3768 – Cinema: A Espera de um Milagre


Cartaz do filme

Filme americano de 1999, do gênero drama, dirigido e roteirizado por Frank Darabont, baseado no livro homônimo de Stephen King, lançado em 1996. O filme é narrado em flashback e estrela Tom Hanks como Paul Edgecomb e Michael Clarke Duncan como John Coffey, narrando a história de Paul e de sua vida como agente penitenciário do corredor da morte durante a Grande Depressão e os eventos sobrenaturais por ele presenciados.
Ambientado em 1935, no corredor da morte de uma prisão da Louisiana, conta a história da relação entre Paul Edgecomb, o chefe de guarda da prisão, e um de seus prisioneiros, John Coffey.
Coffey é um homem negro de grandes proporções, condenado à morte pelo assassinato de duas garotas brancas. Aos poucos, desenvolve-se entre Edgecombe e Coffey uma relação incomum, baseada na descoberta de que o prisioneiro possui um dom mágico que é, ao mesmo tempo, misterioso e milagroso. O guarda se debate em um conflito moral entre o cumprimento do dever e a consciência de que o prisioneiro que deverá morrer pelas suas mãos pode não ser o culpado de um crime tão brutal.
A história é contada em flashback por Edgecombe, durante sua velhice em um asilo. Além da relação com Coffey, Edgecomb relata as histórias de outros guardas e condenados.

Elenco

Tom Hanks …. Paul Edgecomb
Michael Clarke Duncan …. John Coffey
David Morse …. Brutus “Brutal” Howell
Bonnie Hunt …. Jan Edgecomb
James Cromwell …. Warden Hal Moores
Barry Pepper …. Dean Stanton
Michael Jeter …. Eduard Delacroix
Graham Greene …. Arlen Bitterbuck
Doug Hutchison …. Percy Wetmore
Sam Rockwell …. ‘Wild Bill’ Wharton
Patricia Clarkson …. Melinda Moores

Oscar 2000 (EUA)
Indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Michael Clarke Duncan), Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado.
Globo de Ouro 2000 (EUA)
Indicado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Michael CLarke Duncan).
Prêmio Saturno 2000 (EUA)
Venceu nas categorias de Melhor Filme de Ação / Aventura / Suspense, Melhor Ator Coadjuvante (Michael Clarke Duncan) e Melhor Atriz Coadjuvante (Patricia Clarkson).
Indicado nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Música.
Academia Japonesa de Cinema 2001 (Japão)
Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
Prêmio PFS 2000 (Political Film Society, EUA)
Venceu na categoria Direitos Humanos.

Apesar de durar três horas, teve uma arrecadação de mais de 130 milhões de dólares, apenas nos EUA.
Trinta ratinhos se revezaram em cena para interpretar o ratinho Mr. Jingles.

3767 – Poligamia dá cadeia?


