4725 – Como uma estrela induz outra à morte e cria buraco negro


Pesquisadores espanhóis descobriram como uma estrela induz outra à morte, em uma espécie de “assassinato estelar”, que ocorre em pouco mais de meia hora e origina um buraco negro com uma massa maior que a do Sol e com diâmetro de 20 quilômetros.
O inovador estudo traz uma explicação plausível ao enigma conhecido como “Erupção do Natal”, uma erupção de raios gama (GRB, na sigla em inglês) de mais de meia hora de duração, que ocorreu no dia 25 de dezembro de 2010.
Esta “Erupção do Natal”, ou GRB101225A segundo sua identificação científica, é o resultado de uma estrela de nêutrons se fundindo com o núcleo de hélio de uma estrela gigante e antiga, a uma distância de 5,5 bilhões de anos-luz da terra.

Este exótico sistema binário passou por uma fase em que a estrela de nêutrons penetrou na atmosfera da estrela companheira gigante e, ao alcançar seu núcleo, se fundiu com ele, sendo o resultado uma gigantesca explosão, inicialmente invisível da terra. O fenômeno possivelmente também origina um novo buraco negro.
A tremenda quantidade de energia liberada pela explosão foi canalizada longe do centro da estrela a velocidades próximas às da luz. Aloy explicou à agência de notícias “Efe” que antes se pensava que a maioria das GRB se associava às estrelas maiores que o Sol, que acabam produzindo supernovas.
No entanto, a “Erupção do Natal”, segundo Aloy, é uma GRB “rara”, com propriedades distintas das que se conheciam até agora, podendo considerar o fato como uma evidência de que existe uma nova forma de se produzir buracos negros estelares.
As erupções de raios gama são flashes de radiação ultraintensos, que podem chegar à Terra de qualquer direção do espaço. São fenômenos tão potentes e energéticos que apenas um deles pode ser tão luminoso como todas as estrelas visíveis simultaneamente no céu, embora ocorra somente em poucos segundos.

4724 – Clima – Quanto mais calor, mais raios na Terra


O LIS (sigla em inglês para Sensor de Imagem de Raios) é o primeiro instrumento capaz de vigiar 24 horas por dia as descargas elétricas do céu. Seu objetivo, a bordo do satélite TRRM, da Nasa, é contar o número de relâmpagos no mundo e, a partir daí, medir o aquecimento da Terra. “A cada grau que o planeta ganha, o número de raios quadruplica”, segundo um especialista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Desde que começou a voar, em novembro de 1997, o LIS já confirmou um dado: os raios são mais comuns sobre a terra do que sobre os oceanos.

