4795 – Mega Byte – Aumento de velocidade e dados na internet pode levar a catástrofe


David Cheriton, um professor de ciência da computação na Universidade Stanford conhecido por seu talento em design de software, e Andreas Bechtolsheim, um dos fundadores da Sun Microsystems, decidiram investir US$ 100 milhões de seu capital, e já gastaram metade disso, para reformular a maneira pela qual os computadores são conectados nas grandes centrais de computação da internet.

Como dizem os fundadores da Arista, a promessa de acesso instantâneo a volumes gigantescos de dados, em qualquer lugar, vem acompanhada pela ameaça de catástrofe. As pessoas estão criando mais dados e os transferem cada vez mais rápido via redes de computador. As redes rápidas permitem que as pessoas transfiram parcela cada vez maior dos produtos da civilização para a mídia on-line, e isso inclui não apenas posts no Facebook e todos os livros já escritos, como toda a música, chamadas telefônicas em tempo real e a maior parte da tecnologia da informação que permite o funcionamento das empresas modernas –tudo encaminhado a uma “nuvem” mundial de centrais de processamento de dados. As redes são concebidas de forma que fiquem disponíveis o tempo todo, via celular, tablet, computador pessoal e uma gama crescente de outros aparelhos conectáveis.
Estatísticas dizem que um número vastamente ampliado de transações entre computadores, em um mundo cem vezes mais rápido que o atual, conduzirá a um maior número de acidentes imprevisíveis e a um menor intervalo entre eles. A nuvem da Amazon para empresas já passou por uma paralisação de horas de duração em abril, quando as rotinas computacionais falharam e o sistema sofreu uma sobrecarga. A nuvem do Google para seu serviço de e-mail e software de documentos já sofreu diversas interrupções.
Mais transações também significam mais ataques a sistemas. Ainda que diga que a sociedade on-line chegou para ficar, Cheriton se preocupa muito com os riscos de segurança. “Fiz a alegação de que as forças armadas chinesas seriam capazes de derrubar a rede em 30 segundos, e não há quem tenha conseguido provar que estou errado”, disse. Ao criar uma nova forma de operar redes na era das nuvens, afirma, “temos um caminho para obter software mais sofisticado, capaz de autodefesa e de detectar mais problemas com mais rapidez”.
A conexão comum entre os servidores, de um gigabit por segundo, vem sendo substituída por conexões de 10 gigabits, devido à melhora no design e no software de semicondutores. Velocidades de 40 e até 100 gigabits estão em uso para propósitos especializados, tais como consolidação de grandes fluxos de dados entre centenas de milhares de computadores em todo o mundo, e essa tecnologia logo estará em uso generalizado. O padrão de engenharia do setor deve chegar a 1 terabit (1.000 gigabits) por segundo em cerca de sete anos.
A Arista, sediada em Santa Clara, foi criada tendo em mente o mundo das conexões de 10 gigabits. A companhia no momento tem 250 funcionários, 167 dos quais engenheiros, construindo um rápido switch (comutador) roteador de dados capaz de isolar problemas e resolvê-los sem derrubar a rede. O propósito é que possa funcionar com chips baratos e produzidos em massa. Em termos de software e hardware, representa um distanciamento considerável da forma pela qual as redes vêm sendo geridas nos últimos 25 anos.
Os primeiros produtos foram vendidos a operadores financeiros que desejavam reduzir em 100 nanossegundos a duração de suas transações de alta frequência. A Arista conta com mais de mil clientes agora, entre os quais companhias de telecomunicações e laboratórios universitários de pesquisa.

