4946 – Mega Memória Teledramaturgia – O Primeiro Amor


Foi uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida de 24 de janeiro a 17 de outubro de 1972 às 19h. Escrita por Walter Negrão e dirigida por Walter Campos e Régis Cardoso, e contou com 227 capítulos. Foi produzida em preto-e-branco.
O professor Luciano enfrenta problemas para ser feliz ao lado de Paula, por quem é apaixonado, ocasionados por sua filha Babi, resistente ao romance, e por Maria do Carmo, seu primeiro amor.
– O professor Luciano Lima (Sérgio Cardoso, depois substituído por Leonardo Villar) chega à cidade fictícia de Nova Esperança para assumir a direção de um colégio. Viúvo, ele contrata uma governanta para tomar conta de seus quatro filhos: Júnior (Herivelto Martins Jr.), Babi (Suzana Gonçalves), Zizi (Rosana Garcia) e Rui (Marco Nanini). O professor e a governanta Paula (Rosamaria Murtinho) se apaixonam, mas o romance encontra forte resistência dos filhos, especialmente de Babi, a mais rebelde dos quatro.
– Luciano também encontra dificuldades no colégio. Sua antiga namorada, a professora de inglês Maria do Carmo (Tônia Carrero) faz o que pode para lhe roubar o cargo de diretor, e uma turma de alunos desajustados e rebeldes liderada pelo motoqueiro Rafa (Marcos Paulo) tumultua o ambiente escolar e incomoda os outros estudantes. Nesse cenário, surge Giovana (Aracy Balabanian), uma jovem psicóloga contratada por Luciano para ajudá-lo a lidar com os alunos rebeldes e que acaba por formar um triângulo amoroso com o professor e Paula.
– Na oficina de bicicletas de Nova Esperança trabalham Shazan (Paulo José) – um dos filhos de seu Quinzinho (Sadi Cabral) e dona Júlia (Elza Gomes) – e Xerife (Flávio Migliaccio), seu melhor amigo. Engraçados e trapalhões, os dois criam invenções malucas como a “camicleta”, uma geringonça construída para ser o improvável cruzamento de um caminhão e uma bicicleta. É na camicleta que a dupla deixa Nova Esperança no final da novela, iniciando uma jornada em busca da peça mágica que lhes permitirá realizar o sonho de construir uma bicicleta voadora. Esses personagens coadjuvantes fizeram tanto sucesso que no final da novela, a Globo criou uma série só deles intitulada “Shazan, Xerife & Cia”.
O elenco de O Primeiro Amor sofreu um duro golpe quando, no dia 18 de agosto de 1972, a apenas 28 capítulos do final da novela, Sérgio Cardoso faleceu vítima de um ataque cardíaco. A morte do ator gerou comoção nacional. Para substituí-lo, foi convocado o seu grande amigo Leonardo Villar. Sua primeira cena foi ao ar no capítulo 200, com uma singela homenagem a Sérgio Cardoso. A imagem no vídeo foi congelada após o ator deixar um aposento. Reunido com o resto do elenco no palco do Teatro Fênix, o ator Paulo José leu, então, um texto anunciando a mudança e relembrando a trajetória de Sérgio Cardoso no teatro e na televisão e explicando que, a partir daquele momento, Leonardo Villar, amigo pessoal de Sérgio Cardoso, dos tempos do Teatro Brasileiro de Comédia, passava a substituir o colega, como forma de homenageá-lo. Em seguida, a cena prosseguiu e, quando a porta se abriu novamente, Leonardo Villar entrou em cena, já como o professor Luciano.
– Shazan e Xerife, uma dupla de “superanti-heróis”, como eram descritos nas chamadas da novela, davam o tom cômico e juvenil do Parque de Diversões de O Primeiro Amor. Já a gangue de motociclistas comandada por Rafa foi criada, ainda segundo Walther Negrão, para atrair o público masculino entre 15 e 25 anos, o qual Homero Icaza Sanchez apontava como uma parcela do público a ser conquistada.
– De acordo com Walther Negrão, as ameaçadoras motocicletas que os rebeldes da gangue de Rafa pilotavam serviam como contraponto às bicicletas que apareciam na abertura da novela e na oficina de Shazan e Xerife. Estas representavam uma tentativa de conferir à trama um tom nostálgico e lúdico. As bicicletas voltaram a fazer sucesso e se tornaram mania entre o público, a ponto de uma fábrica lançar um modelo novo, que foi popularizado pela novela, dando início ao merchandising na teledramaturgia da TV Globo.
Além de excelente química diante das câmeras, Paulo José e Flávio Migliaccio reuniam outras qualidades que se complementavam e que ajudaram a definir o estilo de interpretação e a apresentação visual de Shazan e Xerife. Ambos exerciam outras atividades no teatro (Paulo dirigia e Flávio escrevia), o que facilitava o trabalho de direção. Eram também ótimos desenhistas (Flávio Migliaccio chegou a ser premiado como cartunista) e criaram seus próprios figurinos. O macacão tipo jardineira, usado por Shazan, tornou-se moda nas ruas.
– O nome “Shazan” é uma referência ao Capitão Marvel, super-herói das histórias em quadrinhos. Quando o jovem Billy Batson gritava a palavra mágica “shazam” ganhava a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Na novela, entretanto, a grafia do nome era diferente: “shazan”. Já o nome “Xerife” foi tirado do apelido de infância de um primo do autor Walther Negrão.
– Shazan e Xerife fizeram tanto sucesso em O Primeiro Amor que, encerrada a novela, voltaram como estrelas do seriado Shazan, Xerife & Cia (1972). Segundo Paulo José, a idéia do seriado já existia desde o início, e a novela fora considerada o veículo ideal para se testar a popularidade dos personagens. O seriado, exibido com grande sucesso durante dois anos, apresentava as aventuras da dupla e sua saga para construir a bicicleta voadora.
Elenco