4723 – As Amazonas


Uma tribo de mulheres guerreiras que mutilavam um dos seios para manejar o arco e a flecha e viviam sem homens – as temíveis amazonas. Os gregos foram os primeiros a falar delas, difundindo um mito que viajou para outras culturas e acabou batizando grande parte do Brasil como “a terra das amazonas”. É que espanhóis que exploraram a região, em 1542, juravam tê-las encontrado, pessoalmente, onde o Rio Jamundá desemboca no Amazonas, perto da atual fronteira entre os Estados do Amazonas e do Pará.
O povo sármata vivia no século VI antes de Cristo, nas estepes entre o Mar Negro e o Mar Cáspio – a Sarmátia, a terra das amazonas, segundo o historiador grego Heródoto (484-420 a.C.). O intrigante é que 15% das covas eram de mulheres, algumas de 13 ou 14 anos, enterradas com flechas de bronze, espadas e adagas. Os esqueletos tinham as pernas arqueadas, como as de quem passa boa parte de seus dias a cavalo. Havia várias sepulturas com homens e bebês juntos. E nenhuma criança enterrada com mulheres.
Entre os corpos desenterrados, há até três sacerdotisas guerreiras, identificáveis pelos objetos dentro do túmulo: jóias de ouro, braceletes e colares, conchas, contas de pedra e vidro com valor religioso, espelhos de bronze e vasos cerimoniais para sacrifícios aos deuses, além de armas. “Elas tinham importante função social, como adivinhas e oráculos”.
Havia também vários bebês enterrados junto com homens. À primeira vista parecem sugerir que o cuidado com as crianças cabia ao sexo masculino. Mas isso é especulação, como a própria descobridora alerta: “Não posso explicar, por enquanto. Podiam ser homens de baixo status social que tomavam conta das crianças enquanto os pais e as mães estavam trabalhando. Podiam até ser homossexuais”.
No ano 450 a.C., quando Heródoto escreveu sobre as amazonas, a lenda já existia. Ela aparece em várias passagens da mitologia grega. Na Ilíada, de Homero (século VIII a.C.), que conta a Guerra de Tróia, as amazonas surgem aliadas aos troianos. Aquiles, o herói grego, vence a rainha guerreira Pentessiléia, enamorando-se dela no momento em que a mata. Uma autêntica tragédia grega. De acordo com a mitologia greco-romana, as guerreiras teriam nascido de um caso de amor entre o deus da guerra, Marte, e a ninfa Harmonia. O nono dos doze trabalhos de Hércules foi se apoderar do cinturão de Hipólita, outra rainha das amazonas.
A palavra amazona vem de mázos (seio) antecedida pelo prefixo alpha (a, em grego), que, aí, indica ausência. Quer dizer “sem seio”. Há versões do mito em que as mulheres mutilavam um dos seios para melhor manejar o arco e flecha. Davis-Kimball acha isso fantasia pura, porque não há representação artística na época (século VII antes de Cristo), ou mesmo posterior, que mostre as mulheres sem um seio: “A tradução para o termo também poderia ser ‘que não foi amamentado’. Poderiam ser guerreiras que não foram amamentadas”.
Heródoto viajou pelo Mar Negro e relatou no clássico História as informações que recolheu sobre as guerreiras. Segundo ele, uma expedição grega, em data não definida, teria vencido as amazonas na batalha de Termodonte e levado várias cativas, em barcos. Mas, chegando a alto-mar, as prisioneiras se rebelaram e desembarcaram na Cítia, na costa do Mar de Azov, atual Rússia. Os citas e as amazonas teriam se unido e emigrado para as estepes entre os rios Don e Volga, dando origem ao povo sauromata. “As mulheres sauromatas”, diz o historiador, “conservam seus antigos costumes: montam a cavalo e vão à caça. Acompanham os maridos na guerra, trajando as mesmas vestes que eles. Têm uma lei segundo a qual uma mulher não pode casar-se enquanto não matar um inimigo. Por isso, muitas morrem de velhice, solteiras.”
Muitas lendas
Há muitas lendas sobre índias guerreiras no Brasil, mas a Antropologia não encontrou nenhuma. Em 1756, o capitão da fragata espanhola Solano, que patrulhava a fronteira do Brasil com a Venezuela, observou que as índias guipuinavi iam à guerra com o marido. E escreveu: “Essas mulheres, ou outras como elas, devem ser as amazonas que Orellana viu”

4722 – O Tiranossauro tinha penas?


Alguns paleontólogos acreditam que sim. Na China, descobriu-se ao redor de um fóssil de um dromeossáurio, um carnívoro que viveu há 70 milhões de anos, rochas com marcas que podem ter sido deixadas por penas. Tais indícios levam a crer que os descendentes daquele bicho, como o velociraptor, também podem ter sido emplumados e nada impede que outros dinossauros carnívoros da mesma época, incluindo o tiranossauro fossem também dotados da cobertura macia. Embora pausível, a possibilidade carece de conclusões definitivas. Se a hipótese for confirmada, será um argumento a mais para reforçar a idéia que boa parte dos dinos tinha sangue quente, uma polêmica ainda não resolvida.

4721 – Morre Ricardo Brentani, pioneiro da medicina por DNA no Brasil


Morreu na noite desta terça-feira, vítima de um mal súbito aos 74 anos, o médico Ricardo Renzo Brentani, um dos responsáveis por impulsionar a entrada do Brasil na era da medicina por DNA.
Nascido em Trieste, na Itália, filho de Segismundo e Gerda, Brentani veio para o Brasil com apenas um ano de vida. Formou-se em medicina pela USP em 1962, especializou-se em oncologia e fez seu doutorado, em bioquímica, na mesma universidade.
Acabou se tornando professor da própria USP, de 1980 em diante.
Nos anos 1990 e 2000, foi um dos responsáveis pelo sucesso do Projeto Genoma do Câncer, iniciativa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) cujo objetivo era mapear as características genéticas dos principais tipos de tumores que afetam a população do Brasil.
A equipe do projeto se concentrou nos genes que estavam “ligados” apenas nos tumores. O objetivo final do esforço, que ainda deve demorar para ser totalmente alcançado, é achar maneiras de diagnosticar a doença cedo e de tratá-la de forma específica com base no DNA.
Seu interesse por mistérios da biologia molecular também o levaram a estudar os príons, as proteínas que causam o mal da vaca louca mas que, em sua versão normal, também são essenciais para o funcionamento do cérebro.
Brentani era diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp e da Fundação Antônio Prudente, mantenedora do Hospital A.C. Camargo, onde ocorrerá o velório. Também foi presidente da filial brasileira do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer.