5203 – Microbiologia – A Fermentação na Formação da Terra


Leeuwenhoer já tinha observado em 1680, na levedura, um microorganismo de alguns mícrons reproduzindo-se por gemas. Pasteur, em 1860 descobriu a vida sem ar e mostrou que os fermentos podem ser reproduzidos por via puramente química, graças aos sucos extraídos dos fungos. A fermentação, sendo considerada um fenômeno biológico, mostrou que a vida pode manifestar-se na ausência de organismos. Matérias protéicas dotadas de propriedades enzimáticas, despertam na presença de oxigênio. O fósforo teve papel decisivo, pois sendo elemento pentavalente mais leve, assegurou a formação dos ácidos nucléicos. Na teoria primitiva, a superfície das águas marinhas borbulhavam eliminando torrentes de gás carbônico biógeno. Toda a energia do ultravioleta solar ativo era transformada em energia química e depois em calor. De acordo com a concepção antiga, a vida nasceu num meio marinho a partir dos 4 elementos de Aristóteles: a água,o ar, o gás carbônico e nitrogênios, a Terra que seriam alguns minerais e o fogo (a luz solar).

5202 – Alpinista de Penas – O ganso indiano voa a 9 000 metros


O ganso indiano voa a 9 000 metros, a mesma altura dos jatos comerciais. É que ele passa o inverno no nordeste da Índia, ao nível do mar. Na primavera, migra para os lagos do Tibete, onde choca seus ovos. Só que no meio do caminho tem o Himalaia, a mais alta cadeia de montanhas do mundo – com altitudes de até 8 800 metros. Todo ano ele as atravessa. Outro recordista de vôo em altura é uma ave da mesma região, o abutre do Himalaia, que também passeia a 9 000 metros do chão. “Em 1973, um deles bateu num avião a 11 278 metros.
Para suportar a falta de oxigênio, aves de altitude – como o emberezídio-da-touca-negra, uma andorinha da América do Norte, e o condor dos Andes – têm metabolismo acelerado, que produz muita energia em pouco tempo. Outro truque é a respiração. “O aparelho respiratório permite que essas aves tenham ar nos pulmões o tempo todo”, diz Renato Gaban, ornitólogo da USP. Assim, aproveitam bem o ar rarefeito. Para elas, voar acima de 8 000 metros é bico. A menos que venha um avião em sentido contrário.
Aves migratórias precisam voar mais alto
Abutre do Himalaia – 11 200 m
Ganso indiano – 9 000 m
Emberezídio-da-touca-negra – 6 000 m
Condor dos Andes – 5 000 m

5201 – Qual foi o papa mais jovem?


O homem mais novo a receber o título de sumo pontífice da Igreja Católica foi também o que mais vezes ocupou o trono da Santa Sé: em três ocasiões o nobre romano Teofilato de Tusculana (1020-1056) foi empossado como Benedito IX. No início do primeiro mandato, em 1032, ele era uma criança de 12 anos. Só se tornou líder da igreja porque pertencia à importante família Tuscalana, de Roma – e era aparentado a dois papas anteriores, João XIX e Benedito VIII. “Naquela época os papas eram eleitos pela influência de nobres poderosos”, diz um historiador da USP.
Nas disputas políticas entre as famílias dentro do Vaticano havia até assassinatos.” Numa dessas disputas eclesiásticas, em 1044 Benedito IX foi afastado sob a acusação de ter um comportamento sexual pouco condizente com sua condição de homem santo.
No seu lugar assumiu Silvestre III, da família rival Crechentii. Mas Benedito excomungou o substituto e voltou ao Vaticano. Novamente no poder, vendeu o cargo de papa a um padrinho, que assumiu em 1045 como Gregório VI. O imperador Henrique III, do Sacro Império Romano Germânico, que reinava sobre a Itália e a Alemanha, destituiu Gregório e nomeou seu protegido Clemente III – que morreu misteriosamente oito meses depois. Benedito, então com 27 anos, aproveitou a chance e convenceu o Conselho dos Bispos e reelegê-lo para o terceiro mandato.
A confusão só acabou em 1049, quando Leão IX assumiu o papado e regularizou as eleições para o cargo restringindo a influência dos nobres.