Sérgio Cardoso …. professor Luciano
Leonardo Villar …. professor Luciano (substituindo Sérgio Cardoso após a morte deste)
Rosamaria Murtinho …. Paula
Tônia Carrero …. Maria do Carmo
Paulo José …. Shazan
Flávio Migliaccio …. Xerife
Renata Sorrah …. Mariana
Roberto Pirillo …. Hélio
Suzana Gonçalves …. Babi
Marcos Paulo …. Rafael
Aracy Balabanian …. Giovana
Murilo Nery …. Vicente
Nívea Maria …. Helena
Marco Nanini …. Rui
Célia Biar …. Olga
Sadi Cabral …. Quim
Elza Gomes …. Júlia
Djenane Machado …. Glorinha
Ênio Carvalho …. Léo
Jardel Mello …. Dr. Mateus
Rosana Garcia …. Zizi
Ângelo Antônio …. Moby Dick
Herivelto Martins Filho …. Júnior

4945 – Mega Memória Marketing – Comerciais Antigos


Quando um jungle perpetua uma idéia:

Na década de 70 a Vimave, concessionária de veículos VW do Grupo Sílvio Santos, produziu um comercial interessante, no qual um cara empurrava um fusquinha muito velho, e todos que passavam por ele falavam “pois é”! Depois disso, “pois é” virou sinônimo de carro velho. Esse comercial ficou imortalizado na voz do comentarista Ary Toledo, e muitas pessoas repetiram essa expressão por centenas ou milhares de vezes.
– Esta pescaria vai ficar na história, dizia um dos personagens
– Pois é, dizia Ary Toledo…
– Pois é, pois é… só sabe dizer pois é!!!!
Assista trechos de alguns comerciais antigos, o da Vimave, não conseguimos…

4944 – Curiosidades – Maquina do Orgasmo


Um cirurgião americano especialista em controle da dor instalou eletrodos na coluna de uma paciente, bem onde começam as nádegas. Pelo raio-X, percebeu que o aparelho estava um pouco fora do lugar. Com os dedos, aplicou uma pressão delicada para ajeitar o eletrodo. A paciente respondeu com gemidos. Ele descobrira acidentalmente a máquina de orgasmos. Basta aplicar um estímulo diretamente na espinha, sem a participação dos órgãos genitais.
Se a moda pega…

