5512 – História da Discoteca – Santa Esmeralda


Capa do 1° Álbum

Ao contrário do que se pensava aqui no Brasil no final da década de 70, quando esta banda estava no auge, eles são americanos e franceses e não espanhóis. A confusão era por causa das castanholas características de suas músicas.
Criado em estúdio pelo vocalista e saxofonista norte americano Leroy Gomez, o grupo ficou conhecido por apresentar-se no palco com bailarinas vestidas de dançarinas espanholas de flamenco e por um bem cuidado trabalho instrumental. O primeiro sucesso do grupo foi Don´t Let Me Be Misunderstood, de 1977, que chegou em poucos meses a uma vendagem mundial de 15 milhões de cópias. Até hoje, o sucesso da música já rendeu a Gomez 48 discos de ouro e 42 discos de platina, e sua vendagem ultrapassou 25 milhões de cópias. No Brasil tocou tanto em todas as rádios de AM e FM, que depois de um certo tempo, ninguém mais aguentava ouvir Santa Esmeralda.
Antes do surgimento do grupo, Gomez trabalhou como saxofonista para Elton John no álbum Goodbye yellow brick road. Posteriormente, juntou-se à banda disco Tavares, a qual decidiu abandonar durante uma turnê européia. Radicou-se a seguir em Paris, onde criou o Santa Esmeralda para acompanhá-lo.
Além de Don’t Let Me Be Misunderstood e The House of the Rising Sun (ambas regravações em ritmo disco de clássicos da banda inglesa de rock The Animals, dos anos 60), o grupo obteve sucesso com Another Cha Cha (1979) e C’est Magnifique (1980), músicas que unem ritmos disco e latinos.
Curiosidade: A música Don’t Let Me Be Misunderstood fez parte da trilha sonora de Kill Bill vol. I.
Leroy Gomes também foi vocalista e instrumentista do La Bionda, outra banda consagrada.
Com mais de 16 minutos de duração e ocupando o lado todo do long play, a música raramente era tocada inteira nas rádios, que optaram por uma edição curta de 4 minutos. Só era possível apreciá-la inteira comprando o long play ou nas discotecas.

Capa do 3° álbum, já com um sucesso bem mais modesto

5511 – Camada de gelo da Groenlândia é bem mais vulnerável ao aquecimento


A camada de gelo da Groenlândia é mais sensível ao aquecimento global do que previamente pensado.
Um estudo afirma que ela poderia descongelar completamente com um aumento relativamente pequeno da temperatura a longuíssimo prazo.
Estudos anteriores indicam que esse cenário desolador seria possível de ocorrer se houvesse um aumento de, ao menos, 3,1ºC acima do nível da era pré-industrial, em uma escala entre 1,9ºC e 5,1ºC.
Agora, porém, novas estimativas publicadas na revista “Nature Climate Change” estabeleceu esse índice em 1,6ºC, em uma escala entre 0,8ºC e 3,2ºC.
Para termos comparativos, o clima já se tornou mais quente 0,8ºC desde o início da Revolução Industrial na metade do século 18. As emissões de carbono, que colaboram com o efeito-estufa, também não parecem estar diminuindo.
Apesar de exigir milhares de anos para um derretimento da camada de gelo nessa proporção, o alerta é importante. A Groenlândia é, atrás da Antártida, o segundo maior armazenamento de água do mundo. Em estado líquido, aumentaria as águas oceânicas em até 7,2 metros, engolindo no processo deltas e ilhas menores.
Segundo o pesquisador Andrey Ganopolski, que participou da análise, se as temperaturas globais continuarem no mesmo ritmo, o gelo vai continuar derretendo e não vai “crescer” novamente mesmo se o clima voltasse aos patamares antes da era industrial.

5510 – Cidades Brasileiras – Guarapari ES


Guarapari, o paraíso é aqui!!

