3601 – Mega Almanaque – Futebol: Guerra em Campo


Copa de 1998, na França. Dois países inimigos entram no estádio em suspense. Será que o ódio nacional vai ser transportado para o campo e um jogador terminará com fratura exposta na fíbula? O zagueiro vai sacar uma espada e atravessar o estômago do centroavante? Quando os times entram em campo, não é isso que ocorre. É mais surpreendente ainda: os 11 jogadores que representam o Irã, país governado por islâmicos fundamentalistas, oferecem flores à encarnação do “Grande Satã”, os 11 atletas dos EUA. Depois, confraternizam e posam para fotos.
Poucos jogos causaram tanta tensão como esse. E o motivo começou em 1979: uma revolução no Irã tirou do poder o xá Reza Pahlevi, monarca simpático a costumes ocidentais como o futebol, e deu o comando ao aiatolá Khomeini, que preferia reza séria e luta livre. Sua pregação antiamericana transformou em reféns, por 14 meses, os funcionários da embaixada dos EUA. Do outro lado, na década de 1980, os EUA apoiaram o Iraque na guerra contra o Irã.
Em 1998, o sorteio colocou as duas seleções no mesmo grupo. A rigor, os jogadores iranianos não tinham razão para odiar os adversários. Na verdade, os aiatolás eram mais danosos. Eles oprimiam o futebol numa repressão de conseqüências trágicas: em 1984, o regime executou Habib Khabiri, capitão da seleção na Copa de 1978, acusado de ligações com a oposição.
srael contra todos
Na geografia, Israel pertence à Ásia. Mas, desde 1982, o país tem de se deslocar para as eliminatórias da Europa ou Oceania, onde não há hostilidade muçulmana ao Estado judeu. A inimizade política com os vizinhos, porém, quase rendeu bons frutos – no caso, uma vaga para a Copa de 1958. Indonésia, Egito e Sudão se recusaram a entrar em campo para partidas contra Israel. Mas a Fifa determinou que era necessário fazer ao menos um jogo para legitimar a vaga e colocou o País de Gales como adversário. Deu Gales.
Feridas recentes
As guerras étnicas da década de 1990 entre as repúblicas que antes formavam a Iugoslávia ainda se refletem no futebol. Quando Sérvia e Montenegro derrotou a Bósnia numa decisão direta de vaga para a Copa de 2006 em Belgrado, a capital sérvia, as duas torcidas se enfrentaram arremessando cadeiras e disparando rojões. Pelo menos 6 pessoas tiveram ferimentos sérios. As duas federações receberam multas entre 23 mil e 26 mil euros. Teme-se que a punição não baste para impedir tumultos semelhantes sempre que duas ex-repúblicas iugoslavas se enfrentarem.
Metrópole X Colônia
O jogo entre Portugal e Angola na Copa de 2006 seria apenas mais um entre metrópole e uma ex-colônia (como Inglaterra x EUA em 1950 ou Portugal x Brasil em 1966). Mas, além das tensões geradas até a independência de Angola, em 1975, há um incômodo antecedente futebolístico: um amistoso em Lisboa, em 2001, que era para ser uma festa do tipo “união fraternal entre os povos” e acabou com 4 jogadores angolanos expulsos por faltas violentas, imigrantes angolanos quebrando cadeiras, e 5 a 1 para Portugal no placar.
Que país é esse?
A Guerra das Malvinas, entre Argentina e Inglaterra, ocorreu semanas antes da Copa de 1982. Por causa da batalha, a rádio argentina Rivadávia proibiu os narradores de Inglaterra x Alemanha de pronunciar as palavras “britânico” e “Inglaterra”. O locutor Juan Carlos Morales e dois comentaristas usaram termos como “o time de vermelho”, “o adversário da Alemanha” e até “os piratas”. A exceção ocorreu quando um repórter se distraiu e soltou o nome proibido: “Está machucado o 5 da Inglaterra, Coppell”.
A frase
“Hundurenho, peguem um pau e mate um salvadorenho”
Adesivo nos vidros de carros em Honduras, em 1969, quando 3 tensas partidas de eliminatórias contra El Salvador (num dos jogos, 14 torcedores hondurenhos morreram) provocaram a “Guerra do Futebol”. O pretexto esportivo motivou um acerto de contas na velha disputa por território e o Exército salvadorenho invadiu Honduras. A batalha durou 4 dias e, na estimativa mais otimista, matou 2 mil pessoas.