Depende de onde você vive e do seu sexo. No Brasil, a poligamia é proibida de qualquer jeito – com pena máxima de 3 anos (para quem compartilha o cônjuge) a 6 anos (para quem tem vários cônjuges). Mas o mundo está cheio de lugares onde um casal pode ter 3 ou mais pessoas. Entre eles, há muito mais países que toleram o casamento de um homem com várias esposas (chamado poliginia) do que a união de uma mulher com um punhado de homens (poliandria). Em alguns países africanos, os homens são incentivados a compor um pequeno harém. “A poliginia é a regra da cultura africana”, diz o antropólogo congolês Kabengele Munanga, da USP.
A poliginia é autorizada pelo Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Assim, ela é comum na maioria dos países em que essa fé é majoritária. “Mas o homem muçulmano precisa ter condições de sustentar todas as esposas e filhos”, afirma Safa Juhbran, professora de língua árabe da USP. Em respeito a essa condição, a união monogâmica é cada vez mais comum nos países árabes.
A lei brasileira é clara: ”Um segundo casamento só pode ocorrer depois do divórcio ou da anulação do primeiro”, diz Dirceu de Mello, professor de Direito Penal da PUC-SP. Há gente, principalmente em áreas rurais, que vive com mais de um(a) companheiro(a) sem ser perturbada – mas esses casos geralmente não ferem a lei, pelo simples fato de não haver certidão de casamento.
Países onde a poligamia – legal ou não – é comum
Arábia Saudita
Berço do profeta Maomé e coração do mundo islâmico, a Arábia Saudita toma textualmente a palavra do Alcorão. “Casai com quantas mulheres quiserdes, 2, 3 ou 4: mas, se temeis não poder tratá-las com eqüidade, então tende uma só”, diz o livro sagrado. Os números do texto sagrado são interpretados somente como exemplo – não há limite para a quantidade de esposas, desde que o cartão de crédito do marido também não tenha limite.
Tanzânia
Nesse país da África Oriental, onde a maioria da população vive em zonas rurais, é obrigatório que os casamentos sejam registrados e, no momento do registro, sejam declarados monogâmicos, poligâmicos ou potencialmente poligâmicos. Para a união mudar de status, deve haver consentimento do marido e da mulher.
EUA
A lei no país proíbe a poligamia em todo seu território. Mas ter várias mulheres é uma questão de fé para alguns americanos: os mórmons, seguidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Na religião mórmon, o casamento com várias esposas é permitido e recomendado – há até a promessa de que o polígamo será um rei no céu. Apesar da pressão da sociedade americana, a poligamia persiste. Na cidade de Hildale, em Utah, está a maior comunidade polígama dos EUA. Ali, para driblar a lei, os homens se casam legalmente com a primeira esposa. As outras – que podem chegar a 30 – recebem o “sim” apenas em cerimônias religiosas.
Iêmen
A poligamia é autorizada em termos parecidos com os sauditas: é permitida desde que o homem possa tratar bem de todas as suas mulheres, o que restringe a prática aos homens ricos. Além disso, há algumas regras a ser observadas na família iemenita. Uma delas diz que a primeira esposa tem sempre a última palavra. É ela quem autoriza (ou não) o marido a procurar outras mulheres para viver com eles sob o mesmo teto.
Sudão
Autoriza e até incentiva a poligamia. Em 2001, o presidente Omar Hassan al-Bashir pediu aos sudaneses para aumentarem a população com casamentos múltiplos. Segundo a lógica de al-Bashir, o país, o maior da África e o mais rico em recursos naturais, precisava de reforços para se desenvolver. No Sudão, o divórcio é opção apenas para os homens.
Nepal
Apesar de proibida, a poligamia ainda existe em pequenas comunidades tribais, onde é comum uma mulher casar com um homem e levar de brinde um irmão dele. A justificativa disso é econômica: como há poucas terras, os irmãos preferem dividir a mesma mulher a ter de repartir os escassos bens de família. Nos grupos xerpas, por exemplo, que vivem no nordeste do país, dois homens podem ter a mesma esposa. Se a família é composta de 3 irmãos, o costume manda que o do meio se torne monge. Se são 4 os filhos homens, eles podem se dividir – e cada dupla casar com uma mulher.

3766 – Odissay – Como sobreviver à morte do Sol?


Tá um pouco longe...

Banho de Marte
Em 1 bilhão de anos, o aquecimento do Sol vai evaporar nossa água e deixar a Terra inabitável. O mesmo calor deve tornar Marte um bom lugar para viver. Basta que o gelo sob a superfície derreta, garantindo o suprimento de água.
Hello, periferia
As coisas ficarão quentes em Marte em 5,5 bilhões de anos, com o fim do hidrogênio, principal combustível do Sol. A estrela inchará e o calor será insuportável. É o caso de mudar para a perifa, onde residem Plutão e os cometas
Use óculos escuros
Em 7 bilhões de anos, o Sol concluirá a 1ª fase de expansão, tornando-se uma estrela gigante com diâmetro 166 vezes maior que o atual. Mesmo lá de Plutão será impossível olhar para o Sol sem proteção para a vista.
Volte para um tchau
O Sol voltará a encolher assim que aprender a usar hélio como combustível. É a hora de fazer uma excursão de despedida à Terra. Cuidado para não ficar muito tempo: essa fase dura apenas uns 100 milhões de anos.
O hélio um dia acaba e o Sol volta a inchar. Ele perde camadas externas até expor o núcleo morto. A partir daí, a temperatura só cai. Restará apenas uma bola do tamanho da Terra, incapaz de gerar calor para sustentar a vida.
Compre um terreninho próximo a uma estrela que lhe garanta calor. Uma dica é procurar a estrela de Barnard, mais próxima entre as anãs-vermelhas, estrelas mais longevas do Universo. Está a 6 anos-luz do sistema solar.