5200 – Ecologia – Os Sapos e a Camada de Ozônio


Os biólogos, percebendo uma diminuição mundial no número de anfíbios – sapos, rãs e salamandras –, levantaram a hipótese de que a culpa poderia ser dos raios ultravioleta vindos do Sol. Normalmente eles são bloqueados pelo ozônio do ar, mas essa substância poderia estar ficando rarefeita, raciocinaram os cientistas. Então, a radiação ultravioleta teria efeito fatal sobre os girinos. Hoje está claro que essa não é a única causa do extermínio dos bichos saltadores. Mas a hipótese batraquicida chamou a atenção de outros pesquisadores para o problema do ozônio. Assim, em 1985, o problema dos sapos serviu para dar credibilidade ao primeiro estudo mostrando que de fato faltava ozônio na atmosfera, mais precisamente sobre a Antártida. A Nasa, então, resolveu checar, e confirmou o fato. O resto você sabe: ninguém mais compra um tubo de spray sem o selo que garante a ausência do gás CFC no produto. Atualmente, está em curso uma campanha internacional para esclarecer de vez o desaparecimento dos anfíbios. Eles estão mesmo sumindo. Acredita-se que uma centena de espécies, das quase 5 000 conhecidas, já deixaram de existir. Tentar brecar esse processo é o mínimo que a ciência pode fazer para agradecer aos nossos benfeitores feiosos.

5199 – Como se formam as Bolas de Fogo?


Elas são conhecidas desde a Idade Média, mas pouquíssimas pessoas tiveram a sorte – ou o azar – de ver uma. As bolas de fogo são esferas brilhantes que flutuam perto do chão, cercadas por um halo azul. Elas intrigam os cientistas. Pequenas, chegando às vezes ao tamanho de uma bola de futebol, criam um espetáculo arrepiante. Os cientistas custaram a encontrar uma explicação – que, afinal, parece ridiculamente simples. Trata-se apenas de areia incendiada por um raio, diz o neozelandês John Abrahamson, da Universidade de Canterbury. Ele afirma que o solo contém muito silício, que explode ao ser aquecido a mais de 3 000 graus Celsius pelo relâmpago. “Simulamos essa situação no laboratório, criando bolas flamejantes muito parecidas com as naturais”.

