4515 – Por que os pneus dos aviões são enchidos com nitrogênio?


O nitrogênio ajuda a evitar explosões. Quando o avião toca o chão, os freios são acionados para fazer a imensa máquina parar e os pneus esquentam muito. Chegam a 80 graus Célsius. “Com o calor, a superfície interna libera gases que, em contato com o oxigênio, poderiam explodir”, explica um engenheiro de manutenção de uma companhia aérea. O ar comprimido, rico em oxigênio, portanto é descartado. Como era preciso escolher uma substância que não reagisse com os gases liberados, escolheu-se o nitrogênio, que é abundante na natureza. Outra vantagem é que esse gás praticamente não se expande nem se contrai com as mudanças de temperatura que, nos pneus de grandes aviões, vão de menos 50 graus Célsius (altitude de cruzeiro) a 80 graus (pouso). Evita-se assim uma variação extrema de pressão. O uso de nitrogênio em pneus aeronáuticos é obrigatório no mundo todo desde 1987 para os pneus traseiros (que têm sistema de freio).

4514 – Catástofre no extremo sul do planeta


Ninguém sabe se a coisa é passageira ou se a Antártida está mudando para valer devido ao aquecimento global da atmosfera. O fato é que estão aparecendo fendas assustadoras perto do Pólo Sul. Uma delas, subterrânea, tem 30 quilômetros de comprimento, 14 de largura e 800 metros de profundidade. Ela foi detectada por Jorge Lusky, do Instituto Antártico da Argentina, na Plataforma Larsen, uma muralha de gelo próxima ao extremo da América do Sul. Há quem pense que toda a plataforma está prestes a ruir, já que, de dois anos para cá, nota-se uma redução sensível de sua área. Mas, certeza, mesmo, não existe. “Se ela estivesse desmoronando veríamos o gelo se mexer dentro dela”, diz o glaciologista austríaco Helmut Rott, da Universidade de Innsbruck. “E não estamos vendo movimento nenhum.”

4513 – Por que o gelo das pistas de patinação é tão escorregadio?


Quem já ficou em pé sobre uma pista sabe o quanto a tarefa é difícil. Bobeou, você leva um tombo. Antes, o pessoal acreditava que a pressão dos pés sobre o gelo era a culpada. E até com razão. “Pressionado, o gelo se funde parcialmente, tornando-se escorregadio”, explica um físico da Universidade de São Paulo. Mas pesquisas mostraram que a pressão nem sempre é suficiente para fundir a superfície do gelo.
Cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos, descobriram por que ele causa tantos tombos. O gelo é formado por uma seqüência de camadas de moléculas de água firmemente ligadas umas às outras. As moléculas vibram constantemente, apesar da baixa temperatura. Os pesquisadores descobriram que as moléculas da primeira camada trepidam mais rápido do que as das camadas interiores. Esse ligeiro movimento coloca-as em um estágio intermediário entre o sólido e o líquido. Ou seja, elas se comportam como líquido, porque suas moléculas estão mais agitadas, só que sua temperatura ainda é inferior ao ponto de fusão.
Esse estado intermediário, que os pesquisadores deram o nome de quasi-liquid (quase líqüido), diminui muito o atrito entre os patins e o gelo, tornando-o por isso tão escorregadio.

4512 – Apenas 1% do Universo é visível


A primeira suspeita de que o Universo escondia uma imensa quantidade de matéria invisível, que não podia ser captada pelos telescópios, surgiu no início da década de 30. O alerta foi dado pelo astrônomo Fritz Zwicky, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, ao avaliar a velocidade das galáxias mais distantes conhecidas à época. Era um desafio, mas não havia como errar. Zwicky sabia muito bem que se um astro está se aproximando da Terra sua cor fica mais azulada, e se ele está se afastando, o tom tende para o vermelho.
Mas depois de fazer as medidas, o cientista ficou espantado com a alta velocidade das galáxias. Em parte, elas estavam se movendo devido aos puxões gravitacionais que umas dão nas outras e vice-versa. Mas a força das galáxias, apenas, não dava para explicar a correria no céu. Zwicky, então, chegou à conclusão lógica de que devia haver alguma coisa escondida lá em cima. Alguma forma de matéria desconhecida, capaz de acelerar as galáxias com sua gravidade.
Hoje, é certo que essa massa invisível está em toda parte. E seu tamanho só faz aumentar. Apelidada de matéria escura, porque não brilha e não reflete a luz de outros astros, já se admite este ano que seu peso pode ser 50 ou mesmo 100 vezes maior que o de toda a parte brilhante e visível do Cosmo. Na busca da proporção exata, o fator decisivo parece ser a distância. “Quanto mais longe procuramos, mais matéria escura descobrimos”.
Por isso, o plano agora é ampliar o campo de observação de modo a abarcar um pedaço maior do Universo. A matéria escura já está sendo mapeada num raio de 150 milhões de anos-luz em torno da Terra (1 ano-luz mede 9,5 trilhões de quilômetros). Mas nos próximos anos essa fronteira deve ser multiplicada por três, chegando aos 500 milhões de anos-luz. “Aí, vamos encontrar a resposta”, animou-se ao telefone o astrofísico americano Alan Dressler, dos Observatórios Carnegie.
Nas trevas está o futuro do mundo
É impressionante descobrir que a maior parte do Universo não aparece nos telescópios. Mal se pode dizer de que tipo de matéria ele é feito. Só a curiosidade valeria o empenho dos cientistas. Mas o fato é que, sem medir o tamanho desse fantasma cósmico, não será possível alcançar uma meta prodigiosa, que hoje mobiliza alguns dos cérebros mais criativos da Astronomia: avaliar, sem erro, a quantidade total de matéria existente no Cosmo.
Eles querem colocar tudo o que existe na balança para ver quanto pesa. Hoje, contando apenas a fração luminosa do Cosmo, estima-se que, em média, existe apenas um átomo a cada 1 000 metros cúbicos. Incluindo a matéria escura, o total de átomos pode chegar a 50 ou 100. E a chave do futuro está nessa imensa escuridão.
Os cosmologistas dizem que, se souberem o peso do mundo, poderão prever o seu futuro. Para entender essa ligação entre a massa e o destino do Universo, basta lembrar que no instante do seu nascimento o Cosmo era minúsculo. Não passava de uma microesfera terrivelmente comprimida. Então, há cerca de 15 bilhões de anos, empurrado pela força de um grande estouro, batizado de Big Bang, o Universo começou a inflar como um balão de borracha.
Depois do Big Bang, que foi o estouro inicial, o espaço se esticou numa proporção absurda. Essa fase é chamada de inflação cósmica.
O descobridor
De acordo com o matemático americano Alan Guth, descobridor da inflação cósmica, a massa total do Universo deve ser cem vezes maior do que a de todos os astros conhecidos.