3600 – Medicina – Risco de câncer aumenta com a altura


Alto preço da estética
Pessoas mais altas têm maior risco de desenvolver câncer ao longo da vida, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford.
De acordo com os resultados, a cada dez centímetros a mais de altura, o risco de ter um dos dez tipos mais comuns de câncer aumenta 16%.
O estudo, publicado na revista científica “Lancet Oncology”, acompanhou 1,3 milhão de mulheres de meia-idade no Reino Unido, entre 1996 e 2001.
Entre as mulheres mais baixas (com menos de 1,52 metro), foram registrados 750 casos de câncer por grupo de cem mil por ano, enquanto entre as de altura mediana (1,62 metro) o número subiu para 850 casos de câncer, e no grupo mais alto (1,75 metro), houve 1 mil casos.
Hormônio de Crescimento
Os tipos de câncer que seriam afetados pela altura são de cólon, retal, melanoma maligno, mama, útero, ovário, rim, linfoma, linfoma não hodgkin e leucemia.
Apesar de o estudo ter analisado apenas dados de mulheres, os pesquisadores dizem que a relação com a altura também está presente nos homens. Eles reuniram outras dez pesquisas que mostravam resultados similares com homens.
“Claro que a altura em si não pode afetar o câncer, mas pode ser um indicador para outra coisa”, diz a responsável pela pesquisa, Jane Green, da Universidade de Oxford.
Especialistas acreditam que a explicação pode estar na quantidade de hormônios de crescimento presentes na infância, que poderiam influenciar dois fatores.
O primeiro é o número de células. Pessoas mais altas têm mais células no corpo, logo há mais células que podem sofrer mutações, o que levaria ao câncer.
Outra possibilidade é que os hormônios aumentem a taxa de divisão celular, o que aumentaria o risco de câncer.
Mas os pesquisadores admitiram não saber ao certo a razão por trás dos resultados.
ALARDE DESNECESSÁRIO
A diretora de informação da ONG Cancer Research UK, Sara Hiom, acredita que não há razão para alarde.
“Pessoas altas não precisam se alarmar com estes resultados. A maior parte das pessoas não é muito mais alta ou baixa que a média, e a altura delas vai ter apenas um pequeno efeito no seu risco individual de câncer”, diz ela.
“Não podemos controlar nossa altura, mas há várias escolhas de estilo de vida que as pessoas podem fazer que, como sabemos, podem ter um grande impacto na redução do risco de câncer, como parar de fumar, beber moderadamente, manter um peso saudável e ter uma vida ativa.”

3599 – Com o fim dos ônibus espaciais, Nasa aposta em viagens a Marte


Tão logo se confirmou o retorno com segurança do ônibus espacial Atlantis, nesta quinta-feira, dezenas de funcionários do Centro Espacial Kennedy que acompanharam e orientaram o pouso da nave se abraçaram e se cumprimentaram pelo feito.
“Nós tivemos a rara oportunidade de assistir à História”, disse o administrador da Nasa (agência espacial americana), Charles Bolden. “Viramos a página de uma era memorável e começamos o próximo capítulo da extraordinária exploração [espacial] dos Estados Unidos.”
Sobre o futuro, o administrador disse que quer enviar astronautas americanos a regiões onde nunca ninguém esteve antes, focando a exploração e a inovação espacial.
“As crianças que sonham em se tornar astronautas não devem voar em ônibus espaciais… mas, um dia, eles poderão andar em Marte”.
Bolden fez um discurso em que salientou a participação da equipe de terra, dos quais participam especialistas de várias áreas, que garantiram a volta dos quatro astronautas, tidos como heróis.
Uma recepção especial para a tripulação do Atlantis está marcada para esta sexta-feira (22) em Houston, no Texas, local onde os astronautas da Nasa costumam se preparar para as missões.

3598 – Astrônomos encontram quarta lua de Plutão


A 4ª Lua de Plutão é a menor de todas

Imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble confirmaram a mais recente descoberta na astronomia: a quarta lua de Plutão.
O novo corpo celeste recebeu temporariamente o nome de P4 e seu achado ocorreu de forma casual. O Hubble realizava a procura de anéis no planeta-anão.
“É notável que as câmaras do Hubble nos possibilitaram ver claramente um objeto tão pequeno (que está) a mais de 5 bilhões de quilômetros”, comentou Mark Showalter, do Instituto Seti, na Califórnia, que lidera o programa de observação espacial.
O P4 é o a menor lua de todas que orbitam Plutão e seu tamanho é estimado entre 13 a 34 km. A maior, que seria Caronte, tem 1.043 km, segundo a Nasa (agência espacial americana). As outras são Nix e Hidra –a nova lua está localizada entre as duas.
A lua foi fotografada pelas câmeras do Hubble, pela primeira vez, em 28 de junho. A confirmação veio pouco depois com outras imagens tiradas em 3 e 18 de julho.