É um município brasileiro do estado do Espírito Santo. Sua população estimada em 2004 era de 108.120 habitantes. A distância de Vitória é 51 km, do Rio de Janeiro 474 km e de Belo Horizonte, 516 km.
A vila foi criada em 1679, com o nome da padroeira, cuja festa se comemora em 8 de dezembro. Tornou-se cidade em 1891. ‘Guara””Parim”(garça manca,em linguagem indígena),a antiga vila fundada pelo Padre José de Anchieta em 1585 é hoje o principal pólo turístico do Espírito Santo.
Na forma como é escrito hoje Guarapari significa Guará (pássaro) e Pari (armadilha), desta forma armadilha de pássaro.
Em meados dos anos 1960/1970 Guarapari tornou-se nacionalmente famosa em decorrência das propriedades medicinais de suas areias monazíticas. Por este motivo houve uma onda turística crescente em torno da cidade.
A cidade assim como toda a região central do Espírito Santo, possui vários afloramentos graníticos e possui muitas enseadas e baías protegidas. A sede da cidade é a nível do mar, mas graças à proximidade com a região serrana do estado, alguns distritos da cidade chegam a 1000 metros de altitude.
Parque Estadual Paulo César Vinha
Situado no extremo norte do município, na faixa litorânea, o parque possui 1.500 ha de área, protegendo o ecossistema restinga, uma rica flora composta por orquídeas, bromélias, clúsias e outras espécies típicas de restinga. Conta com uma fauna variada: de pererecas endêmicas a saguis-da-cara-branca, cotias,jiboias, quatis, tamanduás e veados. Possui três lagoas de águas avermelhadas, mas somente uma, a Lagoa de Caraís, é aberta a visitação.O Parque possui também duas trihas para visitação que é: Trilha da Clúsia – Trilha que possibilita ao visitante um contato mais intimo com a natureza, da uma impressão que está dentre uma mata fechada. Trilha da Restinga – Uma trilha relativamente maior, com grau de dificuldade fácil, está trilha leva o turista até a Lagoa de Caraís, ela possui 1,5km de extenção. Recebeu esse nome em homenagem ao biólogo Paulo C. Vinha, assassinado cruelmente nos limites do parque, enquanto fazia um levantamento fotográfico sobre líquens e fungos. Sua sede fica próxima ao bairro de Setiba, onde conta com guardas-parque e uma estrutura básica de apoio ao turista.

Principal cidade turística do Espírito Santo, Guarapari atrai diversos turistas do mundo inteiro graças às suas belezas naturais e às areias monazíticas (radioativas), com virtudes alegadamente terapêuticas, apesar dos benefícios no tratamento de artrite ou reumatismo não terem comprovação científica.
Com mais de 30 praias e boa rede hoteleira, chega a atrair 700 mil turistas no verão, sendo que em 1994, a cidade recebeu 1,5 milhões de turistas, enfrentando graves problemas no abastecimento de energia e água.
O município possui ótimos clubes aquáticos, além de aquários, exposições marinhas e belas praias. Passeios de mergulho.
Conjunto de pequenas praias separadas por rochedos, praticamente sem ondas, com areia fina e escura. A água é esverdeada e transparente, boa para mergulho e pesca submarina. Possui um extensa área de lazer, sombreada por árvores e coqueiros. O acesso é feito de carro ou a pé,e não é preciso pagar. Há estacionamento mas são proibidas as práticas de camping e uso de churrasqueiras.
Praia de Meaípe
Esta aldeia de pescadores é hoje um dos lugares mais badalados do Estado. A 6 km do centro do município, com acesso pela Rodovia do Sol (ES-60), esta praia já foi considerada uma das dez mais bonitas do Brasil pela Revista Quatro Rodas. As ondas são fracas e a areia grossa é contornada por castanheiras.Lugar bom para se passar as férias, Meaípe tem “barraquinhas” na beira das praias, onde você encontra vários petiscos para passar uma perfeita estadia na praia.Point dos modismos de verão, a vida noturna é agitada. Os restaurantes do local preparam os melhores frutos do mar do município. As mulheres do vilarejo, em sua maioria esposas de pescador, fazem as rendas de bilro, artesanato característico do município. Panos, caminhos de mesa, golas, rendas de metro em bico e entremeios são produzidos por encomenda. Os trabalhos estão expostos na Casa das Rendeiras, na orla marítima de Meaípe.

Esta belíssima praia é visitada por milhares de turistas no verão

5509 – Medicina – Freio no envelhecimento?