4794 – Philips planeja aproveitar onda ecológica com sistemas LED de luz


Mais de um século após sua fundação, a Philips uma vez mais está apostando pesadamente nos semicondutores. Desta vez, a fabricante de bens eletrônicos de consumo deseja aproveitar o potencial deles como fonte de luz.
A fabricante de uma em cada quatro lâmpadas em uso no mundo, que vendeu sua divisão de semicondutores em 2006 porque não conseguiu mais concorrer com os rivais asiáticos, investiu mais de 4 bilhões de euros (US$ 5,47 bilhões) para aproveitar a onda da tecnologia ecológica e defender sua posição mundial.
A empresa está apostando em uma mudança no mercado da iluminação, com o abandono das ineficientes lâmpadas incandescentes. Investe agora nos diodos emissores de luz –LEDs– mais conhecidos até o momento por seu uso nas telas iluminadas encontradas na maior parte dos produtos eletrônicos.
“Em termos de valor, por volta de 2015 o número de LEDs será maior que o das fontes convencionais de luz”, disse Niels Haverkorn, executivo da Philips. No quarto trimestre de 2009, os produtos de LEDs pela primeira vez responderam por mais de 10% das vendas na área de iluminação da Philips.
Feito de diodos, ou chips, o primeiro LED prático, uma luz vermelha, foi desenvolvido em 1962. Agora, a tecnologia avançou a ponto de permitir a produção de luzes com todas as cores do espectro.
Para ajudar a atrair atenção ao potencial de ganho de escala dos LEDs, à sua queda de preços e à redução de emissões de gases causadores do efeito estufa que ele propicia, a Philips na virada do ano converteu os famosos números da Times Square Ball –que é baixada e erguida para simbolizar a chegada do ano novo– à tecnologia LED.
Outras amostras da tecnologia incluíram iluminação por LEDs de moinhos de vento holandeses considerados parte do patrimônio histórico da humanidade, em Kinderdjik, e um poste de iluminação pública com LEDs acionados por energia solar, usado durante a conferência sobre o clima de Copenhague, em dezembro.
As vantagens dos LED incluem a durabilidade e eficiência energética. Lâmpadas com essa tecnologia não contêm mercúrio, em contraste com as lâmpadas fluorescentes convencionais, que se tornaram a primeira alternativa às lâmpadas incandescentes, nos anos de 1980.
A Philips estima que os LEDs tenham respondido por apenas entre 6 a 8% dos 45 a 50 bilhões de euros em vendas anuais de iluminação em 2009. A empresa, que vendeu 6,5 bilhões de euros nesse segmento em 2009, calcula que o mercado mundial de iluminação vá movimentar mais de 80 bilhões de euros em 2015.

Rivais
Analistas alertam que a competição nesse nascente segmento vai se tornar brutal. Os principais rivais da Philips são a Osram, da Siemens; a General Electric, a Sharp, a Samsung, e a norte-americana Cree.
Antecipando-se a isso, e com as lições aprendidas com o tombo nos preços dos semicondutores, a companhia de 119 anos de existência está aumentando produção de LEDs. Onde antes a empresa costumava fabricar apenas lâmpadas, a oferta de LEDs envolve uma “solução”, como uma luminária pronta.
“A técnica de produção é bastante similar à fabricação de semicondutores, em que as fábricas competem principalmente em preço”, disse o analista Jan Hein de Vroe, do ING. “Nesse sentido, acreditamos que será inteligente a Philips se mover com foco em “soluções”.
Preços em queda
Mas mesmo com o posicionamento mais estratégico da Philips no mercado LED, os desafios que a empresa enfrenta incluem preços elevados que estão fazendo com que varejistas evitem estocar produtos com a tecnologia.
Uma luminária LED capaz de produzir luz “quente”, um tipo que apenas as maiores empresas do setor como a Philips são capazes atualmente de produzir, é muito cara.
O custo atual é de cerca de US$ 46 por 1.000 lumens –medida de intensidade de luz, ou unidades de luz “quente”–, ante US$ 25 da variedade “fria”.
Até 2015, o custo de luzes LED quentes deve recuar para US$ 4 por 1.000 lumens ante US$ 2 das luzes frias, segundo estimativas do Departamento de Energia dos Estados Unidos. O custo de produção por 1.000 lumens no caso das lâmpadas incandescentes é de US$ 0,29.
A expectativa é que o custo de produção de luzes LED caia abaixo do custo de lâmpadas fluorescentes compactas até cerca de 2013, mas elas ainda serão mais caras que lâmpadas incandescentes.