3765 – Mini Glossário do Sexo


Decícua capsularis – É a parte da decídua que envolve o embrião. A parietaris é a parte da decídua que forra o útero nas paredes não correspondentes a em que se acha implantado o embrião.
Distocia – Parto normal.
Duto de Gartner – Tubo vestigial que se encontra na mulher e que corresponde ao canal do epidimo do homem.
Duto ejaculatório – O tubo chamado vas deferens, do aparelho genital masculino, associa-se ao duto da vesícula seminal e passa sob a forma de duto ejaculatório, para a próstata, abrindo-se a uretra prostática.
Dutos de Müller – Precursores embriológicos do útero e trompas.
Dutos de Wolff – Tubos do mesonefros, que se tornam o vas deferens no macho.
Eclampsia – Condição patológica, ou doença, que ocorre na mulher, com toxemia (intoxicação no sangue) , seja nos últimos dias da gestação ou durante o parto, ou no começo do puerpério. Caracterizada por ataques semelhantes aos epilépticos com estado de coma devido à formação de edema cerebral; ausência da tensão arterial, insuficiência renal e outros sintomas.
Edema – Acúmulo de líquido dentro dos tecidos.
Embolia – Formação de partículas sólidas ou bolhas gasosas na corrente sanguínea.
Embrião – Organismo imaturo em desenvolvimento; o humano corresponde aos 2 primeiros meses. A partir do 3° mês fala-se em feto, por possuir desde então, os principais traços anatômicos formados.
Endocérvix – Membrana que reveste o canal cervical.
Endométrio – Membrana que forma a parte interna do útero e que se renova menstrualmente.
Eonismo – Travestismo.
Epidídimo – Parte do duto genital masculino através do qual os espermatozóides passam deixando os testículos. Consiste em 1 tubo tortuoso, de cerca de 6 m de comprimento.
Episiotomia – Incisão feita no períneo contraído durante o parto para facilitar o nascimento do feto.
Erosão da cérvix – Supercrescimento do tecido endocervical sobre a superfície vaginal, geralmente acompanhada de inflamação secundária.
Escroto – Bolsa em que os testículos estão suspensos.
Espermátides – Células masculinas imaturas que originam diretamente os espermatozóides.
Espermatócitos – Células masculinas imaturas. Formam as paredes dos tubos seminíferos.
Espermatogênese – Processo de desenvolvimento dos espermatozóides.
Espermatogenias – Células sexuais masculinas primárias correspondentes às ovogenias do ovário.

3764 – O que é o Kama Sutra?


1. É UM MANUAL DE SEXO?
Muito mais que um guia com 529 posições sexuais, a obra é um compêndio de etiqueta para uso dos nobres, baseado em preceitos sagrados hindus. O Kama Sutra aborda diversos aspectos da vida cotidiana: como encontrar o par ideal, se relacionar com outras pessoas, cuidar da casa e obter sucesso. Segundo a mitologia hindu, o homem atinge sua plenitude quando pratica o dharma (virtude religiosa), o artha (riqueza mundana) e o kama (o amor). Kama sutra, em sânscrito, significa “dissertação sobre o amor”.
2. QUEM O ESCREVEU?
Foi Mallanaga Vatsyayana, teólogo hindu dos séculos 3 e 4. Ele passou 20 anos compilando 79 textos eróticos da Antiguidade (alguns, escritos 1 000 anos antes e já trabalhados por outros sábios). De inédito mesmo, apenas seus comentários pessoais. Apesar de afirmar que testou todas as posições citadas na obra, historiadores especulam que Vatsyayana não era casado e morreu enclausurado num convento.
3. COMO ELE SE TORNOU POPULAR?
Em 1883, o britânico Richard Burton (1828-1890), o mesmo que traduziu As Mil e Uma Noites, trouxe a obra para o Ocidente. Ela caiu nas graças do público masculino porque, na tradução, Burton selecionou só os trechos mais picantes. A tradução completa foi concluída apenas há 14 anos, pelo francês Alain Daniélou.

3763 – Acredite na ciência (não no capeta)