Nossos números impressionam. Em 1900, a expectativa média de vida do brasileiro ao nascer era de 33 anos. Hoje, é de 68, mais que o dobro. Nos Estados Unidos, saltou de 47 para 75 anos, no mesmo período.
Apesar de ser uma das mais antigas preocupações da humanidade, presente em escritos de mais de 5 000 anos, o envelhecimento só é estudado a sério, com rigor científico, há algumas décadas. E ainda não temos muitas certezas a respeito.
Um exemplo conhecido do que acontece quando envelhecemos é o que ocorre na savana africana. Quando uma leoa ataca uma manada de antílopes, a maioria dos bichos escapam dando saltos assombrosos e, no final, quem acaba nas garras dos felinos são os animais velhos, que já não conseguem acompanhar os mais novos.
Envelhecemos porque, pela lógica da seleção natural, que é como “pensa” a natureza, o que acontece com o indivíduo depois que ele gerou descendentes não faz diferença para o futuro da espécie. Assim, a perda das reservas – aquele “algo mais” para atravessar momentos difíceis – após a idade reprodutiva não prejudica a espécie. Em alguns casos, pelo contrário, a beneficia. Em ambientes onde falta alimento, quem já passou da idade fértil representa uma competição extra. Aos poucos, portanto, a natureza privilegiou as espécies cujos integrantes deixavam o palco assim que seu papel acabasse.
A espécie humana foi a primeira a reverter esse estado de coisas. Nosso corpo foi forjado há 130 000 anos, uma época em que os humanos, por mais fortes e saudáveis que fossem, morriam todos antes dos 30, vítimas de acidentes, predadores ou doenças. Mas nós domamos essas adversidades, elevando nossa expectativa de vida para muito além da idade reprodutiva. Ou seja, a degeneração que enfrentamos a partir dos 30 anos, ou, em outras palavras, o envelhecimento, nada mais é que a entrada em um período da vida para o qual a seleção natural não nos preparou.
As teorias sobre as causas do envelhecimento podem ser divididas em dois grupos: as primeiras dizem que o envelhecimento é um processo programado, que sucede o desenvolvimento embrionário e o crescimento; as outras defendem que o envelhecimento é um processo aleatório, causado por danos que vão se acumulando no organismo. Hoje, a segunda é mais aceita entre os cientistas que estudam o assunto, embora haja alguns fatos importantes que não se encaixam nela.
O número de vezes que uma célula se divide, por exemplo, é programado para cada espécie e está diretamente relacionado à longevidade. As células do camundongo, animal que vive três anos, dividem-se 15 vezes. As nossas dividem-se 50 vezes. E as da tartaruga das ilhas Galápagos, que vive 175 anos, dividem-se 110 vezes. Os cientistas já sabem que o número de divisões é determinado pelo tamanho dos telômeros, um novelo de DNA localizado na extremidade dos cromossomos e que serve como uma sola. A cada divisão, os cromossomos perdem parte do telômero, até que a sola acaba e a célula pára de se dividir e morre. Há uma enzima que evita a perda do telômero e torna a célula imortal. Seria o elixir da imortalidade? Longe disso. É ela que produz células cancerosas.
Ninguém sabe ao certo o que causa os danos à célula. Entre os vários suspeitos, os mais famosos são os radicais livres, que são moléculas altamente reativas produzidas aos bilhões dentro da célula, como resíduo tóxico da transformação da glicose em energia. Os radicais são um perigo porque reagem com qualquer molécula que encontram, modificando-a. Dentro da célula, isso significa deformações no DNA, enzimas e proteínas importantes para o seu funcionamento.
Não é possível ainda frear o envelhecimento, mas um coração enfartado ainda pode bater por anos, uma pessoa vive bem com um só pulmão e um idoso pode aumentar sua capacidade aeróbica e sua força, até o ponto de poder correr para alcançar o ônibus sem morrer fulminado. É aqui que entra em cena o estilo de vida de cada um.
Calcula-se que o estilo de vida responde por 70% da longevidade de uma pessoa. Só 30% se devem a fatores genéticos. Imagine uma pessoa de 60 anos com pneumonia. A doença compromete os pulmões e reduz o nível de oxigênio no sangue, obrigando o coração a acelerar seu ritmo para bombear mais sangue e suprir a carência de oxigênio. Se a pessoa estiver bem condicionada, ela tomará seus antibióticos e ficará curada da pneumonia. Mais lentamente do que se fosse mais jovem, mas dará conta do recado. Se ela for sedentária, porém, seu coração tem mais chance de sucumbir ao esforço extra, ter uma insuficiência cardíaca e precisar de cuidados extras.
Coma direito As escolhas alimentares, sozinhas, podem aumentar ou diminuir a vida de uma pessoa em 13 anos. E os cientistas já têm uma razoável certeza do que é uma boa dieta. A maior parte dos estudos diz que o regime mais saudável é baseado em frutas, vegetais, grãos integrais, peixe, nozes e poucas porções de carne sem gordura.
