5398 – Sociologia – Combatendo a fome e o desperdício


Há 23 milhões de miseráveis no Brasil – pessoas com renda insuficiente para prover 75% das suas necessidades calóricas. Nesse mesmo país, 39 000 toneladas de comida em condições de ser aproveitada vão para o lixo todo santo dia em mercados, feiras, fábricas, restaurantes, quitandas, açougues, fazendas. O número leva em conta dados de vários setores – agricultura, indústria, varejo e serviços. São 39 000 toneladas de iogurtes perto do vencimento, tomates manchados, pães amanhecidos, carne esquecida no congelador e milhares de itens que, por algum motivo estético, acabam nas latas de lixo.
As indústrias, os mercados e os restaurantes estariam dispostos a doar seu excedente aproveitável e os produtos prestes a estragarem (o desperdício doméstico fica de fora porque seria complicado e caro demais coletar doações de residências). haveria instituições, do governo ou não, que busquem essas doações e façam com que a comida chegue a quem precisa antes de estragar? Pronto, estaria sanada a fome no Brasil.
Mas, raras empresas doam comida. Por incrível que pareça, elas preferem jogar o excedente no lixo. Não, não é por maldade: elas apenas querem evitar problemas legais, como arcar com a responsabilidade criminal no caso de a comida doada causar uma intoxicação ou a morte de alguém.
E de onde vem tanto desperdício? O processo que começa na lavoura e termina na sua mesa deixa muita coisa no caminho. Nos Estados Unidos, um produto agrícola é manuseado 33 vezes antes de chegar ao consumidor. É natural que muitos frutos e legumes fiquem irremediavelmente amassados e machucados ao longo de toda essa cadeia. Enchentes e pragas provocam uma perda de algo como 10% do total ainda na fase do cultivo. Outro tanto se perde na colheita, geralmente feita por máquinas que esmagam parte da produção. Muitos vegetais e produtos animais não conseguem resistir à armazenagem, outros perecem no transporte.
A matéria-prima que resiste vai então para a indústria, onde as batatas viram chips; os tomates, molho; e as vacas, hambúrguer. No processo de industrialização, 15% da quantidade inicial se perde. Entre os produtos não industrializados, a perda é semelhante: mais de 10% dos produtos frescos – vegetais, leite, ovos, carnes –, embora cheguem à feira, acabam estragados no manuseio ou passam do ponto antes que alguém os compre. E, mesmo depois da compra, o problema continua. A cultura do desperdício, tão difundida no Brasil, leva as pessoas a comprar mais do que precisam. Resultado: 30% dos produtos que foram plantados vão para a geladeira de alguém e, de lá, pro lixo.

Só 39% da produção agrícola vira comida no prato de alguém. O resto fica pelo caminho
15% perda na indústria

8% perda no transporte e no armazenamento

20% perda no plantio e na colheita

1% perda no varejo

17% perda com o consumidor

39% chega a ser consumido

No lixo
De cada 100 caixas de produtos agrícolas plantados, só 39 são consumidas por alguém (representadas em cima da colher). Os grãos caídos na mesa representam os produtos que se perdem no processo.

5397 – Toxicologia – O Arsênico


É uma substância letal conhecida há séculos pela humanidade. Suspeita-se que o veneno tenha causado a morte de Shakespeare e de Napoleão. E Agatha Christie matou muita gente com ele, em seus romances. O que poucos sabem é que esse veneno terrível brota do chão. O arsênico está presente na água de vários países. China, México, Chile e Índia bebem-no todos os dias. Nos Estados Unidos, há uma enorme polêmica sobre a redução dos limites de arsênico na água – o presidente Bush é contra. Até os nossos vizinhos argentinos precisam tratar sua água para se proteger do risco – estima-se que 7% dos adultos por lá morram envenenados por arsênico. O Brasil, porém, está livre do mal. “Não há registro de contaminação da água por arsênico no Brasil”, afirma um geólogo da Universidade de São Paulo (USP).
A água é contaminada ao atravessar rochas que contêm o elemento. O arsênico pode causar câncer de pele, diabetes, doenças vasculares, digestivas, hepáticas, nervosas e renais.

5396 – Medicina – Para que serve o coma induzido


Trata-se de um procedimento médico usado para recuperar o cérebro de um indivíduo que tenha sofrido derrame ou traumatismo craniano. Nesses casos, a lesão no tecido nervoso provoca um inchaço (o chamado edema), comprimindo os vasos sangüíneos. Com isso, o sangue pára de circular na região afetada, causando a morte dos neurônios. Se as células nervosas continuarem trabalhando em seu ritmo normal, a tendência é o edema aumentar cada vez mais, comprometendo outras áreas cerebrais – daí, a necessidade do coma induzido. O paciente recebe, por via intravenosa, medicamentos como barbitúricos, que diminuem a atividade celular em todo o corpo – especialmente no cérebro, deixando-o inconsciente –, enquanto as funções vitais são mantidas por aparelhos. “Com o metabolismo lento, os neurônios utilizam menos glicose, como se estivessem em repouso.
Assim, há melhores condições para o tecido cerebral se recuperar da agressão. Quando se obtém sucesso, o processo é revertido com a retirada lenta e progressiva dos medicamentos, até que o indivíduo volte à consciência.