4627 – Quem inventou o Réveillon?


Réveillon vem do verbo francês réveiller, que significa “acordar” — é o “despertar do ano”, pegou? A palavra surgiu no século 17 para identificar eventos muito populares entre os nobres franceses: jantares longos e chiques, que iam até depois da meia-noite, nas vésperas de datas importantes. Esses regabofes gastronômicos noturnos eram realizados várias vezes ao ano, mas com o tempo foram ficando para o Ano-Novo mesmo.
No século 19, o Réveillon virou moda nas colônias e áreas de influência da França – que eram muitas, já que ela era a superpotência cultural da época. No Brasil, os primeiros Réveillons foram realizados na corte de dom Pedro 2º, no Rio, e logo copiados pelas elites paulistas. Mas alguns detalhes foram incorporados depois, recheando o jantar francês com um sincretismo bem brasileiro.
Roupa Branca
É a roupa dos devotos de Iemanjá, orixá que já na África era homenageada com oferendas no mar na passagem do ano.

4626 – Neurologia – Insensíveis à dor


Algumas das pessoas imunes à dor ambém têm outro sintoma bizarro: elas sofrem de anidrose, ou seja, incapacidade de suar. Para as pessoas normais, isso também pode parecer positivo: já pensou como seria legal ficar sempre limpinho? Mas, na prática, é terrível. Como o menino não transpira, seu corpo fica superaquecido, e ele tem crises de febre quase todas as semanas. Para tentar evitar o problema, ele precisa tomar banho gelado todos os dias. O que não chega a ser o fim do mundo, pois ele não sente frio.
Até a década de 1970, acreditava-se que o problema era o excesso na produção de um hormônio, a endorfina, que é um relaxante natural – e, em grande quantidade, deixaria o organismo constantemente dopado. Mas essa explicação não era muito convincente. Se ela fosse verdadeira, bastaria dar naloxona (uma substância que bloqueia a endorfina e outros anestésicos como heroína e morfina) aos pacientes e pronto: tudo estaria resolvido. Mas isso não funcionava, e estudos mais aprofundados acabaram chegando à real causa da insensibilidade à dor. Ela é um problema genético, que ataca homens e mulheres na mesma proporção, passa de pai para filho e surge devido a mutações num gene que afetam o Nav1.7 – uma espécie de canal eletroquímico que liga os chamados nervos periféricos ao sistema nervoso central.
Quando o gene apresenta mutações, esse canal de comunicação não funciona, e o sinal de dor não chega até o cérebro. Por enquanto, não existe esperança de cura. Mas estudar essa síndrome pode trazer enormes benefícios para as pessoas normais. “É um passo para a evolução dos medicamentos analgésicos”, explica Geoffrey Woods, geneticista do Instituto de Pesquisas Médicas da Universidade de Cambridge. Afinal, sentir dor também é um dos grandes incômodos da humanidade. A qualquer hora do dia ou da noite, existem 85 milhões de americanos sofrendo com isso – o equivalente a 28% da população dos EUA. Estima-se que a dor seja responsável por 515 milhões de dias de trabalho perdido, e um prejuízo de US$ 100 bilhões, todos os anos. No Brasil, as pessoas gastam 10% do orçamento na farmácia – e 5 dos 10 remédios mais vendidos são analgésicos.
Seis mil anos antes de Cristo, o homem primitivo já tentava diminuir a sensação de dor. Numa tentativa fútil de acabar com as dores de cabeça, tinha gente que perfurava o próprio crânio para liberar os supostos espíritos que causavam a dor. Mas a dor também ajudou a humanidade a evoluir. O frio durante a noite nas cavernas pode ter nos estimulado a produzir fogo por conta própria. Como o filósofo grego Aristóteles diria 5 500 anos depois, “é impossível aprender sem dor”.
Além das pessoas que não sentem dor, também há quem tenha o problema oposto – dor em excesso. Sabe quando você bate o seu cotovelo, por exemplo, e ele fica doendo por alguns minutos? Para quem sofre de distrofia simpático-reflexa, uma síndrome que amplifica as sensações dolorosas, a dor chega a durar semanas. O caso mais famoso é o da americana Ashley Goodall, 18 anos, que tem sintomas assustadores. Na última vez em que Ashley bateu o joelho, ele ficou doendo durante 14 dias – sem que houvesse nenhuma lesão ou motivo fisiológico para isso. É como se os nervos da garota tivessem dado tilt, e ficassem constantemente enviando sinais de dor ao cérebro. Ashley já foi internada várias vezes por causa das crises, que às vezes são detonadas por acontecimentos banais – até uma leve brisa pode fazer o corpo da menina doer.

4625 – Sociologia – Diminuiu a pobreza no Brasil?


Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ainda existem 43 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza — quem tem renda suficiente apenas para comprar comida e os que têm menos ainda. A injustiça social ainda permanece no Brasil.
O Nordeste, que tem um terço dos brasileiros, tem metade dos pobres e dois terços dos indigentes. O que não significa que o problema não seja sério em outras regiões.
Apesar dos números oficiais serem mais otimistas, muita gente não tem motivos para comemorar:
Miséria e progresso
Entre 1981 e 2007, Roraima aumentou seus pobres de 7% para 35% da população.
Região norte
Pará – 48%
Rondônia – 8%
Roraima – 3%
Tocantins – 8%
Acre – 5%
Amapá – 3%
Amazonas – 25%
Pobres – 5,5 milhões
Total – 15,1 milhões
Lar, amargo lar
No Maranhão, 40% dos domicílios estão abaixo da linha da pobreza – em Santa Catarina, são só 5%. Pernambuco, com um quinto dos habitantes de São Paulo, tem o mesmo número de domicílios de pobreza extrema, cerca de 325 mil.
Região nordeste
Paraíba – 7%
Maranhão – 13%
Ceará – 17%
Bahia – 26%
Alagoas – 7%
Sergipe – 3%
Rio Grande do Norte – 5%
Piauí – 6%
Pernambuco – 16%

Pobres – 23 milhões
Total – 52,9 milhões
Mas, Apesar da chuva
Santa Catarina perdeu 74% da fatia de seus pobres entre 1981 e 2007.
Região Sul
Santa Catarina – 13%
Paraná – 43%
Rio Grande do Sul – 44%

Pobres – 3,4 milhões

Total – 27,5 milhões

Região centro-oeste

Mato Grosso do Sul – 15%
Mato Grosso – 20%
Distrito Federal – 23%
Goiás – 42%
Pobres – 1,8 milhão

Total – 13,8 milhões
Plano copiloto
Brasília tem ótimos índices sociais, mas as cidades-satélites que se formaram em volta da capital federal contribuem para baixar essa média.
Região centro-oeste

Mato Grosso do Sul – 15%
Mato Grosso – 20%
Distrito Federal – 23%
Goiás – 42%

Pobres – 1,8 milhão

Total – 13,8 milhões
Onde o sapato aperta
Em relativos e absolutos, o Nordeste concentra o maior número de pobres do Brasil.
Distribuição de renda no brasil
Classe B e A – 13%
Classe C – 51%
Classe D – 13%
Pobreza – 15%
Pobreza extrema – 8%

Fonte IBGE