Não fume O cigarro é o primeiro fator de risco para o câncer e aumenta a incidência de doenças cardíacas, duas das principais causas de morte.
Beba com moderação Evidências sugerem que consumir uma taça de vinho por dia faz bem ao coração e às artérias. Mais que isso, porém, pode trazer complicações, principalmente ao fígado e ao cérebro.
Controle seu peso Pessoas muito magras e muito gordas vivem menos. Nas tabelas peso-altura, que indicam o peso desejável para várias estaturas, a expectativa de vida é maior para quem se mantém no centro da faixa de peso desejável. Pesquisas recentes aumentaram esse limite para até 20% acima do ponto médio.
Exercite-se Os benefícios mais conhecidos do exercício ocorrem no coração. O famoso Framingham Heart Study, que monitora, há mais de 50 anos, a saúde dos habitantes de Framingham, nos Estados Unidos, descobriu que andar uma hora por dia durante a vida adia a morte por dois anos. Outros órgãos também ganham. As incidências de diabete e de câncer no cólon caem. E o cérebro corre menos risco de falhas.
Em boa parte da literatura médica sobre envelhecimento, o limite de 120 anos aparece como sendo um dado científico. Não é. Segundo Olshansky, a origem desse número é a Bíblia. O Antigo Testamento diz que Adão viveu 930 anos, Noé alcançou os 950 anos e Matusalém, até hoje sinônimo de pessoa longeva, comemorou 969 aniversários. Mas Deus mudou as regras do jogo. Logo antes do Dilúvio, Ele disse: “Meu Espírito não irá disputar com o homem, pois ele é mortal. Seus dias serão 120 anos” (Gênesis, 6:3).
Seja qual for a origem desse suposto limite, ele já foi superado. Em 1997, a francesa Jeanne Calment morreu aos 122 anos e 164 dias e é a pessoa que, oficialmente, mais tempo viveu, quebrando inclusive o limite de 115 anos que Leonard Hayflick estipulara no início dos anos 90, em seu livro Como e Por Que Envelhecemos.
A ironia é que, a despeito da tecnologia empregada nas pesquisas, a técnica mais eficaz até hoje descoberta para retardar o envelhecimento e aumentar a longevidade foi descoberta há 70 anos e consiste, simplesmente, em passar fome. Essa técnica, chamada de restrição calórica ou subnutrição sem desnutrição, nada mais é que uma dieta de baixas calorias, correspondente a dois terços do que o animal come normalmente e suficiente apenas para manter os sistemas vitais operando. O benefício é evidente. A dieta dobrou a longevidade média de ratos e já foi testada, com sucesso, em fungos, moscas, vermes, peixes, aranhas, ratos e camundongos. Estudos em andamento em macacos rhesus mostram que os resultados serão idênticos.
Como isso ocorre? Ninguém sabe. Suspeita-se que a dieta reduz a produção de radicais livres, que nascem durante a transformação de glicose em energia dentro da célula.
O próximo passo é fazer testes em humanos, o que não vai ser fácil, porque a técnica tem menos efeito quanto mais tardiamente é adotada. Além disso, mesmo que fique comprovada, será que as pessoas se submeteriam a isso? Há indícios de que a restrição calórica causa desconforto, além, claro, de uma baita fome. Os cientistas estão agora procurando mimetizar seu efeito sem a necessidade de jejum e já há notícias promissoras. No mês passado, foi anunciada a descoberta de uma substância que impede o metabolismo da glicose, imitando o efeito de uma dieta rigorosa e enganando a célula.
Outra técnica famosa é o uso de antioxidantes, que combatem os radicais livres, impedindo-os de danificar a célula. Essas substâncias realmente existem e são conhecidas. Muitas são, inclusive, produzidas pelo organismo ou encontradas em alimentos, como as vitaminas E e C. O desafio dos cientistas é provar que doses extras de antioxidantes podem aumentar o combate aos radicais livres sem causar outros males à saúde. Até agora, a prova não surgiu, embora haja experiências de sucesso em animais como vermes.
Um dos maiores riscos das pesquisas nessa área é que as pessoas podem pensar que não têm nada a perder se usarem uma substância cuja eficácia não foi comprovada. Mas a interrupção de uma grande pesquisa sobre reposição hormonal em mulheres pelo governo dos Estados Unidos acendeu um alerta. Depois de cinco anos de reposição, concluíram os cientistas, os riscos do tratamento superaram os supostos benefícios.
A teoria da reposição hormonal tem uma boa base científica. A produção hormonal de fato cai com o avanço da idade. Mas não se sabe se isso é causa ou efeito da velhice. Preocupado com isso, o Instituto Nacional do Envelhecimento, nos Estados Unidos, emitiu o seguinte comunicado no ano passado: “Contrariamente ao rumor popular, nenhum complemento demonstrou eficácia na prevenção ou na reversão do envelhecimento”.