Lançado em 1996 e publicado agora como edição de bolso, o livro desfere pauladas em nossa mania de acreditar em pseudociências, como astrologia, feng shui, demônios ou reencarnação…
O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS
Carl Sagan, Companhia das Letras, 512 páginas, R$ 25
Ao conversar com um motorista de táxi, o astrônomo Carl Sagan (1934-1996) ficou impressionado com o interesse do homem por ciência. E por sua completa ignorância em relação ao tema. Resolveu escrever um livro para explicar alguns mecanismos básicos do Universo. Lançado em 1996 e publicado agora como edição de bolso, o livro desfere pauladas em nossa mania de acreditar em pseudociências, como astrologia, feng shui, demônios ou reencarnação.
FRASE: “Abandonar a ciência é o caminho de volta à pobreza e ao atraso.”
POR QUE É IMPERDÍVEL: Sagan mostra como perdemos tempo acreditando em bobagens.
• A Face de Marte, que parece um rosto humano, já foi descrita como sendo as ruínas de uma civilização há muito extinta. Outros acreditam que tenha sido construída pelos sobreviventes de uma guerra interplanetária. Para Sagan, ela apenas atesta nosso costume de reconhecer padrões em figuras. Outras imagens de satélite mostram que aquela formação não parece nada.
• Sagan prova como uma superstição atravessa épocas apenas trocando de fantasia. Um exemplo é a imagem de pequenos seres de outro mundo que costumam raptar pessoas usando o poder de dedos mágicos. Hoje, esse mito aparece na forma de ETs. Na Idade Média, eram bruxas ou duendes.