4943 – Sexologia – Comportamento sexual do homem


Nós somos uma espécie que faz sexo por puro prazer, em geral sem se importar com a geração de filhos – aliás, até evitando que isso aconteça. Outra esquisitice é que a espécie humana está sempre pronta para o sexo. Em vez de esperar que a fêmea entre no cio, como é a norma na natureza, o homem pode se acasalar em qualquer época do ano.
Os cientistas ainda quebram a cabeça para descobrir o porquê desse comportamento sexual tão bizarro. A culpa, suspeitam, é das mulheres. Nas fêmeas dos outros mamíferos, o cio é facilmente identificável pelos machos. Nas humanas, não. O homem, se quiser mesmo produzir descendentes, terá de manter relações com a mesma mulher durante a maior parte do ciclo menstrual.
Nossas ancestrais desenvolveram essa estratégia há 9 milhões de anos, a fim de evitar que os machos sumissem depois de fecundá-las. É uma troca. A fêmea satisfaz o apetite sexual do macho ao ficar disponível a qualquer hora. Este, em contrapartida, protege sua companheira e os filhos, em vez de abandoná-los. Sua recompensa, além do sexo garantido, é a certeza de que as crias são efetivamente suas. Entre os gorilas, com os quais isso não acontece, é comum o macho matar os filhotes por achar que o pai verdadeiro é outro. Pela teoria de Alexander e Noonan, a monogamia, e não a promiscuidade, é o estado natural da espécie humana.
Você Sabia Que …
O estupro não é exclusividade humana. Biólogos registraram a cópula forçada em orangotangos, chimpanzés e patos.
Pelo menos 450 espécies animais, desde o marreco até o rei leão, praticam algum tipo de homossexualismo, seja criando os filhos em casais do mesmo sexo, seja trocando carícias eróticas e montando uns nos outros. É o que afirma o biólogo americano Bruce Bagemihl em Biological Exuberance –Animal Homosexuality and Natural Diversity, (Exuberância Biológica – Homossexualismo Animal e Diversidade Natural), um livro polêmico lançado nos Estados Unidos. Bagemihl usa esse dado surpreendente como um argumento para demonstrar que o sexo, na natureza, não serve só para reprodução. Para ele, o prazer talvez seja tão importante entxre os animais quanto é para o homem, ao contrário do que a ciência supunha. A hipótese, se confirmada, será uma revolução na Biologia.
A voz feminina é mais doce e aguda, como a das crianças, para evitar que os homens se sintam ameaçados.
O que torna os seios e as nádegas da mulher atraentes é o seu papel na gestação e na lactação. As nádegas grandes indicam uma boa dilatação para o parto; os seios, uma reserva de leite para o bebê. Nos primeiros hominídeos, eram sinal de saúde reprodutiva.
O pênis dos homens é mais largo e comprido do que o dos gorilas, apesar de o homem adulto pesar três vezes menos que o seu primo selvagem. A largura do órgão sexual, segundo os antropólogos, evoluiu devido à preferência das mulheres.
A vagina da mulher é voltada para baixo, enquanto a das fêmeas de outros primatas é inclinada para trás. A posição, nos humanos, deve ter evoluído porque facilita o orgasmo feminino e ajuda a reter o esperma.

4942 – Ciclismo – A eficiência das bikes


Um detector ultra-sensível de calor ajudou o time do engenheiro James Spicer, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, a avaliar a eficiência com que as bicicletas transformam pedaladas em movimento. O aparelho “fotografou” o aquecimento da catraca, aquela roda dentada junto aos pedais, devido ao seu atrito com os dentes da corrente. A temperatura revelou a energia desperdiçada na fricção. A conclusão é que apenas 1,4% da força feita pelo ciclista não era aproveitada para empurrar a bicicleta. Em outras palavras, a cada 100 voltas do pedal, menos de duas deixam de girar as rodas. Os cientistas esperam melhorar a eficiência das bicicletas e de outros aparelhos que usam correntes. Uma idéia é que catracas maiores perdem menos energia na forma de calor. Isso é novidade. Não se trata só de aumentar a catraca para mudar a velocidade da bicicleta.