5508 – Mega Polêmica – Por que a maconha é proibida?


A guerra contra essa planta foi motivada muito mais por fatores raciais, econômicos, políticos e morais do que por argumentos científicos. E algumas dessas razões são inconfessáveis. Tem a ver com o preconceito contra árabes, chineses, mexicanos e negros, usuários freqüentes de maconha no começo do século XX. Deve muito aos interesses de indústrias poderosas dos anos 20, que vendiam tecidos sintéticos e papel e queriam se livrar de um concorrente, o cânhamo. Tem raízes também na bem-sucedida estratégia de dominação dos Estados Unidos sobre o planeta. E, é claro, guarda relação com o moralismo judaico-cristão (e principalmente protestante-puritano), que não aceita a idéia do prazer sem merecimento – pelo mesmo motivo, no passado, condenou-se a masturbação.
Não se trata de apologia á drogas, vamos mergulhar a fundo na questão:
Nas primeiras décadas do século XX, a maconha era liberada, embora muita gente a visse com maus olhos. Aqui no Brasil, maconha era “coisa de negro”, fumada nos terreiros de candomblé para facilitar a incorporação e nos confins do país por agricultores depois do trabalho. Na Europa, ela era associada aos imigrantes árabes e indianos e aos incômodos intelectuais boêmios. Nos Estados Unidos, quem fumava eram os cada vez mais numerosos mexicanos – meio milhão deles cruzaram o Rio Grande entre 1915 e 1930 em busca de trabalho. Muitos não acharam. Ou seja, em boa parte do Ocidente, fumar maconha era relegado a classes marginalizadas e visto com antipatia pela classe média branca.
Pouca gente sabia, entretanto, que a mesma planta que fornecia fumo às classes baixas tinha enorme importância econômica. Dezenas de remédios – de xaropes para tosse a pílulas para dormir – continham cannabis. Quase toda a produção de papel usava como matéria-prima a fibra do cânhamo, retirada do caule do pé de maconha. A indústria de tecidos também dependia da cannabis – o tecido de cânhamo era muito difundido, especialmente para fazer cordas, velas de barco, redes de pesca e outros produtos que exigissem um material muito resistente. A Ford estava desenvolvendo combustíveis e plásticos feitos a partir do óleo da semente de maconha. As plantações de cânhamo tomavam áreas imensas na Europa e nos Estados Unidos.
Em 1920, sob pressão de grupos religiosos protestantes, os Estados Unidos decretaram a proibição da produção e da comercialização de bebidas alcoólicas. Era a Lei Seca, que durou até 1933. Foi aí que Henry Anslinger surgiu na vida pública americana – reprimindo o tráfico de rum que vinha das Bahamas. Foi aí, também, que a maconha entrou na vida de muita gente – e não só dos mexicanos. “A proibição do álcool foi o estopim para o ‘boom’ da maconha”, afirma o historiador inglês Richard Davenport-Hines, especialista na história dos narcóticos, em seu livro The Pursuit of Oblivion (A busca do esquecimento.
No sul do país, corria o boato de que a droga dava força sobre-humana aos mexicanos, o que seria uma vantagem injusta na disputa pelos escassos empregos. A isso se somavam insinuações de que a droga induzia ao sexo promíscuo (muitos mexicanos talvez tivessem mais parceiros que um americano puritano médio, mas isso não tem nada a ver com a maconha) e ao crime (com a crise, a criminalidade aumentou entre os mexicanos pobres, mas a maconha é inocente disso). Baseados nesses boatos, vários Estados começaram a proibir a substância. Nessa época, a maconha virou a droga de escolha dos músicos de jazz, que afirmavam ficar mais criativos depois de fumar.
A proibição foi virando uma forma de controle internacional por parte dos Estados Unidos, especialmente depois de 1961, quando uma convenção da ONU determinou que as drogas são ruins para a saúde e o bem-estar da humanidade e, portanto, eram necessárias ações coordenadas e universais para reprimir seu uso. “Isso abriu espaço para intervenções militares americanas”.
Mas afinal,a maconha faz mal?
Depois de mais de um século de pesquisas, a resposta mais honesta é: faz, mas muito pouco e só para casos extremos. O uso moderado não faz mal. A preocupação da ciência com esse assunto começou em 1894, quando a Índia fazia parte do Império Britânico. Havia, então, a desconfiança de que o bhang, uma bebida à base de maconha muito comum na Índia, causava demência. Grupos religiosos britânicos reivindicavam sua proibição. Formou-se a Comissão Indiana de Drogas da Cannabis, que passou dois anos investigando o tema. O relatório final desaconselhou a proibição: “O bhang é quase sempre inofensivo quando usado com moderação e, em alguns casos, é benéfico. O abuso do bhang é menos prejudicial que o abuso do álcool”.
Em 1976, a Holanda decidiu parar de prender usuários de maconha desde que eles comprassem a droga em cafés autorizados. Resultado: o índice de usuários continua comparável aos de outros países da Europa. O de jovens dependentes de heroína caiu – estima-se que, ao tirar a maconha da mão dos traficantes, os holandeses separaram essa droga das mais pesadas e, assim, dificultaram o acesso a elas.
Nos últimos anos, os possíveis males da maconha foram cuidadosamente escrutinados – às vezes por pesquisadores competentes, às vezes por gente mais interessada em convencer os outros da sua opinião.
Câncer