3762 – Pseuso-Ciências – A Astrologia


Sábios do Oriente
Enquanto mesopotâmicos, árabes e europeus transformavam a astrologia em arte elaborada, outras tradições tão ou mais antigas de leitura dos astros lançavam raízes na China. Há indícios de que a astrologia tenha se desenvolvido por lá antes do ano 2000 a.C. Curiosamente, as bases eram parecidas com a da astrologia mesopotâmica: um calendário anual que incorporava conhecimentos sobre as constelações. Chineses também desenvolveram um sistema que previa o destino de uma pessoa com base na data de nascimento – algo como um mapa astral. No lugar das 12 constelações do zodíaco ocidental, havia um ciclo de 12 anos, cada um correspondente a um animal – hoje conhecido como horóscopo chinês. Na sociedade centralizada da China, astrólogos eram funcionários públicos, subordinados diretamente ao imperador. Previsões consideradas subversivas – golpes de Estado ou doenças na família real – eram proibidas. Nos relatos do viajante italiano Marco Polo, do século 13, é mencionada a existência de 5 mil astrólogos na corte do imperador de origem mongol Kublai Khan. Outro europeu, o jesuíta Matteo Ricci, visitou Pequim em 1583 e relatou que era um crime capital estudar astrologia sem autorização do soberano chinês.
Seu futuro no jornal
Se hoje todo mundo consegue dizer se é de Libra ou Escorpião, deve-se agradecer ao britânico William Allen – aliás, Alan Leo, ou “Alan de Leão”, nome que ele assumiu de acordo com o seu signo solar. Nascido em 1860, Leo foi um dos pioneiros da astrologia para as massas, fundando uma revista batizada de Modern Astrology e popularizando a idéia de que o local ocupado pelo Sol no zodíaco durante o nascimento da pessoa era a principal influência sobre o seu destino e, principalmente, o seu caráter. Para Leo, o Sol era o “princípio universal”, a “fonte primal da existência”. A tese é bastante diferente da longa tradição astronômica desde Ptolomeu, que sempre viu o Sol como apenas mais uma energia planetária, que influenciava as demais, mas também sofria influências poderosas delas. Seja lá como for,a idéia de Leo rendeu um bocado, graças principalmente à oferta de horóscopo por apenas um xelim (subdivisão hoje obsoleta que equivalia a um vigésimoda libra britânica). Ele fundou um curso de astrologia por correspondência, abriu uma editora e montou filiais em Paris e Nova York.Quem seguiu os passos de Leo com sucesso estrondoso foi a americana Evangeline Adams. Dizendo-se descendente de John Quincy Adams, um dos primeiros presidentes dos EUA, a astróloga oferecia seus serviços para uma variada clientela, até ser presa por charlatanismo, em 1914. Adams não se intimidou: no julgamento, convenceu o juiz de que a astrologia era uma ciência séria. Absolvida, tornou-se a primeira astróloga a ter programa de rádio em 1930, além de lançar uma autobiografia e 3 guias astrológicos paraleigos. Seus clientes incluíam o rei inglês Eduardo 7º e o ator Charles Chaplin.
Tudo isso não passaria de esquisitices do Renascimentonão fosse pelo fato de que a dobradinha Brahe-Kepler ajudou a fundar a ciência moderna, ao lado de sujeitos como Galileu Galilei e, mais tarde, Isaac Newton. As medições realizadas no nababesco observatório de Brahe, numa ilha do mar Báltico com instalações subterrâneas e instrumentos gigantes que permitiam observações com precisão inédita, fizeram com que Kepler desvendasse o movimento dos planetas do sistema solar e abrisse caminho para a compreensão da lei da gravidade. Ambos acreditavam piamente na conexão entre a ordem do Universo e a vida humana. E garantiam que o melhor jeito de encontrá-la era traçar um mapa astral.
É isso mesmo que você acaba de ler: embora a ciência hoje seja uma inimiga feroz da astrologia, questionando seus princípios, ela tem uma dívida um bocado grande com a arte de ler os desígnios dos astros. Por séculos, os sujeitos que tentavam entender a ordem do Cosmos eram os mesmos que recebiam gordas recompensas para contar aos poderosos o que o futuro reservava – e não pense que eles faziam isso só para descolar um extra no fim do mês. Conheça a história de como a astrologia fez o conhecimento científico avançar – e de como as duas coisas terminaram por se separar, provavelmente sem chance de reconciliação.
Ao juntar o conhecimento sobre as constelações com o caminho que o Sol, a Lua e os planetas descrevem no céu, os povos antigos passaram a contar com um verdadeiro relógio cósmico, que os ajudava a prever mudanças relevantes no clima e na natureza. Isso se tornou ainda mais importante com o avanço da agricultura, porque o único jeito de plantar e colher no tempo certo era seguir os sinais do céu. É claro que não dá para afirmar nada sobre isso com certeza (afinal, tais fatos aconteceram milhares de anos antes que a história começasse a ser registrada em forma escrita), mas é bastante possível que a mente dos povos antigos tenha saltado da conexão entre os acontecimentos celestes e os ciclos da natureza para uma relação direta entre os astros e a história de cada ser humano.
Coincidência ou não, parece ter sido na Mesopotâmia, o mais antigo berço da agricultura, que a idéia do que hoje chamamos de astrologia tomou corpo. Cerca de 1 000 anos antes de Cristo – no mínimo -, povos como babilônios e assírios já sabiam prever com precisão eclipses do Sol e da Lua. E iam além disso. Nas tabuletas de argila usadas como livros por esses povos do atual Iraque, arqueólogos encontraram predições que associavam as mudanças no céu a calamidades na Terra: “Quando Júpiter estiver na frente de Marte, haverá trigo nos campos e homens serão mortos… quando Marte se aproximar de Júpiter, haverá grande devastação… naquele ano o rei de Akkad morrerá”, e por aí vão os registros. É dessa região que vem o mais antigo mapa astral traçado para o nascimento de alguém, uma criança que veio ao mundo ao sul da atual Bagdá em 29 de abril do ano 410 a.C. – o calendário na Babilônia já era solar, o que permitiu aos pesquisadores calcular com exatidão a data do nascimento.
Pouco a pouco, essas observações e predições relativamente simples foram dando lugar a um sistema padronizado, que dividia o céu em 12 casas, correspondentes aos 12 signos do zodíaco ainda usados hoje. Como o próprio Kepler explicaria mais tarde: “Os fazendeiros precisavam buscar seu calendário no céu. Quando a Lua estava cheia, eles podiam ver, por exemplo, que a primeira lua cheia aparecia nos chifres de Áries, a segunda perto das Plêiades, a terceira perto de Gêmeos etc., e que finalmente a 13ª aparecia de novo na primeira constelação”. Esse primeiro calendário, lunar, foi unido à trajetória do Sol para criar a primeira versão da folhinha de 365 dias que ainda utilizamos.
Os conhecimentos mesopotâmicos não demoraram a se espalhar. Para o oeste, eles chegaram até o Egito e a Grécia; para leste, foram abraçados pelos persas, lar da casta dos magos, a classe de sacerdotes envolvida no estudo da astrologia que daria origem à história dos Reis Magos. No século 4 a.C., boa parte dessas terras, das cidades-Estado gregas às fronteiras da Índia, foram anexadas ao império de Alexandre, o Grande, criando um ambiente propício para que o conhecimento astrológico (e astronômico) se tornasse unificado e padronizado.
A adoção do grego como língua oficial da ciência e da cultura só fez impulsionar o intercâmbio entre estudiosos dos astros. E quando Roma chegou ao poder, o conhecimento astrológico foi abraçado com entusiasmo por seus poderosos nobres. Consta que vários imperadores romanos não davam um passo sem consultar seu astrônomo particular. Adriano, cujo reinado terminou no ano 138, teria feito predições para si mesmo todo santo ano.
Foi por volta da mesma época que um egípcio de fala grega, Cláudio Ptolomeu, desenvolveu a tese de que o Universo era ordenado por um modelo geocêntrico, no qual o Sol, a Lua e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Foi a primeira vez que alguém tentou explicar de forma coerente a mecânica do Cosmos. Estava tudo errado, claro, mas para o que se sabia na época ele até que se saiu razoavelmente bem. O trabalho ficou conhecido pelo nome árabe de Almagesto.
A estrela islâmica
A queda de Roma acabou levando a uma diminuição do conhecimento astrológico na região durante os primeiros séculos da Idade Média. A prática da arte exigia um grau de educação formal e sofisticação tecnológica que sumiu junto com o domínio romano. Mas o surgimento do islã como nova potência mundial ajudou a preencher esse vácuo.
Com a conquista das regiões de influência persa e grega, a partir do século 7, os seguidores de Maomé traduziram para o árabe todas as principais obras ligadas à astrologia e às demais ciências da época. E, em muitos casos, ainda ampliaram esse conhecimento. Os árabes usaram a astrologia como base para avanços na matemática e na ótica, por exemplo. Quando as cruzadas colocaram em contato os mundos islâmico e cristão, as obras em árabe, traduzidas, impulsionaram avanços das ciências e das artes. A alquimia, “mãe” da química moderna, também tomou impulso com o conhecimento astrológico, porque considerava-se que os materiais alquímicos eram influenciados por princípios dos astros – acreditava-se que metais eram ligados a planetas, por exemplo. No espaço, as estrelas que formam Libra ou Aquário ocupam posições sem qualquer relação. Até onde sabemos, fora as influências óbvias do Sol e da Lua, astros têm pouco ou nada a ver com o dia-a-dia da Terra. Mas, sem a idéia de que isso poderia acontecer, talvez nunca tivéssemos chegado a um conhecimento mais claro da imensidão lá fora.