4941 – Vem aí o fim do mundo, mas não será neste ano


Sol: Supergigante vermelha daqui ha poucos bilhões de anos

Resigne-se: o mundo vai mesmo acabar. Isso só não deve ser em 2012, como muita gente anda dizendo por aí.
Daqui a 1 bilhão de anos, nosso planeta estará fadado à morte certa, com um futuro de temperaturas escaldantes insustentáveis para a manutenção da vida. O culpado? O Sol, a caminho de uma espécie de velhice estelar.
“Faz parte da evolução das estrelas do tipo do Sol. Quando o hidrogênio de seu núcleo vai acabando, a consequência é a estrela aumentar. Isso interfere em seu brilho e na energia que chega à Terra”.
Embora a presença de vida (ao menos por enquanto) seja exclusividade do Sistema Solar, nossa estrela é de um tipo bastante comum Universo afora.
As estrelas são amontoados de gás incandescente, sobretudo hidrogênio. No núcleo, os átomos se chocam em um ambiente de altíssima pressão, desencadeando a chamada fusão nuclear. Esse processo gera muita energia e permite que a estrela tenha um tamanho estável.
O problema é que esse combustível não dura para sempre e, à medida que ele vai acabando, outro elemento, o hélio (resultado da fusão do hidrogênio) começa ele mesmo a ser fundido.
Essa substituição faz com que as camadas externas da estrela se expandam. É como se o calor se espalhasse pela extensão da estrela, que fica mais fria e, portanto, mais avermelhada. É esse futuro como gigante vermelha que espera o Sol daqui a pelo menos 5 bilhões de anos.
Seu tamanho deverá aumentar em torno de 200 vezes, o suficiente para “engolir” Mercúrio, Vênus e, muito provavelmente, a Terra.
As condições de vida por aqui, porém, irão se deteriorar bem antes disso.
“Daqui a 1 bilhão de anos, com o aumento do brilho do Sol, os oceanos já terão evaporado. Até as rochas derreterão. A vida já terá acabado”, diz Carolina Chavero, do Observatório Nacional, no Rio.
Tudo isso ainda levará muito tempo para acontecer, mas já existem cientistas propondo alternativas à aniquilação da humanidade. Uma delas seria a migração.
“A zona habitável [região em que há água no estado líquido] do Sistema Solar também mudará. Regiões antes muito frias vão esquentar”, diz Gustavo Rojas. Uma boa primeira parada seria Marte.
O “descanso”, porém, seria temporário. O Sol logo começaria a fritar também a superfície marciana.
Em mais alguns bilhões de anos, o chamado cinturão de Kuiper, onde fica Plutão, é que terá condições ideais.
Soluções mais malucas, como um guarda-sol para barrar parte da luz estelar, e até um complexo sistema que usaria a força gravitacional de cometas para “empurrar” a Terra para outra órbita, também já foram pensadas.