Não se provou nenhuma relação direta entre fumar maconha e câncer de pulmão, traquéia, boca e outros associados ao cigarro. Isso não quer dizer que não haja. Por muito tempo, os riscos do cigarro foram negligenciados e só nas últimas duas décadas ficou claro que havia uma bomba-relógio armada – porque os danos só se manifestam depois de décadas de uso contínuo. Há o temor de que uma bomba semelhante esteja para explodir no caso da maconha, cujo uso se popularizou a partir dos anos 60. O que se sabe é que o cigarro de maconha tem praticamente a mesma composição de um cigarro comum – a única diferença significativa é o princípio ativo. No cigarro é a nicotina, na maconha o tetrahidrocanabinol, ou THC. Também é verdade que o fumante de maconha tem comportamentos mais arriscados que o de cigarro: traga mais profundamente, não usa filtro e segura a fumaça por mais tempo no pulmão (o que, aliás, segundo os cientistas, não aumenta os efeitos da droga).
Dependência
Algo entre 6% e 12% dos usuários, dependendo da pesquisa, desenvolve um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para álcool e tabaco). A questão é: será que a maconha é a causa da dependência ou apenas uma válvula de escape. “Dependência de maconha não é problema da substância, mas da pessoa”, afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina.
Danos cerebrais
“Maconha mata neurônios.” Essa frase, repetida há décadas, não passa de mito. Bilhões de dólares foram investidos para comprovar que o THC destrói tecido cerebral – às vezes com pesquisas que ministravam doses de elefante em ratinhos –, mas nada foi encontrado.
Muitas experiências foram feitas em busca de danos nas capacidades cognitivas do usuário de maconha. A maior preocupação é com a memória. Sabe-se que o usuário de maconha, quando fuma, fica com a memória de curto prazo prejudicada. São bem comuns os relatos de pessoas que têm idéias que parecem geniais durante o “barato”, mas não conseguem lembrar-se de nada no momento seguinte. Isso acontece porque a memória de curto prazo funciona mal sob o efeito de maconha e, sem ela, as memórias de longo prazo não são fixadas (é por causa desse “desligamento” da memória que o usuário perde a noção do tempo). Mas esse dano não é permanente. Basta ficar sem fumar que tudo volta a funcionar normalmente. O mesmo vale para o raciocínio, que fica mais lento quando o usuário fuma muito freqüentemente.
Coração
O uso de maconha dilata os vasos sangüíneos e, para compensar, acelera os batimentos cardíacos. Isso não oferece risco para a maioria dos usuários, mas a droga deve ser evitada por quem sofre do coração.
Infertilidade
Pesquisas mostraram que o usuário freqüente tem o número de espermatozóides reduzido. Ninguém conseguiu provar que isso possa causar infertilidade, muito menos impotência. Também está claro que os espermatozóides voltam ao normal quando se pára de fumar.
Depressão imunológica
Nos anos 70, descobriu-se que o THC afeta os glóbulos brancos, células de defesa do corpo. No entanto, nenhuma pesquisa encontrou relação entre o uso de maconha e a incidência de infecções.
Loucura
No passado, acreditava-se que maconha causava demência. Isso não se confirmou, mas sabe-se que a droga pode precipitar crises em quem já tem doenças psiquiátricas.
O uso medicinal da maconha é tão antigo quanto a maconha. Hoje há muitas pesquisas com a cannabis para usá-la como remédio. Segundo o farmacólogo inglês Iversen, não há dúvidas de que ela seja um remédio útil para muitos e fundamental para alguns, mas há um certo exagero sobre seus potenciais. Em outras palavras: a maconha não é a salvação da humanidade. Um dos maiores desafios dos laboratórios é tentar separar o efeito medicinal da droga do efeito psicoativo – ou seja, criar uma maconha que não dê “barato”. Muitos pesquisadores estão chegando à conclusão de que isso é impossível: aparentemente, as mesmas propriedades químicas que alteram a percepção do cérebro são responsáveis pelo caráter curativo. Esse fato é uma das limitações da maconha como medicamento, já que muitas pessoas não gostam do efeito mental. No Brasil, assim como em boa parte do mundo, o uso médico da cannabis é proibido e milhares de pessoas usam o remédio ilegalmente.
Pessoas tratadas com quimioterapia muitas vezes têm enjôos terríveis, eventualmente tão terríveis que elas preferem a doença ao remédio. Há medicamentos para reduzir esse enjôo e eles são eficientes. No entanto, alguns pacientes não respondem a nenhum remédio legal e respondem maravilhosamente à maconha. Era o caso do brilhante escritor e paleontólogo Stephen Jay Gould, que, no mês passado, finalmente, perdeu uma batalha de 20 anos contra o câncer.
Aids
Maconha dá fome. Qualquer um que fuma sabe disso (aliás, esse é um de seus inconvenientes: ela engorda). Nenhum remédio é tão eficiente para restaurar o peso de portadores do HIV quanto a maconha. E isso pode prolongar muito a vida: acredita-se que manter o peso seja o principal requisito para que um soropositivo não desenvolva a doença. O problema: a cannabis tem uma ação ainda pouco compreendida no sistema imunológico. Sabe-se que isso não representa perigo para pessoas saudáveis, mas pode ser um risco para doentes de Aids.
Esclerose múltipla
Essa doença degenerativa do sistema nervoso é terrivelmente incômoda e fatal. Os doentes sentem fortes espasmos musculares, muita dor e suas bexigas e intestinos funcionam muito mal. Acredita-se que ela seja causada por uma má função do sistema imunológico, que faz com que as células de defesa ataquem os neurônios. A maconha alivia todos os sintomas. Ninguém entende bem por que ela é tão eficiente, mas especula-se que tenha a ver com seu pouco compreendido efeito no sistema imunológico.
Dor
A cannabis é um analgésico usado em várias ocasiões. Os relatos de alívio das cólicas menstruais são os mais promissores.