3761 – Odissay – Barraca espacial (?)


Nave Gênesis 1

Bilionário americano coloca estação espacial inflável em órbita por conta própria.
O americano é audaz: ele afirma que, num futuro próximo, vai dar para construir hotéis orbitais de luxo a partir de módulos infláveis. Se você achou absurdo, saiba que a idéia de ambientes assim no espaço é uma velha aposta da Nasa. A agência espacial chegou a cogitar seu uso para uma missão tripulada a Marte (conceito conhecido como “TransHab”, corruptela de “habitat de trânsito”). As vantagens do sistema são óbvias. Para começar, só se pode colocar em órbita algo que caiba no topo de um foguete, certo? Um compartimento inflável, que fica dobrado no lançamento e só infla no espaço, é uma excelente solução. Além do mais, a idéia economiza em peso – um módulo inflável é bem mais leve que um compartimento tradicional, como os que estão acoplados hoje na Estação Espacial Internacional. Tudo muito bonito, mas tem um probleminha: como produzir um tecido inflável que resista à pressão atmosférica terrestre do lado de dentro, com o vácuo do espaço do lado de fora? Bigelow desenvolveu, depois de investir 75 milhões de dólares, o que ele acredita ser a solução. O material é composto do velho conhecido kevlar, usado em coletes à prova de balas, e vectran, uma fibra polimérica. O teste de fogo da tecnologia começou no último dia 12 de julho, quando um míssil balístico russo adaptado como lançador de satélites levou a primeira espaçonave desenvolvida pela Bigelow Ae-rospace à órbita terrestre. “Em 2000, eu anunciei a meta de ter nosso pri-meiro complexo turístico no espaço em 2015”, diz Bigelow. “Podemos estar mais adiantados nesse processo”, complementa, sugerindo que seu hotel deve entrar em órbita já em 2012.
A nave Genesis-1, da Bigelow Aerospace. Com 2,4 m de diâmetro e 4,5 m de comprimento, ela está em órbita desde julho. Uma Genesis-2 deve subir em breve, e desta vez qualquer um poderá mandar uma lembrancinha ao espaço – contanto que pague US$ 295.