4940 – Sistema Imunológico


É um batalhão de células especializadas do sangue, os glóbulos brancos, que se mobiliza ao menor sinal de invasão. Esse exército forma o sistema imunológico, a linha de defesa do organismo. Não fosse ele, qualquer resfriado seria uma infecção mortal.
Uma vez dentro do corpo, os vilões caem na corrente sanguínea e são identificados pelos glóbulos brancos. O reconhecimento é fácil: as proteínas da superfície do vírus, chamadas antígenos, não são produzidas pelo organismo e, portanto, se autodenunciam. Encontrado o oponente, as células do sistema imunológico iniciam uma reação em massa, usando armas feitas sob medida, os anticorpos.
Nem sempre o corpo ganha a parada fácil. Alguns vírus são agressivos demais e é preciso treinar os glóbulos brancos antes da guerra. Aí é que entram as vacinas. “Você faz o organismo entrar em contato com um micróbio enfraquecido ou morto, incapaz de provocar a doença”, explica a imunologista Lily Weckx, da Unifesp. “Isso basta para deixar a defesa pronta para agir no caso de um ataque real.” Ao encontrar o vilão de mentirinha circulando pelo sangue, as células produzem anticorpos para atacá-lo. Ao mesmo tempo, a ficha policial do antígeno é arquivada na memória celular. Se o vírus aparecer de novo, o sistema imunológico já estará armado até os dentes para dar cabo dele.
Nem sempre é seguro pôr vírus inteiros numa vacina. Alguns são tão perigosos que os cientistas preferem usar só um de seus genes – aquele que fabrica o antígeno, proteína que é reconhecida pelas células de defesa. Uma dessas vacinas high-tech é a anti-hepatite B. Um gene do vírus é emendado ao DNA de um fungo inofensivo, que passa, então, a produzir o antígeno e é injetado no corpo. Aos olhos dos soldados do sangue, ele é igualzinho ao vírus.
A maioria das infecções provoca a liberação de substâncias como a interleucina-1, que agem no cérebro aumentando a temperatura do corpo. É a febre. Apesar do desconforto que causa, ela ajuda o sistema imunológico: os glóbulos brancos adoram lutar no calor.
O grandalhão macrófago chega primeiro ao local da invasão. Ele engole os vírus que estiverem soltos entre as células e produz substâncias chamadas citocinas, que servem como um alarme químico para convocar as outras células de defesa para a batalha.
O linfócito T auxiliar atende ao chamado do macrófago e faz uma ficha policial do adversário. Esse arquivo químico contém informações preciosas sobre a composição dos antígenos, proteínas da superfície dos vírus.
O serviço de espionagem passa os dados coletados para o linfócito B, que se encarrega de produzir e disparar anticorpos contra os invasores. São moléculas que se encaixam nos antígenos como uma chave numa fechadura. Assim, eles não podem mais grudar nas células.
Por fim, a célula T citotóxica trata de destruir células infectadas, para evitar que os vírus se multipliquem. Sua arma é um veneno que destrói a célula e tudo o que estiver dentro dela. Muitos medicamentos antivirais funcionam imitando a ação dessa matadora profissional.
Os glóbulos brancos não querem nem saber se o inimigo está usando balas de festim. Como eles só detectam uma proteína do invasor, o antígeno, o linfócito B arma seus anticorpos do mesmo jeito.
As informações sobre aquele antígeno ficam guardadas no linfócito T de memória. Se houver nova invasão do mesmo agente, ele vai estar com a receita dos anticorpos na ponta da língua, agilizando a resposta da artilharia.