5198 – Religião – Os Essênios – Vozes que Clamam no Deserto


Um pesquisador descobriu o Evangelho Essênio da Paz. O livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal líder de uma seita judaica até então pouco comentada – os essênios.
O reverendo inglês Gideon Ouseley, em 1880 achou um manuscrito chamado O Evangelho dos Doze Santos em um monastério budista na Índia. O texto em aramaico – a língua que Jesus falava – teria sido levado para o Oriente por essênios refugiados. Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo. Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra vitoriana do século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado: os conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi destruído.
Teorias exóticas sobre Jesus é o que não falta. Em 1970, o pesquisador inglês John Allegro, que já havia estudado os essênios, tentou provar que Jesus nunca havia existido e que teria sido uma alucinação coletiva causada pela ingestão de cogumelos. Por motivos óbvios, essa teoria não foi muito bem aceita pelos seus colegas cientistas. Segundo eles, Allegro entendia mais de cogumelos do que de Cristo.
Para os historiadores, os essênios seriam até hoje uma nota de rodapé na História se, em 1947, dois pastores beduínos não tivessem por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas do século. Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto, em Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 a.C. e o ano 68 da nossa era guardavam as mais antigas cópias do Antigo Testamento, calendários e textos da Bíblia. Perto das cavernas, em Qumran, estavam as ruínas de um monastério essênio e um cemitério com cerca de 1 200 esqueletos, quase todos masculinos.
O surgimento da doutrina essênia aconteceu em tempos conturbados. Os judeus viveram sob dominação de diversos povos estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém foi devastada pelos babilônios, habitantes da atual região do Iraque. Por volta do século II a.C., o domínio era exercido pelos selêucidas, um povo grego que habitava a Síria. A cultura helenista proliferava e a tradição hebraica sofria fortes ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas acreditavam na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos para exterminar os infiéis e salvar os seguidores da Bíblia. A chegada do Salvador poderia se dar a qualquer instante.
Os mais ortodoxos seguiam tão à risca os preceitos religiosos e buscavam a ascese e a pureza com tal fervor que ficavam chocados com os hábitos mundanos dos gregos e a presença de leprosos, cegos, surdos e cachorros passeando pela cidade e pelos templos. Entre eles estavam os essênios. Um dia boa parte deles, liderados por um sacerdote, partiu para o Deserto da Judéia (atual Israel) para orar, meditar e estudar as leis sagradas. Longe, bem longe, de tudo o que eles consideravam impuro. Surgia assim o monastério de Qumran, uma das primeiras comunidades monásticas do Ocidente.
Os membros da seita acordavam antes do nascer do Sol. Permaneciam em silêncio e faziam suas preces até o momento em que um mestre dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão de cada um. Trabalhavam durante 5 horas em atividades como o cultivo de vegetais ou o estudo das Escrituras. Terminadas as tarefas, banhavam-se em água fria e vestiam túnicas brancas. Comiam uma refeição em absoluto silêncio, só quebrado pelas orações recitadas pelo sacerdote no início e no fim. Retiravam então a túnica branca, considerada sagrada, e retornavam ao trabalho até o pôr-do-sol. Tomavam outro banho e jantavam com a mesma cerimônia.
Diferentemente dos demais judeus, a comunidade usava um calendário solar de 364 dias, inspirado no egípcio. O primeiro dia do ano e de cada mês caía sempre em uma quarta-feira, porque, de acordo com o Gênesis, o Sol e a Lua foram criados no quarto dia. O calendário diferente trouxe vários problemas para os essênios. Outros judeus poderiam atacar o monastério no shabbath – o dia sagrado reservado ao descanso, no qual era proibido qualquer esforço, inclusive o de se defender.
Quanto a Jesus Cristo, apesar das descobertas e polêmicas levantadas por Ouseley e Szekely, não há nos manuscritos encontrados nas cavernas do Mar Morto uma única menção a ele. É por isso que a maioria dos pesquisadores duvida da teoria de que Jesus tenha se aproximado dos essênios. “Não existe nenhuma evidência concreta disso”, diz o historiador Nachman Falbel, da USP. Para o exegeta Valmor da Silva, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Jesus pode ter recebido influência das mais diversas correntes do judaísmo, inclusive deles. “Mas não dá para garantir que ele tenha freqüentado uma de suas comunidades.”