3760 – Odissay – Terra já teve uma segunda lua, que colidiu com a atual


Folha Ciência

A Terra já teve duas luas e, mais de 4 bilhões de anos atrás, elas se chocaram.
A menor levou a pior e acabou esmagada por aquela que vemos no céu até hoje. O incidente, no entanto, deixou marcas: o satélite tem um lado “torto”, assimétrico.
Giro sincronizado faz hemisfério da Lua ficar ‘invisível’
Nasa descobre asteroide vizinho que compartilha órbita da Terra
Foto da Nasa mostra como a Lua é vista do espaço
É essa a explicação que uma dupla de cientistas propõe, em artigo publicado nesta quinta-feira, para explicar as enormes diferenças na superfície entre os dois lados do satélite.
Os pesquisadores acreditam que as duas luas se formaram no mesmo evento: uma colisão entre a Terra e um objeto do tamanho de Marte ainda nos primórdios do Sistema Solar.
A grande quantidade de resíduos que esse choque provocou teria dado origem aos dois satélites.
A minilua teria cerca de um terço do diâmetro da atual (1.200 km), mas apenas 4% de sua massa.
Usando simulações e cálculos avançados no computador, os autores do trabalho, publicado na revista “Nature”, concluíram que o outro satélite, antes de atingir a Lua, passou milhares de anos convivendo com ela.
A minilua só não foi destruída antes devido à localização estratégica que ela acabou ocupando.
Ela se encontrava no que se chama de órbita troiana: pontos localizados à frente ou atrás da órbita da Lua, em posições onde a gravidade dela e a da Terra estavam equilibradas. Uma área mais “calma” e estável para o desenvolvimento do objeto.
Com o tempo e a expansão da órbita da nossa atual Lua, a trajetória da sua companheira acabou se desestabilizando, e elas colidiram.
CHOQUE
A batida teria acontecido em uma velocidade relativamente baixa. Algo aproximadamente entre 7.200 km/h e 10.800 km/h.
Como a Lua ainda estava “mole” –não havia se solidificado por completo após a formação–, o choque “lento” teria provocado as enormes elevações de mais de 2 km presentes hoje, ao invés de uma grande cratera.
Boa parte do material –que tinha essencialmente a mesma composição do da Lua– acabou “espalhada” por nosso satélite como uma camada muito espessa.
Com o impacto, o magma (grosso modo, rocha liquefeita) que ainda existia na Lua foi empurrado para o outro lado, o que explicaria por que certos elementos, como o fósforo e o urânio, estão concentrados na crosta.
CRÍTICA
“Do ponto de vista da simulação do choque entre as duas luas, o artigo é impecável. O modelo é muito bom. as hipóteses que eles colocam são bem razoáveis”, avalia Fernando Roig, pesquisador do Observatório Nacional.
Para ele. no entanto, o que ainda precisa de mais esclarecimentos são os modelos orbitais no momento da colisão entre os corpos. “É o elo fraco do artigo. Precisa ser mais esclarecido”, avalia o cientista.

3760 – Mapeados genes ligados ao tumor cerebral


Uma equipe internacional de cientistas, incluindo uma pesquisadora da USP, mapeou genes importantes para o surgimento de um tipo de câncer de cérebro muito comum em adultos.
Os chamados oligodendrogliomas, apesar do nome obscuro, afetam 20% das pessoas que desenvolvem tumores cerebrais depois da infância.
Já se sabia da associação entre esse tipo de tumor e alterações nos cromossomos (as estruturas enoveladas que abrigam o DNA) números 1 e 19. Agora, a equipe integrada por Suely Nagahashi Marie, da USP, verificou mutações nos genes FUBP1 e CIC, localizados nesses cromossomos.
As alterações genéticas podem servir, no futuro, para identificar com precisão a variante do tumor e direcionar melhor as terapias contra o câncer, escreve a equipe de pesquisadores.
O estudo sairá numa edição futura da “Science”.

3759 – Odissay – Nasa anuncia evidência de água líquida na superfície de Marte


Água em Marte

A Nasa (agência espacial americana) confirmou, nesta quinta-feira, ter fortes evidências da existência de água líquida na superfície de Marte.
Os dados foram coletados pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) durante os meses mais quentes do planeta vermelho.
“[A descoberta] reafirma Marte como um importante destino para a exploração humana no futuro”, comentou o administrador da Nasa, Charles Bolden.
A água líquida, que seria salgada, aparece em encostas voltadas para o hemisfério sul de Marte –a existência de água congelada próximo à superfície, em diversas regiões do planeta, já havia sido anunciada antes.
De cor enegrecida, a substância foi vista durante a primavera e o verão. No inverno, tornou-se menos visível. E voltou a surgir na primavera seguinte.
“As linhas escuras são diferentes de outros tipos de recursos [encontrados] nas encostas marcianas”, disse o cientista Richard Zurek, do projeto JPL (Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa, sigla em inglês), em Pasadena, Califórnia.
“Repetidas observações mostram que [elas] se estendem cada vez mais para baixo com o tempo, durante o aquecimento da temporada.”
Segundo Alfred McEwen, da Universidade do Arizona e principal autor de um estudo sobre o assunto publicado nesta quinta-feira na revista “Science”, o fluxo não é negro por estar úmido, mas por outras razões ainda desconhecidas.
Alguns aspectos das observações feitas pela sonda intrigam os cientistas, mas o fato de a água ser salgada reforçaria a hipótese de o solo marciano conter o líquido.
Nas estações mais quentes, a temperatura local subiria acima do ponto de congelamento e a água escorreria sob uma fina camada de poeira, encosta abaixo.
Depósitos salinos na superfície marciana eram abundantes no passado, e estudos recentes sugerem que eles ainda se formariam de modo mais limitado em algumas áreas.