4939 – Vírus, um aproveitador sem escrúpulos


É só porque não dá conta de se reproduzir sozinho que o vírus parasita outros organismos. Às vezes invade uma alga unicelular ou um fungo. Até aí, tudo bem. O problema é quando células humanas são escolhidas para o papel de chocadeiras. Aí, você fica doente. Infecção é o nome que se dá ao ataque. Exigentes, eles costumam dar preferência a um órgão específico. Uns, como o da hepatite, preferem o fígado. Outros, como o do resfriado, adoram um nariz ou uma traquéia. O que define o alvo são algumas substâncias que ficam na superfície do micróbio e só se ligam a determinados tipos de célula. Aberta a porta, o safado injeta seu material genético na hospedeira (veja o infográfico abaixo), que passará a produzir milhões de clones dele. Até explodir – ou morrer de cansaço.
Se uma vítima ficou desmilingüida e morreu, o parasita, que não tem senso de preservação ecológica, pula para outra. Assim, não só destrói a saúde do dono das células invadidas, como salta para outros indivíduos, causando as epidemias. Quando o hospedeiro consegue combatê-lo, ele também não se abate. Disfarça-se, mudando um pouco as proteínas de sua superfície, e pode até atacar outros bichos. Se não há ninguém para infectar, junta a sua turma e pode passar até quarenta anos esperando, na forma de um cristal protéico, até que alguém – como você – passe, imprudentemente, no seu caminho.
Nem todo vírus mata a célula. Alguns, como o HTLV, fazem com que ela se multiplique desordenadamente, provocando o câncer.
Arrombada a porta, o assaltante libera seu material genético no citoplasma, o líquido celular. O RNA, então, revira toda a célula à procura do núcleo.
Dentro do núcleo, o RNA se incorpora ao material genético da própria célula. Lá, dá ordens às enzimas da vítima para fazer cópias de si mesmo.
Depois, ordena a produção de RNA mensageiro, uma molécula especialmente desenhada para levar as informações genéticas do parasita para os ribossomos, as fábricas de proteínas da seqüestrada.
No ribossomo, a fita de RNA mensageiro é traduzida em forma de proteínas do vírus. Essas proteínas se juntam ao material genético já copiado para formar um novo vilão.
O malandro recém-nascido escapa e ainda leva junto um pedaço da membrana celular, que vai formar o seu envelope, uma cápsula gordurosa que protege ainda mais seus genes. Então, procura mais células para invadir.

4938 – Reino dos pequenos predadores


Ele é minúsculo. Só pode ser visto com o auxílio de microscópios potentes. Um dos organismos mais simples que existem, não passa de um pedaço de DNA coberto por uma casca de proteína. Ainda assim, pode matar um homem adulto em menos de dez dias.
Descoberto em 1976, o ebola, um vírus, palavra que vem do latim e significa veneno. Nada mais apropriado: apesar da estrutura despojada, os vírus são perigosos predadores da espécie humana. Milhões de pessoas sucumbem todo ano às doenças que os bandidos provocam: dengue, hepatite, sífilis, sarampo e até alguns tipos de câncer. A pior epidemia deste século, a gripe espanhola, que causou 20 milhões de mortes em 1918, foi obra de um deles – o influenza. Mais recentemente, a Aids, desencadeada pela infecção do HIV, fez outro estrago. Nos últimos vinte anos, dizimou 14 milhões.
Os primeiros integrantes da gangue surgiram há cerca de 3 bilhões de anos, junto com as primeiras células vivas. Assistiram ao nascimento das plantas, dos insetos e dos dinossauros. Sobreviveram a cataclismos e a extinções em massa. E, ao que tudo indica, sobreviverão também a nós, os únicos animais que inventaram maneiras de combatê-los.
O segredo do seu sucesso está num detalhe crucial: eles não comem nem respiram. Portanto, não gastam energia. Sua única compulsão é fazer cópias de si mesmos. Para isso parasitam células – seja de uma bactéria ou do seu fígado. Quando a hospedeira morre, eles já partiram para outra. Assim tem sido por milênios. Minúsculos, sim. Mas de frágeis eles não têm nada.
O soldado da vacina
Se ódio alheio matasse, o sanitarista Oswaldo Gonçalves Cruz (1872-1917) não teria morrido aos 44 anos, de um problema renal, mas bem antes. Entre 1903 e 1907, Cruz foi o homem mais detestado do Brasil. Tudo por suas boas intenções. Em 1903, quando ocupava cargo equivalente ao de ministro da Saúde, tentou livrar o Rio de Janeiro da febre amarela. Radical, mandou demolir os prédios onde houvesse focos da doença. Conseguiu erradicá-la em quatro anos. Com a varíola, em 1904, foi diferente. Como o único remédio contra o vírus era a vacina, Cruz tentou torná-la obrigatória. Os cariocas se revoltaram, apoiados por militares da cidade. Foram três dias de guerra civil. O governo sufocou a rebelião, mas suspendeu a obrigatoriedade da vacina. Uma pena. A varíola só desapareceria do país em 1971.

