4729 – A muralha da China pode ser vista do espaço?


Outro mito

Em 1972, o astronauta americano Gene Cernan voltou da missão Apollo 17 dizendo que, em órbita a 320 quilômetros da Terra, tinha visto a Muralha da China. Ele confirmava, assim, uma especulação que já era muito popular, antes mesmo dos primeiros voos espaciais. Num livro chamado Maravilhas do Mundo, de 1938, o aventureiro Richard Halliburton escreveu: “Astrônomos afirmam que a Grande Muralha é a única obra do homem que pode ser vista do espaço”.
Ironicamente, foi um chinês quem desmentiu essa história. Em 2003, o astronauta Yang Liwei embarcou na espaçonave Shenzhou 5 para dar 14 voltas ao redor do planeta. Lá de cima, ele procurou bastante, mas não avistou a muralha. A saia justa foi tamanha que o governo chinês viu-se obrigado a retirar das cartilhas escolares a informação disseminada por Halliburton e Cernan.
A verdade é que a Muralha da China não pode ser vista do espaço a olho nu, ainda que o observador esteja na órbita mais baixa da Terra. Ela é muito estreita e foi construída com blocos de pedra cuja cor se assemelha à do solo. Astronautas como Gene Cernam, que viram a muralha lá do alto, precisaram de instrumentos ópticos para isso. Fotografá-la, por exemplo, só é possível com teleobjetivas poderosas. E mais: usando esse recurso, outras tantas obras feitas pelo homem também passam a ser visíveis – como grandes cidades, aeroportos, rodovias… Até as pirâmides do Egito.

4728 – Marte pode ter água suficiente para abastecer missões, diz ESA


Folha Ciência

A ESA (Agência Espacial Europeia) informou nesta sexta-feira que a sonda Mars tirou fotos da cordilheira de Phlegra Montes que dão indícios da existência de água sob a superfície de Marte. Os cientistas especulam que os reservatórios poderiam abastecer futuras missões tripuladas ao planeta.
De acordo com a ESA, as imagens permitem observar de perto a cadeia montanhosa e constatar que praticamente todas as suas montanhas estão rodeadas por “leques de detritos em formas de lobo”. Morfologicamente, são muito similares aos acúmulos de detritos que cobrem as geleiras na Terra.
“Este fato sugere que talvez existam geleiras enterradas sob a superfície de Marte nesta região”, apontou a agência em seu site.
A ESA insistiu que as observações por radar provam que a presença de tais leques de detritos –estruturas arredondadas que aparecem com frequência em torno de planaltos e montanhas da região– está quase sempre relacionada à existência de água em estado sólido sob a superfície. “Às vezes a apenas 20 metros de profundidade.”
“As crateras de impacto nos arredores de Phlegra apresentam marcas que indicam uma recente atividade glacial na região”, disse a agência.
As teorias apontam que as cristas desse sistema montanhoso se formaram quando as crateras mais antigas se encheram de neve e, com o passar do tempo, foram se solidificando.
Além disso, a ESA explicou que estas geleiras se originaram em épocas distintas ao longo das últimas centenas de milhões de anos, quando o eixo polar de Marte era muito diferente do atual e, consequentemente, também o eram as condições meteorológicas na região.
“Todos estes indícios sugerem que poderia haver grandes quantidades de água oculta sob a superfície de Marte na região de Phlegra” e, “se assim for, essas grandes reservas poderiam abastecer os futuros astronautas que explorem o planeta vermelho”.