3758 – Bomba de Fundo de Quintal – Sueco é preso por tentar criar fissão nuclear no fogão de casa


A polícia prendeu um sueco pela tentativa de quebrar átomos na cozinha de sua casa –praticamente uma bomba atômica caseira. Os experimentos, disse ele nesta quarta-feira, eram apenas um hobby.
Richard Handl, 31, mantinha elementos radioativos –como rádio, amerício e urânio– no edifício onde morava.
Handl explicou que, durante meses, tentou construir um reator nuclear. Em seu blog, ele descrevia como havia criado uma pequena fissão dentro de um fogão.
Só mais tarde o sueco se deu conta que suas tentativas poderiam ser ilegais. Ao questionar o órgão máximo de energia nuclear na Suécia, recebeu como resposta uma denúncia à polícia.
“Sempre fui interessado em física e química”, comentou Handl. Ele acrescentou que queria ver se era realmente possível dividir átomos em casa.
O sueco pode pegar até dois anos na prisão, embora afirme que a polícia não detectou níveis perigosos de radiação no apartamento.
Preso no fim do mês de julho, ele reconheceu que seu projeto não foi uma das melhores ideias. “De agora em diante, vou ficar com a teoria”, disse.

3757 – Odissay – Nasa se prepara para lançar sonda Juno nesta sexta-feira


Introdução
A série “Odyssay” que começa a partir dessa matéria, irá trazer notícias de Astonomia, Astronáutica, Astrofísica e Turismo Espacial, aqui no Mega.

O Foguete Atlas 4. O nome Atlas é em referência a lenda do gigante com o mesmo nome

A Nasa (agência espacial americana) se prepara para lançar por volta das 12h34 (horário de Brasília) desta sexta-feira a sonda de exploração espacial Juno da base em Cabo Canaveral, na Flórida (EUA). A viagem rumo ao planeta gasoso Júpiter levará cinco anos.
A missão tem como meta colher dados que expliquem como Júpiter se formou.
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“Se quisermos voltar no tempo e compreender de onde viemos e como os planetas apareceram, o segredo está em Júpiter”, destacou o principal cientista do programa Juno e membro do Southwest Research Institute (EUA), Scott Bolton.
O observatório, que não terá tripulação, foi desenhado para viajar pelo espaço a bordo do foguete Atlas 4.
Assim que chegar a seu destino, em julho de 2016, a nave orbitará os polos do gigantesco planeta, que supostamente foi o primeiro a ser formar em torno do Sol e cuja massa é duas vezes superior a de todos os planetas do Sistema Solar juntos.
O nome Juno representa aquela que, na mitologia romana, é ao mesmo tempo mulher e irmã de Júpiter.
GALILEO

Em 1989, a Nasa havia lançado a sonda Galileo, que entrou em órbita em torno de Júpiter em 1995 e se desintegrou mergulhando no planeta em 2003.
Outros engenhos espaciais da Nasa –como os Voyager 1 e 2, Ulysses e New Horizons– também se aproximaram do quinto planeta a partir do Sol.
Desta vez, porém, a sonda estará bem mais perto de Júpiter, a apenas 5.000 km sobre a crista das nuvens.
A Juno vai utilizar uma série de instrumentos, entre eles alguns fornecidos pela Itália, França e Bélgica como parte de uma parceria com a ESA (Agência Espacial Europeia), para estudar o funcionamento do planeta e sondar suas entranhas.
Duas experiências significativas consistirão em avaliar a quantidade de água que o planeta contém e determinar se possui um núcleo de elementos pesados em seu centro –ou se é composto apenas de gás.
Os cientistas procuram, também, saber mais sobre os campos magnéticos de Júpiter e sobre sua mancha vermelha, local de uma tempestade que causa furor há mais de 300 anos.