4378 – Mega no Topo – Expedição nas Montanhas


Vai encarar?

As 14 maiores
Todas as montanhas com mais de 8 mil metros ficam no Himalaia
• Nível do mar – 0 m
• Gashenbrum ii – 8035 m
• Shisha Pangma – 8046 m
• Broad Peak – 8047 m
• Gashenbrum i – 8068 m
• Annapurna – 8091 m
• Nanga Parbat – 8125 m
• Manaslu – 8156 m
• Dhaulagiri – 8172 m
• Cho Oyu – 8201 m
• Makalu – 8463 m
• Lhotse – 8501 m
• Kangchenjunga – 8598 m
• K2 – 8611 m
• Everest – 8850 m
Mallory e Irvine estavam perto do cume em 1924
De todas as tentativas de subir o Everest, só uma rivaliza com a escalada de Hillary e Norgay em prestígio e mística: a expedição britânica de 1924. Tudo porque George Mallory e Andrew Irvine podem ter chegado ao topo – mas provavelmente nunca saberemos. Os dois foram vistos pela última vez bem próximos do cume, no dia 8 de junho. Pela manhã, eles haviam deixado a barraca do acampamento avançado, para logo sumir em meio às nuvens. Noel Odell, um dos companheiros de equipe, conseguiu avistá-los ao longe, às 12h50. Será que eles conseguiram? Em 1999, uma expedição foi montada para repetir o percurso feito pelos britânicos. O corpo de Mallory foi encontrado (congelado e bem conservado) a cerca de 8290 metros de altitude. Os alpinistas procuraram a câmera fotográfica que ele carregava, na esperança de, 75 anos depois, poder revelar o filme em preto-e-branco capaz de desvendar o mistério. Em vão.
Os sherpas estão habituados ao ar rarefeito
Se não fossem os sherpas, provavelmente a conquista do Everest teria demorado ainda mais tempo. Povo das montanhas, eles vivem nos vales de grandes altitudes que serpenteiam o maciço do Himalaia desde o século 16, quando os primeiros habitantes chegaram à região vindos do leste do Tibete. Durante mais de 400 anos, viveram em paz com as montanhas. Budistas, eles acreditavam que elas eram o lar dos deuses e, por isso, não deviam ser devassadas. Criavam iaques e negociavam com os tibetanos e indianos. O plantio de batatas só foi introduzido pelos britânicos no século 19, mas é considerado muito importante para a fixação dos moradores no local.
Nos anos 1910, o pesquisador escocês Alexander Mitchell Kellas, pioneiro no estudo dos efeitos da altitude no organismo humano, descobriu que os sherpas têm enorme capacidade de adaptação à baixa pressão atmosférica (e, portanto, ao ar rarefeito). Hoje, acredita-se que gerações e gerações de habitantes das montanhas promoveram essa alteração genética que lhes permite viver a 3 mil metros ou mais – sem nenhum problema. O segredo estaria na respiração: mais rápida, de forma a inalar mais ar. Em 1921, quando os britânicos organizaram sua primeira expedição ao Everest, contrataram alguns moradores como carregadores. Nunca mais eles deixariam de escalar a montanha.
Além de carregar peso, passaram também a subir a montanha junto com os alpinistas estrangeiros. A chegada de Tenzing Norgay ao topo, em 1953, fez explodir o turismo no Himalaia. Hoje, muitos sherpas trabalham como guias para os cerca de 20 mil aventureiros que visitam a região todos os anos – vale lembrar que há muito mais pessoas interessadas em fazer caminhadas em altitudes inferiores a 5 mil metros do que os que sonham em conquistar o Everest.
A conquista de 1953 foi festejada com enorme alegria e admiração. Foi uma megaexpedição, com dez alpinistas e 350 carregadores de origem sherpa, povo que vive no Himalaia desde o século 16 e que se mostraria essencial para vencer a montanha (leia o quadro da página 54). Na época, já se sabia que é imperativo habituar o organismo à falta de ar nas grandes altitudes. A técnica, usada até hoje, consiste em montar um acampamento-base a cerca de 5300 metros. Em locais assim, a pressão atmosférica é metade da registrada ao nível do mar, ou seja, só há 50% do oxigênio disponível na maioria das concentrações urbanas. Dali para cima, a situação se torna cada vez mais crítica. A 8 mil metros, por exemplo, o oxigênio corresponde a apenas 30% do que o nosso corpo está acostumado. É a chamada zona da morte – o batimento cardíaco passa de 120 por minuto, em repouso; e as alucinações são freqüentes. Sem falar nos ventos constantes, nas temperaturas que variam de 15ºC a 45ºC negativos e na possibilidade de ser atropelado por uma avalanche, fenômeno responsável pela maior parte das mortes.
O Himalaia é a mais alta cadeia de montanhas do Planeta, também conhecido como o “Teto do Mundo”. São cerca de 110 picos com mais de 7300m de altura, culminando com o Monte Everest (8850m).
Foi formado pela convergência de duas grandes placas tectônicas: a da Eurásia e a da indo-australiana. O Himalaia é o resultado das colisões iniciadas há mais de 65 milhões de anos entre as duas placas.
Estende-se por uma faixa de cerca de 2.500km de oeste a leste, desde Nānga Parbat na Caxemira e Jammu, até Namcha Barwa, no Tibet. A cadeia de montanhas atravessa os reinos do Nepal e Butão, e inclui trechos da Índia, China e Paquistão. Ao norte fica o Planalto do Tibet e, ao sul, as planícies dos rios Indo, Brahmaputra, Ganges e seus afluentes.
O termo “Himalaya” vem do sânscrito e foi cunhado pelos antigos peregrinos indus. Numa tradução livre seria “morada das neves”. Trata-se de uma região inóspita, gelada, com pouca vegetação, ventanias frequentes e seca. Os lagos são alimentados pelo derretimento de geleiras que se formam acima de 5 mil metros de altitude nas montanhas. Apesar disso, o fluxo de turistas e alpinistas é intenso.