5197 – Religião – As Cirurgias Mediúnicas


Depois de um breve discurso e de uma prece, ele pega uma tesoura longa em uma bandeja que está nas mãos do assistente. Sem nenhum tipo de anestesia e muito pouco delicadamente, empurra o instrumento para dentro do nariz da mulher. Ela levanta o braço com medo. Ele a tranqüiliza. Ouvem-se estalos. A mulher murmura, mas parece não sentir dor. O sangue começa a escorrer do seu nariz. Em segundos, o médium balança a tesoura no ar. Na ponta, um pedaço de carne esponjosa. “Carrega!”, grita, e dois homens retiram a mulher do recinto.
A platéia assiste extasiada ao espetáculo que acontece toda semana no galpão da Casa de Dom Inácio, em Abadiânia, interior de Goiás. O médium João Teixeira atrai gente de muitos lugares.
O centro Dom Inácio é visitado por centenas de estrangeiros todos os anos.
Usar o bisturi não é, no entanto, o procedimento-padrão das cirurgias mediúnicas. Normalmente o médium pergunta ao paciente: “Com ou sem corte?” Cada um decide o que vai ser.
Não pense que essa escolha envolve uma minuciosa avaliação sobre a possibilidade de a cirurgia trazer complicações. Em lugares assim, a limpeza é inadequada e o risco de infecção é muito grande. No entanto, o desleixo com as bactérias aparentemente não traz tantos malefícios quanto poderia.
A ausência de dor também intriga a ciência. O interior de Goiás é apenas um dos muitos lugares em que essas práticas acontecem. Onde quer que haja notícia de curas milagrosas, forma-se uma enorme fila. E em cada um desses lugares há uma maneira diferente de praticar esse estranho casamento entre a medicina e a fé. A Fundação Espírita Caminho de Luz, em Campos Gerais, no sul de Minas, é uma entidade espiritualista. Eles acreditam em espíritos, mas não seguem dogmas de religiões como o kardecismo ou a umbanda.
O Instituto Espírita Cidadão do Mundo, na capital paulista, só faz passes. O espírito que segundo o Instituto cura as pessoas é o do alemão Hoffman Belgrand. (É curioso que os espíritos sejam na maioria de médicos alemães).
É claro que a eficiência dessas práticas é controversa. Além da auto-sugestão, muitos acreditam em hipnose. “Pessoalmente, acho que essa seja a hipótese mais provável. A religião e as preces induzem ao transe hipnótico”, diz Sérgio Henriques, psiquiatra do Centro de Estudos da Dor, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Sob o comando do médium, o doente se sente melhor porque a mente dele aceita a idéia de que a dor passou.”
Mas há casos sem explicação: No Instituto Espírita Cidadão do Mundo, uma menina de apenas 4 anos, vítima de leucemia, teve uma melhora repentina logo depois do primeiro passe. “A médica ficou impressionada. Minha filha vivia doente, com febre contínua e, muitas vezes, estava tão debilitada que nem podia receber a quimioterapia”, conta a mãe, Rosa Pereira dos Santos. “A febre cedeu depois do primeiro passe e há um ano ela não deixa de fazer a quimioterapia na data marcada.” Uma criança dessa idade dificilmente ficaria auto-sugestionada por um passe.
Do médium para o médico
Mesmo sem sofrer uma incisão, alguns pacientes de tratamentos mediúnicos relatam ter sentido como se ela estivesse acontecendo. Em 1987, a jogadora de basquete Paula, a Magic Paula, recorreu a uma cirurgia espiritual sem corte para tratar um problema no joelho. Procurou o médium Waldemar Coelho, em Leme, interior de São Paulo. “Sentia como se abrissem minha pele e mexessem lá dentro. Só que não doía”, afirma. Dois anos depois, Paula teve problemas no outro joelho. Dessa feita os espíritos não conseguiram resolver e ela acabou no centro cirúrgico de um hospital.
A jogadora Virna, da Seleção Brasileira de Vôlei, também foi paciente de Coelho. “Em 1993, depois de um jogo em Cuzco, no Peru, minha mão direita começou a doer. A artéria que irriga a mão estava obstruída”, diz. De acordo com a jogadora, os médicos que a examinaram receitaram cirurgia. Apesar de ser católica, Virna resolveu seguir a indicação de colegas de equipe e procurou o médium. “Sabia que era uma operação sem corte, mas senti a pele abrir, o sangue escorrer. Senti até ele dar os pontos e não doeu nada”, diz. Sua mão ficou boa.
Dr Fritz, Alemão bom de faca
José Pedro de Freitas, ou Zé Arigó, foi um dos primeiros cirugiões-médiuns brasileiros famosos. Seus instrumentos eram facas, canivetes e serrotes, às vezes enferrujados. Suas curas eram atribuídas ao “Doutor Fritz”, o espírito de um médico alemão morto durante a Primeira Guerra. Arigó morreu em 1971, em um violento acidente de carro na Rodovia Fernão Dias. Durante trinta anos de operações, calcula-se que tenha atendido nada menos do que 2 milhões de pessoas.
Mesmo depois da morte de Arigó, o Doutor Fritz continuou operando. O ginecologista pernambucano Edson Queiroz, que passou a receber o espírito da entidade em 1981, como Arigó, sofreu diversos processos, chegando a perder o direito de exercer a profissão. Em 1991, morreu assassinado a facadas.
Rubens de Faria Júnior foi o último médium a atrair multidões com o nome de Doutor Fritz. Hoje, esse carioca de 43 anos não opera mais e também responde a vários processos. “Gasto os meus dias conversando com advogados”, conta. Rubens vive em um condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, no Rio. Afirma sobreviver da ajuda de amigos e da remuneração por palestras e cursos que ministra em institutos internacionais de pesquisa sobre fenômenos paranormais. “Foram tantos os problemas que cheguei a pensar em me matar. Hoje só quero provar minha inocência”.
“Um sinal da seriedade de um Centro é não cobrar pelo tratamento”
“Os cortes ajudam as pessoas a acreditar que são curadas”