5507 – Biologia – Micro-organismo unicelular é o ser vivo mais rápido do mundo


Folha Ciência

Cientistas da Universidade Regensburg, na Alemanha, descobriram que o ser vivo proporcionalmente mais rápido do mundo é a arqueia, um tipo de micro-organismo unicelular capaz de percorrer em um segundo uma distância 500 vezes superior ao seu tamanho.
O guepardo, que pode alcançar a velocidade de até 110 km/h, é considerado o animal mais rápido do planeta, mas em relação ao seu tamanho, o ser vivo mais veloz é, com uma medida de apenas 0,0001 milímetro, afirmaram os biólogos.
As arqueias mais rápidas são capazes de percorrer uma distância de até 500 bps (sigla em inglês de “bodies per second”, ou “corpos por segundo”).
Segundo estes cálculos, para superar estes micro-organismos unicelulares, o guepardo teria que ter uma velocidade de mais de 3.000 km/h, já que seus 110 km/h correspondem somente a cerca de 15 bps.
A exorbitante velocidade não é o único fato excepcional sobre as arqueias, mas também seu exótico habitat, afirmam os cientistas.
Os micro-organismos se encontram principalmente próximos de emissões vulcânicas, ou seja, fontes de até 400ºC no leito oceânico.
As arqueias dependem precisamente da velocidade para poder se manter de forma permanente nas águas a uma temperatura de cerca de 100ºC.
Se fossem mais lentas, poderiam ser arremessadas pelo jato de água das emissões até a superfície do oceano, com temperaturas mortais de apenas 2ºC.
Os cientistas fizeram outro surpreendente descobrimento. As arqueias não se caracterizam apenas por sua inigualável velocidade, mas também por variar seu movimento. Eles são aptas a se movimentar tanto em linha reta como em ziguezague.
Para o professor Reinhard Wirth, do departamento da Universidade de Regensburg que estuda as arqueias, esta capacidade de variar a forma de deslocamento permite a estes velozes micro-organismos detectar as condições de água ideais.

