

Ouvidos – Os dos répteis evoluíram a partir de pedaços de mandíbula dos peixes. No humano, 2 ossos se desprenderam da mandíbula dos répteis, encolheram e migraram para cima, se transformando no martelo e bigorna, os principais componentes dos ouvidos.

Pêlos – Quem inventou os cabelos foram os répteis de 200 milhões de anos atrás, os terapsídios, ancestrais dos mamíferos, desenvolvendo espinhos sobre escamas que crescem a ponto de virar uma capa protetora.

Sangue quente – Um grupo de animais passou a transformar comida em calor para o corpo. Isso tornou-os menos dependentes da luz do Sol e puderam colonizr regiões mais frias do globo.
Fala – Sons mais complexos que grunhidos são possíveis graças a uma complicada manobra da evolução. A laringe já esteve em um ponto bem mais alto da garganta. A posição permite que os primatas respirem enquanto comem porque as passagens ficam bem mais separadas. A laringe desceu e criou espaço suficiente para a língua articular melhor os sons.
Há 200 mil anos, esse monte de órgãos que nasceu nos vermes mais os membros e o cérebro que já foi menor que a cabeça de um alfinete estavam todos juntos.

5517 – Nobel alemão avalia pesquisa de câncer em hospital de São Paulo


Em iniciativa inédita no país, o Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, passou a ter um conselho internacional para avaliar suas pesquisas. A instituição responde por 60% da produção científica oncológica brasileira.
Seis pesquisadores de renome mundial, entre eles o virologista alemão Harald zur Hausen, Prêmio Nobel em Medicina ou Fisiologia de 2008, e Curtis Harris, diretor do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, integram o conselho, que foi idealizado pelo oncologista Ricardo Brentani, morto em novembro.
Nos últimos dois dias, o grupo analisou os projetos científicos, as instalações e as condições de ensino e pesquisa do hospital. Agora, prepara um relatório com a avaliação e as possíveis recomendações. Um em cada três oncologistas brasileiros se especializou no hospital.
Hausen, ganhador do Nobel, afirmou estar “entusiasmado”. “Há pesquisas de qualidade, especialmente na área genômica. Mas, como em qualquer outro lugar, sempre é possível melhorar.”
Uma das pesquisas desenvolvidas no hospital investiga os genes associados a tumores hereditários, como o de cólon e de mama, e os marcadores que poderão ser utilizados no diagnóstico e no tratamento da doença.
“Investigamos novas mutações do câncer familiar para fazer um aconselhamento genético precoce e poder tratar a pessoa adequadamente, com base no tipo de tumor que ela tem”, explica a bióloga Silvia Rogatto.
Para o imunologista português António Amaral Coutinho, porta-voz do grupo internacional, submeter pesquisas ao crivo de pares internacionais ajuda a melhorar a qualidade delas.
“É o momento de o Brasil investir em ciência e tecnologia e descobrir melhores maneiras de fazer as coisas. Não se inventa nada sem saber muito. Não adianta só exportar gado. É preciso exportar cabeças”, afirmou Coutinho.

5516 – Problemas oculares em astronautas podem prejudicar viagens a Marte


Os vôos de longa duração, como os planejados até Marte, estão ainda só no papel. Mas as conclusões de uma recente pesquisa bancada pela Nasa (agência espacial americana) indicam que os empecilhos para se chegar até o planeta vermelho podem ir além das dificuldades impostas pela tecnologia ou pelo tempo de viagem.
O estudo detectou que missões espaciais com no mínimo seis meses de duração provocam problemas oculares em astronautas. Alguns deles, como visão embaçada, parecem persistir mesmo depois do retorno da tripulação à Terra.
Tais mudanças provavelmente ocorrem como uma adaptação do organismo ao ambiente de microgravidade. A esperança dos cientista é poder detectar quais são as características que fazem um astronauta menos suscetível a esse feito colateral das missões espaciais.
Segundo os oftalmologistas Thomas Mader e Andrew Lee, que analisaram os casos, as mudanças não teriam relação com o lançamento e a reentrada no espaço, mas sim com a ação da microgravidade sobre o corpo enquanto estavam na ISS (Estação Espacial Internacional).
A dupla examinou sete astronautas, todos eles com idade em torno dos 50 anos que ficaram pelo menos seis meses contínuos no espaço, e avaliou relatórios de viagem de mais 300.
Do grupo menor, todos tiveram uma alteração no tecido, fluido, nervo ou outra estrutura ocular.
Esses ocorrências podem ter sido provocados pelo aumento da pressão no interior do crânio. Ou seja, dentro da cabeça do astronauta. Contudo, nenhum teve sintomas tradicionais como dor de cabeça crônica, visão dupla ou ouvido zunindo.
Os estudiosos acreditam que há outros fatores envolvidos –como o curso anormal do fluido espinhal em torno do nervo óptico ou do sangue na coroide –, mas não sabem ainda dizer quais são.