5196 – Nasa exibe foto noturna da Europa Ocidental tirada da ISS


Europa vista da ISS

O site da Nasa (agência espacial americana) traz nesta segunda-feira (30) a imagem da Europa Ocidental tirada no último dia 22.
As luzes que aparecem na parte central são da iluminação urbana na Bélgica e na Holanda.
O módulo na cor azul que aparece à esquerda é parte da ISS (Estação Espacial Internacional), de onde os astronautas tiraram a foto, e à direita fica o braço mecânico Canadarm2.
Órbita Corrigida
Para evitar o lixo espacial. A ISS (Estação Espacial Internacional) elevou sua órbita em 1,7 km nesta segunda-feira para evitar a colisão com um fragmento do satélite meteorológico chinês Fengyun-1C, informou o CCVE (Centro de Controle de Voos Espaciais).
Um porta-voz do centro russo, citado pela agência de notícias Interfax, disse que a manobra foi feita por motores de correção do módulo de serviço Zvezda.
A altura média da órbita da estação é de 391,6 km, acrescentou a fonte.
Os propulsores funcionaram em modo automático durante 64 segundos e aumentaram a velocidade da estação em um metro por segundo.
Após a correção de hoje, o CCVE decidiu cancelar a elevação que estava prevista para 2 de fevereiro.
A tripulação atual da ISS é composta por seis astronautas: os russos Oleg Kononenko, Antonb Shkaplerov e Anatoli Ivanishin; os americanos Donald Pettit e Daniel Burbank, e o holandês André Kuipers, da Esa (Agência Espacial Europeia).

5195 – Como surgiu o café solúvel?


A versão instantânea da nossa bebida nacional foi criada na Suíça em 1937. Mas a idéia partiu dos brasileiros. Na década de 20 o Brasil produzia café em excesso. Preocupados com as quedas do preço do grão no mercado internacional, alguns produtores e um representante do Departamento Nacional do Café foram bater na porta do presidente da Nestlé, Louis Dapples, em Vevey, na Suíça. Sugeriam que a empresa fizesse pesquisas sobre a fabricação de cubos de café que permitissem sua conservação e durabilidade, mantendo, ao mesmo tempo, o sabor da bebida. Dapples anteviu lucros gordos e encomendou a tarefa ao químico Max Morgenthaler. Em 1937, o laboratório de Morgenthaler apresentou um pó de café solúvel na água que conservava o aroma graças à adição de hidratos de carbono. Na Europa foi um estouro. Mas, como a lei brasileira não permitia nenhum aditivo no café, a sua versão solúvel – ironicamente – acabou não sendo lançado por aqui até 1953, quando os suíços, afinal, conseguiram produzir o instantâneo com café puro, sem aditivos e sem perda de sabor.
Extrato evaporado vira café solúvel.
O café torrado é misturado à água a 180 graus Celsius e filtrado numa espécie de cafeteira gigante, onde cabem 800 quilos de pó.
O resultado é um líquido grosso, com 10% de café. Esse extrato é aquecido até evaporar, aumentando a concentração de café para 40%.
A tintura hiperconcentrada vai então para um atomizador, um spray de 30 metros de altura que pulveriza o café. Quando ele cai no fundo, está seco.
Na base, se acumula um pó solúvel. Ele recebe vapor d’água e se aglomera, formando os grãos que você compra no mercado.