4937 – Idéias – Afinal quem tem razão?


Num país do Oriente Médio as mulheres nãopodem expor o rosto nas ruas e as adúlteras são punidas com pedradas em praça pública. Numa aldeia indígena, os menonos tem que passar por um ritual para entrar para a vida adulta, colocando a mão numa cumbuca cheia de formigas gigantes que picam a pele até sangrar. Certa religião é contra a transfusão de sangue em nome da pureza espiritual. O que para uns é absurdo, é perfeitamente normal para outros, afinal os valores morais variam de povo para povo e também de indivíduo para indivíduo. Os valores morais não caem do céu como os 10 Mandamentos, mas são invenções humanas, estratégias da espécie para garantir a sobrevivência.
Para os cientistas o que chamamos de bondade e solidariedade não são inspirações divinas; se um de nossos ancestrais a milhares de anos decidisse abandonar seu grupo de caça para tentar a sorte sozinho, teria poucas chances de garantir o almoço. Uma série de tentativas e erros foi fazendo com que a vida social se tornasse um dos traços da espécie humana. A ONU tentou universalizar as regras de conduta humana ao proclamar em dezembro de 1948, os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Apesar de ter sido elaborada por algumas nações, a declaração serve para defender qualquer ser humano da violência e intolerância.
Não podemos aceitar que os direitos individuais possam ser desrespeitados com a desculpa de que as culturas são diferentes. Que dizer da circuncisão feminina praticada em alguns países africanos, ou ao hábito de alguns homens do mundo árabe de jogar ácido no rosto de mulheres cujo comportamento não aprovam.
São selvagerias ou autodeterminações de sociedades que devem ser respeitadas por outros povos?

4936 – Mega Byte – Nó em pingo d’água- Hackers chineses invadem sistemas da Câmara de Comércio dos EUA


Hackers chineses contornaram as defesas da Câmara do Comércio dos Estados Unidos no ano passado e conseguiram acesso a informações sobre a organização e seus 3 milhões de membros, publicou o “Wall Street Journal” nesta quarta-feira.
Em Pequim, a China desconsiderou a reportagem. O jornal, mencionando pessoas não identificadas, mas informadas sobre o assunto, publicou a operação contra o principal grupo de lobby de negócios norte-americano, que envolveu pelo menos 300 endereços de internet e foi descoberta em maio de 2010.
O jornal informou que não se sabe o volume das informações obtidas pelos hackers ou quem pode ter tido acesso à rede no mais de um ano em que ela esteve exposta antes que a violação fosse descoberta.
O grupo por trás do ataque é suspeito pelos EUA de manter vínculos com o governo chinês, disse uma das fontes ao jornal. O FBI informou a Câmara de Comércio que servidores na China estavam obtendo informações ilegalmente em suas redes, segundo a fonte.
Liu Weimin, porta-voz do Ministério do Exterior chinês, descartou a reportagem.
“Não há o que dizer sobre essa divulgação infundada de supostos ataques de hackers, e nada surgirá disso”, disse ele em declaração regular em Pequim. “A lei chinesa proíbe a ação de hackers.”
A Câmara de Comércio emprega 450 pessoas e representa interesses de negócios, entre os quais a maioria das grandes empresas norte-americanas, no Congresso.
O jornal publicou que os e-mails acessados revelavam os nomes de empresas e pessoas importantes que mantinham contato com a Câmara e também permitiram acesso a documentos de política comercial, atas de reuniões, relatórios de viagem e agendas.
“O que é incomum quanto a isso é que o responsável foi claramente alguém muito sofisticado, que sabia exatamente quem somos e visou pessoas específicas, utilizando ferramentas sofisticadas para tentar obter informações”, disse David Chavern, vice-presidente de operações da organização, ao “Wall Street Journal”.
A China é frequentemente mencionada como suspeita em diversos ataques de hackers aos EUA. Em agosto, o Pentágono alertou em relatório ao Congresso que as operações de hackers na China poderiam ser utilizadas para fins militares abertos no futuro.