5506 – Racismo – O Terror da Ku Klux Klan


Ritual da Ku Klux Klan

O massacre de Col Fax oficialmente ocorreu por causa da disputa entre 2 candidatos a Prefeitura da cidade, um apoiado por brancos, outro por negros. Mas o que motivou na realidade foi o ódio racial, responsável pela criação de uma das mais terríveis organizações de todos os tempos e que ao longo dos seus 150 anos mostrou ser parecido com a ave mitológica Fenix, que renasce das próprias cinzas.
Na véspera de natal de 1865, seis colegas resolveram criar um clubinho para fazer brincadeiras na cidade de Pulaski, no Tennessee. Eles saíam a noite cobertos por lençóis. Mas em poucas semanas a Klan já impedia que os negros se encontrassem em igrejas e invadiam casas para roubar armas. Meses depois, as brincadeiras se tornaram assassinatos, linchamentos, enforcamentos, estupros, castrações e incêndios criminosos. Os EUA acabavam se sair da guerra da secessão e a questão racial era um dos fatores centrais. Em 1869, um juíz federal classificou o grupo como organização terrorista. Os crimes raciais passaram a ser julgados em tribunais federais onde haviam vários juízes negros. Isso enfraqueceu a organização que chegou a ter meio milhão de adeptos. No filme o nascimento de uma nação, eles apareceram como heróis, nobres cavaleiros que lutavam contra bandidos negros. O filme inventou mitos como o ritual de queima de cruzes, que jamais havia dido realizado. Um filme racista, mas que fez sucesso. O Nascimento de uma Nação, foi a produção mais lucrativa de todos os tempos até então. O filme foi também o 1° a ser exibido na Casa Branca, onde recebeu elogios do presidente Wilson. O grupo cresceu rapidamente até até se tornar a maior organização do país, com mais membros que o exército e o governo federal. Em 1924, reuniam 5 milhões de membros, mas por volta de 1930, o grupo se reduziu para 30 mil. Com a evasão dos associados, não conseguiu pagar os impostos e tiveram a falência decretada em 1944. Como o termo Ku Klux Klan é de domínio público, qualquer grupo pode usa-lo. As atividades hoje são: distribuição de planfletos, marchas de protesto e alguns encontros anuais.

5505 – Medicina – Coçar é só começar…


300 Milhões de pessoas no mundo sofrem de sarna, a principal causa de coceira intensa.
O corpo humano é coberto por 2 m² de pele, mas a coceira pode começar em pontinhos minúsculos, de 0,6 mm². Os sinais de coceira viajam pelo cérebro com velocidade de 0,5 m/seg, 20 vezes mais devagar que os sinais de dor. Em uma experiência feita com ratos, as fêmeas se coçaram 23% mais que os machos. Muitas pessoas sofrem de coceiras permanentes e incuráveis. As coceiras parecem ser intensas à noite. A produção dos hormônios supressores da coceira, como a corticosterona diminui no período noturno. A coceira é ainda um quebra-cabeças da Medicina. Embora dor e coceira percorram o mesmo caminho, não acontecem juntas. A histamina é uma substância presente no sangue que faz a pele coçar e por isso, a principal arma da Medicina são os anti-histamínicos. Por motivos ainda não elucidados, o prurido estimula uma região do cérebro relacionada ao prazer, mas o ato, embora traga alívio momentâneo, piora a coceira porque ela tende a se realimentar.
A sarna, também conhecida como escabiose, é uma doença altamente infecciosa causada pelo parasita Sarcoptes scabie, transmissível pelo contato íntimo entre pessoas ou mesmo através das roupas. Esse parasita se alimenta da queratina, ou seja, proteína que constitui a camada superficial da pele. Depois do acasalamento, a fêmea põe os ovos (seis em média por fêmea) que eclodem após duas semanas.
As lesões mais comuns ocorrem entre os dedos das mãos e é, especialmente, a mão que serve de veículo para levar a escabiose a outros pontos do corpo, principalmente coxas, nádegas, axilas, cotovelo. No homem, a infecção é comum nos genitais e, na mulher, nos seios. Pacientes imunodeprimidos estão mais expostos ao risco de infecção pelo parasita da sarna.
Período de incubação
O período de incubação é de cerca de 24 dias ou de 24 horas no caso de reinfestação pelo parasita.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito visualmente pela análise das lesões causadas e por sua localização e pode ser confirmado pela identificação do parasita no microscópio.
Tratamento
É feito à base de inseticidas especiais, ou escabicidas. Seu uso é tópico, ou seja, local, e deve ser aplicado no corpo todo, exceto acima da linha do nariz e das orelhas, por dois ou três dias. É importante que a aplicação seja repetida depois de sete a dez dias para combater os ácaros provenientes dos ovos que ainda não haviam eclodido na primeira aplicação.
Toda a família e/ou parceiros devem ser tratados simultaneamente para evitar a reinfestação. Já existem remédios por via oral que também são eficientes no tratamento da escabiose.
Recomendações
* Saiba que a escabiose é comum em ambientes de aglomeração populacional, como exército, presídios, etc. e, principalmente, em locais de má higiene;
* Troque de roupas diariamente porque o ácaro sobrevive horas, às vezes dias, fora do corpo;
* Lave as roupas de uso pessoal, de cama e de banho diariamente;
* Procure certificar-se de que todas as pessoas com que convive proximamente estão recebendo tratamento simultâneo.

Este pequeno aracnídeo pode fazer um estrago danado