5194 – Qual é a diferença entre presunto, apresuntado, mortadela, salame e copa?


É um pouco nojento, mas não tem mistério. A diferença entre os vários preparados de carne de porco depende basicamente das partes do bicho que são usadas e da quantidade de gordura de cada um. O delicioso presunto é feito só com o pernil, uma parte nobre e pouco gordurosa do porco. O apresuntado tem mais gordura e até 2% de amido para dar volume. Daí ser mais barato. A mortadela é outro departamento. “Trata-se de uma maçaroca de carnes de boi e porco moídas misturadas com gordura, água e alho”, explica Tarcísio Moura, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Perdigão, em Santa Catarina. O salame também é uma mistureba de carne de porco e toucinho. Só que mumificada. Isso mesmo. Depois de enfiado numa tripa, ele é guardado 35 dias numa estufa até perder quase toda a água. Desidratado, demora para estragar. Para finalizar o cardápio, há a copa, feita com fatias de um músculo do pescoço do porco. Também é mumificada, mas leva quase o dobro do tempo para ficar pronta.

5193 – Qual é o combustível do Sol?


O Sol é movido a hidrogênio, que se funde no calor do seu núcleo numa reação parecida com um reator atômico. Ele transforma hidrogênio em hélio (veja o infográfico). “A estrela produz 40 trilhões de megatons de energia por segundo”, diz o astrônomo Augusto Damineli, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. Tudo isso é emitido em raios gama, uma radiação invisível e quentíssima. Esses raios queimariam o sistema solar, mas, ao atravessar as várias camadas do astro, são convertidos em raios de luz, mais suportáveis. Assim, a temperatura de 10 milhões de graus Celsius da radiação do núcleo é reduzida a 6 000 graus Celsius. Há 4,6 bilhões de anos, ao nascer, o Sol tinha hidrogênio suficiente para queimar durante 10 bilhões de anos. Hoje, a metade desse estoque já se acabou. Quando não restar nada, daqui a 5 bilhões de anos, ele vai queimar o hélio que gerou. Isso durará mais 1 bilhão de anos e será um inferno, pois a queima do hélio gera mais energia e calor que a do hidrogênio. Mas tudo bem. O mundo já vai estar torrado mesmo.
Como o Sol converte hidrogênio em hélio.
Cada átomo de hidrogênio do Sol possui um próton e um elétron em órbita.
No núcleo do astro, o calor e a gravidade são tão grandes que os átomos se fundem, gerando imensa energia.
Depois da fusão, dois prótons viram nêutrons e dois elétrons somem. Surge assim o hélio.

5192 – De volta ao tempo dos faraós?


Se a moda pega, os mortos, daqui para a frente, vão se transformar em múmias em vez de ser sepultados ou cremados.
A invenção é dos seguidores da seita religiosa Summum, sediada em Salt Lake, Estados Unidos. Por enquanto, apenas animais domésticos passaram para a eternidade embrulhados à maneira dos egípcios. Mas 137 pessoas já pagaram adiantado pelo serviço, que custa cerca de 110 000 reais per capita. Quando morrerem, elas deverão ser as primeiras múmias modernas. “Nenhuma outra organização faz mumificação atualmente, somente a nossa”, declarou à agência de notícias ABCNews o líder supremo da Summum, Corky Ra. Ele diz que o processo atual conserva muito bem os corpos, que são cobertos por camadas finas de poliuretano, fibra de vidro e resina vegetal, além das tiras de gaze tradicionais.
Se os mortos passarem a ser mumificados, daqui para a frente, ficarão muito mais bem preservados do que o corpo deste faraó, que se acredita ser Ramsés I.
Mito
O físico italiano Galileu Galilei (1560-1640) não realizou as experiências que o levaram a criar a lei da inércia, aquela que diz que, se um corpo no vácuo não for perturbado, ficará parado ou manterá sempre a mesma velocidade.
Fato
Galileu fez, sim, as experiências mas obteve dados imprecisos. Delas não poderia ter deduzido a lei da inércia. Assim, apoiou-se muito mais na intuição do que na lógica científica. E deu certo.

5191 – Baratas e seus reflexos ultra-rápidos


O chinelo balança e desloca um pouquinho de ar. A brisa mínima viaja até o canto da cozinha e empurra sutilmente dois pelinhos que o inseto tem no traseiro, chamados cercis.
O balanço dos cercis é transformado em um sinal nervoso e a informação chega em centésimos de segundo ao gânglio, uma espécie de cérebro que fica nas costas. Volta outro impulso, a jato, direto para as seis patas fininhas e cheias de espinhos, que começam a correr. Não passou nem meio segundo e a cascuda já sabe o tamanho do inimigo, sua velocidade e sua localização exatas. Em um instante, esquece o petisco, olha para o predador frustrado – o instinto informa a ela que você, quem diria, estava para comê-la – e vai procurar um esconderijo. Seu esqueleto é flexível como plástico e se entorta todo para que ela entre pela fenda no azulejo.
A capacidade de a barata “ler” o vento usando um tipo de biruta no traseiro é o tema de um artigo que saiu em maio na prestigiosa revista inglesa Nature. Dois biólogos do instituto de pesquisas da empresa de informática NEC mediram os impulsos elétricos que circulam pela barata e descobriram que os pelinhos são capazes de perceber movimentos sutis do ar e de dar ao bicho informações detalhadas sobre a ameaça que se aproxima. “Isso explica os reflexos ultra-rápidos”, diz o americano Hanan Davidowitz, um dos biólogos da NEC, cujo trabalho consiste em entender melhor o sistema nervoso de insetos para futuras aplicações em robôs.
Mas o sofisticado sensor de vento é só uma das armas desse tanque de guerra. Vamos atrás dela, na fenda do azulejo, para conhecer um pouco mais do seu superorganismo. Silêncio agora. Os ouvidos do monstrinho são absurdamente apurados, tão sensíveis que detectam até os passos de outra barata. Não dá para enxergar nada aqui dentro, não é? Pois cuidado: a barata está vendo você. É que nossos olhos têm apenas uma lente – o cristalino –, enquanto os dela possuem 2 000. “Elas enxergam mesmo quando quase não há luz”, diz um entomologista do Instituto Biológico de São Paulo.

5190 – Biologia – Síntese Pirogênica da Matéria Orgânica


É também uma outra linha de raciocínio. Compostos carbonizados por irradiações solares, contribuíram ou teriam contribuído para a formação dos locais sombrios das regiões periodicamente úmidas do planeta.Também se conhece uma classe de meteoritos chamados cabonatos que contém matéria orgânica. São raros, pois foram relatadas apenas 8 quedas. O meteorito “orgultto”, cuja queda se registrou em 14 de maio de 1864, trouxe grande interesse dos pesquisadores. Os radicais CH e CN são observados nos espectros dos cometas, nas manchas solares e na matéria inter-estelar. Essa rápida dissertação não soluciona, porém, todas as lacunas da teoria nem de longe.

A Origem da atividade Ótica

Pasteur mostrou como a vida é a consequência da assimetria molecular e apontou vários agentes físicos assimétricos suscetíveis a realizar tal síntese. A aparição fotoquímica da 1ª molécula assimétrica seria o passe mágico que organizaria a matéria inverte, dando-lhe 1 metabolismo de oxidoredução,permitindo-lhe a fermentação. Lehmann,em 1889, descobriu os corpos mesomorfos que impropriamente os chamou de cristais líquidos. Friedel mostrou não se tratar de cristais, mas que a matéria pode se apresentar em 3 estados: amorfo, mesomorfo e cristalino.